{"id":6193,"date":"2019-04-02T11:00:58","date_gmt":"2019-04-02T10:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=6193"},"modified":"2019-04-15T23:52:37","modified_gmt":"2019-04-15T22:52:37","slug":"exortacao-apostolica-pos-sinodal-christus-vivit-do-santo-padre-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-christus-vivit-do-santo-padre-francisco\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal Christus Vivit do Santo Padre Francisco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/ExortacaoApostolica_CristoVive.docx\"><strong>DOCX<\/strong><\/a> | <strong><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/ExortacaoApostolica_CristoVive.pdf\">PDF<\/a><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>CRISTO VIVE<\/p>\n<p>AOS JOVENS E A TODO O POVO DE DEUS<\/p>\n<p>Secretariado Geral do Episcopado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nada obsta<\/p>\n<p>P.e Manuel Barbosa,<br \/>\n<em>Secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>Pode imprimir-se<br \/>\nLisboa, 2 de abril de 2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2020 Joaquim Mendes<br \/>\n<em>Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/em> \u00a9 2019, Paulinas Editora<br \/>\n(a partir da vers\u00e3o oficial da l\u00edngua espanhola)<\/p>\n<p><em>Tradutora:<\/em> Maria do Ros\u00e1rio de Castro Pernas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Cristo, nossa esperan\u00e7a, est\u00e1 vivo e \u00e9 a mais formosa juventude deste mundo. Tudo aquilo que Ele toca torna-se jovem, faz-se novo, enche-se de vida. Ent\u00e3o, as primeiras palavras que quero dirigir a cada um dos jovens crist\u00e3os s\u00e3o: Ele vive e quer-te vivo!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Ele est\u00e1 em ti, Ele est\u00e1 contigo e nunca se vai embora. Por mais que tu te afastes, l\u00e1 est\u00e1 o Ressuscitado, chamando-te e esperando-te para recome\u00e7ar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, pelos rancores, pelos medos, pelas d\u00favidas ou pelos fracassos, Ele estar\u00e1 presente para te devolver a for\u00e7a e a esperan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>A todos os jovens crist\u00e3os escrevo com carinho esta Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, isto \u00e9, uma carta que recorda algumas convic\u00e7\u00f5es da nossa f\u00e9 e que, ao mesmo tempo, alenta a crescer na santidade e no compromisso para com a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. No entanto, como se trata de um marco no contexto de um caminho sinodal, dirijo-me, ao mesmo tempo, a todo o Povo de Deus, aos seus pastores e aos seus fi\u00e9is, porque a reflex\u00e3o sobre os jovens e para os jovens nos convoca e estimula a todos. Por conseguinte, em alguns par\u00e1grafos falarei diretamente aos jovens, e, noutros, farei abordagens mais gerais em vista do discernimento eclesial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Deixei-me inspirar pela riqueza das reflex\u00f5es e dos di\u00e1logos do S\u00ednodo do ano passado. N\u00e3o poderei reunir aqui todos os contributos que podereis ler no Documento final, mas tentei assumir, na reda\u00e7\u00e3o desta Carta, as propostas que me pareceram mais significativas. Desse modo, a minha palavra estar\u00e1 carregada de milhares de vozes de crentes do mundo inteiro que fizeram chegar as suas opini\u00f5es ao S\u00ednodo. Mesmo os jovens n\u00e3o-crentes, que quiseram participar com as suas reflex\u00f5es, apresentaram quest\u00f5es que suscitaram em mim novas interroga\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Primeiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O QUE DIZ A PALAVRA DE DEUS<\/p>\n<p>SOBRE OS JOVENS?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Resgatemos alguns tesouros das Sagradas Escrituras, onde v\u00e1rias vezes se fala dos jovens e de como o Senhor vai ao seu encontro.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No Antigo Testamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Numa \u00e9poca em que os jovens pouco contavam, alguns textos mostram que Deus os olhava com outros olhos. Por exemplo, vemos que Jos\u00e9 era o mais novo da fam\u00edlia (cf. Gn 37,2-3). No entanto, Deus comunicava-lhe coisas grandes em sonhos, e ele superou todos os seus irm\u00e3os em trabalhos importantes quando tinha dezassete anos (cf. Gn 37-47).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Em Gede\u00e3o, reconhecemos a sinceridade dos jovens, que n\u00e3o costumam adocicar a realidade. Quando lhe foi dito que o Senhor estava com ele, respondeu: \u00abSe o Senhor est\u00e1 connosco, ent\u00e3o porque \u00e9 que nos aconteceu tudo isto?\u00bb (Jz 6,13). Deus, por\u00e9m, n\u00e3o se aborreceu com essa censura e redobrou a aposta em favor dele: \u00abVai com toda a tua for\u00e7a e salva Israel\u00bb (Jz 6,14).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>Samuel era um jovenzinho inseguro, mas o Senhor comunicava com ele. Gra\u00e7as ao conselho de um adulto, abriu o seu cora\u00e7\u00e3o para escutar o chamamento de Deus: \u00abFala, Senhor, o teu servo escuta\u00bb (1Sm 3,9-10). Por isso, foi um grande profeta que interveio em momentos importantes para a sua p\u00e1tria. O rei Saul tamb\u00e9m era um jovem quando o Senhor o chamou a cumprir a sua miss\u00e3o (cf. 1Sm 9,2).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>O rei David foi eleito sendo apenas um rapazinho. Quando o profeta Samuel andava \u00e0 procura do futuro rei de Israel, um homem apresentou-lhe como candidatos os seus filhos mais velhos e mais experientes. O profeta, por\u00e9m, disse que o eleito era o jovenzinho David, que apascentava as ovelhas (cf. 1Sm 16,6-13), porque \u00abo homem v\u00ea as apar\u00eancias, mas o Senhor olha o cora\u00e7\u00e3o\u00bb (v. 7). A gl\u00f3ria da juventude est\u00e1 mais no cora\u00e7\u00e3o do que na for\u00e7a f\u00edsica ou na impress\u00e3o que algu\u00e9m provoca nos outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>Quando Salom\u00e3o teve de suceder a seu pai, sentiu-se perdido e disse a Deus: \u00abN\u00e3o passo de um jovem inexperiente que n\u00e3o sabe ainda como governar\u00bb (1Rs 3,7). No entanto, a aud\u00e1cia da juventude levou-o a pedir a Deus a sabedoria, e entregou-se \u00e0 sua miss\u00e3o. Algo semelhante ocorreu ao profeta Jeremias, chamado a despertar o seu povo sendo muito jovem. No seu temor, disse: \u00abAh, Senhor Deus, eu n\u00e3o sei falar, pois ainda sou um jovem\u00bb (Jr 1,6). O Senhor, por\u00e9m, pediu-lhe que n\u00e3o falasse assim (cf. Jr 1,7) e acrescentou: \u00abN\u00e3o ter\u00e1s medo diante deles, pois Eu estou contigo para te livrar\u00bb (Jr 1,8). A entrega do profeta Jeremias \u00e0 sua miss\u00e3o mostra aquilo que \u00e9 poss\u00edvel quando a frescura da juventude se une \u00e0 for\u00e7a de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>Uma jovenzinha judia, que estava ao servi\u00e7o do militar estrangeiro Naaman, interveio com f\u00e9 para ajud\u00e1-lo a curar-se da sua doen\u00e7a (cf. 2Rs 5,2-6). A jovem Rute foi um exemplo de generosidade quando ficou com a sua sogra, que ca\u00edra em desgra\u00e7a (cf. Rt 1,1-18), e tamb\u00e9m manifestou a sua aud\u00e1cia, seguindo adiante na vida (cf. Rt 4,1-17).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>No Novo Testamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>Conta uma par\u00e1bola de Jesus (cf. Lc 15,11-32) que o filho \u00abmais novo\u00bb quis deixar a casa paterna e partir para um pa\u00eds distante (cf. vv. 12-13). Contudo, os seus sonhos de autonomia converteram-se em libertinagem e desgoverno (cf. v. 13) e ele sentiu a dureza da solid\u00e3o e da pobreza (cf. vv. 14-16). N\u00e3o obstante, soube cair em si para poder come\u00e7ar de novo (cf. vv. 17-19) e decidiu levantar-se (cf. v. 20). \u00c9 pr\u00f3prio do cora\u00e7\u00e3o jovem dispor-se a mudar, ser capaz de voltar a levantar-se e de se deixar ensinar pela vida. Como n\u00e3o acompanhar o filho nesse novo prop\u00f3sito? O irm\u00e3o mais velho, por\u00e9m, j\u00e1 tinha o cora\u00e7\u00e3o envelhecido e deixou-se possuir pela cobi\u00e7a, pelo ego\u00edsmo e pela inveja (cf. vv. 28-30). Jesus elogia mais o jovem pecador que retoma o bom caminho do que aquele que se julga fiel, mas n\u00e3o vive o esp\u00edrito do amor e da miseric\u00f3rdia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li>Jesus, o eternamente jovem, quer oferecer-nos um cora\u00e7\u00e3o sempre jovem. Pede-nos a Palavra de Deus: \u00abPurificai-vos do velho fermento para serdes uma nova massa\u00bb (1Cor 5,7). Ao mesmo tempo, convida-nos a despojarmo-nos do \u00abhomem velho\u00bb para nos revestirmos do homem \u00abjovem\u00bb (cf. Cl 3,9.10). <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> E quando explica o que significa revestir-se dessa juventude \u00abque se vai renovando\u00bb (v. 10), diz que \u00e9 ter \u00abentranhas de mi-seric\u00f3rdia, de bondade, de humildade, de mansid\u00e3o, de paci\u00eancia, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se algu\u00e9m tiver raz\u00e3o de queixa contra outro\u00bb (Cl 3,12-13). Isto significa que a verdadeira juventude \u00e9 ter um cora\u00e7\u00e3o capaz de amar. Pelo contr\u00e1rio, aquilo que envelhece a alma \u00e9 tudo o que nos separa dos outros. Por isso, conclui S\u00e3o Paulo: \u00abAcima de tudo isto, revesti-vos do amor, que \u00e9 o la\u00e7o da perfei\u00e7\u00e3o\u00bb (Cl 3,14).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>Reparemos que a Jesus n\u00e3o agradava que as pessoas adultas olhassem com desprezo os mais novos ou os tivessem ao seu servi\u00e7o de uma forma desp\u00f3tica. Pedia Ele, pelo contr\u00e1rio: \u00abo que for maior entre v\u00f3s seja como o menor\u00bb (Lc 22,26). Para Ele, a idade n\u00e3o estabelecia privil\u00e9gios e o facto de algu\u00e9m ter menos anos n\u00e3o significava que valia menos ou que tinha menor dignidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>A Palavra de Deus diz que os jovens devem ser tratados \u00abcomo irm\u00e3os\u00bb (1Tm 5,1), recomendando aos pais: \u00abN\u00e3o exaspereis os vossos filhos, para que n\u00e3o caiam em des\u00e2nimo\u00bb (Cl 3,21). Um jovem n\u00e3o se pode sentir desanimado, \u00e9 pr\u00f3prio dele sonhar coisas grandes, procurar largos horizontes, atrever-se a mais, querer conquistar o mundo, ser capaz de aceitar propostas desafiantes e desejar contribuir com o melhor de si mesmo para construir algo melhor. Por isso insisto, dirigindo-me aos jovens, para que n\u00e3o deixem que lhes roubem a esperan\u00e7a, e repito a cada um: \u00abNingu\u00e9m escarne\u00e7a da tua juventude\u00bb (1Tm 4,12).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"16\">\n<li>Todavia, ao mesmo tempo, \u00e9 recomendado aos jovens: \u00abSede submissos aos anci\u00e3os\u00bb (1Pe 5,5). A B\u00edblia convida sempre a um profundo respeito para com os anci\u00e3os, porque guardam dentro de si um tesouro de experi\u00eancia, provaram os \u00eaxitos e os fracassos, as alegrias e as grandes ang\u00fastias da vida, as ilus\u00f5es e os desencantos e, no sil\u00eancio do seu cora\u00e7\u00e3o, guardam muitas hist\u00f3rias que nos podem ajudar a n\u00e3o nos equivocarmos, nem nos enganarmos por falsas miragens. A palavra de um anci\u00e3o s\u00e1bio convida a respeitar certos limites e a saber dominar-se a tempo: \u00abExorta igualmente os jovens a serem moderados em tudo\u00bb (Tt 2,6). N\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fico cair num culto \u00e0 juventude ou numa atitude juvenil que despreza os outros pelos seus anos ou por serem de outra \u00e9poca. Jesus dizia que a pessoa s\u00e1bia \u00e9 capaz de tirar do seu ba\u00fa tanto coisas novas como velhas (cf. Mt 13,52). Um jovem s\u00e1bio abre-se ao futuro, mas \u00e9 sempre capaz de aproveitar qualquer coisa da experi\u00eancia dos outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li>No Evangelho de Marcos, aparece uma pessoa que, quando Jesus lhe recorda os mandamentos, diz: \u00abSempre os cumpri desde a minha juventude\u00bb (10,20). J\u00e1 o dizia o Salmo: \u00abTu \u00e9s a minha esperan\u00e7a, \u00f3 Senhor Deus, e a minha confian\u00e7a desde a juventude [\u2026] Instru\u00edste-me, \u00f3 Deus, desde a minha juventude e at\u00e9 hoje anunciei sempre as tuas maravilhas\u00bb (71.5.17). Ningu\u00e9m se deve arrepender de gastar a juventude sendo bom, abrindo o cora\u00e7\u00e3o ao Senhor, vivendo de uma maneira diferente. Nada disso nos tira a juventude, mas fortalece-a e renova-a: \u00abA tua juventude renova-se como a \u00e1guia\u00bb (Sl 103,5). Por isso, lamentava-se Santo Agostinho: \u00abTarde te amei, \u00f3 beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova! Tarde te amei!\u00bb <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> No entanto, aquele homem rico, que tinha sido fiel a Deus na sua juventude, deixou que os anos lhe arrebatassem os sonhos, e preferiu continuar apegado aos seus bens (cf. Mc 10,22).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li>Por outro lado, no Evangelho de Mateus aparece um jovem (cf. Mt 19,20.22) que se aproxima de Jesus para pedir mais (cf. v. 20), com aquele esp\u00edrito aberto dos jovens, que procura novos horizontes e grandes desafios. Na realidade, o seu esp\u00edrito n\u00e3o era assim t\u00e3o jovem, porque j\u00e1 se tinha aferrado \u00e0s riquezas e \u00e0s comodidades. Dizia ele, da boca para fora, que queria mais qualquer coisa, mas quando Jesus lhe pediu que fosse generoso e repartisse os seus bens, deu-se conta de que era incapaz de se desprender daquilo que tinha. Finalmente, \u00abao ouvir tais palavras, o jovem retirou-se contristado\u00bb (v. 22). Tinha renunciado \u00e0 sua juventude.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li>O Evangelho tamb\u00e9m nos fala de umas jovens prudentes, que estavam preparadas e atentas, enquanto outras viviam distra\u00eddas e adormecidas (cf. Mt 25,1-13). Com efeito, uma pessoa pode passar a sua juventude distra\u00edda, voando sobre a superf\u00edcie da vida, adormecida, incapaz de cultivar rela\u00e7\u00f5es profundas e de entrar no mais fundo da vida. Desse modo, prepara um futuro pobre, sem subst\u00e2ncia. Ou ent\u00e3o, pode gastar a sua juventude cultivando coisas belas e grandes, e assim prepara um futuro cheio de vida e de riqueza interior.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"20\">\n<li>Se tu perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperan\u00e7a e a generosidade, Jesus apresenta-se diante de ti tal como se apresentou diante do filho morto da vi\u00fava e, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: \u00abJovem, Eu te ordeno, levanta-te!\u00bb (Lc 7,14).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"21\">\n<li>Sem d\u00favida, h\u00e1 muitos outros textos da Palavra de Deus que nos podem iluminar acerca desta etapa da vida. Reuniremos alguns deles nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Segundo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>JESUS CRISTO SEMPRE JOVEM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"22\">\n<li>Jesus \u00e9 \u00abjovem entre os jovens, para servir de exemplo aos jovens e consagr\u00e1-los ao Senhor\u00bb. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Por isso, disse o S\u00ednodo que \u00aba juventude \u00e9 uma etapa original e estimulante da vida, que o pr\u00f3prio Jesus viveu, santificando-a\u00bb.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Que nos conta o Evangelho acerca da juventude de Jesus?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A juventude de Jesus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li>O Senhor \u00abentregou o seu esp\u00edrito\u00bb (Mt 27,50) numa cruz quando tinha pouco mais de trinta anos de idade (cf. Lc 3,23). \u00c9 importante tomar consci\u00eancia de que Jesus foi jovem. Deu a sua vida numa etapa que hoje \u00e9 definida como a de um adulto jovem. Na plenitude da sua juventude, deu in\u00edcio \u00e0 sua miss\u00e3o p\u00fablica, e assim \u00abbrilhou uma grande luz\u00bb (Mt 4,16), sobretudo quando deu a sua vida at\u00e9 ao fim. Este final n\u00e3o foi improvisado, pelo contr\u00e1rio toda a sua juventude foi uma preciosa prepara\u00e7\u00e3o em cada um dos seus momentos, porque \u00abtudo, na vida de Jesus, \u00e9 sinal do seu mist\u00e9rio\u00bb <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e \u00abtoda a vida de Cristo \u00e9 mist\u00e9rio de Reden\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"24\">\n<li>O Evangelho n\u00e3o fala da inf\u00e2ncia de Jesus, mas narra-nos alguns acontecimentos da sua adolesc\u00eancia e juventude. Mateus situa este per\u00edodo da juventude do Senhor entre dois acontecimentos: o regresso da sua fam\u00edlia a Nazar\u00e9, ap\u00f3s o tempo de ex\u00edlio, e o seu batismo no Jord\u00e3o, onde iniciou a sua miss\u00e3o p\u00fablica. As \u00faltimas imagens de Jesus Menino s\u00e3o as de um pequeno refugiado no Egito (cf. Mt 2,14-15) e, posteriormente, as de um repatriado em Nazar\u00e9 (cf. Mt 2,19-23). As primeiras imagens de Jesus, jovem adulto, s\u00e3o as que no-lo apresentam no meio da multid\u00e3o, junto ao rio Jord\u00e3o, para se deixar batizar pelo seu primo Jo\u00e3o Batista, como um simples membro do seu povo (cf. Mt 3,13-17).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>Este batismo n\u00e3o era como o nosso, que nos introduz a gra\u00e7a na vida, mas foi uma consagra\u00e7\u00e3o antes de Jesus dar in\u00edcio \u00e0 grande miss\u00e3o da sua vida. Segundo o Evangelho, o seu batismo foi motivo da alegria e do benepl\u00e1cito do Pai: \u00abTu \u00e9s o meu Filho amado\u00bb (Lc 3,22). Em seguida, Jesus apareceu cheio do Esp\u00edrito Santo e foi conduzido pelo Esp\u00edrito ao deserto. Assim ficou preparado para sair a pregar e a fazer prod\u00edgios, para libertar e curar (cf. Lc 4,1-14). Cada jovem, quando se sentir chamado a cumprir uma miss\u00e3o nesta terra, \u00e9 convidado a reconhecer no seu interior essas mesmas palavras que lhe diz Deus, seu Pai: \u00abTu \u00e9s o meu filho amado.\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"26\">\n<li>Entre estes relatos, encontramos um que mostra Jesus em plena adolesc\u00eancia. Foi quando Ele regressou com os seus pais a Nazar\u00e9, depois de eles o terem perdido e o terem encontrado no Templo (cf. Lc 2,41-51). A\u00ed diz que Jesus \u00ablhes era submisso\u00bb (cf. Lc 2,51), porque n\u00e3o renegava a sua fam\u00edlia. Depois, Lucas acrescenta que Jesus \u00abcrescia em sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb (Lc 2,52). Em suma, estava a ser preparado e, durante esse per\u00edodo, ia aprofundando a sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai e com os outros. Explicava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que Jesus n\u00e3o crescia apenas fisicamente, mas que \u00abtamb\u00e9m se deu n\u2019Ele um crescimento espiritual\u00bb, porque a plenitude da gra\u00e7a, em Jesus, era proporcional \u00e0 sua idade: havia sempre plenitude, mas uma plenitude crescente com o crescer da idade\u00bb. <a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"27\">\n<li>Com estes dados evang\u00e9licos, podemos dizer que, na sua etapa da juventude, Jesus se foi \u00abformando\u00bb, se foi preparando para cumprir o projeto que o Pai tinha. A sua adolesc\u00eancia e a sua juventude orientaram-no para essa miss\u00e3o suprema.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"28\">\n<li>Na adolesc\u00eancia e na juventude, a sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai era a do Filho amado, atra\u00eddo pelo Pai, e Ele crescia ocupando-se das coisas do Pai: \u00abN\u00e3o sab\u00edeis que me devo ocupar dos assuntos de meu Pai?\u00bb (Lc 2,49). No entanto, n\u00e3o devemos pensar que Jesus era um adolescente solit\u00e1rio ou um jovem ensimesmado. A sua rela\u00e7\u00e3o com as pessoas era a de um jovem que partilhava toda a vida de uma fam\u00edlia bem integrada no seu povoado. Aprendeu o of\u00edcio do seu pai e mais tarde substituiu-o como carpinteiro. Por isso, no Evangelho, uma vez \u00e9 chamado \u00abo filho do carpinteiro\u00bb (Mt 13,55) e outra vez, simplesmente, \u00abo carpinteiro\u00bb (Mc 6,3). Este detalhe mostra que era um simples rapaz do seu povoado, que se relacionava com toda a normalidade. Ningu\u00e9m o olhava como se ele fosse um jovem raro ou separado dos outros. Precisamente por essa raz\u00e3o, quando Jesus saiu a pregar, as pessoas n\u00e3o percebiam onde \u00e9 que Ele ia buscar aquela sabedoria: \u00abN\u00e3o \u00e9 este o filho de Jos\u00e9?\u00bb (Lc 4,22).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"29\">\n<li>A verdade \u00e9 que \u00abJesus tamb\u00e9m n\u00e3o cresceu numa rela\u00e7\u00e3o fechada e absorvente com Maria e com Jos\u00e9, mas movia-se de bom grado na fam\u00edlia alargada, que inclu\u00eda os seus parentes e amigos\u00bb. <a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Entendemos assim por que motivo os seus pais, ao regressarem da peregrina\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m, estavam tranquilos pensando que o jovenzinho de doze anos (cf. Lc 2,42) caminhava livremente no meio das pessoas, embora n\u00e3o o tivessem visto durante um dia inteiro: \u00abPensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem\u00bb (Lc 2,44). Pensavam, decerto, que Jesus estava ali, indo e vindo entre os demais, gracejando com outros jovens da sua idade, escutando as narra\u00e7\u00f5es dos adultos e partilhando as alegrias e as tristezas da caravana. O termo grego utilizado por Lucas para a caravana de peregrinos, <em>synod\u00eda<\/em>, indica, precisamente, esta \u00abcomunidade a caminho\u00bb da qual faz parte a Sagrada Fam\u00edlia. Gra\u00e7as \u00e0 confian\u00e7a dos seus pais, Jesus move-se livremente e aprende a caminhar com todos os demais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sua juventude ilumina-nos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"30\">\n<li>Estes aspetos da vida de Jesus podem revelar-se inspiradores para todos os jovens que est\u00e3o a crescer e a preparar-se para cumprir a sua miss\u00e3o. Isso implica amadurecer na rela\u00e7\u00e3o com o Pai, na consci\u00eancia de ser um simples membro da fam\u00edlia e do povo, e estar aberto a deixar-se encher e conduzir pelo Esp\u00edrito, para cumprir a miss\u00e3o que Deus lhe encomenda, a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. Nada disto deveria ser ignorado na pastoral juvenil, para n\u00e3o se criarem projetos que isolem os jovens da fam\u00edlia e do mundo, ou que os convertam numa minoria seleta e preservada de todo o cont\u00e1gio. Precisamos, antes, de projetos que os fortale\u00e7am, os acompanhem e os lancem ao encontro dos demais, no servi\u00e7o generoso e na miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"31\">\n<li>Jesus n\u00e3o vos ilumina a v\u00f3s, jovens, \u00e0 dist\u00e2ncia ou a partir de fora, mas a partir da sua pr\u00f3pria juventude, que Ele partilha convosco. \u00c9 muito importante contemplar Jesus jovem, que os Evangelhos nos mostram, porque Ele foi verdadeiramente um de v\u00f3s, e nele se podem reconhecer muitos aspetos dos cora\u00e7\u00f5es jovens. Vemo-lo, por exemplo, nas seguintes caracter\u00edsticas: \u00abJesus tinha uma confian\u00e7a incondicional no Pai, cuidava da amizade com os seus disc\u00edpulos e, inclusivamente, nos momentos cr\u00edticos, permaneceu fiel a eles. Manifestou uma profunda compaix\u00e3o pelos mais d\u00e9beis, de modo especial pelos pobres, pelos doentes, pelos pecadores e pelos exclu\u00eddos. Teve a valentia de se confrontar com as autoridades religiosas e pol\u00edticas do seu tempo; viveu a experi\u00eancia de se sentir incompreendido e descartado; sentiu medo do sofrimento e conheceu a fragilidade da paix\u00e3o; dirigiu o seu olhar para o futuro, abandonando-se nas m\u00e3os seguras do Pai e na for\u00e7a do Esp\u00edrito. Em Jesus, todos os jovens se podem reconhecer\u00bb. <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"32\">\n<li>Por outro lado, Jesus ressuscitou e quer tornar-nos participantes da novidade da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 a verdadeira juventude de um mundo envelhecido, e tamb\u00e9m \u00e9 a juventude de um universo que espera, com \u00abdores de parto\u00bb (Rm 8,22), ser revestido com a sua luz e com a sua vida. Junto dele podemos beber do verdadeiro manancial, que mant\u00e9m vivos os nossos sonhos, os nossos projetos, os nossos grandes ideais, e que nos lan\u00e7a no an\u00fancio da vida que vale a pena. Em dois detalhes curiosos do Evangelho de Marcos pode perceber-se o chamamento \u00e0 verdadeira juventude dos ressuscitados. Por um lado, na paix\u00e3o do Senhor aparece um jovem temeroso, que tentava seguir Jesus, mas que fugiu nu (cf. Mc 14,51-52), um jovem que n\u00e3o teve for\u00e7as para arriscar tudo a fim de seguir o Senhor. Por outro lado, junto ao sepulcro vazio, vemos um jovem \u00abvestido com uma t\u00fanica branca\u00bb (16,5), que convidava a perder o temor e anunciava a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o (cf. 16,6-7).