{"id":87,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=87"},"modified":"2014-07-20T16:20:12","modified_gmt":"2014-07-20T16:20:12","slug":"a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/","title":{"rendered":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\u0000 <!--more--> Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa  <b>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b>  1. Na sua busca de realiza\u00e7\u00e3o, o homem percorre m\u00faltiplos caminhos. Entre eles, \u201co primeiro e mais importante \u00e9 a fam\u00edlia: uma via comum, mesmo se permanece particular, \u00fanica e irrepet\u00edvel, como irrepet\u00edvel \u00e9 cada homem; uma via da qual o ser humano n\u00e3o pode separar-se\u201d(1).  Quando o homem chega a este mundo, \u00e9 a fam\u00edlia que o acolhe e \u00e9 nela que ele aprende a dar os primeiros passos; \u00e9 na fam\u00edlia que ele encontra essa primeira teia de rela\u00e7\u00f5es que o v\u00e3o ajudar a desenvolver todas as suas potencialidades pessoais e sociais; \u00e9 na fam\u00edlia que ele toma consci\u00eancia da sua dignidade e que aprende os valores; \u00e9 na fam\u00edlia que ele se descobre como ser chamado \u00e0 comunh\u00e3o e ao amor; \u00e9 da fam\u00edlia que ele parte ao encontro da cidade e \u00e9 \u00e0 fam\u00edlia que ele regressa em busca da for\u00e7a da comunidade. A fam\u00edlia tem, portanto, um papel \u00fanico e insubstitu\u00edvel na vida e na realiza\u00e7\u00e3o do homem.  2. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 acompanhar o homem ao longo dos caminhos da sua exist\u00eancia terrena. Consciente de que o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia constituem um dos bens mais preciosos da humanidade, a Igreja sente o imperativo de propor \u201csem cessar e fielmente a verdade do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia. \u00c9 uma necessidade que sente arder-lhe dentro, porque sabe que um tal dever \u00e9 qualificante para ela em virtude da miss\u00e3o evangelizadora que lhe foi confiada pelo seu Esposo e Senhor, e que hoje se apresenta com excepcional prem\u00eancia\u201d(2).  As importantes mudan\u00e7as sociais registadas nos \u00faltimos anos t\u00eam submetido a fam\u00edlia a fortes tens\u00f5es e provocado alguma inquieta\u00e7\u00e3o entre aqueles que se preocupam com a estabilidade da realidade familiar. A cultura dominante parece apostada em impor um conjunto de atitudes que desfiguram e debilitam o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia. Neste contexto, a Igreja prop\u00f5e-se anunciar, com renovado vigor, \u201caquilo que diz o Evangelho sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia, para individuar o seu significado e valor no des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus. \u00c9 preciso, de modo particular, reiterar que ambas as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o realidades que derivam da vontade de Deus. Imp\u00f5e-se redescobrir a verdade da fam\u00edlia, enquanto \u00edntima comunh\u00e3o de vida e de amor, aberta \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de novas pessoas; e tamb\u00e9m a sua dignidade de \u00abigreja dom\u00e9stica\u00bb e a sua participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o da Igreja e na vida da sociedade\u201d(3).  3. Neste ano de 2004, comemora-se o 10\u00ba anivers\u00e1rio do Ano Internacional da Fam\u00edlia. Sublinhando essa efem\u00e9ride, internacionalmente celebrada, na sequ\u00eancia do Congresso da Fam\u00edlia, realizado para celebrar o 20\u00ba anivers\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris consortio, e dando cumprimento a quanto prometemos na Carta Pastoral Responsabilidade Solid\u00e1ria pelo Bem Comum (4), n\u00f3s, os bispos portugueses, conscientes de que a fam\u00edlia \u00e9 o ponto de partida para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa e para a humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, queremos, uma vez mais, proclamar o Evangelho do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia e lembrar a todos que a grande miss\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 ser, na Igreja e no mundo, o rosto vivo do Deus que ama.  <b>I A FAM\u00cdLIA COMO REFER\u00caNCIA HUMANA FUNDAMENTAL<\/b>  <b>Dimens\u00e3o natural e antropol\u00f3gica<\/b>  4. O fen\u00f3meno humano surge como o ponto culminante de todo o processo de cria\u00e7\u00e3o. Feito \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a\u201d de Deus (Gn 1,26), o homem ocupa um lugar central no projecto divino para o mundo e aparece, diante dos outros seres criados, como um \u00edcone do Criador. A sua miss\u00e3o consiste em continuar a obra criadora de Deus e em testemunhar a realidade de Deus. Desse modo, o homem contribui para a perfei\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e revela-se como a fonte de sentido de toda a evolu\u00e7\u00e3o do universo. Ser \u201cimagem e semelhan\u00e7a\u201d de um Deus que \u00e9 amor e comunh\u00e3o pessoal significa que o homem \u00e9 chamado a realizar a sua exist\u00eancia no amor e a dar testemunho do amor. \u201cO amor \u00e9, portanto, a fundamental e original voca\u00e7\u00e3o do ser humano\u201d(5). Assim, \u00e9 no amor que o homem se realiza, que a sua exist\u00eancia se completa e adquire sentido pleno. O homem \u00e9, portanto, um ser-em-rela\u00e7\u00e3o, um ser para os outros. O homem n\u00e3o pode viver sem amor: \u201cn\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3\u201d (Gn 2,18). Ele \u201cpermanece para si pr\u00f3prio um ser incompreens\u00edvel e a sua vida \u00e9 destitu\u00edda de sentido, se n\u00e3o lhe for revelado o amor, se n\u00e3o se encontra com o amor, se o n\u00e3o experimenta e o n\u00e3o torna algo de si pr\u00f3prio, se nele n\u00e3o participa vivamente\u201d (6).  <b>A complementaridade hetero-sexual<\/b> 5. A realidade do ser-em-rela\u00e7\u00e3o manifesta-se, segundo a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, na bipolaridade sexuada do homem e da mulher (cf. Gn 1,27). Nessa perspectiva, o homem criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, \u00e9 homem e mulher: dois indiv\u00edduos, uma \u00fanica realidade humana, chamados \u00e0 unidade que exprime e anuncia a voca\u00e7\u00e3o de unidade e harmonia do pr\u00f3prio cosmos. Esta unidade procurada e que se insere na busca progressiva da perfei\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma \u201cfus\u00e3o\u201d na qual os dois sujeitos perdem a sua identidade, mas \u00e9 uma comunh\u00e3o, onde cada um mantendo a sua individualidade, a reconhece continuamente na rela\u00e7\u00e3o. No par humano, o ser humano afirma-se como relacional, isto \u00e9, algu\u00e9m que se descobre no dom de si pr\u00f3prio e que se constr\u00f3i na rela\u00e7\u00e3o com o outro. Sem anular o indiv\u00edduo, este torna-se pessoa, porque encontra a sua verdade e a sua realiza\u00e7\u00e3o no amor partilhado.  Esta unidade relacional do homem e da mulher \u00e9 o n\u00facleo fundamental da voca\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da humanidade e, por isso mesmo, sua c\u00e9lula fundante e fundamental. Fonte de sentido para toda a cria\u00e7\u00e3o, esta unidade primordial alia a for\u00e7a da natureza com o sentido que lhe vem do esp\u00edrito, afirmando, desde o in\u00edcio, a dimens\u00e3o cultural e espiritual como componente essencial de toda a comunidade humana. Com a for\u00e7a da natureza, pode haver complementaridade f\u00edsica e reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie; mas s\u00f3 haver\u00e1 comunidade de pessoas com a dimens\u00e3o cultural e espiritual, que vai encontrar uma express\u00e3o decisiva na dimens\u00e3o religiosa, ou seja, da comunh\u00e3o com Deus, que se reconhece como criador.  <b>O matrim\u00f3nio<\/b>  6. Esta capacidade de amar e de ser amado tem a sua express\u00e3o mais plena na uni\u00e3o est\u00e1vel de um homem e de uma mulher. A esta decis\u00e3o chega-se, nesse processo de matura\u00e7\u00e3o do amor, quando a pessoa se torna capaz de contrair um compromisso de doa\u00e7\u00e3o, de entrega e de fidelidade com outra de um outro sexo. O matrim\u00f3nio \u00e9 o modo particular e espec\u00edfico de realizar essa entrega que o amor esponsal exige. Ao ligar-se um ao outro por um amor fiel, exclusivo e indissol\u00favel, que os compromete para sempre, os esposos tornam-se \u201cuma s\u00f3 carne\u201d (Gn 2,24). Essa uni\u00e3o natural, realizada com e por amor, aperfei\u00e7oa-se e consolida-se dia a dia a partir desse mesmo amor.  A aventura do matrim\u00f3nio \u00e9, al\u00e9m disso, frutificante: a fam\u00edlia \u00e9 \u201co santu\u00e1rio da vida\u201d (7) e est\u00e1 ao servi\u00e7o da vida. A comunh\u00e3o conjugal \u00e9 uma uni\u00e3o din\u00e2mica, que se prolonga na fecundidade. Est\u00e1 ordenada, por meio da procria\u00e7\u00e3o, \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da comunidade familiar.  Os filhos, como fruto do amor, s\u00e3o, por sua vez, fonte do amor. Eles d\u00e3o sentido \u00e0 vida dos c\u00f4njuges e tornam-se um dom para os pais. Os filhos \u201cn\u00e3o s\u00e3o um \u2018acess\u00f3rio\u2019 no projecto de uma vida conjugal; s\u00e3o, antes, um \u2018dom precios\u00edssimo\u2019 inscrito na pr\u00f3pria estrutura da uni\u00e3o conjugal\u201d (8).  <b>A comunidade familiar<\/b>  7. A comunh\u00e3o conjugal, nascida do amor que o homem e a mulher decidem partilhar um com o outro e que assumem atrav\u00e9s de um compromisso est\u00e1vel, constitui o fundamento sobre o qual se continua a edificar a mais ampla comunh\u00e3o da fam\u00edlia: dos pais e dos filhos, dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s entre si, dos parentes e de outros familiares. Assim, \u201ca fam\u00edlia torna-se um laborat\u00f3rio de humaniza\u00e7\u00e3o e de verdadeira solidariedade\u201d (9). Tal comunh\u00e3o radica-se nos la\u00e7os naturais da carne e do sangue, e desenvolve-se encontrando o seu aperfei\u00e7oamento propriamente humano na instaura\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os ainda mais profundos e ricos do esp\u00edrito: o amor, que anima as rela\u00e7\u00f5es interpessoais dos diversos membros da fam\u00edlia, constitui a for\u00e7a interior que plasma e vivifica a comunh\u00e3o e a comunidade familiar.  A fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9, portanto, chamada a fazer a experi\u00eancia de uma comunh\u00e3o nova e original, que confirma e aperfei\u00e7oa a comunh\u00e3o natural e humana. \u201cTodos os membros da fam\u00edlia, cada um segundo o dom que lhe \u00e9 peculiar, possuem a gra\u00e7a e a responsabilidade de construir, dia ap\u00f3s dia, a comunh\u00e3o de pessoas, fazendo da fam\u00edlia uma \u00abescola de humanismo mais completo e mais rico\u00bb: \u00e9 o que vemos surgir com o cuidado e o amor para com os mais pequenos, os doentes e os anci\u00e3os; com o servi\u00e7o reciproco de todos os dias; com a comparticipa\u00e7\u00e3o nos bens, nas alegrias e nos sofrimentos\u201d (10).   8. Um elemento fundamental para construir esta comunh\u00e3o \u201c\u00e9 o interc\u00e2mbio educativo entre pais e filhos, no qual cada um deles d\u00e1 e recebe. Mediante o amor, o respeito e a obedi\u00eancia aos pais, os filhos d\u00e3o o seu contributo espec\u00edfico e insubstitu\u00edvel para a edifica\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia autenticamente humana e crist\u00e3. Isso ser-lhes-\u00e1 facilitado, se os pais exercerem a sua autoridade irrenunci\u00e1vel como um \u00abminist\u00e9rio\u00bb verdadeiro e pessoal, ou seja, como um servi\u00e7o ordenado ao bem humano e crist\u00e3o dos filhos, destinado particularmente a proporcionar-lhes uma liberdade verdadeiramente respons\u00e1vel; e se os pais mantiverem viva a consci\u00eancia do \u00abdom\u00bb que recebem continuamente dos filhos\u201d (11).   <b>Valores constitutivos da fam\u00edlia<\/b>  9. A comunh\u00e3o familiar s\u00f3 pode ser conservada e aperfei\u00e7oada atrav\u00e9s de um esfor\u00e7o quotidiano de todos os membros da fam\u00edlia. Exige, de facto, de todos e de cada um, a generosidade, a disponibilidade para partilhar, a compreens\u00e3o, a toler\u00e2ncia, o perd\u00e3o, a cont\u00ednua abertura \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, a solidariedade na ajuda m\u00fatua, a fidelidade \u00e0s pessoas e ao projecto comum, o respeito pela vida e pela dignidade de cada elemento que integra a comunidade familiar, a intimidade constru\u00edda na ternura e na doa\u00e7\u00e3o.  Servida por estes valores, a fam\u00edlia desempenhar\u00e1 um papel preponderante na realiza\u00e7\u00e3o das pessoas que a integram e na humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade.   <b>II LUZES E SOMBRAS DA FAM\u00cdLIA NA SOCIEDADE CONTEMPOR\u00c2NEA<\/b>  10. Mesmo num tempo de \u201ccrise de civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, como aparenta ser o nosso, a fam\u00edlia continua a ser a realidade base do equil\u00edbrio da sociedade e o principal foco da estabilidade e da esperan\u00e7a. Nenhuma crise consegue ofuscar a beleza de tantas fam\u00edlias que, vivendo empenhadamente o mist\u00e9rio do amor, apoiadas pela for\u00e7a sacramental do matrim\u00f3nio, constroem, no discernimento cont\u00ednuo das circunst\u00e2ncias mut\u00e1veis, aut\u00eanticas comunidades de vida e de amor, alicer\u00e7adas na fidelidade, generosas no servi\u00e7o \u00e0  vida, felizes na alegria que comunicam, verdadeiras \u201cexpress\u00f5es dom\u00e9sticas\u201d do mist\u00e9rio da Igreja de Jesus Cristo. Mas esta luz que emana de tantas fam\u00edlias felizes e que fundamentam a nossa esperan\u00e7a, n\u00e3o nos pode fazer ignorar os problemas reais e os perigos que amea\u00e7am a estabilidade das fam\u00edlias e levam, at\u00e9, a perder de vista a verdade segura sobre a sua natureza e miss\u00e3o. Mesmo que muitas fam\u00edlias n\u00e3o estejam em crise, a cultura contempor\u00e2nea provocou uma crise da institui\u00e7\u00e3o familiar. Analisaremos agora, ali\u00e1s na sequ\u00eancia do Congresso da Fam\u00edlia, algumas das componentes dessa crise.  <b>Dificuldades resultantes da cultura ambiente<\/b>  11. A \u00e9poca moderna trouxe ao homem a consci\u00eancia da sua individualidade. O homem descobriu-se como um ser \u00fanico, original, diferente, insubstitu\u00edvel, irrepet\u00edvel e aut\u00f3nomo. Este movimento foi positivo: levou \u00e0 descoberta do valor supremo e intr\u00ednseco de cada ser humano, \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o dos direitos e da dignidade de cada pessoa, ao encontro com alguns valores essenciais, como a liberdade, o pluralismo e a responsabilidade. No entanto, a descoberta da individualidade conduziu, tamb\u00e9m, ao individualismo. \u201cO individualismo sup\u00f5e um uso da liberdade pelo qual o sujeito faz o que quer, estabelecendo ele mesmo \u00aba verdade\u00bb do que gosta ou do que lhe \u00e9 \u00fatil. N\u00e3o admite que outro \u00abqueira\u00bb ou exija algo dele em nome de uma verdade objectiva. N\u00e3o quer \u00abdar\u00bb a outro baseando-se na verdade; n\u00e3o quer converter-se numa entrega sincera. O individualismo \u00e9, portanto, egoc\u00eantrico e ego\u00edsta\u201d (12).   12. Fortemente marcada por essa din\u00e2mica de ego\u00edsmo e de egocentrismo, a cultura do nosso tempo apresenta sinais de degrada\u00e7\u00e3o preocupante quanto a alguns valores fundamentais.  \u00c9 uma cultura do provis\u00f3rio, que d\u00e1 prioridade ao que \u00e9 ef\u00e9mero sobre as realidades perenes com a marca da eternidade: prop\u00f5e que se viva ao sabor do imediato e do momento, e subalterniza as op\u00e7\u00f5es definitivas, os valores duradouros.  \u00c9 uma cultura do prazer, que orienta para a satisfa\u00e7\u00e3o imediata e ego\u00edsta dos pr\u00f3prios anseios e desejos: ao apresentar o amor e a sexualidade como objecto de consumo imediato e descomprometido, banaliza e empobrece a concep\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o sexual humana e esconde ao homem o horizonte da verdadeira felicidade.  \u00c9 uma cultura do consumo e do bem-estar material: ao criar ilus\u00f5es e necessidades in\u00fateis, ao seduzir os homens com o brilho dos bens perec\u00edveis, ao potenciar o reinado do \u00abter\u00bb sobre o \u00abser\u00bb, escraviza o homem e relativiza a busca da identidade espiritual.  \u00c9 uma cultura da facilidade, que ensina a evitar tudo o que exige esfor\u00e7o, sofrimento e luta: produz pessoas incapazes de lutar por objectivos exigentes e por realizar projectos que exijam esfor\u00e7o, fidelidade, compromisso e sacrif\u00edcio.  \u00c9 uma cultura do indiv\u00edduo: ao sublinhar fortemente os direitos e deveres do indiv\u00edduo, anula a dimens\u00e3o de comunh\u00e3o e fere de morte a fam\u00edlia como comunidade de vida e de amor.  \u00c9 uma cultura irrespons\u00e1vel, que relativiza os princ\u00edpios \u00e9ticos: prepara leis destinadas a regular as \u201ccrises\u201d, sem se preocupar em atacar os comportamentos inadequados e em educar para um projecto de valores verdadeiros. \u00c9 uma cultura de morte: desvaloriza de forma dram\u00e1tica a vida humana e aceita, com leviandade, que l\u00f3gicas utilitaristas e materialistas se sobreponham aos direitos das crian\u00e7as n\u00e3o nascidas, dos d\u00e9beis, dos doentes e das pessoas idosas. \u00c9 uma cultura mediatizada: todos estes tra\u00e7os culturais imp\u00f5em-se, continuamente, \u00e0s fam\u00edlias, atrav\u00e9s da avalanche dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, alterando fortemente os ritmos familiares e n\u00e3o deixando espa\u00e7o para um discernimento sadio da realidade familiar.  <b>Dificuldades resultantes das estruturas sociais<\/b>  13. O urbanismo &#8211; A expans\u00e3o econ\u00f3mica verificada nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas foi acompanhada por uma forte especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que encareceu significativamente o pre\u00e7o da habita\u00e7\u00e3o. A compra ou o aluguer da casa tornou-se um peso enorme para a economia familiar, afectando sobretudo os casais jovens. A\u00ed reside, precisamente, uma das raz\u00f5es fundamentais para o atraso na idade de contrair matrim\u00f3nio e para a redu\u00e7\u00e3o ao m\u00ednimo do n\u00famero de filhos, pois s\u00e3o necess\u00e1rios, na maior parte dos casos, dois ordenados para sustentar a economia familiar e o trabalho da mulher chega a estar amea\u00e7ado no caso de ficar gr\u00e1vida. \u201cA prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, profissional e de habita\u00e7\u00e3o em que muitos jovens se encontram ao casar dificulta-lhes a adapta\u00e7\u00e3o ao novo modo de viver e a estabiliza\u00e7\u00e3o numa vida de casados equilibrada, confiante e feliz. Muitas vezes os jovens casam endividados, sem emprego seguro, sem casa pr\u00f3pria ou com habita\u00e7\u00e3o inadequada (&#8230;), vendo-se compelidos a priva\u00e7\u00f5es, hor\u00e1rios desencontrados e promiscuidades que se reflectem negativamente na sua vida de casados e lhes tolhem as for\u00e7as indispens\u00e1veis ao cultivo dos valores mais altos\u201d (13). O aumento significativo do n\u00famero de pessoas que se v\u00eaem obrigadas a residir em locais demasiado afastados do local de trabalho tem constitu\u00eddo, tamb\u00e9m, um factor negativo para a vida familiar. A \u2018periferiza\u00e7\u00e3o\u2019 das fam\u00edlias leva ao aumento do tempo de desloca\u00e7\u00e3o entre a casa e o trabalho, diminuindo o tempo dispon\u00edvel para o encontro familiar e constituindo um obst\u00e1culo ao relacionamento, quer entre os c\u00f4njuges, quer entre os pais e os filhos. Verifica-se, por outro lado, uma forte tend\u00eancia para a redu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o oferecido, em muitas casas recentemente constru\u00eddas, o que dificulta a fam\u00edlia ampla e a presen\u00e7a das pessoas mais idosas na conviv\u00eancia do lar.  