{"id":8709,"date":"2024-11-07T12:04:50","date_gmt":"2024-11-07T12:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=8709"},"modified":"2024-11-28T11:59:26","modified_gmt":"2024-11-28T11:59:26","slug":"8709-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/8709-2\/","title":{"rendered":"Documento Final da Segunda Sess\u00e3o\u00a0da XVI Assembleia Geral ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sinodo2024_DocumentoFinal.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[PDF] S\u00ednodo: Documento Final PT<\/a> | <a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sinodo2024_DocumentoFinal.docx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[Word] S\u00ednodo: Documento Final PT<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20241026_Sinodo_DocumentoFinal_Votacoes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00ednodo: Documento Final &#8211; Vota\u00e7\u00f5es<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Documento Final da Segunda Sess\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>da XVI Assembleia Geral ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>(2 a 27 de outubro de 2024)<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u201cPara uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>SIGLAS<\/em><\/p>\n<p>AA \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Decreto <em>Apostolicam actuositatem <\/em>(18 de novembro de 1965)<br \/>\nAG \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Decreto <em>Ad gentes <\/em>(7 de dezembro de 1965)<br \/>\nCCEO \u00a0 <em>Codex canonum Ecclesiarum Orientalium <\/em>(18 de outubro de 1990)<br \/>\nCD \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Decreto <em>Christus Dominus <\/em>(28 de outubro de 1965)<br \/>\nCIC \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Codex iuris canonici <\/em>(25 de janeiro de 1983)<br \/>\nCTI \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 COMISS\u00c3O TEOL\u00d3GICA INTERNACIONAL, <em>A sinodalidade na vida e na miss\u00e3o da Igreja <\/em>(2 de mar\u00e7o de 2018)<br \/>\nCV \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 BENTO XVI, Carta Enc\u00edclica <em>Caritas in veritate <\/em>(29 de junho de 2009)<br \/>\nDD \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Carta Apost\u00f3lica <em>Desiderio desideravi <\/em>(29 de junho de 2022)<br \/>\nDN \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Carta Enc\u00edclica <em>Dilexit nos <\/em>(24 de outubro de 2024)<br \/>\nDTC \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDIN\u00c1RIA DO S\u00cdNODO DOS BISPOS, <em>Documento de Trabalho para a Etapa Continental <\/em>(27 de outubro de 2022)<br \/>\nDV \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum <\/em>(18 de novembro de 1965)<br \/>\nEC \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Episcopalis Communio <\/em>(15 de setembro de 2018)<br \/>\nEG \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium <\/em>(24 de novembro de 2013)<br \/>\nEN \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S. PAULO VI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii nuntiandi <\/em>(8 de dezembro de 1975)<br \/>\nFT \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli tutti <\/em>(3 de outubro de 2020)<br \/>\nGS \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et spes <\/em>(7 de dezembro de 1965)<br \/>\nLG \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Lumen gentium <\/em>(21 de novembro de 1964)<br \/>\nLS \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Carta Enc\u00edclica <em>Laudato si\u2019 <\/em>(24 de maio de 2015)<br \/>\nMC \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S. PAULO VI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Marialis cultus <\/em>(2 de fevereiro de 1974)<br \/>\nNMI \u00a0\u00a0\u00a0 S. JO\u00c3O PAULO II, Carta Apost\u00f3lica <em>Novo millennio ineunte <\/em>(6 de janeiro de 2001)<br \/>\nPE \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FRANCISCO, Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Praedicate Evangelium <\/em>(19 de mar\u00e7o de 2022)<br \/>\nSC \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium <\/em>(4 de dezembro de 1963)<br \/>\nSRS \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S. JO\u00c3O PAULO II, Carta Enc\u00edclica <em>Sollicitudo rei socialis <\/em>(30 de dezembro de 1987)<br \/>\nUR \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONC\u00cdLIO VATICANO II, Decreto <em>Unitatis redintegratio <\/em>(21 de novembro de 1964)<br \/>\nUUS \u00a0\u00a0\u00a0 S. JO\u00c3O PAULO II, Carta Enc\u00edclica <em>Ut unum sint <\/em>(25 de maio de 1995)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<h1><em>\u00a0<\/em><\/h1>\n<p><em>Veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: \u201cA paz esteja convosco\u201d. Dito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado. Os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor (Jo 20,19-20). <\/em><\/p>\n<p>1. Cada novo passo na vida da Igreja \u00e9 um regresso \u00e0 fonte, uma experi\u00eancia renovada do encontro com o Ressuscitado que os disc\u00edpulos experimentaram no Cen\u00e1culo na noite de P\u00e1scoa. Como eles, tamb\u00e9m n\u00f3s, participando nesta Assembleia Sinodal, nos sentimos envolvidos pela sua miseric\u00f3rdia e tocados pela sua beleza. Vivendo a conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, escutando-nos uns aos outros, apercebemo-nos da sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s: a presen\u00e7a d&#8217;Aquele que, ao conceder o Esp\u00edrito Santo, continua a suscitar no seu Povo uma unidade que \u00e9 harmonia das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>2. Contemplando o Ressuscitado, recordamos que \u201cfomos batizados na sua morte\u201d (Rm 6,3). Vimos os sinais das suas feridas, transfiguradas por uma nova vida, mas gravadas para sempre na sua humanidade. Estas feridas continuam a sangrar no corpo de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s, tamb\u00e9m por causa das nossas culpas. Fixar o olhar no Senhor n\u00e3o afasta dos dramas da hist\u00f3ria, mas abre os olhos para reconhecer o sofrimento que nos rodeia e nos atravessa: os rostos das crian\u00e7as aterrorizadas pela guerra, o choro das m\u00e3es, os sonhos desfeitos de tantos jovens, os refugiados que enfrentam viagens terr\u00edveis, as v\u00edtimas das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e das injusti\u00e7as sociais. O seu sofrimento ressoou no meio de n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, mas tamb\u00e9m nas vozes de muitos, pessoalmente envolvidos com as suas fam\u00edlias e povos nestes tr\u00e1gicos acontecimentos. Nos dias em que estivemos reunidos nesta Assembleia, muitas, demasiadas guerras continuaram a causar morte e destrui\u00e7\u00e3o, desejo de vingan\u00e7a e perda das consci\u00eancias. Unimo-nos aos repetidos apelos do Papa Francisco pela paz, condenando a l\u00f3gica da viol\u00eancia, do \u00f3dio e da vingan\u00e7a, e comprometendo-nos a promover a l\u00f3gica do di\u00e1logo, da fraternidade e da reconcilia\u00e7\u00e3o. Uma paz aut\u00eantica e duradoura \u00e9 poss\u00edvel e juntos podemos constru\u00ed-la. \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem\u201d (GS 1) s\u00e3o mais uma vez as alegrias e as tristezas de todos n\u00f3s, disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n<p>3. Desde que o Santo Padre iniciou este S\u00ednodo em 2021, empreendemos um percurso cuja riqueza e fecundidade estamos a descobrir cada vez mais. Pusemo-nos \u00e0 escuta, atentos para colher em tantas vozes aquilo que \u201co Esp\u00edrito diz \u00e0s Igrejas\u201d (Ap 2,7). O caminho come\u00e7ou com a ampla consulta ao Povo de Deus nas nossas Dioceses e Eparquias. Prosseguiu com as etapas nacionais e continentais, na circularidade de um di\u00e1logo constantemente relan\u00e7ado pela Secretaria Geral do S\u00ednodo atrav\u00e9s de documentos de s\u00edntese e de trabalho. A celebra\u00e7\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos nas suas duas Sess\u00f5es permite-nos agora entregar ao Santo Padre e a todas as Igrejas o testemunho daquilo que vivemos e o fruto do nosso discernimento, para um renovado impulso mission\u00e1rio. O caminho foi marcado em cada etapa pela sabedoria do \u201csentido da f\u00e9\u201d do Povo de Deus. Passo a passo, compreendemos que, no cora\u00e7\u00e3o do <em>S\u00ednodo 2021-2024.<\/em> <em>Para uma Igreja Sinodal.<\/em> <em>Comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o<\/em>, h\u00e1 um apelo \u00e0 alegria e \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da Igreja no seguimento do Senhor, no empenho ao servi\u00e7o da sua miss\u00e3o, na procura dos modos para lhe ser fi\u00e9is.<\/p>\n<p>4. Este apelo baseia-se na identidade batismal comum, enra\u00edza-se na diversidade dos contextos em que a Igreja est\u00e1 presente e encontra a sua unidade no \u00fanico Pai, no \u00fanico Senhor e no \u00fanico Esp\u00edrito. Interpela todos os batizados, sem exce\u00e7\u00e3o: \u201cTodo o Povo de Deus \u00e9 o sujeito do an\u00fancio do Evangelho. Nele, cada Batizado \u00e9 convocado para ser protagonista da miss\u00e3o, porque todos somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d (CTI, n. 53). O caminho sinodal orienta-nos assim para uma unidade plena e vis\u00edvel dos Crist\u00e3os, como testemunharam, com a sua presen\u00e7a, os delegados das outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. A unidade fermenta silenciosamente no seio da Santa Igreja de Deus: \u00e9 profecia de unidade para todo o mundo.<\/p>\n<p>5. Todo o caminho sinodal, enraizado na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, realizou-se \u00e0 luz do magist\u00e9rio conciliar. O Conc\u00edlio Vaticano II foi, de facto, como uma semente lan\u00e7ada no campo do mundo e da Igreja. A vida quotidiana dos crentes, a experi\u00eancia das Igrejas em cada povo e cultura, os numerosos testemunhos de santidade e a reflex\u00e3o dos te\u00f3logos foram o terreno onde germinou e cresceu. O S\u00ednodo 2021-2024 continua a aproveitar a energia dessa semente e a desenvolver as suas potencialidades. De facto, o caminho sinodal est\u00e1 a p\u00f4r em pr\u00e1tica aquilo que o Conc\u00edlio ensinou sobre a Igreja como Mist\u00e9rio e Povo de Deus, chamamento \u00e0 santidade atrav\u00e9s de uma convers\u00e3o cont\u00ednua que vem da escuta do Evangelho. Neste sentido, constitui um ato de ulterior rece\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, prolongando a sua inspira\u00e7\u00e3o e relan\u00e7ando a sua for\u00e7a prof\u00e9tica para o mundo de hoje.<\/p>\n<p>6. N\u00e3o escondemos que experiment\u00e1mos em n\u00f3s o cansa\u00e7o, a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, a tenta\u00e7\u00e3o de fazer prevalecer as nossas ideias sobre a escuta da Palavra de Deus e a pr\u00e1tica do discernimento. No entanto, a miseric\u00f3rdia de Deus, o Pai tern\u00edssimo, permite-nos sempre purificar o nosso cora\u00e7\u00e3o e continuar o nosso caminho. Reconhecemo-lo quando inici\u00e1mos a Segunda Sess\u00e3o com uma Vig\u00edlia Penitencial, na qual pedimos perd\u00e3o pelos nossos pecados, sentimos vergonha e elev\u00e1mos a nossa intercess\u00e3o pelas v\u00edtimas dos males do mundo. Cham\u00e1mos os nossos pecados pelo nome: contra a paz, a cria\u00e7\u00e3o, os povos ind\u00edgenas, os migrantes, as crian\u00e7as, as mulheres, os pobres, a escuta, a comunh\u00e3o. Isto fez-nos compreender que a sinodalidade exige arrependimento e convers\u00e3o. Na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da miseric\u00f3rdia de Deus, fazemos a experi\u00eancia de sermos amados incondicionalmente: a dureza dos cora\u00e7\u00f5es \u00e9 superada e abrimo-nos \u00e0 comunh\u00e3o. \u00c9 por isso que queremos ser uma Igreja misericordiosa, capaz de partilhar com todos o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o que v\u00eam de Deus: pura gra\u00e7a da qual n\u00e3o somos donos, mas apenas testemunhas.<\/p>\n<p>7. Do caminho sinodal iniciado em 2021, j\u00e1 vimos os primeiros frutos. Os mais simples, mas preciosos, est\u00e3o a fermentar na vida das fam\u00edlias, das par\u00f3quias, das Associa\u00e7\u00f5es e Movimentos, das pequenas comunidades crist\u00e3s, das escolas e das comunidades religiosas, onde cresce a pr\u00e1tica da conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, do discernimento comunit\u00e1rio, da partilha dos dons vocacionais e da corresponsabilidade na miss\u00e3o. O encontro dos p\u00e1rocos para o S\u00ednodo (Sacrofano [Roma], 28 de abril \u2013 2 de maio de 2024) permitiu apreciar estas ricas experi\u00eancias e relan\u00e7ar o seu caminho. Estamos gratos e felizes pela voz de tantas comunidades e fi\u00e9is que vivem a Igreja como lugar de acolhimento, de esperan\u00e7a e de alegria.<\/p>\n<p>8. A Primeira Sess\u00e3o da Assembleia deu outros frutos. O <em>Relat\u00f3rio de S\u00edntese <\/em>chamou a aten\u00e7\u00e3o para um certo n\u00famero de temas de grande relev\u00e2ncia para a vida da Igreja, que o Santo Padre, no final de uma consulta internacional, confiou a Grupos de Estudo constitu\u00eddos por pastores e peritos de todos os continentes, chamados a trabalhar com m\u00e9todo sinodal. Os setores da vida e da miss\u00e3o da Igreja que j\u00e1 come\u00e7aram a aprofundar s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<ol>\n<li>Alguns aspetos das rela\u00e7\u00f5es entre as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas e a Igreja Latina.<\/li>\n<li>A escuta do grito dos pobres e da terra.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o no ambiente digital.<\/li>\n<li>A revis\u00e3o da <em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis<\/em> numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Algumas quest\u00f5es teol\u00f3gicas e can\u00f3nicas \u00e0 volta de formas ministeriais espec\u00edficas.<\/li>\n<li>A revis\u00e3o, em perspetiva sinodal e mission\u00e1ria, dos documentos que regulam as rela\u00e7\u00f5es entre Bispos, Religiosos, Agrega\u00e7\u00f5es eclesiais.<\/li>\n<li>Alguns aspetos da figura e do minist\u00e9rio do Bispo (em particular: crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o dos candidatos ao episcopado, fun\u00e7\u00e3o judicial do Bispo, natureza e o desenrolar das visitas <em>ad limina Apostolorum<\/em>) numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>O papel dos Representantes Pontif\u00edcios numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Crit\u00e9rios teol\u00f3gicos e metodologias sinodais para um discernimento partilhado de quest\u00f5es doutrinais, pastorais e \u00e9ticas controversas.<\/li>\n<li>A rece\u00e7\u00e3o dos frutos do caminho ecum\u00e9nico no Povo de Deus<\/li>\n<\/ol>\n<p>A estes Grupos juntam-se a Comiss\u00e3o de Direito Can\u00f3nico, ativada de acordo com o Dicast\u00e9rio para os Textos Legislativos, ao servi\u00e7o das necess\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, e o discernimento confiado ao Simp\u00f3sio das Confer\u00eancias episcopais de \u00c1frica e Madag\u00e1scar sobre o acompanhamento pastoral de pessoas em matrim\u00f3nio polig\u00e2mico. Os trabalhos destes Grupos e Comiss\u00f5es iniciaram a fase de implementa\u00e7\u00e3o, enriqueceram os trabalhos da Segunda Sess\u00e3o e ajudar\u00e3o o Santo Padre nas suas op\u00e7\u00f5es pastorais e de governo.<\/p>\n<p>9. O processo sinodal n\u00e3o termina com o fim da atual Assembleia do S\u00ednodo dos Bispos, mas inclui a fase de implementa\u00e7\u00e3o. Como membros da Assembleia, sentimos que \u00e9 nossa tarefa empenharmo-nos na sua anima\u00e7\u00e3o como mission\u00e1rios da sinodalidade nas comunidades de onde provimos. Pedimos a todas as Igrejas locais que continuem o seu caminho quotidiano com uma metodologia sinodal de consulta e discernimento, identificando caminhos concretos e percursos formativos para realizar uma convers\u00e3o sinodal palp\u00e1vel nas v\u00e1rias realidades eclesiais (Par\u00f3quias, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, Agrega\u00e7\u00f5es de Fi\u00e9is, Dioceses, Confer\u00eancias episcopais, agrupamentos de Igrejas, etc.). Dever\u00e1 tamb\u00e9m ser prevista uma avalia\u00e7\u00e3o dos progressos realizados em termos de sinodalidade e de participa\u00e7\u00e3o de todos os Batizados na vida da Igreja. Sugerimos que as Confer\u00eancias episcopais e os S\u00ednodos das Igrejas <em>sui iuris <\/em>dediquem pessoas e recursos para acompanhar o caminho de crescimento como Igreja sinodal em miss\u00e3o e para manter o contacto com a Secretaria Geral do S\u00ednodo (cf. EC 19 \u00a7\u00a7 1 e 2). Pedimos-lhe que continue a velar pela qualidade sinodal do m\u00e9todo de trabalho dos Grupos de Estudo.<\/p>\n<p>10. Oferecido ao Santo Padre e \u00e0s Igrejas como fruto da XVI Assembleia Geral do S\u00ednodo dos Bispos, este <em>Documento final<\/em> faz o balan\u00e7o de todos os passos dados at\u00e9 agora. Recolhe algumas converg\u00eancias importantes que surgiram na Primeira Sess\u00e3o, as contribui\u00e7\u00f5es vindas das Igrejas nos meses entre a Primeira e a Segunda Sess\u00f5es, e o que amadureceu, especialmente atrav\u00e9s da conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, durante a Segunda Sess\u00e3o.<\/p>\n<p>11. O <em>Documento final<\/em> expressa a consci\u00eancia de que o chamamento \u00e0 miss\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, chamamento \u00e0 convers\u00e3o de cada Igreja local e de toda a Igreja, na perspetiva indicada na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (cf. n. 30). O texto \u00e9 composto por cinco partes. A primeira, intitulada <em>O cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade<\/em>, delineia os fundamentos teol\u00f3gicos e espirituais que iluminam e alimentam o que se segue. Reafirma a compreens\u00e3o partilhada da sinodalidade que emergiu na Primeira Sess\u00e3o e desenvolve as suas perspetivas espirituais e prof\u00e9ticas. A convers\u00e3o dos sentimentos, imagens e pensamentos que habitam os nossos cora\u00e7\u00f5es prossegue juntamente com a convers\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria. A segunda parte, intitulada <em>No barco, juntos<\/em>, \u00e9 dedicada \u00e0 convers\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es que constroem a comunidade crist\u00e3 e configuram a miss\u00e3o no entrela\u00e7amento de voca\u00e7\u00f5es, carismas e minist\u00e9rios. A terceira, <em>\u201cLan\u00e7ai a rede\u201d<\/em>, identifica tr\u00eas pr\u00e1ticas que est\u00e3o intimamente ligadas: discernimento eclesial, processos de decis\u00e3o e cultura da transpar\u00eancia, da presta\u00e7\u00e3o de contas e da avalia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a estas, somos convidados a iniciar caminhos de \u201ctransforma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria\u201d, para os quais \u00e9 urgente uma renova\u00e7\u00e3o dos organismos de participa\u00e7\u00e3o. A quarta parte, sob o t\u00edtulo <em>Uma pesca abundante<\/em>, descreve como \u00e9 poss\u00edvel cultivar em novas formas o interc\u00e2mbio de dons e o entrela\u00e7amento dos la\u00e7os que nos unem na Igreja, num tempo em que a experi\u00eancia de estar enraizado num lugar est\u00e1 a mudar profundamente. Segue-se uma quinta parte,<em> \u201cTamb\u00e9m eu vos envio\u201d<\/em>, que nos permite olhar para um passo <em>indispens\u00e1vel<\/em>: cuidar da forma\u00e7\u00e3o de todos no Povo de Deus em sinodalidade mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>12. A elabora\u00e7\u00e3o do <em>Documento final<\/em> \u00e9 guiada pelos relatos evang\u00e9licos da Ressurrei\u00e7\u00e3o. A corrida ao t\u00famulo na madrugada de P\u00e1scoa, a apari\u00e7\u00e3o do Ressuscitado no Cen\u00e1culo e na margem do lago inspiraram o nosso discernimento e alimentaram o nosso di\u00e1logo. Invoc\u00e1mos o dom pascal do Esp\u00edrito Santo, pedindo-lhe que nos ensinasse o que devemos fazer e nos mostrasse o caminho a seguir todos juntos. Com este documento, a Assembleia reconhece e testemunha que a sinodalidade, uma dimens\u00e3o constitutiva da Igreja, j\u00e1 faz parte da experi\u00eancia de muitas das nossas comunidades. Ao mesmo tempo, sugere caminhos a seguir, pr\u00e1ticas a implementar, horizontes a explorar. O Santo Padre, que convocou a Igreja em S\u00ednodo, dir\u00e1 \u00e0s Igrejas, confiadas ao cuidado pastoral dos Bispos, como prosseguir o nosso caminho apoiado na esperan\u00e7a que \u201cn\u00e3o engana\u201d (Rm 5,5).<a name=\"_Toc49401\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Parte I \u2013 O cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade<br \/>\n<\/strong><strong>Chamados pelo Esp\u00edrito Santo \u00e0 convers\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu ent\u00e3o e foi ter com Sim\u00e3o Pedro e com o outro disc\u00edpulo predileto de Jesus (Jo 20,1-2). <\/em><\/p>\n<p>13. Na manh\u00e3 de Pentecostes, encontramos tr\u00eas disc\u00edpulos: Maria de Magdala, Sim\u00e3o Pedro, o disc\u00edpulo que Jesus amava. Cada um deles procura o Senhor \u00e0 sua maneira, cada um tem o seu papel na aurora da esperan\u00e7a. Maria Madalena \u00e9 movida por um amor que a leva primeiro ao t\u00famulo. Avisados por ela, Pedro e o Disc\u00edpulo Amado dirigem-se para o t\u00famulo; o Disc\u00edpulo Amado corre com a for\u00e7a da juventude, procura com o olhar de quem sente primeiro, mas sabe dar lugar ao mais velho a quem foi confiada a tarefa de guia; Pedro, oprimido por ter negado o Senhor, aguarda o encontro com a miseric\u00f3rdia da qual ser\u00e1 ministro na Igreja. Maria permanece no jardim, ouve chamar pelo seu nome, reconhece o Senhor que a envia para anunciar a sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos. \u00c9 por isso que a Igreja a reconhece como Ap\u00f3stola dos Ap\u00f3stolos. A depend\u00eancia rec\u00edproca entre eles encarna o cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade.<\/p>\n<p>14. A Igreja existe para testemunhar ao mundo o acontecimento decisivo da hist\u00f3ria: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. O Ressuscitado traz a paz ao mundo e d\u00e1-nos o dom do seu Esp\u00edrito. Cristo vivo \u00e9 a fonte da verdadeira liberdade, o fundamento da esperan\u00e7a que n\u00e3o engana, a revela\u00e7\u00e3o do verdadeiro rosto de Deus e o destino \u00faltimo do homem. Os Evangelhos dizem-nos que, para entrar na f\u00e9 pascal e tornar-se testemunhas dela, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o pr\u00f3prio vazio interior, as trevas do medo, da d\u00favida e do pecado. Mas aqueles que na escurid\u00e3o t\u00eam a coragem de sair e p\u00f4r-se \u00e0 procura descobrem na realidade que s\u00e3o procurados, chamados pelo nome, perdoados e enviados juntos aos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<a name=\"_Toc49402\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Igreja Povo de Deus, sacramento de unidade<\/strong><\/p>\n<p>15. Do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo brota a identidade do Povo de Deus. Ele realiza-se como chamamento \u00e0 santidade e envio em miss\u00e3o para convidar todos os povos a acolher o dom da salva\u00e7\u00e3o (cf. Mt 28,18-19). \u00c9, portanto, do Batismo, no qual Cristo nos reveste de Si mesmo (cf. Gal 3,27) e nos faz renascer pelo Esp\u00edrito (cf. Jo 3,5-6) como filhos de Deus, que nasce a Igreja sinodal mission\u00e1ria. Toda a vida crist\u00e3 tem a sua fonte e o seu horizonte no mist\u00e9rio da Trindade, que suscita em n\u00f3s o dinamismo da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade.<\/p>\n<p>16. \u201cAprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente\u201d (LG 9). O Povo de Deus a caminho do Reino \u00e9 continuamente alimentado pela Eucaristia, fonte de comunh\u00e3o e de unidade: \u201cVisto que h\u00e1 um s\u00f3 p\u00e3o, n\u00f3s, embora sejamos muitos, formamos um s\u00f3 corpo, porque participamos do \u00fanico p\u00e3o\u201d (1 Cor 10,17). A Igreja, alimentada pelo sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, \u00e9 constitu\u00edda como Seu Corpo (cf. LG 7): \u201cV\u00f3s sois corpo de Cristo e seus membros, cada um por sua parte\u201d (1Cor 12,27). Vivificado pela gra\u00e7a, \u00e9 Templo do Esp\u00edrito Santo (cf. LG 4): \u00e9 Ele, de facto, que a anima e edifica, fazendo de todos n\u00f3s as pedras vivas de um edif\u00edcio espiritual (cf. 1Pd 2,5; LG 6).<\/p>\n<p>17. O processo sinodal fez-nos experimentar o \u201cprazer espiritual\u201d (EG 268) de ser Povo de Deus, reunido de todas as tribos, l\u00ednguas, povos e na\u00e7\u00f5es, vivendo em contextos e culturas diversas. Nunca \u00e9 a simples soma dos Batizados, mas o sujeito comunit\u00e1rio e hist\u00f3rico da sinodalidade e da miss\u00e3o, ainda peregrino no tempo e j\u00e1 em comunh\u00e3o com a Igreja do c\u00e9u. Nos diversos contextos em que se enra\u00edzam as Igrejas particulares, o Povo de Deus anuncia e testemunha a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o; vivendo no mundo e para o mundo, caminha juntamente com todos os povos da terra, dialoga com as suas religi\u00f5es e as suas culturas, reconhecendo nelas as sementes do Verbo, e avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao Reino. Incorporados neste Povo pela f\u00e9 e o Batismo, somos apoiados e acompanhados pela Virgem Maria, \u201csinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o\u201d (LG 68), pelos Ap\u00f3stolos, por aqueles que testemunharam a sua f\u00e9 at\u00e9 dar a vida, pelos santos de todos os tempos e lugares.