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"33\">\n<li>O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite de outros jovens, convida-nos a olhar os verdadeiros astros, esses sinais t\u00e3o variados que Ele nos d\u00e1 para que n\u00e3o fiquemos parados, mas imitemos o semeador que olhava as estrelas para poder arar o campo. Deus acende-nos estrelas para que continuemos a caminhar: \u00ab\u00c0s estrelas que brilham alegremente nos seus postos, Ele chama-as e elas respondem\u00bb (Br 3,34-35). O pr\u00f3prio Cristo, por\u00e9m, \u00e9 para n\u00f3s a grande luz de esperan\u00e7a, que nos guia na nossa noite, porque Ele \u00e9 \u00aba estrela radiante da manh\u00e3\u00bb (Ap 22,16).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A juventude da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"34\">\n<li>Ser jovem, mais do que uma idade, \u00e9 um estado do cora\u00e7\u00e3o. Da\u00ed que uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga como a Igreja se possa renovar e voltar a ser jovem em diversas etapas da sua longu\u00edssima hist\u00f3ria. Na realidade, nos seus momentos mais tr\u00e1gicos, sente o chamamento para voltar ao essencial do primeiro amor. Recordando esta verdade, o Conc\u00edlio Vaticano II expressava que, \u00abrica de um longo passado, sempre vivo nela e caminhando para a perfei\u00e7\u00e3o humana no tempo e para os objetivos \u00faltimos da hist\u00f3ria e da vida, a Igreja \u00e9 a verdadeira juventude do mundo\u00bb. Nela \u00e9 sempre poss\u00edvel encontrar Cristo, \u00abo companheiro e o amigo dos jovens\u00bb. <a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma Igreja que se deixa renovar<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"35\">\n<li>Pe\u00e7amos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que a querem envelhecer, encerrar no passado, det\u00ea-la, imobiliz\u00e1-la. Pe\u00e7amos tamb\u00e9m que a liberte de outra tenta\u00e7\u00e3o: julgar que \u00e9 jovem porque cede a tudo aquilo que o mundo lhe oferece, julgar que se renova porque esconde a sua mensagem e se mimetiza com os demais. N\u00e3o. \u00c9 jovem quando \u00e9 ela pr\u00f3pria, quando recebe a for\u00e7a sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presen\u00e7a de Cristo e da for\u00e7a do seu Esp\u00edrito em cada dia. \u00c9 jovem quando \u00e9 capaz de regressar uma e outra vez \u00e0 sua fonte.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li>\u00c9 verdade que n\u00f3s, membros da Igreja, n\u00e3o devemos ser \u00abbichos estranhos\u00bb. Todos se devem sentir como irm\u00e3os e pr\u00f3ximos, como os Ap\u00f3stolos, que \u00abtinham a simpatia de todo o povo\u00bb (At 2,47; cf. 4,21.33; 5,13). Ao mesmo tempo, por\u00e9m, devemos atrever-nos a ser diferentes, a mostrar outros sonhos que este mundo n\u00e3o oferece, a dar testemunho da beleza, da generosidade, do servi\u00e7o, da pureza, da fortaleza, do perd\u00e3o, da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o, da luta pela justi\u00e7a e do bem comum, do amor aos pobres e da amizade social.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li>A Igreja de Cristo, por\u00e9m, pode sempre cair na tenta\u00e7\u00e3o de perder o entusiasmo porque j\u00e1 n\u00e3o escuta o chamamento do Senhor a arriscar na f\u00e9, a dar tudo sem medir os perigos, e volta a procurar falsas seguran\u00e7as mundanas. S\u00e3o precisamente os jovens que a podem ajudar a manter-se jovem, a n\u00e3o cair na corrup\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o desistir, a n\u00e3o se orgulhar, a n\u00e3o se converter em seita, a ser mais pobre e testemunhal, a estar pr\u00f3xima dos \u00faltimos e dos descartados, a lutar pela justi\u00e7a, a deixar-se interpelar com humildade. Eles podem conferir \u00e0 Igreja a beleza da juventude quando estimulam a sua capacidade de \u00abse alegrarem com aquilo que come\u00e7a, de se darem sem recompensa, de se renovarem e de partirem de novo para novas conquistas\u00bb. <a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"38\">\n<li>Aqueles dentre n\u00f3s que j\u00e1 n\u00e3o somos jovens, precisamos de oportunidades para manter por perto a voz e o est\u00edmulo deles, e \u00aba proximidade cria as condi\u00e7\u00f5es para que a Igreja seja um espa\u00e7o de di\u00e1logo e de testemunho de fraternidade capaz de fascinar\u00bb. <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Faz-nos falta criar mais espa\u00e7os onde ressoe a voz dos jovens: \u00abA escuta torna poss\u00edvel um interc\u00e2mbio de dons, num contexto de empatia [\u2026]. Ao mesmo tempo, estabelece as condi\u00e7\u00f5es para um an\u00fancio do Evangelho que chegue verdadeiramente ao cora\u00e7\u00e3o, de modo incisivo e fecundo\u00bb. <a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma igreja atenta aos sinais dos tempos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"39\">\n<li>\u00abPara muitos jovens, Deus, a religi\u00e3o e a Igreja s\u00e3o palavras vazias, no entanto, eles s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 figura de Jesus, quando esta \u00e9 apresentada de modo atraente e eficaz\u00bb. <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a Igreja n\u00e3o se centre demasiado em si mesma, mas reflita sobretudo Jesus Cristo. Isso implica que reconhe\u00e7a com humildade que algumas coisas concretas devem mudar e, para isso, tamb\u00e9m precisa de ter em conta a vis\u00e3o e tamb\u00e9m as cr\u00edticas dos jovens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"40\">\n<li>No S\u00ednodo, reconheceu-se \u00abque um n\u00famero consistente de jovens, por raz\u00f5es muito distintas, n\u00e3o pedem nada \u00e0 Igreja porque n\u00e3o a consideram significativa para a sua exist\u00eancia. Alguns, inclusive, pedem expressamente que os deixem em paz, visto que sentem a presen\u00e7a da Igreja inc\u00f3moda e at\u00e9 irritante. Muitas vezes, esse pedido n\u00e3o brota de um desprezo acr\u00edtico e impulsivo, mas tem as suas ra\u00edzes em raz\u00f5es s\u00e9rias e compreens\u00edveis: os esc\u00e2ndalos sexuais e econ\u00f3micos; a falta de prepara\u00e7\u00e3o dos ministros ordenados, que n\u00e3o sabem captar adequadamente a sensibilidade dos jovens; o pouco cuidado na prepara\u00e7\u00e3o da homilia e na explica\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus; o papel passivo atribu\u00eddo aos jovens dentro da comunidade crist\u00e3; a dificuldade da Igreja em dar raz\u00e3o das suas posi\u00e7\u00f5es doutrinais e \u00e9ticas \u00e0 sociedade contempor\u00e2nea\u00bb. <a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"41\">\n<li>Embora haja jovens que se alegram quando veem uma Igreja que se manifesta com humildade, segura dos seus dons e tamb\u00e9m capaz de fazer uma cr\u00edtica leal e fraterna, outros jovens reclamam uma Igreja que escute mais, que n\u00e3o passe a vida a condenar o mundo. N\u00e3o querem ver uma Igreja calada e t\u00edmida, nem tampouco que esteja sempre em guerra por dois ou tr\u00eas temas que s\u00e3o para ela uma obsess\u00e3o. Para ser cred\u00edvel frente aos jovens, por vezes, precisa de recuperar a humildade e de simplesmente escutar, reconhecer naquilo que os outros dizem alguma luz que a ajude a descobrir melhor o Evangelho. Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que n\u00e3o permite que a ponham em quest\u00e3o, perde a juventude e converte-se num museu. Como poder\u00e1 acolher, desse modo, os sonhos dos jovens? Mesmo que detenha a verdade do Evangelho, isso n\u00e3o significa que a tenha compreendido plenamente; pelo contr\u00e1rio, deve crescer continuamente na compreens\u00e3o desse tesouro inesgot\u00e1vel. <a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"42\">\n<li>Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser permanentemente cr\u00edtica perante todos os discursos sobre a defesa dos direitos das mulheres, e apontar constantemente os riscos e os poss\u00edveis erros dessas reivindica\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, uma Igreja viva pode reagir prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s leg\u00edtimas reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres que pedem mais justi\u00e7a e igualdade. Pode recordar a hist\u00f3ria e reconhecer uma longa trama de autoritarismo por parte dos homens, de sujei\u00e7\u00e3o, de diversas formas de escravid\u00e3o, de abuso e de viol\u00eancia machistas. Nesta perspetiva, ser\u00e1 capaz de fazer suas essas reivindica\u00e7\u00f5es de direitos e dar\u00e1 o seu contributo, com convic\u00e7\u00e3o, em favor de uma maior reciprocidade entre homens e mulheres, mesmo que n\u00e3o concorde com tudo aquilo que prop\u00f5em alguns grupos feministas. Nesta linha, o S\u00ednodo quis renovar o compromisso da Igreja \u00abcontra todo o tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia sexual\u00bb. <a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> \u00c9 essa a rea\u00e7\u00e3o de uma Igreja que se mant\u00e9m jovem e que se deixa colocar em quest\u00e3o e impulsionar pela sensibilidade dos jovens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Maria, a jovem de Nazar\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"43\">\n<li>No cora\u00e7\u00e3o da Igreja resplandece Maria. Ela \u00e9 o grande modelo para uma Igreja jovem, que quer seguir Cristo com frescura e docilidade. Quando era muito jovem, recebeu o an\u00fancio do anjo e n\u00e3o se coibiu de fazer perguntas (cf. Lc 1,34). Contudo, tinha uma alma dispon\u00edvel e disse: \u00abEis a serva do Senhor\u00bb (Lc 1,38).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"44\">\n<li>\u00abDesperta sempre a aten\u00e7\u00e3o a for\u00e7a do \u201csim\u201d de Maria jovem. Foi diferente de um \u201csim\u201d como se dissesse: bom, vamos tentar, para ver o que acontece. Maria n\u00e3o conhecia a express\u00e3o \u201cvamos ver o que acontece\u201d. Era decidida, percebeu de que se tratava e disse \u201csim\u201d, sem rodeios. Foi algo mais, algo diferente. Foi o \u201csim\u201d de quem se quer comprometer e daquele que quer arriscar, de quem quer apostar tudo, sem outra seguran\u00e7a que n\u00e3o seja a certeza de saber que era portadora de uma promessa. E agora pergunto eu a cada um de v\u00f3s: Sentem-se portadores de uma promessa? Que promessa tenho eu no cora\u00e7\u00e3o para levar por diante? Maria teria, sem d\u00favida, uma miss\u00e3o dif\u00edcil, mas as dificuldades n\u00e3o eram raz\u00e3o para dizer \u201cn\u00e3o\u201d. Certamente teria complica\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o seriam as mesmas complica\u00e7\u00f5es que se produzem quando a cobardia nos paralisa por n\u00e3o ver tudo claramente ou por n\u00e3o ter tudo assegurado de antem\u00e3o. Maria n\u00e3o comprou um seguro de vida! Maria arriscou tudo, por isso \u00e9 forte, por isso \u00e9 uma <em>influencer<\/em>, \u00e9 a <em>influencer<\/em> de Deus! O \u201csim\u201d e a vontade de servir foram mais fortes do que as d\u00favidas e as dificuldades\u00bb. <a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"45\">\n<li>Sem ceder a evas\u00f5es nem a miragens, \u00abela soube acompanhar a dor do seu Filho [&#8230;], sustent\u00e1-lo com o seu olhar, abrig\u00e1-lo no cora\u00e7\u00e3o. Dor essa que sofreu, mas que n\u00e3o a deixou resignada. Foi a mulher forte do \u201csim\u201d, que sust\u00e9m e acompanha, protege e abra\u00e7a. Ela \u00e9 a grande guardi\u00e3 da esperan\u00e7a [&#8230;]. Com ela aprendemos a dizer \u201csim\u201d na obstinada paci\u00eancia e criatividade daqueles que n\u00e3o se acobardam e que come\u00e7am tudo de novo\u00bb. <a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"46\">\n<li>Maria era a jovem de alma grande que estremecia de alegria (cf. Lc 1,47), era a jovenzinha de olhos iluminados pelo Esp\u00edrito Santo que contemplava a vida com f\u00e9 e tudo guardava no seu cora\u00e7\u00e3o de menina (cf. Lc 2,19.51). Era a inquieta, aquela que se p\u00f5e continuamente a caminho, que mal soube que a sua prima precisava dela n\u00e3o pensou nos seus pr\u00f3prios projetos, mas dirigiu-se \u00ab\u00e0 pressa\u00bb \u00e0 montanha (Lc 1,39).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"47\">\n<li>E se era necess\u00e1rio proteger o seu filhinho, l\u00e1 ia ela com Jos\u00e9 para um pa\u00eds distante (cf. Mt 2,13-14). Por isso, permaneceu junto dos disc\u00edpulos reunidos em ora\u00e7\u00e3o, \u00e0 espera do Esp\u00edrito Santo (cf. At 1,14). Assim, com a sua presen\u00e7a, nasceu uma Igreja jovem, com os seus Ap\u00f3stolos em sa\u00edda, para fazer nascer um mundo novo (cf. At 2,4-11).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"48\">\n<li>Aquela jovenzinha, hoje, \u00e9 a M\u00e3e que vela pelos filhos, estes filhos que caminhamos pela vida muitas vezes cansados, carentes, mas querendo que a luz da esperan\u00e7a n\u00e3o se apague. \u00c9 isso o que n\u00f3s queremos: que a luz da esperan\u00e7a n\u00e3o se apague. A nossa M\u00e3e olha este povo peregrino, povo de jovens querido por ela, que a procura fazendo sil\u00eancio no cora\u00e7\u00e3o, mesmo que no caminho haja muito ru\u00eddo, conversas e distra\u00e7\u00f5es. Contudo, diante dos olhos da M\u00e3e s\u00f3 cabe o sil\u00eancio esperan\u00e7ado. E assim Maria ilumina de novo a nossa juventude.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jovens santos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"49\">\n<li>O cora\u00e7\u00e3o da Igreja tamb\u00e9m est\u00e1 cheio de jovens santos, que entregaram a sua vida por Cristo, muitos deles at\u00e9 ao mart\u00edrio. Eles foram preciosos reflexos de Cristo jovem, que brilham para nos estimular e para nos arrancar da modorra. O S\u00ednodo destacou que \u00abmuitos jovens santos t\u00eam feito brilhar os tra\u00e7os da idade juvenil em toda a sua beleza e, na sua \u00e9poca, foram verdadeiros profetas de mudan\u00e7a; o seu exemplo mostra de que s\u00e3o capazes os jovens quando se abrem ao encontro com Cristo\u00bb. <a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"50\">\n<li>\u00abAtrav\u00e9s da santidade dos jovens, a Igreja pode renovar o seu ardor espiritual e o seu vigor apost\u00f3lico. O b\u00e1lsamo da santidade gerada pela vida boa de tantos jovens pode curar as feridas da Igreja e do mundo, devolvendo-nos \u00e0quela plenitude do amor \u00e0 qual desde sempre fomos chamados: os jovens santos animam-nos a voltar ao nosso primeiro amor (cf. Ap 2,4)\u00bb. <a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> H\u00e1 santos que n\u00e3o conheceram a vida adulta e que nos deixaram o testemunho de outra forma de viver a juventude. Recordemos pelo menos alguns deles, de diversos momentos da hist\u00f3ria, que viveram a santidade, cada um \u00e0 sua maneira.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"51\">\n<li>No s\u00e9culo iii, S\u00e3o Sebasti\u00e3o era um jovem capit\u00e3o da guarda pretoriana. Contam que falava de Cristo por toda a parte e que tentava converter os seus companheiros, at\u00e9 que lhe ordenaram que renunciasse \u00e0 sua f\u00e9. Como n\u00e3o aceitou, lan\u00e7aram sobre ele uma chuva de flechas, mas sobreviveu e continuou a anunciar Cristo, sem medo. Finalmente, a\u00e7oitaram-no at\u00e9 \u00e0 morte.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"52\">\n<li>S\u00e3o Francisco de Assis, sendo muito jovem e cheio de sonhos, escutou o chamamento de Jesus para ser pobre como Ele e para restaurar a Igreja com o seu testemunho. Renunciou a tudo com alegria e \u00e9 o santo da fraternidade universal, o irm\u00e3o de todos, que louvava o Senhor pelas suas criaturas. Morreu em 1226.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"53\">\n<li>Santa Joana d\u2019Arc nasceu em 1412. Era uma jovem camponesa que, apesar da sua pouca idade, lutou para defender a Fran\u00e7a dos invasores. Incompreendida pelo seu aspeto e pela sua forma de viver a f\u00e9, morreu na fogueira.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"54\">\n<li>O Beato Andr\u00e9s Ph\u00fb Y\u00ean era um jovem vietnamita do s\u00e9culo xvii. Era catequista e ajudava os mission\u00e1rios. Foi feito prisioneiro pela sua f\u00e9 e, pelo facto de n\u00e3o ter querido renunciar a ela, foi assassinado. Morreu a dizer: \u00abJesus.\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"55\">\n<li>Nesse mesmo s\u00e9culo, Santa Catarina Tekakwitha, uma jovem leiga nativa da Am\u00e9rica do Norte, sofreu persegui\u00e7\u00e3o pela sua f\u00e9 e fugiu, percorrendo a p\u00e9 mais de trezentos quil\u00f3metros atrav\u00e9s de densas florestas. Consagrou-se a Deus e morreu a dizer: \u00abJesus, amo-te!\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"56\">\n<li>S\u00e3o Domingos S\u00e1vio oferecia a Maria todos os seus sofrimentos. Quando S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco lhe ensinou que a santidade implicava estar sempre alegres, abriu o seu cora\u00e7\u00e3o a uma alegria contagiosa. Procurava estar perto dos seus companheiros mais desprezados e doentes. Morreu em 1857, aos catorze anos de idade, enquanto dizia: \u00abQue maravilha estou a ver!\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"57\">\n<li>Santa Teresa do Menino Jesus nasceu em 1873. Aos quinze anos, passando por muitas dificuldades, conseguiu ingressar num convento carmelita. Viveu o pequeno caminho da confian\u00e7a total no amor do Senhor e prop\u00f4s-se alimentar com a sua ora\u00e7\u00e3o o fogo de amor que move a Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"58\">\n<li>O Beato Zeferino Namuncur\u00e1 era um jovem argentino, filho de um destacado cacique de uma comunidade aut\u00f3ctone. Chegou a ser seminarista salesiano, cheio de desejos de regressar \u00e0 sua tribo para lhe levar Jesus Cristo. Morreu em 1905.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"59\">\n<li>O Beato Isidoro Bakanja era um leigo do Congo que dava testemunho da sua f\u00e9. Foi torturado durante muito tempo por ter proposto o cristianismo a outros jovens. Morreu, perdoando ao seu verdugo, em 1909.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"60\">\n<li>O Beato Pier Giorgio Frassati, que morreu em 1925, \u00abera um jovem de uma alegria contagiosa, uma alegria que tamb\u00e9m superava in\u00fameras dificuldades da sua vida\u00bb. <a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Dizia que tentava retribuir o amor de Jesus que recebia na comunh\u00e3o, visitando e ajudando os pobres.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"61\">\n<li>O Beato Marcel Callo era um jovem franc\u00eas que morreu em 1945. Na \u00c1ustria, foi encerrado num campo de concentra\u00e7\u00e3o, onde reconfortava, na f\u00e9, os seus companheiros de cativeiro, no meio de duros trabalhos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"62\">\n<li>A jovem Beata Chiara Badano, que morreu em 1990, \u00abexperimentou como a dor pode ser transfigurada pelo amor [&#8230;]. O segredo da sua paz e alegria era a plena confian\u00e7a no Senhor e a aceita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a como misteriosa express\u00e3o da sua vontade para seu pr\u00f3prio bem e para bem dos outros\u00bb. <a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"63\">\n<li>Que eles e tamb\u00e9m muitos jovens, que talvez desde o sil\u00eancio e o anonimato tenham vivido a fundo o Evangelho, intercedam pela Igreja, para que esta se encha de jovens alegres, valentes e dedicados, que ofere\u00e7am ao mundo novos testemunhos de santidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Terceiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>v\u00f3s sois o agora de deus<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"64\">\n<li>Depois de percorrer a Palavra de Deus, n\u00e3o podemos dizer apenas que os jovens s\u00e3o o futuro do mundo. S\u00e3o o presente, est\u00e3o a enriquec\u00ea-lo com o seu contributo. Um jovem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a, est\u00e1 num momento da vida em que come\u00e7a a assumir diversas responsabilidades, participando com os adultos no desenvolvimento da fam\u00edlia, da sociedade e da Igreja. No entanto, os tempos mudam, e ressoa esta pergunta: como s\u00e3o os jovens hoje, que se passa com eles agora?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aspetos positivos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"65\">\n<li>O S\u00ednodo reconheceu que os fi\u00e9is da Igreja nem sempre t\u00eam a atitude de Jesus. Em vez de nos dispormos a escut\u00e1-los a fundo, \u00ab\u00e0s vezes, predomina a tend\u00eancia para dar respostas preconcebidas e receitas j\u00e1 preparadas, sem deixar que as interroga\u00e7\u00f5es dos jovens sejam apresentadas com a sua novidade e sem aceitar a sua provoca\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> Por outro lado, quando a Igreja abandona esquemas r\u00edgidos e se abre \u00e0 escuta dispon\u00edvel e atenta dos jovens, essa empatia enriquece-a, porque \u00abpermite que os jovens deem o seu contributo \u00e0 comunidade, ajudando-a a abrir-se a novas sensibilidades e a interrogar-se sobre quest\u00f5es in\u00e9ditas\u00bb. <a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"66\">\n<li>Hoje em dia, n\u00f3s, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de calamidades e de defeitos da juventude atual. Alguns poder\u00e3o aplaudir-nos porque parecemos peritos em encontrar aspetos negativos e perigos. Mas qual seria o resultado de tal atitude? Uma dist\u00e2ncia cada vez maior, menos proximidade, menos ajuda m\u00fatua.