{"id":7506,"date":"2022-08-26T00:17:06","date_gmt":"2022-08-25T23:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=7506"},"modified":"2022-08-26T00:17:06","modified_gmt":"2022-08-25T23:17:06","slug":"sinodo-2021-2023-relatorio-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/sinodo-2021-2023-relatorio-de-portugal\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo 2021\/2023 &#8211; Relat\u00f3rio de Portugal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 convocat\u00f3ria inovadora lan\u00e7ada pela Santa S\u00e9, os leigos, consagrados, di\u00e1conos, sacerdotes e bispos da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, e em todo o mundo, viveram meses de uni\u00e3o, ausculta\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre a a\u00e7\u00e3o evangelizadora que t\u00eam vindo a desempenhar, numa tentativa de, em verdadeiro esp\u00edrito sinodal, discernir o que se pretende para a Igreja do presente e do futuro, fazendo o levantamento de processos, m\u00e9todos e meios que nos podem ajudar a passar <em>de uma Igreja exageradamente centrada na autoridade e a\u00e7\u00e3o do clero para uma Igreja sinodal e mission\u00e1ria, na comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os seus membros.<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o un\u00e2nimes as manifesta\u00e7\u00f5es de gratid\u00e3o por parte de quem participou no processo sinodal. Foi consoladora e animadora a experi\u00eancia de poder rezar e conversar juntos, fazendo a escuta rec\u00edproca com franqueza aberta. E foi revigorada a arte de deixar nas m\u00e3os de Deus o caminho e o destino da Sua Igreja, para que, atrav\u00e9s dos pastores que brindou ao Povo de Deus, a todos conduza para Ele, que \u00e9 a \u00fanica fonte de Bem, Verdade e Beleza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>I \u2013 Processo de Recolha de Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O m\u00e9todo sinodal, iniciado em 2021, apelou a que a participa\u00e7\u00e3o se manifestasse maioritariamente atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de grupos de escuta e de di\u00e1logo, para assim se proporcionar uma melhor oportunidade <em>aos diversos grupos de se escutarem uns aos outros,<\/em> ao inv\u00e9s das plataformas online, apesar de estas permitirem amplificar a participa\u00e7\u00e3o, particularmente das vozes que n\u00e3o foram ouvidas no passado.<\/p>\n<p>A recolha de informa\u00e7\u00e3o efetuada pelas dioceses portuguesas fez-se essencialmente a partir dos encontros de grupo e de inqu\u00e9ritos <em>on-line<\/em> elaborados para o efeito. Os grupos reuniram maioritariamente em formato presencial. Contudo, devido aos constrangimentos causados pela pandemia, alguns optaram por formas de encontro por meios telem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Recorreu-se ainda a outras ferramentas de recolha de informa\u00e7\u00e3o de forma a gerar uma participa\u00e7\u00e3o diversificada que inclu\u00edsse todos os grupos et\u00e1rios, como, por exemplo, caixa de recolha de opini\u00f5es sobre o tema, partilha nas eucaristias dominicais, distribui\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito sinodal nas caixas postais dos residentes da comunidade, conversas informais e por email e tamb\u00e9m a coloca\u00e7\u00e3o de pontos de recolha de respostas ao inqu\u00e9rito em lugares p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Na sua maioria, o alcance da escuta sinodal ficou restringida \u00e0 realidade diocesana, em parte devido a uma d\u00e9bil estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o, enfraquecida pela incapacidade de simplificar a explica\u00e7\u00e3o sobre a relev\u00e2ncia e a din\u00e2mica da consulta sinodal.