<\/p>\n<p>18. No santo Povo de Deus, que \u00e9 a Igreja, a comunh\u00e3o dos Fi\u00e9is (<em>Communio Fidelium<\/em>) \u00e9 ao mesmo tempo a comunh\u00e3o das Igrejas (<em>Communio Ecclesiarum<\/em>), que se manifesta na comunh\u00e3o dos Bispos (<em>Communio Episcoporum<\/em>), em virtude do antiqu\u00edssimo princ\u00edpio de que \u201ca Igreja est\u00e1 no Bispo e o Bispo est\u00e1 na Igreja\u201d (S\u00e3o Cipriano, <em>Ep\u00edstola <\/em>66, 8). Ao servi\u00e7o desta comunh\u00e3o multiforme, o Senhor colocou o ap\u00f3stolo Pedro (cf. Mt 16,18) e os seus sucessores. Em virtude do minist\u00e9rio petrino, o Bispo de Roma \u00e9 \u201cperp\u00e9tuo e vis\u00edvel fundamento da unidade\u201d (LG 23) da unidade da Igreja.<\/p>\n<p>19. \u201cNo cora\u00e7\u00e3o de Deus h\u00e1 um lugar preferencial para os pobres\u201d (EG 197), os marginalizados e exclu\u00eddos, e por isso tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Neles, a comunidade crist\u00e3 encontra o rosto e a carne de Cristo, que, de rico que era, se fez pobre por n\u00f3s, para que nos torn\u00e1ssemos ricos por meio da sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres est\u00e1 impl\u00edcita na f\u00e9 cristol\u00f3gica. Os pobres t\u00eam um conhecimento direto de Cristo sofredor (cf. EG 198) que os torna anunciadores de uma salva\u00e7\u00e3o recebida como dom e testemunhas da alegria do Evangelho. A Igreja \u00e9 chamada a ser pobre com os pobres, que muitas vezes s\u00e3o a maioria dos Fi\u00e9is, a escut\u00e1-los e a consider\u00e1-los sujeitos da evangeliza\u00e7\u00e3o, aprendendo juntos a reconhecer os carismas que eles recebem do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>20. \u201cA luz dos povos \u00e9 Cristo\u201d (LG 1) e esta luz resplandece no rosto da Igreja, embora marcada pela fragilidade da condi\u00e7\u00e3o humana e pela opacidade do pecado. Ela recebe de Cristo o dom e a responsabilidade de ser o fermento eficaz dos la\u00e7os, das rela\u00e7\u00f5es e da fraternidade da fam\u00edlia humana (cf. AG 2-4), testemunhando no mundo o sentido e a meta do seu caminho (cf. GS 3 e 42). Assume hoje esta responsabilidade num tempo dominado pela crise da participa\u00e7\u00e3o \u2013 isto \u00e9, de se sentir parte e atores de um destino comum \u2013 e por uma conce\u00e7\u00e3o individualista da felicidade e da salva\u00e7\u00e3o. A sua voca\u00e7\u00e3o e o seu servi\u00e7o prof\u00e9tico (cf. LG 12) consistem em testemunhar o projeto de Deus de unir a si toda a humanidade na liberdade e na comunh\u00e3o. A Igreja, que \u00e9 \u201co Reino de Cristo j\u00e1 presente em mist\u00e9rio\u201d (LG 3) \u201cconstitui o germe e o princ\u00edpio deste mesmo Reino na terra\u201d (LG 5), caminha, portanto, junto com toda a humanidade, empenhando-se com todas as suas for\u00e7as pela dignidade humana, o bem comum, a justi\u00e7a e a paz, e \u201csuspira pela consuma\u00e7\u00e3o do Reino\u201d (LG 5), quando Deus ser\u00e1 \u201ctudo em todos\u201d (1Cor 15,28).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>As ra\u00edzes sacramentais do Povo de Deus<\/strong><\/p>\n<p>21- O caminho sinodal da Igreja levou-nos a redescobrir que a variedade das voca\u00e7\u00f5es, dos carismas e dos minist\u00e9rios tem uma raiz: \u201ctodos n\u00f3s fomos batizados num s\u00f3 Esp\u00edrito para constituirmos um s\u00f3 Corpo\u201d (1 Cor 12,13). O Batismo \u00e9 o fundamento da vida crist\u00e3, porque introduz todos no maior dom: ser filhos de Deus, isto \u00e9, participantes da rela\u00e7\u00e3o de Jesus com o Pai no Esp\u00edrito. N\u00e3o h\u00e1 nada mais elevado do que esta dignidade, igualmente dada a cada pessoa, que nos faz revestir de Cristo e ser enxertados nele como ramos na videira. No nome \u201ccrist\u00e3o\u201d que temos a honra de ostentar est\u00e1 contida a gra\u00e7a que est\u00e1 na base da nossa vida e nos faz caminhar juntos como irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>22. Em virtude do Batismo, \u201co Povo santo de Deus participa tamb\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de f\u00e9 e de caridade\u201d (LG 12). Gra\u00e7as \u00e0 un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo recebida no Batismo (cf. 1Jo 2,20.27), todos os crentes possuem um instinto para a verdade do Evangelho, chamado <em>sensus fidei<\/em>. Este consiste numa certa conaturalidade com as realidades divinas, baseada no facto de que, no Esp\u00edrito Santo, os Batizados \u201ctornam-se participantes da natureza divina\u201d (DV 2). Desta participa\u00e7\u00e3o deriva a aptid\u00e3o para captar intuitivamente o que \u00e9 conforme \u00e0 verdade da Revela\u00e7\u00e3o na comunh\u00e3o da Igreja. Por isso, a Igreja tem a certeza de que o santo Povo de Deus n\u00e3o pode errar na f\u00e9, quando a totalidade dos Batizados exprime o seu acordo universal em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de moral (cf. LG 12). O exerc\u00edcio do <em>sensus fidei<\/em> n\u00e3o se confunde com a opini\u00e3o p\u00fablica. Est\u00e1 sempre unido ao discernimento dos Pastores nos diversos n\u00edveis da vida eclesial, como mostra a articula\u00e7\u00e3o das etapas do processo sinodal. Tem como objetivo alcan\u00e7ar aquele consenso dos Fi\u00e9is (<em>Consensus Fidelium<\/em>) que constitui \u201cum crit\u00e9rio seguro para determinar se uma determinada doutrina ou pr\u00e1tica pertence \u00e0 f\u00e9 apost\u00f3lica\u201d (Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, <em>O<\/em> <em>sensus fidei na vida da Igreja<\/em>, 2014, n. 3).<\/p>\n<p>23. Pelo Batismo, todos os Crist\u00e3os participam no <em>sensus fidei<\/em>. Por isso, n\u00e3o \u00e9 apenas o princ\u00edpio da sinodalidade, mas tamb\u00e9m o fundamento do ecumenismo. \u201cO caminho da sinodalidade, que a Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 a percorrer, \u00e9 e deve ser ecum\u00e9nico, assim como o caminho ecum\u00e9nico \u00e9 sinodal\u201d (Papa Francisco, <em>Discurso a Sua Santidade Mar Awa III<\/em>, 19 de novembro de 2022). O ecumenismo \u00e9, antes de mais, uma quest\u00e3o de renova\u00e7\u00e3o espiritual. Exige processos de arrependimento e de cura da mem\u00f3ria das feridas passadas, at\u00e9 \u00e0 coragem da corre\u00e7\u00e3o fraterna em esp\u00edrito de caridade evang\u00e9lica. Na Assembleia ressoaram testemunhos iluminadores de Crist\u00e3os de diferentes tradi\u00e7\u00f5es eclesiais que partilham a amizade, a ora\u00e7\u00e3o, a vida e o empenho no servi\u00e7o aos pobres e no cuidado da casa comum. Em n\u00e3o poucas regi\u00f5es do mundo, existe sobretudo o ecumenismo do sangue: Crist\u00e3os de diferentes filia\u00e7\u00f5es que, juntos, d\u00e3o a vida pela f\u00e9 em Jesus Cristo. O testemunho do seu mart\u00edrio \u00e9 mais eloquente do que quaisquer palavras: a unidade vem da Cruz do Senhor.<\/p>\n<p>24. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender plenamente o Batismo sen\u00e3o no \u00e2mbito da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, isto \u00e9, do itiner\u00e1rio atrav\u00e9s do qual o Senhor, mediante o minist\u00e9rio da Igreja e o dom do Esp\u00edrito, nos introduz na f\u00e9 pascal e nos insere na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria e eclesial. Este itiner\u00e1rio conhece uma significativa variedade de formas, consoante a idade em que \u00e9 empreendido, as diferentes acentua\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias das tradi\u00e7\u00f5es orientais e ocidentais, e as especificidades de cada Igreja local. A inicia\u00e7\u00e3o p\u00f5e-nos em contacto com uma grande variedade de voca\u00e7\u00f5es e de minist\u00e9rios eclesiais. Neles se exprime o rosto misericordioso de uma Igreja que ensina os seus filhos a caminhar, caminhando com eles. Escuta-os e, ao mesmo tempo que responde \u00e0s suas d\u00favidas e \u00e0s suas interroga\u00e7\u00f5es, enriquece-se com a novidade que cada um traz com a sua hist\u00f3ria e a sua cultura. Na pr\u00e1tica desta a\u00e7\u00e3o pastoral, a comunidade crist\u00e3 experimenta, muitas vezes sem ter consci\u00eancia disso, a primeira forma de sinodalidade.<\/p>\n<p>25. Dentro do itiner\u00e1rio da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, o sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o enriquece a vida dos crentes com uma particular efus\u00e3o do Esp\u00edrito em vista do testemunho. O Esp\u00edrito de que Jesus ficou cheio (cf. Lc 4,1), que O ungiu e O enviou a proclamar o Evangelho (cf. Lc 4,18), \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito que \u00e9 derramado sobre os crentes como selo da perten\u00e7a a Deus e como un\u00e7\u00e3o que santifica. Por isso, a Confirma\u00e7\u00e3o, que torna presente a gra\u00e7a do Pentecostes na vida do Batizado e da comunidade, \u00e9 um dom de grande valor para renovar o prod\u00edgio de uma Igreja movida pelo fogo da miss\u00e3o, que tem a coragem de sair pelos caminhos do mundo e a capacidade de se fazer compreender por todos os povos e por todas as culturas. Todos os crentes s\u00e3o chamados a contribuir para este impulso, acolhendo os carismas que o Esp\u00edrito distribui com abund\u00e2ncia a cada um e comprometendo-se a p\u00f4-los ao servi\u00e7o do Reino com humildade e iniciativa criativa.<\/p>\n<p>26. A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, especialmente ao domingo, \u00e9 a primeira e fundamental forma com a qual o santo Povo de Deus se re\u00fane e se encontra. Na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u201c\u00e9 tanto significada como realizada a unidade da Igreja\u201d (UR 2). Na \u201cplena, consciente e ativa participa\u00e7\u00e3o\u201d (SC 14) de todos os Fi\u00e9is, na presen\u00e7a dos diversos minist\u00e9rios e na presid\u00eancia do Bispo ou do Presb\u00edtero, torna-se vis\u00edvel a comunidade crist\u00e3, na qual se realiza uma corresponsabilidade diferenciada de todos pela miss\u00e3o. Por isso a Igreja, Corpo de Cristo, aprende da Eucaristia a articular unidade e pluralidade: unidade da Igreja e multiplicidade das assembleias eucar\u00edsticas; unidade do mist\u00e9rio sacramental e variedade das tradi\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas; unidade da celebra\u00e7\u00e3o e diversidade das voca\u00e7\u00f5es, dos carismas e dos minist\u00e9rios. Nada mais do que a Eucaristia mostra que a harmonia criada pelo Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 uniformidade e que cada dom eclesial \u00e9 destinado \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o comum. Cada celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m express\u00e3o do desejo e apelo \u00e0 unidade de todos os Batizados, que n\u00e3o \u00e9 ainda plena e vis\u00edvel. Onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o dominical da Eucaristia, a comunidade, embora desejando-a, re\u00fane-se \u00e0 volta da celebra\u00e7\u00e3o da Palavra, onde Cristo est\u00e1 tamb\u00e9m presente.<\/p>\n<p>27. Existe uma estreita liga\u00e7\u00e3o entre <em>synaxis<\/em> e <em>synodos<\/em>, entre a assembleia eucar\u00edstica e a assembleia sinodal. Embora sob formas diferentes, em ambas se realiza a promessa de Jesus de estar presente onde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em seu nome (cf. Mt 18,20). As assembleias sinodais s\u00e3o acontecimentos que celebram a uni\u00e3o de Cristo com a sua Igreja atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. \u00c9 Ele que assegura a unidade do Corpo eclesial de Cristo, tanto na assembleia eucar\u00edstica como na assembleia sinodal. A liturgia \u00e9 uma escuta da Palavra de Deus e uma resposta \u00e0 sua iniciativa de alian\u00e7a. Tamb\u00e9m a assembleia sinodal \u00e9 uma escuta da mesma Palavra, que ressoa tanto nos sinais dos tempos como no cora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is, e uma resposta da assembleia que discerne a vontade de Deus para a p\u00f4r em pr\u00e1tica. O aprofundamento da liga\u00e7\u00e3o entre liturgia e sinodalidade ajudar\u00e1 todas as comunidades crist\u00e3s, na pluriformidade das suas culturas e tradi\u00e7\u00f5es, a adotar estilos celebrativos que manifestem o rosto de uma Igreja sinodal. Para isso, solicitamos a constitui\u00e7\u00e3o de um Grupo de Estudo espec\u00edfico, a quem confiar tamb\u00e9m a reflex\u00e3o sobre o modo de tornar as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas mais expressivas da sinodalidade; poderia ocupar-se tamb\u00e9m da prega\u00e7\u00e3o dentro das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e do desenvolvimento de uma catequese sobre a sinodalidade em chave mistag\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Significado e dimens\u00f5es da sinodalidade<\/strong><\/p>\n<p>28. Os termos \u201csinodalidade\u201d e \u201csinodal\u201d derivam da antiga e constante pr\u00e1tica eclesial de reunir-se em s\u00ednodo. Nas tradi\u00e7\u00f5es das Igrejas do Oriente e do Ocidente, a palavra \u201cs\u00ednodo\u201d refere-se a institui\u00e7\u00f5es e eventos que, ao longo do tempo, assumiram formas diversas, envolvendo uma pluralidade de sujeitos. Na sua variedade, todas estas formas est\u00e3o unidas pelo facto de se reunirem para dialogar, discernir e decidir. Gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia dos \u00faltimos anos, o significado destes termos foi mais bem compreendido e mais vivido. Foram cada vez mais associados ao desejo de uma Igreja mais pr\u00f3xima das pessoas e mais relacional, que seja casa e fam\u00edlia de Deus. No decurso do processo sinodal, amadureceu uma converg\u00eancia sobre o significado de sinodalidade que est\u00e1 na base deste Documento: a sinodalidade \u00e9 o caminhar juntos dos Crist\u00e3os com Cristo e para o Reino de Deus, em uni\u00e3o com toda a humanidade; orientada para a miss\u00e3o, implica o encontro em assembleia nos diversos n\u00edveis da vida eclesial, a escuta rec\u00edproca, o di\u00e1logo, o discernimento comunit\u00e1rio, a forma\u00e7\u00e3o de consensos como express\u00e3o da presen\u00e7a de Cristo no Esp\u00edrito e a tomada de uma decis\u00e3o em corresponsabilidade diferenciada. Nesta linha, compreendemos melhor o que significa que a sinodalidade \u00e9 dimens\u00e3o constitutiva da Igreja (cf. CTI, n.\u00ba 1). Em termos simples e sint\u00e9ticos, pode-se dizer que a sinodalidade \u00e9 um caminho de renova\u00e7\u00e3o espiritual e de reforma estrutural para tornar a Igreja mais participativa e mission\u00e1ria, isto \u00e9, para a tornar mais capaz de caminhar com cada homem e mulher irradiando a luz de Cristo.<\/p>\n<p>29. Na Virgem Maria, M\u00e3e de Cristo, da Igreja e da humanidade, vemos resplandecer os tra\u00e7os de uma Igreja sinodal, mission\u00e1ria e misericordiosa. Ela \u00e9, de facto, a figura da Igreja que escuta, reza, medita, dialoga, acompanha, discerne, decide e age. Dela aprendemos a arte da escuta, a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade de Deus, a obedi\u00eancia \u00e0 sua Palavra, a capacidade de colher as necessidades dos pobres, a coragem de p\u00f4r-se a caminho, o amor que ajuda, o canto de louvor e a exulta\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito. Por isso, como afirmava S\u00e3o Paulo VI, \u201ca a\u00e7\u00e3o da Igreja no mundo \u00e9 como que um prolongamento da solicitude de Maria\u201d (MC 28).<\/p>\n<p>30. De modo mais detalhado, a sinodalidade designa tr\u00eas aspetos distintos da vida da Igreja:<\/p>\n<p>a) Em primeiro lugar, refere-se ao \u201cestilo peculiar que qualifica a vida e a miss\u00e3o da Igreja, exprimindo a sua natureza como o caminhar juntos e o reunir-se em assembleia do Povo de Deus convocada pelo Senhor Jesus na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para anunciar o Evangelho. Deve exprimir-se no modo ordin\u00e1rio de viver e agir da Igreja. Este <em>modus vivendi et operandi <\/em>realiza-se atrav\u00e9s da escuta comunit\u00e1ria da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, da fraternidade da comunh\u00e3o e da corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o de todo o Povo de Deus, nos seus v\u00e1rios n\u00edveis e nas distin\u00e7\u00f5es dos diversos minist\u00e9rios e fun\u00e7\u00f5es, na sua vida e miss\u00e3o\u201d (CTI, n. 70a);<\/p>\n<p>b) Em segundo lugar, \u201ca sinodalidade designa, pois, num sentido mais espec\u00edfico e determinado do ponto de vista teol\u00f3gico e can\u00f3nico, as <em>estruturas <\/em>e os <em>processos eclesiais <\/em>nos quais se exprime a natureza sinodal da Igreja a n\u00edvel institucional, de modo an\u00e1logo, nos v\u00e1rios n\u00edveis da sua realiza\u00e7\u00e3o: local, regional, universal. Tais estruturas e processos est\u00e3o ao servi\u00e7o do discernimento autorizado da Igreja, que \u00e9 chamada a identificar a dire\u00e7\u00e3o a seguir na escuta do Esp\u00edrito Santo\u201d (CTI, n. 70b);<\/p>\n<p>c) Em terceiro lugar, a sinodalidade designa \u201co acontecer pontual daqueles <em>eventos sinodais<\/em> em que a Igreja \u00e9 convocada pela autoridade competente e segundo procedimentos espec\u00edficos determinados pela disciplina eclesi\u00e1stica, envolvendo de diversas maneiras, a n\u00edvel local, regional e universal, todo o Povo de Deus sob a presid\u00eancia dos Bispos em comunh\u00e3o colegial e hier\u00e1rquica com o Bispo de Roma, para o discernimento do seu caminho e de quest\u00f5es particulares, e para a tomada de decis\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es em ordem ao cumprimento da sua miss\u00e3o evangelizadora\u201d (CTI, n. 70c).<\/p>\n<p>31. No contexto da eclesiologia conciliar do Povo de Deus, o conceito de comunh\u00e3o exprime a subst\u00e2ncia profunda do mist\u00e9rio e da miss\u00e3o da Igreja, que tem na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia a sua fonte e o seu ponto culminante, ou seja, a uni\u00e3o com Deus Trindade e a unidade entre as pessoas humanas que se realiza em Cristo atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo. Neste contexto, a sinodalidade \u201cindica o modo espec\u00edfico de viver e agir da Igreja, Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o seu ser comunh\u00e3o no \u2018caminhar juntos\u2019, na reuni\u00e3o em assembleia e na participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os seus membros na sua miss\u00e3o evangelizadora\u201d (CTI, n. 6).<\/p>\n<p>32. A sinodalidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, mas visa a miss\u00e3o que Cristo confiou \u00e0 Igreja no Esp\u00edrito. Evangelizar \u00e9 \u201ca miss\u00e3o essencial da Igreja [&#8230;] \u00e9 a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, a sua identidade profunda\u201d (EN 14). Estando pr\u00f3xima de todos, sem diferen\u00e7a de pessoas, pregando e ensinando, batizando, celebrando a Eucaristia e o Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, todas as Igrejas locais e a Igreja inteira respondem concretamente ao mandato do Senhor de anunciar o Evangelho a todas as na\u00e7\u00f5es (cf. Mt 28,19-20; Mc 16,15-16). Valorizando todos os carismas e minist\u00e9rios, a sinodalidade permite ao Povo de Deus anunciar e testemunhar o Evangelho aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares, tornando-se \u201csacramento vis\u00edvel\u201d (LG 9) da fraternidade e da unidade em Cristo querida por Deus. Sinodalidade e miss\u00e3o est\u00e3o intimamente ligadas: a miss\u00e3o ilumina a sinodalidade e a sinodalidade impele \u00e0 miss\u00e3o.<\/p>\n<p>33. A autoridade dos pastores \u201c\u00e9 um dom espec\u00edfico do Esp\u00edrito de Cristo Cabe\u00e7a para a edifica\u00e7\u00e3o de todo o Corpo\u201d (CTI, n. 67). Tal dom est\u00e1 ligado ao sacramento da Ordem, que configura aqueles que o recebem a Cristo Cabe\u00e7a, Pastor e Servo, e os coloca ao servi\u00e7o do santo Povo de Deus para salvaguardar a apostolicidade do an\u00fancio e promover a comunh\u00e3o eclesial a todos os n\u00edveis. A sinodalidade oferece \u201co quadro interpretativo mais adequado para compreender o pr\u00f3prio minist\u00e9rio hier\u00e1rquico\u201d (Francisco, <em>Discurso por ocasi\u00e3o da comemora\u00e7\u00e3o do 50.\u00ba anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 17 de outubro de 2015) e coloca na perspetiva correta o mandato que Cristo confia, no Esp\u00edrito Santo, aos Pastores. Portanto, a sinodalidade convida toda a Igreja, incluindo quantos exercem uma autoridade, \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 reforma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A unidade como harmonia<\/strong><\/p>\n<p>34. A criatura humana, sendo de natureza espiritual, realiza-se nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Quanto mais as vive de modo aut\u00eantico, tanto mais amadurece a sua identidade pessoal. N\u00e3o \u00e9 isolando-se que o homem se valoriza, mas pondo-se em rela\u00e7\u00e3o com os outros e com Deus. A import\u00e2ncia de tais rela\u00e7\u00f5es torna-se, portanto, fundamental\u201d (CV 53). Uma Igreja sinodal caracteriza-se como espa\u00e7o onde as rela\u00e7\u00f5es podem florescer, gra\u00e7as ao amor rec\u00edproco que constitui o mandamento novo deixado por Jesus aos seus disc\u00edpulos (cf. Jo 13,34-35). No seio de culturas e sociedade cada vez mais individualistas, a Igreja, \u201cpovo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (LG 4), pode dar testemunho da for\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es fundadas na Trindade. As diferen\u00e7as de voca\u00e7\u00e3o, idade, sexo, profiss\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o e perten\u00e7a social, presentes em cada comunidade crist\u00e3, oferecem a cada um o encontro com a alteridade indispens\u00e1vel para o amadurecimento pessoal.<\/p>\n<p>35. \u00c9 antes de mais no seio da fam\u00edlia, que com o Conc\u00edlio se poderia chamar \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d (LG 11), que se vive a riqueza das rela\u00e7\u00f5es entre pessoas unidas na sua diversidade de car\u00e1cter, sexo, idade e fun\u00e7\u00e3o. Por isso as fam\u00edlias s\u00e3o um lugar privilegiado para aprender e experimentar as pr\u00e1ticas essenciais de uma Igreja sinodal. Apesar das fraturas e dos sofrimentos que as fam\u00edlias experimentam, continuam a ser lugares onde se aprende a trocar o dom do amor, da confian\u00e7a, do perd\u00e3o, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o. \u00c9 na fam\u00edlia que aprendemos que temos a mesma dignidade, que somos criados para a reciprocidade, que temos necessidade de ser ouvidos e que somos capazes de escutar, de discernir e decidir juntos, de aceitar e exercitar uma autoridade animada pela caridade, de ser correspons\u00e1veis e de prestar contas dos nossos atos. A fam\u00edlia humaniza as pessoas atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o do \u2018n\u00f3s\u2019 e, ao mesmo tempo, promove as leg\u00edtimas diferen\u00e7as de cada um\u201d (Francisco, <em>Discurso aos participantes na Plen\u00e1ria da Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais<\/em>, 29 de abril de 2022).<\/p>\n<p>36. O processo sinodal mostrou que o Esp\u00edrito Santo suscita constantemente no Povo de Deus uma grande variedade de carismas e minist\u00e9rios. \u201cTamb\u00e9m na edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo existe diversidade de membros e de fun\u00e7\u00f5es. \u00c9 um mesmo Esp\u00edrito que distribui os seus v\u00e1rios dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos minist\u00e9rios para utilidade da Igreja (cf. 1 Cor 12,1-11)\u201d (LG 7). De igual modo, surgiu a aspira\u00e7\u00e3o de alargar as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o e de exerc\u00edcio da corresponsabilidade diferenciada de todos os Batizados, homens e mulheres. A este prop\u00f3sito, por\u00e9m, foi manifestada a tristeza pela falta de participa\u00e7\u00e3o de tantos membros do Povo de Deus neste caminho de renova\u00e7\u00e3o eclesial e o cansa\u00e7o generalizado em viver plenamente uma s\u00e3 rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, entre gera\u00e7\u00f5es e entre pessoas e grupos de diferentes identidades culturais e condi\u00e7\u00f5es sociais, especialmente os pobres e os exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>37. O processo sinodal p\u00f4s tamb\u00e9m em evid\u00eancia o patrim\u00f3nio espiritual das Igrejas locais, nas quais e a partir das quais existe a Igreja Cat\u00f3lica, e a necessidade de articular as suas experi\u00eancias. Em virtude da catolicidade, \u201ccada uma das partes traz \u00e0s outras e a toda a Igreja os seus dons particulares, de maneira que o todo e cada uma das partes aumentem pela comunica\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre todos e pela aspira\u00e7\u00e3o comum \u00e0 plenitude na unidade\u201d (LG 13). O minist\u00e9rio do Sucessor de Pedro \u201cprotege as leg\u00edtimas diversidades e vigia para que as particularidades ajudem a unidade e de forma alguma a prejudiquem\u201d (<em>ibid<\/em>.; cf. AG 22).<\/p>\n<p>38. Toda a Igreja foi sempre uma pluralidade de povos e l\u00ednguas, de Igrejas com os seus ritos, disciplinas e heran\u00e7as teol\u00f3gicas e espirituais particulares, de voca\u00e7\u00f5es, carismas e minist\u00e9rios ao servi\u00e7o da unidade comum. A unidade desta variedade \u00e9 realizada por Cristo, pedra angular, e pelo Esp\u00edrito, mestre de harmonia. Esta unidade na diversidade \u00e9 designada precisamente pela catolicidade da Igreja. Sinal disso \u00e9 a pluralidade das Igrejas <em>sui iuris<\/em>, cuja riqueza o processo sinodal p\u00f4s em evid\u00eancia. A Assembleia pede que se prossiga no caminho do encontro, da compreens\u00e3o rec\u00edproca e do interc\u00e2mbio de dons que alimentam a comunh\u00e3o de uma Igreja de Igrejas.