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"67\">\n<li>A clarivid\u00eancia de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece rachada (cf. Is 42,3), mas que, no entanto, ainda n\u00e3o est\u00e1 partida. \u00c9 a capacidade de encontrar caminhos onde outros veem apenas muralhas, \u00e9 a habilidade de reconhecer possibilidades onde outros s\u00f3 veem perigos. Assim \u00e9 o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e de alimentar as sementes de bem semeadas nos cora\u00e7\u00f5es dos jovens. O cora\u00e7\u00e3o de cada jovem deve, portanto, ser considerado \u00abterra sagrada\u00bb, portador de sementes de vida divina, diante da qual nos devemos \u00abdescal\u00e7ar\u00bb para nos podermos aproximar e penetrar a fundo no Mist\u00e9rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Muitas juventudes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"68\">\n<li>Poder\u00edamos tentar descrever as caracter\u00edsticas dos jovens de hoje, mas, antes de mais, quero apresentar uma advert\u00eancia dos Padres sinodais: \u00abA composi\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo tornou vis\u00edvel a presen\u00e7a e o contributo das diversas regi\u00f5es do mundo e p\u00f4s em destaque a beleza de sermos Igreja Universal. Mesmo num contexto de globaliza\u00e7\u00e3o crescente, os Padres sinodais pediram que se destacassem as numerosas diferen\u00e7as entre contextos e culturas, inclusive dentro de um mesmo pa\u00eds. Existe uma pluralidade de mundos jovens, tanto \u00e9 assim que, em alguns pa\u00edses, se tende a utilizar o termo \u00abjuventude\u00bb em sentido plural. Al\u00e9m disso, a faixa et\u00e1ria considerada por este S\u00ednodo (16-29 anos) n\u00e3o representa um conjunto homog\u00e9neo, mas \u00e9 composta por grupos que vivem situa\u00e7\u00f5es peculiares\u00bb. <a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"69\">\n<li>Do ponto de vista demogr\u00e1fico, alguns pa\u00edses t\u00eam muitos jovens, ao passo que outros t\u00eam uma taxa de natalidade muito baixa. Contudo, \u00aboutra diferen\u00e7a deriva da hist\u00f3ria, que distingue os pa\u00edses e os continentes de antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, cuja cultura \u00e9 portadora de uma mem\u00f3ria que n\u00e3o se deve perder, em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses e continentes marcados, pelo contr\u00e1rio, por outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas e onde o Cristianismo \u00e9 uma presen\u00e7a minorit\u00e1ria e por vezes recente. Al\u00e9m disso, noutros territ\u00f3rios, as comunidades crist\u00e3s e os jovens que delas fazem parte s\u00e3o objeto de persegui\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> Tamb\u00e9m se devem distinguir os jovens \u00aba quem a globaliza\u00e7\u00e3o oferece um maior n\u00famero de oportunidades daqueles que vivem \u00e0 margem da sociedade ou no mundo rural e que sofrem os efeitos de v\u00e1rias formas de exclus\u00e3o e descarte\u00bb. <a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"70\">\n<li>H\u00e1 muitas outras diferen\u00e7as, que seria complicado detalhar aqui. Portanto, n\u00e3o me parece conveniente deter-me a apresentar uma an\u00e1lise exaustiva sobre os jovens no mundo atual, sobre a forma como vivem e aquilo que se passa com eles. Todavia, como tamb\u00e9m n\u00e3o posso deixar de olhar a realidade, apontarei brevemente alguns contributos que chegaram antes do S\u00ednodo e outros que pude reunir durante o mesmo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Algumas coisas que sucedem aos jovens<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"71\">\n<li>A juventude n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se possa analisar de forma abstrata. Na realidade, \u00aba juventude\u00bb n\u00e3o existe, existem os jovens, com as suas vidas concretas. No mundo atual, cheio de progressos, muitas dessas vidas est\u00e3o expostas ao sofrimento e \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jovens de um mundo em crise<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"72\">\n<li>Os Padres sinodais evidenciaram, com dor, que \u00abmuitos jovens vivem em contextos de guerra e padecem a viol\u00eancia numa inumer\u00e1vel variedade de formas: sequestros, extors\u00f5es, crime organizado, tr\u00e1fico de seres humanos, escravid\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sexual, estupros de guerra, etc. A outros jovens, por causa da sua f\u00e9, custa-lhes encontrar um lugar nas sociedades em que vivem e s\u00e3o v\u00edtimas de diversos tipos de persegui\u00e7\u00f5es e, inclusivamente, da morte. S\u00e3o muitos os jovens que, for\u00e7ados ou por falta de alternativas, passam a sua vida a perpetrar delitos e viol\u00eancias: meninos soldados, bandos armados e criminosos, tr\u00e1fico de droga, terrorismo, etc. Essa viol\u00eancia trunca muitas vidas jovens. Abusos e depend\u00eancias, bem como viol\u00eancia e comportamentos negativos s\u00e3o algumas das raz\u00f5es que levam os jovens \u00e0 pris\u00e3o, com particular incid\u00eancia em alguns grupos \u00e9tnicos e sociais\u00bb. <a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"73\">\n<li>S\u00e3o muitos os jovens ideologizados, utilizados e aproveitados como carne para canh\u00e3o ou como for\u00e7a de choque para destruir, amedrontar ou ridicularizar outros. E o pior \u00e9 que muitos se convertem em seres individualistas, inimigos e desconfiados de todos, que assim se tornam presa f\u00e1cil de ofertas desumanas e de planos destrutivos elaborados por grupos pol\u00edticos ou por poderes econ\u00f3micos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"74\">\n<li>Ainda \u00abmais numerosos no mundo s\u00e3o os jovens que padecem formas de marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social por raz\u00f5es religiosas, \u00e9tnicas ou econ\u00f3micas. Recordamos a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o de adolescentes e jovens que engravidam e a praga do aborto, bem como a difus\u00e3o do HIV, as v\u00e1rias formas de depend\u00eancia (drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e jovens da rua, que n\u00e3o t\u00eam casa, nem fam\u00edlia, nem recursos econ\u00f3micos\u00bb. <a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> Quando, ainda por cima, s\u00e3o mulheres, estas situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o tornam-se duplamente dolorosas e dif\u00edceis.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"75\">\n<li>N\u00e3o sejamos uma Igreja que n\u00e3o chora frente a estes dramas dos seus jovens filhos. Nunca nos acostumemos a eles, porque quem n\u00e3o sabe chorar n\u00e3o \u00e9 m\u00e3e. N\u00f3s queremos chorar para que a sociedade tamb\u00e9m seja mais m\u00e3e, para que, em vez de matar, aprenda a dar \u00e0 luz, para que seja promessa de vida. Choramos ao recordar os jovens que j\u00e1 morreram pela mis\u00e9ria e pela viol\u00eancia, e pedimos \u00e0 sociedade que aprenda a ser m\u00e3e solid\u00e1ria. Essa dor n\u00e3o nos larga, caminha connosco, porque a realidade n\u00e3o se pode esconder. O pior que podemos fazer \u00e9 aplicar a receita do esp\u00edrito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras not\u00edcias, com outras distra\u00e7\u00f5es, com banalidades.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"76\">\n<li>Talvez \u00abaqueles dentre n\u00f3s que levam uma vida mais ou menos sem necessidades n\u00e3o saibam chorar. Certas realidades da vida s\u00f3 se veem com os olhos lavados pelas l\u00e1grimas. Convido-vos a que cada um se interrogue: Eu tenho aprendido a chorar? Eu tenho aprendido a chorar ao ver uma crian\u00e7a com fome, uma crian\u00e7a drogada na rua, uma crian\u00e7a que n\u00e3o tem casa, uma crian\u00e7a abandonada, uma crian\u00e7a abusada, uma crian\u00e7a usada como escrava por uma sociedade? Ou o meu pranto \u00e9 o pranto caprichoso daquele que chora porque gostaria de ter mais qualquer coisa?\u00bb <a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a> Tenta aprender a chorar pelos jovens que est\u00e3o pior do que tu. A miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o tamb\u00e9m se manifestam chorando. Se isso n\u00e3o te sai, roga ao Senhor que te conceda derramar l\u00e1grimas pelo sofrimento de outros. Quando souberes chorar, ent\u00e3o sim, ser\u00e1s capaz de fazer qualquer coisa pelos outros do fundo do cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"77\">\n<li>Por vezes, a dor de alguns jovens \u00e9 muito dilacerante; \u00e9 uma dor que n\u00e3o se pode expressar com palavras; \u00e9 uma dor que nos esbofeteia. Esses jovens s\u00f3 podem dizer a Deus que sofrem muito, que lhes custa demasiado seguir em frente, que j\u00e1 n\u00e3o acreditam em ningu\u00e9m. Mas nesse lamento lancinante tornam-se presentes as palavras de Jesus: \u00abFelizes os que choram, porque ser\u00e3o consolados\u00bb (Mt 5,4). H\u00e1 jovens que puderam abrir caminho na vida porque lhes chegou essa promessa divina. Oxal\u00e1 haja sempre perto de um jovem sofredor uma comunidade crist\u00e3 que possa fazer ressoar essas palavras com gestos, abra\u00e7os e ajudas concretas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"78\">\n<li>\u00c9 verdade que os poderosos prestam algumas ajudas, mas muitas vezes a alto pre\u00e7o. Em muitos pa\u00edses pobres, as ajudas econ\u00f3micas de alguns pa\u00edses mais ricos ou de alguns organismos internacionais costumam estar vinculadas \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de propostas ocidentais relativas \u00e0 sexualidade, ao matrim\u00f3nio, \u00e0 vida ou \u00e0 justi\u00e7a social. Esta coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica prejudica sobretudo os jovens. Ao mesmo tempo, vemos como certa publicidade ensina as pessoas a estar sempre insatisfeitas e contribui para a cultura do descarte, em que os pr\u00f3prios jovens acabam por se converter em material descart\u00e1vel.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"79\">\n<li>A cultura atual apresenta um modelo de pessoa muito associado \u00e0 imagem do jovem. Sente-se belo quem aparenta juventude, quem se submete a tratamentos para fazer desaparecer as marcas do tempo. Os corpos jovens s\u00e3o constantemente usados pela publicidade para vender. O modelo de beleza \u00e9 um modelo juvenil, mas estejamos atentos, porque isso n\u00e3o \u00e9 um elogio para os jovens. Significa apenas que os adultos querem roubar a juventude para si, e n\u00e3o que respeitam, amam e cuidam dos jovens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"80\">\n<li>Alguns jovens \u00absentem as tradi\u00e7\u00f5es familiares como que opressoras e fogem delas, impelidos por uma cultura globalizada que, por vezes, os deixa sem pontos de refer\u00eancia. Noutras partes do mundo, pelo contr\u00e1rio, entre jovens e adultos n\u00e3o se d\u00e1 um verdadeiro conflito geracional, verificando-se antes uma estranheza m\u00fatua. Por vezes, os adultos n\u00e3o tentam transmitir os valores fundamentais da exist\u00eancia ou n\u00e3o o conseguem, ou ent\u00e3o assumem estilos juvenis, invertendo a rela\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es. Deste modo, corre-se o risco de que a rela\u00e7\u00e3o entre jovens e adultos permane\u00e7a no plano afetivo, sem tocar a dimens\u00e3o educativa e cultural\u00bb. <a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> Que mal faz isto aos jovens, mesmo que alguns n\u00e3o se apercebam! Os pr\u00f3prios jovens fizeram-nos notar que isto dificulta enormemente a transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00abem alguns pa\u00edses onde n\u00e3o h\u00e1 liberdade de express\u00e3o, e onde eles s\u00e3o impedidos de participar na Igreja\u00bb. <a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desejos, feridas e procuras <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"81\">\n<li>Os jovens reconhecem que o corpo e a sexualidade t\u00eam uma import\u00e2ncia fundamental para a sua vida e no caminho de crescimento da sua identidade. No entanto, num mundo que valoriza excessivamente a sexualidade, \u00e9 dif\u00edcil manter uma boa rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo e viver serenamente as rela\u00e7\u00f5es afetivas. Por esta e por outras raz\u00f5es, a moral sexual costuma ser, muitas vezes, \u00abcausa de incompreens\u00e3o e de afastamento da Igreja, visto que \u00e9 percebida como um espa\u00e7o de julgamento e de condena\u00e7\u00e3o\u00bb. Ao mesmo tempo, os jovens manifestam \u00abum desejo expl\u00edcito de se confrontarem sobre as quest\u00f5es relativas \u00e0 diferen\u00e7a entre identidade masculina e feminina, \u00e0 reciprocidade entre homens e mulheres e \u00e0 homossexualidade\u00bb. <a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"82\">\n<li>No nosso tempo, \u00abos avan\u00e7os das ci\u00eancias e das tecnologias biom\u00e9dicas incidem sobre a perce\u00e7\u00e3o do corpo, insinuando a ideia de que se podem fazer modifica\u00e7\u00f5es sem limites. A capacidade de intervir sobre o ADN, a possibilidade de inserir elementos artificiais no organismo (<em>cyborg<\/em>) e o desenvolvimento das neuroci\u00eancias constituem um grande recurso, mas, ao mesmo tempo, levantam interroga\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas e \u00e9ticas\u00bb. <a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a> Podem fazer-nos esquecer que a vida \u00e9 um dom e que n\u00f3s somos seres criados e limitados, facilmente pass\u00edveis de ser instrumentalizados por quem det\u00e9m o poder tecnol\u00f3gico. <a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> \u00abAl\u00e9m disso, em alguns contextos juvenis, difunde-se uma certa atra\u00e7\u00e3o por comportamentos de risco como instrumento para se explorarem a si mesmos, procurando emo\u00e7\u00f5es fortes e ser reconhecidos. [&#8230;] Tais fen\u00f3menos, aos quais est\u00e3o expostas as novas gera\u00e7\u00f5es, constituem um obst\u00e1culo para um amadurecimento sereno\u00bb. <a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"83\">\n<li>Os jovens tamb\u00e9m est\u00e3o marcados pelos golpes, pelos fracassos, pelas recorda\u00e7\u00f5es tristes, cravadas na alma. Muitas vezes, \u00abs\u00e3o as feridas das derrotas da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, dos desejos frustrados, das discrimina\u00e7\u00f5es e das injusti\u00e7as sofridas, de nunca se terem sentido amados ou reconhecidos\u00bb. Al\u00e9m disso, \u00abtamb\u00e9m h\u00e1 as feridas morais, o peso dos pr\u00f3prios erros, os sentimentos de culpa por se terem equivocado\u00bb. <a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a> Jesus faz-se presente nessas cruzes dos jovens, para lhes oferecer a sua amizade, o seu al\u00edvio, a sua companhia que cura, e a Igreja quer ser seu instrumento nesse caminho at\u00e9 \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o interior e \u00e0 paz do cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"84\">\n<li>Em alguns jovens reconhecemos um desejo de Deus, embora este n\u00e3o tenha todos os contornos do Deus revelado. Noutros, poderemos vislumbrar um sonho de fraternidade, que n\u00e3o \u00e9 pouco. Em muitos, haver\u00e1 um desejo real de desenvolver as capacidades que neles existem para dar algum contributo ao mundo. Em alguns vemos uma sensibilidade art\u00edstica especial ou uma busca de harmonia com a natureza. Noutros talvez haja uma grande necessidade de comunica\u00e7\u00e3o. Em muitos deles encontraremos um profundo desejo de uma vida diferente. Trata-se de verdadeiros pontos de partida, de fibras interiores que esperam, com abertura, uma palavra de est\u00edmulo, de luz e de alento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"85\">\n<li>O S\u00ednodo abordou, de modo especial, tr\u00eas temas de suma import\u00e2ncia, cujas conclus\u00f5es quero acolher textualmente, embora ainda requeiram que procedamos a uma an\u00e1lise mais aprofundada e que desenvolvamos uma capacidade de resposta mais adequada e eficaz.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ambiente digital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"86\">\n<li>\u00abO ambiente digital caracteriza o mundo contempor\u00e2neo. Largas faixas da humanidade est\u00e3o imersas nele de modo ordin\u00e1rio e cont\u00ednuo. J\u00e1 n\u00e3o se trata apenas de \u201cusar\u201d instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o, mas de viver numa cultura largamente digitalizada, que afeta de modo muito profundo a no\u00e7\u00e3o de tempo e de espa\u00e7o, a perce\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa, dos outros e do mundo, o modo de comunicar, de aprender, de se informar e de entrar em rela\u00e7\u00e3o com os outros. Uma forma de se aproximar da realidade que costuma privilegiar a imagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escuta e \u00e0 leitura incide sobre o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido cr\u00edtico\u00bb. <a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"87\">\n<li>A <em>web<\/em> e as redes sociais criaram uma nova forma de comunicar e de se vincular, e \u00abs\u00e3o uma pra\u00e7a onde os jovens passam muito tempo e se encontram facilmente, embora o acesso n\u00e3o seja igual para todos, de modo particular em certas regi\u00f5es do mundo. Seja como for, constituem uma extraordin\u00e1ria oportunidade de di\u00e1logo, de encontro e de interc\u00e2mbio entre pessoas, bem como de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao conhecimento. Por outro lado, o ambiente digital \u00e9 um contexto de participa\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica e de cidadania ativa, e pode facilitar a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o independente capaz de tutelar eficazmente as pessoas mais vulner\u00e1veis, trazendo \u00e0 luz as viola\u00e7\u00f5es dos seus direitos. Em in\u00fameros pa\u00edses, web e redes sociais representam um lugar indispens\u00e1vel para chegar aos jovens e para envolv\u00ea-los, inclusive em iniciativas e atividades pastorais\u00bb. <a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"88\">\n<li>Contudo, para compreender este fen\u00f3meno na sua totalidade, devemos reconhecer que, como qualquer realidade humana, este \u00e9 atravessado por limita\u00e7\u00f5es e car\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel confundir a comunica\u00e7\u00e3o com o mero contacto virtual. Com efeito, \u00abo ambiente digital tamb\u00e9m \u00e9 um territ\u00f3rio de solid\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, at\u00e9 chegar ao caso extremo da <em>dark web<\/em>. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o digitais podem encerrar o risco de depend\u00eancia, de isolamento e de progressiva perda de contacto com a realidade concreta, levantando obst\u00e1culos ao desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais aut\u00eanticas. Novas formas de viol\u00eancia s\u00e3o difundidas mediante os <em>social media<\/em>, por exemplo, o ciberass\u00e9dio; a <em>web <\/em>tamb\u00e9m \u00e9 um canal de difus\u00e3o da pornografia e de explora\u00e7\u00e3o das pessoas para fins sexuais ou mediante jogos de azar\u00bb. <a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"89\">\n<li>N\u00e3o se deveria esquecer que \u00abno mundo digital est\u00e3o em jogo ingentes interesses econ\u00f3micos, capazes de fomentar formas de controlo t\u00e3o subtis como invasivas, criando mecanismos de manipula\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e do processo democr\u00e1tico. O funcionamento de muitas plataformas acaba por favorecer, ami\u00fade, o encontro entre pessoas que pensam do mesmo modo, dificultando a confronta\u00e7\u00e3o entre as diferen\u00e7as. Estes circuitos fechados facilitam a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e de not\u00edcias falsas, fomentando preconceitos e \u00f3dios. A prolifera\u00e7\u00e3o das <em>fake news<\/em> \u00e9 express\u00e3o de uma cultura que perdeu o sentido da verdade e que submete os factos a interesses particulares. A reputa\u00e7\u00e3o das pessoas corre perigo mediante julgamentos sum\u00e1rios <em>online<\/em>. Tal fen\u00f3meno tamb\u00e9m afeta a Igreja e os seus pastores\u00bb. <a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"90\">\n<li>Num documento preparado por trezentos jovens do mundo inteiro, antes do S\u00ednodo, estes indicaram que \u00abas rela\u00e7\u00f5es <em>online<\/em> se podem tornar desumanas. Os espa\u00e7os digitais cegam-nos relativamente \u00e0 vulnerabilidade do outro, dificultando a reflex\u00e3o pessoal. Problemas como a pornografia distorcem a perce\u00e7\u00e3o que o jovem tem da sexualidade humana. A tecnologia usada desta forma cria uma ilus\u00f3ria realidade paralela, que ignora a dignidade humana\u00bb. <a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a> A imers\u00e3o no mundo virtual tem propiciado uma esp\u00e9cie de \u00abmigra\u00e7\u00e3o digital\u00bb, quer dizer, um afastamento da fam\u00edlia, dos valores culturais e religiosos, que conduz muita gente a um mundo de solid\u00e3o e de autoinven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao ponto de experimentarem uma falta de ra\u00edzes, mesmo permanecendo fisicamente no mesmo lugar. A vida nova e transbordante dos jovens, que impele e tenta autoafirmar a sua pr\u00f3pria personalidade, enfrenta hoje um novo desafio: interagir com um mundo real e virtual, em que penetram sozinhos, como num continente global desconhecido. Os jovens de hoje s\u00e3o os primeiros a fazer esta s\u00edntese entre a pessoa, o pr\u00f3prio de cada cultura e o global. No entanto, isso requer que consigam passar do contacto virtual a uma boa e s\u00e3 comunica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os migrantes como paradigma do nosso tempo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"91\">\n<li>Como n\u00e3o havemos de recordar tantos jovens afetados pelas migra\u00e7\u00f5es? Os fen\u00f3menos migrat\u00f3rios \u00abn\u00e3o representam uma emerg\u00eancia transit\u00f3ria, mas s\u00e3o estruturais. As migra\u00e7\u00f5es podem ter lugar dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds ou entre pa\u00edses diferentes. A preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja abra\u00e7a em particular aqueles que fogem da guerra, da viol\u00eancia, da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou religiosa, dos desastres naturais \u2013 devidos, entre outras coisas, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u2013 e da pobreza extrema: muitos deles s\u00e3o jovens. De um modo geral, procuram oportunidades para si e para as suas fam\u00edlias. Sonham com um futuro melhor e desejam criar condi\u00e7\u00f5es para que este se torne realidade\u00bb. <a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a> Os migrantes \u00abrecordam-nos a condi\u00e7\u00e3o original da f\u00e9, ou seja, o facto de serem \u201cestrangeiros e peregrinos sobre a terra\u201d (Heb 11,13)\u00bb. <a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"92\">\n<li>Outros migrantes s\u00e3o \u00abatra\u00eddos pela cultura ocidental, por vezes com expectativas pouco realistas, que os exp\u00f5em a grandes desilus\u00f5es. Traficantes sem escr\u00fapulos, muitas vezes ligados aos cart\u00e9is da droga e das armas, exploram a situa\u00e7\u00e3o de debilidade dos imigrantes, que ao longo da sua viagem, com demasiada frequ\u00eancia, experimentam a viol\u00eancia, o tr\u00e1fico de pessoas, o abuso psicol\u00f3gico e f\u00edsico e sofrimentos indescrit\u00edveis. \u00c9 importante sublinhar a especial vulnerabilidade dos imigrantes menores n\u00e3o-acompanhados e a situa\u00e7\u00e3o dos que se veem for\u00e7ados a passar muitos anos nos campos de refugiados ou que ficam bloqueados durante muito tempo nos pa\u00edses de tr\u00e2nsito, sem poderem prosseguir os seus estudos nem desenvolver os seus talentos. Em alguns pa\u00edses de chegada, os fen\u00f3menos migrat\u00f3rios suscitam alarme e medo, muitas vezes fomentados e explorados com fins pol\u00edticos. Difunde-se assim uma mentalidade xen\u00f3foba, de gente fechada e virada sobre si pr\u00f3pria, perante a qual se deve reagir com determina\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"93\">\n<li>\u00abOs jovens que emigram t\u00eam de se separar do seu pr\u00f3prio contexto de origem e com frequ\u00eancia vivem um desenraizamento cultural e religioso. Esta fratura tamb\u00e9m diz respeito \u00e0s comunidades de origem, que perdem os seus elementos mais vigorosos e empreendedores, e as fam\u00edlias, em particular, quando emigra um dos pais ou ambos, deixando os filhos no pa\u00eds de origem. A Igreja desempenha um papel importante como refer\u00eancia para os jovens destas fam\u00edlias separadas. No entanto, as hist\u00f3rias dos migrantes tamb\u00e9m s\u00e3o hist\u00f3rias de encontro entre pessoas e entre culturas: para as comunidades e as sociedades a que eles chegam, s\u00e3o uma oportunidade de enriquecimento e de desenvolvimento humano integral de todos. As iniciativas de acolhimento que se referem \u00e0 Igreja desempenham um papel importante segundo esse ponto de vista, podendo revitalizar as comunidades capazes de as implementar\u00bb. <a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"94\">\n<li>\u00abGra\u00e7as \u00e0s diversas origens dos Padres [sinodais], no que diz respeito ao tema dos migrantes, o S\u00ednodo viveu o encontro de muitas perspetivas, em particular entre pa\u00edses de origem e pa\u00edses de chegada. Al\u00e9m disso, ressoou o grito de alarme daquelas Igrejas cujos membros se veem for\u00e7ados a fugir da guerra e da persegui\u00e7\u00e3o, e que veem nessas migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas uma amea\u00e7a para a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Precisamente o facto de incluir no seu seio todas essas perspetivas coloca a Igreja em condi\u00e7\u00f5es de desempenhar, no meio da sociedade, um papel prof\u00e9tico sobre o tema das migra\u00e7\u00f5es\u00bb. <a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a> Pe\u00e7o de modo especial aos jovens que n\u00e3o caiam nas redes de quem os quer fazer confrontar com outros jovens que chegam dos seus pa\u00edses, apresentando-os como seres perigosos e como se n\u00e3o tivessem a mesma dignidade inalien\u00e1vel de todo o ser humano.