{"id":99,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=99"},"modified":"2014-07-20T16:06:36","modified_gmt":"2014-07-20T16:06:36","slug":"para-que-acreditem-e-tenham-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/para-que-acreditem-e-tenham-a-vida\/","title":{"rendered":"Para que acreditem e tenham a vida"},"content":{"rendered":"<p>Orienta\u00e7\u00f5es para a catequese actual da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa  \u0000 <!--more--> 1.  INTRODU\u00c7\u00c3O: A RENOVA\u00c7\u00c3O DA CATEQUESE. A renova\u00e7\u00e3o dos catecismos que, neste momento, se torna urgente, leva-nos a tomar consci\u00eancia da necessidade de esclarecer a identidade da catequese que pretendemos p\u00f4r em pr\u00e1tica. Os catecismos s\u00e3o instrumentos para fazer catequese. Para definir as caracter\u00edsticas dos catecismos, precisamos de esclarecer tamb\u00e9m a obra que queremos realizar com eles e o contexto em que devem situar-se, ou seja, a educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que conduza ao crescimento da vida crist\u00e3.  A catequese encontra-se, h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas, num processo de renova\u00e7\u00e3o de forma a responder \u00e0s profundas mudan\u00e7as do contexto cultural. Como declarou o S\u00ednodo de 1977: \u201cA renova\u00e7\u00e3o da catequese \u00e9 um dom do Esp\u00edrito Santo concedido \u00e0 Igreja nos dias de hoje\u201d (CT3). Verificou-se, primeiramente, a n\u00edvel pedag\u00f3gico, integrando os m\u00e9todos activos, procurando uma rela\u00e7\u00e3o mais forte com a vida, adoptando os \u00e1udio &#8211; visuais, prestando maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica do acto catequ\u00e9tico. Depois,  sobretudo com o Conc\u00edlio Vaticano II, renovaram-se tamb\u00e9m os conte\u00fados doutrinais, seguindo a perspectiva da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e acompanhando o ritmo do ano lit\u00fargico. A catequese torna-se mais b\u00edblica e mais ligada  \u00e0 experi\u00eancia dos catequizandos e das comunidades. Como regista o Direct\u00f3rio Geral de Catequese: \u201cOs trinta anos decorridos desde a conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II at\u00e9 aos umbrais do terceiro mil\u00e9nio constituem, sem d\u00favida, um tempo extremamente rico de orienta\u00e7\u00f5es e propostas para a catequese. Foi um tempo que, de alguma maneira, recuperou a vitalidade evangelizadora da primeira comunidade eclesial; foi um tempo que relan\u00e7ou oportunamente o ensinamento dos Padres e favoreceu a descoberta do antigo catecumenado\u201d (DCG 2).  A Igreja em Portugal procurou acompanhar a renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica  conciliar definindo um programa de catequese  para a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia  traduzido num itiner\u00e1rio de dez anos [com dez catecismos], aprovado pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, em Novembro de 1988. Estes dez catecismos, publicados a partir de 1991 e 1992, contribu\u00edram para um itiner\u00e1rio mais extenso da catequese de inicia\u00e7\u00e3o, para um reconhecimento da import\u00e2ncia da catequese, para uma dedica\u00e7\u00e3o mais generosa e uma forma\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida dos catequistas  e, certamente, tamb\u00e9m para o crescimento das comunidades.  Hoje, a generalidade das par\u00f3quias t\u00eam a funcionar o itiner\u00e1rio de dez anos de catequese, frequentado por uma percentagem not\u00e1vel de crian\u00e7as. A quase totalidade chega \u00e0 Primeira Comunh\u00e3o. Muitos at\u00e9 ao Crisma. O n\u00famero de catequistas aumentou e a prepara\u00e7\u00e3o procura ser mais cuidada. A catequese dos adultos e dos jovens \u00e9 tamb\u00e9m uma realidade cada vez mais consistente.  a) Enriquecimento da concep\u00e7\u00e3o de catequese e dos seus conte\u00fados   No entanto, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o dos catecismos, v\u00e1rias mudan\u00e7as significativas pedem uma renova\u00e7\u00e3o continuada da catequese e uma revis\u00e3o dos catecismos. Verificaram-se profundas mudan\u00e7as culturais na sociedade, na fam\u00edlia, na pr\u00e1tica religiosa das pessoas  que colocam dificuldades sempre diferentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9. A situa\u00e7\u00e3o dos catequizandos apresenta-se cada vez mais diversificada, tanto a n\u00edvel de idades como a n\u00edvel religioso. Chegam muitas crian\u00e7as \u00e0 catequese sem os rudimentos de vida crist\u00e3, a necessitar do despertar da f\u00e9. Aparecem igualmente muitos adultos e jovens com percursos muito variados. A indiferen\u00e7a religiosa difunde-se cada vez mais. O laicismo militante cria muita confus\u00e3o e d\u00favidas acerca da verdadeira identidade crist\u00e3. A ignor\u00e2ncia religiosa continua profunda, apesar de muitos completarem o itiner\u00e1rio de dez anos. O afastamento da pr\u00e1tica dominical parece aumentar. Muitas  crian\u00e7as que frequentam a catequese n\u00e3o participam na Missa dominical. Chegados ao Crisma s\u00e3o bastantes os que abandonam a Eucaristia.  Esta situa\u00e7\u00e3o precisa de ser consciencializada e reflectida por todos n\u00f3s. Estaremos a formar disc\u00edpulos de Cristo se, ap\u00f3s dez anos de catequese, n\u00e3o est\u00e3o esclarecidos sobre os elementos fundamentais do cristianismo, n\u00e3o t\u00eam contacto habitual com a fonte da vida que \u00e9 a Eucaristia, n\u00e3o mostram pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o nem necessidade de escutar a Palavra da vida? Que factores devemos ter em conta na catequese para que realize eficazmente a transmiss\u00e3o da f\u00e9?  Por outro lado,  nestes \u00faltimos anos, o Magist\u00e9rio da Igreja oferece-nos novos elementos que v\u00eam enriquecer a concep\u00e7\u00e3o de catequese e o seu conte\u00fado e convidam a continuar a renova\u00e7\u00e3o desta ac\u00e7\u00e3o primordial da miss\u00e3o da Igreja. Entre estes textos devemos destacar: \u201cO Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica\u201d (11 de Outubro de 1992) \u201c como texto de refer\u00eancia, seguro e aut\u00eantico, para o ensino da doutrina cat\u00f3lica e , de modo particular, para a elabora\u00e7\u00e3o dos catecismos locais\u201d (FD 4); o \u201cDirect\u00f3rio Geral de Catequese\u201d (Vaticano, 15 de Agosto de 1997) \u201cum subs\u00eddio oficial da Santa S\u00e9 para a transmiss\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica e para o conjunto do acto catequ\u00e9tico\u201d (DGC120). Outros documentos recentes do Magist\u00e9rio, de modo especial as Exorta\u00e7\u00f5es Apost\u00f3licas relacionadas com a evangeliza\u00e7\u00e3o do Novo Mil\u00e9nio e do continente europeu (\u201cTertio Millennio Adveniente\u201d (10 de Novembro de 1994); \u201cNovo Millennio Ineunte\u201d(6 de Janeiro de 2001); \u201cEcclesia in Europa\u201d (28 de Junho de 2003) oferecem-nos tamb\u00e9m elementos de grande riqueza para a an\u00e1lise dos sinais dos tempos e para a renova\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o da Igreja, designadamente, da catequese.  