{"id":6847,"date":"2020-11-21T18:31:59","date_gmt":"2020-11-21T18:31:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=6847"},"modified":"2020-11-22T16:34:08","modified_gmt":"2020-11-22T16:34:08","slug":"os-desafios-do-lema-das-jmj-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/os-desafios-do-lema-das-jmj-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Os desafios do lema das JMJ de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_6848\" aria-describedby=\"caption-attachment-6848\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6848 size-medium\" src=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-1080x720.jpeg 1080w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-980x653.jpeg 980w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1-480x320.jpeg 480w, https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/Conferencia-DJTolentino-35-1.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6848\" class=\"wp-caption-text\">Foto: JMJLisboa2023<\/figcaption><\/figure>\n<p>O lema das JMJ 2023 que decorrer\u00e3o em Lisboa, reunindo jovens de todo o mundo, \u00e9 uma passagem do Evangelho de S\u00e3o Lucas: \u00abMaria levantou-se e partiu apressadamente\u00bb (Lc 1,39). Parece uma afirma\u00e7\u00e3o simples, de compreens\u00e3o imediata, mas a verdade \u00e9 que quanto mais aceitamos refletir e rezar sobre ela, mais facetas descobrimos e maior \u00e9 a intensidade do seu impacto espiritual em n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Perguntas em busca de resposta<\/strong><\/h4>\n<p>Quando olhamos com aten\u00e7\u00e3o para a decis\u00e3o que Maria tomou de levantar-se e meter-se a caminho para alcan\u00e7ar a casa de Zacarias e Isabel apercebemo-nos que esta tem o seu qu\u00ea de enigm\u00e1tico. A comprovar este car\u00e1ter intrigante est\u00e1, por exemplo, o facto de at\u00e9 Isabel se mostrar surpreendida quando a v\u00ea chegar: \u00abA que devo eu que a m\u00e3e do meu Senhor me venha visitar?\u00bb (v.43). Mas tamb\u00e9m o leitor do Evangelho se pode perguntar porque \u00e9 que Maria se levantou e partiu t\u00e3o apressadamente. Que motivos a <u>conduziram<\/u> a esta a\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Situando-nos no texto b\u00edblico h\u00e1 uma s\u00e9rie de hip\u00f3teses que podemos colocar, mas tamb\u00e9m descartar<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Primeira: Ser\u00e1 que Maria se sente de alguma maneira em perigo depois do que lhe havia sido revelado pelo Anjo e, com esta viagem, estar\u00e1 em busca de distanciamento ou \u00e0 procura de um ref\u00fagio? Resposta: Ela tinha a seu lado Jos\u00e9 que a poderia proteger. Se fosse esse o caso ativaria certamente essa prote\u00e7\u00e3o. Segunda hip\u00f3tese: Ser\u00e1 que ela foi informada que a sua parente Isabel n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m que a pudesse auxiliar, naquela ocasi\u00e3o particularmente sens\u00edvel para uma mulher? Resposta: N\u00e3o \u00e9 isso que sugere o relato do Evangelho de Lucas quando nos refere a presen\u00e7a, em torno a Isabel e Zacarias, de \u00abvizinhos e parentes\u00bb que se alegraram com o nascimento de Jo\u00e3o Batista (v.58) e que poderiam lhe valer naquela situa\u00e7\u00e3o. Terceira hip\u00f3tese: Ser\u00e1 que o motivo da viagem de Maria foi ainda assim a oferta generosa dos seus pr\u00e9stimos de cuidado a Isabel no per\u00edodo em que esta estava para ser m\u00e3e? Resposta: Se esta raz\u00e3o utilit\u00e1ria tivesse sido a raz\u00e3o dominante, porque \u00e9 que se demorou junto dela apenas uns tr\u00eas meses (v.56) e partiu de regresso a Nazar\u00e9 antes do parto acontecer? Al\u00e9m disso, o Evangelho n\u00e3o relata nenhuma a\u00e7\u00e3o desse g\u00e9nero, mas faz apenas mem\u00f3ria das palavras que Maria e Isabel trocaram entre si.