<\/p>\n<p>39. A renova\u00e7\u00e3o sinodal favorece a valoriza\u00e7\u00e3o dos contextos como lugar onde se torna presente e se realiza o chamamento universal de Deus a fazer parte do seu Povo, daquele Reino de Deus que \u00e9 \u201cjusti\u00e7a, paz e alegria no Esp\u00edrito Santo\u201d (Rm 14,17). Deste modo, as diferentes culturas podem compreender a unidade que est\u00e1 na base da sua pluralidade e abrir-se \u00e0 perspetiva do interc\u00e2mbio de dons. \u201cA unidade da Igreja n\u00e3o \u00e9 a uniformidade, mas a integra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica das leg\u00edtimas diversidades\u201d (NMI 46). A variedade das express\u00f5es da mensagem salv\u00edfica evita reduzi-la a uma \u00fanica compreens\u00e3o da vida da Igreja e das formas teol\u00f3gicas, lit\u00fargicas, pastorais e disciplinares em que ela se exprime.<\/p>\n<p>40. A valoriza\u00e7\u00e3o dos contextos, das culturas e das diversidades, e das rela\u00e7\u00f5es entre si, \u00e9 uma chave para crescer como Igreja sinodal mission\u00e1ria e caminhar, sob o impulso do Esp\u00edrito Santo, para a unidade vis\u00edvel dos Crist\u00e3os. Reafirmamos o empenho da Igreja Cat\u00f3lica em prosseguir e intensificar o caminho ecum\u00e9nico com outros Crist\u00e3os, em virtude do Batismo comum e em resposta ao apelo a viver juntos a comunh\u00e3o e a unidade entre os disc\u00edpulos, pelas quais Cristo rezou na \u00daltima Ceia (cf. Jo 17,20-26). A Assembleia sa\u00fada com alegria e gratid\u00e3o os progressos nas rela\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas ao longo dos \u00faltimos sessenta anos, os documentos de di\u00e1logo e as declara\u00e7\u00f5es que exprimem a f\u00e9 comum. A participa\u00e7\u00e3o dos Delegados Fraternos enriqueceu o desenrolar da Assembleia, e aguardamos com esperan\u00e7a os pr\u00f3ximos passos do caminho para a plena comunh\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 rece\u00e7\u00e3o dos frutos do caminho ecum\u00e9nico nas pr\u00e1ticas eclesiais.<\/p>\n<p>41. Em toda a parte do mundo, os Crist\u00e3os vivem lado a lado com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o batizadas e que servem a Deus praticando uma religi\u00e3o diferente. Por eles rezamos de modo solene na liturgia de Sexta-feira Santa, com eles colaboramos e lutamos por construir um mundo melhor, e juntamente com eles imploramos ao Deus \u00fanico para libertar o mundo dos males que o afligem. O di\u00e1logo, o encontro e o interc\u00e2mbio de dons t\u00edpicos de uma Igreja sinodal s\u00e3o chamados a abrir-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas, com o objetivo de \u201cestabelecer amizade, paz, harmonia e partilhar valores e experi\u00eancias morais e espirituais num esp\u00edrito de verdade e amor\u201d (Confer\u00eancia Episcopal da \u00cdndia, <em>Response of the Church in India to the present day challenges<\/em>, 9 de mar\u00e7o de 2016, citado em FT 271). Nalgumas regi\u00f5es, os Crist\u00e3os que se empenham na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es fraternas com pessoas de outras religi\u00f5es sofrem persegui\u00e7\u00f5es. A Assembleia encoraja-os a perseverar no seu empenho com esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>42. A pluralidade das religi\u00f5es e das culturas, a multiformidade das tradi\u00e7\u00f5es espirituais e teol\u00f3gicas, a variedade dos dons do Esp\u00edrito e das tarefas na comunidade, bem como a diversidade de idade, sexo e perten\u00e7as sociais no seio da Igreja s\u00e3o um convite a cada um para reconhecer e assumir a sua pr\u00f3pria parcialidade, renunciando \u00e0 pretens\u00e3o de se colocar no centro e abrindo-se ao acolhimento de outras perspetivas. Cada um \u00e9 portador de uma contribui\u00e7\u00e3o peculiar e indispens\u00e1vel para completar a obra comum. A Igreja sinodal pode ser descrita recorrendo \u00e0 imagem da orquestra: a variedade dos instrumentos \u00e9 necess\u00e1ria para dar vida \u00e0 beleza e \u00e0 harmonia da m\u00fasica, no seio da qual a voz de cada um mant\u00e9m os seus tra\u00e7os distintivos ao servi\u00e7o da miss\u00e3o comum. Manifesta-se assim a harmonia que o Esp\u00edrito opera na Igreja, Ele que \u00e9 a harmonia em pessoa (cf. S\u00e3o Bas\u00edlio, <em>Sobre o Salmo 29<\/em>, 1; <em>Sobre o Esp\u00edrito Santo<\/em> XVI, 38).<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>A espiritualidade sinodal<\/strong><\/p>\n<p>43. A sinodalidade \u00e9, antes de mais, uma disposi\u00e7\u00e3o espiritual que permeia a vida quotidiana dos Batizados e todos os aspetos da miss\u00e3o da Igreja. Uma espiritualidade sinodal nasce da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e requer a escuta da Palavra de Deus, a contempla\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio e a convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Como afirmou o Papa Francisco na abertura desta Segunda Sess\u00e3o, \u201co Esp\u00edrito Santo \u00e9 guia seguro, e a nossa primeira tarefa \u00e9 aprender a distinguir a sua voz, porque Ele fala em todos e em todas as coisas\u201d (<em>Discurso \u00e0 Primeira Congrega\u00e7\u00e3o Geral da Segunda Sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 2 de outubro de 2024). Uma espiritualidade sinodal exige tamb\u00e9m ascese, humildade, paci\u00eancia e disponibilidade para perdoar e ser perdoado. Acolhe com gratid\u00e3o e humildade a variedade de dons e tarefas distribu\u00eddos pelo Esp\u00edrito Santo para o servi\u00e7o do \u00fanico Senhor (cf. 1 Cor 12,4-5). F\u00e1-lo sem ambi\u00e7\u00e3o ou inveja, nem desejo de dom\u00ednio ou de controlo, cultivando os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que \u201caniquilou-se a si pr\u00f3prio, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo\u201d (Fil 2,7). Reconhecemos o fruto quando a vida quotidiana da Igreja \u00e9 marcada pela unidade e pela harmonia na pluriformidade. Ningu\u00e9m pode percorrer sozinho um caminho de espiritualidade aut\u00eantica. Precisamos de apoio, incluindo a forma\u00e7\u00e3o e o acompanhamento espiritual, como indiv\u00edduos e como comunidade.<\/p>\n<p>44. A renova\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel reconhecendo o primado da gra\u00e7a. Se falta a profundidade espiritual pessoal e comunit\u00e1ria, a sinodalidade reduz-se a um expediente organizativo. Somos chamados n\u00e3o apenas a traduzir os frutos de uma experi\u00eancia espiritual pessoal em processos comunit\u00e1rios, mas a experimentar como a pr\u00e1tica do mandamento novo do amor rec\u00edproco seja um lugar e uma forma de encontro com Deus. Neste sentido, a perspetiva sinodal, enquanto se apoia no rico patrim\u00f3nio espiritual da Tradi\u00e7\u00e3o, contribui para renovar as suas formas: uma ora\u00e7\u00e3o aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, um discernimento vivido juntos, uma energia mission\u00e1ria que nasce da partilha e se irradia como servi\u00e7o.<\/p>\n<p>45. A conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito \u00e9 um instrumento que, mesmo com os seus limites, \u00e9 fecundo para permitir a escuta e o discernimento do \u201cque o Esp\u00edrito diz \u00e0s igrejas\u201d (Ap 2,7). A sua pr\u00e1tica suscitou alegria, espanto e gratid\u00e3o e foi vivida como um caminho de renova\u00e7\u00e3o que transforma as pessoas, os grupos e a Igreja. A palavra \u201cconversa\u00e7\u00e3o\u201d exprime algo mais do que um simples di\u00e1logo: ela entrela\u00e7a harmoniosamente pensamento e sentimento e gera um mundo vital partilhado. Por isso se pode dizer que na conversa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em jogo a convers\u00e3o. Trata-se de um dado antropol\u00f3gico que se encontra em diferentes povos e culturas, unidos pela pr\u00e1tica de se reunirem solidariamente para tratar e decidir as quest\u00f5es vitais para a comunidade. A gra\u00e7a leva ao cumprimento desta experi\u00eancia humana: conversar \u201cno Esp\u00edrito\u201d significa viver a experi\u00eancia da partilha \u00e0 luz da f\u00e9 e da procura do querer de Deus, numa atmosfera evang\u00e9lica em que o Esp\u00edrito Santo pode fazer ouvir a sua voz inconfund\u00edvel.<\/p>\n<p>46. Em todas as etapas do processo sinodal ressoou a necessidade de cura, reconcilia\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a no seio da Igreja, em particular na sequ\u00eancia de demasiados esc\u00e2ndalos ligados a diversos tipos de abusos, e no seio da sociedade. A Igreja \u00e9 chamada a p\u00f4r no centro da sua vida e da sua a\u00e7\u00e3o o facto de que em Cristo, atrav\u00e9s do Batismo, somos confiados uns aos outros. O reconhecimento desta realidade profunda transforma-se num dever sagrado que nos torna capazes de reconhecer os erros e reconstruir a confian\u00e7a. Percorrer este caminho \u00e9 um ato de justi\u00e7a, um compromisso mission\u00e1rio do Povo de Deus no nosso mundo e um dom que devemos invocar do alto. O desejo de continuar a percorrer este caminho \u00e9 fruto da renova\u00e7\u00e3o sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sinodalidade como profecia social<\/strong><\/p>\n<p>47. Praticado com humildade, o estilo sinodal pode fazer da Igreja uma voz prof\u00e9tica no mundo de hoje. \u201cA Igreja sinodal \u00e9 como um estandarte erguido entre as na\u00e7\u00f5es (cf. Is 11,12)\u201d (Francisco, <em>Discurso por ocasi\u00e3o da comemora\u00e7\u00e3o do 50.\u00ba anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 17 de outubro de 2015). Vivemos numa \u00e9poca marcada pelo aumento das desigualdades, pela crescente desilus\u00e3o com os modelos tradicionais de governa\u00e7\u00e3o, pelo desencanto com o funcionamento da democracia, pelo aumento das tend\u00eancias autocr\u00e1ticas e ditatoriais, pelo predom\u00ednio do modelo de mercado sem ter em conta a vulnerabilidade das pessoas e da cria\u00e7\u00e3o, e pela tenta\u00e7\u00e3o de resolver os conflitos atrav\u00e9s da for\u00e7a e n\u00e3o do di\u00e1logo. Pr\u00e1ticas aut\u00eanticas de sinodalidade permitem aos Crist\u00e3os desenvolver uma cultura capaz de profecia cr\u00edtica face ao pensamento dominante e, assim, oferecer um contributo peculiar na procura de respostas a muitos dos desafios que as sociedades contempor\u00e2neas devem enfrentar e na constru\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n<p>48. O modo sinodal de viver as rela\u00e7\u00f5es \u00e9 uma forma de testemunho \u00e0 sociedade. Al\u00e9m disso, responde \u00e0 necessidade humana de ser acolhido e de se sentir reconhecido numa comunidade concreta. \u00c9 um desafio ao crescente isolamento das pessoas e ao individualismo cultural, que tamb\u00e9m a Igreja muitas vezes absorveu, e apela-nos ao cuidado m\u00fatuo, \u00e0 interdepend\u00eancia e \u00e0 corresponsabilidade pelo bem comum. Ao mesmo tempo, desafia um comunitarismo social exagerado que sufoca as pessoas e n\u00e3o lhes permite serem sujeitos do seu pr\u00f3prio desenvolvimento. A disponibilidade para a escuta de todos, especialmente os pobres, contrasta fortemente com um mundo em que a concentra\u00e7\u00e3o do poder exclui os pobres, os marginalizados, as minorias e a terra, nossa casa comum. Sinodalidade e ecologia integral assumem ambas a perspetiva das rela\u00e7\u00f5es e insistem na necessidade do cuidado dos v\u00ednculos: por isso correspondem-se e complementam-se no modo de viver a miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Parte II \u2013 No barco, juntos<br \/>\n<\/strong><strong>A convers\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estavam juntos Sim\u00e3o Pedro, Tom\u00e9, chamado D\u00eddimo, e Natanael, que era de Can\u00e1 da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois disc\u00edpulos de Jesus. Disse-lhes Sim\u00e3o Pedro: \u201cVou pescar\u201d. Eles responderam-lhe: \u201cN\u00f3s vamos contigo\u201d (Jo 21,2-3). <\/em><\/p>\n<p>49. O lago de Tiber\u00edades \u00e9 o lugar onde tudo come\u00e7ou. Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o tinham deixado o barco e as redes para irem atr\u00e1s de Jesus. Depois da P\u00e1scoa, voltam a partir desse lago. Durante a noite, um di\u00e1logo ressoa na margem: \u201cVou pescar\u201d. \u201cN\u00f3s vamos contigo\u201d. O caminho sinodal tamb\u00e9m come\u00e7ou assim: ouvimos o convite do Sucessor de Pedro e acolhemo-lo; partimos com ele e atr\u00e1s dele. Juntos rez\u00e1mos, refletimos, lut\u00e1mos e dialog\u00e1mos. Mas sobretudo experiment\u00e1mos que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que sustentam a vitalidade da Igreja, animando as suas estruturas. Uma Igreja sinodal mission\u00e1ria precisa de renovar ambos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Novas rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>50. Ao longo de todo o caminho do S\u00ednodo e em todas as latitudes, emergiu o apelo a uma Igreja mais capaz de alimentar as rela\u00e7\u00f5es: com o Senhor, entre homens e mulheres, nas fam\u00edlias, nas comunidades, entre todos os Crist\u00e3os, entre grupos sociais, entre as religi\u00f5es, com a cria\u00e7\u00e3o. Muitos manifestaram a surpresa por terem sido interpelados e a alegria por poderem fazer ouvir a sua voz na comunidade; n\u00e3o faltaram tamb\u00e9m aqueles que partilharam o sofrimento de se sentirem exclu\u00eddos ou julgados tamb\u00e9m devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o matrimonial, identidade e sexualidade. O desejo de rela\u00e7\u00f5es mais aut\u00eanticas e significativas n\u00e3o exprime apenas a aspira\u00e7\u00e3o de pertencer a um grupo coeso, mas corresponde a uma profunda consci\u00eancia de f\u00e9: a qualidade evang\u00e9lica das rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias \u00e9 decisiva para o testemunho que o Povo de Deus \u00e9 chamado a atuar na hist\u00f3ria. \u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13,35). As rela\u00e7\u00f5es renovadas pela gra\u00e7a e a hospitalidade oferecida aos \u00faltimos segundo o ensinamento de Jesus s\u00e3o o sinal mais eloquente da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na comunidade dos disc\u00edpulos. Para ser uma Igreja sinodal \u00e9 necess\u00e1ria, portanto, uma verdadeira convers\u00e3o relacional. Temos de reaprender do Evangelho que o cuidado das rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia ou o instrumento para uma maior efic\u00e1cia organizacional, mas \u00e9 o modo como Deus Pai se revelou em Jesus e no Esp\u00edrito. Quando as nossas rela\u00e7\u00f5es, mesmo na sua fragilidade, deixam transparecer a gra\u00e7a de Cristo, o amor do Pai e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito, confessamos com a vida a f\u00e9 em Deus Trindade.<\/p>\n<p>51. \u00c9 para os Evangelhos que devemos olhar para tra\u00e7ar a convers\u00e3o que nos \u00e9 pedida, aprendendo a fazer nossas as atitudes de Jesus. Os Evangelhos \u201capresentam-no constantemente \u00e0 escuta das pessoas que se aproximam dele pelos caminhos da Terra Santa\u201d (DTC 11). Quer sejam homens ou mulheres, judeus ou pag\u00e3os, doutores da lei ou publicanos, justos ou pecadores, mendigos, cegos, leprosos ou doentes, Jesus n\u00e3o manda ningu\u00e9m embora sem parar para escutar e sem entrar em di\u00e1logo. Revelou o rosto do Pai vindo ao encontro de cada pessoa onde se encontra a sua hist\u00f3ria e a sua liberdade. Da escuta das necessidades e da f\u00e9 das pessoas que encontrava, brotavam palavras e gestos que renovavam as suas vidas, abrindo caminho a rela\u00e7\u00f5es restauradas. Jesus \u00e9 o Messias que \u201cfaz ouvir os surdos e falar os mudos\u201d (Mc 7,37). Pede-nos a n\u00f3s, seus disc\u00edpulos, que nos comportemos do mesmo modo e d\u00e1-nos, com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a capacidade de o fazer, modelando o nosso cora\u00e7\u00e3o no seu: s\u00f3 \u201co cora\u00e7\u00e3o torna poss\u00edvel qualquer liga\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, porque uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda com o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 incapaz de superar a fragmenta\u00e7\u00e3o do individualismo\u201d (DN 17). Quando nos pomos \u00e0 escuta dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, participamos na atitude com que Deus em Jesus Cristo vem ao encontro de cada um.<\/p>\n<p>52. A necessidade de convers\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es diz respeito, inequivocamente, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres. O dinamismo relacional est\u00e1 inscrito na nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas. A diferen\u00e7a sexual constitui a base da relacionalidade humana. \u201cDeus criou o ser humano \u00e0 sua imagem, criou-o \u00e0 imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher\u201d (Gn 1,27). No projeto de Deus, esta diferen\u00e7a original n\u00e3o implica desigualdade entre homem e mulher. Na nova cria\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 reinterpretada \u00e0 luz da dignidade do Batismo: \u201ctodos v\u00f3s que recebestes o batismo de Cristo fostes revestidos de Cristo. N\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, n\u00e3o h\u00e1 escravo nem livre, n\u00e3o h\u00e1 homem nem mulher; todos v\u00f3s sois um s\u00f3 em Cristo Jesus\u201d (Gl 3,27-28). Como Crist\u00e3os, somos chamados a acolher e a respeitar, nos diferentes modos e nos diversos contextos em que se exprime, esta diferen\u00e7a que \u00e9 dom de Deus e fonte de vida. Damos testemunho do Evangelho quando procuramos viver rela\u00e7\u00f5es que respeitam a igual dignidade e a reciprocidade entre homens e mulheres. As express\u00f5es recorrentes de dor e sofrimento por parte de mulheres de todas as regi\u00f5es e continentes, tanto leigas como consagradas, durante o processo sinodal, revelam como muitas vezes n\u00e3o conseguimos faz\u00ea-lo.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>Numa pluralidade de contextos<\/strong><\/p>\n<p>53.\u00a0 apelo \u00e0 renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es no Senhor Jesus ressoa na pluralidade dos contextos em que os seus disc\u00edpulos vivem e realizam a miss\u00e3o da Igreja. Cada um destes contextos tem riquezas peculiares que \u00e9 indispens\u00e1vel ter em conta, ligadas ao pluralismo das culturas. No entanto, todos eles, ainda que de formas diferentes, apresentam os sinais de l\u00f3gicas relacionais distorcidas e por vezes opostas \u00e0s do Evangelho. Ao longo da hist\u00f3ria, os fechamentos relacionais solidificaram-se em estruturas de pecado (cf. SRS 36), que influenciam o modo de pensar e de atuar das pessoas. Em particular, geram bloqueios e medos, que \u00e9 preciso enfrentar e atravessar para que possamos seguir no caminho da convers\u00e3o relacional.<\/p>\n<p>54. \u00c9 nesta din\u00e2mica que se enra\u00edzam os males que afligem o nosso mundo, a come\u00e7ar pelas guerras e conflitos armados, e a ilus\u00e3o de que uma paz justa pode ser alcan\u00e7ada pela for\u00e7a das armas. Igualmente letal \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que toda a cria\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo as pessoas, podem ser exploradas \u00e0 vontade para fins lucrativos. Esta \u00e9 a consequ\u00eancia de muitas e diversas barreiras que dividem as pessoas, mesmo nas comunidades crist\u00e3s, e limitam as possibilidades de alguns em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de outros: as desigualdades entre homens e mulheres, o racismo, a divis\u00e3o em castas, a discrimina\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia, a viola\u00e7\u00e3o dos direitos das minorias de todos os g\u00e9neros, a falta de disponibilidade para acolher os migrantes. Tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o com a terra, nossa irm\u00e3 e m\u00e3e (cf. LS 1), apresenta sinais de uma fratura que p\u00f5e em perigo a vida de in\u00fameras comunidades, sobretudo nas regi\u00f5es mais pobres, se n\u00e3o mesmo de povos inteiros e talvez de toda a humanidade. O fechamento mais radical e dram\u00e1tico \u00e9 o da pr\u00f3pria vida humana, que leva ao descarte das crian\u00e7as, desde o ventre materno, e dos idosos.<\/p>\n<p>55. Muitos males que afligem o nosso mundo manifestam-se tamb\u00e9m na Igreja. A crise dos abusos, nas suas diversas e tr\u00e1gicas manifesta\u00e7\u00f5es, trouxe sofrimentos indescrit\u00edveis e muitas vezes duradouros \u00e0s v\u00edtimas e aos sobreviventes, bem como \u00e0s suas comunidades. A Igreja deve escutar com particular aten\u00e7\u00e3o e sensibilidade a voz das v\u00edtimas e dos sobreviventes aos abusos sexuais, espirituais, econ\u00f3micos, institucionais, de poder e de consci\u00eancia por parte de membros do clero ou de pessoas com cargos eclesiais. A escuta aut\u00eantica \u00e9 um elemento fundamental do caminho para a cura, o arrependimento, a justi\u00e7a e a reconcilia\u00e7\u00e3o. Numa \u00e9poca que vive uma crise global de confian\u00e7a e encoraja as pessoas a viver na desconfian\u00e7a e na suspei\u00e7\u00e3o, a Igreja deve reconhecer as pr\u00f3prias falhas, pedir humildemente perd\u00e3o, cuidar das v\u00edtimas, dotar-se de instrumentos de preven\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7ar-se por reconstruir a confian\u00e7a rec\u00edproca no Senhor.<\/p>\n<p>56. A escuta dos que sofrem a exclus\u00e3o e a marginaliza\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a nossa consci\u00eancia: assumir o peso destas rela\u00e7\u00f5es feridas para que o Senhor, o Vivente, as cure faz parte da miss\u00e3o da Igreja. S\u00f3 assim ela pode ser \u201ccomo que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u201d (LG 1). Ao mesmo tempo, a abertura ao mundo permite-nos descobrir que em cada canto do planeta, em cada cultura e em cada grupo humano, o Esp\u00edrito lan\u00e7ou as sementes do Evangelho. Estas d\u00e3o fruto na capacidade de viver rela\u00e7\u00f5es sadias, de cultivar a confian\u00e7a m\u00fatua e o perd\u00e3o, de vencer o medo da diversidade e dar vida a comunidades acolhedoras, de promover uma economia atenta \u00e0s pessoas e ao planeta, de reconciliar-se depois de um conflito. A hist\u00f3ria deixa-nos um legado de conflitos motivados tamb\u00e9m por causa da perten\u00e7a religiosa, minando a credibilidade das pr\u00f3prias religi\u00f5es. Fonte de sofrimento \u00e9 o esc\u00e2ndalo da divis\u00e3o entre comunh\u00f5es crist\u00e3s, a inimizade entre irm\u00e3os e irm\u00e3s que receberam o mesmo Batismo. A experi\u00eancia renovada do impulso ecum\u00e9nico que acompanha o caminho sinodal, um dos sinais da convers\u00e3o relacional, abre \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios para a miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>57. Os Crist\u00e3os, pessoalmente ou em forma associada, s\u00e3o chamados a fazer frutificar os dons que o Esp\u00edrito concede em vista do testemunho e do an\u00fancio do Evangelho. \u201cH\u00e1 diversidade de dons espirituais, mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo. H\u00e1 diversidade de minist\u00e9rios, mas o Senhor \u00e9 o mesmo. H\u00e1 diversidade de opera\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Esp\u00edrito para o bem comum\u201d (1 Cor 12,4-7). Na comunidade crist\u00e3, todos os Batizados s\u00e3o enriquecidos com dons para partilhar, cada um segundo a sua voca\u00e7\u00e3o e a sua condi\u00e7\u00e3o de vida. As diversas voca\u00e7\u00f5es eclesiais s\u00e3o, de facto, express\u00f5es m\u00faltiplas e articuladas do \u00fanico chamamento batismal \u00e0 santidade e \u00e0 miss\u00e3o. A variedade dos carismas, que tem a sua origem na liberdade do Esp\u00edrito Santo, tem como objetivo a unidade do Corpo eclesial de Cristo (cf. LG 32) e a miss\u00e3o nos diversos lugares e culturas (cf. LG 12). Estes dons n\u00e3o s\u00e3o propriedade exclusiva de quem os recebe e exerce, nem podem ser motivo de reivindica\u00e7\u00e3o para si ou para um grupo. Tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma adequada pastoral vocacional, eles s\u00e3o chamados a contribuir tanto para a vida da comunidade crist\u00e3, como para o desenvolvimento da sociedade nas suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>58. Cada Batizado responde \u00e0s exig\u00eancias da miss\u00e3o nos contextos em que vive e trabalha com base nas suas pr\u00f3prias inclina\u00e7\u00f5es e capacidades, manifestando assim a liberdade do Esp\u00edrito ao conceder os seus dons. \u00c9 gra\u00e7as a este dinamismo do Esp\u00edrito que o Povo de Deus, pondo-se \u00e0 escuta da realidade em que vive, pode descobrir novos \u00e2mbitos de empenhamento e novas formas para cumprir a sua miss\u00e3o. Os Crist\u00e3os que, a diferentes t\u00edtulos \u2013 na fam\u00edlia e noutros estados de vida, no trabalho e nas profiss\u00f5es, no empenho c\u00edvico ou pol\u00edtico, social ou ecol\u00f3gico, na elabora\u00e7\u00e3o de uma cultura inspirada no Evangelho como na evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura em ambiente digital \u2013 percorrem os caminhos do mundo e nos seus ambientes de vida anunciam o Evangelho, s\u00e3o sustentados pelos dons do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>59. Pedem \u00e0 Igreja que n\u00e3o os deixe sozinhos, mas que se sintam enviados e apoiados. Pedem para serem alimentados pelo p\u00e3o da Palavra e da Eucaristia, bem como pelos la\u00e7os fraternos da comunidade. Pedem que o seu compromisso seja reconhecido pelo que \u00e9: a\u00e7\u00e3o da Igreja com base no Evangelho e n\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o privada. Por fim, pedem que a comunidade acompanhe aqueles que, pelo seu testemunho, foram atra\u00eddos pelo Evangelho. Numa Igreja sinodal mission\u00e1ria, guiadas pelos seus Pastores, as comunidades ser\u00e3o capazes de enviar e apoiar os seus enviados. Por isso, conceber-se-\u00e3o como estando principalmente ao servi\u00e7o da miss\u00e3o que os Fi\u00e9is realizam na sociedade, na vida familiar e profissional, sem se concentrarem exclusivamente nas atividades que se desenvolvem no seu interior e nas suas necessidades organizativas.