b) Aspectos da catequese a reflectir  \u00c0 luz destes documentos, achamos, portanto, necess\u00e1rio fazer uma reflex\u00e3o sobre os principais aspectos da catequese que proporcione uma vis\u00e3o de conjunto da renova\u00e7\u00e3o pastoral desta actividade: as dificuldades e as possibilidades da transmiss\u00e3o da f\u00e9 no mundo de hoje; a catequese na perspectiva da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, t\u00e3o recomendada para o novo mil\u00e9nio; a catequese ao servi\u00e7o da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3; a catequese como tarefa de toda a comunidade e as diferentes responsabilidades pastorais dos seus membros; a necessidade de percursos catequ\u00e9ticos para todas as idades; e, finalmente, os crit\u00e9rios de renova\u00e7\u00e3o dos catecismos. Procuramos apresentar uma vis\u00e3o resumida das principais quest\u00f5es de modo que este texto possa ser reflectido por todos os agentes da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 &#8211; pais e educadores, p\u00e1rocos e catequistas, crist\u00e3os empenhados na comunidade. Desejamos promover uma reflex\u00e3o ampla e de conjunto pois a catequese \u00e9 fun\u00e7\u00e3o de toda a comunidade crist\u00e3 e s\u00f3 com o compromisso dos fi\u00e9is mais empenhados se pode alcan\u00e7ar uma pr\u00e1tica renovada desta actividade pastoral.  Em s\u00edntese: estas orienta\u00e7\u00f5es para a catequese actual t\u00eam em vista aplicar ao nosso contexto cultural e \u00e0 nossa situa\u00e7\u00e3o eclesial as novas perspectivas do Direct\u00f3rio Geral de Catequese que, por sua vez, se orientou \u201cpor duas exig\u00eancias principais: &#8211; por um lado, a contextualiza\u00e7\u00e3o da catequese na evangeliza\u00e7\u00e3o, requerida pelas Exorta\u00e7\u00f5es Evangelii Nuntiandi e Catechesi Tradendae; &#8211; por outro lado, o assumir dos conte\u00fados da f\u00e9 propostos pelo Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica\u201d (DGC 7).   2. CATEQUESE E  TRANSMISS\u00c3O DA F\u00c9    \u201cIde por todo o mundo pregai o evangelho a toda a criatura: Quem acreditar e for baptizado ser\u00e1 salvo\u201d (Mc 16,15-16). A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 anunciar o Evangelho para que os ouvintes acreditem que Jesus Cristo \u00e9 o Salvador do mundo, o Filho de Deus e, acreditando, tenham a vida em seu nome (Cf Jo 20,31). A catequese situa-se nesta linha. Tem em vista transmitir a Palavra de Deus que revela o Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o realizado em Jesus Cristo de modo a despertar a f\u00e9 e a convers\u00e3o ao Senhor e a viver em comunh\u00e3o com Ele (CT 5 e 6).  Em boa verdade, a f\u00e9 n\u00e3o se transmite. \u00c9 dom de Deus \u00e0quele que O acolhe. Brota do di\u00e1logo misterioso entre Deus que se revela e o acolhimento do homem que procura a luz e a salva\u00e7\u00e3o. A iniciativa vem de Deus que espera uma resposta livre e comprometida do homem. Deste modo, a f\u00e9 tem uma dimens\u00e3o transcendente que est\u00e1 para al\u00e9m das nossas possibilidades. Mas a f\u00e9 n\u00e3o nasce do nada. Ela sup\u00f5e um an\u00fancio: \u201cCom efeito, quem invocar o nome do Senhor ser\u00e1 salvo. Mas como o invocar\u00e3o, sem terem acreditado n\u2019Ele? E como acreditar\u00e3o n\u2019Ele, sem O terem ouvido? E como O ouvir\u00e3o, se ningu\u00e9m O proclama? E como proclam\u00e1- Lo, sem ser enviado?&#8230;Assim a f\u00e9 vem da prega\u00e7\u00e3o e a prega\u00e7\u00e3o \u00e9 o an\u00fancio da Palavra de Cristo\u201d(Rom 10,13-17). S\u00e3o Paulo afirma ainda que transmite o que ele mesmo recebeu, a saber, o an\u00fancio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus como acontecimento de salva\u00e7\u00e3o universal (Cf 1 Cor 15,3-4). O mist\u00e9rio de Cristo e o Seu Evangelho est\u00e3o no centro do an\u00fancio. Esta Boa Nova n\u00e3o se reduz a palavras, mas \u00e9 um acontecimento que vem at\u00e9 n\u00f3s. Para Paulo, na prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que fala. A Sua Palavra viva vem a n\u00f3s numa rela\u00e7\u00e3o e numa escuta que incarna nas nossas vidas.  O ve\u00edculo habitual de que o Senhor se serve para chamar algu\u00e9m \u00e0 f\u00e9 \u00e9, portanto, a transmiss\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o, sobretudo o an\u00fancio e o testemunho vivo, entusiasmante do Evangelho. Por isso, comunicar a revela\u00e7\u00e3o de modo a despertar e solidificar a f\u00e9 \u00e9 a tarefa fundamental das comunidades crist\u00e3s. Dentro desta tarefa tem um lugar relevante a catequese. Utilizamos, portanto, a express\u00e3o \u201ctransmiss\u00e3o da f\u00e9\u201d com o sentido de comunica\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o de Deus, alicer\u00e7ada no testemunho vivo dos crentes e conjugada com a ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 por parte dos destinat\u00e1rios.  a) Novo contexto s\u00f3cio- cultural e religioso  Durante s\u00e9culos, num contexto de cristandade, a comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 passava quase espontaneamente de pais para filhos. O cristianismo fazia parte do patrim\u00f3nio moral e cultural que se recebia da fam\u00edlia e do ambiente. Hoje, por\u00e9m, a transmiss\u00e3o da f\u00e9 encontra dificuldades e levanta quest\u00f5es. Parece verificar-se menos abertura \u00e0 f\u00e9 tanto da parte das crian\u00e7as e adolescentes como dos jovens e adultos. De facto, das crian\u00e7as e adolescentes que frequentam a catequese muitos n\u00e3o adquirem o sentido da presen\u00e7a e da amizade de Deus e de Jesus Cristo. Por isso, n\u00e3o assimilam nem o h\u00e1bito nem o gosto pela ora\u00e7\u00e3o ou pela Eucaristia. Falta-lhes em geral uma rela\u00e7\u00e3o vivida com Deus e uma leitura da vida humana \u00e0 luz desta rela\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m entre os adultos, afastados ou descrentes, parece mais dif\u00edcil a transmiss\u00e3o da f\u00e9.  As dificuldades crescentes na ades\u00e3o ao Evangelho est\u00e3o certamente relacionadas com as profundas transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio- culturais que caracterizam um mundo novo. O modelo tradicional da comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 foi posto em causa no seio de uma sociedade pluralista, pluricultural, plurireligiosa e secularizada. Tamb\u00e9m o racionalismo, a mentalidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica produzem uma eros\u00e3o do facto religioso. Estamos diante de uma mudan\u00e7a profunda, em alguns aspectos in\u00e9dita em rela\u00e7\u00e3o ao passado, que exige ser reconhecida e interpretada com urg\u00eancia e lucidez.  Do ponto de vista cultural, a sociedade tornou-se numa esp\u00e9cie de supermercado em que \u00e9 oferecida uma pluralidade de estilos de vida e de modelos de valores que os incarnam, tantos deles estranhos ou opostos ao Evangelho. Do ponto de vista religioso, o cristianismo corre o risco de aparecer como uma voz entre tantas outras.  Quebrou-se o pacto de comunica\u00e7\u00e3o entre as gera\u00e7\u00f5es que vivem em universos culturais diferentes mesmo dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia e que se repercute ao n\u00edvel da f\u00e9. Assiste-se \u00e0 perda da mem\u00f3ria crist\u00e3 e ao alastrar do analfabetismo religioso.  As crian\u00e7as e os jovens est\u00e3o submetidos a uma abund\u00e2ncia de solicita\u00e7\u00f5es em que \u00e9 dif\u00edcil ver claro. Fruem de uma superinforma\u00e7\u00e3o que se torna fonte de quest\u00f5es, para as quais nem sempre encontram respostas. A sua paisagem interior \u00e9 influenciada pela cultura medi\u00e1tica, pela imagem e pela m\u00fasica. Atrav\u00e9s destes canais, que deveriam ser fonte de enriquecimento cultural, recebem por vezes uma imagem distorcida da f\u00e9 crist\u00e3 como algo ultrapassado, anti-moderno, como uma pris\u00e3o que impede a liberdade e o ser feliz. Na pr\u00f3pria escola e em certos ambientes confrontam-se com uma hostilidade \u00e0 educa\u00e7\u00e3o religiosa.  