<\/p>\n<p>Para adensar o mist\u00e9rio, Maria aparentemente parte sozinha para aquela povoa\u00e7\u00e3o da Judeia quando a forma habitual de viajar no tempo era em grupo ou caravana. E Maria tem pela frente mais de 120 Kms de caminho, cerca de tr\u00eas ou quatro dias de viagem a p\u00e9! Al\u00e9m disso ela toma o caminho das montanhas, que era de facto um dos caminhos poss\u00edveis de liga\u00e7\u00e3o entre a Galileia e a Judeia, mas era menos frequentado e mais dif\u00edcil que aquele plano que costeava a linha do rio Jord\u00e3o. S\u00e3o tudo perguntas para as quais n\u00e3o temos uma resposta imediata. Uma coisa \u00e9 certa, os elementos oferecidos pelo texto evang\u00e9lico fazem-nos perceber que para Maria se tratava de uma decis\u00e3o importante, que ela n\u00e3o quis adiar. Mas o que \u00e9 que est\u00e1 verdadeiramente em jogo na sua decis\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>No princ\u00edpio est\u00e1 o <\/strong>\u00ab<strong>sim<\/strong>\u00bb<\/h4>\n<p>Recordemos que a frase que nos informa que \u00abMaria se levantou e partiu apressadamente\u00bb (Lc 1,39) surge imediatamente a seguir \u00e0 cena da Anuncia\u00e7\u00e3o (Lc 1,26-38), e que esta se conclui com o assentimento dado por Maria ao plano de Deus: \u00abEis a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a vossa palavra\u00bb. Este sim livre e comprometido determina a partir de agora a sua exist\u00eancia. Tudo o que se sucede daqui para diante pede para ser lido \u00e0 luz deste sim gravado como prioridade no cora\u00e7\u00e3o de Maria. Podemos, por isso, dizer que no princ\u00edpio da sua decis\u00e3o est\u00e1 este grande sim.<\/p>\n<p>De facto, o v.39 ao qual pertence o lema das JMJ come\u00e7a deste modo: \u00abUns dias depois, Maria levantou-se&#8230;\u00bb. Esta f\u00f3rmula adverbial, \u00abuns dias depois\u00bb, n\u00e3o \u00e9 muito exata quanto \u00e0 indica\u00e7\u00e3o do tempo em que a a\u00e7\u00e3o se realiza, mas \u00e9 indiscutivelmente precisa na liga\u00e7\u00e3o que estabelece dos epis\u00f3dios entre si (cf. outros exemplos em Lc 2,1; 4,2; 5,35; 6,12; 9,36). Quer dizer, para o evangelista S\u00e3o Lucas \u00e9 fundamental passar ao leitor a informa\u00e7\u00e3o de que o epis\u00f3dio da anuncia\u00e7\u00e3o e o da visita\u00e7\u00e3o t\u00eam uma forte correla\u00e7\u00e3o interna que \u00e9 preciso colher. Na verdade, quando Maria responde ao mensageiro divino dizendo \u00abeis a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a vossa palavra\u00bb (v.38) ela est\u00e1 a afirmar que a sua vida est\u00e1 colocada nas m\u00e3os de Deus e ao servi\u00e7o de Deus. E esta sua resposta recorda-nos duas coisas: que a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o interpela de forma concreta a vida de cada membro do Povo de Deus e que a nossa ades\u00e3o a essa Hist\u00f3ria \u00e9 dada no real da vida, implicando-nos a\u00ed, \u00abe n\u00e3o numa ontologia abstrata\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e impessoal.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que Maria se levanta e parte? A raz\u00e3o \u2013 temos de o reconhecer \u2013 n\u00e3o \u00e9 apenas externa, mas interna. Deus entrou na sua vida. Maria \u00e9 transformada pela visita de Deus. E a consci\u00eancia do impacto do amor de Deus, experimentado numa forma vital, n\u00e3o a deixa mais parada, nem a autoriza a ser apenas espectadora do curso dos acontecimentos. Um dos biblistas que comentam esta p\u00e1gina, Joseph A. Fitzmyer, n\u00e3o tem d\u00favidas: \u00abo que se pretende indicar [com a viagem apressada de Maria] \u00e9 a sua rea\u00e7\u00e3o ao que o mensageiro celeste acaba de lhe comunicar\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. O acolhimento do dom de Deus que lhe foi comunicado mexe com a sua vida, altera a sua rotina, sugere-lhe que v\u00e1 al\u00e9m. O sim de Maria \u00e9 din\u00e2mico. A sua partida \u00e9 assim consequ\u00eancia de uma experi\u00eancia de amor e de f\u00e9 conscientemente iniciadas. A viagem constitui uma forma clara e comprometida de resposta. E \u00abexprime a sua pronta obedi\u00eancia\u00bb a se responsabilizar com o acontecer da Palavra do Senhor.