<\/p>\n<p>60. Em virtude do Batismo, homens e mulheres gozam de igual dignidade no Povo de Deus. No entanto, as mulheres continuam a encontrar obst\u00e1culos para obter um reconhecimento mais pleno dos seus carismas, da sua voca\u00e7\u00e3o e do seu lugar nos v\u00e1rios sectores da vida da Igreja, em detrimento do servi\u00e7o \u00e0 miss\u00e3o comum. As Escrituras atestam o papel de primeiro plano de muitas mulheres na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. A uma mulher, Maria de Magdala, foi confiado o primeiro an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o; no dia de Pentecostes, Maria, a M\u00e3e de Deus, estava presente no Cen\u00e1culo, juntamente com muitas outras mulheres que tinham seguido o Senhor. \u00c9 importante que as passagens relevantes da Escritura encontrem lugar apropriado nos lecion\u00e1rios lit\u00fargicos. Alguns momentos cruciais da hist\u00f3ria da Igreja confirmam o contributo essencial das mulheres movidas pelo Esp\u00edrito. As mulheres constituem a maioria daqueles que frequentam as igrejas e s\u00e3o frequentemente as primeiras testemunhas da f\u00e9 nas fam\u00edlias. S\u00e3o ativas na vida das pequenas comunidades crist\u00e3s e nas par\u00f3quias; dirigem escolas, hospitais e centros de acolhimento; lideram iniciativas de reconcilia\u00e7\u00e3o e de promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana e da justi\u00e7a social. As mulheres contribuem para a investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e est\u00e3o presentes em posi\u00e7\u00f5es de responsabilidade nas institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja, na C\u00faria diocesana e na C\u00faria Romana. H\u00e1 mulheres que exercem cargos de autoridade ou s\u00e3o respons\u00e1veis pela comunidade. Esta Assembleia convida a dar plena implementa\u00e7\u00e3o de todas as oportunidades j\u00e1 previstas no direito vigente relativamente ao papel das mulheres, particularmente nos lugares onde ainda n\u00e3o foram concretizadas. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es que impe\u00e7am as mulheres de assumir fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a na Igreja: n\u00e3o se pode impedir o que vem do Esp\u00edrito Santo. A quest\u00e3o do acesso das mulheres ao minist\u00e9rio diaconal tamb\u00e9m permanece em aberto e \u00e9 necess\u00e1rio prosseguir o discernimento a este respeito. A Assembleia convida tamb\u00e9m a prestar maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem e \u00e0s imagens utilizadas na prega\u00e7\u00e3o, no ensino, na catequese e na reda\u00e7\u00e3o dos documentos oficiais da Igreja, dando mais espa\u00e7o ao contributo de mulheres santas, te\u00f3logas e m\u00edsticas.<\/p>\n<p>61. No seio da comunidade crist\u00e3, deve ser dada uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s crian\u00e7as: n\u00e3o s\u00f3 precisam de ser acompanhadas na aventura do crescimento, mas t\u00eam muito para dar \u00e0 comunidade dos crentes. Quando os ap\u00f3stolos discutem entre si quem \u00e9 o maior, Jesus coloca uma crian\u00e7a no centro, apresentando-a como crit\u00e9rio para entrar no Reino (cf. Mc 9,33-37). A Igreja n\u00e3o pode ser sinodal sem o contributo das crian\u00e7as, portadoras de um potencial mission\u00e1rio a valorizar. A sua voz \u00e9 necess\u00e1ria para a comunidade: devemos escut\u00e1-la e empenharmo-nos para que todos na sociedade a escutem, especialmente aqueles que t\u00eam responsabilidades pol\u00edticas e educativas. Uma sociedade que n\u00e3o sabe acolher e cuidar das crian\u00e7as \u00e9 uma sociedade doente; o sofrimento por que passam muitas delas por causa da guerra, da pobreza e abandono, dos abusos e do tr\u00e1fico \u00e9 um esc\u00e2ndalo que requer a coragem da den\u00fancia e o empenho da solidariedade.<\/p>\n<p>62. Os jovens t\u00eam tamb\u00e9m um contributo a dar para a renova\u00e7\u00e3o sinodal da Igreja. S\u00e3o particularmente sens\u00edveis aos valores da fraternidade e da partilha, recusando atitudes paternalistas ou autorit\u00e1rias. Por vezes, a sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja aparece como uma cr\u00edtica, mas muitas vezes assume a forma positiva de um compromisso pessoal por uma comunidade acolhedora e empenhada a lutar contra a injusti\u00e7a social e pelo cuidado da casa comum. O pedido de \u201ccaminhar juntos na vida quotidiana\u201d, proposto pelos jovens no S\u00ednodo que lhes foi dedicado em 2018, corresponde exatamente ao horizonte de uma Igreja sinodal. Por isso, \u00e9 fundamental assegurar-lhes um acompanhamento atento e paciente; em particular, merece ser retomada a proposta, surgida gra\u00e7as \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o, de \u201cuma experi\u00eancia de acompanhamento em vista do discernimento\u201d, que preveja a vida fraterna partilhada com os educadores adultos, um compromisso apost\u00f3lico a ser vivido em conjunto ao servi\u00e7o dos mais necessitados, uma oferta de espiritualidade enraizada na ora\u00e7\u00e3o e na vida sacramental (cf. <em>Documento final da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, \u201cOs jovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional\u201d<\/em>, 161).<\/p>\n<p>63. Na promo\u00e7\u00e3o da corresponsabilidade pela miss\u00e3o de todos os Batizados, reconhecemos as capacidades apost\u00f3licas das pessoas com defici\u00eancia que se sentem chamadas e enviadas como sujeitos ativos de evangeliza\u00e7\u00e3o. Queremos valorizar a contribui\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m da imensa riqueza de humanidade que trazem consigo. Reconhecemos as suas experi\u00eancias de sofrimento, de marginaliza\u00e7\u00e3o, de discrimina\u00e7\u00e3o, por vezes sofridas tamb\u00e9m no seio da comunidade crist\u00e3, devido a atitudes paternalistas de comisera\u00e7\u00e3o. Para favorecer a sua participa\u00e7\u00e3o na vida e na miss\u00e3o da Igreja, prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de um Observat\u00f3rio Eclesial da Defici\u00eancia.<\/p>\n<p>64. Entre as voca\u00e7\u00f5es com que a Igreja se enriquece, destaca-se a dos esposos. O Conc\u00edlio Vaticano II ensinou que eles \u201ct\u00eam assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom pr\u00f3prio no Povo de Deus\u201d (LG 11). O sacramento do matrim\u00f3nio atribui uma miss\u00e3o peculiar que diz respeito, ao mesmo tempo, \u00e0 vida da fam\u00edlia, \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e ao empenho na sociedade. Em particular, nos \u00faltimos anos cresceu a consci\u00eancia de que as fam\u00edlias s\u00e3o sujeitos e n\u00e3o apenas destinat\u00e1rios da pastoral familiar. Por isso, t\u00eam necessidade de se encontrar e de estar em rede, tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0s institui\u00e7\u00f5es eclesiais dedicadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens. Mais uma vez, a Assembleia exprime a sua proximidade e o seu apoio a todos os que vivem uma condi\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o como escolha de fidelidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e ao magist\u00e9rio da Igreja em mat\u00e9ria matrimonial e de \u00e9tica sexual, na qual reconhecem uma fonte de vida.<\/p>\n<p>65. Ao longo dos s\u00e9culos, os dons espirituais deram origem tamb\u00e9m a v\u00e1rias express\u00f5es de vida consagrada. Desde os primeiros tempos, a Igreja reconheceu a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na vida daqueles homens e mulheres que escolheram seguir Cristo no caminho dos conselhos evang\u00e9licos, consagrando-se ao servi\u00e7o de Deus, tanto na contempla\u00e7\u00e3o como nas m\u00faltiplas formas de servi\u00e7o. A vida consagrada \u00e9 chamada a interpelar a Igreja e a sociedade com a sua voz prof\u00e9tica. Na sua experi\u00eancia secular, as fam\u00edlias religiosas amadureceram pr\u00e1ticas experimentadas de vida sinodal e de discernimento comunit\u00e1rio, aprendendo a harmonizar os dons individuais e a miss\u00e3o comum. Ordens e Congrega\u00e7\u00f5es, Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, Institutos Seculares, bem como Associa\u00e7\u00f5es, Movimentos e Novas Comunidades t\u00eam um contributo especial a dar para o crescimento da sinodalidade na Igreja. Hoje, muitas comunidades de vida consagrada s\u00e3o um laborat\u00f3rio de interculturalidade que constitui uma profecia para a Igreja e para o mundo. Ao mesmo tempo, a sinodalidade convida \u2013 e por vezes desafia \u2013 os Pastores das Igrejas locais, bem como os respons\u00e1veis da vida consagrada e das Agrega\u00e7\u00f5es eclesiais, a refor\u00e7ar as rela\u00e7\u00f5es para dar vida a um interc\u00e2mbio de dons ao servi\u00e7o da miss\u00e3o comum.<\/p>\n<p>66. A miss\u00e3o envolve todos os Batizados. A primeira tarefa dos Leigos e Leigas \u00e9 permear e transformar as realidades temporais com o esp\u00edrito do Evangelho (cf. LG 31.33; AA 5-7). O processo sinodal, apoiado por um est\u00edmulo do Papa Francisco (cf. <em>Carta Apost\u00f3lica sob a forma de Motu proprio Spiritus Domini<\/em>, 10 de janeiro de 2021), exortou as Igrejas locais a responderem com criatividade e coragem \u00e0s necessidades da miss\u00e3o, discernindo entre os carismas alguns em que \u00e9 oportuno que tomem uma forma ministerial, dotando-se de crit\u00e9rios, instrumentos e procedimentos adequados. Nem todos os carismas devem ser configurados como minist\u00e9rios, nem todos os Batizados devem ser ministros, nem todos os minist\u00e9rios devem ser institu\u00eddos. Para que um carisma seja configurado como minist\u00e9rio, \u00e9 necess\u00e1rio que a comunidade identifique uma verdadeira necessidade pastoral, acompanhada de um discernimento feito pelo Pastor, juntamente com a comunidade, sobre a oportunidade de criar um novo minist\u00e9rio. Como fruto de tal processo, a autoridade competente assume a decis\u00e3o. Numa Igreja sinodal mission\u00e1ria, \u00e9 necess\u00e1ria a promo\u00e7\u00e3o de formas mais numerosas de minist\u00e9rios laicais, isto \u00e9, que n\u00e3o requerem o sacramento da Ordem, n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito lit\u00fargico. Podem ser institu\u00eddos ou n\u00e3o institu\u00eddos. \u00c9 preciso tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre o modo de confiar os minist\u00e9rios laicais numa \u00e9poca em que as pessoas se deslocam cada vez mais facilmente de um lugar para outro, especificando tempos e \u00e2mbitos para o seu exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>67. Entre os numerosos servi\u00e7os eclesiais, a Assembleia reconheceu o contributo para a compreens\u00e3o da f\u00e9 e o discernimento oferecido pela teologia na variedade das suas express\u00f5es. Os te\u00f3logos e te\u00f3logas ajudam o Povo de Deus a desenvolver uma compreens\u00e3o da realidade iluminada pela Revela\u00e7\u00e3o e a elaborar respostas id\u00f3neas e linguagens apropriadas para a miss\u00e3o. Na Igreja sinodal e mission\u00e1ria \u201co carisma da teologia \u00e9 chamado a prestar um servi\u00e7o espec\u00edfico [&#8230;]. Juntamente com a experi\u00eancia de f\u00e9 e a contempla\u00e7\u00e3o da verdade do povo fiel e com a prega\u00e7\u00e3o dos Pastores, contribui para a penetra\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda do Evangelho. Al\u00e9m disso, &#8216;como qualquer outra voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o minist\u00e9rio do te\u00f3logo, al\u00e9m de pessoal, \u00e9 tamb\u00e9m comunit\u00e1rio e colegial&#8217;\u201d (CTI, n. 75), sobretudo quando se realiza sob a forma de ensino confiado com uma miss\u00e3o can\u00f3nica nas institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas eclesi\u00e1sticas. \u201cA sinodalidade eclesial compromete, portanto, os te\u00f3logos a fazer teologia de forma sinodal, promovendo entre si a capacidade de escutar, dialogar, discernir e integrar a multiplicidade e variedade das inst\u00e2ncias e das contribui\u00e7\u00f5es\u201d (<em>ibid<\/em>.). Nesta linha, \u00e9 urgente favorecer, atrav\u00e9s de formas institucionais oportunas, o di\u00e1logo entre os Pastores e aqueles que est\u00e3o empenhados na investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. A Assembleia convida as institui\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas a prosseguir a investiga\u00e7\u00e3o com o objetivo de clarificar e aprofundar o significado da sinodalidade e acompanhar a forma\u00e7\u00e3o nas Igrejas locais.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>O minist\u00e9rio ordenado ao servi\u00e7o da harmonia<\/strong><\/p>\n<p>68. Como todos os minist\u00e9rios da Igreja, o episcopado, o presbiterado e o diaconado est\u00e3o ao servi\u00e7o do an\u00fancio do Evangelho e da edifica\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial. O Conc\u00edlio Vaticano II recordou que o minist\u00e9rio ordenado de institui\u00e7\u00e3o divina \u201c\u00e9 exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade s\u00e3o chamados Bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos\u201d (LG 28). Neste contexto, o Conc\u00edlio Vaticano II afirmou a sacramentalidade do episcopado (cf. LG 21), recuperou a realidade comunional do presbiterado (cf. LG 28) e abriu o caminho para a restaura\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio permanente do diaconado na Igreja latina (cf. LG 29).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O minist\u00e9rio do Bispo: compor em unidade os dons do Esp\u00edrito<\/em><\/strong><\/p>\n<p>69. A fun\u00e7\u00e3o do Bispo \u00e9 presidir a uma Igreja local, como princ\u00edpio vis\u00edvel de unidade no seu interior e v\u00ednculo de comunh\u00e3o com todas as Igrejas. A afirma\u00e7\u00e3o conciliar de que \u201cpela consagra\u00e7\u00e3o episcopal, se confere a plenitude do sacramento da Ordem,\u201d (LG 21) permite-nos compreender a identidade do Bispo na trama das rela\u00e7\u00f5es sacramentais com Cristo e com a \u201cpor\u00e7\u00e3o do povo de Deus\u201d (CD 11) que lhe foi confiada e que ele \u00e9 chamado a servir em nome de Cristo Bom Pastor. Quem \u00e9 ordenado Bispo n\u00e3o recebe prerrogativas e tarefas que deve desempenhar sozinho. Pelo contr\u00e1rio, recebe a gra\u00e7a e a tarefa de reconhecer, discernir e compor em unidade os dons que o Esp\u00edrito derrama sobre as pessoas e sobre as comunidades, trabalhando dentro do v\u00ednculo sacramental com os Presb\u00edteros e os Di\u00e1conos, que com ele s\u00e3o correspons\u00e1veis pelo servi\u00e7o ministerial na Igreja local. Ao fazer isto, realiza aquilo que \u00e9 mais pr\u00f3prio e espec\u00edfico da sua miss\u00e3o no contexto da solicitude pela comunh\u00e3o das Igrejas.<\/p>\n<p>70. O minist\u00e9rio do Bispo \u00e9 um servi\u00e7o na, com e para a comunidade (cf. LG 20), realizado atrav\u00e9s do an\u00fancio da Palavra e da presid\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e dos outros sacramentos. Por isso, a Assembleia sinodal deseja que o Povo de Deus tenha mais voz na escolha dos Bispos. Recomenda tamb\u00e9m que a Ordena\u00e7\u00e3o do Bispo tenha lugar na Diocese para a qual \u00e9 destinado como Pastor e n\u00e3o na Diocese de origem, como muitas vezes acontece, e que os principais ordenantes sejam escolhidos entre os Bispos da Prov\u00edncia eclesi\u00e1stica, incluindo, na medida do poss\u00edvel, o Metropolita. Deste modo, far\u00e1 mais sentido que aquele que se torna Bispo contraia um v\u00ednculo com a Igreja a que \u00e9 destinado, assumindo publicamente perante ela os compromissos do seu minist\u00e9rio. \u00c9 igualmente importante que, sobretudo durante as visitas pastorais, possa passar tempo com os Fi\u00e9is, para os escutar em vista do seu discernimento. Isto ajud\u00e1-los-\u00e1 a viver a Igreja como fam\u00edlia de Deus. A rela\u00e7\u00e3o constitutiva do Bispo com a Igreja local n\u00e3o aparece hoje com suficiente clareza no caso dos Bispos titulares, como por exemplo os Representantes Pontif\u00edcios e aqueles que prestam servi\u00e7o na C\u00faria Romana. Ser\u00e1 oportuno continuar a refletir sobre este tema.<\/p>\n<p>71. Os Bispos tamb\u00e9m precisam de ser acompanhados e apoiados no seu minist\u00e9rio. O Metropolita pode desempenhar um papel na promo\u00e7\u00e3o da fraternidade entre Bispos de Dioceses vizinhas. Ao longo do caminho sinodal surgiu a necessidade de oferecer aos Bispos percursos de forma\u00e7\u00e3o permanente tamb\u00e9m nos contextos locais. Foi recordada a necessidade de clarificar o papel dos Bispos auxiliares e de alargar as tarefas que o Bispo pode delegar. A experi\u00eancia dos Bispos em\u00e9ritos na sua nova forma de estar ao servi\u00e7o do Povo de Deus deve tamb\u00e9m ser valorizada. \u00c9 importante ajudar os Fi\u00e9is a n\u00e3o cultivar expectativas excessivas e irrealistas em rela\u00e7\u00e3o ao Bispo, recordando que tamb\u00e9m ele \u00e9 um irm\u00e3o fr\u00e1gil, exposto \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, necessitado de ajuda como todos os outros. Uma vis\u00e3o idealizada do Bispo n\u00e3o facilita o seu delicado minist\u00e9rio, que, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 sustentado pela participa\u00e7\u00e3o de todo o Povo de Deus na miss\u00e3o, numa Igreja verdadeiramente sinodal.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<p><strong><em>Com o Bispo: Presb\u00edteros e Di\u00e1conos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>72. Numa Igreja sinodal, os Presb\u00edteros s\u00e3o chamados a viver o seu servi\u00e7o numa atitude de proximidade com as pessoas, de acolhimento e de escuta de todos, abrindo-se a um estilo sinodal. Os Presb\u00edteros \u201cconstituem com o seu Bispo um presbit\u00e9rio\u201d (LG 28) e colaboram com ele no discernimento dos carismas e no acompanhamento e orienta\u00e7\u00e3o da Igreja local, com uma aten\u00e7\u00e3o particular ao servi\u00e7o da unidade. S\u00e3o chamados a viver a fraternidade presbiteral e a caminhar juntos no servi\u00e7o pastoral. Os Presb\u00edteros membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apost\u00f3lica tamb\u00e9m fazem parte do presbit\u00e9rio e enriquecem-no com a particularidade do seu carisma. Eles, assim como os Presb\u00edteros provenientes das Igrejas Orientais <em>sui iuris<\/em>, celibat\u00e1rios ou casados, os Presb\u00edteros <em>fidei donum<\/em> e aqueles que prov\u00eam de outras na\u00e7\u00f5es ajudam o clero local a abrir-se aos horizontes de toda a Igreja, enquanto os Presb\u00edteros diocesanos ajudam os seus irm\u00e3os a inserir-se na hist\u00f3ria de uma diocese concreta, com as suas tradi\u00e7\u00f5es e riquezas espirituais. Deste modo, tamb\u00e9m no presbit\u00e9rio se realiza um verdadeiro interc\u00e2mbio de dons em vista da miss\u00e3o. Os Presb\u00edteros tamb\u00e9m precisam de ser acompanhados e apoiados, sobretudo nas primeiras etapas do seu minist\u00e9rio e nos momentos de fraqueza e fragilidade.<\/p>\n<p>73. Servos dos mist\u00e9rios de Deus e da Igreja (cf. LG 41), os Di\u00e1conos s\u00e3o ordenados \u201cn\u00e3o em ordem ao sacerd\u00f3cio mas ao minist\u00e9rio\u201d (LG 29). Exercem-no no servi\u00e7o da caridade, no an\u00fancio e na liturgia, mostrando em cada contexto social e eclesial em que est\u00e3o presentes a rela\u00e7\u00e3o entre Evangelho anunciado e vida vivida no amor, e promovendo em toda a Igreja uma consci\u00eancia e um estilo de servi\u00e7o a todos, especialmente os mais pobres. As fun\u00e7\u00f5es dos Di\u00e1conos s\u00e3o m\u00faltiplas, como o demonstram a Tradi\u00e7\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e a pr\u00e1tica pastoral. Elas devem ser especificadas em resposta \u00e0s necessidades de cada Igreja local, sobretudo para despertar e sustentar a aten\u00e7\u00e3o de todos para com os mais pobres, no quadro de uma Igreja sinodal mission\u00e1ria e misericordiosa. O minist\u00e9rio diaconal permanece ainda desconhecido para muitos Crist\u00e3os, tamb\u00e9m porque, embora tenha sido restaurado pelo Vaticano II na Igreja latina como grau pr\u00f3prio e permanente (cf. LG 29), n\u00e3o foi ainda aceite em todas as \u00e1reas geogr\u00e1ficas. O ensinamento do Conc\u00edlio dever\u00e1 ser aprofundado, tamb\u00e9m com base na revis\u00e3o das numerosas experi\u00eancias em curso, mas oferece desde j\u00e1 s\u00f3lidas motiva\u00e7\u00f5es \u00e0s Igrejas locais para n\u00e3o se atrasarem na promo\u00e7\u00e3o mais generosa do diaconado permanente, reconhecendo neste minist\u00e9rio um fator precioso de amadurecimento de uma Igreja serva no seguimento do Senhor Jesus que se fez servo de todos. Este aprofundamento poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar a compreender melhor o significado da ordena\u00e7\u00e3o diaconal daqueles que se tornar\u00e3o Presb\u00edteros.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<p><strong><em>A colabora\u00e7\u00e3o entre os ministros ordenados na Igreja Sinodal<\/em><\/strong><\/p>\n<p>74. V\u00e1rias vezes, no decurso do processo sinodal, foi expressa gratid\u00e3o aos Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos pela alegria, empenho e dedica\u00e7\u00e3o com que desempenham o seu servi\u00e7o. Tamb\u00e9m foram ouvidas as dificuldades que os pastores encontram no seu minist\u00e9rio, principalmente as relacionadas com um sentimento de isolamento, de solid\u00e3o, bem como com o facto de se sentirem sobrecarregados pelas exig\u00eancias de satisfazer todas as necessidades. A experi\u00eancia do S\u00ednodo pode ajudar Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos a redescobrir a corresponsabilidade no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, que exige tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o com os outros membros do Povo de Deus. Uma distribui\u00e7\u00e3o mais articulada das tarefas e das responsabilidades, um discernimento mais corajoso daquilo que pertence propriamente ao minist\u00e9rio ordenado e daquilo que pode e deve ser delegado a outros, favorecer\u00e1 o seu exerc\u00edcio de modo espiritualmente mais sadio e pastoralmente mais din\u00e2mico em cada uma das suas ordens. Esta perspetiva n\u00e3o deixar\u00e1 de ter um impacto nos processos de decis\u00e3o caracterizados por um estilo mais claramente sinodal. Ajudar\u00e1 tamb\u00e9m a superar o clericalismo, entendido como uso do poder em benef\u00edcio pr\u00f3prio e distor\u00e7\u00e3o da autoridade da Igreja que est\u00e1 ao servi\u00e7o do Povo de Deus. Exprime-se sobretudo nos abusos sexuais, econ\u00f3micos, de consci\u00eancia e de poder por parte dos ministros da Igreja. \u201cO clericalismo, fomentado tanto pelos pr\u00f3prios sacerdotes como pelos leigos, gera uma cis\u00e3o no Corpo eclesial que fomenta e ajuda a perpetuar muitos dos males que hoje denunciamos\u201d (Francisco, <em>Carta ao Povo de Deus<\/em>, 20 de agosto de 2018).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Juntos pela miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>75. Em resposta \u00e0s necessidades da comunidade e da miss\u00e3o, ao longo da sua hist\u00f3ria a Igreja deu origem a alguns minist\u00e9rios, distintos dos ordenados. Estes minist\u00e9rios s\u00e3o a forma que os carismas assumem quando s\u00e3o reconhecidos publicamente pela comunidade e por aqueles que t\u00eam a responsabilidade de os orientar, e s\u00e3o colocados de forma est\u00e1vel ao servi\u00e7o da miss\u00e3o. Alguns est\u00e3o mais especificamente voltados para o servi\u00e7o da comunidade crist\u00e3. De particular relev\u00e2ncia s\u00e3o os minist\u00e9rios institu\u00eddos, que s\u00e3o conferidos pelo Bispo, uma vez na vida, com um rito espec\u00edfico, depois de um discernimento apropriado e de uma forma\u00e7\u00e3o adequada dos candidatos. N\u00e3o se trata de um simples mandato ou de uma atribui\u00e7\u00e3o de tarefas; a atribui\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio \u00e9 um sacramental que molda a pessoa e define o seu modo de participar na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Na Igreja latina, trata-se do minist\u00e9rio do leitor e do ac\u00f3lito (cf. Francisco, <em>Carta Apost\u00f3lica sob a forma de Motu proprio Spiritus Domini<\/em>, 10 de janeiro de 2021), e do minist\u00e9rio do catequista (cf. Francisco, <em>Carta Apost\u00f3lica sob a forma de Motu proprio Antiquum ministerium<\/em>, 10 de maio de 2021). Os termos e as modalidades do seu exerc\u00edcio devem ser definidos por um mandato da leg\u00edtima autoridade. Compete \u00e0s Confer\u00eancias episcopais estabelecer as condi\u00e7\u00f5es pessoais que os candidatos devem satisfazer e elaborar os itiner\u00e1rios formativos para o acesso a estes minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>76. A estes juntam-se os minist\u00e9rios n\u00e3o institu\u00eddos ritualmente, mas exercidos com estabilidade por mandato da autoridade competente, como, por exemplo, o minist\u00e9rio de coordenar uma pequena comunidade eclesial, de orientar a ora\u00e7\u00e3o da comunidade, de organizar a\u00e7\u00f5es caritativas, etc., que admitem uma grande variedade segundo as carater\u00edsticas da comunidade local. Um exemplo disso s\u00e3o os catequistas que sempre estiveram \u00e0 frente de comunidades sem Presb\u00edteros em muitas regi\u00f5es de \u00c1frica. Mesmo que n\u00e3o exista um rito prescrito, \u00e9 oportuno tornar p\u00fablica a sua atribui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um mandato perante a comunidade para favorecer o seu reconhecimento efetivo. H\u00e1 tamb\u00e9m minist\u00e9rios extraordin\u00e1rios, como o minist\u00e9rio extraordin\u00e1rio da comunh\u00e3o, a presid\u00eancia das celebra\u00e7\u00f5es dominicais na aus\u00eancia de Presb\u00edtero, a administra\u00e7\u00e3o de certos sacramentais ou outros. Os ordenamentos can\u00f3nicos latino e oriental j\u00e1 preveem que, nalguns casos, os Fi\u00e9is leigos, homens ou mulheres, possam ser tamb\u00e9m ministros extraordin\u00e1rios do Batismo. No ordenamento can\u00f3nico latino, o Bispo (com a autoriza\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9) pode delegar a assist\u00eancia aos matrim\u00f3nios a Fi\u00e9is leigos, homens ou mulheres. Com base nas necessidades dos contextos locais, deve ser considerada a possibilidade de alargar e tornar est\u00e1veis estas oportunidades de exerc\u00edcio ministerial por parte dos Fi\u00e9is leigos. Finalmente, h\u00e1 os servi\u00e7os espont\u00e2neos, que n\u00e3o precisam de mais condi\u00e7\u00f5es nem de reconhecimentos expl\u00edcitos. Mostram que todos os Fi\u00e9is, de v\u00e1rios modos, participam na miss\u00e3o atrav\u00e9s dos seus dons e carismas.