{"id":6239,"date":"2019-05-07T19:34:51","date_gmt":"2019-05-07T18:34:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=6239"},"modified":"2019-05-09T23:04:34","modified_gmt":"2019-05-09T22:04:34","slug":"a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/","title":{"rendered":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><em>A vossa alegria seja completa (Jo 15,11)<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol>\n<li>A alegria de que Jesus nos fala deriva do amor entre Ele e o Pai, amor que teve a sua express\u00e3o m\u00e1xima na oferta da vida pela sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa alegria que Ele oferece tamb\u00e9m ao casal crist\u00e3o que se une para sempre pelo sacramento do matrim\u00f3nio: uma alegria que se estende a toda a fam\u00edlia que assim come\u00e7a a formar-se e, por ela, a toda a Igreja e sociedade humana. Dela nos ocuparemos nas p\u00e1ginas que se seguem. Concentrar-nos-emos, para isso, na ess\u00eancia do matrim\u00f3nio crist\u00e3o. E s\u00f3 a partir dele abordaremos a necessidade da sua prepara\u00e7\u00e3o e do acompanhamento nos primeiros anos de vida conjugal.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Estamos, assim, em sintonia com o Papa Francisco, que nos pede \u201cum esfor\u00e7o mais respons\u00e1vel e generoso, que consiste em apresentar as raz\u00f5es e os motivos para se optar pelo matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia, de modo que as pessoas estejam melhor preparadas para responder \u00e0 gra\u00e7a que Deus lhes oferece\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Um pedido fundamentado na situa\u00e7\u00e3o por que est\u00e1 a passar a institui\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>A fam\u00edlia numa sociedade em mudan\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Os dados objetivos acerca do casamento e da fam\u00edlia revelam-se aparentemente contradit\u00f3rios a v\u00e1rios n\u00edveis. Por um lado, o mais comum entre n\u00f3s \u00e9 ainda que as crian\u00e7as nas\u00e7am, cres\u00e7am e sejam educadas no seio de um contexto familiar constitu\u00eddo por um pai e uma m\u00e3e, com rela\u00e7\u00e3o mais ou menos pr\u00f3xima com outros parentes, nomeadamente os av\u00f3s. Mais ainda, a grande maioria dos jovens, quando pensa no futuro, rev\u00ea-se neste modelo de fam\u00edlia e deseja constituir uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel que permita sonhar e projetar uma vida familiar saud\u00e1vel, harmoniosa e pac\u00edfica de modo permanente. Por isso, \u201cdevemos dar gra\u00e7as pela maioria das pessoas valorizar as rela\u00e7\u00f5es familiares que querem permanecer no tempo e garantem o respeito pelo outro\u201d (AL 38).<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>Por outro lado, n\u00e3o podemos ignorar o crescente n\u00famero de fam\u00edlias que experimentam a rotura, a separa\u00e7\u00e3o ou o div\u00f3rcio. O fracasso de um sonho de vida provoca inevitavelmente frustra\u00e7\u00e3o e sofrimento, que atingem sobretudo os filhos, especialmente se s\u00e3o menores de idade. In\u00fameros fatores concorrem para o fracasso de tantas fam\u00edlias, como o desemprego, a emigra\u00e7\u00e3o, os hor\u00e1rios desencontrados de trabalho, a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a depend\u00eancia viciante de um ou mais elementos do seio familiar ou, simplesmente, a desilus\u00e3o, a desist\u00eancia e o abandono de um dos c\u00f4njuges.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>Por tudo isso, diante de uma realidade que se descobre assim t\u00e3o fr\u00e1gil, alguns casais preferem n\u00e3o arriscar na celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio ou na constitui\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia. Optam simplesmente por \u201cviver juntos\u201d ou em uni\u00e3o de facto, conviv\u00eancias \u00e0 experi\u00eancia ou rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o exijam um compromisso radical. A ideia do \u201cpara sempre\u201d atemoriza e a perspetiva de \u201cinstitucionalizar o amor\u201d afigura-se desnecess\u00e1ria ou mesmo hostil. V\u00e3o ainda surgindo e proliferando \u201cnovas formas de fam\u00edlia\u201d nas suas v\u00e1rias vers\u00f5es de comunidades de vida n\u00e3o conjugal, fam\u00edlias monoparentais, fam\u00edlias reconstitu\u00eddas, comunidades de vida homossexuais ou exist\u00eancias individuais com rela\u00e7\u00f5es pontuais.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>O mundo atual carateriza-se ainda por uma popula\u00e7\u00e3o em constante movimento. Muitos milh\u00f5es de pessoas encontram-se em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria a v\u00e1rios n\u00edveis. Tantos s\u00e3o os migrantes, os deslocados, os desterrados e os que vivem em condi\u00e7\u00f5es abaixo do limiar de pobreza e de dignidade humana aceit\u00e1veis. Tantos s\u00e3o os que procuram melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, os desempregados ou com empregos prec\u00e1rios. \u00c9 cada vez mais frequente que o pai ou a m\u00e3e de fam\u00edlia se vejam obrigados a longos per\u00edodos de aus\u00eancia por raz\u00f5es profissionais num mundo cada vez mais global, em que a fam\u00edlia \u00e9 apenas mais uma pe\u00e7a no xadrez das pol\u00edticas econ\u00f3micas. Pol\u00edtica, economia e vida social criam uma cultura que influencia fortemente o n\u00edvel e o tipo de conviv\u00eancia familiar. Tamb\u00e9m estes fatores criam um novo tipo de mentalidade acerca do modelo de fam\u00edlia a constituir.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li>Diante de tantas adversidades, in\u00fameras fam\u00edlias continuam, embora com dificuldades, a viver e a testemunhar a beleza e a alegria da f\u00e9 e da proposta crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia. Por isso, \u201ccom \u00edntima alegria e profunda consola\u00e7\u00e3o, a Igreja olha para as fam\u00edlias que permanecem fi\u00e9is aos ensinamentos do Evangelho, agradecendo-lhes pelo testemunho que d\u00e3o e encorajando-as\u201d (AL 86), nomeadamente para que outros reconhe\u00e7am a incontest\u00e1vel import\u00e2ncia e o imperd\u00edvel valor do matrim\u00f3nio como sacramento.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>I \u2013 O MATRIM\u00d3NIO CRIST\u00c3O<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Segundo o evangelho de S. Jo\u00e3o, Jesus realizou o \u201c<em>primeiro sinal\u201d<\/em> p\u00fablico da sua miss\u00e3o no contexto de uma festa de casamento (cf. Jo 2,1-11). Maria estava l\u00e1 e Jesus fora convidado, com os seus disc\u00edpulos. \u00c9 \u00e0 luz da realidade esponsal, cume e inspira\u00e7\u00e3o de todas as rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos, segundo a cria\u00e7\u00e3o \u2013 \u201c<em>osso dos meus ossos e carne da minha carne\u201d<\/em> (Gn 2,23) \u2013 que o Evangelho exprime, de modo simb\u00f3lico, a nova alian\u00e7a de Deus com o seu povo e com toda a humanidade renovada em Cristo. Maria est\u00e1 a\u00ed presente como nova Eva e representante da primeira Alian\u00e7a de Deus com Israel, mas tamb\u00e9m como M\u00e3e e modelo da Nova Alian\u00e7a e da Igreja. \u00c9 ela que se apercebe que mesmo o melhor que a humanidade possa oferecer n\u00e3o \u00e9 suficiente por si s\u00f3<em>: <\/em>\u201c<em>N\u00e3o t\u00eam vinho!\u201d<\/em>; o vinho novo, o Esp\u00edrito de Deus, o dom total do amor e da vida, que brotam do cora\u00e7\u00e3o aberto de Jesus na cruz. Com Maria, a M\u00e3e Igreja tamb\u00e9m se dirige constantemente ao \u201cConvidado\u201d desta boda \u2013 de todas as bodas \u2013 para implorar o vinho novo da alegria, do amor e da vida e para recomendar aos noivos e esposos crist\u00e3os e a toda a humanidade<em>: <\/em>\u201c<em>Fazei tudo o que Ele vos disser!