Assim ficou debilitada a transmiss\u00e3o da f\u00e9 que tinha os canais pr\u00f3prios na fam\u00edlia e nos diversos lugares onde se manifestava a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O ambiente social e cultural j\u00e1 n\u00e3o serve de suporte \u00e0 f\u00e9. Esta \u00e9 cada vez mais fruto de uma escolha pessoal.    b) Aberturas \u00e0 f\u00e9  No entanto, o homem tem sede de Deus, pois foi criado por Deus e para Deus. Procura a verdade, a beleza e o amor que s\u00f3 em Deus se encontram em plenitude. As gera\u00e7\u00f5es actuais continuam a mostrar abertura \u00e0 transcend\u00eancia e ao mist\u00e9rio: no desejo de autenticidade, proximidade, encontro e solidariedade, na abertura aos que sofrem, numa renovada busca de sentido do que vivem, sofrem e fazem. O homem actual \u00e9, portanto, capaz  de um acto de f\u00e9. Pode ser que esta apet\u00eancia de Deus esteja obnubilada pelo ambiente cultural. Por isso, a proposta da f\u00e9 deve ter em conta os preconceitos e desfaz\u00ea-los atrav\u00e9s de um esclarecimento oportuno (uma s\u00e3 apolog\u00e9tica). Perante a nova paisagem cultural requerem-se novos modos de comunicar a f\u00e9, novas linguagens, novas t\u00e9cnicas, novas atitudes.               Para propor a f\u00e9 \u00e0s pessoas do nosso tempo, precisamos de a apresentar incarnada numa cultura, concretizada em exemplos vivos e sinais vis\u00edveis, testemunhada numa comunidade crist\u00e3. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 apenas uma doutrina, ou um sentimento vago e abstracto. \u00c9 um modo de viver que tem dado forma \u00e0 vida admir\u00e1vel de muita gente e originado muitas manifesta\u00e7\u00f5es culturais (arte sacra, costumes sociais, valores morais das civiliza\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, etc.).   O despertar da f\u00e9 necessita de novas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, de um terreno em que a Boa Nova possa produzir fruto. \u00c9 a\u00ed que as comunidades e as fam\u00edlias s\u00e3o chamadas a desempenhar a sua miss\u00e3o. O despertar para a vida e para a f\u00e9, num mesmo movimento, come\u00e7a desde a inf\u00e2ncia. Os pais s\u00e3o chamados a comunicar o seu gosto de viver, a sua maravilha perante a vida e a transmitir  uma arte de viver em refer\u00eancia ao Evangelho. O seu contributo \u00e9 insubstitu\u00edvel, porque a f\u00e9 \u00e9 uma vida que se comunica, uma osmose que se realiza e n\u00e3o uma doutrina a inculcar. \u00c0 medida que o filho cresce, o testemunho dos adultos ajuda-o a construir-se. A fam\u00edlia precisa de reconhecer-se como o primeiro lugar social das crian\u00e7as, dos adolescentes e dos jovens com uma influ\u00eancia decisiva na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9.  Mas a transmiss\u00e3o da f\u00e9 deve estar associada, sobretudo, ao testemunho vivo de uma comunidade crist\u00e3. \u00c9 na comunidade que a f\u00e9 se manifesta em sinais de vida crist\u00e3, se concretiza em testemunhos vividos. \u00c9 na comunidade que a Palavra de Deus se realiza globalmente como palavra proclamada, celebrada e vivida. Nesse sentido, tamb\u00e9m a  celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e os gestos de caridade se tornam formas de transmiss\u00e3o da f\u00e9. Na verdade, a liturgia \u00e9 uma fonte de evangeliza\u00e7\u00e3o, enquanto diz (narra) o essencial da f\u00e9 ao longo do ano lit\u00fargico e introduz no mist\u00e9rio celebrado. Do mesmo modo, as manifesta\u00e7\u00f5es da piedade popular, que exprimem a vida crist\u00e3 em gestos, imagens e lugares concretos, relacionados com a vida real e com o afecto das pessoas, devem considerar-se uma via de acesso \u00e0 f\u00e9. O estilo de vida dos fi\u00e9is, quando caracterizado pela caridade e ajuda fraterna, pelo servi\u00e7o gratuito ao pr\u00f3ximo, pela defesa da justi\u00e7a e da dignidade dos mais d\u00e9beis, constitui igualmente uma proclama\u00e7\u00e3o do evangelho por gestos. O patrim\u00f3nio cultural e art\u00edstico, fonte de refer\u00eancias e de valores, mem\u00f3ria de exemplos vividos, deve ser considerado um lugar de educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, numa cultura medi\u00e1tica, precisam igualmente de ser valorizados numa perspectiva evangelizadora. Por\u00e9m, nenhuma destas vias dispensa o aprofundamento da f\u00e9.  3.  EVANGELIZA\u00c7\u00c3O E CATEQUESE  \u00c0 medida que a Igreja toma consci\u00eancia da descristianiza\u00e7\u00e3o do ambiente social procura responder a esta situa\u00e7\u00e3o renovando a sua ac\u00e7\u00e3o pastoral numa perspectiva de evangeliza\u00e7\u00e3o. Face ao alastrar da indiferen\u00e7a religiosa e \u00e0 paganiza\u00e7\u00e3o da cultura e da vida, n\u00e3o basta manter as tradi\u00e7\u00f5es e os h\u00e1bitos crist\u00e3os e responder ao pedido de ritos religiosos. N\u00e3o podemos \u00e0 partida pressupor a f\u00e9. Torna-se necess\u00e1rio despert\u00e1-la no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, converter os baptizados que n\u00e3o conhecem ou n\u00e3o praticam o cristianismo, levar o evangelho aos afastados. \u00c9 preciso come\u00e7ar a evangelizar pelo princ\u00edpio, p\u00f4r em pr\u00e1tica uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o.  Para nos guiar na nova evangeliza\u00e7\u00e3o temos uma b\u00fassola segura afirma o Papa: Os textos conciliares e o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, que pode chamar-se \u201c O Catecismo do Conc\u00edlio\u201d. Baseamo-nos tamb\u00e9m numa fonte preciosa, a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cEvangelii Nuntiandi\u201d  que nos oferece uma bela e actual reflex\u00e3o sobre \u201co modo de fazer chegar ao homem moderno a mensagem crist\u00e3, na qual somente ele poder\u00e1 encontrar a resposta \u00e0s suas interroga\u00e7\u00f5es e a for\u00e7a para a sua aplica\u00e7\u00e3o de solidariedade humana\u201d (EN 3).  A catequese \u00e9 um momento estruturante da evangeliza\u00e7\u00e3o. Precisa, portanto, de ter presentes as caracter\u00edsticas da evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo actual e situar-se neste processo com a sua identidade pr\u00f3pria e o seu contributo espec\u00edfico. De facto, a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o e a raz\u00e3o de ser da Igreja: ela foi congregada para ser enviada a levar o Evangelho. N\u00e3o tem raz\u00e3o de ser em si mesma, est\u00e1 ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o:\u201d Evangelizar constitui, de facto, a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da gra\u00e7a, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrif\u00edcio de Cristo na Santa Missa\u201d (EN 14).  a) Catequese evangelizadora.  Para se tornarem evangelizadoras, as ac\u00e7\u00f5es da Igreja devem ser realizadas de uma forma renovada, em resposta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o religiosa da nossa cultura. \u00c8 necess\u00e1rio encontrar caminhos novos que levem  ao encontro das pessoas afastadas, ouvir as suas quest\u00f5es e ilumin\u00e1-las com o evangelho. Nesse sentido a catequese, no contexto da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, deve  revestir algumas caracter\u00edsticas, tais como: \u00b7\tAdoptar um caracter mission\u00e1rio procurando assegurar a ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9. Para isso precisa de ir ao encontro da vida real dos catequizandos e de ter em conta as suas quest\u00f5es e experi\u00eancias de modo a responder-lhes. \u00b7\tCentrar-se no kerigma, ou seja, na pessoa de Jesus Cristo Ressuscitado e no Seu mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o. Jesus Cristo deve ser apresentado como Boa Nova, fonte de esperan\u00e7a e de sentido para a vida humana e para as quest\u00f5es das pessoas e da sociedade. \u00b7\tConvidar constantemente a uma atitude de convers\u00e3o ao Senhor em ordem ao crescimento na santidade pessoal e ao compromisso com o testemunho do Evangelho no mundo.  