<\/p>\n<p>77. Aos Fi\u00e9is leigos, homens e mulheres, devem ser oferecidas mais oportunidades de participa\u00e7\u00e3o, explorando tamb\u00e9m outras formas de servi\u00e7o e minist\u00e9rio em resposta \u00e0s exig\u00eancias pastorais do nosso tempo, num esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade diferenciada, do processo sinodal emergem, em particular, algumas exig\u00eancias concretas \u00e0s quais \u00e9 preciso dar resposta de modo adequado aos diversos contextos:<\/p>\n<p>a) uma participa\u00e7\u00e3o mais ampla dos Leigos e Leigas nos processos de discernimento eclesial e em todas as fases dos processos de decis\u00e3o (elabora\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es);<\/p>\n<p>b) um acesso mais alargado dos Leigos e Leigas a cargos de responsabilidade nas dioceses e nas institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, incluindo semin\u00e1rios, institutos e faculdades de teologia, em conformidade com as disposi\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes;<\/p>\n<p>c) um maior reconhecimento e apoio decidido \u00e0 vida e aos carismas dos consagrados e consagradas e ao seu empenhamento em cargos de responsabilidade eclesial;<\/p>\n<p>d) o aumento do n\u00famero de leigos e leigas qualificados que possuem a fun\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes nos processos can\u00f3nicos;<\/p>\n<p>e) um reconhecimento efetivo da dignidade e o respeito dos direitos daqueles que trabalham como funcion\u00e1rios da Igreja e das suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>78. O processo sinodal renovou a consci\u00eancia de que a escuta \u00e9 uma componente essencial de todos os aspetos da vida da Igreja: a administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, especialmente o da Reconcilia\u00e7\u00e3o, a catequese, a forma\u00e7\u00e3o e o acompanhamento pastoral. Neste quadro, a Assembleia deu aten\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de instituir um minist\u00e9rio da escuta e do acompanhamento, apresentando uma variedade de orienta\u00e7\u00f5es. Alguns manifestaram-se a favor, porque tal minist\u00e9rio contribuiria de modo prof\u00e9tico para sublinhar a import\u00e2ncia da escuta e do acompanhamento na comunidade. Outros afirmaram que escuta e acompanhamento s\u00e3o tarefa de todos os Batizados, sem necessidade de um minist\u00e9rio espec\u00edfico. Outros ainda sublinharam a necessidade de um aprofundamento, por exemplo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre este eventual minist\u00e9rio e o acompanhamento espiritual, o <em>aconselhamento <\/em>(<em>counseling<\/em>) pastoral e a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Surgiu tamb\u00e9m a proposta de que o eventual minist\u00e9rio da escuta e do acompanhamento deveria ser particularmente orientado para o acolhimento daqueles que est\u00e3o \u00e0 margem da comunidade eclesial, daqueles que regressam depois de se terem afastado, daqueles que est\u00e3o \u00e0 procura da verdade e desejam ser ajudados a encontrar o Senhor. Continua, portanto, a exig\u00eancia de prosseguir o discernimento a este respeito. Os contextos locais onde esta exig\u00eancia \u00e9 mais sentida poder\u00e3o promover uma experimenta\u00e7\u00e3o e desenvolver poss\u00edveis modelos sobre os quais discernir.<a name=\"_Toc49414\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Parte III \u2013 \u00abLan\u00e7ai a rede\u00bb<br \/>\n<\/strong><strong>A convers\u00e3o dos processos<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Disse-lhes Jesus: \u201cRapazes, tendes alguma coisa de comer?\u201d. Eles responderam: \u201cN\u00e3o!\u201d. Disse-lhes Jesus: \u201cLan\u00e7ai a rede para a direita do barco e encontrareis\u201d. Eles lan\u00e7aram a rede e j\u00e1 mal a podiam arrastar por causa da abund\u00e2ncia de peixes (Jo 21,5-6). <\/em><\/p>\n<p>79. A pesca n\u00e3o deu frutos e \u00e9 altura de regressar a terra. Mas uma Voz ressoa, autorit\u00e1ria, convidando-os a fazer algo que os disc\u00edpulos sozinhos n\u00e3o teriam feito, apontando uma possibilidade que os seus olhos e mentes n\u00e3o conseguiam perceber: \u201cLan\u00e7ai a rede para a direita do barco e encontrareis\u201d. No decurso do processo sinodal, procur\u00e1mos escutar esta Voz e acolher o que ela nos dizia. Na ora\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo fraterno, reconhecemos que o discernimento eclesial, o cuidado com os processos de decis\u00e3o e o compromisso de prestar contas das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es e avaliar o \u00eaxito das decis\u00f5es tomadas s\u00e3o pr\u00e1ticas com as quais respondemos \u00e0 Palavra que nos indica os caminhos da miss\u00e3o.<\/p>\n<p>80. Estas tr\u00eas pr\u00e1ticas est\u00e3o estreitamente interligadas. Os processos de tomada de decis\u00e3o necessitam de discernimento eclesial, o que requer a escuta num clima de confian\u00e7a, que a transpar\u00eancia e a presta\u00e7\u00e3o de contas apoiam. A confian\u00e7a deve ser m\u00fatua: aqueles que tomam as decis\u00f5es precisam de ser capazes de confiar e escutar o Povo de Deus, que por sua vez precisa de ser capaz de confiar naqueles que exercem a autoridade. Esta vis\u00e3o integral sublinha que cada uma destas pr\u00e1ticas depende e apoia as outras, ao servi\u00e7o da capacidade da Igreja para cumprir a sua miss\u00e3o. Envolver-se em processos de tomada de decis\u00e3o baseados no discernimento eclesial e assumir uma cultura de transpar\u00eancia, de presta\u00e7\u00e3o de contas e de avalia\u00e7\u00e3o requer uma forma\u00e7\u00e3o adequada que n\u00e3o seja apenas t\u00e9cnica, mas capaz de explorar os fundamentos teol\u00f3gicos, b\u00edblicos e espirituais. Todos os Batizados t\u00eam necessidade desta forma\u00e7\u00e3o para o testemunho, a miss\u00e3o, a santidade e o servi\u00e7o, que p\u00f5e em evid\u00eancia a corresponsabilidade. Ela assume formas particulares para aqueles que ocupam cargos de responsabilidade ou est\u00e3o ao servi\u00e7o do discernimento eclesial.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>O discernimento eclesial para a miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>81. Para promover rela\u00e7\u00f5es capazes de sustentar e orientar a miss\u00e3o da Igreja, \u00e9 uma exig\u00eancia priorit\u00e1ria o exerc\u00edcio da sabedoria evang\u00e9lica que permitiu \u00e0 comunidade apost\u00f3lica de Jerusal\u00e9m selar o resultado do primeiro evento sinodal com as palavras: \u201cO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s decidimos\u201d (At 15,28). \u00c9 o discernimento que podemos qualificar de \u201ceclesial\u201d, exercido pelo Povo de Deus em vista da miss\u00e3o. O Esp\u00edrito, que o Pai enviou em nome de Jesus e que ensina todas as coisas (cf. Jo 14,26), guia os crentes em todos os tempos \u201cpara a verdade plena\u201d (Jo 16,13). Pela sua presen\u00e7a e sua a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, a \u201ctradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica progride na Igreja sob a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo\u201d (DV 8). Invocando a sua luz, o Povo de Deus, participante da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo (cf. LG 12), \u201cesfor\u00e7a-se por discernir nos acontecimentos, nas exig\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es, em que participa juntamente com os homens de hoje, quais s\u00e3o os verdadeiros sinais da presen\u00e7a ou da vontade de Deus\u201d (GS 11). Tal discernimento serve-se de todos os dons de sabedoria que o Senhor distribui na Igreja e enra\u00edza-se no <em>sensus fidei <\/em>comunicado pelo Esp\u00edrito a todos os Batizados. \u00c9 neste esp\u00edrito que a vida da Igreja sinodal mission\u00e1ria deve ser entendida e reorientada.<\/p>\n<p>82. O discernimento eclesial n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica organizativa, mas uma pr\u00e1tica espiritual a ser vivida na f\u00e9. Requer liberdade interior, humildade, ora\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a rec\u00edproca, abertura \u00e0 novidade e abandono \u00e0 vontade de Deus. Nunca \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de um ponto de vista pessoal ou de um grupo, nem se resolve na simples soma de opini\u00f5es individuais; cada um, falando segundo a sua consci\u00eancia, abre-se \u00e0 escuta daquilo que os outros em consci\u00eancia partilham, para procurarem juntos reconhecer \u201co que o Esp\u00edrito diz \u00e0s Igrejas\u201d (Ap 2,7). Prevendo o contributo de todas as pessoas envolvidas, o discernimento eclesial \u00e9 ao mesmo tempo condi\u00e7\u00e3o e express\u00e3o privilegiada da sinodalidade, na qual se vive juntos a comunh\u00e3o, a miss\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o. Quanto mais todos forem ouvidos, mais rico ser\u00e1 o discernimento. Por isso, \u00e9 fundamental promover uma ampla participa\u00e7\u00e3o nos processos de discernimento, com particular aten\u00e7\u00e3o ao envolvimento dos que est\u00e3o \u00e0 margem da comunidade crist\u00e3 e da sociedade.<\/p>\n<p>83. A escuta da Palavra de Deus \u00e9 o ponto de partida e o crit\u00e9rio de todo o discernimento eclesial. De facto, as Sagradas Escrituras testemunham que Deus falou ao seu povo, a ponto de nos dar em Jesus a plenitude de toda a Revela\u00e7\u00e3o (cf. DV 2), e indicam os lugares onde podemos ouvir a sua voz. Deus comunica connosco em primeiro lugar na liturgia, porque \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que fala \u201cao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura\u201d (SC 7). Deus fala atrav\u00e9s da Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, do seu magist\u00e9rio, da medita\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria das Escrituras e das pr\u00e1ticas da piedade popular. Deus continua a manifestar-se atrav\u00e9s do grito dos pobres e dos acontecimentos da hist\u00f3ria da humanidade. Al\u00e9m disso, Deus comunica com o seu povo atrav\u00e9s dos elementos da cria\u00e7\u00e3o, cuja pr\u00f3pria exist\u00eancia remete para a a\u00e7\u00e3o do Criador e est\u00e1 repleta da presen\u00e7a do Esp\u00edrito que d\u00e1 vida. Por fim, Deus fala tamb\u00e9m na consci\u00eancia pessoal de cada um, que \u00e9 \u201co centro mais secreto e o santu\u00e1rio do homem, no qual se encontra a s\u00f3s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser\u201d (GS 16). O discernimento eclesial exige o cont\u00ednuo cuidado e forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e o amadurecimento do<em> sensus fidei<\/em>, para n\u00e3o negligenciar nenhum dos lugares onde Deus fala e vem ao encontro do seu povo.<\/p>\n<p>84. As etapas do discernimento eclesial podem ser articuladas de diversos modos, segundo os lugares e as tradi\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m com base na experi\u00eancia sinodal, \u00e9 poss\u00edvel identificar alguns elementos-chave que n\u00e3o devem faltar:<\/p>\n<p>a) a apresenta\u00e7\u00e3o clara do objeto do discernimento e o p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o informa\u00e7\u00f5es e instrumentos adequados para a sua compreens\u00e3o;<\/p>\n<p>b) um tempo conveniente para se preparar com a ora\u00e7\u00e3o, a escuta da Palavra de Deus e a reflex\u00e3o sobre o tema;<\/p>\n<p>c) uma disposi\u00e7\u00e3o interior de liberdade em rela\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios interesses, pessoais e de grupo, e o empenho na busca do bem comum;<\/p>\n<p>d) uma escuta atenta e respeitosa da palavra de cada um;<\/p>\n<p>e) a procura de um consenso o mais amplo poss\u00edvel, que surgir\u00e1 atrav\u00e9s daquilo que mais \u201cfaz arder os cora\u00e7\u00f5es\u201d (cf. Lc 24,32), sem esconder os conflitos nem procurar compromissos ao mais baixo n\u00edvel;<\/p>\n<p>f) a formula\u00e7\u00e3o, por parte de quem lidera o processo, do consenso alcan\u00e7ado e a sua apresenta\u00e7\u00e3o a todos os participantes, para que manifestem se se identificam ou n\u00e3o com ele.<\/p>\n<p>Com base no discernimento, amadurecer\u00e1 a decis\u00e3o oportuna que comprometa a ades\u00e3o de todos, mesmo quando a pr\u00f3pria opini\u00e3o n\u00e3o foi acolhida, e um tempo de rece\u00e7\u00e3o na comunidade, que poder\u00e1 levar a verifica\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es sucessivas.<\/p>\n<p>85. O discernimento realiza-se sempre num contexto concreto, cujas complexidades e peculiaridades devem ser conhecidas o melhor poss\u00edvel. Para que o discernimento seja efetivamente \u201ceclesial\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio dispor dos meios necess\u00e1rios, entre os quais uma adequada exegese dos textos b\u00edblicos, que ajude a interpret\u00e1-los e a compreend\u00ea-los, evitando abordagens parciais ou fundamentalistas; um conhecimento dos Padres da Igreja, da Tradi\u00e7\u00e3o e dos ensinamentos magisteriais, segundo os seus diversos graus de autoridade; os contributos das v\u00e1rias disciplinas teol\u00f3gicas; os contributos das ci\u00eancias humanas, hist\u00f3ricas, sociais e administrativas, sem os quais n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conhecer seriamente o contexto no qual e em vista do qual se realiza o discernimento.<\/p>\n<p>86. Na Igreja existe uma grande variedade de abordagens ao discernimento e de metodologias consolidadas. Esta variedade \u00e9 uma riqueza: com as devidas adapta\u00e7\u00f5es aos diversos contextos, a pluralidade de abordagens pode revelar-se fecunda. Tendo em vista a miss\u00e3o comum, \u00e9 importante que entrem num di\u00e1logo cordial, sem dispersar as especificidades de cada uma e sem entrincheiramentos identit\u00e1rios. Nas Igrejas locais, a come\u00e7ar pelas pequenas comunidades eclesiais e pelas par\u00f3quias, \u00e9 essencial oferecer oportunidades de forma\u00e7\u00e3o que difundam e alimentem uma cultura de discernimento eclesial para a miss\u00e3o, sobretudo entre os que exercem cargos de responsabilidade. Igualmente importante \u00e9 cuidar da forma\u00e7\u00e3o de figuras dos acompanhantes ou facilitadores, cujo contributo se revela muitas vezes crucial na realiza\u00e7\u00e3o dos processos de discernimento.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>A articula\u00e7\u00e3o dos processos de decis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>87. Na Igreja sinodal, \u201ctoda a comunidade, na livre e rica diversidade dos seus membros, \u00e9 convocada a rezar, escutar, analisar, dialogar, discernir e aconselhar na tomada de decis\u00f5es\u201d (CTI, n. 68) para a miss\u00e3o. Favorecer a participa\u00e7\u00e3o mais ampla poss\u00edvel de todo o Povo de Deus nos processos de decis\u00e3o \u00e9 o caminho mais eficaz para promover uma Igreja sinodal. Se \u00e9 verdade, de facto, que a sinodalidade define o modo de viver e de operar que qualifica a Igreja, ela indica ao mesmo tempo uma pr\u00e1tica essencial no cumprimento da sua miss\u00e3o: discernir, chegar a consensos, decidir atrav\u00e9s do exerc\u00edcio das diversas estruturas e institui\u00e7\u00f5es de sinodalidade.<\/p>\n<p>88. A comunidade dos disc\u00edpulos convocada e enviada pelo Senhor n\u00e3o \u00e9 um sujeito uniforme e amorfo. \u00c9 o seu Corpo com muitos e diversos membros, sujeito hist\u00f3rico comunit\u00e1rio no qual o Reino de Deus acontece como \u201csemente e princ\u00edpio\u201d ao servi\u00e7o do seu advento em toda a fam\u00edlia humana (cf. LG 5). J\u00e1 os Padres da Igreja refletem sobre a natureza comunional da miss\u00e3o do Povo de Deus atrav\u00e9s de um tr\u00edplice \u201cnada sem\u201d (<em>nihil sine<\/em>): \u201cnada sem o Bispo\u201d (S. In\u00e1cio de Antioquia, <em>Carta aos Trallesianos<\/em>, 2.2), \u201cnada sem o conselho dos Presb\u00edteros, nada sem o consentimento do Povo\u201d (S. Cipriano de Cartago, <em>Carta <\/em>14.4). Onde esta l\u00f3gica do <em>nihil sine<\/em> \u00e9 quebrada, a identidade da Igreja \u00e9 obscurecida e a sua miss\u00e3o \u00e9 inibida.<\/p>\n<p>89. Dentro deste quadro de refer\u00eancia eclesiol\u00f3gica est\u00e1 o compromisso de promover a participa\u00e7\u00e3o com base numa corresponsabilidade diferenciada. Cada membro da comunidade deve ser respeitado, valorizando as suas capacidades e os seus dons em vista de uma tomada da decis\u00e3o partilhada. S\u00e3o necess\u00e1rias formas mais ou menos articuladas de media\u00e7\u00e3o institucional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o da comunidade. O direito vigente j\u00e1 prev\u00ea organismos de participa\u00e7\u00e3o em diferentes n\u00edveis, que ser\u00e3o objeto de an\u00e1lise mais adiante.<\/p>\n<p>90. Para favorecer o seu funcionamento, parece oportuna uma reflex\u00e3o sobre a articula\u00e7\u00e3o dos processos de decis\u00e3o. Esta \u00faltima implica normalmente uma fase de elabora\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o \u201catrav\u00e9s de um trabalho comum de discernimento, consulta e coopera\u00e7\u00e3o\u201d (CTI, n.\u00ba 69), que informa e apoia a posterior tomada de decis\u00e3o, que \u00e9 da responsabilidade da autoridade competente. N\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia ou conflito entre as duas fases, mas, pela sua articula\u00e7\u00e3o, contribuem para que as decis\u00f5es tomadas sejam fruto da obedi\u00eancia de todos \u00e0quilo que Deus quer para a sua Igreja. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio promover procedimentos que tornem efetiva a reciprocidade entre a assembleia e quem a preside, num clima de abertura ao Esp\u00edrito e de confian\u00e7a m\u00fatua, em busca de um consenso possivelmente un\u00e2nime. O processo deve prever tamb\u00e9m a fase da implementa\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o e a da sua avalia\u00e7\u00e3o, na qual as fun\u00e7\u00f5es dos sujeitos envolvidos se articulam com novas modalidades.<\/p>\n<p>91. H\u00e1 casos em que o direito em vigor j\u00e1 prev\u00ea que, antes de tomar uma decis\u00e3o, a autoridade \u00e9 obrigada a proceder a uma consulta. A autoridade pastoral tem o dever de escutar aqueles que participam na consulta e, por conseguinte, n\u00e3o pode continuar a atuar como se n\u00e3o os tivesse escutado. N\u00e3o se afastar\u00e1, portanto, do fruto da consulta, quando estiver de acordo, sem uma raz\u00e3o que prevale\u00e7a (cf. CIC, c\u00e2n. 127, \u00a7 2, 2\u00ba; CCEO, c\u00e2n. 934, \u00a7 2, 3\u00ba) e que deve ser oportunamente expressa. Como em qualquer comunidade que vive segundo a justi\u00e7a, na Igreja o exerc\u00edcio da autoridade n\u00e3o consiste na imposi\u00e7\u00e3o de uma vontade arbitr\u00e1ria. Nos diversos modos em que \u00e9 exercida, est\u00e1 sempre ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o e do acolhimento da verdade de Cristo, na qual e para a qual o Esp\u00edrito Santo nos guia nos diversos tempos e contextos (cf. Jo 14,16).<\/p>\n<p>92. Numa Igreja sinodal, a compet\u00eancia decis\u00f3ria do Bispo, do Col\u00e9gio Episcopal e do Bispo de Roma \u00e9 inalien\u00e1vel, porque radicada na estrutura hier\u00e1rquica da Igreja institu\u00edda por Cristo ao servi\u00e7o da unidade e do respeito pela leg\u00edtima diversidade (cf. LG 13). No entanto, n\u00e3o \u00e9 incondicional: uma orienta\u00e7\u00e3o que surja no processo consultivo como resultado de um correto discernimento, especialmente se levado a cabo pelos \u00f3rg\u00e3os participativos, n\u00e3o pode ser ignorada. Uma oposi\u00e7\u00e3o entre consulta e delibera\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, inadequada: na Igreja, a delibera\u00e7\u00e3o realiza-se com a ajuda de todos, nunca sem que a autoridade pastoral decida em virtude do seu of\u00edcio. \u00c9 por isso que a f\u00f3rmula recorrente no C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, que fala de voto \u201cmeramente consultivo\u201d (<em>tantum consultivum<\/em>), deve ser reexaminada para eliminar poss\u00edveis ambiguidades. Se mostra oportuna uma revis\u00e3o das normas can\u00f3nicas em chave sinodal, que clarifique tanto a distin\u00e7\u00e3o como a articula\u00e7\u00e3o entre consultivo e deliberativo, e esclare\u00e7a as responsabilidades de quem participa nos processos de decis\u00e3o nas suas v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>93. O cuidado com o desenvolvimento ordenado e uma clara assun\u00e7\u00e3o das responsabilidades dos participantes s\u00e3o fatores cruciais para a fecundidade dos processos de decis\u00e3o nas modalidades aqui previstas:<\/p>\n<p>a) compete, em especial, \u00e0 autoridade: definir claramente o objeto da consulta e da delibera\u00e7\u00e3o, bem como o sujeito a quem compete a assun\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o; identificar aqueles que devem ser consultados, tamb\u00e9m em raz\u00e3o de compet\u00eancias espec\u00edficas ou do envolvimento na quest\u00e3o; assegurar que todos os participantes tenham acesso efetivo \u00e0s informa\u00e7\u00f5es relevantes, de modo a poder formular os seus pontos de vista de forma fundamentada;<\/p>\n<p>b) aqueles que exprimem o seu parecer numa consulta, individualmente ou como membros de um \u00f3rg\u00e3o colegial, se assumem a responsabilidade de: dar uma opini\u00e3o sincera e honesta, em ci\u00eancia e consci\u00eancia; respeitar a confidencialidade das informa\u00e7\u00f5es recebidas; formular claramente a sua opini\u00e3o, identificando os pontos principais, de modo que a autoridade, caso decida de forma diferente da opini\u00e3o recebida, possa explicar como a teve em conta na sua delibera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c) uma vez que a autoridade competente tenha formulado a decis\u00e3o, tendo respeitado o processo de consulta e expressado claramente as raz\u00f5es que o motivaram, todos, em virtude do v\u00ednculo de comunh\u00e3o que une os Batizados, s\u00e3o obrigados a respeit\u00e1-la e a p\u00f4-la em pr\u00e1tica, mesmo quando n\u00e3o corresponda ao seu pr\u00f3prio ponto de vista, sem preju\u00edzo do dever de participar honestamente tamb\u00e9m na fase da avalia\u00e7\u00e3o. Permanece sempre a possibilidade de recorrer \u00e0 autoridade superior, nas formas estabelecidas pelo direito.<\/p>\n<p>94. Uma correta e decidida implementa\u00e7\u00e3o sinodal dos processos de decis\u00e3o contribuir\u00e1 para o progresso do Povo de Deus numa perspetiva participativa, sobretudo atrav\u00e9s das media\u00e7\u00f5es institucionais previstas pelo direito can\u00f3nico, especialmente os \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o. Sem mudan\u00e7as concretas a curto prazo, a vis\u00e3o de uma Igreja sinodal n\u00e3o ser\u00e1 cred\u00edvel e isso afastar\u00e1 os membros do Povo de Deus que retiraram for\u00e7a e esperan\u00e7a do caminho sinodal. Cabe \u00e0s Igrejas locais encontrar modalidades apropriadas para implementar estas mudan\u00e7as.