<\/em>\u201d<em>.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"8\">\n<li>O matrim\u00f3nio \u00e9 um caminho de beleza e alegria m\u00fatua em que cada um deseja e tudo faz para a felicidade do outro. Come\u00e7a no namoro em que ambos se v\u00e3o conhecendo e preparando uma vida na comunh\u00e3o de amor. Uma vida que se vai aprofundando e crescendo at\u00e9 ao \u201clivre e rec\u00edproco dom de si mesmos, que se manifesta com a ternura do afeto e, com as obras, penetra toda a sua vida; e aperfei\u00e7oa-se e aumenta pela sua pr\u00f3pria generosa atua\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> As diferentes etapas da rela\u00e7\u00e3o conjugal trazem, juntamente e at\u00e9 com as inevit\u00e1veis dificuldades pr\u00f3prias da vida, a alegria de um projeto comum. Este envolve, antes de mais, os pr\u00f3prios c\u00f4njuges, que v\u00e3o desenvolvendo a capacidade de colocar a felicidade do outro acima dos interesses e at\u00e9 das necessidades pr\u00f3prias e descobrindo a\u00ed uma alegria nova. Mas a rela\u00e7\u00e3o de amor conjugal transborda e abre-se \u00e0 fecundidade em que os filhos s\u00e3o a express\u00e3o mais abundante dessa alegria. Alegria que se vai transformando numa paz em que a estabilidade e a experi\u00eancia de vida permitem ir saboreando o surgir de novas gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"9\">\n<li>Isto mesmo pedimos na B\u00ean\u00e7\u00e3o nupcial, depois dos noivos prometerem voluntariamente, com Cristo no cora\u00e7\u00e3o e nos l\u00e1bios, fidelidade, amor e respeito em todas as situa\u00e7\u00f5es e por todo o tempo da sua vida:<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00abN\u00f3s Vos pedimos, Senhor, que estes vossos servos (N. e N.) permane\u00e7am unidos na f\u00e9 e na observ\u00e2ncia dos mandamentos; fi\u00e9is um ao outro, sirvam de exemplo pela integridade da sua vida; fortalecidos pela sabedoria do Evangelho, deem a todos bom testemunho de Cristo; (recebam o dom dos filhos, sejam pais de virtude comprovada, e possam ver os filhos dos seus filhos) e, depois de uma vida longa e feliz, alcancem o reino celeste, na companhia dos Santos\u00bb.<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>Cristo, for\u00e7a do sacramento do matrim\u00f3nio<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>Com isto n\u00e3o ignoramos o que se passa no cora\u00e7\u00e3o e na mente de tantos jovens a respeito do casamento, enquanto rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e permanente. Tamb\u00e9m ele cai dentro do \u00e2mbito das institui\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis: \u00c9 poss\u00edvel assumir um compromisso para a vida? Faz sentido fundar uma realidade que, \u00e0 partida e vendo o que acontece pelo mundo, parece pr\u00e1tica e humanamente invi\u00e1vel? N\u00e3o ser\u00e1 mais coerente e realista simplesmente aceitar a incapacidade para uma rela\u00e7\u00e3o conjugal que dure a vida toda?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Sabemos que estas e outras quest\u00f5es semelhantes inquietam muitos casais jovens crist\u00e3os e que, na hora de tomar uma decis\u00e3o para toda a vida, os levam a optar, alguns na melhor das hip\u00f3teses, por uma rela\u00e7\u00e3o em etapas: experimentam uma vida a dois, sem qualquer compromisso institucional; alguns casam civilmente; e, talvez posteriormente, em especial quando pensam em ter filhos, discernem a possibilidade de celebrar o sacramento do matrim\u00f3nio. O facto de este desejo surgir tardiamente, aquando da perspetiva de ter filhos, deve-se a in\u00fameras causas. Mas, entre elas, encontra-se, certamente e felizmente, a nostalgia de uma f\u00e9 recebida no batismo e porventura apenas latente ao longo da vida. F\u00e9 que agora, diante de t\u00e3o sublime miss\u00e3o, como \u00e9 a de dar \u00e0 luz um filho e o educar, reconhece a necessidade da gra\u00e7a sacramental.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>A Igreja n\u00e3o ignora esta realidade e, por isso, no \u00faltimo S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, os bispos afirmaram: \u201cO olhar de Cristo, cuja luz ilumina todo o homem (cf. Jo 1, 9; GS 22), inspira o cuidado pastoral da Igreja pelos fi\u00e9is que simplesmente vivem juntos, que contra\u00edram matrim\u00f3nio apenas civil ou s\u00e3o divorciados que voltaram a casar. Na perspetiva da pedagogia divina, a Igreja olha com amor para aqueles que participam de modo imperfeito na vida dela: com eles, invoca a gra\u00e7a da convers\u00e3o; encoraja-os a fazerem o bem, a cuidarem com amor um do outro e colocarem-se ao servi\u00e7o da comunidade onde vivem e trabalham. Quando a uni\u00e3o alcan\u00e7a uma estabilidade not\u00e1vel por meio dum v\u00ednculo p\u00fablico \u2013 e se reveste de afeto profundo, responsabilidade pela prole, capacidade de superar as prova\u00e7\u00f5es \u2013, pode ser vista como uma oportunidade a encaminhar para o sacramento do matrim\u00f3nio, sempre que este seja poss\u00edvel\u201d (AL 78).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O sacramento do matrim\u00f3nio est\u00e1 sempre no horizonte da proposta crist\u00e3, pois \u00e9 uma riqueza que a Igreja n\u00e3o deixa de partilhar. Por isso, ela reafirma o convite aos jovens crist\u00e3os para se abrirem ao an\u00fancio de amor e ternura, e para acolher a gra\u00e7a com que Jesus Cristo nos visita nos sacramentos.<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>Precisamente porque assumir um compromisso de absoluta fidelidade para a vida \u00e9 uma empresa feliz, por ser sujeita \u00e0 prova de inumer\u00e1veis dificuldades, por isso a Igreja oferece \u00e0queles que sonham com uma vida a dois a sua mais preciosa riqueza: a gra\u00e7a do sacramento do matrim\u00f3nio. \u00c9 que \u201co sacramento n\u00e3o \u00e9 uma <em>coisa<\/em> nem uma <em>for\u00e7a<\/em>, mas o pr\u00f3prio Cristo que, na realidade, vem ao encontro dos esposos crist\u00e3os com o sacramento do matrim\u00f3nio. Fica com eles, d\u00e1-lhes a coragem de O seguirem, tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro. O matrim\u00f3nio crist\u00e3o \u00e9 um sinal que n\u00e3o s\u00f3 indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Alian\u00e7a selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunh\u00e3o dos esposos\u201d (AL 73).<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"13\">\n<li>O sacramento do matrim\u00f3nio n\u00e3o se reduz a um ato burocr\u00e1tico ou a \u201cuma conven\u00e7\u00e3o social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento \u00e9 um dom para a santifica\u00e7\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o\u201d (AL 72) que a partir da sua realiza\u00e7\u00e3o torna presente na vida dos esposos o pr\u00f3prio Jesus com o seu amor e a sua gra\u00e7a. Com este sacramento \u2013 que \u00e9 descrito por S. Paulo como o grande mist\u00e9rio, pois cont\u00e9m e espelha a rela\u00e7\u00e3o de amor entre Cristo e a Igreja (Ef 5, 21-33) \u2013 Jesus Cristo entra na vida dos esposos com a sua gra\u00e7a e tudo \u00e9 de novo poss\u00edvel! O que humanamente o pecado tinha tornado imposs\u00edvel, torna-se agora poss\u00edvel com a gra\u00e7a de Deus recebida no sacramento, pois \u201ca Deus tudo \u00e9 poss\u00edvel\u201d (Mt 19, 26). Trata-se daquela gra\u00e7a espec\u00edfica que se destina \u201ca aperfei\u00e7oar o amor dos c\u00f4njuges\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"14\">\n<li>Portanto, \u00e9 normal \u2013 e porventura salutar \u2013 ter d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es e hesita\u00e7\u00f5es diante de algo t\u00e3o nobre, belo e profundo como \u00e9 partilhar a vida inteira com algu\u00e9m. Mas a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 num adiamento <em>sine die<\/em> do compromisso ou numa fuga \u00e0 entrega total e assumida perante os outros e perante Deus. Por isso, contrariamente ao que possa parecer, assumir publicamente o casamento confere uma robustez mais s\u00f3lida \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, precisamente porque compromete, com a energia da gra\u00e7a de Deus, os esposos, n\u00e3o s\u00f3 entre si, mas tamb\u00e9m com os filhos, as suas fam\u00edlias, os amigos, a Igreja e a sociedade. E celebr\u00e1-lo em sacramento matrimonial \u00e9 acolher aquela for\u00e7a que s\u00f3 Deus pode dar, pois \u00e9 a presen\u00e7a do pr\u00f3prio Cristo que encarna na vida dos esposos. O sacramento assegura que, mesmo quando vierem d\u00favidas ou crises, marido e mulher n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s. Aquele que prometeu estar sempre connosco at\u00e9 ao fim dos tempos (Mt 28, 20) jamais os abandonar\u00e1.