b) A catequese no processo global de evangeliza\u00e7\u00e3o.  Sendo complexa e constando de muitos elementos, a evangeliza\u00e7\u00e3o precisa de ser entendida como um processo que integra v\u00e1rios momentos com uma sequ\u00eancia pr\u00f3pria, como etapas de um itiner\u00e1rio din\u00e2mico, em que os momentos se completam e implicam mutuamente. A catequese \u00e9 um momento do processo de evangeliza\u00e7\u00e3o: tem uma etapa anterior que a prepara e precisa de ter continua\u00e7\u00e3o. Segundo a Evangelii Nuntiandi devemos considerar os seguintes momentos:  1. Presen\u00e7a e acolhimento. Para que os destinat\u00e1rios possam escutar a Boa Nova, precisam de ter o cora\u00e7\u00e3o bem disposto, atento e acolhedor. Nesse sentido, o primeiro passo e a atitude constante para evangelizar \u00e9 \u201ccaptar a benevol\u00eancia\u201d dos destinat\u00e1rios, tornando-se, no meio deles, uma presen\u00e7a amiga, acolhedora e solid\u00e1ria. \u00c0 semelhan\u00e7a de Jesus que pela Sua Encarna\u00e7\u00e3o se situou no meio de n\u00f3s para nos anunciar o Evangelho.( Cf EN 21; AG 10).  2. Primeiro an\u00fancio. N\u00e3o podemos permanecer na presen\u00e7a solid\u00e1ria e no acolhimento. \u00c9 indispens\u00e1vel o an\u00fancio expl\u00edcito de Jesus como Salvador do homem (EN 22), que conduza ao despertar da f\u00e9 e da convers\u00e3o. \u201cEm v\u00e1rias partes da Europa h\u00e1 necessidade do primeiro an\u00fancio do Evangelho aos n\u00e3o baptizados\u201d (E in E 46). \u201c Por toda a parte h\u00e1 necessidade de um renovado an\u00fancio, mesmo para quem est\u00e1 baptizado&#8230; Muitos baptizados vivem como se Cristo n\u00e3o existisse&#8230; o desafio n\u00e3o consiste tanto em baptizar os novos convertidos, mas em levar os baptizados a converterem-se a Cristo e ao seu evangelho\u201d (E in E 47).  3. Depois do primeiro an\u00fancio \u00e9 o momento da catequese que solidifica e faz amadurecer o primeiro an\u00fancio. \u201cO momento da catequese \u00e9 aquele que corresponde ao per\u00edodo em que se estrutura a convers\u00e3o a Jesus Cristo, oferecendo as bases para essa primeira ades\u00e3o. Os convertidos, mediante um ensinamento de toda a vida crist\u00e3 e uma aprendizagem devidamente prolongada no tempo, s\u00e3o iniciados no mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o e num estilo de vida evang\u00e9lico\u201d (DGC 63). A catequese \u00e9, assim, o momento \u201cfundamental\u201d e \u201cpriorit\u00e1rio\u201d de evangeliza\u00e7\u00e3o pois lan\u00e7a as bases que podem dar solidez \u00e0 vida crist\u00e3 futura (Cf DGC 63-64). A \u201cCatechesi Tradendae\u201d  caracteriza-a como: \u201cinicia\u00e7\u00e3o ordenada e sistem\u00e1tica \u00e0 revela\u00e7\u00e3o que Deus fez de si mesmo ao homem, em Jesus Cristo. Esta revela\u00e7\u00e3o est\u00e1 conservada na mem\u00f3ria profunda da Igreja e das Sagradas Escrituras, e \u00e9 constantemente comunicada, por uma \u201ctraditio\u201d viva e activa, de uma gera\u00e7\u00e3o a outra\u201d (CT 22).  4. Comunidade crist\u00e3 e sacramentos. A catequese conduz \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o activa na comunidade crist\u00e3 que celebra a presen\u00e7a e a ac\u00e7\u00e3o de Deus nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, v\u00e9rtice e fonte de vida crist\u00e3 (Cf SC 10). Este elemento constitui um indicador fundamental da boa realiza\u00e7\u00e3o da catequese. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 vida crist\u00e3 sem participa\u00e7\u00e3o na comunidade. Esta tem a raiz e o centro na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia (PO 6), principal escola de vida crist\u00e3 que, ap\u00f3s a catequese sistem\u00e1tica, garante a forma\u00e7\u00e3o permanente e o crescimento espiritual dos fi\u00e9is.  5. Comunidade crist\u00e3 e testemunho. A vida crist\u00e3 \u00e9 como os talentos do evangelho que s\u00e3o dados a cada um para p\u00f4r a render atrav\u00e9s do testemunho da caridade e do servi\u00e7o ao Reino de Deus. A vida crist\u00e3 \u00e9 como a luz que deve irradiar \u00e0 sua volta. O testemunho, por sua vez, fortalece e aprofunda a f\u00e9 dos fi\u00e9is. Estes momentos n\u00e3o s\u00e3o compartimentos aut\u00f3nomos e separados. Est\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o uns com os outros. Por isso a catequese n\u00e3o pode preocupar-se apenas em esclarecer e solidificar a f\u00e9 mas tamb\u00e9m em despert\u00e1-la e aviv\u00e1-la continuamente, retomando o primeiro an\u00fancio e orientando na convers\u00e3o ao Senhor (Cf CT 19). Precisa igualmente de orientar para a celebra\u00e7\u00e3o e para o testemunho da f\u00e9.  Jesus Cristo \u00e9 o Evangelho, a Boa Nova de Deus. Nesse sentido, a catequese \u00e9 evangelizadora se levar os catequizandos \u00e0 descoberta, \u00e0 amizade e ao seguimento de Jesus.   4. CATEQUESE E INICIA\u00c7\u00c3O CRIST\u00c3  A catequese \u00e9 um itiner\u00e1rio que tem em vista a vida crist\u00e3 adulta cuja express\u00e3o mais significativa \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia e, como consequ\u00eancia, na miss\u00e3o da comunidade. Ser crist\u00e3o n\u00e3o acontece de um momento para o outro. Tornamo-nos crist\u00e3os de forma gradual e progressiva, convertendo-nos dos \u00eddolos ao Deus vivo e crescendo continuamente na configura\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, ou seja, na santidade vivida na caridade.  a) Dinamismo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  No processo de crescimento na f\u00e9 h\u00e1 uma fase fundamental em que se lan\u00e7am os alicerces da vida crist\u00e3 e que, portanto, condiciona o edif\u00edcio futuro da f\u00e9: \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Inicia\u00e7\u00e3o consiste na incorpora\u00e7\u00e3o gradual e progressiva no mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja, atrav\u00e9s dos tr\u00eas sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3- Baptismo, Confirma\u00e7\u00e3o e Eucaristia- e da aprendizagem e treino nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da f\u00e9: conhecimento do essencial do mist\u00e9rio crist\u00e3o; celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 na Eucaristia e nos sacramentos; uni\u00e3o com o Senhor na ora\u00e7\u00e3o; pr\u00e1tica do Evangelho na caridade e no servi\u00e7o.  Na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 conjugam-se, deste modo, v\u00e1rios intervenientes (for\u00e7as): A iniciativa de Deus que nos comunica os seus dons nos sacramentos; a correspond\u00eancia pessoal do candidato que se esfor\u00e7a por converter-se e crescer nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da f\u00e9; e o papel da comunidade crist\u00e3 que testemunha a f\u00e9, acolhe e apoia o candidato.  A catequese est\u00e1 ao servi\u00e7o da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e, por isso, deve organizar-se como um itiner\u00e1rio que introduz nas referidas componentes da vida crist\u00e3: \u201c As tarefas da catequese correspondem \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nas diversas dimens\u00f5es da f\u00e9, uma vez que a catequese \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 integral, aberta a todas as componentes da vida crist\u00e3. Em virtude da sua pr\u00f3pria din\u00e2mica interna, a f\u00e9 implica ser conhecida, celebrada vivida e feita ora\u00e7\u00e3o. A catequese deve cultivar cada uma destas dimens\u00f5es. Mas a f\u00e9 vive-se em comunidade crist\u00e3 e anuncia-se na miss\u00e3o: \u00e9 uma f\u00e9 partilhada e anunciada. A catequese deve promover tamb\u00e9m estas dimens\u00f5es.