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>Transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o de contas, avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>95. A tomada de decis\u00e3o n\u00e3o conclui o processo de decis\u00e3o. Ela deve ser acompanhada e seguida de pr\u00e1ticas de presta\u00e7\u00e3o de contas e de avalia\u00e7\u00e3o, num esp\u00edrito de transpar\u00eancia inspirado em crit\u00e9rios evang\u00e9licos. A presta\u00e7\u00e3o de contas do pr\u00f3prio minist\u00e9rio \u00e0 comunidade pertence \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o mais antiga, que remonta \u00e0 Igreja Apost\u00f3lica. O cap\u00edtulo 11 dos <em>Atos dos Ap\u00f3stolos<\/em> oferece-nos um exemplo: quando Pedro regressa a Jerusal\u00e9m depois de ter batizado Corn\u00e9lio, um pag\u00e3o, \u201cos que tinham vindo da circuncis\u00e3o come\u00e7aram a discutir com ele, dizendo: \u2018Tu entraste em casa dos incircuncisos e comeste com eles\u2019\u201d (At 11,2-3). Pedro responde com um relato que d\u00e1 conta das raz\u00f5es da sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>96. Em particular, no que diz respeito \u00e0 transpar\u00eancia, surgiu a necessidade de iluminar o seu significado, ligando-a a uma s\u00e9rie de termos como verdade, lealdade, clareza, honestidade, integridade, coer\u00eancia, rejei\u00e7\u00e3o da opacidade, da hipocrisia e da ambiguidade, e aus\u00eancia de segundas inten\u00e7\u00f5es. Foram referidas a bem-aventuran\u00e7a evang\u00e9lica dos puros de cora\u00e7\u00e3o (cf. Mt 5,8), o mandamento de sermos \u201csimples como as pombas\u201d (Mt 10,16), e as palavras do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cpusemos de parte as dissimula\u00e7\u00f5es do acanhamento, n\u00e3o procedendo com ast\u00facia nem adulterando a palavra de Deus; mas \u00e9 pela manifesta\u00e7\u00e3o da verdade que nos recomendamos a toda a consci\u00eancia humana diante de Deus\u201d (2 Cor 4,2). Trata-se, portanto, de uma atitude fundamental, enraizada na Escritura, e n\u00e3o de uma s\u00e9rie de procedimentos ou exig\u00eancias de tipo administrativo ou de gest\u00e3o. A transpar\u00eancia, no seu sentido evang\u00e9lico correto, n\u00e3o compromete o respeito da privacidade e da confidencialidade, a prote\u00e7\u00e3o das pessoas, da sua dignidade e dos seus direitos, mesmo contra pretens\u00f5es indevidas da autoridade civil. Tudo isto, por\u00e9m, n\u00e3o poder\u00e1 nunca justificar pr\u00e1ticas contr\u00e1rias ao Evangelho ou tornar-se um pretexto para contornar ou encobrir a\u00e7\u00f5es contra o mal. Em todo o caso, no que diz respeito ao segredo confessional, \u201co sigilo sacramental \u00e9 indispens\u00e1vel e nenhum poder humano tem jurisdi\u00e7\u00e3o sobre ele, nem o pode reivindicar\u201d (Francisco, <em>Discurso aos participantes no XXX Curso sobre o Foro Interno organizado pela Penitenciaria Apost\u00f3lica<\/em>, 29 de mar\u00e7o de 2019).<\/p>\n<p>97. A atitude da transpar\u00eancia, no sentido que acab\u00e1mos de indicar, constitui um guardi\u00e3o da confian\u00e7a e credibilidade de que uma Igreja sinodal, atenta \u00e0s rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode prescindir. Quando a confian\u00e7a \u00e9 violada, s\u00e3o as pessoas mais fracas e vulner\u00e1veis que sofrem as consequ\u00eancias. Onde a Igreja goza de confian\u00e7a, pr\u00e1ticas de transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o ajudam a consolid\u00e1-la, e s\u00e3o um elemento ainda mais cr\u00edtico onde a credibilidade da Igreja deve ser reconstru\u00edda. Isto \u00e9 particularmente importante na prote\u00e7\u00e3o dos menores e das pessoas vulner\u00e1veis (<em>safeguarding<\/em>).<\/p>\n<p>98. Estas pr\u00e1ticas contribuem para assegurar a fidelidade da Igreja \u00e0 sua miss\u00e3o. A sua aus\u00eancia \u00e9 uma das consequ\u00eancias do clericalismo e, ao mesmo tempo, alimenta-o. Baseia-se no pressuposto impl\u00edcito de que aqueles que det\u00eam a autoridade na Igreja n\u00e3o devem prestar contas das suas a\u00e7\u00f5es e das suas decis\u00f5es, como se estivessem isolados ou acima do resto do Povo de Deus. N\u00e3o se deve fazer apelo \u00e0 transpar\u00eancia e \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de contas apenas quando se trata de abusos sexuais, financeiros e de outro g\u00e9nero. Dizem tamb\u00e9m respeito ao estilo de vida dos pastores, aos planos pastorais, aos m\u00e9todos de evangeliza\u00e7\u00e3o e \u00e0s modalidades como a Igreja respeita a dignidade da pessoa humana, por exemplo, no que respeita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>99. Se a Igreja Sinodal quer ser acolhedora, a presta\u00e7\u00e3o de contas deve tornar-se pr\u00e1tica corrente a todos os n\u00edveis. No entanto, aqueles que ocupam posi\u00e7\u00f5es de autoridade t\u00eam uma responsabilidade maior a este respeito e s\u00e3o chamados a prestar contas a Deus e ao seu povo. Embora a pr\u00e1tica da presta\u00e7\u00e3o de contas aos superiores tenha sido conservada ao longo dos s\u00e9culos, deve ser recuperada a dimens\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de contas que a autoridade \u00e9 chamada a dar \u00e0 comunidade. As institui\u00e7\u00f5es e os procedimentos estabelecidos na experi\u00eancia da vida consagrada (como os cap\u00edtulos, as visitas can\u00f3nicas, etc.) podem ser uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o a este respeito.<\/p>\n<p>100. S\u00e3o igualmente necess\u00e1rias as estruturas e formas de avalia\u00e7\u00e3o regular do modo como s\u00e3o exercidas as responsabilidades ministeriais de todos os tipos. A avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui um julgamento sobre as pessoas: antes, permite evidenciar os aspetos positivos e as \u00e1reas que podem ser melhoradas nas a\u00e7\u00f5es daqueles que t\u00eam responsabilidades ministeriais, e ajuda a Igreja a aprender com a experi\u00eancia, a recalibrar os planos de a\u00e7\u00e3o e a permanecer atenta \u00e0 voz do Esp\u00edrito Santo, concentrando a aten\u00e7\u00e3o nos resultados das decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o.<\/p>\n<p>101. Para al\u00e9m da observ\u00e2ncia do que j\u00e1 est\u00e1 previsto nas normas can\u00f3nicas quanto aos crit\u00e9rios e mecanismos de controlo, cabe \u00e0s Igrejas locais, e sobretudo aos seus agrupamentos, construir de modo sinodal formas e procedimentos eficazes de presta\u00e7\u00e3o de contas e de avalia\u00e7\u00e3o, adequadas \u00e0 variedade dos contextos, a partir do quadro normativo civil, das leg\u00edtimas expectativas da sociedade e da efetiva disponibilidade de compet\u00eancias na mat\u00e9ria. Neste trabalho, \u00e9 necess\u00e1rio privilegiar metodologias de avalia\u00e7\u00e3o participativa, valorizar as compet\u00eancias daqueles que, sobretudo os leigos, est\u00e3o mais familiarizados com os processos de presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o, e discernir as boas pr\u00e1ticas j\u00e1 presentes na sociedade civil local, adaptando-as aos contextos eclesiais. O modo como os processos de presta\u00e7\u00e3o de contas e de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o implementados a n\u00edvel local entre no \u00e2mbito do relat\u00f3rio apresentado por ocasi\u00e3o das visitas <em>ad limina<\/em>.<\/p>\n<p>102. Em particular, sob formas adequadas aos diferentes contextos, parece necess\u00e1rio assegurar, pelo menos:<\/p>\n<p>a) um funcionamento efetivo dos Conselhos para os Assuntos Econ\u00f3micos;<\/p>\n<p>b) o envolvimento efetivo do Povo de Deus, em particular dos membros mais competentes, na planifica\u00e7\u00e3o pastoral e econ\u00f3mica;<\/p>\n<p>c) a predisposi\u00e7\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o (adequada ao contexto local e com acessibilidade efetiva) de uma presta\u00e7\u00e3o de contas econ\u00f3mica anual, certificado na medida do poss\u00edvel por auditores externos, que torne transparente a gest\u00e3o dos bens e dos recursos financeiros da Igreja e das suas institui\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>d) a predisposi\u00e7\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o de uma presta\u00e7\u00e3o de contas anual sobre o desempenho da miss\u00e3o, que compreenda tamb\u00e9m uma ilustra\u00e7\u00e3o das iniciativas empreendidas em mat\u00e9ria de <em>safeguarding<\/em> (tutela dos menores e das pessoas vulner\u00e1veis) e de promo\u00e7\u00e3o do acesso de pessoas leigas a cargos de autoridade e da sua participa\u00e7\u00e3o nos processos de decis\u00e3o, especificando a propor\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00e9nero;<\/p>\n<p>e) procedimentos de avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do desempenho de todos os minist\u00e9rios e cargos dentro da Igreja.<\/p>\n<p>Temos consci\u00eancia de que prestarmos contas n\u00e3o \u00e9 um trabalho burocr\u00e1tico por si mesmo, mas um esfor\u00e7o comunicativo que se revela um poderoso meio educativo em vista da mudan\u00e7a da cultura, al\u00e9m de nos permitir dar maior visibilidade a muitas iniciativas valiosas da Igreja e das suas institui\u00e7\u00f5es, que muitas vezes permanecem desconhecidas.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>Sinodalidade e organismos de participa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>103. A participa\u00e7\u00e3o dos Batizados nos processos de decis\u00e3o, bem como as pr\u00e1ticas de presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o, realizam-se atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es institucionais, antes de mais os organismos de participa\u00e7\u00e3o que, a n\u00edvel da Igreja local, o direito can\u00f3nico j\u00e1 prev\u00ea. Na Igreja latina s\u00e3o eles: S\u00ednodo diocesano (cf. CIC, c\u00e2n. 466), Conselho presbiteral (cf. CIC, c\u00e2n. 500, \u00a7 2), Conselho pastoral diocesano (cf. CIC, c\u00e2n. 514, \u00a7 1), Conselho pastoral paroquial (cf. CIC, c\u00e2n. 536), Conselho diocesano e paroquial para os assuntos econ\u00f3micos (cf. CIC, c\u00e2n. 493 e 537). Nas Igrejas Orientais Cat\u00f3licas s\u00e3o: Assembleia eparquial (cf. CCEO, c\u00e2nn. 235 ss.), Conselho eparquial para os assuntos econ\u00f3micos (cf. CCEO, c\u00e2nn. 262 ss.), Conselho presbiteral (CCEO, c\u00e2n. 264), Conselho pastoral eparquial (CCEO, c\u00e2nn. 272 ss.), Conselhos paroquiais (cf. CCEO, c\u00e2n. 295). Os membros participam neles em fun\u00e7\u00e3o da sua fun\u00e7\u00e3o eclesial, de acordo com as suas responsabilidades diferenciadas a v\u00e1rios t\u00edtulos (carismas, minist\u00e9rios, experi\u00eancia ou compet\u00eancia, etc.). Cada um destes organismos participa no discernimento necess\u00e1rio ao an\u00fancio inculturado do Evangelho, \u00e0 miss\u00e3o da comunidade no seu ambiente e ao testemunho dos Batizados que a comp\u00f5em. Participa tamb\u00e9m nos processos de decis\u00e3o nas formas estabelecidas e constitui um \u00e2mbito de presta\u00e7\u00e3o de contas e de avalia\u00e7\u00e3o, tendo, por sua vez, de avaliar e prestar contas da sua a\u00e7\u00e3o. Os organismos de participa\u00e7\u00e3o constituem um dos \u00e2mbitos mais promissores de atua\u00e7\u00e3o para uma r\u00e1pida implementa\u00e7\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es sinodais, que leve a mudan\u00e7as percet\u00edveis em pouco tempo.<\/p>\n<p>104. Uma Igreja sinodal baseia-se na exist\u00eancia, na efici\u00eancia e na vitalidade efetiva, e n\u00e3o apenas nominal, destes \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o, bem como no seu funcionamento de acordo com as disposi\u00e7\u00f5es can\u00f3nicas ou os costumes leg\u00edtimos e no respeito pelos estatutos e regulamentos que os regem. Por esta raz\u00e3o devem ser obrigat\u00f3rios, como exigido em todas as etapas do processo sinodal, e podem desempenhar plenamente o seu papel, n\u00e3o de modo puramente formal, mas de forma adequada aos diversos contextos locais.<\/p>\n<p>105. Na mesma linha, \u00e9 oportuno intervir no funcionamento destes organismos, come\u00e7ando pela ado\u00e7\u00e3o de uma metodologia de trabalho sinodal. A conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, com as devidas adapta\u00e7\u00f5es, pode ser um ponto de refer\u00eancia. Uma aten\u00e7\u00e3o particular deve ser dada ao modo de designa\u00e7\u00e3o dos membros. Quando n\u00e3o est\u00e1 prevista a elei\u00e7\u00e3o, deve ser efetuada uma consulta sinodal que exprima o mais poss\u00edvel a realidade da comunidade ou da Igreja local, e a autoridade deve proceder \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o com base nos seus resultados, respeitando a articula\u00e7\u00e3o entre consulta e delibera\u00e7\u00e3o acima descrita. Preveja-se ainda a possibilidade de os membros dos conselhos pastorais diocesanos e paroquiais terem a faculdade de propor temas a incluir na ordem do dia, em analogia com os membros do Conselho Presbiteral.<\/p>\n<p>106. Deve ser dada igual aten\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o, de modo a favorecer um maior envolvimento das mulheres, dos jovens e dos que vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza ou marginaliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental que tais \u00f3rg\u00e3os incluam pessoas batizadas empenhadas no testemunho da f\u00e9 nas realidades ordin\u00e1rias da vida e das din\u00e2micas sociais, com uma reconhecida disposi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e mission\u00e1ria, e n\u00e3o apenas pessoas empenhadas na organiza\u00e7\u00e3o da vida e dos servi\u00e7os no seio da comunidade. Deste modo, o discernimento eclesial beneficiar\u00e1 de uma maior abertura, capacidade de an\u00e1lise da realidade e pluralidade de perspetivas. Na base das necessidades dos diferentes contextos, poder\u00e1 ser oportuno prever a participa\u00e7\u00e3o de representantes de outras Igrejas e Comunh\u00f5es crist\u00e3s, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece na Assembleia Sinodal, ou de representantes de outras religi\u00f5es presentes no territ\u00f3rio. As Igrejas locais e os seus agrupamentos podem mais facilmente indicar alguns crit\u00e9rios para a composi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o adequados a cada contexto.<\/p>\n<p>107. A Assembleia prestou particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias de reforma e boas pr\u00e1ticas j\u00e1 existentes, como a cria\u00e7\u00e3o de redes de conselhos pastorais ao n\u00edvel de comunidades de base, par\u00f3quias e zonas, at\u00e9 ao conselho pastoral diocesano. Como modelo de consulta e escuta, prop\u00f5e-se tamb\u00e9m que se realizem assembleias eclesiais a todos os n\u00edveis com certa regularidade, procurando n\u00e3o limitar a consulta \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, mas abrindo-se \u00e0 escuta do contributo de outras Igrejas e Comunh\u00f5es crist\u00e3s, e mantendo-se atentos \u00e0s outras religi\u00f5es presentes no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>108. A Assembleia prop\u00f5e que se d\u00ea maior relevo ao S\u00ednodo diocesano e \u00e0 Assembleia eparquial como \u00f3rg\u00e3o de consulta regular da parte do Bispo \u00e0 por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus que lhe foi confiada, como lugar de escuta, de ora\u00e7\u00e3o e de discernimento, em particular quando se trata de escolhas relevantes para a vida e a miss\u00e3o de uma Igreja local. O S\u00ednodo diocesano pode ser tamb\u00e9m um \u00e2mbito de exerc\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o: a ele o Bispo apresenta uma presta\u00e7\u00e3o de contas da atividade pastoral nos v\u00e1rios setores, da realiza\u00e7\u00e3o do plano pastoral, da rece\u00e7\u00e3o dos processos sinodais de toda a Igreja, das iniciativas no \u00e2mbito da <em>safeguarding<\/em>, bem como da administra\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as e dos bens temporais. Por isso, pede-se o refor\u00e7o das disposi\u00e7\u00f5es can\u00f3nicas sobre a mat\u00e9ria, de modo a refletir melhor o car\u00e1cter sinodal mission\u00e1rio de cada Igreja local, prevendo que os S\u00ednodos diocesanos e as Assembleias eparquiais se re\u00fanam com uma cad\u00eancia regular n\u00e3o excessivamente rara.<a name=\"_Toc49419\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Parte IV \u2013 Uma pesca abundante<br \/>\n<\/strong><strong>A convers\u00e3o dos v\u00ednculos<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os outros disc\u00edpulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes [\u2026]. Ent\u00e3o Sim\u00e3o Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e tr\u00eas grandes peixes; e, apesar de serem tantos, n\u00e3o se rompeu a rede (Jo 21,8.11). <\/em><\/p>\n<p>109. As redes lan\u00e7adas com a palavra do Ressuscitado permitiram uma pesca abundante. Todos colaboram no arrastamento da rede, Pedro tem um papel particular. No Evangelho, a pesca \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o realizada em conjunto: cada um tem uma tarefa precisa, diferente mas coordenada com a dos outros. Assim \u00e9 a Igreja sinodal, feita de la\u00e7os que se unem na comunh\u00e3o e de espa\u00e7os para a variedade de cada povo e de cada cultura. Num tempo em que muda a experi\u00eancia dos lugares onde a Igreja est\u00e1 radicada e peregrina, \u00e9 necess\u00e1rio cultivar de novas formas o interc\u00e2mbio de dons e o entrela\u00e7amento dos la\u00e7os que nos unem, apoiados pelo minist\u00e9rio dos Bispos em comunh\u00e3o entre si e com o Bispo de Roma.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>Enraizados e peregrinos<\/strong><\/p>\n<p>110. O an\u00fancio do Evangelho, ao suscitar a f\u00e9 nos cora\u00e7\u00f5es dos homens e das mulheres, leva \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de uma Igreja lugar particular. A Igreja n\u00e3o pode ser compreendida sem estar enraizada num territ\u00f3rio concreto, num espa\u00e7o e num tempo onde se forma uma experi\u00eancia comum de encontro com Deus que salva. A dimens\u00e3o local da Igreja preserva a rica diversidade das express\u00f5es de f\u00e9 enraizadas em contextos culturais e hist\u00f3ricos espec\u00edficos, e a comunh\u00e3o das Igrejas manifesta a comunh\u00e3o dos Fi\u00e9is no seio da \u00fanica Igreja. A convers\u00e3o sinodal convida, deste modo, cada pessoa a alargar o espa\u00e7o do seu cora\u00e7\u00e3o, o primeiro \u201clugar\u201d onde ressoam todas as nossas rela\u00e7\u00f5es, enraizadas na rela\u00e7\u00e3o pessoal de cada um com Cristo Jesus e com a sua Igreja. \u00c9 esta a fonte e a condi\u00e7\u00e3o para qualquer reforma em chave sinodal dos la\u00e7os de perten\u00e7a e dos lugares eclesiais. A a\u00e7\u00e3o pastoral n\u00e3o pode limitar-se a cuidar das rela\u00e7\u00f5es entre pessoas que j\u00e1 est\u00e3o em entre si, mas deve favorecer o encontro com cada homem e cada mulher.<\/p>\n<p>111. A experi\u00eancia do enraizamento deve ser confrontada com as profundas mudan\u00e7as socioculturais que est\u00e3o a modificar a perce\u00e7\u00e3o dos lugares. O conceito de lugar j\u00e1 n\u00e3o pode ser entendido em termos puramente geogr\u00e1ficos e espaciais, mas evoca, no nosso tempo, a perten\u00e7a a uma rede de rela\u00e7\u00f5es e a uma cultura cujas ra\u00edzes territoriais s\u00e3o mais din\u00e2micas e flex\u00edveis do que nunca. A urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais fatores desta mudan\u00e7a: hoje, pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em contextos urbanos. As grandes cidades s\u00e3o frequentemente aglomerados humanos sem hist\u00f3ria nem identidade, nas quais as pessoas vivem como ilhas. Os la\u00e7os territoriais tradicionais mudam de significado, tornando menos definidos os limites das par\u00f3quias e das dioceses. A Igreja \u00e9 chamada a viver nestes contextos, reconstruindo a vida comunit\u00e1ria, dando um rosto a realidades an\u00f3nimas e tecendo rela\u00e7\u00f5es fraternas. Para isso, para al\u00e9m de valorizar as estruturas ainda adequadas, \u00e9 necess\u00e1ria uma criatividade mission\u00e1ria que explore novas formas de pastoral e identifique caminhos concretos de cuidado. \u00c9 verdade, por\u00e9m, que as realidades rurais, algumas das quais s\u00e3o verdadeiras periferias existenciais, n\u00e3o devem ser descuradas e requerem uma aten\u00e7\u00e3o pastoral espec\u00edfica, tal como os lugares de marginaliza\u00e7\u00e3o e de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>112. Os nossos tempos caracterizam-se tamb\u00e9m por uma mobilidade humana crescente, motivada por v\u00e1rias raz\u00f5es. Refugiados e migrantes formam frequentemente comunidades din\u00e2micas, tamb\u00e9m nas suas pr\u00e1ticas religiosas, tornando multicultural o local onde se instalam. Alguns deles mant\u00eam la\u00e7os estreitos com os seus pa\u00edses de origem, sobretudo gra\u00e7as aos meios digitais, e t\u00eam dificuldade em estabelecer la\u00e7os no novo pa\u00eds; outros permanecem desenraizados. Os habitantes dos locais de imigra\u00e7\u00e3o s\u00e3o igualmente confrontados com o acolhimento de quem chega. Todos experimentam o impacto provocado pelo encontro com a diversidade de proveni\u00eancia geogr\u00e1fica, cultural e lingu\u00edstica e s\u00e3o chamados a construir comunidades interculturais. O impacto dos fen\u00f3menos migrat\u00f3rios na vida das Igrejas n\u00e3o deve ser ignorado. Emblem\u00e1tica neste sentido \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de algumas Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, devido ao n\u00famero crescente de Fi\u00e9is em di\u00e1spora; s\u00e3o necess\u00e1rias novas abordagens para que se mantenham os la\u00e7os com a sua Igreja de origem e se criem novos la\u00e7os, no respeito das diferentes ra\u00edzes espirituais e culturais.<\/p>\n<p>113. A difus\u00e3o da cultura digital, particularmente evidente entre os jovens, est\u00e1 tamb\u00e9m a alterar profundamente a perce\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo, influenciando as atividades quotidianas, as comunica\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, incluindo a f\u00e9. As possibilidades oferecidas pela rede reconfiguram rela\u00e7\u00f5es, la\u00e7os e fronteiras. Embora hoje estejamos mais ligados do que nunca, sentimos frequentemente a solid\u00e3o e a marginaliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, <em>as redes sociais<\/em> podem ser utilizadas por interesses econ\u00f3micos e pol\u00edticos que, manipulando as pessoas, divulgam ideologias e geram polariza\u00e7\u00f5es agressivas. Esta realidade encontra-nos despreparados e exige que dediquemos recursos para que o ambiente digital seja um lugar prof\u00e9tico de miss\u00e3o e de an\u00fancio. As igrejas locais encorajem, apoiem e acompanhem aqueles que est\u00e3o empenhados na miss\u00e3o no ambiente digital. As comunidades e os grupos digitais crist\u00e3os, especialmente de jovens, s\u00e3o tamb\u00e9m chamados a refletir sobre o modo como criam la\u00e7os de perten\u00e7a, promovem o encontro e o di\u00e1logo, oferecem forma\u00e7\u00e3o entre pares, desenvolvendo uma modalidade sinodal de ser Igreja. A rede, constitu\u00edda por conex\u00f5es, oferece novas oportunidades para viver melhor a dimens\u00e3o sinodal da Igreja.<\/p>\n<p>114. Estes desenvolvimentos sociais e culturais exigem que a Igreja repense o significado da sua dimens\u00e3o \u201clocal\u201d e questione as suas formas organizativas, a fim de melhor servir a sua miss\u00e3o. Embora reconhecendo o valor do enraizamento em contextos geogr\u00e1ficos e culturais concretos, \u00e9 indispens\u00e1vel compreender o \u201clugar\u201d como a realidade hist\u00f3rica em que a experi\u00eancia humana toma forma. \u00c9 a\u00ed, na teia de rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem, que a Igreja \u00e9 chamada a exprimir a sua sacramentalidade (cf. LG 1) e a realizar a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>115. A rela\u00e7\u00e3o entre lugar e espa\u00e7o sugere tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre a Igreja como \u201ccasa\u201d. Quando n\u00e3o \u00e9 entendida como um espa\u00e7o fechado, inacess\u00edvel, a defender a todo o custo, a imagem da casa evoca possibilidades de acolhimento, de hospitalidade e inclus\u00e3o. A pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o \u00e9 casa comum, na qual os membros da \u00fanica fam\u00edlia humana vivem com todas as outras criaturas. O nosso compromisso, sustentado pelo Esp\u00edrito, \u00e9 fazer com que a Igreja seja percebida como casa acolhedora, sacramento de encontro e de salva\u00e7\u00e3o, escola de comunh\u00e3o para todos os filhos e filhas de Deus. A Igreja \u00e9 tamb\u00e9m Povo de Deus a caminho com Cristo, no qual cada um \u00e9 chamado a ser peregrino de esperan\u00e7a. A pr\u00e1tica tradicional das peregrina\u00e7\u00f5es \u00e9 um sinal disso. A piedade popular \u00e9 um dos lugares de uma Igreja sinodal mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>116. A Igreja local, entendida como Diocese ou Eparquia, \u00e9 o \u00e2mbito fundamental no qual a comunh\u00e3o em Cristo dos batizados se manifesta de modo mais pleno. Nela a comunidade est\u00e1 reunida na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia presidida pelo Bispo. Cada Igreja local articula-se dentro de si mesma e, ao mesmo tempo, est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com as outras Igrejas locais.<\/p>\n<p>117. Uma das principais articula\u00e7\u00f5es da Igreja local que a hist\u00f3ria nos transmitiu \u00e9 a par\u00f3quia. A comunidade paroquial, que se encontra na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, \u00e9 lugar privilegiado de rela\u00e7\u00f5es, acolhimento, discernimento e miss\u00e3o. As mudan\u00e7as na conce\u00e7\u00e3o e no modo de viver a rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio exigem que se repense a sua configura\u00e7\u00e3o. O que a caracteriza \u00e9 ser uma proposta de comunidade em base n\u00e3o eletiva. A\u00ed se re\u00fanem pessoas de diversas gera\u00e7\u00f5es, profiss\u00f5es, proveni\u00eancia geogr\u00e1fica, classes sociais e condi\u00e7\u00f5es de vida. Para responder \u00e0s novas exig\u00eancias da miss\u00e3o, \u00e9 chamada a abrir-se a formas in\u00e9ditas de a\u00e7\u00e3o pastoral que tenham em conta a mobilidade das pessoas e o \u201cterrit\u00f3rio existencial\u201d em que se desenvolve a sua vida. Promovendo de modo especial a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e oferecendo acompanhamento e forma\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 capaz de apoiar as pessoas nas diferentes etapas da vida e no cumprimento da sua miss\u00e3o no mundo. Assim se tornar\u00e1 mais claro que a par\u00f3quia n\u00e3o est\u00e1 centrada em si mesma, mas orientada para a miss\u00e3o e chamada a apoiar o empenho de tantas pessoas que, de modos diversos, vivem e testemunham a f\u00e9 na profiss\u00e3o e na atividade social, cultural e pol\u00edtica. Em muitas regi\u00f5es do mundo, as pequenas comunidades crist\u00e3s ou as comunidades eclesiais de base s\u00e3o o terreno onde podem florescer rela\u00e7\u00f5es intensas de proximidade e reciprocidade, oferecendo a ocasi\u00e3o de viver concretamente a sinodalidade.