<\/li>\n<\/ol>\n<p>E o matrim\u00f3nio, como compromisso indissol\u00favel, \u00e9 presen\u00e7a e express\u00e3o desse amor de Deus pela humanidade: \u201cO matrim\u00f3nio \u00e9 um sinal precioso, porque, quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrim\u00f3nio, Deus, por assim dizer, <em>espelha-Se<\/em> neles, imprime neles as suas caracter\u00edsticas e o car\u00e1cter indel\u00e9vel do seu amor. O matrim\u00f3nio \u00e9 o \u00edcone do amor de Deus por n\u00f3s. \u00c9 precisamente nisto que consiste o mist\u00e9rio do matrim\u00f3nio: dos dois esposos, Deus faz uma s\u00f3 exist\u00eancia\u201d (AL 121).<\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>Matrim\u00f3nio: a fragilidade da rela\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a do sacramento<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>O compromisso de uma rela\u00e7\u00e3o a dois para toda a vida mistura-se com o desejo de um amor que pede precisamente essa perman\u00eancia. Um amor verdadeiro leva em si a marca da perenidade. Os bens mais preciosos tratam-se com cuidado e revestem-se da melhor prote\u00e7\u00e3o (cf. 1Cor 12, 22). Esta \u00e9 a beleza das rela\u00e7\u00f5es humanas bem vividas. A fragilidade pr\u00f3pria da conting\u00eancia do ser humano e das suas rela\u00e7\u00f5es estimula a ajuda m\u00fatua e o recurso \u00e0 gra\u00e7a divina. Assim, o sacramento do matrim\u00f3nio revela que o ser humano vive em absoluta depend\u00eancia da gra\u00e7a e da interven\u00e7\u00e3o amorosa de Deus, especial e abundantemente recebida na sua celebra\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"16\">\n<li>A for\u00e7a do matrim\u00f3nio cresce quando os c\u00f4njuges adquirem a consci\u00eancia de que os seus limites n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culo \u00e0 felicidade, mas oportunidade de constru\u00edrem em conjunto um caminho de crescimento e amadurecimento m\u00fatuo, nomeadamente atrav\u00e9s da intensifica\u00e7\u00e3o da ajuda m\u00fatua, da coragem do perd\u00e3o e da alegria da reconcilia\u00e7\u00e3o. O amor, quando provado e testado, torna-se sempre mais forte. \u201cTalvez a maior miss\u00e3o de um homem e de uma mulher no amor seja esta: a de se tornarem, um para o outro, mais homem e mais mulher. Fazer crescer \u00e9 ajudar o outro a moldar-se na sua pr\u00f3pria identidade. Por isso o amor \u00e9 artesanal. O amor faz com que um espere pelo outro, exercitando aquela paci\u00eancia pr\u00f3pria de artes\u00e3o, que herdou de Deus\u201d (AL 221).<\/li>\n<\/ol>\n<\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li>Afirmar que o matrim\u00f3nio \u00e9 um sacramento \u00e9, ent\u00e3o, consider\u00e1-lo como um sinal vis\u00edvel e eficaz de uma gra\u00e7a invis\u00edvel que confere um dom e uma miss\u00e3o. Quando um homem e uma mulher se casam na Igreja, a sua uni\u00e3o \u00e9 um sinal que vive e exprime o amor de Deus pela humanidade, o amor de Jesus Cristo pela Igreja; recebem a miss\u00e3o de construir um mundo mais justo atrav\u00e9s da constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, mostrando com a vida de comunh\u00e3o que o amor entre eles \u2013 e o amor de Deus pela humanidade do qual s\u00e3o sinal \u2013 pode superar todas as dificuldades e crises humanas. A esta uni\u00e3o \u00e9 conferida a gra\u00e7a para levar a cabo esta miss\u00e3o de tornar vis\u00edvel o amor de Deus no mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Eis a grandeza do matrim\u00f3nio crist\u00e3o! N\u00e3o consiste apenas em receber uma b\u00ean\u00e7\u00e3o nem \u00e9 apenas a celebra\u00e7\u00e3o do amor entre duas pessoas. \u00c9 tamb\u00e9m uma miss\u00e3o: a de tornar Jesus Cristo presente, n\u00e3o s\u00f3 na vida de compromisso e entrega dos esposos, mas no mundo, pois sendo uma alian\u00e7a que abrange toda a vida humana (cf. GS 48), ela torna Deus presente em tudo o que \u00e9 humano. E da\u00ed que seja por natureza um amor perp\u00e9tuo e indissol\u00favel, livre, uno e fecundo, como o amor de Deus pelo ser humano e o amor de Cristo pela Igreja.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>Amor fiel, livre e fecundo<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li>No rito do matrim\u00f3nio, mais concretamente no di\u00e1logo antes do consentimento, os noivos s\u00e3o interrogados sobre a sua liberdade e as suas disposi\u00e7\u00f5es de fidelidade e de aceita\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos: \u201c<em>Viestes aqui para celebrar o vosso Matrim\u00f3nio. \u00c9 de vossa livre vontade e de todo o cora\u00e7\u00e3o que pretendeis faz\u00ea-lo?&#8230; V\u00f3s que seguis o caminho do Matrim\u00f3nio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida?&#8230; Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educ\u00e1-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?..<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>O consentimento irrevog\u00e1vel \u00e9 constitu\u00eddo pela liberdade, fidelidade e fecundidade:<\/p>\n<ul>\n<li><em>Liberdade<\/em>, antes de mais, contra todas as press\u00f5es pol\u00edticas, sociais ou familiares. Mas tamb\u00e9m, e principalmente, liberdade interior. Haver\u00e1 maior liberdade do que amar e decidir dar-se de todo o cora\u00e7\u00e3o a outra pessoa para toda a vida? S\u00f3 algu\u00e9m interiormente livre est\u00e1 apto a libertar-se dos seus apetites, dos seus interesses pessoais e do seu ego em fun\u00e7\u00e3o de um bem maior.<\/li>\n<li><em>Fidelidade<\/em> nas grandes e nas pequenas decis\u00f5es da vida quotidiana, at\u00e9 que a morte os separe. N\u00e3o se trata s\u00f3 de n\u00e3o cometer adult\u00e9rio. \u00c9, mais do que isso, assumir a op\u00e7\u00e3o de aprofundar a rela\u00e7\u00e3o de sintonia como quem, no mesmo barco, rema na mesma dire\u00e7\u00e3o, descobrindo a\u00ed a felicidade.<\/li>\n<li><em>Fecundidade<\/em>, primeiramente no sentido de abertura \u00e0 vida biol\u00f3gica, de aceita\u00e7\u00e3o dos filhos como dom de Deus. Mas tamb\u00e9m uma fecundidade que seja abertura \u00e0 vida em geral, atrav\u00e9s do servi\u00e7o m\u00fatuo e aos outros, de uma miss\u00e3o comum, de uma casa aberta. A fecundidade exprime-se na complementaridade masculino-feminino atrav\u00e9s da linguagem do amor, que deve ser aprendida.