<\/p>\n<p>As comunidades que tiveram pouca ou nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre o s\u00ednodo, e que n\u00e3o estavam enquadradas nas realidades eclesiais, apesar de serem compostas por crist\u00e3os, n\u00e3o se organizaram espontaneamente, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguns grupos, como foi o caso da ausculta\u00e7\u00e3o aos docentes universit\u00e1rios, que envolveram crentes e n\u00e3o crentes na sua reflex\u00e3o. Ali\u00e1s, ficou em falta uma divulga\u00e7\u00e3o cuidada a n\u00edvel nacional, que facilitasse a convocat\u00f3ria daqueles que n\u00e3o frequentam o espa\u00e7o eclesial e que n\u00e3o est\u00e3o por dentro da din\u00e2mica paroquial. As dioceses alertaram para as dificuldades criadas por um calend\u00e1rio apertado, que dificultou o tempo de divulga\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, a escuta valeu-se dos grupos j\u00e1 com algum caminho percorrido dentro da par\u00f3quia, surgindo o sacerdote como uma importante figura, n\u00e3o s\u00f3 na constitui\u00e7\u00e3o das equipas, por conhecer melhor a sua comunidade, mas tamb\u00e9m na divulga\u00e7\u00e3o do processo. N\u00e3o obstante, em algumas dioceses, conseguiu-se ir al\u00e9m desta rede, tendo sido bem-sucedido o envolvimento das chamadas periferias, como os estabelecimentos prisionais e bairros sociais, ainda que a maioria se tivesse cingido \u00e0s estruturas eclesiais com trabalho nesses \u00e2mbitos. Apesar de terem tamb\u00e9m conseguido receber algumas reflex\u00f5es individuais, o seu n\u00famero n\u00e3o deixou de ser residual.<\/p>\n<p>O recurso \u00e0 imprensa de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, nomeadamente os jornais diocesanos e os boletins paroquiais, bem como a imprensa local, na forma de entrevistas, artigos de opini\u00e3o e not\u00edcias, e as redes sociais foram tamb\u00e9m essenciais na divulga\u00e7\u00e3o da consulta sinodal, ajudando a mitigar qualquer sentimento de desconfian\u00e7a associado a este processo.<\/p>\n<p>No que respeita aos materiais informativos e formativos, a maioria das dioceses reuniu, elaborou e disponibilizou <em>on-line<\/em> documenta\u00e7\u00e3o sobre o S\u00ednodo para o p\u00fablico geral e espec\u00edfico, criando novas p\u00e1ginas <em>web<\/em> para o efeito, tendo-se procurado simplificar a linguagem de forma a favorecer a compreens\u00e3o e facilitar a reflex\u00e3o, uma decis\u00e3o fundamental para o sucesso da escuta.<\/p>\n<p>Foram muitas as dioceses que apontaram o facto das perguntas do inqu\u00e9rito estarem elaboradas de forma muito complexa, o que levou a que se tivesse de reelaborar as quest\u00f5es com uma linguagem aberta a crentes e n\u00e3o crentes e de forma diferenciada consoante o p\u00fablico-alvo.<\/p>\n<p>Foram levantadas outras adversidades quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dioceses em Sede Vacante, que manifestaram dificuldade na dinamiza\u00e7\u00e3o do processo sinodal, uma vez que a aus\u00eancia de bispo alterou os dinamismos\/ritmos diocesanos e paroquiais e, consequentemente, a participa\u00e7\u00e3o, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s din\u00e2micas de grupo, especialmente, na escuta com disponibilidade e partilha de opini\u00e3o, percebendo-se uma grande dificuldade em chegar a um consenso em tem\u00e1ticas controversas. Contudo, a caminhada sinodal foi bem-acolhida pela popula\u00e7\u00e3o, tendo representado n\u00e3o s\u00f3 uma grande oportunidade para escutar as periferias e minorias, mas tamb\u00e9m para promover o encontro, di\u00e1logo e partilha aberta entre membros da mesma comunidade, suscitando um caminho conjunto em Igreja, no seguimento de Jesus.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>II \u2013 Apresenta\u00e7\u00e3o dos Resultados<\/strong><\/h4>\n<p>Todos fomos convidados pelo Papa Francisco a participar no S\u00ednodo, a dar sugest\u00f5es, a ajudar a ver mais longe e com mais clareza, a estudar os assuntos, a ser luz para os outros e para o mundo.<\/p>\n<p>Participar com clareza, com amor, com respeito, com desejo de uma Igreja renovada e com dinamismo refor\u00e7ado, para cumprir a miss\u00e3o que Jesus Cristo confiou, significa ter de interpretar a realidade tal como ela se apresenta, analisando-a e estudando-a nas suas vicissitudes e nas suas fragilidades para que, em Igreja, se possam encontrar os caminhos para valorizar o que deve ser valorizado e corrigir o que tiver de ser corrigido.<\/p>\n<p>Trata-se de uma ausculta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade presente e \u00e0s causas que lhe deram origem para melhor discernir sobre esta experi\u00eancia enriquecedora que constitui o pr\u00f3prio ADN de um crist\u00e3o.