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>P\u00f4r termo a todo o tipo de abusos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"95\">\n<li>Nos \u00faltimos tempos tem-nos sido reclamado com vigor que escutemos o grito das v\u00edtimas dos diversos tipos de abuso levados a cabo por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos. Esses pecados provocam nas suas v\u00edtimas \u00absofrimentos que chegam a durar a vida inteira e que arrependimento algum pode remediar. Esse fen\u00f3meno est\u00e1 muito difundido na sociedade e tamb\u00e9m afeta a Igreja, representando um s\u00e9rio obst\u00e1culo para a sua miss\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"96\">\n<li>\u00c9 verdade que \u00aba praga dos abusos sexuais de menores constitui, por desgra\u00e7a, um fen\u00f3meno historicamente difundido em todas as culturas e sociedades\u00bb, de modo especial no seio das pr\u00f3prias fam\u00edlias e em diversas institui\u00e7\u00f5es, cuja extens\u00e3o se evidenciou sobretudo \u00abgra\u00e7as a uma mudan\u00e7a de sensibilidade da opini\u00e3o p\u00fablica\u00bb. No entanto, \u00aba universalidade desta praga, ao mesmo tempo que confirma a sua gravidade nas nossas sociedades, n\u00e3o reduz a sua monstruosidade dentro da Igreja\u00bb e \u00abna justificada f\u00faria das pessoas, a Igreja v\u00ea o reflexo da ira de Deus, atrai\u00e7oado e esbofeteado\u00bb. <a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"97\">\n<li>\u00abO S\u00ednodo renova o seu firme compromisso relativamente \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de medidas rigorosas de preven\u00e7\u00e3o que impe\u00e7am que aqueles abusos se repitam, a partir da sele\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o dos que ser\u00e3o incumbidos de fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade e educativas\u00bb. <a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a> Ao mesmo tempo, j\u00e1 n\u00e3o se deve abandonar a decis\u00e3o de aplicar as \u00aba\u00e7\u00f5es e san\u00e7\u00f5es t\u00e3o necess\u00e1rias\u00bb. <a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a> E tudo isto com a gra\u00e7a de Cristo. \u00c9 imposs\u00edvel voltar atr\u00e1s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"98\">\n<li>\u00abExistem diversos tipos de abuso: de poder, econ\u00f3mico, de consci\u00eancia, sexual. \u00c9 evidente a necessidade de desenraizar as formas de exerc\u00edcio da autoridade em que os mesmos se inserem e de contrariar a falta de responsabilidade e de transpar\u00eancia com que se gerem muitos dos casos. O desejo de dom\u00ednio, a falta de di\u00e1logo e de transpar\u00eancia, as formas de vida dupla, o vazio espiritual, bem como as fragilidades psicol\u00f3gicas, s\u00e3o o terreno no qual prospera a corrup\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a> O clericalismo \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o permanente dos sacerdotes, que interpretam \u00abo minist\u00e9rio recebido mais como um <em>poder<\/em> que deve ser exercido do que como um <em>servi\u00e7o<\/em> gratuito e generoso a prestar; e isso leva-nos a pensar que pertencemos a um grupo que tem todas as respostas e j\u00e1 n\u00e3o precisa de escutar nem de aprender nada\u00bb. <a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\">[54]<\/a> N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que um esp\u00edrito clericalista exp\u00f5e as pessoas consagradas a perder o respeito pelo valor sagrado e inalien\u00e1vel de cada pessoa e da sua liberdade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"99\">\n<li>Juntamente com os Padres sinodais, quero manifestar com carinho e reconhecimento a minha \u00abgratid\u00e3o para com aqueles que tiveram a coragem de denunciar o mal sofrido: ajudam a Igreja a tomar consci\u00eancia do sucedido e da necessidade de reagir com determina\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\">[55]<\/a> Contudo, tamb\u00e9m merece um especial reconhecimento \u00abo empenho sincero de in\u00fameros leigos, sacerdotes, consagrados e bispos que se entregam diariamente, com honestidade e dedica\u00e7\u00e3o, ao servi\u00e7o dos jovens. A sua obra \u00e9 um grande bosque que cresce silenciosamente. Muitos dos jovens presentes no S\u00ednodo tamb\u00e9m mani-festaram gratid\u00e3o para com aqueles que os acompanharam, fazendo ressaltar a grande necessidade de figuras de refer\u00eancia\u00bb. <a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\">[56]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"100\">\n<li>Gra\u00e7as a Deus, os sacerdotes que ca\u00edram nesses horr\u00edveis crimes n\u00e3o s\u00e3o a maioria, que desempenha um minist\u00e9rio fiel e generoso. Pe\u00e7o aos jovens que se deixem incentivar por esta maioria. Seja como for, quando virdes um sacerdote em risco, porque perdeu a alegria do seu minist\u00e9rio, porque procura compensa\u00e7\u00f5es afetivas ou est\u00e1 a desviar-se do rumo, atrevei-vos a recordar-lhe o seu compromisso para com Deus e para com o seu povo, anunciando-lhe o Evangelho e alentando-o a manter-se no bom caminho. Assim prestareis uma ajuda de valor inestim\u00e1vel numa coisa fundamental: a preven\u00e7\u00e3o que permita evitar a repeti\u00e7\u00e3o de tais atrocidades. Esta nuvem negra converte-se tamb\u00e9m num desafio para os jovens que amam Jesus Cristo e a sua Igreja, porque podem contribuir muito para essa ferida se puserem em risco a sua capacidade de renovar, de reclamar, de exigir coer\u00eancia e testemunho, de voltar a sonhar e de reinventar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"101\">\n<li>N\u00e3o \u00e9 este o \u00fanico pecado dos membros da Igreja, cuja hist\u00f3ria est\u00e1 muito ensombrada. Os nossos pecados est\u00e3o \u00e0 vista de todos; refletem-se sem piedade nas rugas do rosto milenar da nossa M\u00e3e e Mestra. Porque ela caminha h\u00e1 dois mil anos, partilhando \u00abas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens\u00bb. <a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\">[57]<\/a> E caminha tal como \u00e9, sem se submeter a cirurgias est\u00e9ticas. N\u00e3o tem medo de mostrar os pecados dos seus membros que, por vezes, alguns deles tentam dissimular, perante a luz ardente da Palavra do Evangelho, que limpa e purifica. Tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de recitar em cada dia, envergonhada: \u00abTem compaix\u00e3o de mim, \u00f3 Deus, pela tua bondade. [&#8230;] Tenho sempre diante de mim os meus pecados\u00bb (Sl 51,3.5). Recordemos, por\u00e9m, que n\u00e3o se abandona a M\u00e3e quando est\u00e1 ferida, pelo contr\u00e1rio deve-se acompanh\u00e1-la para que agregue toda a sua fortaleza e a sua capacidade de come\u00e7ar sempre de novo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"102\">\n<li>No meio deste drama que com toda a raz\u00e3o nos provoca dor na alma, \u00abJesus, Nosso Senhor, que nunca abandona a sua Igreja, d\u00e1-lhe a for\u00e7a e os instrumentos necess\u00e1rios para empreender um novo caminho\u00bb. <a href=\"#_ftn58\" name=\"_ftnref58\">[58]<\/a> Assim, este momento obscuro, \u00abcom a valiosa ajuda dos jovens, pode ser realmente uma oportunidade para uma reforma de car\u00e1cter hist\u00f3rico\u00bb, <a href=\"#_ftn59\" name=\"_ftnref59\">[59]<\/a> para a Igreja se abrir a um novo Pentecostes e iniciar uma etapa de purifica\u00e7\u00e3o e de mudan\u00e7a que lhe outorgue uma juventude renovada. Os jovens, por\u00e9m, poder\u00e3o ajudar muito mais se se sentem, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, parte do \u00absanto, paciente e fiel Povo de Deus, sustentado e vivificado pelo Esp\u00edrito Santo\u00bb, porque \u00abser\u00e1, precisamente, este santo Povo de Deus que nos livrar\u00e1 da praga do clericalismo, que \u00e9 o terreno f\u00e9rtil para todas estas abomina\u00e7\u00f5es\u00bb. <a href=\"#_ftn60\" name=\"_ftnref60\">[60]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 sa\u00edda <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"103\">\n<li>Neste cap\u00edtulo detive-me a olhar para a realidade dos jovens no mundo atual. V\u00e1rios outros aspetos ir\u00e3o aparecendo nos cap\u00edtulos seguintes. Como j\u00e1 disse, n\u00e3o pretendo ser exaustivo com esta an\u00e1lise. Exorto as comunidades a realizar, com respeito e seriedade, um exame da sua pr\u00f3pria realidade juvenil mais pr\u00f3xima, para poderem discernir os caminhos pastorais mais adequados. Contudo, n\u00e3o quero terminar este cap\u00edtulo sem dirigir algumas palavras a cada um.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"104\">\n<li>Recordo-te a boa not\u00edcia que nos foi oferecida pela manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o: que para todas as situa\u00e7\u00f5es obscuras ou dolorosas mencionadas h\u00e1 uma sa\u00edda. Por exemplo, \u00e9 verdade que o mundo digital te pode colocar perante o risco do ensimesmamento, do isolamento ou do prazer vazio. N\u00e3o te esque\u00e7as, por\u00e9m, que h\u00e1 jovens que inclusive nesses \u00e2mbitos s\u00e3o criativos e, por vezes, geniais. Era o que fazia o jovem servo de Deus Carlos Acutis.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"105\">\n<li>Ele sabia muito bem que esses mecanismos da comunica\u00e7\u00e3o, da publicidade e das redes sociais podem ser utilizados para nos transformar em seres adormecidos, dependentes do consumo e das novidades que podemos comprar, obcecados pelo tempo livre, fechados na negatividade. Carlos, por\u00e9m, foi capaz de usar as novas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"106\">\n<li>N\u00e3o caiu na armadilha. Via que muitos jovens, embora parecendo diferentes, na realidade acabam por ser iguais a todos os outros, correndo atr\u00e1s daquilo que lhes imp\u00f5em os poderosos atrav\u00e9s dos mecanismos de consumo e de atordoamento. Desse modo, n\u00e3o deixam brotar os dons que o Senhor lhes concedeu, n\u00e3o oferecem a este mundo essas capacidades t\u00e3o pessoais e \u00fanicas que Deus semeou em cada um. \u00c9 por isso, dizia Carlos, que \u00abtodos nascem como originais, mas muitos morrem como fotoc\u00f3pias\u00bb. N\u00e3o permitas que isso te aconte\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"107\">\n<li>N\u00e3o deixes que te roubem a esperan\u00e7a e a alegria, que te narcotizem para te utilizarem como escravo dos seus interesses. Atreve-te a ser mais, porque o teu ser \u00e9 mais importante do que qualquer outra coisa. N\u00e3o te serve ter ou aparecer. Podes chegar a ser aquilo que Deus, teu Criador, sabe que tu \u00e9s, se reconheceres que \u00e9s chamado a muito. Invoca o Esp\u00edrito Santo e caminha com confian\u00e7a at\u00e9 \u00e0 grande meta: a santidade. Assim n\u00e3o ser\u00e1s uma fotoc\u00f3pia. Ser\u00e1s plenamente tu pr\u00f3prio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"108\">\n<li>Para isso precisas de reconhecer uma coisa fundamental: ser jovem n\u00e3o \u00e9 apenas a busca de prazeres passageiros e de \u00eaxitos superficiais. Para que a juventude cumpra a finalidade que tem no percurso da tua vida, deve ser um tempo de entrega generosa, de oferenda sincera, de sacrif\u00edcios que doem, mas que nos tornam fecundos. \u00c9 como dizia um grande poeta:<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se para recuperar o recuperado <\/em><\/p>\n<p><em>tive de perder primeiro o perdido,<\/em><\/p>\n<p><em>se para conseguir o conseguido, <\/em><\/p>\n<p><em>tive de suportar o suportado,<\/em><\/p>\n<p><em>Se para estar agora enamorado,<\/em><\/p>\n<p><em>foi mister ter estado ferido, <\/em><\/p>\n<p><em>tenho por bem sofrido o sofrido,<\/em><\/p>\n<p><em>tenho por bem chorado o chorado.<\/em><\/p>\n<p><em>Porque no fim de tudo foi comprovado<\/em><\/p>\n<p><em>que n\u00e3o se goza bem do gozado,<\/em><\/p>\n<p><em>Sen\u00e3o depois de o ter padecido.<\/em><\/p>\n<p><em>Porque no fim de tudo foi compreendido,<\/em><\/p>\n<p><em>Que aquilo que a \u00e1rvore tem de florido,<\/em><\/p>\n<p><em>Vive daquilo que tem sepultado. <\/em><a href=\"#_ftn61\" name=\"_ftnref61\">[61]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"109\">\n<li>Se \u00e9s jovem de idade, mas te sentes d\u00e9bil, cansado ou desiludido, pede a Jesus que te renove. Com Ele, n\u00e3o falta a esperan\u00e7a. O mesmo podes fazer se te sentes submergido nos v\u00edcios, nos maus costumes, no ego\u00edsmo ou na comodidade doentia. Jesus, cheio de vida, quer ajudar-te para que ser jovem valha a pena. Assim n\u00e3o privar\u00e1s o mundo daquele contributo que s\u00f3 tu lhe podes dar, sendo \u00fanico e irrepet\u00edvel como \u00e9s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"110\">\n<li>Contudo, tamb\u00e9m te quero recordar que \u00ab\u00e9 muito dif\u00edcil lutar contra a pr\u00f3pria concupisc\u00eancia e contra os ass\u00e9dios e as tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio e do mundo ego\u00edsta, se estivermos isolados. \u00c9 t\u00e3o grande o bombardeamento que nos seduz que, se estivermos demasiado s\u00f3s, facilmente perdemos o sentido da realidade, a claridade interior, e sucumbimos\u00bb. <a href=\"#_ftn62\" name=\"_ftnref62\">[62]<\/a> Isto aplica-se especialmente aos jovens, porque v\u00f3s, unidos, tendes uma for\u00e7a admir\u00e1vel. Quando vos entusiasmais por uma vida comunit\u00e1ria, sois capazes de grandes sacrif\u00edcios pelos outros e pela comunidade. O isolamento, pelo contr\u00e1rio, debilita-vos e exp\u00f5e-vos aos piores males do nosso tempo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Quarto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o grande an\u00fancio para todos os jovens<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"111\">\n<li>Para l\u00e1 de qualquer circunst\u00e2ncia, a todos os jovens quero anunciar agora o mais importante, o principal, aquilo que nunca se deveria calar. \u00c9 um an\u00fancio que inclui tr\u00eas grandes verdades que todos precisamos de escutar sempre, uma e outra vez.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um Deus que \u00e9 Amor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"112\">\n<li>Antes de mais, quero dizer a cada um a primeira verdade: \u00abDeus ama-te.\u00bb Se j\u00e1 o escutaste, n\u00e3o importa, eu quero recordar-to: Deus ama-te. Nunca o duvides, suceda o que te suceder na vida. Em qualquer circunst\u00e2ncia, tu \u00e9s infinitamente amado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"113\">\n<li>A experi\u00eancia de paternidade que tiveste talvez n\u00e3o tenha sido a melhor, o teu pai da terra talvez fosse distante e ausente ou, pelo contr\u00e1rio, dominador e absorvente. Ou ent\u00e3o, pura e simplesmente, n\u00e3o foi o pai de que tu precisavas. N\u00e3o sei. O que te posso dizer com certeza, por\u00e9m, \u00e9 que tu te podes lan\u00e7ar, seguro, nos bra\u00e7os do teu Pai divino, desse Deus que te deu a vida e que ta d\u00e1 a cada momento. Ele te sustentar\u00e1 com firmeza e, ao mesmo tempo, sentir\u00e1s que Ele respeita at\u00e9 ao fundo a tua liberdade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"114\">\n<li>Na sua Palavra encontramos muitas express\u00f5es do seu amor. \u00c9 como se Ele tivesse procurado diversas formas de manifest\u00e1-lo para ver se com alguma dessas palavras conseguia chegar ao teu cora\u00e7\u00e3o. Por exemplo, \u00e0s vezes apresenta-se como aqueles pais afetuosos que brincam com os seus filhinhos: \u00ab<em>Segurava-os com la\u00e7os humanos, com la\u00e7os de amor, fui para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto<\/em>\u00bb (Os 11,4).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por vezes, apresenta-se transbordante do amor daquelas m\u00e3es que amam sinceramente os seus filhos, com um terno e profundo amor, que \u00e9 incapaz de esquecer ou de abandonar: \u00ab<em>Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu beb\u00e9, n\u00e3o ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria<\/em>\u00bb (Is 49,15).<\/p>\n<p>At\u00e9 se apresenta como um enamorado que chega ao ponto de tatuar a pessoa amada na palma da sua m\u00e3o para poder ter o seu rosto sempre pr\u00f3ximo: \u00ab<em>Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas m\u00e3os<\/em>\u00bb (Is 49,16).<\/p>\n<p>Outras vezes destaca-se a for\u00e7a e a firmeza do seu amor, que n\u00e3o se deixa vencer: \u00ab<em>Ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas, o meu amor por ti nunca mais ser\u00e1 abalado, e a minha alian\u00e7a de paz nunca vacilar\u00e1<\/em>\u00bb (Is 54,10).<\/p>\n<p>Ou nos diz que fomos esperados desde sempre, porque n\u00e3o aparecemos neste mundo por uma casualidade. Desde antes de existirmos \u00e9ramos um projeto do seu amor: \u00ab<em>Amei-te com um amor eterno. Por isso, guardei fidelidade para contigo<\/em>\u00bb (Jr 31,3).<\/p>\n<p>Ou nos faz notar que Ele sabe ver a nossa beleza, aquela que mais ningu\u00e9m pode reconhecer: \u00ab<em>\u00c9s precioso aos meus olhos, \u00e9s estimado e amado<\/em>\u00bb (Is 43,4).<\/p>\n<p>Ou nos leva a descobrir que o seu amor n\u00e3o \u00e9 triste, mas pura alegria, que se renova quando nos deixamos amar por Ele: \u00ab<em>O teu Deus est\u00e1 no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovar\u00e1. Ele dan\u00e7a e grita de alegria por tua causa<\/em>\u00bb (Sf 3,17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"115\">\n<li>Para Ele \u00e9s realmente valioso, n\u00e3o \u00e9s insignificante, \u00e9s importante para Ele, porque \u00e9s obra das suas m\u00e3os. Por isso te presta aten\u00e7\u00e3o e te recorda com carinho. Tens de confiar na \u00abmem\u00f3ria de Deus: ela n\u00e3o \u00e9 um \u201cdisco duro\u201d que regista e armazena todos os nossos dados; a sua mem\u00f3ria \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o terno de compaix\u00e3o, que se regozija, eliminando, definitivamente, qualquer vest\u00edgio de mal\u00bb. <a href=\"#_ftn63\" name=\"_ftnref63\">[63]<\/a> N\u00e3o quer ter em conta os teus erros e, em qualquer circunst\u00e2ncia, ajudar-te-\u00e1 a aprender qualquer coisa inclusive com as tuas quedas. Porque te ama. Tenta ficar um momento em sil\u00eancio, deixando-te amar por Ele. Tenta silenciar todas as vozes e gritos interiores e fica por um instante nos seus bra\u00e7os de amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"116\">\n<li>\u00c9 um amor \u00abque n\u00e3o esmaga, \u00e9 um amor que n\u00e3o marginaliza, que n\u00e3o se cala, um amor que n\u00e3o humilha nem avassala. \u00c9 o amor do Senhor, um amor de todos os dias, discreto e respeitador, amor de liberdade e para a liberdade, amor que cura e que levanta. \u00c9 o amor do Senhor, que sabe mais de subidas do que de quedas, de reconcilia\u00e7\u00e3o que de proibi\u00e7\u00e3o, de dar uma nova oportunidade do que de condenar, de futuro que de passado\u00bb. <a href=\"#_ftn64\" name=\"_ftnref64\">[64]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"117\">\n<li>Quando te pede alguma coisa ou quando, simplesmente, permite aqueles desafios que a vida te apresenta, espera que lhe d\u00eas espa\u00e7o para te poder fazer seguir em frente, para te promover, para te amadurecer. N\u00e3o o incomoda que lhe apresentes as tuas interroga\u00e7\u00f5es, aquilo que o preocupa \u00e9 que tu n\u00e3o fales com Ele, n\u00e3o te abras, com sinceridade, ao di\u00e1logo com Ele. Conta a B\u00edblia que Jacob teve uma discuss\u00e3o com Deus (cf. Gn 32,25-31), e isso n\u00e3o o afastou do caminho do Senhor. Na realidade, \u00e9 Ele mesmo que nos exorta: \u00abVinde ent\u00e3o para discutirmos\u00bb (Is 1,18). O seu amor \u00e9 t\u00e3o real, t\u00e3o verdadeiro, t\u00e3o concreto, que nos oferece uma rela\u00e7\u00e3o cheia de di\u00e1logo sincero e fecundo. Finalmente, procura o abra\u00e7o do teu Pai do C\u00e9u no rosto amoroso das suas valentes testemunhas na terra!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cristo salva-te<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"118\">\n<li>A segunda verdade \u00e9 que Cristo, por amor, se entregou at\u00e9 ao fim para te salvar. Os seus bra\u00e7os abertos na Cruz s\u00e3o o sinal mais precioso de um amigo capaz de chegar at\u00e9 ao extremo: \u00ab<em>Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles at\u00e9 ao extremo<\/em>\u00bb (Jo 13,1).<\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o Paulo, que vivia abandonado a esse amor que entregou tudo, dizia: \u00ab<em>Vivo na f\u00e9 do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim<\/em>\u00bb (Gl 2,20).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"119\">\n<li>Esse Cristo que nos salvou na Cruz dos nossos pecados, com esse mesmo poder da sua entrega total continua a salvar-nos e a resgatar-nos hoje. Olha a sua Cruz, agarra-te a Ele, deixa-te salvar, porque \u00abaqueles que se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento\u00bb. <a href=\"#_ftn65\" name=\"_ftnref65\">[65]<\/a> E se tu pecas e te afastas, Ele volta a levantar-te com o poder da sua Cruz. Nunca esque\u00e7as que \u00abEle perdoa setenta vezes sete. Volta a carregar-nos aos ombros, uma e outra vez. Ningu\u00e9m nos poder\u00e1 tirar a dignidade que esse amor infinito e inquebrant\u00e1vel nos confere. Ele permite-nos levantar a cabe\u00e7a e recome\u00e7ar, com uma ternura que nunca nos desilude, capaz de nos devolver sempre a alegria\u00bb. <a href=\"#_ftn66\" name=\"_ftnref66\">[66]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"120\">\n<li>N\u00f3s \u00absomos salvos por Jesus porque Ele nos ama, e isso \u00e9 mais forte do que Ele. Podemos fazer-lhe trinta por uma linha, mas Ele ama-nos e salva-nos. Porque s\u00f3 quem \u00e9 amado pode ser salvo. S\u00f3 quem \u00e9 abra\u00e7ado pode ser transformado. O amor do Senhor \u00e9 maior do que todas as nossas contradi\u00e7\u00f5es, do que todas as nossas fragilidades e do que todas as nossas mesquinhices. Contudo, \u00e9 precisamente atrav\u00e9s das nossas contradi\u00e7\u00f5es, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta hist\u00f3ria de amor. Abra\u00e7ou o filho pr\u00f3digo, abra\u00e7ou Pedro depois das nega\u00e7\u00f5es, e abra\u00e7a-nos sempre, sempre, sempre, depois das nossas quedas, ajudando-nos a levantarmo-nos e a pormo-nos de p\u00e9. Porque a verdadeira queda \u2013 aten\u00e7\u00e3o a isto \u2013, <em>a verdadeira queda, aquela que \u00e9 capaz de nos arruinar a vida, \u00e9 a de ficarmos no ch\u00e3o e de n\u00e3o nos deixarmos ajudar<\/em>\u00bb. <a href=\"#_ftn67\" name=\"_ftnref67\">[67]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"121\">\n<li>O seu perd\u00e3o e a sua salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o uma coisa que compr\u00e1mos ou que tenhamos de adquirir com as nossas obras ou com os nossos esfor\u00e7os. Ele perdoa-nos e liberta-nos de gra\u00e7a. A sua entrega na Cruz \u00e9 uma coisa t\u00e3o grande que n\u00f3s n\u00e3o podemos nem a devemos pagar, s\u00f3 temos de receb\u00ea-la com uma gratid\u00e3o imensa e com a alegria de termos sido t\u00e3o amados antes ainda de o podermos imaginar: \u00abEle amou-nos primeiro\u00bb (1Jo 4,19).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"122\">\n<li>Jovens amados pelo Senhor, quanto valeis v\u00f3s, se fostes redimidos pelo sangue precioso de Cristo! Jovens queridos, v\u00f3s \u00abn\u00e3o tendes pre\u00e7o! N\u00e3o sois pe\u00e7as de leil\u00e3o! Por favor, n\u00e3o vos deixeis comprar, n\u00e3o vos deixeis seduzir, n\u00e3o vos deixeis escravizar pelas coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que nos metem ideias na cabe\u00e7a e, no fim, tornamo-nos escravos, dependentes, fracassados na vida. V\u00f3s n\u00e3o tendes pre\u00e7o; deveis repeti-lo continuamente: eu n\u00e3o estou em leil\u00e3o, n\u00e3o tenho pre\u00e7o. Sou livre, sou livre! Enamorai-vos desta liberdade, aquela que Jesus oferece\u00bb. <a href=\"#_ftn68\" name=\"_ftnref68\">[68]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"123\">\n<li>Olha os bra\u00e7os abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar uma e outra vez. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, cr\u00ea firmemente na sua miseric\u00f3rdia, que te liberta da culpa. Contempla o seu sangue derramado com tanto carinho e deixa-te purificar por ele. Assim poder\u00e1s renascer, uma e outra vez.