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Testemunhar com os pr\u00f3prios olhos o acontecer de Deus<\/strong><\/h4>\n<p>Uma aproxima\u00e7\u00e3o textual importante que nos ajuda a compreender a iniciativa de Maria \u00e9 aquela da cena dos pastores, no cap\u00edtulo 2 do Evangelho de S\u00e3o Lucas. Recordemos essa passagem e notemos o paralelo flagrante com a nossa:<\/p>\n<p>\u00abE o anjo disse [aos pastores]: N\u00e3o temais, porque vos anuncio uma grande alegria, que o ser\u00e1 para todo o povo: na cidade de David, nasceu hoje para v\u00f3s o Salvador, que \u00e9 Cristo, o Senhor. E isto vos servir\u00e1 de sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. [&#8230;] E aconteceu que, quando os anjos se afastaram para os c\u00e9us, os pastores disseram uns aos outros: Vamos, pois, at\u00e9 Bel\u00e9m, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e Jos\u00e9, e o menino deitado na manjedoura\u00bb. (Lc 2,10-12.15-16)<\/p>\n<p>Quando Maria interrogou o anjo, \u00abcomo se far\u00e1 isto, visto que n\u00e3o conhe\u00e7o homem algum?\u00bb (Lc 1,34), este n\u00e3o s\u00f3 a elucidou sobre a modalidade da gesta\u00e7\u00e3o de Deus no seu seio, \u00abdescer\u00e1 sobre ti o Esp\u00edrito Santo, e a virtude do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com a sua sombra\u00bb (v.35) mas, tal como no an\u00fancio aos pastores, lhe referiu um sinal, que era uma garantia das suas palavras: \u00abIsabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e \u00e9 este o sexto m\u00eas para aquela que era chamada est\u00e9ril. Porque a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel\u00bb. (vv.36-37)<\/p>\n<p>Podemos notar v\u00e1rias semelhan\u00e7as entre os dois textos: 1) Tanto Maria como os pastores recebem uma boa-nova dos mensageiros celestes; 2) Tanto a Maria como aos pastores \u00e9 referido um sinal que funciona como uma garantia e um penhor; 3) Tanto Maria como os pastores se dirigem apressadamente para verem com os seus pr\u00f3prios olhos esse sinal que mostra como a a\u00e7\u00e3o salvadora de Deus se est\u00e1 j\u00e1 a manifestar na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A concluir, perguntemo-nos ent\u00e3o: o que faz mover Maria? O que a leva, na sua situa\u00e7\u00e3o, a levantar-se e a partir apressadamente? A resposta \u00e9: Maria quer confirmar a experi\u00eancia da sua f\u00e9; Maria tem fome e sede de ver com os seus olhos; quer tocar a condi\u00e7\u00e3o tang\u00edvel e hist\u00f3rica dessa verdade que lhe foi anunciada e que a coenvolve. Por isso, a pressa de Maria n\u00e3o deve ser entendida simplesmente em sentido f\u00edsico: \u00e9 dentro de si, no seu cora\u00e7\u00e3o que Maria tem pressa, que Maria vibra na expectativa de Deus. A sua pressa \u00e9 \u00abuma disposi\u00e7\u00e3o interior, um estado de esp\u00edrito\u00bb<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, o vivo desejo de contemplar alguma coisa que ocupa agora o centro do seu cora\u00e7\u00e3o. Maria quer ser testemunha. Ela tem a pretens\u00e3o \u2013 que \u00e9, no fundo, aquela de todo o cora\u00e7\u00e3o crente \u2013 de verificar que os sonhos de Deus n\u00e3o se dissipam no nada como bolas de sab\u00e3o no tempo, mas transformam efetivamente a vida, rasgando-a a uma esperan\u00e7a maior do que ela pr\u00f3pria. \u00c9 assim que, pouco mais adiante no texto evang\u00e9lico, vamos assistir \u00e0 explos\u00e3o de alegria e louvor de Maria, magnificando a Deus. Ela v\u00ea por si mesma que \u00e9 verdade que Deus atua na nossa hist\u00f3ria, e diz: \u00abA minha alma glorifica o Senhor, e o meu esp\u00edrito se alegra em Deus meu Salvador; porque p\u00f4s os olhos na humildade da sua serva\u00bb (Lc 1,46-48).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Mediadoras do protagonismo de Jesus na hist\u00f3ria<\/strong><\/h4>\n<p>No epis\u00f3dio da Visita\u00e7\u00e3o, Maria \u00abrecebe de Deus o sinal prometido\u00bb<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, mas o sinal vai muito para l\u00e1 da mera constata\u00e7\u00e3o de que Isabel est\u00e1 gr\u00e1vida. N\u00e3o s\u00f3 a gravidez da parente de Maria \u00e9 um facto, mas, \u00e0 sua chegada, o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Batista salta de alegria no seio m\u00e3e. Vejamos o relato b\u00edblico:<\/p>\n<p>\u00abQuando Isabel ouviu a sauda\u00e7\u00e3o de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Esp\u00edrito Santo. Ent\u00e3o, erguendo a voz, exclamou: \u00abBendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre. E donde me \u00e9 dado que venha ter comigo a m\u00e3e do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua sauda\u00e7\u00e3o, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, que se cumpriria tudo o que te foi dito da parte do Senhor.