<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"19\">\n<li>Quem se casa na Igreja, afirma diante da comunidade que:<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>quer fazer da vida a dois um sinal de que tudo o que \u201c<em>na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> \u00e9 fruto do amor e poss\u00edvel em Jesus Cristo;<\/li>\n<li>quer testemunhar com a sua vida de casal (projetos, atitudes, filhos&#8230;) que o amor de Deus por cada pessoa e pela humanidade \u00e9 uma realidade eficaz, que transforma o mundo, e que Cristo nunca abandona a sua Igreja;<\/li>\n<li>procura, no seu compromisso, encontrar uma vida feliz, porque sinal do amor de Cristo, que, na sua express\u00e3o m\u00e1xima de total oferta da vida, venceu a morte para sempre e deu o maior contributo para a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus;<\/li>\n<li>acredita que Deus, atrav\u00e9s deste sacramento, d\u00e1 a for\u00e7a eficaz (a gra\u00e7a) para cumprir esse compromisso e essa miss\u00e3o, a for\u00e7a manifestada principalmente na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Seu Filho Jesus Cristo, de que vive a Igreja;<\/li>\n<li>acredita que vale realmente a pena contrair um matrim\u00f3nio crist\u00e3o, pelo bem que s\u00f3 nele se pode obter e transmitir.<\/li>\n<\/ul>\n<\/p>\n<p><strong>II \u2013 PREPARA\u00c7\u00c3O PARA O MATRIM\u00d3NIO<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>a) Prepara\u00e7\u00e3o remota<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"20\">\n<li>Para viver este amor fecundo, livre e indissol\u00favel \u00e9 necess\u00e1ria uma prepara\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e profunda. De facto, toda a pastoral familiar que apoie os c\u00f4njuges e os ajude a dar aos filhos testemunho do verdadeiro amor crist\u00e3o j\u00e1 os prepara remotamente para o matrim\u00f3nio. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio n\u00e3o pode ser algo pontual e restringido a um momento espec\u00edfico da vida. Antes, implica pensar uma pastoral familiar a longo prazo em que se inclua toda a catequese. \u201cAprender a amar algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 algo que se improvisa, nem pode ser o objetivo dum breve curso antes da celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio. Na realidade, cada pessoa prepara-se para o matrim\u00f3nio desde o seu nascimento\u201d (AL 208). Uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o dos filhos, que gere processos de amadurecimento da sua liberdade, de crescimento integral, de cultivo da aut\u00eantica autonomia (cf. AL 261), de aprofundamento da f\u00e9 e da pr\u00e1tica do amor crist\u00e3o prepara-os para op\u00e7\u00f5es de vida com convic\u00e7\u00f5es profundas em que o compromisso e a fidelidade sejam elementos fundamentais do crescimento humano.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"21\">\n<li>Na cultura atual, em que a sociedade insiste em estruturar-se e afirmar-se pelos direitos individuais mais do que pelo bem comum, n\u00e3o admira que a fidelidade a um compromisso para a vida seja vista como contra-cultural, contr\u00e1ria \u00e0 autonomia individual.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por isso, \u00e9 nossa convic\u00e7\u00e3o que \u201ctanto a pastoral pr\u00e9-matrimonial como a matrimonial devem ser, antes de mais nada, uma pastoral do v\u00ednculo, na qual se ofere\u00e7am elementos que ajudem quer a amadurecer o amor quer a superar os momentos duros\u201d (AL 211). S\u00f3 assim se estruturam rela\u00e7\u00f5es humanas duradouras e est\u00e1veis em que crian\u00e7as e jovens possam crescer e ser educados num estilo de vida humanamente saud\u00e1vel que os ajude a serem pessoas melhores.<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"22\">\n<li>Como formar, ent\u00e3o, os jovens para uma verdadeira liberdade interior que conduza \u00e0 entrega ao outro e a uma rela\u00e7\u00e3o de compromisso cujo o v\u00ednculo \u00e9 indissol\u00favel? H\u00e1 que testemunhar-lhes que ser livre implica comprometer-se para a fidelidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A liberdade n\u00e3o \u00e9 escolher entre o bem e o mal; isso seria ainda apenas o livre arb\u00edtrio. \u00c9, sim, libertar-se de todo o mal e optar pelo bem. Por isso, aprender a n\u00e3o agir impulsivamente, mas saber esperar, \u00e9 uma grande aprendizagem para a liberdade: \u201cquando se educa para aprender a adiar algumas coisas e esperar o momento oportuno ensina-se o que significa ser senhor de si mesmo, aut\u00f3nomo face aos seus pr\u00f3prios impulsos\u201d (AL 275).<\/p>\n<p>Ser livre \u00e9 tamb\u00e9m saber respeitar os ritmos e os espa\u00e7os pr\u00f3prios da individualidade do outro. \u201cH\u00e1 um ponto em que o amor do casal alcan\u00e7a a m\u00e1xima liberta\u00e7\u00e3o e se torna um espa\u00e7o de s\u00e3 autonomia: quando cada um descobre que o outro n\u00e3o \u00e9 seu, mas tem um propriet\u00e1rio muito mais importante, o seu \u00fanico Senhor\u201d (AL 320).<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li>O amor fiel e verdadeiro exige esta liberdade: n\u00e3o se pode \u201creduzir a mera atra\u00e7\u00e3o ou vaga afetividade\u201d (AL 217). Amar \u00e9 um ato da vontade. N\u00e3o consiste apenas em gostar, mas em querer o bem do outro, mesmo quando \u00e9 dif\u00edcil. O amor permanece, mesmo quando a paix\u00e3o se desvanece ou o gosto desaparece; porque amar tem de exprimir-se em a\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos at\u00e9 que a morte nos separe. O amor, que nos prometemos, supera toda a emo\u00e7\u00e3o, sentimento ou estado de \u00e2nimo, embora possa inclu\u00ed-los. \u00c9 um querer-se bem mais profundo, com uma decis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que envolve toda a exist\u00eancia\u201d (AL 163). E essa decis\u00e3o inclui certamente alegria, gozo e prazer. Mas implica tamb\u00e9m, e inevitavelmente, servi\u00e7o, entrega, dor e sofrimento. Porque quem ama est\u00e1 disposto a sofrer: \u201cNingu\u00e9m tem maior amor do que este: que algu\u00e9m d\u00ea a vida pelos seus amigos\u201d (Jo 15, 13). A cruz de Jesus \u00e9, por isso, a express\u00e3o maior do amor e da fonte da caridade divina no amor do casal e da fam\u00edlia.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li><strong><em>b) Prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"24\">\n<li>Toda a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a envolver-se mais profunda e amplamente na prepara\u00e7\u00e3o dos noivos para o matrim\u00f3nio. A experi\u00eancia evidencia que, muitas vezes, a prepara\u00e7\u00e3o imediata dos noivos \u00e9 manifestamente incompleta ou muito condicionada pelas circunst\u00e2ncias pr\u00f3prias de toda a prepara\u00e7\u00e3o para o dia do casamento. \u00c9 necess\u00e1rio, por isso, um empenho s\u00e9rio numa prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, a m\u00e9dio prazo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nesse sentido, deve-se investir numa pastoral do namoro, em que todos, catequistas, l\u00edderes de grupos de jovens, promotores vocacionais e demais agentes pastorais unam esfor\u00e7os e trabalhem juntos de forma a, com tempo, come\u00e7ar a prepara\u00e7\u00e3o e o discernimento para o namoro, noivado e matrim\u00f3nio. \u00c9 urgente um novo dinamismo nas par\u00f3quias, nos movimentos e na vida da Igreja em geral, em que se promovam grupos de namorados, atividades e encontros que possam ajudar a refletir e a viver uma verdadeira prepara\u00e7\u00e3o, para a vida matrimonial. \u00c9 que \u201co matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o, sendo uma resposta ao chamamento espec\u00edfico para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decis\u00e3o de se casar e formar uma fam\u00edlia deve ser fruto dum discernimento vocacional\u201d (AL 72).