\u201d (DGC 84).  A inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 conheceu um grande desenvolvimento nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, quando era necess\u00e1rio formar crist\u00e3os para viver a f\u00e9 em ambiente pag\u00e3o, adverso \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Criou ent\u00e3o uma pedagogia adequada, o catecumenado, que se apresentava com um caminho progressivo e exigente de convers\u00e3o, atento n\u00e3o s\u00f3 ao conhecimento da mensagem crist\u00e3 mas igualmente \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o com Deus na ora\u00e7\u00e3o e na celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da f\u00e9 bem como na pr\u00e1tica do Evangelho e na vida da comunidade. Deste modo, se formaram comunidades crist\u00e3s que testemunhavam a f\u00e9 na fraternidade admir\u00e1vel dos seus membros e no empenho de irradiar o Evangelho \u00e0 sua volta.  Nos tempos em que a sociedade era considerada crist\u00e3 no seu conjunto, o catecumenado entrou em desuso. Hoje com a descristianiza\u00e7\u00e3o progressiva, o Magist\u00e9rio da Igreja recomenda-o de novo como pedagogia mais adequada para fazer crist\u00e3os ( AG 13 e 14; RICA; CDC c. 788 e 851; CIC.1229-1231). Deste modo, devemos oferecer a todos um itiner\u00e1rio de inicia\u00e7\u00e3o para o Baptismo ou para a Confirma\u00e7\u00e3o ou para retomar a vida crist\u00e3.  b) Implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para a catequese.  A inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 convida-nos a rever a nossa forma de fazer catequese e prop\u00f5e-nos algumas implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, como(Cf DGC 67 e 68):   \u00b7\tUma forma\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e sistem\u00e1tica na f\u00e9, que proporcione uma aprendizagem a toda a vida crist\u00e3 sem se reduzir ao ocasional ou ao ensino: \u201cTrata-se de educar no conhecimento e na vida de f\u00e9\u201d(DGC 67). N\u00e3o basta transmitir conte\u00fados, explicar a f\u00e9 e falar de Cristo. \u00c9 indispens\u00e1vel que a catequese fa\u00e7a \u201cver Jesus\u201d (NMI 16), actualizando o convite do Evangelho: \u201cVinde e vede\u201d (Jo.1,39). \u00b7\tUm itiner\u00e1rio de convers\u00e3o de si mesmo ao Deus vivo. A catequese tem como finalidade promover a comunh\u00e3o com Jesus Cristo (DGC 30). Deve, por isso, mostrar claramente a identidade crist\u00e3 em confronto com a cultura actual, consciencializando das fragilidades e falhas pessoais e sociais, caracterizando o perfil do disc\u00edpulo de Cristo que segue um projecto diferente do mundo e se torna, pela sua edificante forma de viver, alma da sociedade.  \u00b7\tUm itiner\u00e1rio com fases que correspondam a n\u00edveis de crescimento, celebradas com ritos pr\u00f3prios. \u00c9 necess\u00e1rio que a passagem das fases corresponda \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de capacidades e compet\u00eancias, \u00e0 aprendizagem de gestos e \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o de conhecimentos.  \u00b7\tUma rela\u00e7\u00e3o mais forte da catequese com a liturgia. De facto a liturgia  \u00e9 a fonte e o cume de toda a vida crist\u00e3 (Cf LG 11), onde os catequizandos experimentam o que ouvem na catequese e descobrem os sinais vis\u00edveis da presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o de Deus; por isso, a catequese deve iniciar aos espa\u00e7os, gestos, comportamentos, s\u00edmbolos, ritos celebrativos. E, sobretudo, levar a viver na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e na ora\u00e7\u00e3o o que aprendem sobre a vida crist\u00e3. \u00b7\tUma liga\u00e7\u00e3o mais forte da catequese  \u00e0 comunidade crist\u00e3, sua  origem, ambiente e meta. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a acolher e a acompanhar o itiner\u00e1rio de crescimento na f\u00e9. \u00b7\tUma catequese que n\u00e3o fique no conhecimento da f\u00e9 e na celebra\u00e7\u00e3o da liturgia mas eduque no amor a Deus e aos outros e conduza ao compromisso de ser fermento do Reino de Deus no mundo.   5.  A COMUNIDADE CRIST\u00c3 AMBIENTE VITAL DA CATEQUESE.  A comunidade crist\u00e3 \u00e9 o sujeito, o ambiente e a meta da catequese. Na verdade, a vida crist\u00e3 \u00e9 um facto comunit\u00e1rio, recebe-se, aprende-se e vive-se na Igreja, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. Na vida das comunidades, a f\u00e9 crist\u00e3 torna-se um acontecimento vivido e actual, incarnado em pessoas, testemunhado em gestos e formas de viver. Nas actividades eclesiais da comunidade que realizam a miss\u00e3o pastoral global, a Palavra de Deus alcan\u00e7a a sua plena realiza\u00e7\u00e3o como Palavra  proclamada no an\u00fancio do evangelho, celebrada na liturgia e praticada no servi\u00e7o fraterno da caridade. A comunidade crist\u00e3 apresenta, deste modo, um testemunho vivido da f\u00e9 no qual a catequese encontra a sua base de apoio.  a) Comunidade crist\u00e3, sinal e instrumento de salva\u00e7\u00e3o.  Enquanto presen\u00e7a da Igreja no meio da vida das pessoas, a comunidade crist\u00e3 constitui um sinal e um instrumento de salva\u00e7\u00e3o. Torna, portanto, vis\u00edvel e operante na vida das pessoas o amor do Pai, a gra\u00e7a redentora de Cristo, e a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Oferece, deste modo, sinais e refer\u00eancias concretas do mist\u00e9rio da f\u00e9 proclamado na catequese. Numa cultura marcada pelo visual e sens\u00edvel \u00e0s experi\u00eancias vividas, a vida da comunidade crist\u00e3 \u00e9 um apoio indispens\u00e1vel na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9.  Por isso, as comunidades crist\u00e3s precisam de assumir a transmiss\u00e3o da f\u00e9 como responsabilidade de todos e n\u00e3o apenas de algumas pessoas de boa vontade que se especializaram para esta actividade. Como referiu a mensagem ao povo de Deus do S\u00ednodo de 1977: \u201cA comunidade crist\u00e3 constitui o lugar ou o quadro habitual da catequese. A catequese n\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o meramente individual, mas deve realizar-se sempre na dimens\u00e3o da comunidade crist\u00e3 (MPD 13).  Com o cora\u00e7\u00e3o se cr\u00ea (Cf Rom 10,9-10). A ades\u00e3o a Jesus Cristo passa pelo afecto, \u00e9 incentivada pela rela\u00e7\u00e3o fraterna e pelo acompanhamento interessado da comunidade crist\u00e3: \u201dA catequese \u00e9, portanto, uma ac\u00e7\u00e3o educativa realizada a partir da responsabilidade pr\u00f3pria de cada membro da comunidade, num contexto ou clima comunit\u00e1rio rico de rela\u00e7\u00f5es, a fim de que os catec\u00famenos e os catequizandos se insiram activamente na vida da comunidade\u201d (DGC 220). Esta educa na f\u00e9 quando acolhe, quando ensina e testemunha a vida crist\u00e3 por gestos e sinais da liturgia e da caridade, quando vive o evangelho como proposta de vida diferente do mundo.  b) Responsabilidades dos v\u00e1rios minist\u00e9rios.  