{"id":89,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=89"},"modified":"2014-07-20T16:20:45","modified_gmt":"2014-07-20T16:20:45","slug":"na-celebracao-do-150-o-aniversario-da-definicao-dogmatica-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/na-celebracao-do-150-o-aniversario-da-definicao-dogmatica-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Na celebra\u00e7\u00e3o do 150.\u00ba anivers\u00e1rio da defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa \u0000 <!--more--> NOTA PASTORAL DA CONFER\u00caNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA  Na celebra\u00e7\u00e3o do 150.\u00ba anivers\u00e1rio da defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o  1. Desde os prim\u00f3rdios da sua hist\u00f3ria, Portugal soube sempre acolher-se ao rega\u00e7o da M\u00e3e de Jesus. Como povo em crescimento e em busca da consolida\u00e7\u00e3o de fronteiras, dedicou, desde os primeiros tempos da sua hist\u00f3ria, uma terna e filial afei\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Maria que escolhera como sua Senhora.  De entre as in\u00fameras invoca\u00e7\u00f5es, com que a Ela se dirige, sobressai, desde muito cedo, no horizonte de um culto sempre crescente, a da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. No Calend\u00e1rio de Salisbury, adoptado pelo primeiro bispo de Lisboa reconquistada, Gilberto Hastings (1147-1166), j\u00e1 figurava a refer\u00eancia ao mist\u00e9rio de Maria Imaculada. \u00c0 medida que Portugal se consolidava e se expandia pelo mundo, a venera\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Senhora ia aumentando. No s\u00e9culo XVII, o culto de Maria, no Mist\u00e9rio da sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, fazia parte da cultura nacional. Sinais disso, entre muitos outros, s\u00e3o: a consagra\u00e7\u00e3o de Portugal a Maria Imaculada, a entrega da coroa real \u00e0 imagem da Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Vila Vi\u00e7osa, pelo Rei D. Jo\u00e3o IV, e o juramento a que se obrigou o corpo docente da Universidade de Coimbra &#8211; de defender e ensinar que Maria fora concebida sem pecado. No dia 8 de Dezembro de 1854, Pio IX, depois de ter consultado o episcopado do mundo inteiro, declarou solenemente, fazendo apelo \u00e0 autoridade suprema do seu magist\u00e9rio: \u201cA doutrina segundo a qual a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua concei\u00e7\u00e3o, foi por especial privil\u00e9gio de Deus Omnipotente, com vista aos m\u00e9ritos de Jesus Cristo, Salvador do g\u00e9nero humano, preservada imune de toda a m\u00e1cula do pecado original, \u00e9 revelada por Deus e deve por isso ser acreditada por todos os fieis, firmemente e com const\u00e2ncia\u201d (Bula Ineffabilis Deus &#8211; 08-12-1854). Esta defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica, nada acrescentou \u00e0 f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas, mas contribuiu, e muito, para as confirmar e robustecer. Prova disso, foi o dinamismo suscitado entre os fieis de Portugal, no sentido de erguer um monumento nacional que assinalasse a defini\u00e7\u00e3o de Pio IX. Em 1869 conclu\u00eda-se esse primeiro monumento, no Sameiro, seguindo-se-lhe a constru\u00e7\u00e3o dum santu\u00e1rio dedicado \u00e0 Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria, cuja imagem foi coroada solenemente h\u00e1 cem anos. A  Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, tendo tudo isto presente, quer associar-se \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es da Igreja Universal, que assinalam os 150 anos da defini\u00e7\u00e3o do dogma com o objectivo de estimular os crist\u00e3os a um maior aprofundamento desta verdade de f\u00e9; e espera, com esta nota, poder contribuir para uma maior venera\u00e7\u00e3o d\u2019Aquela que foi redimida de um modo original, pelos m\u00e9ritos do nosso \u00fanico Salvador, Jesus Cristo.  2. A iconografia da Imaculada pode ser motivo fecundo de medita\u00e7\u00e3o. As alus\u00f5es b\u00edblicas e teol\u00f3gicas s\u00e3o uma fonte de catequese de longo alcance. O drag\u00e3o pisado pela Virgem lembra antes de mais o m\u00edtico Leviat\u00e3 (Is 27,1; Sl 74, 14), monstro marinho que na B\u00edblia evoca a resist\u00eancia das \u00e1guas primordiais ao poder criador e redentor de Deus. Na mesma tradi\u00e7\u00e3o, esse triunfo de Deus sobre a antiga serpente tem concretiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica na anunciada vit\u00f3ria da descend\u00eancia de Eva: \u201cela esmagar-te-\u00e1 a cabe\u00e7a, ao tentares mord\u00ea-la no calcanhar\u201d (Gn 3, 9-15). Ecos desse combate c\u00f3smico percorrem as vis\u00f5es do Apocalipse e est\u00e3o presentes no sinal aparecido no c\u00e9u de \u201cuma mulher vestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos seus p\u00e9s e coroada de doze estrelas\u201d (Ap 12, 1-6.15-17). A descend\u00eancia de Eva e a mulher do Apocalipse personificam o povo de Deus de que nascer\u00e1 a seu tempo o Messias, o Emanuel, Deus connosco. Para a Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, esses s\u00edmbolos enra\u00edzam na hist\u00f3ria. Assim, os Padres