\u00bb (Lc 1, 41-45)<\/p>\n<p>A chegada de Maria e a sua sauda\u00e7\u00e3o provocam o sobressalto do menino no seio de Isabel. O sentido simb\u00f3lico da movimenta\u00e7\u00e3o dos fetos nas barrigas das m\u00e3es s\u00e3o conhecidos na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Entre as cenas desse tipo, uma das mais singulares \u00e9 certamente a dos g\u00e9meos Esa\u00fa e Jacob que, lutando no seio de Rebeca, prefiguravam j\u00e1 a rivalidade posterior em que haveriam de viver (Gen 25,22-23). Devemos procurar tamb\u00e9m um significado simb\u00f3lico e prof\u00e9tico para o sobressalto do menino nas entranhas de Isabel. Esse exprime, como que em antecipa\u00e7\u00e3o, o envolvimento futuro do Batista na miss\u00e3o de Jesus. Pelas palavras de Isabel pode-se perceber que aquele \u00e9 um verdadeiro sobressalto de alegria. Nada menos que a alegria de se encontrar diante de Jesus, presente j\u00e1 no seio de Maria. De facto, a alegria espelha \u00aba rea\u00e7\u00e3o do ser humano diante da a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus que se realiza em particular com o nascimento de Jesus (Lc 2,10)\u00bb<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Nesse sentido, a alegria de Jo\u00e3o Batista ser\u00e1 a alegria de todo o povo, ser\u00e1 a nossa alegria perante o Messias.<\/p>\n<p>Um coment\u00e1rio muito interessante \u00e9 aquele que Santo Ambr\u00f3sio faz deste momento. Escreve ele: \u00abIsabel escutou a voz em primeiro lugar, mas Jo\u00e3o foi o primeiro a experimentar a gra\u00e7a: ela escutou na ordem da natureza, este exultou pelo efeito do mist\u00e9rio; ela apercebeu-se da vinda de Maria, este da vinda do Senhor\u00bb<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. \u00c9 absolutamente verdade: n\u00e3o chegaremos ao \u00e2mago teol\u00f3gico e espiritual deste texto se n\u00e3o concordarmos que o fulcro de \u00abtoda a cena se funda na presen\u00e7a de Jesus em Maria\u00bb.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> N\u00e3o \u00e9 por acaso que Isabel lhe chama \u00aba m\u00e3e do meu Senhor\u00bb. Porque no encontro de ambas, Jesus \u00e9 o protagonista e elas oferecem a sua vida, at\u00e9 as suas entranhas, como media\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desse protagonismo. Por isso Maria e Isabel surgem como int\u00e9rpretes comprometidas com o evento messi\u00e2nico, com a centralidade salvadora de Jesus que, recorde-se, n\u00e3o \u00e9 uma coisa do passado, mas \u00e9 a boa nova para hoje, para as mulheres e os homens deste nosso tempo. \u00c9 a raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>Levantamo-nos e partimos, porque Deus veio ao nosso encontro <\/strong><\/h4>\n<p>Quando, no Domingo de Ramos de 1986 se celebravam as primeiras Jornadas Mundiais da Juventude, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II explicava desta maneira o seu significado: \u00abn\u00e3o ficaram desiludidos aqueles que na entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m haviam gritado: \u201cHossana ao Filho de David! Bendito aquele que vem em Nome do Senhor\u201d&#8230; No entardecer de Sexta-feira santa tudo parecia testemunhar a vit\u00f3ria do pecado e da morte, todavia tr\u00eas dias depois falou mais alto a \u201cpedra retirada do sepulcro\u201d. E n\u00e3o ficaram desiludidos. Todas as expectativas do Ser Humano foram completamente superadas. E por isso celebramos neste dia a Jornada da Juventude. [&#8230;] N\u00e3o ficaram desiludidos aqueles que na entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m haviam gritado: \u201cHossana ao Filho de David! Bendito aquele que vem em Nome do Senhor\u201d. Sim. Ele vem. Deus entrou na hist\u00f3ria humana. Em Jesus Cristo Deus entrou de modo definitivo na hist\u00f3ria do homem. V\u00f3s, jovens, deveis encontr\u00e1-Lo em primeiro lugar. Deveis encontr\u00e1-Lo