<\/p>\n<p>E, da participa\u00e7\u00e3o de todos, sobretudo dos que foram ou se sentiram interpelados por esta din\u00e2mica, seja os que est\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os eclesiais e que se sentiram motivados a participar, seja os que de forma direta ou indireta foram questionados e acederam ao desafio, sem medo nem complexos, resulta claro que todos querem uma Igreja renovada, mais amiga dos necessitados, mais santa e mais evang\u00e9lica, que propicie o envolvimento de todos.<\/p>\n<p>Desse ponto de vista, o envolvimento e a recetividade dos participantes neste momento da Igreja local podem ser considerados satisfat\u00f3rios, com a generalidade das opini\u00f5es a caracterizar a escuta sinodal como uma realidade indispens\u00e1vel em Igreja, refor\u00e7ando a vontade por uma caminhada em conjunto de forma regular e sistem\u00e1tica, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de grupos formais e informais de di\u00e1logo dentro da Igreja e desta com o mundo, em especial com as periferias.<\/p>\n<p>Apesar da indiferen\u00e7a declarada por alguns leigos, devidamente sinalizada, a caminhada sinodal foi acolhida com entusiasmo e expetativa por outros, tendo representado uma grande oportunidade para alcan\u00e7ar e escutar as periferias e aprofundar a comunh\u00e3o entre os membros da mesma comunidade, promovendo o encontro, o di\u00e1logo e a partilha. Foi sentida uma maior indiferen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o jovem, que se mostrou pouco confiante com o resultado do processo sinodal por acreditar que n\u00e3o ser\u00e3o implementadas mudan\u00e7as na Igreja, ao ritmo e visibilidade que anseiam. Acresce que, nalguns casos, a fraca ades\u00e3o ao desafio da sinodalidade foi interpretado como uma atitude de resist\u00eancia, sobretudo por parte do clero, ou de alheamento \u00e0 dimens\u00e3o universal abra\u00e7ada pela Igreja.<\/p>\n<p>De uma forma generalizada, manifesta-se o desejo de uma caminhada s\u00edncrona, em harmonia com os membros, uma vontade alimentada pela consci\u00eancia nascida em contexto pand\u00e9mico, de que somos tripulantes do mesmo barco, tendo-se sublinhado a import\u00e2ncia da Palavra e da Escuta, como ponto de partida no caminho sinodal.<\/p>\n<p>As diferentes comunidades diocesanas acreditam que a participa\u00e7\u00e3o, corresponsabilidade e sinodalidade n\u00e3o s\u00e3o ainda efetivamente praticadas na Igreja o que tem consequ\u00eancias na forma como se vive e se perceciona a Igreja, uma vis\u00e3o espelhada nas seguintes afirma\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja espiritual e humanamente pouco inclusiva e acolhedora, discriminando quem n\u00e3o est\u00e1 integrado ou n\u00e3o vive de acordo com a moral crist\u00e3, isto \u00e9, divorciados, recasados e pessoas com diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais, identidades e express\u00f5es de g\u00e9nero (grupo LGBTQi+), que coloca em segundo plano as pessoas com defici\u00eancia, os mais pobres, os marginalizados e, consequentemente, desprotegidos, privilegiando atitudes assistencialistas nas situa\u00e7\u00f5es de pobreza e institucionaliza\u00e7\u00e3o nos grupos mais vulner\u00e1veis;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que tem dificuldade em fazer caminho com os jovens, negligenciado a import\u00e2ncia de lhes proporcionar um espa\u00e7o onde possam mostrar os seus talentos individuais e vontade na Igreja, e de colocar ao servi\u00e7o da comunidade as suas capacidades. A este prop\u00f3sito, os jovens referem que o principal motivo que os afasta da Igreja e os impede de caminhar juntos assenta na diferen\u00e7a existente entre o seu modo de pensar e a doutrina da Igreja Cat\u00f3lica, referindo que a Igreja tem uma mentalidade retr\u00f3grada e desajustada dos tempos em que vivemos. Como consequ\u00eancia, os jovens afastam-se e a Igreja torna-se inevitavelmente mais envelhecida, processo este que faz com que se acentue o fosso entre gera\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja com uma atitude demasiado hier\u00e1rquica, clerical, corporativa, pouco transparente, estagnada e resistente \u00e0 mudan\u00e7a, que prioriza a manuten\u00e7\u00e3o da sua imagem ao inv\u00e9s de preservar a seguran\u00e7a