da Igreja n\u00e3o cessam de apelidar a M\u00e3e de Jesus de Nova Eva, Filha de Si\u00e3o, Aquela que, na sua plenitude de gra\u00e7a, realiza o que em Eva estava prefigurado. N\u00e3o por m\u00e9rito pr\u00f3prio, mas como a mais perfeitamente redimida ou como diz o Vaticano II: \u201cremida de modo mais sublime\u201d (LG 53), Maria agiganta-se, aos nossos olhos como verdadeiramente \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d.  3. Segundo o testemunho de Lucas, a maternidade de Maria implicou um acto livre de f\u00e9, mais decisivo para a hist\u00f3ria p\u00fablica da salva\u00e7\u00e3o do que a f\u00e9 de Abra\u00e3o ou a Alian\u00e7a do Sinai. Acto de confiante aceita\u00e7\u00e3o, tornou-o poss\u00edvel a ac\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da gra\u00e7a divina, como recorda o Anjo na sua sauda\u00e7\u00e3o: \u201cSalv\u00e9, \u00f3 cheia da gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u201d (Lc 1, 28). Na linguagem dos te\u00f3logos, a obedi\u00eancia na f\u00e9, sem a qual Maria n\u00e3o seria a M\u00e3e de Deus, \u00e9 pura gra\u00e7a do mesmo Deus. Sem a gra\u00e7a divina, a raz\u00e3o e a liberdade humanas permanecem irremediavelmente fechadas em si mesmas, envolvidas por sombras e desejos de uma humanidade pecadora. A jovem de Nazar\u00e9 abriu caminho \u00e0 salva\u00e7\u00e3o de todos por um acto de desprendimento pessoal: uma resposta arriscada, mas livre e graciosa, ao apelo de Deus para ser M\u00e3e do Salvador. A resposta nasceu de um chamamento, cuja radicalidade e liberdade plena, no caso especial de Maria, a f\u00e9 crist\u00e3 assinala, fazendo-as remontar ao primeiro momento da sua exist\u00eancia, o momento da sua Concei\u00e7\u00e3o Imaculada.  4. Todos pec\u00e1mos em Ad\u00e3o; e todos fomos redimidos e salvos em Cristo (cf. Rm 5, 17-18). A nossa salva\u00e7\u00e3o aconteceu gra\u00e7as aos m\u00e9ritos de Jesus Cristo, que por n\u00f3s se entregou como Redentor dos pecados que contra\u00edmos. A salva\u00e7\u00e3o de Maria  foi igualmente alcan\u00e7ada merc\u00ea da Reden\u00e7\u00e3o de seu Filho que Lhe aplicou os seus m\u00e9ritos, preservando-a de contrair o pecado. Santo Agostinho, na senda de S\u00e3o Paulo, confirma que todos pecaram \u201cexcepto a Virgem Santa Maria, a respeito da Qual, pela honra do Senhor, n\u00e3o \u00e9 permitido que qualquer quest\u00e3o se levante relacionada com o pecado\u201d (De Natura et Gratia, c. 42). O pecado tolda a consci\u00eancia e endurece o cora\u00e7\u00e3o. Cheia de gra\u00e7a, Maria, concebida sem pecado, sofre com redobrada viol\u00eancia, a Paix\u00e3o e Morte de seu Filho, consequ\u00eancia dos pecados dos homens. Bem avisava Sime\u00e3o que uma espada lhe atravessaria a alma. Tudo isto, ali\u00e1s, \u00e9 sentido e vivido pelo povo fiel que encontra, no Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria, um ref\u00fagio de M\u00e3e, sempre dispon\u00edvel para acolher as alegrias e tristezas dos filhos e filhas de Deus. Mas o sentido da f\u00e9 faz-nos ainda descobrir, em Maria, uma outra dimens\u00e3o de vida: Ela, que n\u00e3o foi tocada pelo pecado, tem uma especial sensibilidade de afecto maternal para com aqueles que pecam; intercede por eles e acompanha-os, de perto, para que se convertam e vivam como verdadeiros filhos de Deus.  5. Meditar no mist\u00e9rio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria h\u00e1-de levar-nos, antes de mais, ao apre\u00e7o pelo mist\u00e9rio amoroso da ac\u00e7\u00e3o redentora de seu divino Filho. Tal Reden\u00e7\u00e3o refulge, esplendorosamente, na pessoa de Maria, primeira redimida. Nela se revela a delicadeza da Provid\u00eancia divina que chama cada homem e cada mulher a colaborar na obra da salva\u00e7\u00e3o de todos: antes de mais, pelo exerc\u00edcio de uma grande radicalidade e liberdade interior, inspiradas nos apelos de Deus e enraizados no dom gratuito do seu amor; depois, pela correspond\u00eancia a esse dom, na total fidelidade \u00e0 nossa filia\u00e7\u00e3o divina que Maria, como M\u00e3e, quer tornar cada vez mais s\u00f3lida em n\u00f3s.  A Rosa de Ouro que o Santo Padre oferece, t\u00e3o carinhosa e paternalmente, ao Santu\u00e1rio do Sameiro, a\u00ed ficar\u00e1 como marca indel\u00e9vel de uma presen\u00e7a simb\u00f3lica do Sumo Pont\u00edfice e do seu amor devocional a Nossa Senhora. Queira Deus que um tal gesto papal se transforme num permanente apelo, para todos os portugueses, no sentido de cultivarmos e mantermos sempre vi\u00e7osas as rosas do nosso amor a Maria. Que ela n\u00e3o nos deixe murchar a f\u00e9 e a devo\u00e7\u00e3o que tantos s\u00e9culos de hist\u00f3ria constru\u00edram no cora\u00e7\u00e3o das gentes desta praia lusitana. Que Maria Sant\u00edssima, nossa M\u00e3e Imaculada, olhe para Portugal e por Portugal bem como por toda a humanidade, nos dif\u00edceis caminhos da paz.  F\u00e1tima, 11 de Novembro de 2004 \u0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[37],"class_list":["post-89","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-imaculada-conceicao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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