constantemente\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Isso mesmo tamb\u00e9m recordou o Papa Francisco aos jovens nas suas primeiras JMJ, no Rio de Janeiro: \u00abJesus foi quem veio primeiro para junto de n\u00f3s e n\u00e3o nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a miseric\u00f3rdia de Deus\u00bb<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. E voltou a insistir nas JMJ do Panam\u00e1: \u00abJesus revela o\u00a0<em>agora<\/em>\u00a0de Deus, que vem ao nosso encontro para nos chamar, tamb\u00e9m a n\u00f3s, a tomar parte no seu\u00a0<em>agora<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Com Maria, aprendemos que se nos levantamos e partimos \u00e9 porque primeiro Deus vem ao nosso encontro. Por muito que isso nos pare\u00e7a surpreendente, Ele entra na nossa hist\u00f3ria. O contacto com o Seu amor incondicional, a Boa Nova desse amor \u00e9 a experi\u00eancia que deve preceder tudo. Por isso, as JMJ n\u00e3o s\u00e3o apenas uma das maiores concentra\u00e7\u00f5es humanas e juvenis do planeta, com tudo o que isso representa em termos de super-organiza\u00e7\u00e3o. As JMJ devem, e muito particular nestes anos de prepara\u00e7\u00e3o, fazer chegar a cada jovem a Boa Not\u00edcia de que ela, de que ele foram encontrados por Jesus e que isso faz a diferen\u00e7a. Como aconteceu com os primeiros disc\u00edpulos, \u00e0 beira do lago. Como aconteceu por exemplo, com aquele jovem chamado Natanael, que espantado por Jesus mostrar j\u00e1 conhec\u00ea-lo lhe pergunta: \u00abDe onde me conheces tu?\u00bb. E Jesus esclareceu: \u00abAntes que Filipe te chamasse, eu j\u00e1 te tinha visto\u00bb (Jo 1,48). V\u00eam-me ao pensamento aqueles versos de Sophia de Mello Breyner Andresen: \u00abcaminho como quem\/ \u00c9 olhado, amado e conhecido\/ E por isso em cada gesto ponho\/ Solenidade e risco\u00bb. Ser visto, ser conhecido, ser amado por Jesus d\u00e1-nos a capacidade de arriscar fazer da vida uma teofania, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser jovem hoje. No documento final do ainda recente S\u00ednodo dos Bispos sobre os Jovens (outubro de 2018), o diagn\u00f3stico que surge d\u00e1 que pensar<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>: os jovens t\u00eam o desejo profundo de ser ouvidos, reconhecidos, acompanhados, mas muitos sentem por experi\u00eancia que a sua voz n\u00e3o \u00e9 considerada; por vezes predomina a tend\u00eancia a oferecer aos jovens respostas pr\u00e9-fabricadas e receitas prontas, sem deixar sobressair as perguntas juvenis na sua novidade, nem entender a sua provoca\u00e7\u00e3o; cresce a incerteza quanto ao futuro e os grandes problemas das sociedades contempor\u00e2neas configuram-se como uma amea\u00e7a que se tornar\u00e1 sempre mais pesada se estas n\u00e3o aceitarem uma convers\u00e3o dos seus modelos: pense-se nas muta\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e na emerg\u00eancia ecol\u00f3gica; o tempo atual navega numa indefini\u00e7\u00e3o acerca do bem comum, do valor sagrado da vida e de um projeto social capaz de englobar a todos; \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver as consequ\u00eancias da ditadura da indiferen\u00e7a e do descarte que subrepticiamente marca as transa\u00e7\u00f5es sociais, onde ningu\u00e9m tem tempo para ningu\u00e9m; amplia-se o desenraizamento familiar, cultural e religioso experimentado com maior gravidade entre os jovens; avoluma-se no horizonte o impacto sempre maior da intelig\u00eancia artificial a condicionar os comportamentos humanos; \u00e9 sempre mais vis\u00edvel a ambiguidade da <em>web<\/em>\u00a0e das redes sociais que constituem uma extraordin\u00e1ria via de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao conhecimento, tal como de encontro e interc\u00e2mbio entre as pessoas, mas que s\u00e3o tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de solid\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o, que afasta os jovens do contacto com a realidade concreta, impedindo frequentemente o desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais aut\u00eanticas; torna-se gritante o drama do desemprego, do emprego prec\u00e1rio e da emigra\u00e7\u00e3o