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ele vive!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"124\">\n<li>H\u00e1 ainda uma terceira verdade, que \u00e9 insepar\u00e1vel da anterior: Ele vive! Devemos voltar a record\u00e1-lo com frequ\u00eancia, pois corremos o risco de tomar Jesus Cristo apenas como um bom exemplo do passado, como uma recorda\u00e7\u00e3o, como algu\u00e9m que nos salvou h\u00e1 dois mil anos. Isso n\u00e3o nos serviria de nada, deixar-nos-ia iguais, n\u00e3o nos libertaria. Aquele que nos enche com a sua gra\u00e7a, aquele que nos liberta, aquele que nos transforma, aquele que nos cura e nos consola \u00e9 algu\u00e9m que vive. \u00c9 Cristo ressuscitado, cheio de vitalidade sobrenatural, vestido de uma luz infinita. Por isso dizia S\u00e3o Paulo: \u00abSe Cristo n\u00e3o ressuscitou, \u00e9 v\u00e3 a vossa f\u00e9\u00bb (1Cor 15,17).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"125\">\n<li>Se Ele vive, ent\u00e3o sim, poder\u00e1 estar presente na tua vida, a cada momento, para ench\u00ea-la de luz. Assim, nunca mais haver\u00e1 solid\u00e3o nem abandono. Mesmo que todos se v\u00e3o embora, Ele estar\u00e1, tal como prometeu: \u00abEu estou convosco todos os dias, at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (Mt 28,20). Ele enche tudo com a sua presen\u00e7a invis\u00edvel, e onde quer que tu v\u00e1s, Ele estar\u00e1 \u00e0 tua espera. Porque Ele n\u00e3o s\u00f3 veio, mas vem e continuar\u00e1 a vir em cada dia, para te convidar a caminhar at\u00e9 um horizonte sempre novo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"126\">\n<li>Contempla Jesus feliz, transbordante de j\u00fabilo. Alegra-te com o teu Amigo que triunfou. Mataram o santo, o justo, o inocente, mas Ele venceu. O mal n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. Na tua vida, o mal tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra, porque o teu Amigo, que te ama, quer triunfar em ti. O teu salvador vive.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"127\">\n<li>Se Ele vive, isso \u00e9 uma garantia de que o bem se pode tornar caminho na nossa vida, e de que as nossas fadigas servir\u00e3o para alguma coisa. Ent\u00e3o podemos deixar as lamenta\u00e7\u00f5es e olhar para a frente, porque com Ele \u00e9 sempre poss\u00edvel. \u00c9 essa a seguran\u00e7a que temos. Jesus \u00e9 o eterno vivente. Agarrados a Ele, viveremos e atravessaremos todas as formas de morte e de viol\u00eancia que nos espreitam no caminho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"128\">\n<li>Qualquer outra solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 d\u00e9bil e passageira. Talvez sirva para alguma coisa durante um tempo, mas de novo nos encontraremos desprotegidos, abandonados, expostos \u00e0 intemp\u00e9rie. Com Ele, pelo contr\u00e1rio, o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 arraigado a uma seguran\u00e7a b\u00e1sica, que permanece para l\u00e1 de tudo o resto. Diz S\u00e3o Paulo que quer estar unido a Cristo para \u00abconhecer o poder da sua ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb (Fl 3,10). \u00c9 o poder que tamb\u00e9m se manifestar\u00e1, uma e outra vez, na tua exist\u00eancia, porque Ele veio para te dar vida, \u00abe vida em abund\u00e2ncia\u00bb (Jo 10,10).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"129\">\n<li>Se conseguires apreciar, com o cora\u00e7\u00e3o, a beleza deste an\u00fancio e te deixares encontrar pelo Senhor, se te deixares amar e salvar por Ele, se travares amizade com Ele e come\u00e7ares a conversar com Cristo vivo sobre as coisas concretas da tua vida, ser\u00e1 essa a grande experi\u00eancia, ser\u00e1 essa a experi\u00eancia fundamental que sustentar\u00e1 a tua vida crist\u00e3. Essa \u00e9 tamb\u00e9m a experi\u00eancia que poder\u00e1s comunicar a outros jovens. Porque \u00abn\u00e3o se come\u00e7a a ser crist\u00e3o por uma decis\u00e3o \u00e9tica ou por uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que confere um novo horizonte e, com Ele, uma orienta\u00e7\u00e3o decisiva para a vida\u00bb. <a href=\"#_ftn69\" name=\"_ftnref69\">[69]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Esp\u00edrito d\u00e1 vida<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"130\">\n<li>Nestas tr\u00eas verdades \u2013 Deus ama-te, Cristo \u00e9 o teu salvador, Ele vive \u2013 aparece Deus Pai e tamb\u00e9m aparece Jesus. Onde est\u00e3o o Pai e Jesus Cristo, tamb\u00e9m est\u00e1 o Esp\u00edrito Santo. \u00c9 Ele que est\u00e1 por detr\u00e1s, \u00e9 Ele que prepara e abre os cora\u00e7\u00f5es para que recebam esse an\u00fancio, \u00e9 Ele que mant\u00e9m viva essa experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 Ele que te ajudar\u00e1 a crescer nessa alegria, se o deixares atuar. O Esp\u00edrito Santo enche o cora\u00e7\u00e3o de Cristo ressuscitado e, a partir da\u00ed, derrama-se na tua vida como um manancial. E quando tu o recebes, o Esp\u00edrito Santo faz-te penetrar cada vez mais no cora\u00e7\u00e3o de Cristo, para que te enchas cada vez mais do seu amor, da sua luz e da sua for\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"131\">\n<li><strong>131<\/strong>. Invoca em cada dia o Esp\u00edrito Santo, para que renove constantemente em ti a experi\u00eancia do grande an\u00fancio. Porque n\u00e3o? N\u00e3o perdes nada, e Ele pode mudar a tua vida, pode ilumin\u00e1-la e dar-lhe um rumo melhor. N\u00e3o te mutila, n\u00e3o te tira nada, mas ajuda-te a encontrar, da melhor maneira, aquilo de que precisas. Precisas de amor? N\u00e3o o encontrar\u00e1s no desenfreamento, usando os outros, possuindo os outros ou dominando-os. Ach\u00e1-lo-\u00e1s de uma maneira que te far\u00e1 verdadei-ramente feliz. Procuras intensidade? N\u00e3o a viver\u00e1s acumulando objetos, gastando dinheiro, correndo, desesperado, atr\u00e1s de coisas deste mundo. Chegar-te-\u00e1 de uma forma muito mais bela e satisfat\u00f3ria se te deixares impulsionar pelo Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"132\">\n<li>Procuras paix\u00e3o? Como diz aquele belo poema: Enamora-te! (ou deixa-te enamorar), porque \u00abnada pode ser mais importante do que encontrar Deus. Quer dizer, enamorar-se dele de uma forma definitiva e absoluta. Aquilo de que tu te enamoras prende a tua imagina\u00e7\u00e3o e acaba por ir deixando a sua marca em tudo. Ser\u00e1 isso que decidir\u00e1 aquilo que te tira da cama de manh\u00e3, aquilo que fazes ao anoitecer, em que empregas os teus fins de semana, aquilo que l\u00eas, que conheces, que parte o teu cora\u00e7\u00e3o e que o faz transbordar de alegria e a gratid\u00e3o. Enamora-te! Permanece no amor! E tudo ser\u00e1 diferente\u00bb. <a href=\"#_ftn70\" name=\"_ftnref70\">[70]<\/a> Este amor a Deus, que abra\u00e7a com paix\u00e3o a vida inteira, \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo, porque \u00abo amor de Deus foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u00bb (Rm 5,5).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"133\">\n<li>Ele \u00e9 o manancial da melhor juventude. Porque aquele que confia no Senhor \u00e9 \u00abcomo \u00e1rvore plantada perto da \u00e1gua, que estende as ra\u00edzes para a corrente; n\u00e3o teme quando vem o calor, e a sua folhagem fica sempre verdejante\u00bb (Jr 17,8). Enquanto \u00abos jovens se cansam e se fatigam\u00bb (Is 40,30), aos que esperam, confiantes, no Senhor, \u00abEle renovar\u00e1 as suas for\u00e7as, ter\u00e3o asas como a \u00e1gua, correr\u00e3o sem se fatigar e caminhar\u00e3o sem desfalecer\u00bb (Is 40,31).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Quinto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>caminhos de juventude<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"134\">\n<li>Como se vive a juventude quando nos deixamos iluminar e transformar pelo grande an\u00fancio do Evangelho? \u00c9 importante interrogarmo-nos sobre isto, porque a juventude, mais do que um orgulho, \u00e9 um presente de Deus: \u00abSer jovem \u00e9 uma gra\u00e7a, uma fortuna\u00bb. <a href=\"#_ftn71\" name=\"_ftnref71\">[71]<\/a> \u00c9 um dom que podemos desbaratar inutilmente, ou ent\u00e3o que podemos receber agradecidos e viv\u00ea-lo em plenitude.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"135\">\n<li>Deus \u00e9 o autor da juventude e atua em cada jovem. A juventude \u00e9 um tempo aben\u00e7oado para o jovem e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a Igreja e para o mundo. \u00c9 uma alegria, um c\u00e2ntico de esperan\u00e7a e uma bem-aventuran\u00e7a. Apreciar a juventude implica ver esse per\u00edodo da vida como um momento valioso e n\u00e3o como uma etapa de passagem onde os jovens se sentem empurrados para a idade adulta.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tempo de sonhos e de escolhas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"136\">\n<li>Na \u00e9poca de Jesus, a sa\u00edda da inf\u00e2ncia era uma passagem sumamente esperada na vida, que se celebrava e se desfrutava bastante. Da\u00ed que Jesus, quando devolveu a vida a uma \u00abcrian\u00e7a\u00bb (Mc 5,39), fez-lhe dar um passo em frente, promoveu-a, convertendo-a em \u00abmenina\u00bb (Mc 5,41). Ao mesmo tempo que lhe dizia \u00abmenina, levanta-te!\u00bb (<em>talit\u00e1 kum<\/em>), tornou-a mais respons\u00e1vel pela sua vida, abrindo-lhe as portas da juventude.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"137\">\n<li>\u00abA juventude, fase do desenvolvimento da personalidade, caracteriza-se por sonhos que v\u00e3o tomando corpo, por rela\u00e7\u00f5es que adquirem cada vez mais consist\u00eancia e equil\u00edbrio, por prop\u00f3sitos e experi\u00eancias, por escolhas que v\u00e3o construindo gradualmente um projeto de vida. Neste per\u00edodo da vida, os jovens s\u00e3o chamados a projetar-se para a frente sem cortarem as suas ra\u00edzes, a construir autonomia, mas n\u00e3o na solid\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn72\" name=\"_ftnref72\">[72]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"138\">\n<li>O amor de Deus e a nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo vivo n\u00e3o nos privam de sonhar, n\u00e3o nos exigem que reduzamos os nossos horizontes. Pelo contr\u00e1rio, esse amor<\/li>\n<\/ol>\n<p>promove-nos, estimula-nos, lan\u00e7a-nos para uma vida melhor e mais bela. A palavra \u00abinquieta\u00e7\u00e3o\u00bb resume muitas das buscas dos cora\u00e7\u00f5es dos jovens. Como dizia S\u00e3o Paulo\u00a0VI, \u00abnas insatisfa\u00e7\u00f5es que os atormentam [&#8230;] h\u00e1, precisamente, um elemento de luz\u00bb. <a href=\"#_ftn73\" name=\"_ftnref73\">[73]<\/a> A inquieta\u00e7\u00e3o insatisfeita, juntamente com o assombro pelo novo que se delineia no horizonte, abre passagem \u00e0 ousadia que os leva a assumirem-se a si mesmos, a tornarem-se respons\u00e1veis por uma miss\u00e3o. Esta s\u00e3 inquieta\u00e7\u00e3o que desperta de modo especial na juventude continua a ser a caracter\u00edstica de qualquer cora\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m jovem, dispon\u00edvel, aberto. A verdadeira paz interior convive com essa profunda insatisfa\u00e7\u00e3o. Dizia Santo Agostinho: \u00abSenhor, Tu nos criaste para ti, e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto enquanto n\u00e3o descansa em ti\u00bb. <a href=\"#_ftn74\" name=\"_ftnref74\">[74]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"139\">\n<li>H\u00e1 tempos, um amigo perguntou-me o que vejo quando penso num jovem. A minha resposta foi que \u00abvejo um rapaz ou uma rapariga que procura o seu pr\u00f3prio caminho, que quer voar com os p\u00e9s, que assoma sobre o mundo e olha o horizonte com os olhos cheios de esperan\u00e7a, cheios de futuro e tamb\u00e9m de ilus\u00f5es. O jovem caminha com dois p\u00e9s, como os adultos, mas, ao contr\u00e1rio dos adultos, que os mant\u00eam paralelos, p\u00f5e um \u00e0 frente do outro, disposto a ir, a partir. Olhando sempre em frente. Falar de jovens significa falar de promessas e tamb\u00e9m significa falar de alegria. Os jovens t\u00eam muita for\u00e7a, s\u00e3o capazes de olhar com muita esperan\u00e7a. Um jovem \u00e9 uma promessa de vida que tem incorporado um certo grau de tenacidade; tem loucura suficiente para se poder enganar a si pr\u00f3prio e capacidade suficiente para se poder curar da desilus\u00e3o que da\u00ed possa derivar\u00bb. <a href=\"#_ftn75\" name=\"_ftnref75\">[75]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"140\">\n<li>Alguns jovens talvez rejeitem essa etapa da vida, porque gostariam de continuar a ser crian\u00e7as, ou talvez desejem \u00abum prolongamento indefinido da adolesc\u00eancia e o adiamento das decis\u00f5es; o medo do definitivo gera assim uma esp\u00e9cie de paralisia na tomada de decis\u00f5es. A juventude, por\u00e9m, n\u00e3o pode ser um tempo em suspenso: \u00e9 a idade das decis\u00f5es e precisamente nisso consiste a sua atra\u00e7\u00e3o e o seu principal papel. Os jovens tomam decis\u00f5es no \u00e2mbito profissional, social, pol\u00edtico e outras mais radicais, que imprimir\u00e3o uma configura\u00e7\u00e3o determinante \u00e0 sua exist\u00eancia\u00bb. <a href=\"#_ftn76\" name=\"_ftnref76\">[76]<\/a> Tamb\u00e9m tomam decis\u00f5es relativamente ao amor, \u00e0 escolha do seu par e na op\u00e7\u00e3o de ter os primeiros filhos. Aprofundaremos estes temas nos \u00faltimos cap\u00edtulos, sobre a voca\u00e7\u00e3o de cada um e o seu discernimento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"141\">\n<li>No entanto, contrapondo-se aos sonhos que mobilizam decis\u00f5es, \u00abexiste sempre a amea\u00e7a do lamento, da resigna\u00e7\u00e3o. Deixamos isso para aqueles que seguem a \u201cdeusa lamenta\u00e7\u00e3o\u201d [&#8230;]. \u00c9 um engano: faz-te tomar o caminho errado. Quando tudo parece paralisado e estagnado, quando os problemas pessoais nos inquietam, os mal-estares sociais n\u00e3o encontram as devidas respostas, n\u00e3o \u00e9 bom dar-se por vencido. O caminho \u00e9 Jesus: faz\u00ea-lo subir para a nossa barca e remar mar adentro com ele. Ele \u00e9 o Senhor! Ele muda a perspetiva da vida. A f\u00e9 em Jesus conduz a uma esperan\u00e7a que vai mais longe, a uma certeza fundada n\u00e3o s\u00f3 nas nossas qualidades e aptid\u00f5es, mas na Palavra de Deus, no convite que vem dele. Sem fazermos demasiados c\u00e1lculos humanos nem nos preocuparmos em verificar se a realidade que vos rodeia coincide com as vossas seguran\u00e7as. Remai mar adentro, sa\u00ed de v\u00f3s mesmos\u00bb. <a href=\"#_ftn77\" name=\"_ftnref77\">[77]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"142\">\n<li>Devemos perseverar no caminho dos sonhos. Para isso, devemos estar atentos a uma tenta\u00e7\u00e3o que nos costuma passar uma rasteira: a ansiedade. Pode ser uma grande inimiga quando nos leva a baixar os bra\u00e7os porque descobrimos que os resultados n\u00e3o s\u00e3o imediatos. Os sonhos mais belos conquistam-se com esperan\u00e7a, paci\u00eancia e empenho, renunciando \u00e0s pressas. Ao mesmo tempo, n\u00e3o nos devemos deter por inseguran\u00e7a, n\u00e3o devemos ter medo de apostar nem de cometer erros. Devemos ter medo, isso sim, de viver paralisados, como mortos ainda em vida, convertidos em seres que n\u00e3o vivem porque n\u00e3o querem arriscar, porque n\u00e3o perseveram nos seus compromissos ou porque t\u00eam medo de se equivocar. Mesmo que te equivoques poder\u00e1s sempre levantar a cabe\u00e7a e come\u00e7ar de novo, porque ningu\u00e9m tem o direito de te roubar a esperan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"143\">\n<li>Jovens, n\u00e3o renuncieis ao melhor da vossa juventude, n\u00e3o observeis a vida de uma varanda. N\u00e3o confundais a felicidade com um sof\u00e1 nem passeis toda a vossa vida diante de um ecr\u00e3. Tampouco vos deveis converter no triste espet\u00e1culo de um ve\u00edculo abandonado. N\u00e3o sejais autom\u00f3veis estacionados, pelo contr\u00e1rio, deixai brotar os sonhos e tomai decis\u00f5es. Arriscai, mesmo que vos equivoqueis. N\u00e3o sobrevivais com a alma anestesiada nem olheis o mundo como se f\u00f4sseis turistas. Fazei barulho! Deitai fora os medos que vos paralisam, para que n\u00e3o vos convertais em jovens mumificados. Vivei! Entregai-vos ao melhor da vida! Abri a porta da gaiola e sa\u00ed a voar! Por favor, n\u00e3o vos aposenteis antes de tempo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A vontade de viver e de experimentar <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"144\">\n<li>Esta proje\u00e7\u00e3o no futuro sonhado n\u00e3o significa que os jovens estejam completamente lan\u00e7ados para a frente, porque, ao mesmo tempo, h\u00e1 neles um forte desejo de viver o presente, de aproveitar ao m\u00e1ximo as possibilidades que esta vida lhes oferece. Este mundo est\u00e1 repleto de beleza! Como se poderiam desprezar os presentes de Deus?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"145\">\n<li>Contrariamente ao que muitos pensam, o Senhor n\u00e3o quer debilitar esta vontade de viver. \u00c9 saud\u00e1vel recordar aquilo que ensinava um s\u00e1bio do Antigo Testamento: \u00abMeu filho, se tens com qu\u00ea, trata-te bem [&#8230;]. N\u00e3o te prives da felicidade presente\u00bb (Sir 14,11.14). O verdadeiro Deus, aquele que te ama, quer-te feliz. Por isso, tamb\u00e9m encontramos na B\u00edblia este conselho dirigido aos jovens: \u00abJovem, regozija-te na tua mocidade e alegra o teu cora\u00e7\u00e3o na flor dos teus anos [&#8230;]. Lan\u00e7a fora do teu cora\u00e7\u00e3o a tristeza\u00bb (Ecl 11,9-10). Porque \u00e9 Deus que \u00abnos d\u00e1 tudo com abund\u00e2ncia <em>para nosso usufruto<\/em>\u00bb (1Tm 6,17).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"146\">\n<li>Como poder\u00e1 ser agradecido para com Deus algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 capaz de desfrutar dos seus pequenos presentes de cada dia, algu\u00e9m que n\u00e3o se sabe deter diante das coisas simples e agrad\u00e1veis que encontra a cada passo? Porque \u00abn\u00e3o h\u00e1 pior do que aquele que se tortura a si mesmo\u00bb (Sir 14,6). N\u00e3o se trata de ser um insaci\u00e1vel que est\u00e1 sempre obcecado por mais e mais prazeres. Pelo contr\u00e1rio, porque isso te impedir\u00e1 de viver o presente. A quest\u00e3o \u00e9 saber abrir os olhos e deteres-te para viver plenamente e com gratid\u00e3o cada pequeno dom da vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"147\">\n<li>\u00c9 \u00f3bvio que a Palavra de Deus te convida a viver o presente e n\u00e3o s\u00f3 a preparar o amanh\u00e3: \u00abN\u00e3o vos preocupeis, portanto, com o dia de amanh\u00e3, pois o dia de amanh\u00e3 j\u00e1 ter\u00e1 as suas preocupa\u00e7\u00f5es. Basta a cada dia o seu problema.\u00bb (Mt 6,34). Isto, por\u00e9m, n\u00e3o se refere a lan\u00e7armo-nos num desenfreamento irrespons\u00e1vel, que nos deixa vazios e sempre insatisfeitos, mas a viver o presente em plenitude, utilizando as energias para coisas boas, cultivando a fraternidade, seguindo Jesus e valorizando cada pequena alegria da vida como um presente do amor de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"148\">\n<li>Neste sentido, quero recordar que o cardeal Francisco Xavier Nguy\u00ean Van Thu\u00e2n, quando o encerraram num campo de concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quis que os seus dias consistissem apenas em esperar e esperar um futuro. A sua op\u00e7\u00e3o foi \u00abviver o momento presente enchendo-o de amor\u00bb; e o modo como o punha em pr\u00e1tica era: \u00abAproveito as ocasi\u00f5es que se apresentam em cada dia para realizar atos ordin\u00e1rios de forma extraordin\u00e1ria\u00bb. <a href=\"#_ftn78\" name=\"_ftnref78\">[78]<\/a> Enquanto lutas para dar forma aos teus sonhos, vive plenamente o hoje, entrega-lhe tudo e enche cada momento de amor. Porque \u00e9 verdade que este dia da tua juventude pode ser o \u00faltimo, e ent\u00e3o vale a pena viv\u00ea-lo com toda a garra e com toda a profundidade poss\u00edvel.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"149\">\n<li>Isto tamb\u00e9m inclui os momentos duros, que devem ser vividos a fundo para chegar a aprender a sua mensagem. Como ensinam os Bispos su\u00ed\u00e7os: \u00abEle est\u00e1 ali onde n\u00f3s pens\u00e1vamos que nos tinha abandonado e que j\u00e1 n\u00e3o havia salva\u00e7\u00e3o alguma. \u00c9 um paradoxo, mas o sofrimento e as trevas t\u00eam-se convertido para muitos crist\u00e3os [&#8230;] em lugares de encontro com Deus\u00bb. <a href=\"#_ftn79\" name=\"_ftnref79\">[79]<\/a> Al\u00e9m disso, o desejo de viver e de experimentar refere-se de modo especial a muitos jovens em condi\u00e7\u00f5es de incapacidade f\u00edsica, mental e sensorial. Inclusive, mesmo que nem sempre possam fazer as mesmas experi\u00eancias que os seus companheiros, disp\u00f5em de recursos surpreendentes e inimagin\u00e1veis, que por vezes superam os comuns. O Senhor Jesus enche-os de outros dons, que a comunidade \u00e9 chamada a valorizar, para que possam descobrir o seu plano de amor para cada um deles.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em amizade com Cristo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"150\">\n<li>Por mais que tu vivas e experimentes, n\u00e3o chegar\u00e1s ao fundo da juventude, n\u00e3o conhecer\u00e1s a verdadeira plenitude de ser jovem, se n\u00e3o encontras em cada dia o grande amigo, se n\u00e3o vives em amizade com Jesus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"151\">\n<li>A amizade \u00e9 um presente da vida e um dom de Deus. Atrav\u00e9s dos amigos o Senhor vai-nos polindo e fazendo amadurecer. Ao mesmo tempo, os amigos fi\u00e9is que permanecem ao nosso lado nos momentos duros s\u00e3o um reflexo do carinho do Senhor, da sua consola\u00e7\u00e3o e da sua am\u00e1vel presen\u00e7a. Ter amigos ensina-nos a abrir-nos, a compreender, a cuidar de outros, a sair da nossa comodidade e do isolamento, a partilhar a vida. Por isso \u00abum amigo fiel n\u00e3o tem pre\u00e7o\u00bb (Sir 6,15).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"152\">\n<li>A amizade n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o fugaz ou passageira, mas est\u00e1vel, firme, fiel, que amadurece com o passar do tempo. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de afeto que nos faz sentir unidos e, ao mesmo tempo, \u00e9 um amor generoso, que nos leva a procurar o bem do amigo. Embora os amigos possam ser muito diferentes entre si, h\u00e1 sempre algumas coisas em comum que os levam a sentir-se pr\u00f3ximos e h\u00e1 uma intimidade que se partilha com sinceridade e confian\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"153\">\n<li>\u00c9 t\u00e3o importante a amizade que o pr\u00f3prio Jesus se apresenta como amigo: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, mas amigos\u00bb (Jo 15,15). Pela gra\u00e7a que Ele nos oferece, somos de tal maneira elevados que nos tornamos realmente seus amigos. Com o mesmo amor que Ele derrama em n\u00f3s podemos am\u00e1-lo, levando o seu amor aos outros, com a esperan\u00e7a de que tamb\u00e9m eles encontrem o seu lugar na comunh\u00e3o de amizade fundada por Jesus Cristo. <a href=\"#_ftn80\" name=\"_ftnref80\">[80]<\/a> E embora Ele j\u00e1 seja plenamente feliz, ressuscitado, \u00e9 poss\u00edvel ser generosos com Ele, ajudando-o a construir o seu Reino neste mundo, sendo seus instrumentos para levar a sua mensagem e a sua luz e, sobretudo, o seu amor aos outros (cf. Jo 15,16). Os disc\u00edpulos escutaram o chamamento de Jesus \u00e0 amizade com Ele. Foi um convite que n\u00e3o os for\u00e7ou, mas que foi delicadamente proposto \u00e0 sua liberdade: \u00abVinde e vereis\u00bb, disse-lhes Jesus, e \u00abeles foram, viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia\u00bb (Jo 1,39). Depois desse encontro, \u00edntimo e inesperado, deixaram tudo e foram com Ele.