<\/p>\n<p>118. Reconhecemos aos Institutos de vida Consagrada, \u00e0s Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, bem como \u00e0s Associa\u00e7\u00f5es, Movimentos e Novas Comunidades, a capacidade de se enraizarem no territ\u00f3rio e, ao mesmo tempo, de ligarem lugares e \u00e2mbitos diferentes, mesmo a n\u00edvel nacional ou internacional. Muitas vezes \u00e9 a sua a\u00e7\u00e3o, juntamente com a de tantas pessoas individuais e grupos informais, que leva o Evangelho aos mais diversos lugares: hospitais, pris\u00f5es, lares para idosos, centros de acolhimento para migrantes, menores, marginalizados e v\u00edtimas de viol\u00eancia; lugares educativos e forma\u00e7\u00e3o, escolas e universidades, onde se encontram jovens e fam\u00edlias; lugares da cultura, da pol\u00edtica e do desenvolvimento humano integral onde se imaginam e constroem novas formas de viver juntos. Olhamos tamb\u00e9m com gratid\u00e3o para os mosteiros, lugares de convoca\u00e7\u00e3o e de discernimento, profecia de um \u201coutro\u201d, que diz respeito a toda a Igreja e orienta o seu caminho. \u00c9 responsabilidade espec\u00edfica do Bispo diocesano ou eparquial animar esta multiplicidade e cuidar dos la\u00e7os de unidade. Institutos e agrega\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamados a agir em sinergia com a Igreja local, participando no dinamismo da sinodalidade.<\/p>\n<p>119. A valoriza\u00e7\u00e3o dos lugares \u201cinterm\u00e9dios\u201d entre a Igreja local e a Igreja universal \u2013 como a prov\u00edncia eclesi\u00e1stica e os agrupamentos de Igrejas a n\u00edvel nacional ou continental \u2013 pode tamb\u00e9m favorecer uma presen\u00e7a mais significativa da Igreja nos lugares do nosso tempo. A mobilidade crescente e as interconex\u00f5es atuais tornam fluidas as fronteiras entre as Igrejas e exigem, muitas vezes, que se pense e atue num \u201cgrande territ\u00f3rio sociocultural\u201d, no qual, excluindo qualquer forma de \u201cfalso particularismo\u201d, a vida crist\u00e3 \u201cconformar-se-\u00e1 bem ao g\u00e9nio de cada cultura\u201d (AG 22).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio de dons<\/strong><\/p>\n<p>120. Caminhar juntos nos diferentes lugares como disc\u00edpulos de Jesus, na diversidade de carismas e minist\u00e9rios, bem como no interc\u00e2mbio de dons entre as Igrejas, \u00e9 sinal eficaz da presen\u00e7a do amor e da miseric\u00f3rdia de Deus em Cristo, que acompanha, sustenta e orienta, no sopro do Esp\u00edrito Santo, o caminho da humanidade em dire\u00e7\u00e3o ao Reino. O interc\u00e2mbio de dons envolve todas as dimens\u00f5es da vida da Igreja. Constitu\u00edda em Cristo como Povo de Deus por todos os povos da terra e dinamicamente articulada na comunh\u00e3o das Igrejas locais, dos seus agrupamentos, das Igrejas <em>sui iuris<\/em> no seio da Igreja una e cat\u00f3lica, ela vive a sua miss\u00e3o favorecendo e acolhendo todas as \u201cqualidades, as riquezas, os costumes e o modo de ser dos povos, na medida em que s\u00e3o bons; e assumindo-os, purifica-os, fortalece-os e eleva-os\u201d (LG 13). A exorta\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Pedro \u2013 \u201ccada um de v\u00f3s ponha ao servi\u00e7o dos outros os dons que recebeu, como bons administradores da gra\u00e7a de Deus, t\u00e3o variada nas suas formas\u201d (1Ped 4,10) \u2013 pode certamente aplicar-se a cada Igreja local. Um exemplo paradigm\u00e1tico e inspirador deste interc\u00e2mbio de dons, que hoje deve ser vivido e revisto com particular aten\u00e7\u00e3o devido \u00e0s circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas alteradas e prementes, \u00e9 o que se verifica entre as Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o latina e as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas. Um horizonte significativo de novidade e de esperan\u00e7a, no qual se podem realizar formas de interc\u00e2mbio de dons, de procura do bem comum e de empenho coordenado em quest\u00f5es sociais de relev\u00e2ncia global, \u00e9 aquele que est\u00e1 a tomar forma, por exemplo, em grandes \u00e1reas geogr\u00e1ficas supranacionais e interculturais como a Amaz\u00f3nia, a bacia do rio Congo e o mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>121. A Igreja, a n\u00edvel local e na sua unidade cat\u00f3lica, prop\u00f5e-se como uma rede de rela\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da qual circula e se promove a profecia da cultura do encontro, da justi\u00e7a social, da inclus\u00e3o dos grupos marginais, da fraternidade entre os povos, do cuidado da casa comum. O exerc\u00edcio concreto desta profecia exige que os bens de cada Igreja sejam partilhados em esp\u00edrito de solidariedade, sem paternalismos nem assistencialismos, respeitando as diferentes identidades e promovendo uma s\u00e3 reciprocidade, com o compromisso \u2013 onde for necess\u00e1rio \u2013 de curar as feridas da mem\u00f3ria e de empreender caminhos de reconcilia\u00e7\u00e3o. O interc\u00e2mbio de dons e a partilha dos recursos entre Igrejas locais de diferentes regi\u00f5es favorecem a unidade da Igreja, criando la\u00e7os entre as comunidades crist\u00e3s envolvidas. \u00c9 preciso evidenciar bem quais as condi\u00e7\u00f5es a garantir, para que os Presb\u00edteros que v\u00eam ajudar as Igrejas pobres de clero n\u00e3o sejam apenas um rem\u00e9dio funcional, mas um recurso para o crescimento da Igreja que os envia e da que os recebe. Da mesma forma, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar para que as ajudas econ\u00f3micas n\u00e3o degenerem em assistencialismo, mas promovam uma aut\u00eantica solidariedade evang\u00e9lica e sejam geridas de modo transparente e confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>122. O interc\u00e2mbio de dons tem tamb\u00e9m um significado crucial no caminho para a unidade plena e vis\u00edvel entre todas as Igrejas e Comunh\u00f5es crist\u00e3s e, al\u00e9m disso, \u00e9 um sinal eficaz dessa unidade, na f\u00e9 e no amor de Cristo, que promove a credibilidade e o impacto da miss\u00e3o crist\u00e3 (cf. Jo 17,21). S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II aplicou esta express\u00e3o ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico: \u201cO di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 apenas uma troca de ideias. De alguma forma, \u00e9 sempre uma &#8216;troca de dons&#8217;\u201d (UUS 28). Foi no empenho de incarnar o \u00fanico Evangelho na diversidade dos contextos culturais, das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e dos desafios sociais que as diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, na escuta da Palavra de Deus e da voz do Esp\u00edrito Santo, geraram ao longo dos s\u00e9culos copiosos frutos de santidade, de caridade, de espiritualidade, de teologia e de solidariedade a n\u00edvel social e cultural. Chegou o momento de valorizar estas preciosas riquezas: com generosidade, com sinceridade, sem preconceitos, com gratid\u00e3o ao Senhor, com abertura rec\u00edproca, fazendo-as dom uns aos outros, sem assumir que s\u00e3o propriedade exclusiva nossa. O exemplo dos santos e das testemunhas da f\u00e9 de outras Igrejas e Comunh\u00f5es crist\u00e3s \u00e9 tamb\u00e9m um dom que podemos receber, inserindo a sua mem\u00f3ria no nosso calend\u00e1rio lit\u00fargico, especialmente os m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>123. No <em>Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Conviv\u00eancia Comum<\/em>, assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Im\u00e3 de Al-Azhar Ahmed Al-Tayyeb em Abu Dhabi, a 4 de fevereiro de 2019, declara-se a vontade de \u201cadotar a cultura do di\u00e1logo como caminho, a colabora\u00e7\u00e3o comum como conduta, o conhecimento m\u00fatuo como m\u00e9todo e crit\u00e9rio\u201d. N\u00e3o se trata de uma aspira\u00e7\u00e3o ou de um aspeto opcional no caminho do Povo de Deus na hist\u00f3ria atual. Neste caminho, uma Igreja sinodal compromete-se a caminhar, nos diversos lugares onde vive, com os crentes de outras religi\u00f5es e com as pessoas de outras convic\u00e7\u00f5es, partilhando gratuitamente a alegria do Evangelho e acolhendo com gratid\u00e3o os respetivos dons: construir juntos, todos como irm\u00e3os e irm\u00e3s, num esp\u00edrito de interc\u00e2mbio e ajuda m\u00fatua (cf. GS 40), a justi\u00e7a, a fraternidade, a paz e o di\u00e1logo inter-religioso. Nalgumas regi\u00f5es, as pequenas comunidades de vizinhan\u00e7a, onde as pessoas se encontram independentemente da sua perten\u00e7a religiosa, constituem um ambiente prop\u00edcio para um tr\u00edplice di\u00e1logo: da vida, da a\u00e7\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>V\u00ednculos para a unidade: Confer\u00eancias episcopais e Assembleias eclesiais<\/strong><\/p>\n<p>124. O horizonte da comunh\u00e3o no interc\u00e2mbio de dons \u00e9 o crit\u00e9rio inspirador das rela\u00e7\u00f5es entre as Igrejas. Ele conjuga a aten\u00e7\u00e3o aos la\u00e7os que formam a unidade de toda a Igreja com o reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o das particularidades ligadas ao contexto em que vive cada Igreja local, com a sua hist\u00f3ria e a sua tradi\u00e7\u00e3o. A ado\u00e7\u00e3o de um estilo sinodal permite que as Igrejas se movam com ritmos diversos. As diferen\u00e7as de ritmo podem ser valorizadas como express\u00e3o de uma leg\u00edtima diversidade e como oportunidade de interc\u00e2mbio de dons e de enriquecimento rec\u00edproco. Este horizonte comum exige discernir, identificar e promover estruturas e pr\u00e1ticas concretas para ser uma Igreja sinodal em miss\u00e3o.<\/p>\n<p>125. As Confer\u00eancias episcopais exprimem e realizam a colegialidade dos Bispos para favorecer a comunh\u00e3o entre as Igrejas e responder mais eficazmente \u00e0s necessidades da vida pastoral. S\u00e3o um instrumento fundamental para criar la\u00e7os, partilhar experi\u00eancias e boas pr\u00e1ticas entre as Igrejas, adaptar a vida crist\u00e3 e a express\u00e3o da f\u00e9 \u00e0s diversas culturas. Desempenham tamb\u00e9m um papel importante no desenvolvimento da sinodalidade, com o envolvimento de todo o Povo de Deus. Com base no que surgiu durante o processo sinodal, prop\u00f5e-se:<\/p>\n<p>a) recolher os frutos da reflex\u00e3o sobre o estatuto teol\u00f3gico e jur\u00eddico das Confer\u00eancias episcopais;<\/p>\n<p>b) clarificar o \u00e2mbito da compet\u00eancia doutrinal e disciplinar das Confer\u00eancias episcopais. Sem comprometer a autoridade do Bispo na Igreja que lhe foi confiada, nem p\u00f4r em risco a unidade e a catolicidade da Igreja, o exerc\u00edcio colegial de tal compet\u00eancia pode favorecer o ensino aut\u00eantico da \u00fanica f\u00e9 de modo adequado e inculturado nos v\u00e1rios contextos, identificando as express\u00f5es lit\u00fargicas, catequ\u00e9ticas, disciplinares, pastorais, teol\u00f3gicas e espirituais apropriadas (cf. AG 22).<\/p>\n<p>c) proceder a uma avalia\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia do funcionamento efetivo das Confer\u00eancias episcopais, das rela\u00e7\u00f5es entre os episcopados e com a Santa S\u00e9, para identificar as reformas concretas a realizar. As visitas <em>ad limina<\/em> <em>Apostolorum<\/em> poderiam ser uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para tal avalia\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>d) assegurar que todas as dioceses fa\u00e7am parte de uma Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica e de uma Confer\u00eancia Episcopal (cf. CD 40);<\/p>\n<p>e) especificar o v\u00ednculo eclesial que as decis\u00f5es tomadas por uma Confer\u00eancia Episcopal geram, relativamente \u00e0 pr\u00f3pria diocese, para cada Bispo que participou nessas mesmas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>126. No processo sinodal, as sete Assembleias Eclesiais Continentais, realizadas no in\u00edcio de 2023, representaram uma novidade relevante e s\u00e3o um legado a valorizar como modo eficaz de implementar o ensinamento conciliar sobre o valor de \u201ccada grande territ\u00f3rio sociocultural\u201d na procura de \u201cuma mais profunda adapta\u00e7\u00e3o em toda a extens\u00e3o da vida crist\u00e3\u201d (AG 22). O seu estatuto teol\u00f3gico e can\u00f3nico, bem como o dos agrupamentos continentais de Confer\u00eancias episcopais, dever\u00e1 ser melhor esclarecido para se poderem explorar as suas potencialidades para o ulterior desenvolvimento de uma Igreja sinodal. Cabe particularmente aos Presidentes dos agrupamentos continentais de Confer\u00eancias episcopais encorajar e apoiar a continua\u00e7\u00e3o desta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>127. Nas assembleias eclesiais (regionais, nacionais, continentais) os membros, que exprimem e representam a variedade do Povo de Deus (incluindo os Bispos), participam no discernimento que permitir\u00e1 aos Bispos, colegialmente, tomar as decis\u00f5es a que est\u00e3o obrigados em virtude do minist\u00e9rio que lhes foi confiado. Esta experi\u00eancia mostra como a sinodalidade permite articular concretamente o envolvimento de <em>todos<\/em> (o santo Povo de Deus) e o minist\u00e9rio de <em>alguns<\/em> (o col\u00e9gio dos Bispos) no processo de decis\u00f5es sobre a miss\u00e3o da Igreja. Prop\u00f5e-se que o discernimento possa incluir, em formas adaptadas \u00e0 diversidade dos contextos, espa\u00e7os de escuta e de di\u00e1logo com os outros Crist\u00e3os, os representantes de outras religi\u00f5es, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e a sociedade em geral.<\/p>\n<p>128. Devido a situa\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas particulares, algumas Confer\u00eancias episcopais t\u00eam dificuldade em participar nas assembleias continentais ou nos organismos eclesiais supranacionais. A Santa S\u00e9 ter\u00e1 o cuidado de as ajudar, promovendo o di\u00e1logo e a confian\u00e7a rec\u00edproca com os Estados, para que lhes seja dada a possibilidade de entrar em rela\u00e7\u00e3o com outras Confer\u00eancias episcopais, tendo em vista o interc\u00e2mbio de dons.<\/p>\n<p>129. Para se conseguir uma \u201csalutar descentraliza\u00e7\u00e3o\u201d (EG 16) e uma eficaz incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 reconhecer o papel das Confer\u00eancias episcopais, mas tamb\u00e9m reavaliar a institui\u00e7\u00e3o dos Conselhos particulares, tanto provinciais como plen\u00e1rios, cuja celebra\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica foi uma obriga\u00e7\u00e3o durante grande parte da hist\u00f3ria da Igreja e que est\u00e3o previstos pelo direito vigente no ordenamento latino (cf. CIC, c\u00e2nn. 439-446). Devem ser convocadas periodicamente. O procedimento para o reconhecimento das conclus\u00f5es dos Conc\u00edlios particulares pela Santa S\u00e9 (<em>recognitio<\/em>) deveria ser reformado, para favorecer a sua publica\u00e7\u00e3o atempada, indicando prazos precisos ou, no caso de quest\u00f5es puramente pastorais ou disciplinares (que n\u00e3o digam diretamente respeito a quest\u00f5es de f\u00e9, moral ou disciplina sacramental), introduzindo uma presun\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, equivalente a um consenso t\u00e1cito.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>O servi\u00e7o do Bispo de Roma<\/strong><\/p>\n<p>130. O processo sinodal ajudou tamb\u00e9m a rever as modalidades de exerc\u00edcio do minist\u00e9rio do Bispo de Roma \u00e0 luz da sinodalidade. Com efeito, a sinodalidade articula de modo sinf\u00f3nico as dimens\u00f5es comunit\u00e1ria (<em>todos<\/em>), colegial (<em>alguns<\/em>) e pessoal (<em>um<\/em>) das Igrejas particulares e de toda a Igreja. Nesta perspetiva, o minist\u00e9rio petrino \u00e9 inerente \u00e0 din\u00e2mica sinodal, assim como o aspeto comunit\u00e1rio, que inclui todo o Povo de Deus, e a dimens\u00e3o colegial do minist\u00e9rio episcopal (cf. CTI, n. 64).<\/p>\n<p>131. Podemos, pois, compreender o alcance da afirma\u00e7\u00e3o conciliar segundo a qual \u201cexistem legitimamente igrejas particulares com tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, sem detrimento do primado da c\u00e1tedra de Pedro, que preside \u00e0 universal assembleia da caridade, protege as leg\u00edtimas diversidades e vigia para que as particularidades ajudem a unidade e de forma alguma a prejudiquem\u201d (LG 13). O Bispo de Roma, princ\u00edpio e fundamento da unidade da Igreja (cf. LG 23), \u00e9 o garante da sinodalidade: cabe-lhe convocar a Igreja em S\u00ednodo, presidir-lhe e confirmar os resultados. Como sucessor de Pedro, tem um papel \u00fanico na salvaguarda do dep\u00f3sito da f\u00e9 e da moral, assegurando que os processos sinodais sejam fecundos para a unidade e o testemunho. Juntamente com o Bispo de Roma, o Col\u00e9gio Episcopal tem um papel insubstitu\u00edvel no pastoreio de toda a Igreja (cf. LG 22-23) e na promo\u00e7\u00e3o da sinodalidade em todas as Igrejas locais.<\/p>\n<p>132. Como garante da unidade na diversidade, o Bispo de Roma assegura a salvaguarda da identidade das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, no respeito das suas seculares tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, can\u00f3nicas, lit\u00fargicas, espirituais e pastorais. Estas Igrejas s\u00e3o dotadas de estruturas sinodais deliberativas pr\u00f3prias: S\u00ednodo dos Bispos das Igrejas Patriarcais e Arquiepiscopais Maiores (cf. CCEO, c\u00e2nn. 102.ff., 152), Conselho Provincial (cf. CCEO, c\u00e2n. 137), Conselho dos Hierarcas (cf. CCEO, c\u00e2nn. 155, \u00a7 1, 164 ff.), e, finalmente, Assembleias dos Hierarcas de diversas Igrejas <em>sui iuris <\/em>(cf. CCEO can. 322). Como Igrejas<em> sui iuris <\/em>em plena comunh\u00e3o com o Bispo de Roma, conservam a sua identidade oriental e a sua autonomia. No quadro da sinodalidade, \u00e9 oportuno revisitar juntos a hist\u00f3ria para curar as feridas do passado e aprofundar as formas de viver a comunh\u00e3o, o que implica tamb\u00e9m uma adapta\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es entre as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas e a C\u00faria Romana. As rela\u00e7\u00f5es entre Igreja Latina e Igrejas Orientais Cat\u00f3licas devem caraterizar-se pelo interc\u00e2mbio de dons, pela colabora\u00e7\u00e3o e pelo enriquecimento rec\u00edproco.<\/p>\n<p>133. Para incrementar estas rela\u00e7\u00f5es, a Assembleia Sinodal prop\u00f5e a institui\u00e7\u00e3o de um Conselho dos Patriarcas, Arcebispos Maiores e Metropolitas das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas presidido pelo Papa, que seja express\u00e3o de sinodalidade e instrumento para promover a comunh\u00e3o e a partilha do patrim\u00f3nio lit\u00fargico, teol\u00f3gico, can\u00f3nico e espiritual. O \u00eaxodo de muitos Fi\u00e9is orientais para as regi\u00f5es de rito latino corre o risco de comprometer a sua identidade. Para fazer face a esta situa\u00e7\u00e3o, devem ser desenvolvidos instrumentos e normas para refor\u00e7ar ao m\u00e1ximo a colabora\u00e7\u00e3o entre Igreja Latina e Igrejas Cat\u00f3licas Orientais. A Assembleia Sinodal recomenda o di\u00e1logo sincero e a colabora\u00e7\u00e3o fraterna entre Bispos latinos e orientais, para assegurar uma melhor assist\u00eancia pastoral aos Fi\u00e9is orientais que carecem de Presb\u00edteros do seu pr\u00f3prio rito e para garantir, com a devida autonomia, o envolvimento dos Bispos orientais nas Confer\u00eancias episcopais. Por fim, prop\u00f5e ao Santo Padre a convoca\u00e7\u00e3o de um S\u00ednodo Especial para promover a consolida\u00e7\u00e3o e o renascimento das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>134. A reflex\u00e3o sobre o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio petrino em chave sinodal deve ser conduzida na perspetiva da \u201csalutar \u2018descentraliza\u00e7\u00e3o\u2019\u201d (EG 16), pedida pelo Papa Francisco e solicitada por muitas Confer\u00eancias episcopais. Na formula\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e1 a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Praedicate Evangelium<\/em>, ela implica \u201cdeixar \u00e0 compet\u00eancia dos Pastores a faculdade de resolver, no exerc\u00edcio da \u2018sua pr\u00f3pria tarefa de mestres\u2019 e de Pastores, as quest\u00f5es que eles conhecem bem e que n\u00e3o tocam a unidade da doutrina, da disciplina e da comunh\u00e3o da Igreja, agindo sempre com aquela corresponsabilidade que \u00e9 fruto e express\u00e3o daquele espec\u00edfico <em>mysterium communionis<\/em> que \u00e9 a Igreja\u201d (PE II, 2). Para avan\u00e7ar nesta dire\u00e7\u00e3o, poder-se-ia identificar, atrav\u00e9s de um estudo teol\u00f3gico e can\u00f3nico, quais as mat\u00e9rias que devem ser reservadas ao Papa (<em>reservatio papalis<\/em>) e quais as que podem ser devolvidas aos Bispos nas suas Igrejas ou agrupamentos de Igrejas, na linha do recente Motu Proprio <em>Competentias quasdam decernere<\/em> (15 de fevereiro de 2022). De facto, este atribui \u201calgumas compet\u00eancias, no que diz respeito \u00e0 codifica\u00e7\u00e3o de disposi\u00e7\u00f5es destinadas a garantir a unidade da disciplina de toda a Igreja, ao poder executivo das Igrejas e das institui\u00e7\u00f5es eclesiais locais\u201d com base na \u201cdin\u00e2mica eclesial de comunh\u00e3o\u201d (Pre\u00e2mbulo). Tamb\u00e9m a elabora\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o can\u00f3nica por parte daqueles que t\u00eam a tarefa e a autoridade, deveria ter estilo sinodal e amadurecer como fruto de um discernimento eclesial.<\/p>\n<p>135. A Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Praedicate Evangelium<\/em> configurou o servi\u00e7o da C\u00faria Romana em sentido sinodal e mission\u00e1rio, insistindo em que ela \u201cn\u00e3o se coloca entre o Papa e os Bispos, mas p\u00f5e-se ao servi\u00e7o de ambos, segundo as modalidades que s\u00e3o pr\u00f3prias da natureza de cada um\u201d (PE I, 8). A sua aplica\u00e7\u00e3o deve promover uma maior colabora\u00e7\u00e3o entre os Dicast\u00e9rios e favorecer a escuta das Igrejas locais. Antes de publicar documentos normativos importantes, os Dicast\u00e9rios s\u00e3o exortados a iniciar uma consulta \u00e0s Confer\u00eancias episcopais e aos organismos correspondentes das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas. Na l\u00f3gica da transpar\u00eancia e da presta\u00e7\u00e3o de contas, acima delineada, poderiam eventualmente ser previstas formas de avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do trabalho da C\u00faria. Tal avalia\u00e7\u00e3o, numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria, poderia dizer respeito tamb\u00e9m aos Representantes Pontif\u00edcios. As visitas <em>ad limina Apostolorum<\/em> s\u00e3o o momento mais alto das rela\u00e7\u00f5es dos Pastores das Igrejas locais com o Bispo de Roma e com os seus colaboradores mais pr\u00f3ximos na C\u00faria Romana. Muitos Bispos gostariam que se revisse a forma como elas se realizam, de modo a torn\u00e1-las cada vez mais ocasi\u00f5es de interc\u00e2mbio aberto e de escuta rec\u00edproca. Para o bem da Igreja, \u00e9 importante favorecer o conhecimento rec\u00edproco e os la\u00e7os de comunh\u00e3o entre os membros do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, tendo em conta tamb\u00e9m a sua diversidade de origem e de cultura. A sinodalidade deve inspirar a sua colabora\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio petrino e o seu discernimento colegial nos Consist\u00f3rios ordin\u00e1rios e extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>136. Entre os lugares para praticar a sinodalidade e a colegialidade a n\u00edvel de toda a Igreja, destaca-se certamente o S\u00ednodo dos Bispos, que a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Episcopalis communio<\/em> transformou de acontecimento em processo eclesial. Institu\u00eddo por S\u00e3o Paulo VI como uma assembleia dos Bispos convocada para participar, atrav\u00e9s do conselho, na solicitude do Romano Pont\u00edfice por toda a Igreja, ele \u00e9 agora, na forma de um processo por etapas, express\u00e3o e instrumento da rela\u00e7\u00e3o constitutiva entre todo o Povo de Deus, o Col\u00e9gio Episcopal e o Papa. De facto, participam plenamente no processo sinodal todo o santo Povo de Deus, os Bispos a quem s\u00e3o confiadas cada uma das suas por\u00e7\u00f5es e o Bispo de Roma, cada um segundo a sua fun\u00e7\u00e3o. Esta participa\u00e7\u00e3o \u00e9 manifestada pela Assembleia Sinodal reunida \u00e0 volta do Papa, que, na sua composi\u00e7\u00e3o, mostra a catolicidade da Igreja. Em particular, como explicou o Papa Francisco, a composi\u00e7\u00e3o desta XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria \u00e9 \u201cmais do que um facto contingente. Ela exprime um modo de exerc\u00edcio do minist\u00e9rio episcopal coerente com a Tradi\u00e7\u00e3o viva das Igrejas e com o ensinamento do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d (<em>Discurso \u00e0 Primeira Congrega\u00e7\u00e3o Geral da Segunda Sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 2 de outubro de 2024). O S\u00ednodo dos Bispos, embora conservando a sua natureza episcopal, viu e poder\u00e1 ver tamb\u00e9m no futuro, na participa\u00e7\u00e3o de outros membros do Povo de Deus, \u201ca forma que o exerc\u00edcio da autoridade episcopal \u00e9 chamado a assumir numa Igreja consciente de ser constitutivamente relacional e, por isso, sinodal\u201d (<em>ibid.