que afeta hoje tantos jovens; h\u00e1 uma distor\u00e7\u00e3o dos valores \u00e9ticos numa cultura como a hodierna que, em tantos \u00e2mbitos, deixou de colocar no seu centro uma vis\u00e3o integral da pessoa humana; dissemina-se a falta de raz\u00f5es de esperan\u00e7a e de sentido e os jovens sentem-se n\u00e3o raro perdidos num mundo l\u00edquido, sem pontos de refer\u00eancia, um mundo em derrapagem que tem como programa a satisfa\u00e7\u00e3o imediata, em vez de ajudar a construir uma felicidade duradoura; os jovens hoje olham com receio e inquieta\u00e7\u00e3o um presente hist\u00f3rico que parece n\u00e3o ter grande lugar para eles.<\/p>\n<p>Ora, \u00e9 a este mundo juvenil concreto que \u00e9 preciso anunciar o quanto ele \u00e9 amado por Deus. Que Deus tem como projeto nada menos que a sua felicidade, a sua realiza\u00e7\u00e3o plena. Que Deus faz dos jovens protagonistas da hist\u00f3ria. As JMJ constituem, portanto, uma extraordin\u00e1ria oportunidade para acender o Evangelho nos cora\u00e7\u00f5es. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, recordou o primeiro encontro que teve com o Papa Francisco, depois da convoca\u00e7\u00e3o das Jornadas Mundiais da Juventude para Lisboa, durante o qual perguntou: \u00abO que \u00e9 que o Santo Padre quer mais precisamente para as jornadas de Lisboa?\u00bb. E o Papa, soletrando, devagarinho, disse: \u00abE-van-ge-li-za-\u00e7\u00e3o\u00bb<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Seja esta uma intensa esta\u00e7\u00e3o de Evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>As JMJ s\u00e3o um sinal <\/strong><\/h4>\n<p>As JMJ n\u00e3o s\u00e3o o princ\u00edpio (esse \u00e9, acabamos de ver, a iniciativa que Deus tem de amar-nos na pessoa de Jesus), nem s\u00e3o a finalidade (esse \u00e9, veremos, o protagonismo de Jesus na hist\u00f3ria). Mas tal como os pastores em rela\u00e7\u00e3o ao pres\u00e9pio o fizeram, e Maria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidez de Isabel o realizou, as JMJ funcionam como um sinal. E a verdade \u00e9 que n\u00f3s precisamos de sinais, pois eles confirmam e consolidam a nossa f\u00e9, d\u00e3o \u00e2nimo ao nosso caminho de esperan\u00e7a, inspiram o nosso compromisso de amor. D. Joaquim Mendes, falando sobre as Jornadas de Lisboa, referiu-se a elas como \u00abum grande sinal para o mundo de esperan\u00e7a na juventude\u00bb<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Maria levantou-se e partiu para contemplar e fazer parte do sinal que dava evid\u00eancia \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria. E \u00e9 um desejo semelhante, uma fome de tocar e de ser um sinal que levar\u00e1 jovens de todo o mundo a Lisboa.<\/p>\n<p>Recordo, por exemplo, os testemunhos que li de jovens portugueses acerca do sinal que para eles constitu\u00edram as JMJ do Panam\u00e1. O testemunho do Joaquim Goes: \u00ab\u00c9ramos todos diferentes \u2013 eu nunca tinha estado, por exemplo, com pessoas da Guatemala ou de El Salvador, pa\u00edses que n\u00f3s ouvimos falar, mas que nem sabemos bem a realidade que l\u00e1 se vive \u2013, mas todas essas diferen\u00e7as, ali, se desvaneciam para vivermos juntos aquele momento. O Papa fez quest\u00e3o de lembrar isso: n\u00f3s somos muitos diferentes, de origens e culturas diferentes, mas ali \u00e9ramos todos iguais, n\u00e3o havia diferen\u00e7as perante Cristo. Perante Deus, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as\u00bb<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. O testemunho da Rita Rito: \u00abAndava numa fase de busca dos meus alicerces e daquilo que queria para a minha vida. A JMJ ajudou a confirmar que queria Deus\u00bb<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. O testemunho da Margarida Patroc\u00ednio: \u00abPrecisamos de um aban\u00e3o de f\u00e9. Precisamos de seguir mais a Cristo\u00bb.