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"154\">\n<li>A amizade com Jesus \u00e9 inquebrant\u00e1vel. Ele nunca se afasta, embora por vezes pare\u00e7a que faz sil\u00eancio. Quando precisamos dele, deixa-se encontrar por n\u00f3s (cf. Jr 29,14) e est\u00e1 ao nosso lado para onde quer que formos (cf. Js 1,9). Porque Ele nunca quebra a sua alian\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A n\u00f3s, pede-nos que n\u00e3o o abandonemos: \u00abPermanecei em mim\u00bb (Jo 15,4). Todavia, se n\u00f3s nos afastamos, \u00abEle permanecer\u00e1 fiel, pois n\u00e3o se pode negar a si mesmo\u00bb (2Tm 2,13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"155\">\n<li>Com o amigo falamos, partilhamos as coisas mais secretas. Com Jesus tamb\u00e9m conversamos. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio e uma aventura. E que aventura! Permite que o conhe\u00e7amos cada vez melhor, que entremos na sua densidade e que cres\u00e7amos numa uni\u00e3o cada vez mais forte. A ora\u00e7\u00e3o permite-nos contar-lhe tudo o que nos acontece e ficarmos, confiantes, nos seus bra\u00e7os, e, ao mesmo tempo, oferece-nos instantes de preciosa intimidade e afeto, em que Jesus derrama em n\u00f3s a sua pr\u00f3pria vida. Rezando, \u00ababrimos-lhe o jogo\u00bb a Ele, damos-lhe lugar \u00abpara que Ele possa agir, possa entrar e possa vencer\u00bb. <a href=\"#_ftn81\" name=\"_ftnref81\">[81]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"156\">\n<li>Assim \u00e9 poss\u00edvel chegar a experimentar uma unidade constante com Ele, que supera tudo o que possamos viver com outras pessoas: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim\u00bb (Gl 2,20). N\u00e3o prives a tua juventude desta amizade. Poder\u00e1s senti-lo a teu lado, n\u00e3o s\u00f3 quando orares. Reconhecer\u00e1s que Ele caminha contigo a cada momento. Tenta descobri-lo e viver\u00e1s a bela experi\u00eancia de saberes que est\u00e1s sempre acompanhado. Foi o que viveram os disc\u00edpulos de Ema\u00fas quando, enquanto caminhavam e conversavam, desorientados, Jesus se fez presente e \u00abse p\u00f4s a caminho com eles\u00bb (Lc 24,15). Dizia certo santo que \u00abo Cristianismo n\u00e3o \u00e9 um conjunto de verdades em que devemos crer, de leis que devemos cumprir ou de proibi\u00e7\u00f5es. Isso torna-se muito repugnante. O Cristianismo \u00e9 uma Pessoa que me amou tanto que reclama o meu amor. O Cristianismo \u00e9 Cristo\u00bb. <a href=\"#_ftn82\" name=\"_ftnref82\">[82]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"157\">\n<li><strong>157<\/strong>. Jesus \u00e9 capaz de unir todos os jovens da Igreja num \u00fanico sonho, \u00abum sonho grande e um sonho capaz de acolher a todos. Esse sonho pelo qual Jesus deu a vida na cruz e o Esp\u00edrito Santo foi derramado e tatuou a fogo o dia de Pentecostes no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher, no cora\u00e7\u00e3o de cada um [&#8230;]. Tatuou-o esperando que ele encontre espa\u00e7o para crescer e para se desenvolver. Um sonho, um sonho chamado Jesus, semeado pelo Pai, Deus como Ele \u2013 como o Pai \u2013, enviado pelo Pai com a confian\u00e7a de que crescer\u00e1 e viver\u00e1 em cada cora\u00e7\u00e3o. Um sonho concreto, que \u00e9 uma pessoa, que corre nas nossas veias, que faz o cora\u00e7\u00e3o estremecer e bailar\u00bb. <a href=\"#_ftn83\" name=\"_ftnref83\">[83]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crescimento e amadurecimento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"158\">\n<li>Muitos jovens preocupam-se com o seu corpo, procurando o desenvolvimento da for\u00e7a f\u00edsica ou da apar\u00eancia. Outros inquietam-se, desejosos de desenvolver as suas capacidades e conhecimentos, sentindo-se assim mais seguros. Alguns apontam mais alto, tentam comprometer-se mais, procurando um desenvolvimento espiritual. Dizia S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00abEscrevo-vos, jovens, porque sois fortes, porque conservais a Palavra de Deus\u00bb (1Jo 2,14). Procurar o Senhor, guardar a sua Palavra, tentar responder-lhe com a pr\u00f3pria vida, crescer nas virtudes, isso torna fortes os cora\u00e7\u00f5es dos jovens. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio manter a liga\u00e7\u00e3o com Jesus, estar alinhados com Ele, visto que n\u00e3o crescer\u00e1s em felicidade e santidade s\u00f3 pelas tuas for\u00e7as e pela tua mente. Assim como te preocupa n\u00e3o perder a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Internet, cuida que esteja ativa a tua liga\u00e7\u00e3o com o Senhor, e isso significa n\u00e3o cortar o di\u00e1logo, escut\u00e1-lo, contar-lhe as tuas coisas e, quando n\u00e3o souberes claramente que deverias fazer, perguntar-lhe: \u00abJesus, que farias Tu em meu lugar?\u00bb <a href=\"#_ftn84\" name=\"_ftnref84\">[84]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"159\">\n<li>Espero que possas valorizar-te tanto a ti mesmo, tomar-te t\u00e3o a s\u00e9rio, que procures o teu crescimento espiritual. Al\u00e9m dos entusiasmos pr\u00f3prios da juventude, tamb\u00e9m h\u00e1 a beleza de procurar \u00aba justi\u00e7a, a f\u00e9, o amor e a paz\u00bb (2Tm 2,22). Isto n\u00e3o significa perder a espontaneidade, a frescura, o entusiasmo e a ternura. Porque tornar-se adulto n\u00e3o implica abandonar os melhores valores desta etapa da vida: \u00abRecordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado, quando me seguias no deserto\u00bb (Jr 2,2).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"160\">\n<li>Por outro lado, at\u00e9 um adulto deve amadurecer, sem perder os valores da juventude. Porque, na realidade, cada etapa da vida \u00e9 uma gra\u00e7a permanente, encerra um valor que n\u00e3o deve passar. Uma juventude bem vivida permanece como experi\u00eancia interior e, na vida adulta, \u00e9 assumida, \u00e9 aprofundada e continua a dar frutos. Se \u00e9 pr\u00f3prio do jovem sentir-se atra\u00eddo pelo infinito que se abre e que come\u00e7a <a href=\"#_ftn85\" name=\"_ftnref85\">[85]<\/a>, um risco da vida adulta, com as suas seguran\u00e7as e comodidades, \u00e9 delimitar cada vez mais esse horizonte e perder esse valor pr\u00f3prio dos anos jovens. Mas deveria suceder o contr\u00e1rio: amadurecer, crescer e organizar a pr\u00f3pria vida sem perder essa atra\u00e7\u00e3o, essa abertura ampla, esse fasc\u00ednio por uma realidade que \u00e9 sempre mais. Em cada momento da vida poderemos renovar e acrescentar a juventude. Quando iniciei o meu minist\u00e9rio como Papa, o Senhor ampliou-me os horizontes e ofereceu-me uma juventude renovada. O mesmo pode suceder a um casamento de muitos anos ou a um monge no seu mosteiro. H\u00e1 coisas que precisam de \u00abassentar\u00bb com os anos, mas esse amadurecimento pode conviver com um fogo que se renova, com um cora\u00e7\u00e3o sempre jovem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"161\">\n<li>Crescer \u00e9 conservar e alimentar as coisas mais preciosas que a juventude te oferece, mas, ao mesmo tempo, \u00e9 estar aberto a purificar aquilo que n\u00e3o \u00e9 bom e a receber novos dons de Deus, que te chama a desenvolver aquilo que tem valor. Por vezes, os complexos de inferioridade podem levar-te a n\u00e3o querer ver os teus defeitos e debilidades e, desse modo, podes fechar-te ao crescimento e ao amadurecimento. \u00c9 prefer\u00edvel deixares-te amar por Deus, que te ama tal como \u00e9s, que te valoriza e respeita, mas que tamb\u00e9m te oferece mais e mais: mais da sua amizade, mais fervor na ora\u00e7\u00e3o, mais fome da sua Palavra, mais desejos de receber Cristo na Eucaristia, mais vontade de viver o seu Evangelho, mais fortaleza interior, mais paz e alegria espiritual.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"162\">\n<li>Recordo-te, por\u00e9m, que n\u00e3o ser\u00e1s santo nem completo copiando outros. Nem sequer imitar os santos significa copiar a sua maneira de ser e de viver a santidade: \u00abH\u00e1 testemunhos que s\u00e3o \u00fateis para nos estimular e motivar, mas n\u00e3o para que os tentemos copiar, porque isso at\u00e9 nos poderia afastar do caminho \u00fanico e diferente que o Senhor tem para n\u00f3s\u00bb. <a href=\"#_ftn86\" name=\"_ftnref86\">[86]<\/a> Tu tens de descobrir quem \u00e9s e de desenvolver a tua forma pr\u00f3pria de ser santo, para l\u00e1 daquilo que disserem e opinarem os demais. Chegar a ser santo \u00e9 chegar a ser mais plenamente tu pr\u00f3prio, a ser esse que Deus quis sonhar e criar, n\u00e3o uma fotoc\u00f3pia. A tua vida deve ser um est\u00edmulo prof\u00e9tico, que impulsione outros, que deixe uma marca neste mundo, essa marca \u00fanica que s\u00f3 tu poder\u00e1s deixar. Pelo contr\u00e1rio, se copiares, privar\u00e1s esta terra, e tamb\u00e9m o c\u00e9u, daquilo que mais ningu\u00e9m al\u00e9m de ti poder\u00e1 oferecer. Recordo que S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, no seu <em>C\u00e2ntico Espiritual<\/em>, escrevia que cada um devia aproveitar os seus conselhos espirituais \u00aba seu modo\u00bb <a href=\"#_ftn87\" name=\"_ftnref87\">[87]<\/a>, porque o pr\u00f3prio Deus quis manifestar a sua gra\u00e7a \u00aba uns de uma maneira e a outros de outra\u00bb. <a href=\"#_ftn88\" name=\"_ftnref88\">[88]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sendas de fraternidade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"163\">\n<li>O teu desenvolvimento espiritual manifesta-se, antes de mais, crescendo no amor fraterno, generoso, misericordioso. Dizia-o S\u00e3o Paulo: \u00abO Senhor vos fa\u00e7a crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos\u00bb (1Ts 3,12). Oxal\u00e1 vivas cada vez mais esse \u00ab\u00eaxtase\u00bb que \u00e9 sair de ti mesmo para procurar o bem dos outros, at\u00e9 dar a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"164\">\n<li>Quando um encontro com Deus se chama \u00ab\u00eaxtase\u00bb \u00e9 porque nos arranca de n\u00f3s mesmos e nos eleva, cativados pelo amor e pela beleza de Deus. Mas tamb\u00e9m podemos ser arrancados de n\u00f3s mesmos para reconhecer a beleza oculta em cada ser humano, a sua dignidade, a sua grandeza como imagem de Deus e filho do Pai. O Esp\u00edrito Santo quer impelir-nos para que n\u00f3s saiamos de n\u00f3s mesmos, abracemos os outros com amor e procuremos o seu bem. Portanto, \u00e9 sempre melhor viver a f\u00e9 juntos e expressar o nosso amor numa vida comunit\u00e1ria, partilhando com outros jovens o nosso afeto, o nosso tempo, a nossa f\u00e9 e as nossas inquieta\u00e7\u00f5es. A Igreja oferece muitos espa\u00e7os diferentes para viver a f\u00e9 em comunidade, porque tudo \u00e9 mais f\u00e1cil juntos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"165\">\n<li>As feridas recebidas podem levar-te \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do isolamento, a dobrares-te sobre ti mesmo, a acumular rancores, mas nunca deixes de escutar o chamamento de Deus ao perd\u00e3o. Como bem ensinaram os Bispos do Ruanda, \u00aba reconcilia\u00e7\u00e3o com o outro requer, antes de mais, que se descubra nele o esplendor da imagem de Deus [&#8230;]. Nesta perspetiva, \u00e9 vital distinguir o pecador do seu pecado e da sua ofensa, para chegar \u00e0 verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o. Isto significa que deves odiar o mal que o outro te inflige, mas que continues a am\u00e1-lo porque reconheces a sua debilidade e v\u00eas a imagem de Deus nele\u00bb. <a href=\"#_ftn89\" name=\"_ftnref89\">[89]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"166\">\n<li>Por vezes, toda a energia, os sonhos e o entusiasmo da juventude debilitam-se pela tenta\u00e7\u00e3o de nos encerrarmos em n\u00f3s mesmos, nos nossos problemas, sentimentos feridos, lamenta\u00e7\u00f5es e comodidades. N\u00e3o deixes que isso te aconte\u00e7a, porque te tornar\u00e1s velho por dentro e antes de tempo. Cada idade tem a sua formosura, e \u00e0 juventude n\u00e3o podem faltar a utopia comunit\u00e1ria, a capacidade de sonhar unidos, os grandes horizontes que olhamos juntos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"167\">\n<li>Deus ama a alegria dos jovens e convida-os de modo especial a essa alegria que se vive em comunh\u00e3o fraterna, a esse gozo superior daquele que sabe partilhar, porque \u00aba felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u00bb (At 20,35) e \u00abDeus ama quem d\u00e1 com alegria\u00bb (2Cor 9,7). O amor fraterno multiplica a nossa capacidade de gozo, visto que nos torna capazes de nos alegrarmos com o bem dos outros: \u00abAlegrai-vos com os que se alegram\u00bb (Rm 12,15). Que a espontaneidade e o impulso da tua juventude se convertam cada dia mais na espontaneidade do amor fraterno, na frescura para reagir sempre com perd\u00e3o, com generosidade, com vontade de construir comunidade. Diz um prov\u00e9rbio africano: \u00abSe queres andar depressa, caminha sozinho. Se queres chegar longe, caminha com os outros.\u00bb N\u00e3o deixemos que nos roubem a fraternidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jovens comprometidos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"168\">\n<li>\u00c9 verdade que \u00e0s vezes, frente a um mundo t\u00e3o cheio de viol\u00eancia e de ego\u00edsmo, os jovens podem correr o risco de se encerrarem em pequenos grupos, privando-se assim dos desafios da vida em sociedade, de um mundo vasto, desafiante e necessitado. Sentem que vivem o amor fraterno, mas talvez o seu grupo se tenha convertido num mero prolongamento do seu eu. Isto agrava-se se a voca\u00e7\u00e3o do leigo for concebida apenas como um servi\u00e7o no interior da Igreja (leitores, ac\u00f3litos, catequistas, etc.), esquecendo que a voca\u00e7\u00e3o laical \u00e9, sobretudo, a caridade na fam\u00edlia, a caridade social e a caridade pol\u00edtica: \u00e9 um compromisso concreto a partir da f\u00e9 para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade nova, \u00e9 viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas inst\u00e2ncias, para fazer crescer a paz, a conviv\u00eancia, a justi\u00e7a, os direitos humanos, a miseric\u00f3rdia e, assim, estender o Reino de Deus no mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"169\">\n<li>Proponho aos jovens irem al\u00e9m dos grupos de amigos e constru\u00edrem a \u00abamizade social, procurarem o bem comum. A inimizade social destr\u00f3i. E uma fam\u00edlia destr\u00f3i-se pela inimizade. Um pa\u00eds destr\u00f3i-se pela inimizade. O mundo destr\u00f3i-se pela inimizade. E a maior inimizade \u00e9 a guerra. Ora, hoje em dia, vemos que o mundo se est\u00e1 a destruir pela guerra. Porque as pessoas s\u00e3o incapazes de se sentar e de falar [&#8230;]. Sede capazes de criar a amizade social\u00bb. <a href=\"#_ftn90\" name=\"_ftnref90\">[90]<\/a> N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 sempre necess\u00e1rio renunciar a alguma coisa, \u00e9 necess\u00e1rio negociar, mas se o fizermos pensando no bem de todos poderemos chegar \u00e0 experi\u00eancia magn\u00edfica de p\u00f4r de lado as diferen\u00e7as para lutarmos juntos por qualquer coisa comum. Se conseguimos procurar pontos de coincid\u00eancia no meio de muitas dissid\u00eancias, nesse empenho artesanal e por vezes dif\u00edcil de estender pontes, de construir uma paz que seja boa para todos, \u00e9 esse o milagre da cultura do encontro que os jovens podem atrever-se a viver com paix\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"170\">\n<li>O S\u00ednodo reconheceu que, \u00abembora de forma diferente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es passadas, o compromisso social \u00e9 uma caracter\u00edstica espec\u00edfica dos jovens de hoje. Ao lado de alguns indiferentes, h\u00e1 muitos outros dispostos a comprometer-se em iniciativas de voluntariado, de cidadania ativa e de solidariedade social, que devem ser acompanhados e animados para que brotem os talentos, as compet\u00eancias e a criatividade dos jovens e para incentivar que assumam responsabilidades. O compromisso social e o contacto direto com os pobres continuam a ser uma ocasi\u00e3o fundamental para descobrir ou aprofundar a f\u00e9 e discernir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o [&#8230;]. Foi tamb\u00e9m referida a disponibilidade para o compromisso no campo pol\u00edtico, em prol da constru\u00e7\u00e3o do bem comum\u00bb. <a href=\"#_ftn91\" name=\"_ftnref91\">[91]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"171\">\n<li>Hoje, gra\u00e7as a Deus, os grupos de jovens em par\u00f3quias, col\u00e9gios, movimentos ou grupos universit\u00e1rios costumam sair para acompanhar idosos e doentes, ou visitam bairros pobres, ou saem juntos para ajudar os indigentes nas chamadas \u00abnoites da caridade\u00bb. \u00c9 frequente eles reconhecerem que nessas miss\u00f5es \u00e9 mais o que recebem do que aquilo que d\u00e3o, porque as pessoas aprendem e amadurecem muito quando se atrevem a entrar em contacto com o sofrimento dos outros. Al\u00e9m disso, nos pobres h\u00e1 uma sabedoria oculta, e eles, com palavras simples, podem ajudar-nos a descobrir valores que n\u00f3s n\u00e3o vemos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"172\">\n<li>Outros jovens participam em programas sociais orientados para a constru\u00e7\u00e3o de casas para os que n\u00e3o t\u00eam teto, ou para o saneamento de lugares contaminados, ou para a recolha de ajudas para os mais necessitados. Seria bom que essa energia comunit\u00e1ria se aplicasse n\u00e3o s\u00f3 a a\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas, mas de uma forma est\u00e1vel, com objetivos claros e uma boa organiza\u00e7\u00e3o, que ajude a levar a cabo uma obra mais continuada e eficiente. Os universit\u00e1rios podem unir-se de maneira interdisciplinar para aplicar o seu saber \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas sociais e, nessa miss\u00e3o, podem trabalhar lado a lado com jovens de outras Igrejas ou de outras religi\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"173\">\n<li>Como no milagre de Jesus, os p\u00e3es e os peixes dos jovens podem multiplicar-se (cf. Jo 6,4-13). Tal como na par\u00e1bola, as pequenas sementes dos jovens convertem-se em \u00e1rvore e colheita (cf. Mt 13,23.31-32). Tudo isso, a partir da fonte viva da Eucaristia, na qual o nosso p\u00e3o e o nosso vinho se transfiguram para nos dar Vida eterna. Pede-se aos jovens uma tarefa imensa e dif\u00edcil. Com a f\u00e9 no Ressuscitado, poder\u00e3o enfrent\u00e1-la com criatividade e esperan\u00e7a, e colocando-se sempre no lugar do servi\u00e7o, como os servos daquela boda, surpreendidos colaboradores do primeiro sinal de Jesus, que apenas seguiram a recomenda\u00e7\u00e3o da sua M\u00e3e: \u00abFazei o que Ele vos disser\u00bb (Jo 2,5). Miseric\u00f3rdia, criatividade e esperan\u00e7a fazem crescer a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"174\">\n<li>Quero animar-te a este compromisso, pois sei que \u00abo teu cora\u00e7\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o jovem, quer construir um mundo melhor. Sigo as not\u00edcias do mundo e vejo que tantos jovens, em muitas partes do Globo, t\u00eam sa\u00eddo para as ruas para manifestar o desejo de uma civiliza\u00e7\u00e3o mais justa e fraterna. Os jovens na rua. S\u00e3o jovens que querem ser protagonistas da mudan\u00e7a. Por favor, n\u00e3o deixeis que outros sejam os protagonistas da mudan\u00e7a. Sois v\u00f3s que tendes o futuro. Pe\u00e7o-vos que tamb\u00e9m v\u00f3s sejais protagonistas desta mudan\u00e7a. Continuai a superar a apatia e a oferecer uma resposta crist\u00e3 \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas que se v\u00e3o tornando patentes em diversas partes do mundo. Pe\u00e7o-vos que sejais construtores do futuro, que deiteis m\u00e3os ao trabalho por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, n\u00e3o vejam a vida da varanda, entrem nela. Jesus n\u00e3o ficou \u00e0 varanda, entrou na vida; n\u00e3o olhem da varanda para a vida, metam-se nela, como fez Jesus\u00bb. <a href=\"#_ftn92\" name=\"_ftnref92\">[92]<\/a> Mas sobretudo, de uma forma ou de outra, sede lutadores pelo bem comum, sede servidores dos pobres, sede protagonistas da revolu\u00e7\u00e3o da caridade e do servi\u00e7o, capazes de resistir \u00e0s patologias do individualismo consumista e superficial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mission\u00e1rios valentes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"175\">\n<li>Enamorados de Cristo, os jovens s\u00e3o chamados a dar testemunho do Evangelho em toda a parte, com a sua pr\u00f3pria vida. Dizia Santo Alberto Hurtado que \u00abser ap\u00f3stolos n\u00e3o significa usar uma ins\u00edgnia na lapela do casaco, n\u00e3o significa falar da verdade, mas viv\u00ea-la, encarnar nela, transformar-se em Cristo. Ser ap\u00f3stolo n\u00e3o \u00e9 levar um archote na m\u00e3o, possuir a luz, mas ser a luz [&#8230;]. O Evangelho, mais que uma li\u00e7\u00e3o, \u00e9 um exemplo. A mensagem convertida em vida vivente\u00bb. <a href=\"#_ftn93\" name=\"_ftnref93\">[93]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"176\">\n<li>O valor do testemunho n\u00e3o significa que se deva calar a palavra. Porque n\u00e3o falar de Jesus, porque n\u00e3o contar aos outros que Ele nos d\u00e1 for\u00e7as para viver, que \u00e9 bom conversar com Ele, que nos faz bem meditar as suas palavras? Jovens, n\u00e3o deixeis que o mundo vos arraste para partilhar apenas as coisas m\u00e1s ou superficiais. Tornai-vos capazes de ir contra a corrente e partilhai Jesus, comunicai a f\u00e9 que Ele vos ofereceu. Oxal\u00e1 possais sentir no cora\u00e7\u00e3o o mesmo impulso irresist\u00edvel que movia S\u00e3o Paulo, quando dizia: \u00abAi de mim se eu n\u00e3o anunciar o Evangelho!\u00bb (1Cor 9,16).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"177\">\n<li>\u00abOnde nos envia Jesus? N\u00e3o h\u00e1 fronteiras, n\u00e3o h\u00e1 limites: Ele envia-nos a todos. O Evangelho n\u00e3o \u00e9 para alguns, mas para todos. N\u00e3o \u00e9 apenas para os que nos parecem mais pr\u00f3ximos, mais recetivos, mais acolhedores. \u00c9 para todos. N\u00e3o tenhais medo de ir e levar Cristo a qualquer ambiente, at\u00e9 \u00e0s periferias existenciais, inclusive a quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua miseric\u00f3rdia e do seu amor\u00bb. <a href=\"#_ftn94\" name=\"_ftnref94\">[94]<\/a> E convida-nos a ir sem medo com o an\u00fancio mission\u00e1rio onde quer que nos encontremos e com quem estivermos, no bairro, no est\u00fadio, no desporto, nas sa\u00eddas com os amigos, no voluntariado ou no trabalho, \u00e9 sempre bom e oportuno partilhar a alegria do Evangelho. \u00c9 assim que o Senhor se vai aproximando de todos. E a v\u00f3s, jovens, quer-vos como seus instrumentos para derramar luz e esperan\u00e7a, porque quer contar com a vossa valentia, frescura e entusiasmo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"178\">\n<li>N\u00e3o se deve esperar que a miss\u00e3o seja f\u00e1cil e c\u00f3moda. Alguns jovens deram a vida para n\u00e3o travar o seu impulso mission\u00e1rio. Assim se expressaram os Bispos da Coreia: \u00abEsperamos poder ser gr\u00e3os de trigo e instrumentos para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade, seguindo o exemplo dos m\u00e1rtires. Mesmo que a nossa f\u00e9 seja t\u00e3o pequena como uma semente de mostarda, Deus f\u00e1-la-\u00e1 crescer e utiliz\u00e1-la-\u00e1 como instrumento para a sua obra de salva\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn95\" name=\"_ftnref95\">[95]<\/a> Amigos, n\u00e3o espereis por amanh\u00e3 para colaborar na transforma\u00e7\u00e3o do mundo com a vossa energia, aud\u00e1cia e criatividade. A vossa vida n\u00e3o \u00e9 um \u201centretanto\u201d. V\u00f3s sois o <em>agora<\/em> de Deus, que vos quer fecundos. <a href=\"#_ftn96\" name=\"_ftnref96\">[96]<\/a> Porque \u00ab\u00e9 dando que se recebe\u00bb, <a href=\"#_ftn97\" name=\"_ftnref97\">[97]<\/a> e a melhor maneira de preparar um bom futuro \u00e9 viver bem o presente, com entrega e generosidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Sexto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>jovens com ra\u00edzes<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"179\">\n<li>Tenho visto, por vezes, \u00e1rvores jovens, belas, que elevavam os seus ramos para o c\u00e9u, procurando sempre mais e parecendo um campo de esperan\u00e7a. Mais adiante, depois de uma tempestade, encontrei-as ca\u00eddas, sem vida. Porque tinham poucas ra\u00edzes, tinham estendido os seus ramos sem se enraizarem bem na terra, e assim sucumbiram frente aos embates da natureza. Por isso me d\u00f3i ver que alguns proponham aos jovens construir um futuro sem ra\u00edzes, como se o mundo come\u00e7asse agora. Porque \u00ab\u00e9 imposs\u00edvel que algu\u00e9m cres\u00e7a se n\u00e3o tiver ra\u00edzes fortes que o ajudem a estar bem preso e agarrado \u00e0 terra. \u00c9 f\u00e1cil \u201csumir-se no ar\u201d quando n\u00e3o h\u00e1 onde agarrar-se, onde apoiar-se\u00bb. <a href=\"#_ftn98\" name=\"_ftnref98\">[98]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que n\u00e3o te arranquem da terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"180\">\n<li>Esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria, e parece-me bem dedicar-lhe um breve cap\u00edtulo. Compreender isto permite distinguir a alegria da juventude de um falso culto \u00e0 juventude que alguns utilizam para seduzir os jovens e utiliz\u00e1-los para os seus fins.