<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>O matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o e a vida matrimonial \u00e9 resposta concreta a um apelo de Deus. Assim, pelo discernimento, procure-se, simultaneamente, encontrar a vontade de Deus e saber qual o melhor meio de a alcan\u00e7ar, se o matrim\u00f3nio ou outro modo de vida. Um discernimento cujo resultado j\u00e1 est\u00e1 definido \u00e0 partida \u00e9 um processo viciado. Quanto mais profundo e acompanhado for este tempo de crescimento, mais os jovens se dispor\u00e3o a responder com liberdade interior \u00e0 vontade de Deus para as suas vidas e mais s\u00f3lidas ser\u00e3o as suas decis\u00f5es. Todo o acompanhamento parte \u201cdo olhar de Jesus, que olhou para as mulheres e os homens que encontrou com amor e ternura, acompanhando os seus passos com verdade, paci\u00eancia e miseric\u00f3rdia, ao anunciar as exig\u00eancias do Reino de Deus\u201d (AL 60).<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li><strong><em>c) Prepara\u00e7\u00e3o imediata<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"26\">\n<li>Felizmente, as estruturas familiar e eclesial contribuem para uma forma\u00e7\u00e3o remota e um discernimento mais pr\u00f3ximo sobre o modo de vida que melhor corresponda \u00e0 vontade de Deus. E muitas pessoas decidem constituir uma fam\u00edlia. Nesses casos, a prepara\u00e7\u00e3o imediata n\u00e3o surge do nada, mas vem na continuidade natural da vida e \u00e9 procurada por quem quer viver uma vida matrimonial e familiar plena de sentido e cheia de alegria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>De qualquer modo, a Igreja oferece uma prepara\u00e7\u00e3o mais imediata com nova vitalidade. O Papa Francisco enuncia o conte\u00fado do itiner\u00e1rio, a percorrer pelos noivos: \u201cN\u00e3o se trata de lhes ministrar o Catecismo inteiro nem de os saturar com demasiados temas. Interessa mais a qualidade do que a quantidade, devendo-se dar prioridade \u2013 juntamente com um renovado an\u00fancio do <em>kerygma<\/em> \u2013 \u00e0queles conte\u00fados que, comunicados de forma atraente e cordial, os ajudem a comprometer-se num percurso da vida toda. Trata-se duma esp\u00e9cie de \u00abinicia\u00e7\u00e3o\u00bb ao sacramento do matrim\u00f3nio, que lhes forne\u00e7a os elementos necess\u00e1rios para poderem receb\u00ea-lo com as melhores disposi\u00e7\u00f5es e iniciar com uma certa solidez a vida familiar\u201d (AL 207).<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"27\">\n<li>A prepara\u00e7\u00e3o dos noivos deve primeiramente sublinhar a beleza do matrim\u00f3nio como aut\u00eantica voca\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 felicidade m\u00fatua. Mas deve tamb\u00e9m alertar para a possibilidade de o deslumbramento ou a paix\u00e3o inicial tenderem a relativizar dificuldades ou diverg\u00eancias que, nalguns casos, podem revelar aut\u00eanticas incompatibilidades. \u201cOs noivos deveriam ser incentivados e ajudados a poderem expressar o que cada um espera dum eventual matrim\u00f3nio, a sua maneira de entender o que \u00e9 o amor e o compromisso, aquilo que se deseja do outro, o tipo de vida em comum que se quer projetar. Estes di\u00e1logos podem ajudar a ver que, na realidade, os pontos de contacto s\u00e3o escassos e que a mera atra\u00e7\u00e3o m\u00fatua n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para sustentar a uni\u00e3o\u201d (AL 209). A decis\u00e3o de partilhar a vida inteira com outra pessoa tamb\u00e9m \u201cimplica aceitar com vontade firme a possibilidade de enfrentar algumas ren\u00fancias, momentos dif\u00edceis e situa\u00e7\u00f5es de conflito, e a s\u00f3lida decis\u00e3o de preparar-se para isso\u201d (AL 210).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Assim, uma apropriada prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio dever\u00e1 conduzir os noivos a:<\/p>\n<ol>\n<li>saber avaliar a maturidade afetiva, psicol\u00f3gica e espiritual, pr\u00f3pria e do outro;<\/li>\n<li>saber avaliar a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o, nos seus pontos fortes e fracos, bem como prever poss\u00edveis consequ\u00eancias decorrentes desses pontos;<\/li>\n<li>delinear um projeto de vida familiar: princ\u00edpios orientadores, valores \u201cinegoci\u00e1veis\u201d e metas a alcan\u00e7ar enquanto fam\u00edlia;<\/li>\n<li>uma metodologia para uma maior maturidade familiar: momentos de paragem para avaliar e lan\u00e7ar para o futuro. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel \u201cdetetar os sinais de perigo que poder\u00e1 apresentar a rela\u00e7\u00e3o, para se encontrar os meios que permitam enfrent\u00e1-los com bom \u00eaxito\u201d (AL 210);<\/li>\n<li>elaborar \u201cestrat\u00e9gias\u201d de gest\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o de conflitos;<\/li>\n<li>descobrir a comunidade crist\u00e3 como lugar onde a fam\u00edlia se pode p\u00f4r ao servi\u00e7o dos outros, pode procurar ajuda para as suas necessidades e crises e ganha profundo sentido a celebra\u00e7\u00e3o de diferentes situa\u00e7\u00f5es familiares e comunit\u00e1rias;<\/li>\n<li>aprofundar o conhecimento da doutrina da Igreja sobre o sacramento: as propriedades e os fins pr\u00f3prios do matrim\u00f3nio, nomeadamente o v\u00ednculo de unidade indissol\u00favel, bem como as condi\u00e7\u00f5es <em>sine qua non<\/em> para a validade do sacramento, isto \u00e9, liberdade, fidelidade e fecundidade. Tudo na perspetiva da constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira felicidade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"28\">\n<li>Finalmente, deve-se sublinhar o car\u00e1ter gradual e crescente da vida matrimonial. A celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 uma meta, mas um ponto de partida: que \u201cos noivos n\u00e3o considerem o matrim\u00f3nio como o fim do caminho, mas o assumam como uma voca\u00e7\u00e3o que os lan\u00e7a para diante, com a decis\u00e3o firme e realista de atravessarem juntos todas as prova\u00e7\u00f5es e momentos dif\u00edceis\u201d (AL 211).<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"29\">\n<li>Depois de insistir que \u201cas fam\u00edlias crist\u00e3s s\u00e3o, pela gra\u00e7a do sacramento nupcial, os sujeitos principais da pastoral familiar\u201d (AL 200), o Papa Francisco sublinha que \u201ca principal contribui\u00e7\u00e3o para a pastoral familiar \u00e9 oferecida pela par\u00f3quia, que \u00e9 uma fam\u00edlia de fam\u00edlias, onde se harmonizam os contributos das pequenas comunidades, movimentos e associa\u00e7\u00f5es eclesiais\u201d (AL 202). Mas esta pastoral n\u00e3o se pode limitar a um an\u00fancio puramente te\u00f3rico e desligado dos problemas reais das pessoas, pelo que \u00e9 urgente uma aut\u00eantica convers\u00e3o mission\u00e1ria de modo \u201ca encarnar as propostas pastorais nas situa\u00e7\u00f5es reais e nas preocupa\u00e7\u00f5es concretas das fam\u00edlias\u201d (AL 204).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Refira-se a este prop\u00f3sito a grande contribui\u00e7\u00e3o dos Centros de Prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio (CPM) em Portugal. A sua metodologia parte da experi\u00eancia de cada casal, que \u00e9 preparada, partilhada e refletida em grupos de pessoas que se preparam para o matrim\u00f3nio. Entretanto, t\u00eam surgido outras propostas de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio que, com grande criatividade, adaptam a mesma metodologia de partilha de experi\u00eancias em encontros de fim de semana. O mesmo se espera das comunidades locais e diferentes movimentos eclesiais: que insistam numa pastoral familiar que envolva as pr\u00f3prias fam\u00edlias crist\u00e3s como agentes e n\u00e3o apenas recetores da mesma.