da sua comunidade, surgindo os casos de pedofilia como o exemplo mais evidente;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que apresenta uma atitude algo soberba e que se mostra pouco dispon\u00edvel para a escuta, marginalizando os anseios e as expectativas dos membros da sua comunidade, atribuindo-lhes, demasiadas vezes, um papel de recetores passivos;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja em decl\u00ednio social no que respeita \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o e relev\u00e2ncia, que n\u00e3o tem sabido utilizar a for\u00e7a transformadora do Evangelho numa oportunidade de convers\u00e3o social, valorizando uma cultura humanista capaz de fazer o contraponto ao globalismo, que amarra os pobres e sedimenta as desigualdades e o localismo que gera xenofobia e promove populismos;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja pouco dispon\u00edvel para discutir de forma aberta e descomplexada a possibilidade de tornar opcional o celibato dos sacerdotes e a ordena\u00e7\u00e3o de homens casados e das mulheres, e ainda muito presa a um modelo te\u00f3rica e doutrinalmente assente numa conce\u00e7\u00e3o tradicional e assim\u00e9trica que concebe o humano a partir do masculino;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja na qual existe ambiguidade relativamente a alguns movimentos e grupos, reconhecendo-se, por um lado, a exist\u00eancia de uma experi\u00eancia espiritual positiva e, por outro, um trabalho ausente de din\u00e2micas de comunh\u00e3o e sem di\u00e1logo com o mundo atrav\u00e9s dos v\u00e1rios ambientes habitados por crist\u00e3os;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que n\u00e3o considera as mulheres em igualdade com os homens na miss\u00e3o, sendo ambos batizados e, portanto, disc\u00edpulos, e que \u00e9 pouco aberta \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o dos rituais e da linguagem lit\u00fargica, muito fechada e codificada, que tornam as celebra\u00e7\u00f5es pesadas e demasiado formais;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja onde os processos de tomada de decis\u00e3o e escolha de lideran\u00e7as \u00e9 pouco transparente e inclusivo, restringindo a Igreja ao corpo composto pelo sacerdote e os leigos que desempenham uma fun\u00e7\u00e3o nos grupos paroquiais\/movimentos eclesiais, geralmente tidos como um corpo demasiado elitista, que ocupa posi\u00e7\u00f5es quase de modo vital\u00edcio e se mostra incapaz de delegar de forma repartida e rotativa as diversas fun\u00e7\u00f5es, impedindo uma viv\u00eancia mais democratizada e condizente com a sociedade. A resist\u00eancia em ceder espa\u00e7o e o alheamento da comunidade de batizados da responsabilidade de exercer autoridade e participar na identifica\u00e7\u00e3o de objetivos a prosseguir neste caminhar juntos comprometem ainda qualquer tentativa e exerc\u00edcio de renova\u00e7\u00e3o, impedindo que a Igreja acompanhe algumas mudan\u00e7as sociais e consiga acolher pessoas novas que se aproximem e integrem nas comunidades;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que n\u00e3o fomenta os n\u00edveis aceit\u00e1veis de forma\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios agentes pastorais, com destaque para os sacerdotes, que apresentam uma forma\u00e7\u00e3o deficiente quer para lidar com os problemas humanos da vida contempor\u00e2nea, quer para trabalhar com os leigos, que exigem trabalho em equipa, correspons\u00e1vel e de partilha de autoridade, surgindo o acompanhamento como din\u00e2mica complementar e garantia da fecundidade da forma\u00e7\u00e3o. Por outro lado, os ministros ordenados n\u00e3o t\u00eam forma\u00e7\u00e3o adequada para responder a quest\u00f5es emergentes, como as que resultam da diversidade de g\u00e9nero, o que dificulta um verdadeiro acolhimento de pessoas com orienta\u00e7\u00f5es sexuais diferentes e que devem merecer aten\u00e7\u00e3o pastoral. \u00c9 reconhecido que a iniciativa individual \u00e9 fundamental para se conseguir um caminho conjunto, mas \u00e9 sublinhada a import\u00e2ncia de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida das pessoas, promovendo a abertura da comunidade \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos e n\u00e3o apenas de um grupo, para que todos possam responder da mesma maneira;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que ainda n\u00e3o consegue formar os seus presb\u00edteros atrav\u00e9s da via da beleza e da cultura, tornando-os homens do seu mundo e do seu tempo, com uma dimens\u00e3o humana, espiritual e social, que lhes possibilite entender e interagir com a sociedade de forma cred\u00edvel, madura e relevante;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que ainda n\u00e3o assume como um imperativo as causas da ecologia integral e a defesa da Casa Comum;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que procura habitar o planeta digital, mas que n\u00e3o consegue contrariar os dispositivos logot\u00e9cnicos que desvalorizam a presen\u00e7a face a face, empurrando adultos e jovens para uma enorme solid\u00e3o social, sem que disso tenham verdadeiramente consci\u00eancia;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que n\u00e3o se adapta aos ritmos e \u00e0s exig\u00eancias da fam\u00edlia de hoje, na sua ampla variedade, desde as quest\u00f5es relacionadas com a viv\u00eancia da sexualidade conjugal aos novos ritmos <em>das fam\u00edlias, sobretudo as que t\u00eam filhos.<\/em> A quest\u00e3o relativa \u00e0 contrace\u00e7\u00e3o apresenta-se como um elemento contrastante entre a tradi\u00e7\u00e3o <em>versus<\/em> a normalidade trazida pela seculariza\u00e7\u00e3o, uma posi\u00e7\u00e3o que, aos olhos dos jovens, se apresenta como desatualizada da realidade. Da\u00ed decorre uma Igreja pouco atenta aos ritmos e desafios da sociedade, at\u00e9 do ponto de vista funcional, revelando hor\u00e1rios de funcionamento desajustados, sobrepostos e pouco convidativos a uma verdadeira participa\u00e7\u00e3o. Destacam-se os templos fechados, hor\u00e1rios de missas sobrepostos e atividades simult\u00e2neas dentro da mesma comunidade, impedindo a participa\u00e7\u00e3o de todos mesmo quando ela \u00e9 desejada;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que tem na sua principal express\u00e3o pastoral \u2013 a catequese \u2013 v\u00edcios e desencontros que inviabilizam a evangeliza\u00e7\u00e3o, sendo not\u00f3ria a dissocia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 ensinado e o que \u00e9 praticado: pais, alunos e at\u00e9 catequistas, que depois n\u00e3o vivem a sua f\u00e9 de forma comunit\u00e1ria e n\u00e3o experimentam o verdadeiro encontro com Deus, ficando-se o momento da catequese como um prolongamento da escola, onde se aprendem conte\u00fados religiosos mas n\u00e3o se promove o verdadeiro encontro com Jesus;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que n\u00e3o consegue encontrar uma harmonia na defini\u00e7\u00e3o e cumprimento de requisitos para o acesso aos sacramentos, provocando assim disparidades dentro da mesma diocese, que alimentam a convic\u00e7\u00e3o da falta de comunh\u00e3o entre sacerdotes, prop\u00edcia a leituras de que existem dois mundos: um onde tudo \u00e9 poss\u00edvel e outro onde tudo \u00e9 proibido, com a proibi\u00e7\u00e3o a sobrepor-se como fator negativo sobrevalorizado na perce\u00e7\u00e3o geral da Igreja. Importa sublinhar ainda a dificuldade da Igreja aproveitar os momentos de celebra\u00e7\u00e3o social, como casamentos, batizados e funerais, como verdadeiros momentos de evangeliza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que comunica de forma deficiente para dentro e para fora, reagindo mais do que propondo, mais informativa do que comunicativa. E, por isso, a perce\u00e7\u00e3o sobre a comunica\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 divergente: uns consideram-na bem-sucedida do ponto de vista informativo, mas com pouco alcance, al\u00e9m de ser demasiado reativa, n\u00e3o sugerindo uma agenda diferente, de acordo com os crit\u00e9rios e a linguagem do Evangelho;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja onde o ecumenismo e o di\u00e1logo com outras inst\u00e2ncias da sociedade continuam a ser insuficientes, revelando-se nalguns casos uma enorme ignor\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras religi\u00f5es, e mesmo \u00e0s confiss\u00f5es crist\u00e3s, e onde n\u00e3o h\u00e1 aud\u00e1cia no estabelecimento de