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"181\">\n<li>Pensem nisto: se uma pessoa vos fizer uma proposta pedindo-vos que ignoreis a hist\u00f3ria, que desprezeis todo o passado e que s\u00f3 olheis o futuro que ela vos oferece, n\u00e3o ser\u00e1 uma forma f\u00e1cil de vos apanhar com essa proposta para que fa\u00e7ais o que ela vos disser? Essa pessoa precisa que estejais vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para que s\u00f3 confieis nas suas promessas e vos submetais aos seus planos. Assim funcionam as ideologias de diversas cores, que destroem (ou des-constroem) tudo o que seja diferente e, desse modo, podem impor-se sem oposi\u00e7\u00e3o. Para isto precisam de jovens que desprezem a hist\u00f3ria, que rejeitem a riqueza espiritual e humana que se foi transmitindo ao longo das gera\u00e7\u00f5es, que fa\u00e7am por ignorar tudo aquilo que os precedeu.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"182\">\n<li>Ao mesmo tempo, os manipuladores utilizam outro recurso: uma adora\u00e7\u00e3o da juventude, como se tudo o que n\u00e3o seja jovem se convertesse numa coisa detest\u00e1vel e caduca. O corpo jovem torna-se o s\u00edmbolo deste novo culto, e, ent\u00e3o, tudo o que tiver que ver com esse corpo \u00e9 idolatrado e desejado sem limites, e o que n\u00e3o for jovem \u00e9 olhado com desprezo. Contudo, \u00e9 uma arma que em primeiro lugar acaba por degradar os jovens, os esvazia de valores reais e os utiliza para serem obtidos benef\u00edcios pessoais, econ\u00f3micos ou pol\u00edticos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"183\">\n<li>Queridos jovens, n\u00e3o aceiteis que usem a vossa juventude para fomentar uma vida superficial, que confunde a beleza com a apar\u00eancia. Saibam antes descobrir que h\u00e1 formosura no trabalhador que volta a casa sujo e desalinhado, mas com a alegria de ter ganhado o p\u00e3o dos seus filhos. H\u00e1 uma beleza extraordin\u00e1ria na comunh\u00e3o da fam\u00edlia \u00e0 volta da mesa e do p\u00e3o partilhado com generosidade, mesmo que a mesa seja muito pobre. H\u00e1 formosura na esposa despenteada e envelhecida, que continua a cuidar do seu esposo doente, sem olhar \u00e0s suas for\u00e7as e \u00e0 sua pr\u00f3pria sa\u00fade. Mesmo tendo passado a primavera do noivado, h\u00e1 formosura na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida, nesses velhinhos que caminham de m\u00e3o dada. H\u00e1 formosura, para l\u00e1 da apar\u00eancia ou da est\u00e9tica da moda, em cada homem e em cada mulher que vivem com amor a sua voca\u00e7\u00e3o pessoal, no servi\u00e7o desinteressado em favor da comunidade ou da p\u00e1tria, no trabalho generoso pela felicidade da fam\u00edlia, empenhados no \u00e1rduo trabalho an\u00f3nimo e gratuito de restaurar a amizade social. Descobrir, mostrar e p\u00f4r em destaque esta beleza, que se assemelha \u00e0 de Cristo na cruz, \u00e9 colocar os alicerces da verdadeira solidariedade social e da cultura do encontro.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"184\">\n<li>Juntamente com as estrat\u00e9gias do falso culto da juventude e da apar\u00eancia, hoje promove-se uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade e sem compromisso com os que sofrem, um medo dos pobres, vistos como seres perigosos, e uma s\u00e9rie de ofertas que pretendem fazer-vos crer num futuro paradis\u00edaco que sempre se protelar\u00e1 para mais tarde. N\u00e3o vos quero propor isso e, com todo o meu afeto, quero recomendar-vos que n\u00e3o vos deixeis dominar por esta ideologia que n\u00e3o vos tornar\u00e1 mais jovens, mas que vos converter\u00e1 em escravos. Proponho-vos outro caminho, feito de liberdade, de entusiasmo, de criatividade, de novos horizontes, mas cultivando ao mesmo tempo essas ra\u00edzes que alimentam e sustentam.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"185\">\n<li>Nesta linha, quero destacar que \u00abnumerosos Padres sinodais provenientes de contextos n\u00e3o-ocidentais referem que nos seus pa\u00edses a globaliza\u00e7\u00e3o implica aut\u00eanticas formas de coloniza\u00e7\u00e3o cultural, que desenra\u00edzam os jovens da perten\u00e7a \u00e0s realidades culturais e religiosas das quais prov\u00eam. \u00c9 necess\u00e1rio um compromisso da Igreja para acompanh\u00e1-los nesta passagem sem que percam os tra\u00e7os mais valiosos da sua identidade\u00bb. <a href=\"#_ftn99\" name=\"_ftnref99\">[99]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"186\">\n<li>Hoje vemos uma tend\u00eancia para \u00abhomogeneizar\u00bb os jovens, para dissolver as diferen\u00e7as pr\u00f3prias do seu lugar de origem, para convert\u00ea-los em seres manipul\u00e1veis feitos em s\u00e9rie. Assim se produz uma destrui\u00e7\u00e3o cultural, que \u00e9 t\u00e3o grave como o desaparecimento das esp\u00e9cies animais e vegetais. <a href=\"#_ftn100\" name=\"_ftnref100\">[100]<\/a> Por isso, numa mensagem dirigida a jovens ind\u00edgenas, reunidos no Panam\u00e1, exortei-os a \u00abcuidar das pr\u00f3prias ra\u00edzes, porque das ra\u00edzes vem a for\u00e7a que vos vai fazer crescer, florescer e frutificar\u00bb. <a href=\"#_ftn101\" name=\"_ftnref101\">[101]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A tua rela\u00e7\u00e3o com os idosos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"187\">\n<li>No S\u00ednodo, referiu-se que \u00abos jovens est\u00e3o projetados para o futuro e enfrentam a vida com energia e dinamismo. No entanto, [&#8230;] por vezes, prestam pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria do passado donde prov\u00eam, em particular aos numerosos dons que os seus pais e av\u00f3s lhes transmitiram, \u00e0 bagagem cultural da sociedade em que vivem. Ajudar os jovens a descobrir a riqueza viva do passado, fazendo mem\u00f3ria e servindo-se deste para as pr\u00f3prias decis\u00f5es e possibilidades, \u00e9 um verdadeiro ato de amor para com eles, tendo em vista o seu crescimento e as decis\u00f5es que dever\u00e3o tomar\u00bb. <a href=\"#_ftn102\" name=\"_ftnref102\">[102]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"188\">\n<li>A Palavra de Deus recomenda que n\u00e3o se perca o contacto com os idosos, para se poder aproveitar a sua experi\u00eancia: \u00abFrequenta a assembleia dos anci\u00e3os; se encontrares algum s\u00e1bio, faz-te amigo dele [&#8230;]. Se vires algu\u00e9m sensato, madruga e vai ter com ele, e desgastem os teus p\u00e9s o limiar da sua porta\u00bb (Sir 6,34.36). Seja como for, os longos anos que eles viveram e tudo o que passaram na vida devem levar-nos a olh\u00e1-los com respeito: \u00abLevanta-te perante uma cabe\u00e7a branca\u00bb (Lv 19,32). Porque \u00aba for\u00e7a \u00e9 a gl\u00f3ria dos jovens, e a gl\u00f3ria dos anci\u00e3os s\u00e3o os cabelos brancos\u00bb (Pr 20,29).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"189\">\n<li>A B\u00edblia pede-nos: \u00abEscuta o pai que te gerou e n\u00e3o desprezes a tua m\u00e3e quando for idosa\u00bb (Pr 23,22). O mandato de honrar o pai e a m\u00e3e \u00ab\u00e9 o primeiro mandamento com promessa\u00bb (Ef 6,2; cf. Ex 20,12; Dt 5,16; Lv 19,3), e a promessa \u00e9: \u00abpara que sejas feliz e gozes de longa vida sobre a terra\u00bb (Ef 6,3).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"190\">\n<li>Isto n\u00e3o significa que tenhas de concordar com tudo o que eles dizem, nem que devas aprovar todas as suas a\u00e7\u00f5es. Um jovem deveria ter sempre um esp\u00edrito cr\u00edtico. S\u00e3o Bas\u00edlio Magno, referindo-se aos antigos autores gregos, recomendava aos jovens que os estimassem, mas que aceitassem apenas o bom que eles lhes pudessem ensinar. <a href=\"#_ftn103\" name=\"_ftnref103\">[103]<\/a> Trata-se, simplesmente, de estar abertos para acolher uma sabedoria que se comunica de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, que pode conviver com algumas mis\u00e9rias humanas, e que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para desaparecer frente \u00e0s novidades do consumo e do mercado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"191\">\n<li>Ao mundo nunca aproveitou nem aproveitar\u00e1 a rutura entre gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os cantos de sereia de um futuro sem ra\u00edzes, sem arraigamento. \u00c9 a mentira que te faz pensar que s\u00f3 o novo \u00e9 bom e belo. A exist\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es intergeracionais implica que nas comunidades se possua uma mem\u00f3ria coletiva, pois cada gera\u00e7\u00e3o retoma os ensinamentos dos seus antecessores, deixando assim um legado aos seus sucessores. Isto constitui marcos de refer\u00eancia para cimentar solidamente uma sociedade nova. Como diz o ditado: \u00abSe o jovem soubesse e o velho pudesse, n\u00e3o haveria coisa que n\u00e3o se fizesse.\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sonhos e vis\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"192\">\n<li>Na profecia de Joel encontramos um an\u00fancio que nos permite entender isto de uma forma muito bela. Diz assim: \u00abDerramarei o meu esp\u00edrito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizar\u00e3o, os vossos anci\u00e3os ter\u00e3o sonhos e os vossos jovens ter\u00e3o vis\u00f5es\u00bb (Jl 3,1; cf. At 2,17). Se os jovens e os velhos se abrem ao Esp\u00edrito Santo, ambos produzem uma combina\u00e7\u00e3o maravilhosa. Os anci\u00e3os sonham e os jovens t\u00eam vis\u00f5es. Como se complementam estas duas coisas?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"193\">\n<li>Os anci\u00e3os t\u00eam sonhos constru\u00eddos com recorda\u00e7\u00f5es, com imagens de tantas coisas vividas, com a marca da experi\u00eancia e dos anos. Se os jovens se enra\u00edzam nesses sonhos dos anci\u00e3os, conseguem ver o futuro, podem ter vis\u00f5es que lhes abrem o horizonte e lhes mostram novos caminhos. Se os anci\u00e3os, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o sonham, os jovens j\u00e1 n\u00e3o podem olhar claramente o horizonte.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"194\">\n<li>\u00c9 maravilhoso encontrar entre aquilo que os nossos pais guardaram alguma recorda\u00e7\u00e3o que nos permita imaginar aquilo que sonharam para n\u00f3s os nossos av\u00f3s e as nossas av\u00f3s. Todo o ser humano, ainda antes de nascer, recebeu da parte dos seus av\u00f3s, como presente, a b\u00ean\u00e7\u00e3o de um sonho cheio de amor e de esperan\u00e7a: o sonho de uma vida melhor para ele. E se n\u00e3o o recebeu de nenhum dos seus av\u00f3s, certamente algum bisav\u00f4 o ter\u00e1 sonhado e se alegrou por ele, contemplando no ber\u00e7o os seus filhos e depois os seus netos. O sonho primordial, o sonho criador de Deus, nosso Pai, precede e acompanha a vida de todos os seus filhos. Fazer mem\u00f3ria desta b\u00ean\u00e7\u00e3o, que se estende de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma heran\u00e7a preciosa que devemos saber conservar viva para tamb\u00e9m n\u00f3s a podermos transmitir.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"195\">\n<li>Por isso \u00e9 bom deixar que os anci\u00e3os fa\u00e7am longas narra\u00e7\u00f5es, que por vezes parecem mitol\u00f3gicas, fantasiosas \u2013 s\u00e3o sonhos de velhos \u2013, mas que muitas vezes est\u00e3o cheias de uma rica experi\u00eancia, de s\u00edmbolos eloquentes, de mensagens ocultas. Essas narra\u00e7\u00f5es requerem tempo, que nos disponhamos a escutar gratuitamente e a interpretar com paci\u00eancia, porque n\u00e3o cabem numa mensagem das redes sociais. Temos de aceitar que toda a sabedoria de que precisamos para a vida n\u00e3o se pode encerrar nos limites impostos pelos atuais recursos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"196\">\n<li>No livro <em>La sabidur\u00eda de los a\u00f1os<\/em>, <a href=\"#_ftn104\" name=\"_ftnref104\">[104]<\/a> manifestei alguns desejos em forma de pedidos. \u00abQue pe\u00e7o aos anci\u00e3os, entre os quais me conto eu pr\u00f3prio? Pe\u00e7o que sejamos guardi\u00e3es da mem\u00f3ria. Os av\u00f4s e as av\u00f3s precisamos de formar um coro. Imagino os anci\u00e3os como o coro permanente de um importante santu\u00e1rio espiritual, em que as ora\u00e7\u00f5es de s\u00faplica e os c\u00e2nticos de louvor sustentam a comunidade inteira que trabalha e luta no terreno da vida\u00bb. <a href=\"#_ftn105\" name=\"_ftnref105\">[105]<\/a> \u00c9 bonito que \u00abos jovens e as donzelas, os velhos e as crian\u00e7as, louvem todos o nome do Senhor\u00bb (Sl 148,12-13).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"197\">\n<li>Que lhes podemos dar, n\u00f3s, os anci\u00e3os? \u00abAos jovens de hoje em dia, que vivem a sua pr\u00f3pria mistura de ambi\u00e7\u00f5es heroicas e de inseguran\u00e7as, podemos recordar-lhes que uma vida sem amor \u00e9 uma vida infecunda\u00bb. <a href=\"#_ftn106\" name=\"_ftnref106\">[106]<\/a> Que lhes podemos dizer? \u00abAos jovens temerosos, podemos dizer que a ansiedade frente ao futuro pode ser vencida\u00bb. <a href=\"#_ftn107\" name=\"_ftnref107\">[107]<\/a> Que lhes podemos ensinar? \u00abAos jovens excessivamente preocupados consigo mesmos podemos ensinar-lhes que se experimenta maior alegria em dar do que em receber, e que o amor n\u00e3o se demonstra apenas com palavras, mas tamb\u00e9m com obras\u00bb. <a href=\"#_ftn108\" name=\"_ftnref108\">[108]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arriscar juntos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"198\">\n<li>O amor que se d\u00e1 e que opera, muitas vezes equivoca-se. Aquele que atua, aquele que arrisca, talvez cometa erros. Aqui, neste momento, pode ser interessante apresentar o testemunho de Maria Gabriela Perin, \u00f3rf\u00e3 de pai desde rec\u00e9m-nascida, que reflete como isso influenciou a sua vida, numa rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o durou, mas que a tornou m\u00e3e e agora av\u00f3: \u00abAquilo que eu sei \u00e9 que Deus cria hist\u00f3rias. Na sua genialidade e na sua miseric\u00f3rdia, Ele toma os nossos triunfos e fracassos e tece belas tape\u00e7arias, cheias de ironia. O avesso do pano pode parecer desordenado, com os seus fios ensarilhados \u2013 os acontecimentos da nossa vida \u2013 e talvez seja esse lado que nos deixa obcecados quando temos d\u00favidas. No entanto, o lado bom da tape\u00e7aria mostra uma hist\u00f3ria magn\u00edfica, e esse \u00e9 o lado que Deus v\u00ea.\u00bb <a href=\"#_ftn109\" name=\"_ftnref109\">[109]<\/a> Quando as pessoas idosas olham a vida com aten\u00e7\u00e3o, muitas vezes sabem de modo instintivo aquilo que h\u00e1 por tr\u00e1s dos fios ensarilhados e reconhecem aquilo que Deus faz criativamente, mesmo com os nossos erros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"199\">\n<li>Se caminharmos juntos, jovens e anci\u00e3os, poderemos estar bem enra\u00edzados no presente e, a partir daqui, frequentar o passado e o futuro: frequentar o passado, para aprender com a hist\u00f3ria e para sarar as feridas que por vezes nos condicionam; frequentar o futuro, para alimentar o entusiasmo, fazer germinar sonhos, suscitar profecias, fazer florescer esperan\u00e7as. Desse modo, unidos, poderemos aprender uns com os outros, aquecer os cora\u00e7\u00f5es, inspirar as nossas mentes com a luz do Evangelho e dar nova for\u00e7a \u00e0s nossas m\u00e3os.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"200\">\n<li>As ra\u00edzes n\u00e3o s\u00e3o \u00e2ncoras que nos prendem a outras \u00e9pocas e nos impedem de encarnar no mundo atual para fazer nascer algo novo. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o um ponto de enra\u00edzamento, que nos permite desenvolver-nos e responder aos novos desafios. Ent\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o devemos \u00absentar-nos a chorar os tempos passados; devemos assumir com realismo e amor a nossa cultura e ench\u00ea-la de Evangelho. Somos enviados hoje para anunciar a Boa Not\u00edcia de Jesus aos novos tempos. Devemos amar a nossa hora com as suas possibilidades e riscos, com as suas alegrias e dores, com as suas riquezas e limita\u00e7\u00f5es, com os seus acertos e os seus erros\u00bb. <a href=\"#_ftn110\" name=\"_ftnref110\">[110]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"201\">\n<li>No S\u00ednodo, um dos jovens auditores, proveniente das ilhas Samoa, disse que a Igreja \u00e9 uma canoa, na qual os velhos ajudam a manter a dire\u00e7\u00e3o, interpretando a posi\u00e7\u00e3o das estrelas, e os jovens remam com for\u00e7a, imaginado aquilo que os espera mais al\u00e9m. N\u00e3o nos deixemos levar nem pelos jovens que pensam que os adultos s\u00e3o um passado que j\u00e1 n\u00e3o conta, que j\u00e1 caducou, nem pelos adultos que julgam saber sempre como \u00e9 que os jovens se devem comportar. \u00c9 prefer\u00edvel que todos subamos para a mesma canoa e que entre todos procuremos um mundo melhor, sob o impulso sempre novo do Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo S\u00e9timo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>a pastoral dos jovens<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"202\">\n<li>A pastoral juvenil, tal como est\u00e1vamos habituados a lev\u00e1-la por diante, tem sofrido o embate das mudan\u00e7as sociais e culturais. Os jovens, nas estruturas habituais, muitas vezes n\u00e3o encontram respostas para as suas inquieta\u00e7\u00f5es, necessidades, problem\u00e1ticas e feridas. A prolifera\u00e7\u00e3o e o crescimento de associa\u00e7\u00f5es e movimentos com caracter\u00edsticas predominantemente juvenis podem ser interpretados como uma a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que abre novos caminhos. No entanto, torna-se necess\u00e1rio aprofundar a participa\u00e7\u00e3o destes na pastoral de conjunto da Igreja, bem como numa maior comunh\u00e3o entre eles, numa melhor coordena\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Embora nem sempre seja f\u00e1cil abordar os jovens, tem-se vindo a crescer em dois aspetos: a consci\u00eancia de que \u00e9 toda a comunidade que os evangeliza e a urg\u00eancia de que eles tenham maior protagonismo nas propostas pastorais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma Pastoral sinodal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"203\">\n<li>Quero destacar que os pr\u00f3prios jovens s\u00e3o agentes da pastoral juvenil, acompanhados e guiados, mas livres para encontrar caminhos sempre novos com criatividade e aud\u00e1cia. Por conseguinte, seria exagerado deter-me aqui a propor alguma esp\u00e9cie de manual de pastoral juvenil ou um guia de pastoral pr\u00e1tica. Trata-se, antes, de mobilizar a ast\u00facia, o engenho e o conhecimento que os pr\u00f3prios jovens t\u00eam da sensibilidade, da linguagem e das problem\u00e1ticas dos outros jovens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"204\">\n<li>Eles mostram-nos a necessidade de assumir novos estilos e novas estrat\u00e9gias. Por exemplo, enquanto os adultos se costumam preocupar em ter tudo planificado, com reuni\u00f5es peri\u00f3dicas e hor\u00e1rios fixos, a maioria dos jovens, hoje, dificilmente se sente atra\u00edda por esses esquemas pastorais. A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade e de convocar os jovens para eventos, para acontecimentos que de vez em quando lhes ofere\u00e7am um lugar onde n\u00e3o s\u00f3 recebam forma\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m lhes permitam partilhar a vida, celebrar, cantar, escutar testemunhos reais e experimentar o encontro comunit\u00e1rio com o Deus vivo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"205\">\n<li>Por outro lado, seria muito desej\u00e1vel reunir as boas pr\u00e1ticas: aquelas metodologias, aquelas linguagens, aquelas motiva\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido realmente atrativas, capazes de aproximar os jovens de Cristo e da Igreja. Pouco importa a cor das mesmas, se s\u00e3o \u00abconservadoras ou progressistas\u00bb, se s\u00e3o \u00abde direita ou de esquerda\u00bb. O importante \u00e9 que reunamos tudo o que tiver dado bons resultados e seja eficaz para comunicar a alegria do Evangelho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"206\">\n<li>A pastoral juvenil s\u00f3 pode ser sinodal, quer dizer, s\u00f3 pode conformar um \u00abcaminhar juntos\u00bb que implica uma \u00abvaloriza\u00e7\u00e3o dos carismas que o Esp\u00edrito concede segundo a voca\u00e7\u00e3o e o papel de cada um dos membros [da Igreja], mediante um dinamismo de corresponsabilidade [\u2026]. Animados por este esp\u00edrito, poderemos encaminhar-nos para uma Igreja participativa e correspons\u00e1vel, capaz de valorizar a riqueza da variedade que a comp\u00f5e, que acolha com gratid\u00e3o o contributo dos fi\u00e9is leigos, incluindo os jovens e as mulheres, o contributo da vida consagrada masculina e feminina, dos grupos, associa\u00e7\u00f5es e movimentos. N\u00e3o se deve excluir ningu\u00e9m, nem deixar que ningu\u00e9m se autoexclua\u00bb. <a href=\"#_ftn111\" name=\"_ftnref111\">[111]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"207\">\n<li>Deste modo, aprendendo uns com os outros, poderemos refletir melhor esse poliedro maravilhoso que deve ser a Igreja de Jesus Cristo. Ela pode atrair os jovens precisamente por n\u00e3o ser uma unidade monol\u00edtica, mas uma trama de dons variados que o Esp\u00edrito derrama incessantemente sobre ela, tornando-a sempre nova, apesar das suas mis\u00e9rias.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"208\">\n<li>No S\u00ednodo apareceram muitas propostas concretas orientadas para renovar a pastoral juvenil e para a libertar de esquemas que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o eficazes porque n\u00e3o entram em di\u00e1logo com a cultura atual dos jovens. Compreende-se que eu n\u00e3o as poderia reunir aqui todas, e algumas delas podem ser encontradas no Documento final do S\u00ednodo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grandes linhas de A\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"209\">\n<li>Gostaria apenas de destacar brevemente que a pastoral juvenil implica duas grandes linhas de a\u00e7\u00e3o. Uma \u00e9 a <em>busca<\/em>, a convoca\u00e7\u00e3o, o chamamento, capaz de atrair novos jovens para a experi\u00eancia do Senhor. A outra \u00e9 o <em>crescimento<\/em>, o desenvolvimento de um caminho de amadurecimento daqueles que j\u00e1 fizeram essa experi\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"210\">\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, a <em>busca<\/em>, confio na capacidade dos pr\u00f3prios jovens, que sabem encontrar os caminhos atrativos para a convoca\u00e7\u00e3o. Sabem organizar festivais, provas desportivas e at\u00e9 sabem evangelizar nas redes sociais atrav\u00e9s de mensagens, can\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos e outras interven\u00e7\u00f5es. S\u00f3 \u00e9 preciso estimular os jovens e dar-lhes liberdade para que eles se entusiasmem missionando nos \u00e2mbitos juvenis. O primeiro an\u00fancio pode despertar uma profunda experi\u00eancia de f\u00e9 durante um \u00abretiro de impacto\u00bb, numa conversa de bar, num intervalo na faculdade, ou atrav\u00e9s de qualquer um dos insond\u00e1veis caminhos de Deus. O mais importante, por\u00e9m, \u00e9 que cada jovem se atreva a semear o primeiro an\u00fancio nessa terra f\u00e9rtil que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de outro jovem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"211\">\n<li>Nesta busca deve-se privilegiar o idioma da proximidade, a linguagem do amor desinteressado, relacional e existencial que toca o cora\u00e7\u00e3o e chega \u00e0 vida, despertando esperan\u00e7a e desejos. \u00c9 necess\u00e1rio aproximarmo-nos dos jovens com a gram\u00e1tica do amor, n\u00e3o com o proselitismo. A linguagem que a gente jovem entende \u00e9 a linguagem daqueles que d\u00e3o a vida, de quem est\u00e1 ali por eles e para eles, e de quem, apesar das suas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, tenta viver a sua f\u00e9 com coer\u00eancia. Ao mesmo tempo, ainda temos de procurar com maior sensibilidade como encarnar o <em>kerygma<\/em> na linguagem falada pelos jovens de hoje.