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>III \u2013 ACOMPANHAMENTO DOS CASAIS JOVENS<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>Do sonho \u00e0 beleza da realidade<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"30\">\n<li>Os primeiros anos de vida conjugal trazem, al\u00e9m de grandes alegrias, algumas dificuldades. Os sonhos pr\u00f3prios de quem se casa v\u00e3o descendo \u00e0 vida concreta e \u00e9 necess\u00e1rio estar preparado para assumir a verdade de que \u201ca realidade \u00e9 superior \u00e0 ideia\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> \u00c9, por isso, necess\u00e1rio acompanhar os casais nesta descida \u00e0 vida real e ajud\u00e1-los a \u201cp\u00f4r de lado as ilus\u00f5es e aceitar o casamento como \u00e9: inacabado, chamado a crescer, a caminho\u201d. Longe de ser uma desilus\u00e3o, este facto permite aos esposos tornarem-se \u201cprotagonistas, senhores da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e criadores de um projeto que deve ser levado para a frente conjuntamente\u201d (AL 218).<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"31\">\n<li>Numa \u00e9poca em que o sentimento e o imediatismo imperam como crit\u00e9rios de vida, torna-se essencial formar para o verdadeiro amor. Como foi atr\u00e1s referido, mais do que um sentimento, o amor \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 a\u00e7\u00e3o (cf. AL 94). Os esposos n\u00e3o se podem prometer que v\u00e3o sentir sempre um grande e caloroso afeto um pelo outro todos os dias das suas vidas. Mas podem prometer amar-se mutuamente at\u00e9 ao fim. O sentimento \u00e9 de uma ordem mais superficial, ao passo que o amor \u00e9 da ordem da vontade e permanece para al\u00e9m e at\u00e9 mesmo contra todos os obst\u00e1culos que a vida possa trazer. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, um casamento dura porque os esposos decidem que dure.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por tudo isso, \u201ctorna-se indispens\u00e1vel o acompanhamento dos esposos nos primeiros anos de vida matrimonial para enriquecer e aprofundar a decis\u00e3o consciente e livre de se pertencerem e amarem at\u00e9 ao fim\u201d (AL 217).<\/p>\n<\/p>\n<p><strong><em>O amor fiel supera o medo<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"32\">\n<li>A liberdade no tempo implica a fidelidade e \u00e9 na fidelidade dos pequenos momentos da vida que a vida a dois se constr\u00f3i. Neste caminho de amadurecimento do amor m\u00fatuo e da liberdade, deve cada par\u00f3quia, movimento ou associa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is socorrer-se de todos os meios humanos poss\u00edveis e pensar em atividades que possam e devam ser levadas a cabo para apoiar e reavivar as fam\u00edlias. O Papa Francisco prop\u00f5e diversos exemplos: reuni\u00f5es de casais, retiros, confer\u00eancias de especialistas sobre problem\u00e1ticas da vida conjugal e familiar, agentes pastorais preparados para falar com os casais acerca das suas dificuldades e aspira\u00e7\u00f5es, consultas sobre situa\u00e7\u00f5es familiares desfavor\u00e1veis (depend\u00eancias, infidelidade, viol\u00eancia familiar), espa\u00e7os de espiritualidade, escolas de forma\u00e7\u00e3o para pais, etc. (cf. AL 229). Sabemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer tudo em todos os lugares. Mas \u00e9 poss\u00edvel organizar-se para que a oferta de instrumentos de pastoral familiar seja mais efetiva e eficaz.<\/li>\n<\/ol>\n<\/p>\n<p><strong><em>Comunica\u00e7\u00e3o: principal fator humano na rela\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"33\">\n<li>Numerosos estudos referem que os casais felizes se distinguem dos infelizes pelo modo como vivem a sua rela\u00e7\u00e3o em \u00e1reas cruciais. Eis algumas: relacionamento ao n\u00edvel sexual, atividades de lazer, rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e amigos, situa\u00e7\u00e3o financeira e gest\u00e3o das economias, modos de viver a f\u00e9. Mas, na pr\u00e1tica, h\u00e1 um fator base que pode tornar uma rela\u00e7\u00e3o feliz ou infeliz: a comunica\u00e7\u00e3o ou a falta dela.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"34\">\n<li>Frequentemente, os esposos assumem que se conhecem perfeitamente e a comunica\u00e7\u00e3o vai diminuindo. Enquanto namoram, a conversa flui em torno ao m\u00fatuo conhecimento. Mas, depois de casados, e \u00e0 medida que o tempo avan\u00e7a, as conversas correm o perigo de se tornarem meramente funcionais, para resolver quest\u00f5es do quotidiano. Esta tend\u00eancia aumenta quando surgem os filhos, que se tornam o centro da vida familiar, e escasseia o tempo para a partilha em casal. Os dias gastam-se entre emprego, cuidado dos filhos e gest\u00e3o de cansa\u00e7os. N\u00e3o se fazem perguntas, n\u00e3o se partilham sentimentos, n\u00e3o h\u00e1 interesse real pelo dia do outro nem disponibilidade interior e capacidade para o escutar.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"35\">\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o e intimidade est\u00e3o fortemente interligadas. E h\u00e1 casais com dificuldades na sua rela\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o conseguem comunicar. Sem di\u00e1logo, sorrisos, express\u00f5es de carinho ou contacto f\u00edsico, n\u00e3o h\u00e1 troca de sentimentos, n\u00e3o se transmite ao c\u00f4njuge o que realmente se deseja, n\u00e3o se discutem assuntos nem se resolvem problemas e surgem coment\u00e1rios a rebaixar o outro.<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 que distinguir tr\u00eas tipos de comunica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><em>passiva<\/em>, que se caracteriza pela dificuldade de expor ideias e pensamentos, mas especialmente sentimentos, emo\u00e7\u00f5es e desejos. Pode provir de inseguran\u00e7a ou baixa autoestima e \u00e9 tipicamente usada por quem evita magoar o outro ou ser criticado.<\/li>\n<li><em>agressiva<\/em>, com express\u00f5es ressentidas ou acusat\u00f3rias (ou sil\u00eancios e amuos prolongados e ostensivos), concentra\u00e7\u00e3o nas caracter\u00edsticas negativas do outro e n\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o ou assunto sobre o qual se tenta comunicar;<\/li>\n<li><em>assertiva<\/em>, com as pessoas a expressarem-se de forma livre, n\u00e3o defensiva nem ofensiva, mas direta e claramente, de forma positiva e no respeito pelos momentos de uso da palavra e de escuta do outro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por vezes, encontrar o modo justo de comunicar pode demorar anos. Mas desistir n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o. \u00c9 frequente haver casais que v\u00e3o deixando de se falar para evitar conflitos ou, por tentativas falhadas, de comunicar bem sobre determinadas situa\u00e7\u00f5es, desacordos ou assuntos que causam pol\u00e9mica na vida familiar. \u00c9 por isso essencial que os casais, desde o in\u00edcio da vida em conjunto, se v\u00e3o habituando a pedir ajuda a casais mais experientes ou mesmo a profissionais. E \u00e9 importante que as comunidades ofere\u00e7am cursos, a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e acompanhamento pessoal nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li>Na rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que criar, desde cedo, espa\u00e7o para cada um exprimir o que pensa e sente e para escutar atentamente o outro. Investir numa comunica\u00e7\u00e3o clara, \u00edntima e atenta \u00e9 uma base s\u00f3lida e robusta para sustentar eficazmente a rela\u00e7\u00e3o. Evita vitimiza\u00e7\u00f5es, mal-entendidos, assuntos tabus, sil\u00eancios impostos ou conversas proibidas. \u00c9 verdade que, mesmo assim, haver\u00e1 conflitos. Mas ser\u00e1 mais f\u00e1cil super\u00e1-los, se ambos se habituaram a comunicar bem um com o outro.