pontes entre crentes e n\u00e3o crentes;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que se debate com problemas financeiros, que embora pouco valorizados pela esmagadora maioria das dioceses, preocupa alguns dirigentes, que v\u00eam a necessidade de se garantir uma maior sustentabilidade da Igreja, at\u00e9 para que possa cumprir a sua miss\u00e3o social e assumir as exig\u00eancias de justi\u00e7a que a sua doutrina social preconiza. Este aspeto foi colocado ao n\u00edvel funcional, nomeadamente no que respeita \u00e0s Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social, com particular enf\u00e2se nos Centros Sociais e Paroquiais que, infelizmente, continuam a ser presididos por sacerdotes, quando o deveriam ser por leigos competentes e contratados a tempo inteiro, motivados a estimular parcerias entre v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; uma Igreja que concentra de forma excessiva no sacerdote diversas fun\u00e7\u00f5es, que o impedem de cuidar da sua miss\u00e3o pastoral, na dimens\u00e3o que a comunidade o exige.<\/p>\n<p>Apesar destes aspetos negativos, na verdade, a Igreja \u00e9 tida globalmente como uma institui\u00e7\u00e3o cred\u00edvel, presente nos locais onde ningu\u00e9m ousa ir e solid\u00e1ria com os mais desfavorecidos, a quem presta assist\u00eancia, mesmo quando falham todas as outras respostas sociais. De uma forma geral, salienta-se a capacidade de acolhimento da Igreja Cat\u00f3lica, sobretudo no apoio \u00e0 pobreza, capaz de providenciar um espa\u00e7o para a viv\u00eancia da f\u00e9, que seja prop\u00edcio e facilitador da ora\u00e7\u00e3o, revelando-se como urgente que a Igreja concretize os caminhos apontados pelo Concilio Vaticano II e regresse \u00e0 ess\u00eancia e \u00e0 alegria do Evangelho, contando com o Esp\u00edrito Santo para esta miss\u00e3o t\u00e3o bela e t\u00e3o respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em jogo n\u00e3o um processo de convers\u00e3o em massa, mas a convers\u00e3o de cada cora\u00e7\u00e3o em ordem a um futuro melhor; uma Igreja mais Santa e mais Mission\u00e1ria, a viver mais ao ritmo do Evangelho, mais serva humilde, imitando Jesus, o Bom Pastor e o Bom Samaritano.<\/p>\n<p>Para todos, o principal fruto do processo sinodal \u00e9 o prolongamento do s\u00ednodo at\u00e9 o estabelecer como modo de viver na Igreja. As atitudes de escuta, de acolhimento, de di\u00e1logo e de caminhar em conjunto s\u00e3o uma aquisi\u00e7\u00e3o para a Igreja que todos desejam amplamente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>III \u2013 Vis\u00e3o da Igreja Atual e Propostas de Mudan\u00e7a<\/strong><\/h4>\n<p>Para muitos dos participantes na caminhada sinodal, a Igreja \u00e9 considerada um <em>porto seguro<\/em>, amplamente reconhecida como um espa\u00e7o de comunh\u00e3o e de encontro, protagonista na promo\u00e7\u00e3o dos valores crist\u00e3os e humanos, fazendo-se presente na resposta \u00e0s necessidades humanas e espirituais das comunidades.<\/p>\n<p>O cariz sociocaritativo \u00e9 uma das dimens\u00f5es que confere \u00e0 Igreja uma vis\u00e3o positiva aos olhos da sociedade, por aparecer na linha da frente na defesa dos mais pobres e na promo\u00e7\u00e3o de uma vida digna e com qualidade, alcan\u00e7ando locais que outros setores da sociedade n\u00e3o conseguem, miss\u00e3o <em>habitualmente<\/em> desempenhada sem desejo de protagonismo medi\u00e1tico. Destaca-se o papel relevante nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e apoio \u00e0 terceira idade, e a sua presen\u00e7a humanizadora nos momentos mais dif\u00edceis na vida de um indiv\u00edduo, acompanhando-o no luto e gest\u00e3o da dor.<\/p>\n<p>Reconheceu-se tamb\u00e9m que, ao assumir e corrigir os erros do passado, como no caso dos abusos de menores, a Igreja continua a ser uma refer\u00eancia positiva no seio da sociedade.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos com dignidade \u00e9 tamb\u00e9m um tra\u00e7o acarinhado pelos participantes, assim como o magist\u00e9rio do Papa Francisco, que \u00e9 recebido com alegria e esperan\u00e7a dentro das comunidades.