Dentro da responsabilidade comum de todos os fi\u00e9is, destacam-se tarefas diferentes. Antes de mais a dos pastores que orientam a comunidade. S\u00e3o eles que podem \u201csuscitar e alimentar uma verdadeira paix\u00e3o pela catequese, que se concretize numa organiza\u00e7\u00e3o adaptada e eficaz\u201d (CT 63). Compete aos pastores procurar que a catequese seja, efectivamente, uma actividade priorit\u00e1ria na miss\u00e3o pastoral dedicando-lhe \u201cos melhores recursos de pessoal e de energias, escolhendo e formando pessoas qualificadas\u201d(CT 15). Pertence tamb\u00e9m aos pastores suscitar a corresponsabilidade da comunidade pela catequese e integrar a ac\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica na pastoral global, \u201ccuidando especialmente da liga\u00e7\u00e3o entre catequese, sacramentos e liturgia\u201d (DGC 225). Esta responsabilidade implica que a forma\u00e7\u00e3o permanente do clero se estenda tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1rea catequ\u00e9tica  A fam\u00edlia exerce uma influ\u00eancia decisiva na educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 dos filhos (Cf CT 68). A comunidade de amor familiar, envolvida pelo ambiente de ternura, de afecto e de respeito, contribui de forma marcante para o despertar da f\u00e9 pois esta \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, respeito e confian\u00e7a em Deus nosso Pai. \u201cEste despertar religioso infantil no ambiente familiar tem um car\u00e1cter insubstitu\u00edvel\u201d (DGC 226). Ao longo de s\u00e9culos t\u00eam sido sobretudo as fam\u00edlias a assegurar a transmiss\u00e3o da f\u00e9 aos filhos, bem como a sua integra\u00e7\u00e3o social e a educa\u00e7\u00e3o para os valores. Actualmente torna-se necess\u00e1rio sensibilizar e formar os pais para que retomem a sua responsabilidade de primeiros e principais educadores. De facto, algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, muitos pais deixaram-se cair no descuido ou nalguma confus\u00e3o quanto ao seu papel de educadores. Ora a fam\u00edlia que d\u00e1 origem \u00e0 vida tem tamb\u00e9m a responsabilidade de dar sentido e contribuir para o pleno desenvolvimento dessa exist\u00eancia, enriquecendo-a com o patrim\u00f3nio moral e espiritual que vem do cristianismo.   Sendo assim, a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o pode substituir os pais mas deve colaborar com eles na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Como frequentemente n\u00e3o est\u00e3o esclarecidos nem preparados para esta miss\u00e3o, \u00e9 hoje urgente e indispens\u00e1vel que as comunidades, seus pastores e respons\u00e1veis definam um projecto de sensibiliza\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de pais que integre um conjunto de propostas adequadas \u00e0s suas situa\u00e7\u00f5es e possibilidades, como: reuni\u00f5es peri\u00f3dicas bem preparadas, forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 org\u00e2nica de pais aprovei-tando at\u00e9 os tempos dos encontros de catequese dos filhos para uma catequese paralela com os pais.   Na transmiss\u00e3o da f\u00e9 ocupam um lugar especial os catequistas que em nome da comunidade orientam os v\u00e1rios grupos da catequese n\u00e3o s\u00f3 da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia mas tamb\u00e9m de jovens e adultos. S\u00e3o eles o rosto e porta-voz  da f\u00e9 da Igreja e testemunhas da experi\u00eancia de f\u00e9 das comunidades. N\u00e3o apenas transmitem conhecimentos religiosos mas iniciam nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da f\u00e9: na ora\u00e7\u00e3o, na celebra\u00e7\u00e3o da liturgia e no comportamento crist\u00e3o, a partir da sua experi\u00eancia pessoal de vida crist\u00e3. N\u00e3o se devem considerar como professores que ensinam a doutrina crist\u00e3 mas, sobretudo, como disc\u00edpulos de Jesus Cristo que guiam no caminho que eles pr\u00f3prios se esfor\u00e7am por seguir. Enquanto educadores da f\u00e9 s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o das nossas comunidades que vivem da Palavra do Senhor e do p\u00e3o da vida.  Assim a escolha criteriosa e a forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida destes obreiros do Evangelho deve tornar-se uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es dos pastores que reconhecem a prioridade da catequese.   A dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da catequese implica a renova\u00e7\u00e3o da Igreja na perspectiva de comunh\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o. Num ambiente marcado pelo individualismo e tentado pelo ego\u00edsmo, a vida fraterna dos disc\u00edpulos de Jesus e a sua disponibilidade para o servi\u00e7o gratuito \u00e9 o testemunho indispens\u00e1vel apara apoiar a evangeliza\u00e7\u00e3o: \u201c Fazer da Igreja a casa e a escola de comunh\u00e3o eis o grande desafio que nos espera no mil\u00e9nio que come\u00e7a, se quisermos ser fi\u00e9is ao des\u00edgnio de Deus e corresponder \u00e0s expectativas mais profundas do mundo\u201d NMI 43).  6.  PERCURSOS DIFERENCIADOS DE CATEQUESE.  Durante muito tempo consideraram-se as crian\u00e7as como os destinat\u00e1rios privilegiados de catequese. Hoje esta actividade pastoral deve dirigir-se a todas as idades, pois todas as idades precisam de ser evangelizadas (Cf DGC 33). Na verdade, em todas as fases et\u00e1rias encontramos muitas pessoas que necessitam de uma catequese de inicia\u00e7\u00e3o que proporcione uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de base e garanta uma aprendizagem de toda a vida crist\u00e3 centrada na convers\u00e3o e no seguimento de Jesus Cristo(Cf DGC 67). Como referem v\u00e1rios documentos do Magist\u00e9rio, muitos nascidos em pa\u00edses crist\u00e3os e baptizados na inf\u00e2ncia, encontram-se na situa\u00e7\u00e3o de quase catec\u00famenos (Cf CT 44; E in E 46-47).  a) Catequese adaptada \u00e0s v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es.  Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o cultural e religiosa da Europa exige a passagem de uma f\u00e9 apoiada na tradi\u00e7\u00e3o social a uma f\u00e9 mais pessoal e adulta, esclarecida e convicta. S\u00f3 assim os fi\u00e9is poder\u00e3o confrontar-se, criticamente, com a cultura actual e influir, eficazmente, nos v\u00e1rios sectores da vida social: cultura, economia, pol\u00edtica, etc. (Cf E in E 50). Para alcan\u00e7ar uma f\u00e9 mais madura e pessoal, \u00e9 preciso que as comunidades crist\u00e3s procurem propor uma catequese adaptada aos diferentes itiner\u00e1rios espirituais dos fi\u00e9is, segundo as respectivas idades e estados de vida (&#8230;). Uma catequese org\u00e2nica e sistem\u00e1tica constitui, sem sombra de d\u00favida, um instrumento essencial e prim\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os para uma f\u00e9 adulta\u201d (E in E 51).  A catequese de inicia\u00e7\u00e3o, org\u00e2nica e sistem\u00e1tica, \u00e9 uma etapa do crescimento que lan\u00e7a os fundamentos da vida crist\u00e3 (Cf DGC  63-68). Aqueles que j\u00e1 a alcan\u00e7aram necessitam da educa\u00e7\u00e3o permanente da f\u00e9 que acompanhe o crescimento na santidade e integre plenamente na vida e miss\u00e3o da Igreja. Esta educa\u00e7\u00e3o permanente da f\u00e9 pode revestir muitas formas, como: estudo da Sagrada Escritura, privilegiando a pedagogia da \u201clectio divina\u201d; leitura crist\u00e3 dos acontecimentos; catequese lit\u00fargica; prepara\u00e7\u00e3o dos sacramentos; forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de pais (Cf DGC 69-71).  Assim, a catequese, como consequ\u00eancia da fidelidade a Deus, deve manter tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o constante ao ser humano, auscultando \u201cas suas experi\u00eancias mais profundas\u201d (DGC 78); deve respeitar a mensagem e a pessoa concreta \u201cpor uma diligente adapta\u00e7\u00e3o\u201d (DGC112) e, num esfor\u00e7o constante de incultura\u00e7\u00e3o que respeite a integridade da f\u00e9, deve tornar o Evangelho \u201cacontecimento verdadeiramente significativo para a pessoa humana\u201d (DGC 97).  