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>Mas como \u00e9 que as JMJ podem ser um sinal? Certamente n\u00e3o \u00e0 maneira do en\u00e9simo festival da juventude, nem situando-se numa l\u00f3gica de um mega-acontecimento pontual que deixa tudo como est\u00e1. Penso que a \u00fanica forma fecunda de as JMJ serem um sinal prof\u00e9tico \u00e9 atualizando no cora\u00e7\u00e3o dos jovens a consci\u00eancia de que eles pr\u00f3prios s\u00e3o um sinal. Como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II, \u00aba Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (L.G., 1). E como explica o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <strong>\u00ab<\/strong>incorporado em Cristo pelo Batismo, o batizado \u00e9 configurado com Cristo\u00bb (n. 1272) e participa \u00abno sacerd\u00f3cio de Cristo, na sua miss\u00e3o prof\u00e9tica e real\u00bb (n.1268). Os jovens s\u00e3o o verdadeiro sinal. E todos juntos sinalizam a for\u00e7a do Evangelho, uma esperan\u00e7a que o mundo n\u00e3o pode ignorar.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que as JMJ recordem e avivem em cada jovem crist\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o de sinal. N\u00e3o podemos ser crist\u00e3os de bancada ou de sof\u00e1. Isso em que insiste o Papa na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abChristus vivit\u00bb: \u00abJovens, n\u00e3o renuncieis ao melhor da vossa juventude, n\u00e3o fiqueis a observar a vida da sacada. N\u00e3o confundais a felicidade com um sof\u00e1 nem passeis toda a vossa vida diante dum ecr\u00e3&#8230; N\u00e3o aceiteis viver com a alma anestesiada, nem olheis o mundo como se f\u00f4sseis turistas. Fazei-vos ouvir! Lan\u00e7ai fora os medos que vos paralisam, para n\u00e3o vos tornardes jovens mumificados. Vivei! Entregai-vos ao melhor da vida!\u00bb (n.143).<\/p>\n<p>Hoje, na paisagem do mundo, os jovens crist\u00e3os s\u00e3o chamados a ser um sinal, a representar a condi\u00e7\u00e3o de uma pergunta, a serem sal e fermento na massa, cred\u00edveis sentinelas da aurora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Comprometidos com o protagonismo de Jesus na hist\u00f3ria<\/strong><\/h4>\n<p>Quando Maria se levanta e parte o que \u00e9 que descobre? Descobre a beleza do protagonismo de Deus na hist\u00f3ria. Como lhe diz Isabel, ela \u00e9 de facto feliz porque acreditou. Maria rel\u00ea toda a sua hist\u00f3ria e a hist\u00f3ria do seu povo como uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, onde \u00e9 poss\u00edvel detetar a cada momento a fidelidade de Deus. E, por isso, Maria pode cantar no seu c\u00e2ntico de louvor a desfataliza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria que Deus opera atrav\u00e9s do Seu Filho. Temos raz\u00f5es para crer. Temos raz\u00f5es para cantar.<\/p>\n<p>Maria ajuda-nos, no fundo, a ver como em cada um de n\u00f3s confluem todas as promessas de Deus, todos os sonhos, todas as miseric\u00f3rdias. E como somos herdeiros e transmissores da vida divina. Como \u00e9 fundamental que, acolhendo o exemplo de Maria, os jovens se comprometam com o protagonismo de Jesus na hist\u00f3ria, que \u00e9 a alavanca e o motor da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Que isso em grande parte j\u00e1 acontece prova-o o sonho das JMJ de 2023, em Lisboa. Gostei muito de ouvir D. Manuel Clemente descrev\u00ea-lo assim: \u00ab<em>estas jornadas em Lisboa devem-se, sobretudo, ao movimento grande dos jovens cat\u00f3licos de Portugal, que, de v\u00e1rias maneiras, de h\u00e1 uns anos a esta parte, t\u00eam pedido que haja um acontecimento assim em Portugal\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><em>.<\/em> As JMJ j\u00e1 est\u00e3o em marcha porque existe esse radioso compromisso em milhares de jovens. A tarefa \u00e9 agora refor\u00e7ar o compromisso e organizar o empenho, \u00e9 mobilizar para dar corpo a este sonho. Que cada jovem se assuma como um incans\u00e1vel mission\u00e1rio de Jesus junto de todos, especialmente junto dos outros jovens; que todos os ambientes juvenis (fam\u00edlia, amigos, escola e universidade, trabalho, realidades de vida crist\u00e3, vida social&#8230;) sejam alcan\u00e7ados pela boa-nova; que o entusiasmo se torne efetivo e transbordante.<\/p>\n<p>Que a urg\u00eancia que apressou o passo de Maria deflagre tamb\u00e9m em n\u00f3s como uma alegria que cresce e que j\u00e1 nada pode travar.