<\/p>\n<p>Mas dado o desafio lan\u00e7ado pela Santa S\u00e9, que nos pede uma avalia\u00e7\u00e3o profunda sobre a Igreja e propostas de mudan\u00e7a, n\u00e3o podemos deixar de notar que a vis\u00e3o atual da Igreja \u00e9, pois, marcada por uma imagem maioritariamente desfavor\u00e1vel, como ficou expresso no ponto anterior, fazendo surgir v\u00e1rias \u00e1reas onde a convers\u00e3o \u00e9 urgentemente pedida.<\/p>\n<p>Pede-se uma Igreja de portas abertas, que abrace a diversidade e acolha todos, excluindo as atitudes discriminat\u00f3rias que deixam \u00e0 margem a comunidade LGBTQIA+ e os divorciados recasados; uma Igreja que repense a participa\u00e7\u00e3o de todos os batizados, independentemente da sua vida afetivo-sexual que \u00e9 vivida, muitas das vezes, como um tabu; uma Igreja que disponibilize espa\u00e7os abertos \u00e0 partilha, ao di\u00e1logo e \u00e0 reflex\u00e3o, sem excluir qualquer tema, que promova um di\u00e1logo intergeracional e entre movimentos e par\u00f3quias, tendo por base projetos de metodologia sinodal em processo permanente e n\u00e3o meramente a organiza\u00e7\u00e3o de eventos <em>ad hoc<\/em> para este ou aquele grupo; uma Igreja que d\u00ea voz \u00e0s minorias e estabele\u00e7a um di\u00e1logo com as periferias, sobretudo, aos que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de n\u00f3s, denunciando a pobreza e apoiando os pobres, valorizando o que \u00e9 essencial a uma vida digna e dando maior aten\u00e7\u00e3o aos recursos do planeta que, como sabemos, s\u00e3o finitos.<\/p>\n<p>Assinalou-se a prem\u00eancia de uma Igreja mais transparente e rigorosa nas suas formas de decis\u00e3o e gest\u00e3o, menos ref\u00e9m das l\u00f3gicas das \u201chierarquias\u201d e do \u201cpoder\u201d e que envolva a comunidade nestes processos, de maneira que todos respondam \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o batismal e assumam um papel mais ativo, mesmo na escolha dos bispos e na transfer\u00eancia dos p\u00e1rocos.<\/p>\n<p>Uma Igreja que seja uma fam\u00edlia, disposta a caminhar em conjunto, quer ao n\u00edvel paroquial, quer como Igreja universal: sente-se, pois, a necessidade de um maior e melhor entrosamento entre os grupos\/movimentos paroquiais e a pr\u00f3pria vida da par\u00f3quia, por forma a que todos se sintam parte integrante de uma Igreja viva e onde possam dispor e render os dons recebidos.<\/p>\n<p>Exige-se uma Igreja mais transparente, capaz de dar testemunho coerente e de verdade no meio do mundo, no combate aos abusos sexuais, mas tamb\u00e9m no que se refere aos recursos financeiros.<\/p>\n<p>Pede-se que haja maior rotatividade dos presb\u00edteros ao servi\u00e7o das comunidades e na assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades, evitando assim a ocupa\u00e7\u00e3o das mesmas fun\u00e7\u00f5es por um per\u00edodo de tempo prolongado. Neste sentido, \u00e9 importante libertar os p\u00e1rocos de trabalho burocr\u00e1tico e da administra\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os, potencializando as estruturas diocesanas e propondo o envolvimento de leigos capazes de os substituir nestas fun\u00e7\u00f5es, para que o seu foco principal seja a sua miss\u00e3o pastoral e o encontro pr\u00f3ximo com a sua comunidade.<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m que haja uma maior exig\u00eancia e continuidade na forma\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias dimens\u00f5es, tanto dos sacerdotes como dos leigos. Uma forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, b\u00edblica, humana, para o exerc\u00edcio dos minist\u00e9rios lit\u00fargicos, sacramentais e presbiterais, e para o di\u00e1logo com a sociedade e a cultura. Uma forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de leitores, cantores e ac\u00f3litos, para que se mantenha a beleza e dignidade da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>Nesta vertente formativa, apresenta-se como essencial a reestrutura\u00e7\u00e3o do caminho formativo dos semin\u00e1rios, que exibe lacunas na dimens\u00e3o humana, espiritual, afetiva e cultural, devendo enquadrar-se nos desafios e exig\u00eancias do nosso tempo.