Finalmente, o crescimento das \u00e1reas urbanas tem sido feito, em muitos casos, sem um projecto sustentado e que tenha em conta o bem-estar das pessoas e das fam\u00edlias. V\u00e1rios n\u00facleos habitacionais t\u00eam sido implantados e crescem, \u201csem os equipamentos sociais indispens\u00e1veis, como escolas, servi\u00e7os de sa\u00fade e locais de culto. Faltam, de igual modo, espa\u00e7os adequados ao correcto desenvolvimento da vida social: zonas arborizadas e jardins, lugares para a pr\u00e1tica do desporto e ocupa\u00e7\u00e3o dos tempos livres, recintos para actividades culturais e associativas\u201d (14). Instaladas em cidades de bet\u00e3o onde falta \u201cqualidade de vida\u201d, torna-se dif\u00edcil, para as fam\u00edlias crescerem numa atmosfera de equil\u00edbrio, de harmonia, de tranquilidade e de serenidade; e isso acaba por ter, a curto prazo, custos incalcul\u00e1veis no que diz respeito \u00e0 estabilidade familiar.   14. O desemprego &#8211; O desemprego e o trabalho prec\u00e1rio constituem, nos nossos dias, uma das mais s\u00e9rias amea\u00e7as \u00e0 fam\u00edlia. Ao trazerem instabilidade, inseguran\u00e7a e desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, destroem a harmonia, o equil\u00edbrio e a paz familiar. Atingindo, por vezes, as dimens\u00f5es de uma aut\u00eantica \u201ccalamidade social\u201d (15), s\u00e3o uma fonte de pobreza que fragiliza os indiv\u00edduos e as fam\u00edlias. Uma das suas consequ\u00eancias \u00e9 a dificuldade em prover \u00e0s necessidades fundamentais, nomeadamente o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura e \u00e0 assist\u00eancia na sa\u00fade. Com frequ\u00eancia, o desemprego \u00e9 respons\u00e1vel pelo endividamento das fam\u00edlias, provocando situa\u00e7\u00f5es verdadeiramente dram\u00e1ticas de mis\u00e9ria e de depend\u00eancia.  Outro dos efeitos do desemprego \u00e9 impedir os indiv\u00edduos de desenvolverem as suas capacidades e de as porem ao servi\u00e7o do bem comum. Afastados do mercado do trabalho, os desempregados sentem a dolorosa sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o serem reconhecidos nem \u00fateis \u00e0 sociedade. Muitas vezes, esta situa\u00e7\u00e3o degenera em fen\u00f3menos de viol\u00eancia, de prostitui\u00e7\u00e3o, de alcoolismo, de delinqu\u00eancia e de desequil\u00edbrio familiar.  Entre as pessoas dolorosamente atingidas pelo desemprego, encontra-se um n\u00famero significativo de jovens. A dificuldade em aceder ao mercado de trabalho leva muitos jovens a sentirem dificuldades para encontrar o seu espa\u00e7o na sociedade. A instabilidade da\u00ed decorrente \u00e9 respons\u00e1vel, muitas vezes, pelo adiamento do matrim\u00f3nio e por desequil\u00edbrios diversos que afectam a unidade familiar.  15. A injusti\u00e7a fiscal &#8211; O sistema fiscal vigente ignora a centralidade da fam\u00edlia na sociedade e apresenta-se, em geral, desfavor\u00e1vel \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e dos valores familiares.  O regime fiscal a que as fam\u00edlias est\u00e3o sujeitas desencoraja a natalidade e penaliza, sobretudo, as fam\u00edlias numerosas, constituindo um incentivo a que os casais limitem, por raz\u00f5es econ\u00f3micas, o n\u00famero de filhos. A tributa\u00e7\u00e3o fiscal, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem em conta, de um modo coerente, a fam\u00edlia, como chega a tributar mais gravosamente o cidad\u00e3o enquanto membro de uma fam\u00edlia do que o seria fora dela.  Falta, na realidade, uma pol\u00edtica que centre o sistema fiscal na fam\u00edlia e que privilegie o tratamento fiscal dos rendimentos integrados num agregado familiar. Falta, igualmente, uma pol\u00edtica de incentivos \u00e0s empresas que desenvolvam uma pol\u00edtica de apoio \u00e0s fam\u00edlias dos seus trabalhadores, nomeadamente atrav\u00e9s de creches, infant\u00e1rios e presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade.  16. A pouca protec\u00e7\u00e3o dada \u00e0 maternidade &#8211; A incorpora\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho &#8211; umas vezes imposta pelas necessidades da economia familiar, outras pela ideia de que o valor e a dignidade da mulher se baseiam na sua profiss\u00e3o remunerada &#8211; obriga a que, em muitos casos, ela trabalhe todo o dia fora de casa. Na pr\u00e1tica, isto pode significar, para a mulher, a ren\u00fancia \u00e0 maternidade ou, na melhor das hip\u00f3teses, a redu\u00e7\u00e3o ao m\u00ednimo do n\u00famero de filhos. A fadiga resultante da actividade laboral, a necessidade de ser competitiva e a realiza\u00e7\u00e3o profissional tornam mais dif\u00edcil que a mulher possa dar aos filhos o cuidado, o amor, o afecto e a aten\u00e7\u00e3o de que estes necessitam para se desenvolverem de forma equilibrada. Tal realidade n\u00e3o resulta, em muitos casos, da vontade da mulher, mas da impossibilidade de conciliar objectivamente a sua dupla condi\u00e7\u00e3o de trabalhadora e de m\u00e3e. As exig\u00eancias da actividade laboral traduzem-se na redu\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o familiar e na falta de tempo para a conviv\u00eancia em casa. Dessa forma, debilita-se a for\u00e7a interna das rela\u00e7\u00f5es pessoais e degrada-se o papel educador dos pais na sua rela\u00e7\u00e3o pessoal com os filhos.  <b>Fragilidades internas \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia<\/b>  17. Os abusos da liberdade individual &#8211; O individualismo trouxe a corrup\u00e7\u00e3o do conceito e exerc\u00edcio da liberdade. A liberdade pessoal aparece, frequentemente, como afirma\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio e dos interesses ego\u00edstas e n\u00e3o como capacidade de se dar ao outro numa rela\u00e7\u00e3o afectiva profunda e definitiva. Numa sociedade em que o ideal de vida \u00e9 a independ\u00eancia, as rela\u00e7\u00f5es conjugais e familiares s\u00e3o vistas como uma pesada carga que rouba a liberdade e que \u00e9 causa de sofrimento e de infelicidade. Esta deforma\u00e7\u00e3o do significado da liberdade tem introduzido perturba\u00e7\u00f5es graves no seio da vida familiar, quer na rela\u00e7\u00e3o do casal, quer na rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos. A fam\u00edlia torna-se, assim, um conjunto de indiv\u00edduos com direitos e deveres regulados pela Lei, e n\u00e3o uma comunidade de vida e amor, onde o exerc\u00edcio da liberdade se traduz no dom de si pr\u00f3prio, na partilha, na solidariedade e no servi\u00e7o feito por amor.  18. As trai\u00e7\u00f5es ao amor e \u00e0 vida &#8211; Pelo compromisso matrimonial, os c\u00f4njuges ligam-se um ao outro por um amor fiel, exclusivo e indissol\u00favel que os compromete para sempre numa vida de partilha, de doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e de entrega total. Contudo, diversas situa\u00e7\u00f5es vividas nas fam\u00edlias atentam contra este compromisso: o individualismo, a infidelidade, a promiscuidade sexual, a mentira, a incapacidade para se dar totalmente, a procura do pr\u00f3prio prazer e dos pr\u00f3prios interesses por cima dos interesses comuns, a ruptura do compromisso matrimonial. S\u00e3o trai\u00e7\u00f5es ao amor que fracturam e, muitas vezes, ferem de morte a comunidade familiar. O div\u00f3rcio aparece, neste contexto, como uma das mais graves formas de trai\u00e7\u00e3o ao amor. O compromisso matrimonial sup\u00f5e, por outro lado, um compromisso com a vida. As manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e de desrespeito pela dignidade do outro &#8211; do c\u00f4njuge, dos filhos, dos idosos, dos doentes, das pessoas portadoras de defici\u00eancia &#8211; s\u00e3o trai\u00e7\u00f5es \u00e0 vida. O aborto provocado \u00e9, na perspectiva do Magist\u00e9rio da Igreja, um crime contra a vida \u201cparticularmente grave e abjur\u00e1vel\u201d (16). Tudo aquilo que nega a voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia a ser \u201csantu\u00e1rio da vida\u201d atenta contra a verdade e a integridade da pr\u00f3pria fam\u00edlia.  19. A pobreza da dimens\u00e3o espiritual e sobrenatural &#8211; Seguindo o sentido geral da cultura do nosso tempo &#8211; onde o divino deixou de ser um elemento significativo para a vida di\u00e1ria dos homens &#8211; muitas fam\u00edlias reduzem o seu horizonte a uma perspectiva de bem-estar material e constroem a sua exist\u00eancia \u00e0 margem dos valores transcendentes. A indiferen\u00e7a face a Deus e aos seus projectos, a falta de tempo para a ora\u00e7\u00e3o pessoal e familiar, a indisponibilidade para a escuta e a reflex\u00e3o da Palavra de Deus, a falta de participa\u00e7\u00e3o na vida sacramental e eclesial e a insensibilidade face aos valores evang\u00e9licos traduzem-se no empobrecimento da dimens\u00e3o espiritual e sobrenatural.   20. Em geral, o n\u00e3o cultivo dos valores que s\u00e3o constitutivos da fam\u00edlia, amea\u00e7a a solidez da institui\u00e7\u00e3o familiar e impede-a de concretizar no mundo a sua voca\u00e7\u00e3o de sinal e instrumento do amor de Deus.   <b>As fam\u00edlias em situa\u00e7\u00f5es especiais<\/b>  21. As fam\u00edlias em que pelo menos um dos c\u00f4njuges \u00e9 \u201crecasado\u201d &#8211; O div\u00f3rcio \u00e9 sempre uma crise extremamente dolorosa. A separa\u00e7\u00e3o provoca, quase sempre, nos c\u00f4njuges sentimentos de fracasso e de perda; nos filhos, o div\u00f3rcio provoca, muitas vezes, sentimentos de raiva, de medo, de abandono, de tristeza ou at\u00e9 de culpa.  Muitos divorciados caminham para um novo casamento; e o novo enquadramento familiar ressente-se, frequentemente, do quadro negativo que acompanhou a anterior separa\u00e7\u00e3o de um ou dos dois c\u00f4njuges. Tanto os ex-c\u00f4njuges como os filhos do casal passam a ter que se adaptar a novas situa\u00e7\u00f5es, desde as rotinas do dia a dia a refer\u00eancias mais importantes, como a transfer\u00eancia de escola ou de emprego, de resid\u00eancia, de bairro, de cidade, ou mesmo de pa\u00eds. Al\u00e9m disso, na fam\u00edlia recasada os limites dos subsistemas familiares s\u00e3o mais perme\u00e1veis, a autoridade paterna e materna \u00e9 dividida com outros membros da fam\u00edlia: h\u00e1 uma maior complexidade na constitui\u00e7\u00e3o familiar &#8211; \u00e0s vezes oito av\u00f3s, irm\u00e3os, meios-irm\u00e3os, filhos da mulher do pai, filhos do marido da m\u00e3e. Esta complexidade das rela\u00e7\u00f5es leva, em certos casos, a dificuldades de enquadramento que afectam o desenvolvimento emocional da crian\u00e7a e do adolescente. Tal situa\u00e7\u00e3o arrasta consigo, n\u00e3o raras vezes, problemas emocionais e psico-som\u00e1ticos, que se traduzem na dificuldade em lidar com os \u201cnovos pais\u201d, em agressividade, em fechamento, em problemas de identifica\u00e7\u00e3o familiar e social.  