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Supera\u00e7\u00e3o de conflitos<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li>Mais do que os problemas em si mesmos, o modo como lidamos com eles pode ser o verdadeiro problema. O conflito \u00e9 inevit\u00e1vel nas rela\u00e7\u00f5es humanas. E quanto mais pr\u00f3xima \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o, maior a probabilidade de conflito, por serem mais frequentes as ocasi\u00f5es para se revelarem e acentuarem as diferen\u00e7as de cada um. O conflito em si n\u00e3o compromete inevitavelmente o amor. Quando bem vivido e superado, pode at\u00e9 contribuir para uma maior proximidade e intimidade no casal. Para isso \u00e9 importante que, nos primeiros anos, se proporcionem aos casais ferramentas concretas de supera\u00e7\u00e3o de conflitos. Caso contr\u00e1rio, a vida em casal pode perder vitalidade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"38\">\n<li>Os conflitos s\u00e3o feridas psicol\u00f3gicas que afetam a vida do casal, tal como as feridas do corpo que, se forem superficiais, podem sarar com o passar do tempo. Se forem profundas, requerem cuidados especiais para que possam cicatrizar de dentro para fora. E um conflito n\u00e3o resolvido ser\u00e1 como uma ferida mal curada, que sangra quando se lhe toca. Tempo e paci\u00eancia s\u00e3o dois elementos necess\u00e1rios, mas n\u00e3o suficientes, porque a cicatriza\u00e7\u00e3o exige cuidados apropriados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o dos conflitos \u00e9 essencial para a estabilidade do matrim\u00f3nio. Alcan\u00e7a-se pela raz\u00e3o e n\u00e3o pela emo\u00e7\u00e3o. Por isso, importa que passe o tempo suficiente para que, baixando a tens\u00e3o inicial, a raz\u00e3o se possa sobrepor \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, exige-se de ambas as partes coragem para reiniciar a comunica\u00e7\u00e3o, humildade para reconhecer a culpa, perd\u00e3o para desculpar a ofensa, amor para acolher o outro. A comunica\u00e7\u00e3o interpessoal \u00e9 o ingrediente indispens\u00e1vel para resolver os conflitos. Por isso, se os c\u00f4njuges sozinhos n\u00e3o conseguem restabelec\u00ea-la, pe\u00e7a-se a ajuda de um casal experiente ou de uma pessoa devidamente preparada.<\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"39\">\n<li>Se, porventura, apesar do sofrimento e dos esfor\u00e7os feitos para a reconcilia\u00e7\u00e3o, a complexidade da situa\u00e7\u00e3o tornar inevit\u00e1vel o fracasso do matrim\u00f3nio, \u00e9 importante saber que o caminho da Igreja continua a ser o caminho de Jesus, o caminho do acolhimento, da miseric\u00f3rdia e da integra\u00e7\u00e3o. Assim, enquanto batizados e membros da Igreja, n\u00e3o devem considerar-se condenados ou separados da mesma Igreja. Atrav\u00e9s de um discernimento pessoal e pastoral em cada caso e dando espa\u00e7o \u00e0 consci\u00eancia de cada um, os interessados devem ser ajudados a encontrar a sua pr\u00f3pria maneira de participar na comunidade eclesial, segundo as orienta\u00e7\u00f5es da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Amoris Laetitia<\/em> e do Bispo diocesano.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"40\">\n<li>A ora\u00e7\u00e3o pessoal, e tamb\u00e9m em casal e em fam\u00edlia, \u00e9 central na fam\u00edlia crist\u00e3. Algu\u00e9m que, na intimidade do seu cora\u00e7\u00e3o, sabe agradecer o seu matrim\u00f3nio ou partilhar com o Senhor alguma dificuldade na rela\u00e7\u00e3o com o c\u00f4njuge, toma mais consci\u00eancia da presen\u00e7a da gra\u00e7a sacramental na vida do casal. No di\u00e1logo com Deus reconhecem-se, tanto as dificuldades e os erros, como as alegrias da vida matrimonial; cresce a humildade para pedir perd\u00e3o e ganham-se for\u00e7as para perdoar e aprofundar-se a rela\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"41\">\n<li>As par\u00f3quias, os movimentos e outras institui\u00e7\u00f5es da Igreja e casais mais amadurecidos s\u00e3o chamados a apoiar os casais crist\u00e3os, especialmente quando surgem crises. Atrav\u00e9s do seu testemunho experiente e, quando necess\u00e1rio, de ajudas especializadas \u00e9 poss\u00edvel recordar que o casamento \u00e9 uma tarefa a dois que implica ultrapassar obst\u00e1culos, e que uma crise pode ser uma oportunidade para recome\u00e7ar e renovar a m\u00fatua entrega e fidelidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Contributo da espiritualidade conjugal e familiar<\/em><\/strong><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"42\">\n<li>A vida espiritual de um casal ou de uma fam\u00edlia pode adquirir v\u00e1rias fisionomias e modos de express\u00e3o. Nela se incluem a ora\u00e7\u00e3o em casal e em fam\u00edlia, a escuta da Palavra de Deus, a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, os atos devocionais, a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, etc. \u00c9 uma dimens\u00e3o de crucial import\u00e2ncia para a vida da fam\u00edlia, j\u00e1 que \u201ca ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia \u00e9 um meio privilegiado para exprimir e refor\u00e7ar a f\u00e9 pascal\u201d e \u201catinge o seu ponto culminante ao participarem juntos na Eucaristia, sobretudo no contexto do descanso dominical\u201d (AL 318). Mas tamb\u00e9m promove e refor\u00e7a a uni\u00e3o: fam\u00edlia que reza unida, mant\u00e9m-se unida. Promover momentos de ora\u00e7\u00e3o em casal e em fam\u00edlia conduz a uma tomada de consci\u00eancia de que ningu\u00e9m est\u00e1 s\u00f3 e que est\u00e3o unidos precisamente no que mais importa: em Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Contudo, rezar em casal ou em fam\u00edlia n\u00e3o serve apenas \u00e0 unidade dos seus membros. \u00c9 pela ora\u00e7\u00e3o que nos abrimos a uma fam\u00edlia maior e experimentamos a comunh\u00e3o com a comunidade crist\u00e3 e a fraternidade com a humanidade criada por Deus. A\u00ed \u201caprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e dispon\u00edveis e n\u00e3o fechados e ego\u00edstas. Aprendemos a ir al\u00e9m das nossas pr\u00f3prias necessidades, para encontrar outras pessoas e partilhar as nossas vidas com elas. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante rezar como fam\u00edlia.\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<\/p>\n<ol start=\"43\">\n<li>A vida \u00e9, toda ela, chamada a ser espiritual, enquanto experi\u00eancia quotidiana vivida segundo o Esp\u00edrito de Deus. \u201cNa fam\u00edlia, \u00e9 necess\u00e1rio usar tr\u00eas palavras: com licen\u00e7a, obrigado, desculpa. Tr\u00eas palavras-chave. Quando numa fam\u00edlia n\u00e3o somos invasores e pedimos \u00abcom licen\u00e7a\u00bb, quando na fam\u00edlia n\u00e3o somos ego\u00edstas e aprendemos a dizer \u00abobrigado\u00bb, e quando na fam\u00edlia nos damos conta de que fizemos algo incorreto e pedimos \u00abdesculpa\u00bb, nessa fam\u00edlia existe paz e alegria. N\u00e3o sejamos mesquinhos no uso destas palavras, sejamos generosos repetindo-as dia a dia, porque pesam certos sil\u00eancios, \u00e0s vezes mesmo em fam\u00edlia, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irm\u00e3os. Pelo contr\u00e1rio, as palavras adequadas, ditas no momento certo, protegem e alimentam o amor dia ap\u00f3s dia\u201d (AL 133).