b) A catequese dos adultos como refer\u00eancia.  A catequese dos adultos \u00e9 verdadeiramente a refer\u00eancia para toda a catequese, \u00e9 como um eixo ou princ\u00edpio organizador, em volta da qual se estrutura a catequese das diferentes idades (Cf DGC 171; 275). De facto, s\u00e3o eles que formam a base das comunidades crist\u00e3s e orientam a vida social, cultural e familiar. T\u00eam, deste modo, mais responsabilidades, quest\u00f5es e dificuldades mais complexas e necessitam, portanto, de maior forma\u00e7\u00e3o. Por outro lado, t\u00eam capacidade de aprofundamento da f\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o com a cultura e com as responsabilidades sociais, familiares e eclesiais.  Esta orienta\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio, que tem sido uma insist\u00eancia desde o Conc\u00edlio Vaticano II, come\u00e7a a dar frutos na pr\u00e1tica. Tem aumentado, ultimamente, o n\u00famero de candidatos jovens e adultos que procuram o Baptismo, ou a Primeira Eucaristia ou o Crisma, ou simplesmente desejam recome\u00e7ar ou aprofundar a vida crist\u00e3, e se disp\u00f5em, para tanto, a fazer um itiner\u00e1rio de catequese. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o chamadas a responder a esta situa\u00e7\u00e3o  com catequistas e propostas de forma\u00e7\u00e3o correspondentes ao n\u00edvel deles.  c) Propostas diferenciadas.  Deste modo, na actual situa\u00e7\u00e3o pede-se \u00e0s comunidades crist\u00e3s e aos seus pastores e respons\u00e1veis que proponham percursos de catequese ou de forma\u00e7\u00e3o adequados para diversas situa\u00e7\u00f5es e idades: \u00b7\tExperi\u00eancias de primeiro an\u00fancio em ordem ao despertar da f\u00e9 e da convers\u00e3o. \u00b7\tCatequese de inicia\u00e7\u00e3o ou catecumenado para adultos em ordem a preparar o Baptismo, ou outro dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ou a reiniciar o caminho da f\u00e9, que lhes permita uma forma\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e sistem\u00e1tica. \u00b7\tCatequese de inicia\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Na inf\u00e2ncia com dois p\u00f3los: Primeira Comunh\u00e3o e Profiss\u00e3o de F\u00e9. Na adolesc\u00eancia com dois p\u00f3los tamb\u00e9m: o sentido da vida e o compromisso crist\u00e3o. Este itiner\u00e1rio poder\u00e1 culminar na celebra\u00e7\u00e3o do Crisma. \u00b7\tItiner\u00e1rios de prepara\u00e7\u00e3o para os sacramentos que tenha presente a pedagogia catecumenal. \u00b7\tAlgumas formas de educa\u00e7\u00e3o permanente da f\u00e9, como: forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica; cursos b\u00edblicos em ordem  \u00e0 pr\u00e1tica da \u201clectio divina\u201d; forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de pais. \u00b7\tAlguns destes percursos necessitam de instrumentos catequ\u00e9ticos adequados que \u00e0 frente referiremos.   A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos adultos e dos jovens mereceram j\u00e1 da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa duas Instru\u00e7\u00f5es Pastorais, respectivamente: \u201cForma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de base dos adultos\u201d (1994) e \u201cBases para a pastoral juvenil\u201d (2002). Para elas remetemos em ordem a um aprofundamento dos percursos pr\u00f3prios destas idades.  7.  CATEQUESE E CATECISMOS.  Os catecismos s\u00e3o instrumentos para fazer catequese. Desempenham uma fun\u00e7\u00e3o importante  mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Na verdade, a transmiss\u00e3o da f\u00e9 assenta em v\u00e1rios outros elementos como o testemunho da Igreja, o exemplo de vida crist\u00e3 da fam\u00edlia e da comunidade local, o percurso pessoal de f\u00e9, a comunica\u00e7\u00e3o entre o catequista e catequizando, etc. Os catecismos s\u00e3o textos escritos de apoio que precisam de vida. \u00c9 a comunidade crist\u00e3 e o catequista quem d\u00e1 vida ao catecismo.  Os catecismos surgiram na \u00e9poca da reforma e da contra-reforma com uma configura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para a situa\u00e7\u00e3o dessa \u00e9poca: como resumos da doutrina e da pr\u00e1tica do cristianismo, apresentados de forma met\u00f3dica, com uma formula\u00e7\u00e3o adequada \u00e0 memoriza\u00e7\u00e3o. Tinham em vista conduzir ao conhecimento de Deus e do Seu enviado Jesus Cristo e, atrav\u00e9s deste conhecimento alcan\u00e7ar a vida eterna, segundo ensina S\u00e3o Jo\u00e3o (1 Jo 17,3). Nessa \u00e9poca, para vencer a ignor\u00e2ncia e enfrentar as heresias, a Igreja procurou comunicar aos fi\u00e9is o conhecimento da doutrina crist\u00e3, resumida em quatro grandes colunas que correspondem \u00e0s v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida crist\u00e3: o que o crist\u00e3o deve crer (S\u00edmbolo); o que deve esperar (Pai Nosso); o que deve praticar (Dec\u00e1logo); a gra\u00e7a que precisa de receber (Sacramentos). O catecismo tornou-se uma institui\u00e7\u00e3o de primeira import\u00e2ncia na transmiss\u00e3o da f\u00e9.  A partir de meados do s\u00e9culo XX, a situa\u00e7\u00e3o social e religiosa, bem como o desenvolvimento da psicologia e da pedagogia,  levaram a prestar aten\u00e7\u00e3o a outros aspectos catequ\u00e9ticos que passaram tamb\u00e9m a integrar os catecismos: a rela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com a vida real, a ilumina\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias humanas e a educa\u00e7\u00e3o das atitudes de f\u00e9. Tornou-se necess\u00e1rio procurar o equil\u00edbrio entre a exposi\u00e7\u00e3o do conte\u00fado doutrinal e a dimens\u00e3o antropol\u00f3gica e pedag\u00f3gica.  a) Estrutura fundamental do catecismo.  A publica\u00e7\u00e3o do catecismo da Igreja Cat\u00f3lica traz-nos luz sobre o conte\u00fado do catecismo para o nosso tempo: \u201cUm catecismo deve apresentar, com fidelidade e de modo org\u00e2nico, o ensino da Sagrada Escritura, da Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja e do Magist\u00e9rio aut\u00eantico, bem como a heran\u00e7a espiritual dos Padres, dos santos e santas da Igreja, para permitir conhecer melhor o mist\u00e9rio crist\u00e3o e reavivar a f\u00e9 do povo de Deus. Deve ter em conta as explicita\u00e7\u00f5es da doutrina que, no decurso dos tempos, o Esp\u00edrito Santo sugeriu \u00e0 Igreja. \u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que ajude a iluminar, com a luz da f\u00e9, as novas situa\u00e7\u00f5es e os problemas que no passado ainda n\u00e3o tinham surgido.  O catecismo incluir\u00e1, portanto, coisas novas e velhas (Cf Mt 13,52), porque a f\u00e9 \u00e9 sempre a mesma e, simultaneamente, \u00e9 fonte de luzes sempre novas\u201d (FD 3).  Este texto de refer\u00eancia para os catecismos locais, retoma a \u201cantiga ordem\u201d, tradicional, j\u00e1 seguida pelo catecismo de S\u00e3o Pio V, articulando o conte\u00fado em quatro partes: o Credo; a sagrada liturgia; o agir crist\u00e3o, a partir dos mandamentos; e, por fim, a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (Cf  FD 3). A articula\u00e7\u00e3o em quatro partes permite desenvolver os aspectos essenciais da f\u00e9 e orientar na educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 integral: Crer em Deus Pai Criador, em Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo e na Igreja que realiza o seu des\u00edgnio salv\u00edfico; alcan\u00e7ar a santifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos sacramentos; am\u00e1-Lo de todo o cora\u00e7\u00e3o e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos pela pr\u00e1tica dos mandamentos; elevar-se \u00e0 Sua presen\u00e7a e dialogar com Ele pela ora\u00e7\u00e3o (Cf  DGC 122).  