<\/em>) para a miss\u00e3o. No aprofundamento da identidade do S\u00ednodo dos Bispos, \u00e9 essencial que a articula\u00e7\u00e3o entre o envolvimento de <em>todos<\/em> (o santo Povo de Deus), o minist\u00e9rio de <em>alguns<\/em> (o Col\u00e9gio dos Bispos) e a presid\u00eancia de <em>um<\/em> (o Sucessor de Pedro) apare\u00e7a e se realize concretamente no processo sinodal e nas Assembleias.<\/p>\n<p>137. Entre os frutos mais significativos do S\u00ednodo 2021-2024 est\u00e1 a intensidade do impulso ecum\u00e9nico. A necessidade de encontrar \u201cuma forma de exerc\u00edcio do Primado que [&#8230;] esteja aberta a uma nova situa\u00e7\u00e3o\u201d (UUS 95) \u00e9 um desafio fundamental tanto para uma Igreja sinodal mission\u00e1ria como para a unidade dos Crist\u00e3os. O S\u00ednodo congratula-se com a recente publica\u00e7\u00e3o do Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os <em>O Bispo de Roma.<\/em> <em>Primado e sinodalidade nos di\u00e1logos ecum\u00e9nicos e nas respostas \u00e0 enc\u00edclica \u201cUt unum sit\u201d<\/em>, que oferece pistas para um ulterior aprofundado. O documento mostra que a promo\u00e7\u00e3o da unidade dos Crist\u00e3os \u00e9 um aspeto essencial do minist\u00e9rio do Bispo de Roma e que o caminho ecum\u00e9nico favoreceu uma compreens\u00e3o mais profunda do mesmo. As propostas concretas que cont\u00e9m sobre uma releitura ou um coment\u00e1rio oficial \u00e0s defini\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas do Conc\u00edlio Vaticano I sobre o primado, uma distin\u00e7\u00e3o mais clara entre as diferentes responsabilidades do Papa, a promo\u00e7\u00e3o da sinodalidade e a procura de um modelo de unidade baseado numa eclesiologia de comunh\u00e3o, oferecem perspetivas promissoras para o caminho ecum\u00e9nico. A Assembleia sinodal deseja que este documento sirva de base para uma reflex\u00e3o ulterior com os outros Crist\u00e3os, \u201cevidentemente juntos\u201d, sobre o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio de unidade do Bispo de Roma como \u201cum servi\u00e7o de amor reconhecido uns pelos outros\u201d (UUS 95).<\/p>\n<p>138. A riqueza representada pela participa\u00e7\u00e3o dos Delegados fraternos de outras Igrejas e Comunh\u00f5es crist\u00e3s na Assembleia Sinodal, convida-nos a prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas sinodais dos nossos parceiros ecum\u00e9nicos, tanto no Oriente como no Ocidente. O di\u00e1logo ecum\u00e9nico \u00e9 fundamental para desenvolver a compreens\u00e3o da sinodalidade e da unidade da Igreja. Leva-nos a imaginar pr\u00e1ticas sinodais ecum\u00e9nicas, at\u00e9 mesmo a formas de consulta e discernimento sobre assuntos de interesse comum e urgente, como poderia ser a celebra\u00e7\u00e3o de um S\u00ednodo ecum\u00e9nico sobre evangeliza\u00e7\u00e3o. Convida-nos tamb\u00e9m a prestar contas uns aos outros pelo que somos, pelo que fazemos e pelo que ensinamos. Na raiz desta possibilidade est\u00e1 o facto de estarmos unidos no \u00fanico Batismo, do qual brota a identidade do Povo de Deus e o dinamismo de comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>139. Em 2025, um ano jubilar, acontece tamb\u00e9m o anivers\u00e1rio do primeiro Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico, onde o S\u00edmbolo da F\u00e9 que une todos os Crist\u00e3os foi formulado de forma sinodal. A prepara\u00e7\u00e3o e a comemora\u00e7\u00e3o conjunta do 1700\u00ba anivers\u00e1rio do Conc\u00edlio de Niceia deveriam ser uma oportunidade para aprofundar e confessar juntos a f\u00e9 cristol\u00f3gica e para p\u00f4r em pr\u00e1tica formas de sinodalidade entre os Crist\u00e3os de todas as tradi\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o para lan\u00e7ar iniciativas audazes para uma data comum da P\u00e1scoa, para que possamos celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor no mesmo dia, como providencialmente acontecer\u00e1 em 2025, e assim dar uma maior for\u00e7a mission\u00e1ria ao an\u00fancio d&#8217;Aquele que \u00e9 a vida e a salva\u00e7\u00e3o do mundo inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Parte V \u2013 \u201cTamb\u00e9m eu vos envio\u201d<br \/>\n<\/strong><strong>Formar um povo de disc\u00edpulos mission\u00e1rios<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jesus disse-lhes de novo: \u201cA paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u201d. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo\u201d (Jo 20,21-22). <\/em><\/p>\n<p>140. Na noite de P\u00e1scoa, Cristo entrega aos disc\u00edpulos o dom messi\u00e2nico da sua paz e torna-os participantes da sua miss\u00e3o. A Sua paz \u00e9 plenitude do ser, harmonia com Deus, com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s, e com a cria\u00e7\u00e3o; a miss\u00e3o \u00e9 anunciar o Reino de Deus, oferecendo a cada pessoa, sem excluir ningu\u00e9m, a miseric\u00f3rdia e o amor do Pai. O gesto delicado que acompanha as palavras do Ressuscitado recorda o que Deus fez no princ\u00edpio. Agora, no Cen\u00e1culo, com o sopro do Esp\u00edrito, come\u00e7a a nova cria\u00e7\u00e3o: nasce um povo de disc\u00edpulos mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>141. Para que o santo Povo de Deus possa testemunhar a todos a alegria do Evangelho, crescendo na pr\u00e1tica da sinodalidade, precisa de uma forma\u00e7\u00e3o adequada: antes de mais, \u00e0 liberdade de filhos e filhas de Deus no seguimento de Jesus Cristo, contemplado na ora\u00e7\u00e3o e reconhecido nos pobres. A sinodalidade, de facto, implica uma profunda consci\u00eancia vocacional e mission\u00e1ria, fonte de um estilo renovado nas rela\u00e7\u00f5es eclesiais, de novas din\u00e2micas participativas e de discernimento eclesial, e de uma cultura da avalia\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode instaurar-se sem o acompanhamento de processos formativos orientados. A forma\u00e7\u00e3o em estilo sinodal da Igreja promover\u00e1 a consci\u00eancia de que os dons recebidos no Batismo s\u00e3o talentos a fazer frutificar para o bem de todos: n\u00e3o podem ser escondidos ou permanecer inoperantes.<\/p>\n<p>142. A forma\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios come\u00e7a com a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e nela se enra\u00edza. Na hist\u00f3ria de cada um h\u00e1 o encontro com muitas pessoas e grupos ou pequenas comunidades que contribu\u00edram para nos introduzir na rela\u00e7\u00e3o com o Senhor e na comunh\u00e3o da Igreja: pais e familiares, padrinhos e madrinhas, catequistas e educadores, animadores da liturgia e agentes no \u00e2mbito da caridade, Di\u00e1conos, Sacerdotes e o pr\u00f3prio Bispo. Por vezes, uma vez terminado o caminho da Inicia\u00e7\u00e3o, a liga\u00e7\u00e3o com a comunidade enfraquece e a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 descurada. Ser disc\u00edpulos mission\u00e1rios do Senhor, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma meta alcan\u00e7ada de uma vez por todas. Implica convers\u00e3o cont\u00ednua, crescimento no amor \u201cat\u00e9 atingir a medida da plenitude de Cristo\u201d (Ef 4,13) e abertura aos dons do Esp\u00edrito para um testemunho vivo e alegre da f\u00e9. Por isso \u00e9 importante redescobrir como a celebra\u00e7\u00e3o dominical da Eucaristia forma os Crist\u00e3os: \u201cA plenitude da nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a conforma\u00e7\u00e3o a Cristo [&#8230;]: n\u00e3o se trata de um processo mental, abstrato, mas de nos tornarmos Ele\u201d (DD 41). Para muitos Fi\u00e9is, a Eucaristia dominical \u00e9 o \u00fanico contacto com a Igreja: cuidar da sua celebra\u00e7\u00e3o do melhor modo, com particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 homilia e \u00e0 \u201cparticipa\u00e7\u00e3o ativa\u201d (SC 14) de todos, \u00e9 decisivo para a sinodalidade. Na Missa, de facto, ela acontece como uma gra\u00e7a concedida do alto, antes de ser o resultado dos nossos esfor\u00e7os: sob a presid\u00eancia de <em>um <\/em>e gra\u00e7as ao minist\u00e9rio de <em>alguns<\/em>, <em>todos <\/em>podem participar na dupla mesa da Palavra e do P\u00e3o. O dom da comunh\u00e3o, da miss\u00e3o e da participa\u00e7\u00e3o \u2013 os tr\u00eas eixos portadores da sinodalidade \u2013 realiza-se e renova-se em cada Eucaristia.<\/p>\n<p>143. Um dos pedidos que emergiu com maior for\u00e7a e de todas as partes durante o processo sinodal \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o seja integral, cont\u00ednua e partilhada. O seu objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos te\u00f3ricos, mas a promo\u00e7\u00e3o de capacidade de abertura e encontro, de partilha e colabora\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o e discernimento em comum, de leitura teol\u00f3gica das experi\u00eancias concretas. Deve, portanto, interpelar todas as dimens\u00f5es da pessoa (intelectual, afetiva, relacional e espiritual) e incluir experi\u00eancias concretas devidamente acompanhadas. Igualmente marcante foi a insist\u00eancia na necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o em que participem juntos homens e mulheres, leigos, consagrados, ministros ordenados e candidatos ao minist\u00e9rio ordenado, permitindo assim crescer no conhecimento e estima rec\u00edproca e na capacidade de colaborar. Isto requer a presen\u00e7a de formadores id\u00f3neos e competentes, capazes de confirmar com a vida o que transmitem com a palavra: s\u00f3 assim a forma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 verdadeiramente generativa e transformadora. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi esquecido o contributo que as disciplinas pedag\u00f3gicas podem dar \u00e0 predisposi\u00e7\u00e3o de percursos formativos bem direcionados, atentos aos processos de aprendizagem na idade adulta e ao acompanhamento das pessoas e das comunidades. Devemos, pois, investir na forma\u00e7\u00e3o de formadores.<\/p>\n<p>144. A Igreja j\u00e1 tem muitos lugares e recursos para a forma\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos mission\u00e1rios: as fam\u00edlias, as pequenas comunidades, as par\u00f3quias, as agrega\u00e7\u00f5es eclesiais, os semin\u00e1rios, as comunidades religiosas, as institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, mas tamb\u00e9m os lugares de servi\u00e7o e de trabalho com os marginalizados, as experi\u00eancias mission\u00e1rias e de voluntariado. Em todos estes \u00e2mbitos, a comunidade exprime a sua capacidade de educar no discipulado e de acompanhar no testemunho, num encontro que muitas vezes faz interagir pessoas de diferentes gera\u00e7\u00f5es, dos mais jovens aos anci\u00e3os. Na Igreja, ningu\u00e9m \u00e9 mero destinat\u00e1rio da forma\u00e7\u00e3o: todos somos sujeitos ativos e temos algo a dar aos outros. A piedade popular \u00e9 tamb\u00e9m um tesouro precioso da Igreja, que ensina todo o Povo de Deus em caminho.<\/p>\n<p>145. Entre as pr\u00e1ticas formativas que podem receber novo impulso a partir da sinodalidade, \u00e9 dada particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 catequese para que, al\u00e9m de diminuir nos itiner\u00e1rios da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, seja cada vez mais \u201cem sa\u00edda\u201d e extrovertida. As comunidades de disc\u00edpulos mission\u00e1rios saber\u00e3o pratic\u00e1-la no sinal da miseric\u00f3rdia e aproxim\u00e1-la da experi\u00eancia de cada um, levando-a at\u00e9 \u00e0s periferias existenciais, sem perder a refer\u00eancia ao <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>. Poder\u00e1 assim tornar-se um \u201claborat\u00f3rio de di\u00e1logo\u201d com homens e mulheres do nosso tempo (cf. Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, <em>Diret\u00f3rio para a Catequese<\/em>, 54) e iluminar a sua busca de sentido. Em muitas Igrejas, os catequistas s\u00e3o o recurso fundamental para o acompanhamento e a forma\u00e7\u00e3o; noutras, o seu servi\u00e7o deve ser mais valorizado e apoiado pela comunidade, afastando-se de uma l\u00f3gica de delega\u00e7\u00e3o, que contradiz a sinodalidade. Considerando a dimens\u00e3o dos fen\u00f3menos migrat\u00f3rios, \u00e9 importante que a catequese promova o conhecimento m\u00fatuo entre as Igrejas dos pa\u00edses de origem e de acolhimento.<\/p>\n<p>146. Para al\u00e9m dos ambientes e recursos especificamente pastorais, a comunidade crist\u00e3 est\u00e1 presente em numerosas outras institui\u00e7\u00f5es formativas, como a escola, a forma\u00e7\u00e3o profissional, a universidade, a forma\u00e7\u00e3o para o empenho social e pol\u00edtico, o mundo do desporto, da m\u00fasica e da arte. Apesar da diversidade dos contextos culturais, que determinam pr\u00e1ticas e tradi\u00e7\u00f5es muito diferentes entre elas, as institui\u00e7\u00f5es formativas de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica est\u00e3o frequentemente em contacto com pessoas que n\u00e3o frequentam outros ambientes eclesiais. Inspiradas nas pr\u00e1ticas da sinodalidade, podem tornar-se um laborat\u00f3rio de rela\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis e participativas, num contexto em que o testemunho de vida, as compet\u00eancias e a organiza\u00e7\u00e3o educativa s\u00e3o sobretudo laicais e envolvem prioritariamente as fam\u00edlias. Em particular, a escola e a universidade de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica desempenham um papel importante no di\u00e1logo entre f\u00e9 e cultura e na educa\u00e7\u00e3o moral aos valores, oferecendo uma forma\u00e7\u00e3o orientada para Cristo, \u00edcone da vida em plenitude. Quando o conseguem, revelam-se capazes de promover uma alternativa aos modelos dominantes, muitas vezes inspirados no individualismo e na competi\u00e7\u00e3o, assumindo assim tamb\u00e9m um papel prof\u00e9tico. Nalguns contextos, s\u00e3o o \u00fanico ambiente em que crian\u00e7as e jovens entram em contacto com a Igreja. Quando \u00e9 inspirada no di\u00e1logo intercultural e inter-religioso, a sua a\u00e7\u00e3o educativa \u00e9 tamb\u00e9m apreciada por pessoas de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas como forma de promo\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>147. A forma\u00e7\u00e3o sinodal partilhada para todos os Batizados constitui o horizonte dentro do qual se pode compreender e praticar a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica necess\u00e1ria para cada um dos minist\u00e9rios e para as diversas formas de vida. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que ela se realize como interc\u00e2mbio de dons entre voca\u00e7\u00f5es diversas (comunh\u00e3o), na \u00f3tica de um servi\u00e7o a ser realizado (miss\u00e3o) e num estilo de envolvimento e de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 corresponsabilidade diferenciada (participa\u00e7\u00e3o). Esta exig\u00eancia, emersa com for\u00e7a do processo sinodal, requer, n\u00e3o poucas vezes, uma exigente mudan\u00e7a de mentalidade e uma renovada abordagem dos ambientes e dos processos formativos. Implica, sobretudo, a disponibilidade interior para se deixar enriquecer pelo encontro com irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9, superando preconceitos e vis\u00f5es partid\u00e1rias. A dimens\u00e3o ecum\u00e9nica da forma\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode favorecer esta mudan\u00e7a de mentalidade.<\/p>\n<p>148. Ao longo do processo sinodal, foi amplamente expresso o pedido de que os percursos de discernimento e forma\u00e7\u00e3o dos candidatos ao minist\u00e9rio ordenado sejam configurados em estilo sinodal. Significa que devem prever uma presen\u00e7a significativa de figuras femininas, uma inser\u00e7\u00e3o na vida quotidiana das comunidades e a educa\u00e7\u00e3o a colaborar com todos na Igreja e a praticar o discernimento eclesial. Isto implica um investimento corajoso de energia na prepara\u00e7\u00e3o dos formadores. A Assembleia pede uma revis\u00e3o da <em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis<\/em> que incorpore as solicita\u00e7\u00f5es amadurecidas no S\u00ednodo, traduzindo-as em indica\u00e7\u00f5es precisas para uma forma\u00e7\u00e3o \u00e0 sinodalidade. Os percursos formativos devem ser capazes de despertar nos candidatos a paix\u00e3o pela miss\u00e3o <em>ad gentes<\/em>. N\u00e3o menos necess\u00e1ria \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos Bispos, para que possam assumir melhor a sua miss\u00e3o de congregar na unidade os dons do Esp\u00edrito e exercer em estilo sinodal a autoridade que lhes foi conferida. O estilo sinodal de forma\u00e7\u00e3o implica que a dimens\u00e3o ecum\u00e9nica esteja presente em todos os aspetos dos percursos para o minist\u00e9rio ordenado.<\/p>\n<p>149. Na forma\u00e7\u00e3o do Povo de Deus para a sinodalidade, \u00e9 necess\u00e1rio considerar tamb\u00e9m alguns \u00e2mbitos espec\u00edficos, sobre os quais o processo sinodal chamou insistentemente a aten\u00e7\u00e3o. O primeiro diz respeito ao impacto do ambiente digital sobre processos de aprendizagem, a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, a perce\u00e7\u00e3o de si e do mundo e a constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es interpessoais. A cultura digital constitui uma dimens\u00e3o crucial do testemunho da Igreja na cultura contempor\u00e2nea, bem como um campo mission\u00e1rio emergente. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ter cuidado para que a mensagem crist\u00e3 esteja presente em rede de modos fi\u00e1veis que n\u00e3o distor\u00e7am o seu conte\u00fado de modo ideol\u00f3gico. Embora o digital tenha um grande potencial para melhorar a nossa vida, tamb\u00e9m pode causar danos e feridas, atrav\u00e9s do <em>bullying<\/em>, desinforma\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o sexual e depend\u00eancia. \u00c9 importante que as institui\u00e7\u00f5es educativas da Igreja ajudem jovens e adultos a desenvolver compet\u00eancias cr\u00edticas para navegarem em seguran\u00e7a na Web.<\/p>\n<p>150. Outro \u00e2mbito de grande relevo \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o, em todos os ambientes eclesiais, de uma cultura da <em>prote\u00e7\u00e3o (safeguarding<\/em>), para tornar as comunidades lugares cada vez mais seguros para os menores e as pessoas vulner\u00e1veis. J\u00e1 se come\u00e7ou o trabalho para dotar as estruturas da Igreja de regulamentos e procedimentos jur\u00eddicos que permitam a preven\u00e7\u00e3o dos abusos e respostas atempadas aos comportamentos inadequados. \u00c9 necess\u00e1rio continuar este empenho, oferecendo uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e cont\u00ednua, adequada a quem trabalha em contacto com os menores e os adultos mais fr\u00e1geis, para que possam agir com compet\u00eancia e saibam captar os sinais, muitas vezes silenciosos, de quem est\u00e1 a viver um drama e precisa de ajuda. O acolhimento e o apoio das v\u00edtimas \u00e9 uma tarefa delicada e indispens\u00e1vel, que exige grande humanidade e deve ser efetuada com a ajuda de pessoas qualificadas. Todos devemos deixar-nos abalar pelo seu sofrimento e praticar aquela proximidade que, atrav\u00e9s de escolhas concretas, os eleva, ajuda e prepara um futuro diferente para todos. Os processos de <em>safeguarding<\/em> devem ser constantemente monitorizados e avaliados. As v\u00edtimas e os sobreviventes devem ser acolhidos e apoiados com grande sensibilidade.<\/p>\n<p>151. Tamb\u00e9m os temas da Doutrina Social da Igreja, do empenho pela paz e a justi\u00e7a, do cuidado da casa comum e o di\u00e1logo intercultural e inter-religioso devem conhecer maior difus\u00e3o entre o Povo de Deus, para que a a\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios incida na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e fraterno. O empenho pela defesa da vida e dos direitos da pessoa, pelo justo ordenamento da sociedade, pela dignidade do trabalho, por uma economia justa e solid\u00e1ria, pela ecologia integral fazem parte da miss\u00e3o evangelizadora que a Igreja \u00e9 chamada a viver e encarnar na hist\u00f3ria.<a name=\"_Toc49425\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>Um banquete para todos os povos<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Logo que saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e p\u00e3o. Disse-lhes Jesus: \u201cVinde comer\u201d. Nenhum dos disc\u00edpulos se atrevia a perguntar-Lhe: \u201cQuem \u00e9s tu?\u201d, porque sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o p\u00e3o e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes (Jo 21,9.12.13). <\/em><\/p>\n<p>152. A narra\u00e7\u00e3o da pesca milagrosa termina com um banquete. O Ressuscitado pediu aos disc\u00edpulos para obedecer \u00e0 sua palavra, para lan\u00e7ar as redes e pux\u00e1-las para a praia; \u00e9 Ele, por\u00e9m, que prepara a mesa e os convida a comer. H\u00e1 p\u00e3es e peixes para todos, como quando os tinha multiplicado para a multid\u00e3o faminta. Acima de tudo, h\u00e1 a maravilha e o encanto da sua presen\u00e7a, t\u00e3o clara e luminosa que n\u00e3o se fazem perguntas. Ao comer com os seus, depois de eles o terem abandonado e negado, o Ressuscitado abre de novo o espa\u00e7o da comunh\u00e3o e imprime para sempre nos disc\u00edpulos a marca de uma miseric\u00f3rdia que se abre ao futuro. Por isso, as testemunhas da P\u00e1scoa qualificar-se-\u00e3o assim: \u201cn\u00f3s que comemos e bebemos com Ele depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos\u201d (At 10,41).<\/p>\n<p>153. Nas comidas que o Ressuscitado consumiu com os disc\u00edpulos, realiza-se a imagem do banquete do profeta Isa\u00edas que inspirou o trabalho da Assembleia sinodal: uma mesa superabundante e deliciosa preparada pelo Senhor no cimo do monte, s\u00edmbolo de conv\u00edvio e comunh\u00e3o, destinada a todos os povos (cf. Is 25,6-8). A mesa que o Senhor prepara para os seus depois da P\u00e1scoa \u00e9 o sinal de que o banquete escatol\u00f3gico j\u00e1 come\u00e7ou. Mesmo se s\u00f3 no c\u00e9u ter\u00e1 a sua plenitude, a mesa da gra\u00e7a e da miseric\u00f3rdia j\u00e1 est\u00e1 posta para todos e a Igreja tem a miss\u00e3o de levar este espl\u00eandido an\u00fancio a um mundo em mudan\u00e7a. Alimentada na Eucaristia pelo Corpo e Sangue do Senhor, ela sabe que n\u00e3o pode esquecer os pobres, os \u00faltimos, os exclu\u00eddos, aqueles que n\u00e3o conhecem o amor e est\u00e3o sem esperan\u00e7a, nem aqueles que n\u00e3o acreditam em Deus ou n\u00e3o se reconhecem em nenhuma religi\u00e3o institu\u00edda. Leva-os ao Senhor na ora\u00e7\u00e3o para depois sair a encontr\u00e1-los, com a criatividade e a aud\u00e1cia que o Esp\u00edrito inspira. Assim, a sinodalidade da Igreja torna-se profecia social, inspira novos caminhos tamb\u00e9m para a pol\u00edtica e a economia, colabora com todos aqueles que acreditam na fraternidade e na paz, num interc\u00e2mbio de dons com o mundo.<\/p>\n<p>154. Ao viver o processo sinodal, tom\u00e1mos nova consci\u00eancia de que a salva\u00e7\u00e3o a receber e a anunciar passa atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es. Ela vive-se e testemunha-se juntos. A hist\u00f3ria aparece-nos tragicamente marcada por guerras, rivalidades pelo poder, mil injusti\u00e7as e abusos. Sabemos, por\u00e9m, que o Esp\u00edrito colocou no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano o desejo de rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas e de v\u00ednculos verdadeiros. A pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o fala de unidade e de partilha, de variedade e de entrela\u00e7amento entre diversas formas de vida. Tudo nasce da harmonia e tende para a harmonia, mesmo quando sofre a ferida devastadora do mal. O sentido \u00faltimo da sinodalidade \u00e9 o testemunho que a Igreja \u00e9 chamada a dar de Deus, Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo, Harmonia do amor que se derrama fora de si mesma para se dar ao mundo. Caminhando em estilo sinodal, no entrela\u00e7amento das nossas voca\u00e7\u00f5es, carismas e minist\u00e9rios, e, indo ao encontro de todos para levar a alegria do Evangelho, podemos viver a comunh\u00e3o que salva: com Deus, com toda a humanidade e com toda a cria\u00e7\u00e3o. Desta forma, gra\u00e7as \u00e0 partilha, come\u00e7aremos j\u00e1 a experimentar o banquete da vida que Deus oferece a todos os povos.<\/p>\n<p>155. \u00c0 Virgem Maria, que tem o espl\u00eandido t\u00edtulo de <em>Odigitria<\/em>, Aquela que indica e guia o caminho, confiamos os resultados deste S\u00ednodo. Ela, M\u00e3e da Igreja, que no Cen\u00e1culo ajudou a comunidade nascente a abrir-se \u00e0 novidade do Pentecostes, nos ensine a ser um Povo de disc\u00edpulos mission\u00e1rios que caminham juntos: uma Igreja sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":7792,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[74,75],"tags":[],"class_list":["post-8709","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrada","category-sinodo-2021-2023"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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