<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"44\">\n<li>\u00c9 nestas op\u00e7\u00f5es que os princ\u00edpios fundantes e os valores principais da vida familiar ganham forma. Viver segundo um amor de entrega total, sacrificar-se pelo outro com alegria, reconhecer que o prazer deve ser celebrado mas n\u00e3o idolatrado, acolher que somos criados n\u00e3o para n\u00f3s pr\u00f3prios e para os nossos interesses individuais, mas para um bem maior, tomar consci\u00eancia da necessidade de construir o Reino de justi\u00e7a e paz atrav\u00e9s da partilha dos bens s\u00e3o valores que oferecem ao amor conjugal e familiar um sentido profundamente espiritual. Uma espiritualidade conjugal e familiar crist\u00e3 consiste, n\u00e3o em atividades especiais, mas numa viv\u00eancia do quotidiano, aprofundando a rela\u00e7\u00e3o com Deus na ora\u00e7\u00e3o e deixando que ela informe as decis\u00f5es e os gestos que transbordam para a vida do mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"45\">\n<li>N\u00e3o podemos terminar sem nos congratularmos com tantas fam\u00edlias em que esta espiritualidade \u00e9 cultivada e vivida entre marido e esposa, entre pais e filhos, e entre casais e fam\u00edlias crist\u00e3s. Para isso contribui a pastoral familiar nas par\u00f3quias, vigararias, arciprestados, ouvidorias e dioceses, assim como os movimentos de espiritualidade conjugal e familiar, a quem agradecemos o precioso contributo para a descoberta da beleza e da alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o. S\u00e3o, cada um \u00e0 sua maneira, uma das maiores gra\u00e7as que Deus tem vindo a conceder \u00e0 sua Igreja, por transmitirem o seu amor de Pai ao mundo em que vivemos, mostrando que vale a pena procurar esse amor no v\u00ednculo que o sacramento do matrim\u00f3nio proporciona, como express\u00e3o e ve\u00edculo do incondicional e fecundo amor de Cristo pela sua Igreja e meio privilegiado de o transmitir ao mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"46\">\n<li>Maria, que acolheu com alegria e confian\u00e7a a miss\u00e3o de esposa e m\u00e3e e em uni\u00e3o com S\u00e3o Jos\u00e9 seu esposo cuidou do crescimento harmonioso de Jesus em todas as dimens\u00f5es, acompanhe com a sua gra\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o os jovens e os casais do nosso tempo, para que descubram e testemunhem a alegria e o encanto do amor do matrim\u00f3nio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>F\u00e1tima, 2 de maio de 2019<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> PAPA FRANCISCO, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal <em>Amoris Laetitia<\/em>, n. 35 [AL nas restantes notas].<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> CONC\u00cdLIO ECUM\u00c9NICO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 47 [GS nas restantes notas].<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ritual Romano da Celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio<\/em>, n. 74.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cf. S\u00c3O JO\u00c3O PAULO II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal <em>Familiaris Consortio<\/em>, n. 68.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, n. 1641.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Ritual Romano da Celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio<\/em>, n. 60.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Ritual Romano da Celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio<\/em>, n. 62.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> PAPA FRANCISCO, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelium Gaudium<\/em>, n. 231.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> PAPA FRANCISCO, <em>Discurso no <\/em><em>Encontro das Fam\u00edlias<\/em>. Manila, 16 de janeiro de 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6241,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[74,4],"tags":[],"class_list":["post-6239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrada","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-05-07T18:34:51+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2019-05-09T22:04:34+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"853\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Manuel Costa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Manuel Costa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"40 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Manuel Costa\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2\"},\"headline\":\"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o\",\"datePublished\":\"2019-05-07T18:34:51+00:00\",\"dateModified\":\"2019-05-09T22:04:34+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/\"},\"wordCount\":7942,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/family-3347049_1280.jpg\",\"articleSection\":[\"#entrada\",\"Documentos\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/\",\"name\":\"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/family-3347049_1280.jpg\",\"datePublished\":\"2019-05-07T18:34:51+00:00\",\"dateModified\":\"2019-05-09T22:04:34+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/family-3347049_1280.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/family-3347049_1280.jpg\",\"width\":1280,\"height\":853},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\",\"name\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"description\":\"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#organization\",\"name\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/cropped-logoTransparente.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/wp-content\\\/uploads\\\/cropped-logoTransparente.png\",\"width\":512,\"height\":512,\"caption\":\"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.conferenciaepiscopal.pt\\\/v1\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2\",\"name\":\"Manuel Costa\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Manuel Costa\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","og_description":"Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","og_url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/","og_site_name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","article_published_time":"2019-05-07T18:34:51+00:00","article_modified_time":"2019-05-09T22:04:34+00:00","og_image":[{"width":1280,"height":853,"url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Manuel Costa","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Manuel Costa","Tempo estimado de leitura":"40 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/"},"author":{"name":"Manuel Costa","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/person\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2"},"headline":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o","datePublished":"2019-05-07T18:34:51+00:00","dateModified":"2019-05-09T22:04:34+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/"},"wordCount":7942,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg","articleSection":["#entrada","Documentos"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/","name":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o - Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg","datePublished":"2019-05-07T18:34:51+00:00","dateModified":"2019-05-09T22:04:34+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/family-3347049_1280.jpg","width":1280,"height":853},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-alegria-do-amor-no-matrimonio-cristao\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A alegria do amor no matrim\u00f3nio crist\u00e3o"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#website","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/","name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","description":"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal","publisher":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#organization","name":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/cropped-logoTransparente.png","contentUrl":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/cropped-logoTransparente.png","width":512,"height":512,"caption":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"image":{"@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/#\/schema\/person\/ab696457f75fe8e22b00183bfacb4cb2","name":"Manuel Costa","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5054571ff5d2454cd50657fc4e61d0c32d7a5d0d3b36ef6c0f6e269276d13618?s=96&d=mm&r=g","caption":"Manuel Costa"}}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6239\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}