<\/p>\n<p>Destaca-se a import\u00e2ncia de renovar a forma de comunicar, promovendo uma linguagem mais cuidada, aberta e adaptada \u00e0s realidades, capaz de clarificar os conte\u00fados da f\u00e9, e que fa\u00e7a uso regular da comunica\u00e7\u00e3o digital e das redes sociais para uma melhor evangeliza\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e proximidade. Uma linguagem que abandone determinados formalismos e dicotomias exclusivas de batizados\/n\u00e3o batizados, crentes\/n\u00e3o crentes, etc., para que todos se sintam membros da mesma comunidade. Manifesta-se a necessidade de uma revis\u00e3o da forma como se celebra e de uma redescoberta do significado dos sacramentos, de modo a levar as pessoas a fazerem a experi\u00eancia do encontro com Jesus Cristo vivo. A este prop\u00f3sito, sublinha-se a import\u00e2ncia da criatividade, para ser capaz de levar a Boa Nova de Cristo a novos espa\u00e7os e novos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do espa\u00e7o f\u00edsico, salientou-se a necessidade de se repensar a disposi\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de ora\u00e7\u00e3o, para que o esp\u00edrito de comunh\u00e3o seja mais intensamente vivido pelos fi\u00e9is. \u00c9 tamb\u00e9m importante eliminar as barreiras arquitet\u00f3nicas e outros obst\u00e1culos que dificultem o acesso aos espa\u00e7os de culto.<\/p>\n<p>Assinalou-se a necessidade de ir ao encontro dos jovens nas diferentes comunidades, acompanhando-os no seu processo de discernimento vocacional, dando-lhes maior voz e protagonismo na dinamiza\u00e7\u00e3o de atividades e projetos nas inst\u00e2ncias eclesiais de decis\u00e3o. \u00c9 fundamental que os jovens se sintam comprometidos com a sua Igreja, mas que a Igreja se sinta dispon\u00edvel para os motivar, atrav\u00e9s, por exemplo, de figuras de refer\u00eancia que os ajudem a ser acolhidos e integrados. Mais do que pensar qual \u00e9 o lugar dos jovens na vida da Igreja \u00e9 preciso perceber que lugar pode ocupar a Igreja na vida dos jovens e, para isso, a Igreja tem que escutar e dar tempo aos jovens.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m manifestada a import\u00e2ncia da necessidade de reflex\u00e3o sobre o celibato sacerdotal, propondo que o mesmo seja opcional; sobre a valoriza\u00e7\u00e3o do papel da mulher num plano de igualdade com o homem, incorporando-a nas estruturas do poder eclesial e sobre a harmoniza\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios e regras comuns para a pastoral e sacramentos, uniformizando as respostas de cada par\u00f3quia, transformando-a, assim, numa casa de todos, lugar onde o amor e a miseric\u00f3rdia sejam o p\u00e3o nosso de cada dia.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito destaca-se tamb\u00e9m o desejo de uma maior comunh\u00e3o inter-congregacional, promovendo uma maior colegialidade entre as din\u00e2micas diocesanas e as religiosas, apresentadas pelos v\u00e1rios carismas de institutos e congrega\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Este testemunho de comunh\u00e3o \u00e9 tido como vantajoso para que o caminho deixe de ser feito a partir de cada um e passe a ser assumido como uma necessidade de todos, convocados pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Por fim, salientou-se a import\u00e2ncia de se consolidar a consci\u00eancia sinodal, dando continuidade a esta din\u00e2mica de caminhada conjunta, com linhas pastorais program\u00e1ticas suscitadas pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa para toda a Igreja em Portugal, programa este delineado a partir da escuta das dioceses que, por sua vez, escutam as suas comunidades, refletindo e concretizando as propostas de mudan\u00e7a apresentadas, numa perspetiva de caminho conjunto criativo \u00e0 escuta do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>O mundo precisa de uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d, que rejeite a divis\u00e3o entre crentes e n\u00e3o crentes, que olhe para a humanidade e lhe ofere\u00e7a mais do que uma doutrina ou uma estrat\u00e9gia, uma experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o, um \u201cgolpe de dom\u201d que atenda ao grito da humanidade e da natureza.<\/p>\n<p>Lisboa, 5 de agosto de 2022<\/p>\n<p>Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Sinodo20212023_CEP_RelatorioPortugal.pdf\" target=\"_blank\" 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