22. As fam\u00edlias com filhos portadores de defici\u00eancia &#8211; O problema dos cidad\u00e3os portadores de defici\u00eancia marca o dia a dia de muitas fam\u00edlias. Trata-se de uma quest\u00e3o que ainda n\u00e3o encontrou uma resposta satisfat\u00f3ria por parte dos poderes p\u00fablicos. Os problemas come\u00e7am, desde logo, no acesso das crian\u00e7as portadoras de defici\u00eancia \u00e0s creches e infant\u00e1rios onde, com frequ\u00eancia, n\u00e3o existem condi\u00e7\u00f5es para as receberem. Isto implica, nalguns casos, que um dos pais tenha de renunciar ao seu emprego para assistir o filho portador de defici\u00eancia nos primeiros anos de vida. Os problemas continuam na escola regular, onde nem sempre existem condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e humanas para assegurar ao cidad\u00e3o portador de defici\u00eancia uma integra\u00e7\u00e3o\/inclus\u00e3o efectiva. As institui\u00e7\u00f5es de ensino especial s\u00e3o escassas e nem sempre conseguem dar uma resposta adequada aos desafios que, a este n\u00edvel, lhes s\u00e3o postos.  Sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de qualidade, os cidad\u00e3os portadores de defici\u00eancia v\u00eam-se impossibilitados de aceder ao mercado normal de trabalho em condi\u00e7\u00f5es de igualdade. Assim, as pessoas portadoras de defici\u00eancia est\u00e3o destinadas a integrar indefinidamente o grupo dos desempregados ou dos trabalhadores mal remunerados e v\u00eaem, assim, limitadas as suas possibilidades de integra\u00e7\u00e3o social, de realiza\u00e7\u00e3o profissional e at\u00e9 de constituir fam\u00edlia. Trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o que onera a comunidade familiar e que constitui um drama na vida de muitas das nossas fam\u00edlias.  23. As fam\u00edlias monoparentais &#8211; Nos \u00faltimos anos tem aumentado significativamente o n\u00famero de fam\u00edlias monoparentais. As raz\u00f5es que est\u00e3o por detr\u00e1s desta realidade s\u00e3o de \u00edndole diversa &#8211; uma maternidade ou paternidade solteira, o div\u00f3rcio civil, a nulidade can\u00f3nica da uni\u00e3o anterior, uma viola\u00e7\u00e3o, ou outras; mas o facto significa, em qualquer caso, uma defici\u00eancia no quadro familiar. Desde logo, a falta da imagem do pai ou da m\u00e3e como figura de refer\u00eancia pode constituir, para a educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, uma grave lacuna. Frequentemente, essa lacuna tem consequ\u00eancias posteriores mais ou menos graves, quer ao n\u00edvel do equilibrado desenvolvimento pessoal, quer ao n\u00edvel do aproveitamento escolar e da forma\u00e7\u00e3o em geral, quer ao n\u00edvel da capacidade de integra\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o social. Outros factores contribuem para onerar a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia monoparental. Trata-se, em geral, de uma fam\u00edlia com menos recursos econ\u00f3micos e que, por isso, tem menos facilidade em aceder aos bens essenciais, nomeadamente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 cultura; o chefe de uma fam\u00edlia monoparental tem, em geral, maior dificuldade em inserir-se no mercado laboral at\u00e9 porque, com frequ\u00eancia, \u00e9 obrigado a ausentar-se do seu posto de trabalho para cuidar do filho; o chefe de uma fam\u00edlia monoparental, pelo facto de ter de assumir sozinho todas as tarefas dos pais, vive num clima de cansa\u00e7o, de tens\u00e3o e de preocupa\u00e7\u00f5es que acaba por afectar o equil\u00edbrio de toda a comunidade familiar.   24. A situa\u00e7\u00e3o dos idosos &#8211; A evolu\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-cient\u00edfica, a melhoria da higiene, da salubridade e das condi\u00e7\u00f5es de vida globais, provocaram o aumento da esperan\u00e7a de vida. Como consequ\u00eancia, aumentou significativamente o n\u00famero de pessoas idosas na sociedade actual. Trata-se de uma quest\u00e3o que, al\u00e9m do seu impacto \u00f3bvio nas estruturas sociais, laborais e econ\u00f3micas, tem tamb\u00e9m consequ\u00eancias s\u00e9rias na comunidade familiar. Muitos idosos, por vontade pr\u00f3pria ou por exig\u00eancia das circunst\u00e2ncias, vivem sozinhos, numa situa\u00e7\u00e3o de especial vulnerabilidade. Por vezes, essa realidade significa pobreza, isolamento, solid\u00e3o, esquecimento, tristeza e desamparo, apesar do apoio e do acompanhamento das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social p\u00fablicas ou privadas. A natural susceptibilidade a certas doen\u00e7as, a maior frequ\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es degenerativas, a diminui\u00e7\u00e3o da acuidade dos sentidos, a eventual incapacidade f\u00edsica ou ps\u00edquica, tornam as pessoas e os casais que fazem parte deste grupo et\u00e1rio especialmente d\u00e9beis e necessitadas. As suas car\u00eancias econ\u00f3micas n\u00e3o lhes permitem, muitas vezes, ter acesso a determinados bens de primeira necessidade &#8211; nomeadamente aos cuidados de sa\u00fade &#8211; nem o aproveitamento do tempo de lazer a que t\u00eam direito.  Muitos idosos est\u00e3o, felizmente, integrados em comunidades familiares mais alargadas, constitu\u00eddas pelos seus descendentes. Nesse contexto eles t\u00eam, normalmente, um papel muito importante na consolida\u00e7\u00e3o da estrutura familiar. Para os filhos e para os netos, eles d\u00e3o testemunho do valor da fam\u00edlia e \u201cs\u00e3o, por sua natureza, fonte de d\u00e1divas, tesouro de experi\u00eancias, conselheiros s\u00e1bios e prudentes\u201d (17).  A sua presen\u00e7a e a sua afectividade s\u00e3o particularmente importantes no apoio, no acompanhamento e na transmiss\u00e3o de valores \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens da comunidade familiar.  As necessidades particulares dos idosos dependentes &#8211; por motivo de defici\u00eancia profunda, doen\u00e7a grave ou idade avan\u00e7ada &#8211; constituem, contudo, uma realidade a que as fam\u00edlias nem sempre conseguem dar a resposta adequada. A exiguidade e a falta de condi\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o familiar, a dificuldade &#8211; por parte dos filhos &#8211; em conciliarem a vida profissional com o acompanhamento dos pais em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, constituem uma grave dificuldade experimentada por muitas fam\u00edlias.     25. As fam\u00edlias deslocadas (os migrantes) &#8211; A realidade da migra\u00e7\u00e3o sente-se, entre n\u00f3s, numa dupla direc\u00e7\u00e3o: por um lado, nos milhares de portugueses que emigraram, procurando noutros pa\u00edses melhores condi\u00e7\u00f5es materiais; por outro, no n\u00famero daqueles que, mais recentemente, demandam Portugal como p\u00e1tria de acolhimento.  Nos \u00faltimos anos testemunh\u00e1mos um fluxo migrat\u00f3rio sem precedentes. Muitas das pessoas envolvidas nessa corrente migrat\u00f3ria foram coagidas a deixar a sua terra, o seu c\u00edrculo familiar e as suas ra\u00edzes s\u00f3cio-culturais para encontrar, num pa\u00eds de acolhimento, uma vida melhor, para elas e para as suas fam\u00edlias. Frequentemente, depois de uma viagem cheia de dificuldades e priva\u00e7\u00f5es, os imigrantes caem nas m\u00e3os de redes de tr\u00e1fico de pessoas e s\u00e3o explorados por empregadores sem escr\u00fapulos. Apesar da sua contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do pa\u00eds onde se estabelecem, nem sempre encontram mecanismos legais que defendam os seus direitos e s\u00e3o, muitas vezes, v\u00edtimas de actos de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o. Num contexto s\u00f3cio-cultural estranho e, por vezes, adverso, o seu desenraizamento constitui um factor acrescido de marginaliza\u00e7\u00e3o. A separa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, al\u00e9m de aumentar o seu sofrimento e solid\u00e3o, enfraquece as rela\u00e7\u00f5es familiares e contribui para a desagrega\u00e7\u00e3o da comunidade familiar. Nos casos em que \u00e9 poss\u00edvel o reagrupamento familiar no pa\u00eds de acolhimento, a fam\u00edlia migrante enfrenta novos e dif\u00edceis desafios. Para uma elevada percentagem de imigrantes e seus filhos, as oportunidades de integra\u00e7\u00e3o est\u00e3o limitadas pela sua dificuldade em dominar a l\u00edngua do pa\u00eds que os acolheu, pelo choque de culturas, pelo seu baixo poder econ\u00f3mico, pela discrimina\u00e7\u00e3o e desvantagem no mercado de trabalho, pela segrega\u00e7\u00e3o residencial, pela escassa participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical, pela dificuldade em aceder ao sistema de sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura, pelo desemprego e pelo racismo. S\u00e3o, portanto, fam\u00edlias especialmente vulner\u00e1veis \u00e0 agress\u00e3o do meio e que t\u00eam, frequentemente, dificuldades em encontrar o seu equil\u00edbrio, o seu enquadramento e a sua realiza\u00e7\u00e3o.  26. Temos consci\u00eancia de que este quadro significa, para a realidade familiar, um enorme desafio. Contudo, encaramos o futuro com confian\u00e7a e esperan\u00e7a, convictos de que as fam\u00edlias saber\u00e3o encontrar o seu caminho, realizar as necess\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es, conservar os valores perenes e continuar a desempenhar, com fidelidade, o seu papel e a sua miss\u00e3o na Igreja e no mundo.   <b>III O AN\u00daNCIO DO EVANGELHO DO MATRIM\u00d3NIO E DA FAM\u00cdLIA<\/b>  27. A Igreja tem em conta toda esta complexa e multifacetada realidade familiar e n\u00e3o fecha os olhos \u201c\u00e0s dificuldades e aos dramas que a experi\u00eancia hist\u00f3rica concreta regista na vida das fam\u00edlias\u201d (18). Sacramento de salva\u00e7\u00e3o no mundo e no meio dos homens, a Igreja \u00e9 chamada a dar testemunho do amor materno e paterno de Deus, que se derrama sobre os homens independentemente das suas dificuldades, crises, fracassos e debilidades.  Tendo em conta que todas as pessoas, de um modo ou de outro, pertencem a uma fam\u00edlia, a Igreja quer manifestar a sua solicitude e oferecer a sua ajuda \u201ca quem, conhecendo j\u00e1 o valor do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia, procura viv\u00ea-lo fielmente, a quem, incerto e ansioso, anda \u00e0 procura da verdade e a quem est\u00e1 impedido de viver livremente o pr\u00f3prio projecto familiar. Sustentando os primeiros, iluminando os segundos e ajudando os outros, a Igreja oferece o seu servi\u00e7o a cada homem interessado nos caminhos do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia\u201d (19). Na sua ac\u00e7\u00e3o de ajuda fraterna \u00e0s fam\u00edlias, a Igreja dirige-se a todas as comunidades familiares, crentes ou n\u00e3o crentes. Atrav\u00e9s das suas institui\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 fam\u00edlia, a Igreja manifesta, de forma concreta e sem discrimina\u00e7\u00f5es, o seu servi\u00e7o \u00e0 vida, o seu amor e a sua solicitude pela fam\u00edlia e por cada uma das pessoas que a integram.  <b>Anunciar o Evangelho<\/b>  28. Mas a solicitude da Igreja pela fam\u00edlia manifesta-se, de forma privilegiada, no an\u00fancio do Evangelho. O des\u00edgnio de Deus de dar vida e de chamar o homem \u00e0 comunh\u00e3o da alian\u00e7a manifestou-se, de forma plena, em Jesus Cristo, o Filho Unig\u00e9nito de Deus que se tornou pessoa \u00abe veio habitar no meio de n\u00f3s\u00bb (Jo 1,14). Cumprindo o projecto do Pai, Jesus fez da sua vida um dom de amor. Mostrou aos homens, com palavras e com gestos, que a vida plena est\u00e1 na comunh\u00e3o com Deus e no dom de si pr\u00f3prio aos irm\u00e3os. A sua morte na cruz e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o garantem-nos que a vida em plenitude nasce do dom total, da entrega plena, da comunh\u00e3o com Deus e com os outros homens e mulheres. Ao libertar o homem do ego\u00edsmo e da dureza do cora\u00e7\u00e3o, Ele tornou-o capaz de concretizar essa voca\u00e7\u00e3o ao amor que foi, desde o princ\u00edpio, inscrita por Deus no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa.  Da ac\u00e7\u00e3o e do amor de Jesus nasce a Igreja, comunidade de homens e mulheres que se identificam com Jesus, que aderem \u00e0 sua proposta de vida e que o seguem no caminho do amor e da entrega. Animada pelo Esp\u00edrito Santo, a comunidade eclesial \u00e9 uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, nascida do baptismo e alimentada da eucaristia que, ao longo da sua peregrina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pela terra, vive e testemunha o amor, a comunh\u00e3o e a fraternidade. Corpo vis\u00edvel de Cristo no mundo, ela \u00e9 chamada a continuar na hist\u00f3ria a miss\u00e3o de Jesus: anunciar o projecto de amor do Pai e apontar aos homens os caminhos da vida definitiva.  Esse projecto de amor e de comunh\u00e3o que a Igreja recebeu do seu Senhor e que \u00e9 chamada a anunciar a todos os homens e mulheres, encontra no campo das rela\u00e7\u00f5es familiares um espa\u00e7o privilegiado para se expressar, para crescer e para se desenvolver. A fam\u00edlia, comunh\u00e3o de pessoas unidas por la\u00e7os de amor e de fraternidade, \u00e9 a viv\u00eancia dom\u00e9stica desse mist\u00e9rio de comunh\u00e3o que \u00e9 a Igreja. Por isso, o Conc\u00edlio Vaticano II chamou \u00e0 fam\u00edlia \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d (20).   <b>Proclamar a novidade pascal do Sacramento do matrim\u00f3nio<\/b>  29. O ponto culminante da evangeliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o sacramental do matrim\u00f3nio, sinal do amor esponsal de Cristo pela Igreja. Ao entregar a pr\u00f3pria vida ao outro, numa doa\u00e7\u00e3o total, exclusiva e sem limites, os esposos s\u00e3o sinal do amor do Esposo-Cristo, que \u201camou a Igreja e se entregou a si mesmo por ela para santific\u00e1-la\u201d (Ef 5,25-26). O amor humano inserido na hist\u00f3ria de amor que \u00e9 o plano de salva\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 testemunha de um amor maior que o pr\u00f3prio homem, \u00e9 imagem real do amor de Cristo pela Igreja. O matrim\u00f3nio torna-se, assim, \u201csacramento\u201d, quer dizer, realidade sagrada onde se manifesta a vida de Deus, e sinal eficaz do amor de Deus presente na vida do mundo. Os esposos s\u00e3o, pois, express\u00e3o da eterna alian\u00e7a de Cristo com a nova humanidade redimida. Esta alian\u00e7a indestrut\u00edvel da qual vive a Igreja \u00e9 um dom do Esp\u00edrito e os esposos vivem-na pela indissolubilidade do seu v\u00ednculo, que manifesta como o dom de Deus \u00e9 completamente irrevog\u00e1vel. J\u00e1 na revela\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento o casamento \u00e9 o sinal da alian\u00e7a de Deus com o Seu Povo e \u00e9 na viv\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a que a fam\u00edlia, realidade privilegiada de toda a comunidade de Israel, encontra a for\u00e7a para o seu aprofundamento, na fidelidade. Para os crist\u00e3os, o sacramento do matrim\u00f3nio, sinal concreto das n\u00fapcias de Cristo com a Igreja, \u00e9 a fonte de toda a luz e de toda a gra\u00e7a que os esposos precisam para viver o casamento como caminho de santidade, ou seja, de fidelidade um ao outro e de amor a Cristo ressuscitado.  <b>IV A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL COMO ESPIRITUALIDADE DE COMUNH\u00c3O<\/b>  <b>Espiritualidade de comunh\u00e3o<\/b>  30. A verdadeira fonte da vida familiar \u00e9 o amor de Cristo que introduz a fam\u00edlia na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Ao contemplar, com os olhos do cora\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio da Trindade, a fam\u00edlia descobre a sua voca\u00e7\u00e3o essencial, que \u00e9 a comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os.  Faz parte da vida familiar o cuidado e fomento desse trato pessoal e espec\u00edfico que permite uma comunh\u00e3o de vida expl\u00edcita com Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. \u201c\u00c9 este o m\u00fanus sacerdotal que a fam\u00edlia crist\u00e3 pode e deve exercer em comunh\u00e3o \u00edntima com toda a Igreja, atrav\u00e9s das realidades quotidianas da vida conjugal e familiar. Nesse sentido, a fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 chamada a santificar-se e a santificar a comunidade crist\u00e3 e o mundo\u201d (21). A contempla\u00e7\u00e3o da Trindade, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, deve levar \u00e0 comunh\u00e3o com os irm\u00e3os, quer os que integram a comunidade familiar, que os de fora. Isso significa \u201ca capacidade de sentir o irm\u00e3o de f\u00e9 na unidade do Corpo m\u00edstico, isto \u00e9, como \u00abum que faz parte de mim\u00bb, para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar rem\u00e9dio \u00e0s suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade. (&#8230;) \u00c9, ainda, a capacidade de ver o que h\u00e1 de positivo no outro, para acolh\u00ea-lo e valoriz\u00e1-lo como dom de Deus: um \u00abdom para mim\u00bb, como o \u00e9 para o irm\u00e3o que directamente o recebeu. Por fim (&#8230;), \u00e9 saber criar espa\u00e7o para o irm\u00e3o, levando \u00abos fardos uns dos outros\u00bb (Ga 6,2)&#8221; (22).   <b>Necessidade de tempo para a partilha da f\u00e9 e para o encontro familiar<\/b>  31. Para que seja poss\u00edvel \u00e0 fam\u00edlia desenvolver a espiritualidade da comunh\u00e3o, \u00e9 preciso prever tempos de encontro e de partilha comunit\u00e1ria. A vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 feita apenas de trabalhos, compromissos e tarefas. Nela tem de haver, tamb\u00e9m, lugar para a contempla\u00e7\u00e3o agradecida do amor de Deus, para a ora\u00e7\u00e3o em comum, para a escuta e para a partilha familiar da Palavra de Deus, para a celebra\u00e7\u00e3o familiar da f\u00e9: na partilha da f\u00e9, a fam\u00edlia une-se e descobre-se unida \u00e0 volta da mesma voca\u00e7\u00e3o e do mesmo Senhor.  A espiritualidade da comunh\u00e3o desenvolve-se, ainda, nos momentos de conv\u00edvio familiar, de enriquecimento cultural, de di\u00e1logo sereno, de partilha de conhecimentos e de perspectivas, de procura comum dos caminhos e dos desafios de Deus. No aprofundamento da rela\u00e7\u00e3o familiar, a fam\u00edlia realiza, constr\u00f3i  e fortalece a sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o.   <b>A viv\u00eancia do Domingo<\/b>  32. O Domingo \u00e9 um tempo privilegiado para a constru\u00e7\u00e3o familiar como realidade  de comunh\u00e3o. \u00c9 o dia para, tal como Deus perante a obra criada, lan\u00e7ar \u201cum olhar repleto de jubilosa complac\u00eancia\u201d (23)  sobre o amor, a vida, a rela\u00e7\u00e3o e o trabalho realizado ao longo da semana. \u00c9 um dia \u201csantificado\u201d por Deus para o homem se lembrar que Deus \u00e9 a fonte da vida e do amor, que a Ele pertencem o universo e a hist\u00f3ria, tamb\u00e9m o universo da fam\u00edlia e a sua realidade quotidiana de alegrias e sofrimentos. \u00c9 o dia pascal, em que celebrando a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e o in\u00edcio da nova cria\u00e7\u00e3o, a vida e o amor se reconstroem, \u00abfazendo novas todas as coisas\u00bb (Ap 21,5). Sendo o dia da Igreja, o Domingo \u00e9, tamb\u00e9m, o dia da fam\u00edlia, o dia da \u00abIgreja dom\u00e9stica\u00bb, em que, \u00e0 volta da Eucaristia, s\u00e3o purificados e refor\u00e7ados os la\u00e7os do amor e da unidade. Na escuta da Palavra e na participa\u00e7\u00e3o no sacrif\u00edcio de Cristo na cruz, a fam\u00edlia crist\u00e3 identifica-se mais com o amor esponsal de Cristo que deu a sua vida pela Igreja, amor que \u00e9 fonte do seu amor e do qual ela \u00e9 sinal no mundo. O Domingo \u00e9, tamb\u00e9m, o dia do repouso, da alegria, da celebra\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rios, do conv\u00edvio, do di\u00e1logo entre os esposos e entre pais e filhos, da solidariedade (com os parentes doentes, com os mais idosos, com as fam\u00edlias em dificuldades, com as fam\u00edlias imigradas). A celebra\u00e7\u00e3o e a viv\u00eancia do Domingo crist\u00e3o ser\u00e1, pois, para o casal e para a fam\u00edlia, uma fonte de permanente renova\u00e7\u00e3o do amor que impedir\u00e1 o desgaste, o cansa\u00e7o e o desencanto a que poder\u00e1 estar sujeita a vida conjugal e familiar.  <b>V O CASAMENTO COMO VOCA\u00c7\u00c3O CRIST\u00c3<\/b>  33. O matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Todos os baptizados s\u00e3o chamados \u00e0 plenitude da vida crist\u00e3, \u00e0 vida de filhos de Deus. Enxertados em Cristo pelo baptismo, os crist\u00e3os identificam-se com Cristo e procuram segui-lo no caminho do amor e da entrega. \u00c9 esse o caminho que conduz \u00e0 santidade, meta final da realiza\u00e7\u00e3o plena do homem.  Existem, no entanto, caminhos ou modos diversos de seguir essa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade. O matrim\u00f3nio \u00e9 um deles: assinala aos casados o modo concreto como devem viver a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 iniciada no baptismo.  Esta caminhada rumo \u00e0 santidade, atrav\u00e9s da viv\u00eancia do amor matrimonial, n\u00e3o teria sentido, para os casais crist\u00e3os, se n\u00e3o fosse feita em Igreja, pois \u00e9 na Igreja que se manifesta a plenitude da vida de Deus, caminho de santidade e de realiza\u00e7\u00e3o do homem e da mulher.  <b>Processo de discernimento<\/b>  34. Como toda a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o matrim\u00f3nio sup\u00f5e um discernimento, baseado n\u00e3o apenas na voz da natureza, mas na perspectiva sobrenatural de quem escuta a voz do Senhor que chama. A caminhada para o matrim\u00f3nio parte do instinto &#8211; inato e fundamental &#8211; que impele a pessoa para a plena realiza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do amor. \u201cO amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa &#8211; chamamento do corpo e do instinto, for\u00e7a do sentimento e da afectividade, aspira\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito e da vontade\u201d (24). A concretiza\u00e7\u00e3o desse anseio traduz-se no progressivo amadurecimento de um projecto de amor e de comunh\u00e3o, que poder\u00e1 desembocar num compromisso matrimonial.  O processo de discernimento e de amadurecimento do projecto matrimonial sup\u00f5e um longo caminho a percorrer. Ao longo desse caminho, os candidatos ao matrim\u00f3nio dever\u00e3o contar com a ajuda dos pais, dos educadores, da comunidade eclesial e de toda a sociedade, no sentido de serem preparados para assumir as responsabilidades que o matrim\u00f3nio exige. A comunidade eclesial, no cumprimento da sua miss\u00e3o evangelizadora, estar\u00e1 presente ao longo de todas as etapas que comp\u00f5em esse caminho, ajudando o homem e a mulher a descobrir o significado do matrim\u00f3nio \u00e0 luz do seu compromisso baptismal, da sua f\u00e9 em Cristo Senhor e na Igreja.   <b>Prepara\u00e7\u00e3o remota<\/b>  35. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio come\u00e7a com a inf\u00e2ncia e inclui a adolesc\u00eancia. \u00c9 nesse per\u00edodo que \u00e9 infundida na crian\u00e7a \u201ca estima por todo o valor humano aut\u00eantico, quer nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, quer nas sociais, com tudo o que significa para a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter, para o dom\u00ednio e recto uso das inclina\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, para o modo de considerar e encontrar as pessoas do outro sexo\u201d (25). \u00c9 uma etapa muito importante da educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 que, por isso, requer uma aten\u00e7\u00e3o especial. A educa\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio, nessa fase, deve ser encarada como um processo gradual que permita \u2013 na matura\u00e7\u00e3o da pessoa \u2013 ter como centro a voca\u00e7\u00e3o ao amor e o reconhecimento do valor espec\u00edfico da esponsalidade.  Os pais, como primeiros e principais educadores dos seus filhos, t\u00eam o direito e o dever de os educar nesta din\u00e2mica. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que se esforcem no sentido de que o seu lar seja um espa\u00e7o de comunh\u00e3o, de ternura, de respeito, de fidelidade, de servi\u00e7o desinteressado ao outro. Com o exemplo e com a palavra, os pais procurar\u00e3o que os filhos se desenvolvam harm\u00f3nica e progressivamente, de maneira que cada um esteja na disposi\u00e7\u00e3o de viver com fidelidade a voca\u00e7\u00e3o recebida de Deus.  36. Esta miss\u00e3o dos pais deve ser complementada pelas outras entidades que interv\u00eam na tarefa educativa, nomeadamente a escola e a comunidade paroquial. Toda a forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, ao revelar o sentido do baptismo e do compromisso com Jesus Cristo, deve educar para o dom de si pr\u00f3prio, para a entrega da pr\u00f3pria vida, para a comunh\u00e3o. A catequese torna-se, assim, um espa\u00e7o privilegiado de descoberta da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o ao amor. A perspectiva matrimonial deve ser colocada, pela catequese, neste enquadramento.  37. A juventude \u00e9, regra geral, o momento natural da elei\u00e7\u00e3o de um estado, o momento em que o jovem se abre a um horizonte mais amplo do que a sua fam\u00edlia de origem e come\u00e7a a discernir e a amadurecer o seu pr\u00f3prio projecto de realiza\u00e7\u00e3o. Nessa fase, podem aparecer itiner\u00e1rios de f\u00e9 explicitamente matrimoniais.  A forma\u00e7\u00e3o espiritual e catequ\u00e9tica dada ao jovem dever\u00e1 ter em conta essa realidade e, utilizando a linguagem e os conte\u00fados apropriados, prepar\u00e1-lo para assumir plenamente a sua voca\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz do baptismo e do compromisso com Cristo. Os catequistas, os animadores da pastoral juvenil e vocacional e, em especial, os pastores dever\u00e3o aproveitar os meios e ocasi\u00f5es de que disp\u00f5em para sublinhar e evidenciar os pontos que contribuam para a prepara\u00e7\u00e3o orientada a um poss\u00edvel matrim\u00f3nio: forma\u00e7\u00e3o doutrinal no evangelho do amor e da fam\u00edlia, crescimento nas virtudes, esp\u00edrito de sacrif\u00edcio e de doa\u00e7\u00e3o, capacidade de comprometer-se, progresso na vida de ora\u00e7\u00e3o, etc. Tamb\u00e9m os movimentos, os grupos e as demais associa\u00e7\u00f5es paroquiais devem colaborar nesta tarefa.  <b>Forma\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima<\/b>  38. O namoro e o noivado s\u00e3o uma etapa avan\u00e7ada na constru\u00e7\u00e3o do projecto matrimonial. Trata-se de uma fase em que a pessoa j\u00e1 descobriu a sua voca\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio e coloca a concretiza\u00e7\u00e3o desse projecto num horizonte pr\u00f3ximo.  A forma\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, nesta fase, deve incluir um \u00abitiner\u00e1rio de f\u00e9\u00bb no qual, de maneira gradual e progressiva, se prepare os jovens para assumir as responsabilidades que dever\u00e3o assumir no \u00e2mbito da vida matrimonial. Tal \u00abitiner\u00e1rio\u00bb formativo dever\u00e1 prever uma identifica\u00e7\u00e3o cada vez mais plena da pessoa com Cristo e com o compromisso baptismal; \u201co aprofundamento da f\u00e9 pessoal, a redescoberta do valor dos sacramentos e a experi\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o; a prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a vida a dois que, apresentando o matrim\u00f3nio como uma rela\u00e7\u00e3o interpessoal do homem e da mulher em cont\u00ednuo desenvolvimento, estimule a aprofundar os problemas da sexualidade conjugal e da paternidade respons\u00e1vel, com os conhecimentos m\u00e9dico-biol\u00f3gicos essenciais que lhe est\u00e3o anexos, e os leve \u00e0 familiaridade com os m\u00e9todos adequados de educa\u00e7\u00e3o dos filhos, favorecendo a aquisi\u00e7\u00e3o dos elementos de base para uma condu\u00e7\u00e3o ordenada da fam\u00edlia; a prepara\u00e7\u00e3o para o apostolado familiar, para a fraternidade e colabora\u00e7\u00e3o com outras fam\u00edlias, para a inser\u00e7\u00e3o activa nos grupos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos e iniciativas que t\u00eam por finalidade o bem humano e crist\u00e3o da fam\u00edlia\u201d (26). O resultado final deste per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dever\u00e1 ser \u201cum claro conhecimento das notas essenciais do matrim\u00f3nio crist\u00e3o: unidade, fidelidade, indissolubilidade, fecundidade; a consci\u00eancia de f\u00e9 sobre a prioridade da Gra\u00e7a sacramental, que associa os esposos, sujeitos e ministros do sacramento, ao amor de Cristo Esposo da Igreja; a disponibilidade em viver a miss\u00e3o pr\u00f3pria das fam\u00edlias no campo educativo, social e eclesial\u201d (27).  39. Neste percurso formativo, os jovens que se preparam para o matrim\u00f3nio dever\u00e3o ser ajudados por toda a comunidade crist\u00e3. Os casais comprometidos na vida eclesial poder\u00e3o dar testemunho da sua experi\u00eancia matrimonial e dos valores fundamentais do matrim\u00f3nio; os catequistas e os pastores, num clima sereno de di\u00e1logo, de amizade, de partilha e de ora\u00e7\u00e3o, ajudar\u00e3o os jovens a descobrir as exig\u00eancias do compromisso matrimonial crist\u00e3o, \u00e0 luz da f\u00e9 e do baptismo; outras pessoas especializadas em v\u00e1rias \u00e1reas (medicina, leis, psicologia, sexualidade), poder\u00e3o ajudar os jovens a preparar-se para enfrentar os desafios, as exig\u00eancias e as obriga\u00e7\u00f5es da vida matrimonial.   <b>A prepara\u00e7\u00e3o imediata<\/b>  40. Aos casais que prev\u00eaem a celebra\u00e7\u00e3o do seu compromisso matrimonial num lapso de tempo relativamente curto, deve ser proporcionada uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Tal prepara\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de privilegiar o aprofundamento da doutrina crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia, deve iniciar os noivos no ritmo matrimonial.   Actualmente, \u00e9 frequente que os noivos solicitem \u00e0 Igreja o sacramento do Matrim\u00f3nio sem terem percorrido um itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico conveniente e sem a adequada prepara\u00e7\u00e3o, quer pr\u00f3xima, quer remota. Nessas circunst\u00e2ncias, \u00e9 preciso oferecer-lhes um esquema de forma\u00e7\u00e3o que responda adequadamente \u00e0s car\u00eancias que manifestam, quer no campo da f\u00e9, quer no campo da prepara\u00e7\u00e3o para assumir os compromissos que o matrim\u00f3nio crist\u00e3o implica.  Os encontros espec\u00edficos de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio s\u00e3o um elemento fundamental neste processo. N\u00e3o devem ser vistos como uma simples formalidade, mas como uma oportunidade privilegiada para \u201cevangelizar o amor\u201d. Os noivos n\u00e3o deveriam ser dispensados desses encontros, a n\u00e3o ser por motivos graves. Al\u00e9m de aprofundar a doutrina crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia no plano de Deus, a prepara\u00e7\u00e3o imediata para o sacramento do Matrim\u00f3nio dever\u00e1 ajudar os noivos a descobrir que, enquanto baptizados em Cristo, assumem o compromisso de viver a sua voca\u00e7\u00e3o matrimonial de forma coerente com a f\u00e9 recebida. A prepara\u00e7\u00e3o imediata para o matrim\u00f3nio dever\u00e1, tamb\u00e9m, ajudar os nubentes a tomar parte consciente e activa na celebra\u00e7\u00e3o nupcial, de forma a que eles entendam o significado dos gestos e dos textos lit\u00fargicos que fazem parte da celebra\u00e7\u00e3o. Finalmente, a prepara\u00e7\u00e3o dever\u00e1 tornar presente, para os noivos, a solicitude e o amor com que a Igreja encara a comunidade familiar.  <b>VI A SOLICITUDE DA IGREJA TRADUZIDA EM AC\u00c7\u00d5ES CONCRETAS<\/b>  <b>Aprofundamento da realidade familiar<\/b>  41. Depois da celebra\u00e7\u00e3o do seu compromisso matrimonial, o casal crist\u00e3o inicia a sua caminhada quotidiana. Nesse caminho, pejado de desafios e de dificuldades de toda a ordem, a fam\u00edlia tem o direito de esperar da comunidade eclesial a ajuda necess\u00e1ria para aprofundar a viv\u00eancia do seu matrim\u00f3nio e dos valores que lhe s\u00e3o inerentes.  Assim, a Igreja procurar\u00e1 ter \u201cpara todas as fam\u00edlias uma palavra de verdade, de bondade, de compreens\u00e3o, de esperan\u00e7a, de participa\u00e7\u00e3o viva nas suas dificuldades por vezes dram\u00e1ticas; a todas oferecer\u00e1 ajuda desinteressada, a fim de que possam aproximar-se do modelo de fam\u00edlia que o Criador quis desde o \u00abprinc\u00edpio\u00bb e que Cristo renovou com a gra\u00e7a redentora\u201d (28).  42. Os meios normais da Gra\u00e7a &#8211; a Palavra e os sacramentos &#8211; constituir\u00e3o meios privilegiados atrav\u00e9s dos quais a Igreja ajudar\u00e1 a comunidade familiar a aprofundar o seu compromisso e a sua voca\u00e7\u00e3o. \u201cCom o an\u00fancio da Palavra de Deus, a Igreja revela \u00e0 fam\u00edlia crist\u00e3 a sua verdadeira identidade, o que ela \u00e9 e deve ser segundo o des\u00edgnio do Senhor; com a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, a Igreja enriquece e corrobora a fam\u00edlia crist\u00e3 com a gra\u00e7a de Cristo em ordem \u00e0 sua santifica\u00e7\u00e3o para a gl\u00f3ria do Pai; com a proclama\u00e7\u00e3o reiterada do mandamento novo da caridade, a Igreja anima e guia a fam\u00edlia crist\u00e3 ao servi\u00e7o do amor, a fim de que imite e reviva o mesmo amor de doa\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio, que o Senhor Jesus nutre pela humanidade inteira\u201d (29).  <b>Movimentos associativos de fam\u00edlias<\/b>  43. As associa\u00e7\u00f5es familiares t\u00eam um papel de relevo, quer na ajuda ao desenvolvimento humano e espiritual das fam\u00edlias, quer na defesa dos valores da fam\u00edlia.  Algumas destas associa\u00e7\u00f5es t\u00eam como finalidade ajudar os casais e as fam\u00edlias a descobrirem o projecto de Deus sobre a fam\u00edlia; outras fomentam a uni\u00e3o das fam\u00edlias na defesa dos seus direitos, ajudando-as a oporem-se aos poderes p\u00fablicos e privados que ferem a dignidade da institui\u00e7\u00e3o familiar; outras colaboram com a escola na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens; outras lutam pela justi\u00e7a e pela dignidade dos mais d\u00e9beis e carenciados; outras, ainda, promovem a defesa da vida humana, opondo-se a tudo aquilo que promove a \u00abcultura da morte\u00bb. No seu conjunto, estas associa\u00e7\u00f5es constituem um importante suporte para que as fam\u00edlias possam viver na fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o essencial. A pastoral familiar deve suscitar a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es que estejam ao servi\u00e7o da fam\u00edlia e incentiv\u00e1-las na sua merit\u00f3ria ac\u00e7\u00e3o. Esfor\u00e7ar-se-\u00e1, tamb\u00e9m, por fomentar a actua\u00e7\u00e3o coordenada e conjunta destas associa\u00e7\u00f5es pelos meios mais adequados, a fim de que os verdadeiros valores da fam\u00edlia sejam apresentados \u00e0 nossa sociedade de forma cred\u00edvel e consistente.  <b>A miss\u00e3o espec\u00edfica dos bispos e dos presb\u00edteros na pastoral familiar<\/b>  44. Toda a comunidade eclesial deve sentir a responsabilidade de ajudar as fam\u00edlias a viverem de forma coerente a sua voca\u00e7\u00e3o matrimonial; no entanto, os bispos e os presb\u00edteros, como pastores do Povo de Deus, t\u00eam uma especial responsabilidade na pastoral familiar.  O bispo \u00e9 \u201co primeiro respons\u00e1vel da pastoral familiar na diocese\u201d e deve estar atento \u201cde um modo particular a este sector pastoral, sem d\u00favida priorit\u00e1rio\u201d (30). Como pastor, ele procurar\u00e1 apoiar pessoalmente as fam\u00edlias, sobretudo aquelas que enfrentam problemas graves e que necessitam de se reencontrar no caminho da esperan\u00e7a. A aten\u00e7\u00e3o e a solicitude do bispo para com a fam\u00edlia traduzir-se-\u00e3o, tamb\u00e9m, na disponibiliza\u00e7\u00e3o de pessoas e de recursos que d\u00eaem corpo a uma pastoral familiar consequente. Compete-lhe, ainda, apoiar pessoalmente todos aqueles que, integrados nas diversas estruturas diocesanas ou nas associa\u00e7\u00f5es de defesa da fam\u00edlia, se esfor\u00e7am por levar \u00e0s fam\u00edlias o an\u00fancio do Evangelho da vida.  No \u00e2mbito da comunidade crist\u00e3, o bispo \u201cn\u00e3o deixar\u00e1 de encorajar a prepara\u00e7\u00e3o dos noivos para o matrim\u00f3nio, o acompanhamento dos jovens casais e a forma\u00e7\u00e3o de grupos de fam\u00edlias que apoiem a pastoral familiar e, n\u00e3o menos importante, sejam capazes de ajudar as fam\u00edlias em dificuldade. A proximidade do bispo aos c\u00f4njuges e aos seus filhos, inclusive atrav\u00e9s de iniciativas de v\u00e1rios g\u00e9neros com car\u00e1cter diocesano, ser\u00e1 para eles de seguro conforto\u201d. Pertence, tamb\u00e9m, ao bispo \u201cfazer com que sejam sustentados e defendidos os valores do matrim\u00f3nio na sociedade civil, atrav\u00e9s de justas decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas\u201d. \u201cConsiderando as tarefas educativas da pr\u00f3pria fam\u00edlia (&#8230;), \u00e9 necess\u00e1rio que o bispo apoie e qualifique a obra das escolas cat\u00f3licas, promovendo a sua apari\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o existam, e solicitando, na medida que puder, as institui\u00e7\u00f5es civis para que favore\u00e7am uma efectiva liberdade de ensino no pa\u00eds\u201d (31).  45. A solicitude da Igreja para com a fam\u00edlia tamb\u00e9m deve estar bem presente no minist\u00e9rio dos presb\u00edteros. \u00c9 parte fundamental da sua miss\u00e3o anunciar o Evangelho do amor e da fam\u00edlia, e \u201ccomportar-se constantemente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias, como pai, irm\u00e3o, pastor e mestre, ajudando-as com os dons da gra\u00e7a e iluminando-as com a luz da verdade\u201d (32). A responsabilidade do presb\u00edtero, no campo da pastoral familiar, n\u00e3o se limita ao ensino da recta doutrina ou ao momento da celebra\u00e7\u00e3o do compromisso matrimonial; mas deve acompanhar as fam\u00edlias na sua caminhada quotidiana, sustent\u00e1-las no meio das dificuldades e sofrimentos, apoiar solidariamente aqueles que t\u00eam dificuldade em avan\u00e7ar, recordar a todos os valores do Evangelho, ser para os membros da fam\u00edlia um sinal do amor, da miseric\u00f3rdia e da ternura de Deus.  Aos sacerdotes empenhados na pastoral paroquial compete, tamb\u00e9m, velar para que as estruturas e os agentes pastorais da sua comunidade ajudem as fam\u00edlias a viver na fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o. Compete-lhes, ainda, programar e animar as mais diversas iniciativas no \u00e2mbito da pastoral familiar: encontros e confer\u00eancias sobre temas ligados \u00e0 fam\u00edlia, grupos de casais, jornadas de sensibiliza\u00e7\u00e3o para os problemas das fam\u00edlias, tempos de reflex\u00e3o e de ora\u00e7\u00e3o que envolvam as fam\u00edlias, cria\u00e7\u00e3o de equipas de apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de noivos e de ajuda aos casais jovens).  <b>A ac\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o particularmente dif\u00edcil<\/b>  46. Os divorciados recasados &#8211; A crise da institui\u00e7\u00e3o familiar encontra, no nosso tempo, a sua mais dram\u00e1tica express\u00e3o na fragilidade do v\u00ednculo matrimonial. Muitos casamentos, mesmo celebrados canonicamente entre fi\u00e9is cat\u00f3licos, acabam no div\u00f3rcio civil e d\u00e3o frequentemente origem a um segundo casamento por parte de ambos ou, pelo menos, de um dos c\u00f4njuges divorciados. A extens\u00e3o do fen\u00f3meno e o facto de esse segundo casamento n\u00e3o poder ser sacramental, colocando os crentes em ruptura de consci\u00eancia perante a Igreja como comunh\u00e3o e caminho de fidelidade a Jesus Cristo, est\u00e1 a transformar-se num problema de grandes dimens\u00f5es existenciais e, consequentemente, pastorais para a pr\u00f3pria Igreja. \u00c9 por isso que o Papa, na Familiaris consortio afirma que \u201ceste problema deve ser enfrentado com urg\u00eancia inadi\u00e1vel\u201d (33). \u00c9 j\u00e1 abundante o ensinamento do Magist\u00e9rio, sobretudo pontif\u00edcio, a este respeito (34). A n\u00f3s compete-nos, na fidelidade a esse Magist\u00e9rio e na comunh\u00e3o da Igreja Universal, apresentar concretiza\u00e7\u00f5es pastorais que levem a essas fam\u00edlias a esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o e a tranquilidade poss\u00edveis em tais circunst\u00e2ncias. Partimos da afirma\u00e7\u00e3o clara da solicitude maternal da Igreja por esses seus filhos a quem as dificuldades da vida, aliadas \u00e0 fraqueza humana, colocaram em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. A Igreja n\u00e3o os abandona e esfor\u00e7ar-se-\u00e1 infatigavelmente por proporcionar-lhes os meios de salva\u00e7\u00e3o, porque \u201cest\u00e1 firmemente convencida de que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poder\u00e3o obter de Deus a gra\u00e7a da convers\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o\u201d (35). Isto mesmo lhes diz Jo\u00e3o Paulo II, em palavras repassadas de amor pastoral: \u201cSaibam estes homens e estas mulheres que a Igreja os ama, n\u00e3o est\u00e1 longe deles e sofre pela sua situa\u00e7\u00e3o\u201d (36). Esse deve ser o primeiro fruto da nossa solicitude pastoral: fazer com que eles n\u00e3o se sintam abandonados ou exclu\u00eddos da Igreja. As orienta\u00e7\u00f5es pastorais, que ajudar\u00e3o estes crist\u00e3os a encontrarem o seu lugar na Igreja e o seu caminho peculiar de salva\u00e7\u00e3o, dever\u00e3o ter em conta os seguintes aspectos:  * A objectividade de uma situa\u00e7\u00e3o existencial espec\u00edfica. Na Igreja, os caminhos de salva\u00e7\u00e3o integram o realismo das situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o seria um bom caminho procurar minimizar a situa\u00e7\u00e3o concreta, do ponto de vista humano e espiritual, tentando considerar normal o que o n\u00e3o \u00e9, na perspectiva da exig\u00eancia crist\u00e3 da salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um caminho de confian\u00e7a, mas tamb\u00e9m de humildade, caracter\u00edsticas de uma atitude penitencial perante Cristo e a Sua Igreja. A verdade do matrim\u00f3nio indissol\u00favel, express\u00e3o da fidelidade crist\u00e3 e da total comunh\u00e3o dos esposos \u2013 um com o outro e ambos com Cristo e com a Sua Igreja \u2013 n\u00e3o pode ser ofuscada ou posta em quest\u00e3o por uma compreens\u00e3o pastoral de facilidade. A principal concretiza\u00e7\u00e3o desta humildade exigente \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eucar\u00edstica, principal express\u00e3o da completa comunh\u00e3o de vida com Cristo, na fidelidade \u00e0s exig\u00eancias de santidade que brotam da Sua P\u00e1scoa. Devemos ajudar esses irm\u00e3os a n\u00e3o considerarem tal priva\u00e7\u00e3o como express\u00e3o de uma marginaliza\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o da Igreja, mas ajud\u00e1-los a viv\u00ea-la como express\u00e3o da santidade da Eucaristia. O sofrimento que essa priva\u00e7\u00e3o lhes provoca poder\u00e1 ajud\u00e1-los a aprofundar a sua f\u00e9 e o seu amor \u00e0 eucaristia, traduzidos na adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e na purifica\u00e7\u00e3o do desejo de participar, um dia, no banquete definitivo da Jerusal\u00e9m celeste.  * Em comunh\u00e3o com toda a Igreja. A procura de solu\u00e7\u00f5es pastorais para estas situa\u00e7\u00f5es torna exigente a nossa comunh\u00e3o com toda a Igreja de Cristo. Elas n\u00e3o podem ser o resultado de uma compreens\u00e3o facilitante de um sacerdote, de um Movimento, de uma circunst\u00e2ncia. Essas solu\u00e7\u00f5es facilitantes podem ser simp\u00e1ticas e acolhedoras, mas n\u00e3o exprimem a generosidade de quem quer estar em comunh\u00e3o com toda a Igreja, que \u00e9 o caminho objectivo da salva\u00e7\u00e3o.  * A necessidade de um discernimento. Ele \u00e9 exigido pela situa\u00e7\u00e3o de cada pessoa e de cada casal perante Deus e a busca da fidelidade. O Magist\u00e9rio convida-nos a dar uma aten\u00e7\u00e3o particular ao c\u00f4njuge inocente, isto \u00e9, aquele ou aquela que n\u00e3o foi respons\u00e1vel, pela sua infidelidade, da ruptura do v\u00ednculo matrimonial sacramental. Al\u00e9m do caminho espiritual, espec\u00edfico para cada pessoa, pode fazer parte deste discernimento o verificar se o matrim\u00f3nio can\u00f3nico, rompido pelo matrim\u00f3nio civil, esteve ferido de alguma causa de nulidade. Sabemos que isso pode acontecer, devido \u00e0 complexidade da cultura ambiente ou a uma deficiente prepara\u00e7\u00e3o para o casamento. Esfor\u00e7ar-nos-emos, em conjunto, por tornar os nossos Tribunais Eclesi\u00e1sticos capazes de responder atempadamente ao julgamento das causas de nulidade matrimonial que lhes forem apresentadas.  * A valoriza\u00e7\u00e3o de todos os meios de salva\u00e7\u00e3o. Procurar os caminhos da fidelidade crist\u00e3 nesta situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil sup\u00f5e o cultivo de uma espiritualidade espec\u00edfica, em que se valorize a medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus e a ora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o meios poderosos de encontro com Deus, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o da paz interior, que desabrocham na viv\u00eancia da caridade. Para al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o nas habituais assembleias da comunidade crist\u00e3 \u2013 de modo particular na assembleia eucar\u00edstica dominical \u2013 estes crist\u00e3os devem ser ajudados a progredir na experi\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o, com a densidade e a confian\u00e7a que lhes a\u0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[36],"class_list":["post-87","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2006-04-03T14:44:19+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2014-07-20T16:20:12+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Manuel Costa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Manuel Costa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"57 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Manuel Costa\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2\"},\"headline\":\"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\",\"datePublished\":\"2006-04-03T14:44:19+00:00\",\"dateModified\":\"2014-07-20T16:20:12+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/\"},\"wordCount\":11341,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\"},\"keywords\":[\"Fam\u00edlia\"],\"articleSection\":[\"Documentos\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/\",\"name\":\"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2006-04-03T14:44:19+00:00\",\"dateModified\":\"2014-07-20T16:20:12+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\",\"name\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"description\":\"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\",\"name\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/cropped-logoTransparente.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/cropped-logoTransparente.png\",\"width\":512,\"height\":512,\"caption\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2\",\"name\":\"Manuel Costa\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Manuel Costa\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","og_description":"Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","og_url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/","og_site_name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","article_published_time":"2006-04-03T14:44:19+00:00","article_modified_time":"2014-07-20T16:20:12+00:00","author":"Manuel Costa","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Manuel Costa","Tempo estimado de leitura":"57 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/"},"author":{"name":"Manuel Costa","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/person\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2"},"headline":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo","datePublished":"2006-04-03T14:44:19+00:00","dateModified":"2014-07-20T16:20:12+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/"},"wordCount":11341,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization"},"keywords":["Fam\u00edlia"],"articleSection":["Documentos"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/","name":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#website"},"datePublished":"2006-04-03T14:44:19+00:00","dateModified":"2014-07-20T16:20:12+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-familia-esperanca-da-igreja-e-do-mundo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#website","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/","name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","description":"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal","publisher":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization","name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/cropped-logoTransparente.png","contentUrl":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/cropped-logoTransparente.png","width":512,"height":512,"caption":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"image":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/person\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2","name":"Manuel Costa","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","caption":"Manuel Costa"}}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}