<\/p>\n<p>Termino esta catequese com palavras do coment\u00e1rio de Santo Ambr\u00f3sio \u00e0 cena da Visita\u00e7\u00e3o, donde prov\u00e9m o lema que nos guiar\u00e1 at\u00e9 Lisboa. Santo Ambr\u00f3sio escrevia: \u00abVede bem que Maria n\u00e3o duvidou&#8230; e por isso obteve o fruto da sua f\u00e9. <em>Feliz \u00e9s tu porque acreditaste<\/em>. Mas felizes sereis tamb\u00e9m v\u00f3s se tendo ouvido, acreditardes. Pois cada alma que acredita, concebe e gera o Verbo de Deus\u00bb<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 essa agora a nossa tarefa.<\/p>\n<p><em>Card. Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<br \/>\n<\/em><em>Catequese proferida na Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses \u00e0 delega\u00e7\u00e3o portuguesa que se deslocou a Roma\u00a0para receber das m\u00e3os do Santo Padre os s\u00edmbolos das JMJ<br \/>\n<\/em><em>\u2013 Roma, 21 de novembro 2020<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Rumo \u00e0 JMJ 2023: Confer\u00eancia de D. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UqlaMtYVvqM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. <em>Blaise Hospodar<\/em>, \u00ab<em>Meta<\/em>\u00a0Spoudes in Lk.1:39\u00bb in <em>Catholic Biblical Quarterly<\/em> 18 (1956), 14.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Fran\u00e7ois Bovon, El Evangelio Segun San Lucas, Lc 1-9, I (Salamanca: Sigueme, 1995), 116.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Joseph A. Fitzmyer, El Evangelio segun Lucas, II (Madrid: Cristiandad: 1986), 143.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> G\u00e9rard Ross\u00e9, Il vangelo di Luca (Roma: Citt\u00e0 Nuova, 1992), 65.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> P.-E.\u00a0Jacquemin, \u00abLa Visitation\u00bb in <em>Assembl\u00e9es du Seigneur<\/em> 8 (1972),68.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Heinz Sch\u00fcrmann, Il Vangelo di Luca (Brescia: Paideia, 1983) 166.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Santiago Grasso, Luca (Roma: Borla, 1999) 76.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sant\u2019Ambrogio, Esposizione del Vangelo secondo Luca (Roma: Citt\u00e0 Nuova, 1978), 23.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Augustin George, \u00c9tudes sur l\u2019oeuvre de Luc (Paris: Gabalda, 1978), 441.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/it\/homilies\/1986\/documents\/hf_jp-ii_hom_19860323_domenica-palme.html<br \/>\n<a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2013\/documents\/papa-francesco_20130728_celebrazione-xxviii-gmg.html<br \/>\n<a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2019\/documents\/papa-francesco_20190127_omelia-gmg-panama.html<br \/>\n<a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/synod\/documents\/rc_synod_doc_20181027_doc-final-instrumentum-xvassemblea-giovani_po.html<br \/>\n<a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> http:\/\/www.vozdaverdade.org\/mobile\/link1.php?id=8284<br \/>\n<a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-tema-da-jornada-mundial-da-juventude-e-um-grande-desafio-para-os-jovens-evangelizadores\/<br \/>\n<a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> http:\/\/www.vozdaverdade.org\/site\/index.php?cont_=ver2&amp;id=7955<br \/>\n<a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> http:\/\/www.vozdaverdade.org\/site\/index.php?cont_=ver2&amp;id=7895<br \/>\n<a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Precisamos de um aban\u00e3o de f\u00e9. Precisamos de seguir mais a Cristo.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> https:\/\/www.alvorada.pt\/novo\/index.php\/2-igreja\/341-lisboa-acolhe-jornadas-mundiais-da-juventude-em-2022-cardeal-patriarca-considera-uma-excelente-noticia<br \/>\n<a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Sant\u2019Ambrogio, Esposizione del Vangelo secondo Luca (Roma: Citt\u00e0 Nuova, 1978), 26.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":6848,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[74,4],"tags":[],"class_list":["post-6847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrada","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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