As quatro partes est\u00e3o ligadas entre si e real\u00e7am a profunda unidade da vida crist\u00e3, explicitando a rela\u00e7\u00e3o entre lex orandi, lex credendi e lex vivendi (Cf FD 3 e DGC 122). N\u00e3o pretendendo impor aos catecismos locais esta configura\u00e7\u00e3o, o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica  apresenta-se como uma refer\u00eancia para a transmiss\u00e3o da f\u00e9. Na verdade, os catecismos, no seu conte\u00fado, devem ter presentes as quatro tarefas fundamentais da catequese: favorecer o conhecimento da f\u00e9; proporcionar educa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica; orientar na forma\u00e7\u00e3o moral; ensinar a rezar.  b) Crit\u00e9rios de elabora\u00e7\u00e3o dos catecismos.  O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o elimina, portanto, a necessidade de catecismos locais, antes os encoraja e ajuda na redac\u00e7\u00e3o. Estes continuam a ser instrumentos necess\u00e1rios para orientar o acto catequ\u00e9tico e acompanhar os percursos de educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 (Cf DGC 131 e 132). Entre n\u00f3s, ali\u00e1s, t\u00eam um estatuto reconhecido que est\u00e1 de acordo com as orienta\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio: \u201d S\u00e3o tr\u00eas os principais tra\u00e7os que devem caracterizar todo e qualquer catecismo assumido como seu por uma Igreja local: o seu car\u00e1cter oficial, a s\u00edntese b\u00e1sica e org\u00e2nica da f\u00e9 que apresenta e o facto de que seja oferecido, juntamente com a Sagrada Escritura, como ponto de refer\u00eancia para a catequese\u201d (DGC 132).  Nesse sentido, os catecismos, mantendo a estrutura da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, procuram apresentar uma vis\u00e3o de conjunto da f\u00e9 atenta \u00e0 nossa cultura humana e crist\u00e3. Ao mesmo tempo t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de iluminar, com a luz do Evangelho, as experi\u00eancias humanas dos catequizandos a que se dirigem criando crit\u00e9rios crist\u00e3os e educando nas atitudes evang\u00e9licas. O relevo da apresenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da f\u00e9 ou da ilumina\u00e7\u00e3o da realidades da vida humana, depender\u00e1 das caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de cada idade. Nesta s\u00edntese da f\u00e9, e tendo em conta as referidas tarefas da catequese,  os catecismos seguem os seguintes crit\u00e9rios:  \u00b7\tT\u00eam como refer\u00eancia o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica e como fonte a Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. \u00b7\tPor isso, devem ser uma aut\u00eantica introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201clectio divina\u201d isto \u00e9, \u00e0 leitura da Sagrada Escritura feita \u201csegundo o Esp\u00edrito\u201d que habita na Igreja (MPD 9; DGC 127). As passagens b\u00edblicas dever\u00e3o, por isso, ser contextualizadas com uma breve introdu\u00e7\u00e3o que as situe e uma breve conclus\u00e3o que destaque a mensagem principal. \u00b7\tOs catecismos procuram apresentar e interpretar os sinais e testemunhos vis\u00edveis de vida crist\u00e3, como: vidas de santos; s\u00edmbolos lit\u00fargicos; patrim\u00f3nio religioso; manifesta\u00e7\u00f5es culturais da f\u00e9 crist\u00e3; express\u00f5es da piedade e da religiosidade popular. \u00b7\tAs catequeses ser\u00e3o relacionadas com a celebra\u00e7\u00e3o da liturgia e com os tempos lit\u00fargicos fortes de modo a levar a viver na celebra\u00e7\u00e3o o que se aprende na catequese. A liturgia deve ocupar um lugar de relevo no catecismo. \u00b7\tA ora\u00e7\u00e3o deve tamb\u00e9m fazer parte de cada acto catequ\u00e9tico e ser proposta, nesse sentido,  pelos catecismos.  \u00b7\tCada encontro integra uma breve s\u00edntese doutrinal que permita o acesso \u00e0 mem\u00f3ria da Igreja, colhida do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica ou do Magist\u00e9rio. \u00b7\tCada acto catequ\u00e9tico dever\u00e1 conduzir ao encontro com Cristo e ao compromisso de aplica\u00e7\u00e3o na vida quotidiana. Nesse sentido, dever\u00e1 ser continuado por actividades concretas. \u00b7\tNa catequese de inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, os catecismos dever\u00e3o fazer algumas propostas para chamar a fam\u00edlia a colaborar na transmiss\u00e3o da f\u00e9. \u00b7\t A linguagem deve ser viva, narrativa, fiel \u00e0 linguagem da Igreja e ligada \u00e0 cultura actual, com um fio condutor linear e acess\u00edvel. \u00b7\tO catecismo para a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, dentro da nossa tradi\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, integra o guia do catequista e o manual do catequizando e distribui ao longo de dez volumes, um para cada ano de catequese, o conte\u00fado global da revela\u00e7\u00e3o em correspond\u00eancia com as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de cada idade.   Deste modo, o catecismo precisa de ser entendido como um elemento integrado num conjunto mais amplo, como tem sido referido. \u00c9 na comunidade crist\u00e3 que o catecismo encontra o seu meio vital em que pode ser, devidamente, enquadrado e completado. A fun\u00e7\u00e3o do catecismo \u00e9 servir de apoio  a uma experi\u00eancia de f\u00e9 que nasce e cresce, proporcionando-lhe desenvolvimento e express\u00e3o. N\u00e3o substitui uma experi\u00eancia de inicia\u00e7\u00e3o. Deve, antes, apoi\u00e1-la enquanto ela exige intelig\u00eancia e conte\u00fado. Por isso, deve ser de estilo \u201cmistag\u00f3gico\u201d, no sentido de conduzir ao encontro vivo com Cristo. De contr\u00e1rio, corre o risco de se tornar mais um livro, entre outros, como os livros escolares.  Enquanto instrumentos ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, devemos cuidar da boa qualidade dos catecismos, tanto no conte\u00fado como na apresenta\u00e7\u00e3o. O elevado n\u00edvel de qualidade \u00e9 um est\u00edmulo para o bom exerc\u00edcio da miss\u00e3o do catequista e para uma utiliza\u00e7\u00e3o interessada dos catequizandos.  Dedicamos estas orienta\u00e7\u00f5es sobretudo aos nossos catequistas como manifesta\u00e7\u00e3o  do apoio pela nobre e bela miss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que lhes foi confiada. Conhecemos as muitas e grandes dificuldades que hoje enfrentam e tamb\u00e9m a fortaleza e o zelo de que d\u00e3o provas no desempenho da sua miss\u00e3o. Desejamos que a revis\u00e3o da catequese e dos catecismos seja, para todos os catequistas,  um est\u00edmulo a renovarem o seu entusiasmo e dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da nova evangeliza\u00e7\u00e3o e a cuidarem cada vez mais da sua forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, doutrinal e espiritual. Neste ano da Eucaristia somos convidados a fortalecer a nossa confian\u00e7a na promessa do Senhor de permanecer sempre connosco (Cf Mt 28,20). \u00c9 a certeza na Sua presen\u00e7a e na Sua gra\u00e7a que  nos  anima a lan\u00e7ar com alegria e com esperan\u00e7a a semente do evangelho no cora\u00e7\u00e3o dos ouvintes. Na Eucaristia est\u00e1 a fonte e o \u00e1pice da vida crist\u00e3 e da nossa miss\u00e3o de catequistas  F\u00e1tima, 23 Junho de 2005\u0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orienta\u00e7\u00f5es para a catequese actual da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-99","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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