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"212\">\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o <em>ao crescimento<\/em>, quero fazer uma importante advert\u00eancia. Em alguns lugares acontece que, depois de ter provocado nos jovens uma intensa experi\u00eancia de Deus, um encontro com Jesus, que tocou os seus cora\u00e7\u00f5es, e depois apenas se lhes oferecem encontros de \u00abforma\u00e7\u00e3o\u00bb onde se abordam apenas quest\u00f5es doutrinais e morais: sobre os males do mundo atual, sobre a Igreja, sobre a Doutrina Social, sobre a castidade, sobre o matrim\u00f3nio, sobre o controlo da natalidade e sobre outros temas. O resultado \u00e9 que muitos jovens se aborrecem, perdem o fogo do encontro com Cristo e a alegria de segui-lo, muitos abandonam o caminho e outros tornam-se tristes e negativos. Acalmemos a obsess\u00e3o por transmitir um excesso de conte\u00fados doutrinais e tentemos, em primeiro lugar, suscitar e enraizar as grandes experi\u00eancias que sustentam a vida crist\u00e3. Como dizia Romano Guardini: \u00abna experi\u00eancia de um grande amor [&#8230;] tudo o que acontece converte-se num epis\u00f3dio dentro do seu \u00e2mbito\u00bb. <a href=\"#_ftn112\" name=\"_ftnref112\">[112]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"213\">\n<li>Qualquer projeto formativo, qualquer caminho de crescimento para os jovens, deve incluir, certamente, uma forma\u00e7\u00e3o doutrinal e moral. \u00c9 igualmente importante que esteja centrado em dois grandes eixos: um \u00e9 o aprofundamento do <em>kerygma<\/em>, a experi\u00eancia fundante do encontro com Deus atrav\u00e9s de Cristo morto e ressuscitado. O outro \u00e9 o crescimento no amor fraterno, na vida comunit\u00e1ria, no servi\u00e7o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"214\">\n<li>Insisti muito sobre isto em Evangelii <em>gaudium<\/em>, e creio que \u00e9 oportuno record\u00e1-lo. Por um lado, seria um grave erro pensar que na pastoral juvenil \u00abo <em>kerygma<\/em> \u00e9 abandonado em prol de uma forma\u00e7\u00e3o supostamente mais \u201cs\u00f3lida\u201d. Nada h\u00e1 mais s\u00f3lido, mais profundo, mais seguro, mais denso e mais s\u00e1bio do que esse an\u00fancio. Toda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, sobretudo, o aprofundamento do <em>kerygma<\/em>, que se vai fazendo carne cada vez mais e melhor\u00bb. <a href=\"#_ftn113\" name=\"_ftnref113\">[113]<\/a> Por conseguinte, a pastoral juvenil deve sempre incluir momentos que ajudem a renovar e a aprofundar a experi\u00eancia pessoal do amor de Deus e de Jesus Cristo vivo. F\u00e1-lo-\u00e1 com diversos recursos: testemunhos, can\u00e7\u00f5es, momentos de adora\u00e7\u00e3o, espa\u00e7os de reflex\u00e3o espiritual com a Sagrada Escritura e at\u00e9 com diversos est\u00edmulos atrav\u00e9s das redes sociais. No entanto, nunca se deve substituir esta experi\u00eancia gozosa do encontro com o Senhor por uma esp\u00e9cie de \u00abdoutrina\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"215\">\n<li>Por outro lado, qualquer plano de pastoral juvenil deve incorporar claramente meios e recursos variados para ajudar os jovens a crescerem na fraternidade, a viverem como irm\u00e3os, a ajudarem-se mutuamente, a criarem comunidade, a servirem os outros, a estarem perto dos pobres. Se o amor fraterno \u00e9 o \u00abmandamento novo\u00bb (Jo 13,34), se \u00e9 \u00aba plenitude da Lei\u00bb (Rm 13,10), se \u00e9 aquilo que melhor manifesta o nosso amor a Deus, ent\u00e3o deve ocupar um lugar relevante em todo o plano de forma\u00e7\u00e3o e de crescimento dos jovens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ambientes adequados<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"216\">\n<li>Em todas as nossas institui\u00e7\u00f5es precisamos de desenvolver e de potenciar muito mais a nossa capacidade de acolhimento cordial, porque muitos dos jovens que chegam o fazem numa profunda situa\u00e7\u00e3o de orfandade. E n\u00e3o me refiro a determinados conflitos familiares, mas a uma experi\u00eancia que abarca por igual crian\u00e7as, jovens e adultos, m\u00e3es, pais e filhos. Para muitos \u00f3rf\u00e3os e \u00f3rf\u00e3s, nossos contempor\u00e2neos \u2013 porventura n\u00f3s pr\u00f3prios? \u2013, comunidades tais como a par\u00f3quia e a escola deveriam oferecer caminhos de amor gratuito e promo\u00e7\u00e3o, de afirma\u00e7\u00e3o e crescimento. Muitos jovens sentem-se hoje filhos do fracasso, porque os sonhos dos seus pais e av\u00f3s foram queimados na fogueira da injusti\u00e7a, da viol\u00eancia social, do \u00absalve-se quem puder\u00bb. Quanto desenraizamento! Se os jovens cresceram num mundo de cinzas, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil que possam alimentar o fogo de grandes ilus\u00f5es e projetos. Se cresceram num deserto vazio de sentido, como poder\u00e3o ter vontade de se sacrificar para semear? A experi\u00eancia de descontinuidade e de desenraizamento e a queda das certezas b\u00e1sicas, fomentada na cultura medi\u00e1tica atual, provocam aquela sensa\u00e7\u00e3o de profunda orfandade \u00e0 qual devemos responder criando espa\u00e7os fraternos e atraentes onde se viva com um sentido.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"217\">\n<li>Criar um \u00ablar\u00bb \u00e9, em suma, \u00abcriar fam\u00edlia; \u00e9 aprender a sentirmo-nos unidos aos outros para l\u00e1 de v\u00ednculos utilit\u00e1rios ou funcionais, de tal modo unidos que sintamos a vida um pouco mais humana. Criar lares, \u00abcasas de comunh\u00e3o\u00bb, \u00e9 permitir que a profecia tome corpo e torne as nossas horas e dias menos in\u00f3spitos, menos indiferentes e an\u00f3nimos. \u00c9 tecer la\u00e7os que se constroem com gestos simples, quotidianos, e que todos n\u00f3s podemos realizar. Um lar, todos o sabemos muito bem, precisa da colabora\u00e7\u00e3o de todos. Ningu\u00e9m pode ser indiferente ou permanecer alheado, visto que cada um \u00e9 uma pedra necess\u00e1ria na sua constru\u00e7\u00e3o. E isso implica pedir ao Senhor que nos ofere\u00e7a a gra\u00e7a de aprender a ter paci\u00eancia uns com os outros, de aprender a perdoar; aprender todos os dias a recome\u00e7ar. E quantas vezes perdoar ou recome\u00e7ar? Setenta vezes sete, todas as vezes que forem necess\u00e1rias. Criar la\u00e7os fortes requer confian\u00e7a que se alimenta todos os dias da paci\u00eancia e do perd\u00e3o. E assim se produz o milagre de experimentar que aqui se nasce de novo, aqui todos nascemos de novo, porque sentimos a car\u00edcia de Deus atuante, permitindo-nos sonhar o mundo mais humano e, portanto, mais divino\u00bb. <a href=\"#_ftn114\" name=\"_ftnref114\">[114]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"218\">\n<li>Neste \u00e2mbito, nas nossas institui\u00e7\u00f5es precisamos de oferecer lugares pr\u00f3prios aos jovens, que eles possam arranjar a seu gosto e onde possam entrar e sair com liberdade, lugares que os acolham e onde se possam aproximar espontaneamente e com confian\u00e7a, indo ao encontro de outros jovens tanto nos momentos de sofrimento ou de t\u00e9dio, como quando desejem celebrar as suas alegrias. Qualquer coisa semelhante a isto t\u00eam conseguido alguns Orat\u00f3rios e outros centros juvenis, que, em muitos casos, constituem o ambiente de amizades e de namoro, de reencontros, onde os jovens podem partilhar a m\u00fasica, a divers\u00e3o, o desporto e tamb\u00e9m a reflex\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o com pequenas ajudas e diversas propostas. Deste modo, abre-se caminho \u00e0quele indispens\u00e1vel an\u00fancio pessoa a pessoa que n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por nenhum recurso ou estrat\u00e9gia pastoral.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"219\">\n<li>\u00abA amizade e as rela\u00e7\u00f5es, muitas vezes tamb\u00e9m em grupos mais ou menos estruturados, oferecem a oportunidade de refor\u00e7ar compet\u00eancias sociais e relacionais num contexto em que n\u00e3o se avalia nem se julga a pessoa. A experi\u00eancia de grupo constitui, por sua vez, um recurso para partilhar a f\u00e9 e para uma interajuda mediante o testemunho. Os jovens s\u00e3o capazes de guiar outros jovens e de viver um verdadeiro apostolado entre os seus amigos\u00bb. <a href=\"#_ftn115\" name=\"_ftnref115\">[115]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"220\">\n<li>Isto n\u00e3o significa que se isolem e que percam todo o contacto com as comunidades paroquiais, movimentos e outras institui\u00e7\u00f5es eclesiais. Contudo, integrar-se-\u00e3o melhor em comunidades abertas, vivas na f\u00e9, desejosas de irradiar Jesus Cristo, alegres, livres, fraternas e comprometidas. Estas comunidades poder\u00e3o ser os canais onde eles sintam que \u00e9 poss\u00edvel cultivar rela\u00e7\u00f5es preciosas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pastoral das institui\u00e7\u00f5es educativas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"221\">\n<li>A escola constitui, sem d\u00favida, uma plataforma de aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens. \u00c9 um lugar privilegiado para a promo\u00e7\u00e3o da pessoa e, por isso, a comunidade crist\u00e3 tem-lhe dedicado uma grande aten\u00e7\u00e3o, quer formando docentes e dirigentes, quer instituindo escolas pr\u00f3prias de qualquer grau e tipo. Neste campo, o Esp\u00edrito tem suscitado in\u00fameros carismas e testemunhos de santidade. Todavia, a escola precisa de uma urgente autocr\u00edtica se tivermos em conta os resultados produzidos pela pastoral de muitas delas, uma pastoral concentrada na instru\u00e7\u00e3o religiosa que muitas vezes \u00e9 incapaz de suscitar experi\u00eancias de f\u00e9 perdur\u00e1veis. Al\u00e9m disso, h\u00e1 alguns col\u00e9gios cat\u00f3licos que parecem estar organizados apenas para a preserva\u00e7\u00e3o. O medo da mudan\u00e7a faz com que n\u00e3o consigam tolerar a incerteza e se retraiam frente aos perigos, reais ou imagin\u00e1rios, que toda a mudan\u00e7a traz consigo. A escola convertida num \u00ab<em>bunker<\/em>\u00bb que protege dos erros \u00abde fora\u00bb \u00e9 a express\u00e3o caricaturada da referida tend\u00eancia. Essa imagem reflete de um modo assustador aquilo que experimentam muit\u00edssimos jovens ao sair de alguns estabelecimentos educativos: uma irremedi\u00e1vel inadequa\u00e7\u00e3o entre aquilo que lhes ensinaram e o mundo em que lhes compete viver. As pr\u00f3prias propostas religiosas e morais que receberam n\u00e3o os prepararam para confront\u00e1-las com um mundo que as ridiculariza, e n\u00e3o aprenderam formas de orar e de viver a f\u00e9 que possam ser facilmente sustentadas frente ao ritmo desta sociedade. Na realidade, uma das maiores alegrias de um educador ocorre quando ele pode ver um estudante constituindo-se como uma pessoa forte, integrada, protagonista e capaz de dar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"222\">\n<li>A escola cat\u00f3lica continua a ser essencial como espa\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens. \u00c9 importante ter em conta alguns crit\u00e9rios inspiradores apontados na <em>Veritatis gaudium<\/em> em vista de uma renova\u00e7\u00e3o e de um relan\u00e7amento das escolas e universidades \u00abem sa\u00edda\u00bb mission\u00e1ria, tais como: a experi\u00eancia do <em>kerygma<\/em>, o di\u00e1logo a todos os n\u00edveis, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, o fomento da cultura do encontro, a necessidade urgente de \u00abcriar redes\u00bb e a op\u00e7\u00e3o pelos \u00faltimos, por aqueles que a sociedade descarta e rejeita. <a href=\"#_ftn116\" name=\"_ftnref116\">[116]<\/a> E tamb\u00e9m a capacidade de integrar os saberes da cabe\u00e7a, do cora\u00e7\u00e3o e das m\u00e3os.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"223\">\n<li>Por outro lado, n\u00e3o podemos separar a forma\u00e7\u00e3o espiritual da forma\u00e7\u00e3o cultural. A Igreja sempre quis desenvolver espa\u00e7os para a melhor cultura dos jovens. N\u00e3o deve renunciar a faz\u00ea-lo, porque os jovens t\u00eam direito a ela. E \u00abhoje em dia, sobretudo, o direito \u00e0 cultura significa proteger a sabedoria, quer dizer, um saber humano que humaniza. Com demasiada frequ\u00eancia estamos condicionados por modelos de vida triviais e ef\u00e9meros que impelem as pessoas a perseguir o \u00eaxito a baixo pre\u00e7o, desacreditando o sacrif\u00edcio, inculcando a ideia de que o estudo n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, se n\u00e3o der imediatamente alguma coisa concreta. N\u00e3o, o estudo serve para suscitar interroga\u00e7\u00f5es, para n\u00e3o nos deixarmos anestesiar pela banalidade, para procurar o sentido da vida. Deve-se reclamar o direito de que n\u00e3o prevale\u00e7am as in\u00fameras sereias que hoje nos distraem dessa busca. Para n\u00e3o se render ao canto das sereias que seduziam os marinheiros e os faziam chocar contra as rochas, Ulisses atou-se \u00e0 \u00e1rvore do navio e tapou os ouvidos dos seus companheiros de viagem. Orfeu, pelo contr\u00e1rio, para contrariar o canto das sereias, fez outra coisa: entoou uma melodia ainda mais bela, que encantou as sereias. \u00c9 esta a vossa grande miss\u00e3o: responder aos estribilhos paralisantes do consumismo cultural com op\u00e7\u00f5es din\u00e2micas e fortes, com a investiga\u00e7\u00e3o, o conhecimento e a partilha\u00bb. <a href=\"#_ftn117\" name=\"_ftnref117\">[117]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diversos \u00e2mbitos para desenvolvimentos pastorais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"224\">\n<li>Muitos jovens s\u00e3o capazes de aprender a saborear o sil\u00eancio e a intimidade com Deus. Tamb\u00e9m t\u00eam aumentado os grupos que se re\u00fanem para adorar o Sant\u00edssimo ou para rezar com a Palavra de Deus. N\u00e3o devemos menosprezar os jovens como se fossem incapazes de se abrir a propostas contemplativas. S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio encontrar os estilos e as modalidades adequadas para ajud\u00e1-los a iniciarem-se nesta experi\u00eancia de valor t\u00e3o elevado. Em rela\u00e7\u00e3o aos \u00e2mbitos de culto e de ora\u00e7\u00e3o, \u00abem diversos contextos, os jovens cat\u00f3licos pedem propostas de ora\u00e7\u00e3o e momentos sacramentais que incluam a sua vida quotidiana numa liturgia fresca, aut\u00eantica e alegre\u00bb. <a href=\"#_ftn118\" name=\"_ftnref118\">[118]<\/a> \u00c9 importante aproveitar os momentos mais fortes do ano lit\u00fargico, em particular a Semana Santa, o Pentecostes e o Natal. Eles tamb\u00e9m apreciam outros encontros festivos, que quebram a rotina e que ajudam a experimentar a alegria da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"225\">\n<li>Uma oportunidade \u00fanica para o crescimento e tamb\u00e9m de abertura ao dom divino da f\u00e9 e da caridade \u00e9 o servi\u00e7o: muitos jovens sentem-se atra\u00eddos pela possibilidade de ajudar outros, especialmente as crian\u00e7as e os pobres. Muitas vezes este servi\u00e7o \u00e9 o primeiro passo para descobrir ou redescobrir a vida crist\u00e3 e eclesial. Muitos jovens cansam-se dos nossos itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o doutrinal, e inclusive espiritual, e por vezes reivindicam a possibilidade de serem mais protagonistas em atividades que fa\u00e7am alguma coisa pelas pessoas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"226\">\n<li>N\u00e3o podemos esquecer as express\u00f5es art\u00edsticas, como o teatro, a pintura, etc. \u00abCompletamente peculiar \u00e9 a import\u00e2ncia da m\u00fasica, que representa um verdadeiro ambiente em que os jovens est\u00e3o constantemente imersos, bem como uma cultura e uma linguagem capazes de suscitar emo\u00e7\u00f5es e de moldar a identidade. A linguagem musical tamb\u00e9m representa um recurso pastoral, que interpela de modo particular a liturgia e a sua renova\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn119\" name=\"_ftnref119\">[119]<\/a> O canto pode ser um grande est\u00edmulo para a caminhada dos jovens. Dizia Santo Agostinho: \u00abCanta, mas caminha; alivia com o canto o teu trabalho, n\u00e3o ames a pregui\u00e7a: canta e caminha [&#8230;]. Tu, se avan\u00e7as, caminhas; mas avan\u00e7a no bem, na f\u00e9 reta, nas boas obras: canta e caminha\u00bb. <a href=\"#_ftn120\" name=\"_ftnref120\">[120]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"227\">\n<li>\u00ab\u00c9 igualmente significativa a relev\u00e2ncia que tem entre os jovens a pr\u00e1tica desportiva, cujas potencialidades em mat\u00e9ria educativa e formativa a Igreja n\u00e3o deve subestimar, mas manter uma s\u00f3lida presen\u00e7a neste campo. O mundo do desporto precisa de ser ajudado a superar as ambiguidades que o golpeiam, como a mitifica\u00e7\u00e3o dos campe\u00f5es, a sujei\u00e7\u00e3o a l\u00f3gicas comerciais e a ideologia do \u00eaxito a qualquer pre\u00e7o.\u00bb <a href=\"#_ftn121\" name=\"_ftnref121\">[121]<\/a> Na base da experi\u00eancia desportiva est\u00e1 \u00aba alegria: a alegria de se mover, a alegria de estar juntos, a alegria pela vida e pelos dons que o Criador nos concede em cada dia\u00bb. <a href=\"#_ftn122\" name=\"_ftnref122\">[122]<\/a> Por outro lado, alguns Padres da Igreja aproveitaram o exemplo das pr\u00e1ticas desportivas para convidar os jovens a crescerem em fortaleza e a dominarem a apatia ou a comodidade. Dirigindo-se aos jovens, S\u00e3o Bas\u00edlio Magno dava o exemplo do esfor\u00e7o que o desporto requer, inculcando-lhes assim a capacidade de se sacrificarem para crescer nas virtudes: \u00abAp\u00f3s milhares e milhares de sofrimentos e de terem aumentado a sua fortaleza atrav\u00e9s de muitos m\u00e9todos, depois de terem suado muito em cansativos exerc\u00edcios de gin\u00e1stica [&#8230;] e de levarem em tudo o resto, para n\u00e3o me alongar nas minhas palavras, uma exist\u00eancia tal que a sua vida antes da competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma prepara\u00e7\u00e3o para esta, [&#8230;] arrostam com todo o tipo de fadigas e perigos para ganhar uma coroa [&#8230;]. E n\u00f3s, que temos \u00e0 nossa frente uns pr\u00e9mios da vida t\u00e3o maravilhosos em n\u00famero e grandeza que \u00e9 imposs\u00edvel defini-los por palavras, dormindo a sono solto e vivendo na aus\u00eancia total de perigos, porventura dignar-nos-emos a tom\u00e1-los na m\u00e3o?\u00bb <a href=\"#_ftn123\" name=\"_ftnref123\">[123]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"228\">\n<li><strong>228<\/strong>. Em muitos adolescentes e jovens desperta especial aten\u00e7\u00e3o o contacto com a cria\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o sens\u00edveis at\u00e9 ao cuidado do ambiente, como acontece com os Escuteiros e com outros grupos que organizam jornadas de contacto com a natureza, acampamentos, caminhadas, expedi\u00e7\u00f5es e campanhas ambientais. No esp\u00edrito de S\u00e3o Francisco de Assis, s\u00e3o experi\u00eancias que podem significar um caminho de inicia\u00e7\u00e3o na escola da fraternidade universal e na ora\u00e7\u00e3o contemplativa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"229\">\n<li>Estas e diversas outras possibilidades que se abrem \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens n\u00e3o nos deveriam fazer esquecer que, para l\u00e1 das mudan\u00e7as da hist\u00f3ria e da sensibilidade dos jovens, h\u00e1 presentes de Deus que s\u00e3o sempre atuais, que cont\u00eam uma for\u00e7a que transcende todas as \u00e9pocas e todas as circunst\u00e2ncias: a Palavra do Senhor, sempre viva e eficaz, a presen\u00e7a de Cristo na Eucaristia que nos alimenta e o Sacramento do Perd\u00e3o, que nos liberta e fortalece. Podemos mencionar ainda a inesgo-t\u00e1vel riqueza espiritual que a Igreja conserva no testemunho dos seus santos e no ensinamento dos grandes mestres espirituais. Mesmo que tenhamos de respeitar diversas etapas e que por vezes precisemos de esperar com paci\u00eancia o momento oportuno, n\u00e3o poderemos deixar de convidar os jovens para estes mananciais de vida nova, n\u00e3o temos o direito de priv\u00e1-los de tanto bem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma pastoral popular juvenil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"230\">\n<li>Al\u00e9m da pastoral habitual realizada pelas par\u00f3quias e pelos movimentos, segundo determinados esquemas, \u00e9 muito importante dar lugar a uma \u00abpastoral popular juvenil\u00bb, que tem outro estilo, outros tempos, outro ritmo, outra metodologia. Consiste numa pastoral mais ampla e flex\u00edvel que estimule, nos diversos lugares onde se movem os jovens reais, aquelas lideran\u00e7as naturais e aqueles carismas que o Esp\u00edrito Santo j\u00e1 semeou entre eles. Trata-se, antes de mais, de n\u00e3o levantar tantos obst\u00e1culos, estabelecendo normas, controlos e marcos obrigat\u00f3rios a esses jovens crentes que s\u00e3o l\u00edderes naturais nos bairros e em diversos ambientes. Basta acompanh\u00e1-los e incentiv\u00e1-los, confiando um pouco mais na genialidade do Esp\u00edrito Santo, que atua como quer.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"231\">\n<li>Falamos de l\u00edderes realmente \u00abpopulares\u00bb, n\u00e3o elitistas nem enclausurados em pequenos grupos de escolhidos. Para que sejam capazes de gerar uma pastoral popular no mundo dos jovens, \u00e9 necess\u00e1rio que \u00abaprendam a auscultar o sentir do povo, a constituir-se seus porta-vozes e a trabalhar pela sua promo\u00e7\u00e3o\u00bb. <a href=\"#_ftn124\" name=\"_ftnref124\">[124]<\/a> Quando falamos de \u00abpovo\u00bb n\u00e3o se deve entender as estruturas da sociedade ou da Igreja, mas o conjunto de pessoas que n\u00e3o caminham como indiv\u00edduos, mas como a trama de uma comunidade de todos e para todos, que n\u00e3o pode deixar que os mais pobres e d\u00e9beis fiquem para tr\u00e1s: \u00abO povo deseja que todos participem dos bens comuns e, por isso, aceita adaptar-se ao ritmo dos \u00faltimos para chegarem todos juntos\u00bb. <a href=\"#_ftn125\" name=\"_ftnref125\">[125]<\/a> Os l\u00edderes populares, ent\u00e3o, s\u00e3o aqueles que t\u00eam a capacidade de incorporar todos, incluindo na marcha juvenil os mais pobres, d\u00e9beis, limitados e feridos. N\u00e3o sentem repugn\u00e2ncia nem medo dos jovens feridos e crucificados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"232\">\n<li>Nesta mesma linha, de modo especial com os jovens que n\u00e3o cresceram em fam\u00edlias ou institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, e est\u00e3o num caminho de lento amadurecimento, devemos incentiv\u00e1-los ao \u00abbem poss\u00edvel\u00bb. <a href=\"#_ftn126\" name=\"_ftnref126\">[126]<\/a> Cristo recomendou-nos que n\u00e3o pretend\u00eassemos que tudo fosse apenas trigo (cf. Mt 13,24-30). \u00c0s vezes, por pretendermos uma pastoral juvenil ass\u00e9tica, pura, marcada por ideias abstratas, afastada do mundo e preservada de toda a mancha, convertemos o Evangelho numa oferta ins\u00edpida, incompreens\u00edvel, distante, separada das culturas juvenis e apta apenas para uma elite juvenil crist\u00e3, que se sente diferente, mas que, na realidade, flutua num isolamento sem vida nem fecundidade. Assim, com o joio que rejeitamos, arrancamos ou sufocamos milhares de rebentos que tentam crescer no meio das limita\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"233\">\n<li>Em vez de \u00absufoc\u00e1-los com um conjunto de regras que transmitem uma imagem estreita e moralista do Cristianismo, somos chamados a investir na sua aud\u00e1cia e a educ\u00e1-los para que assumam as suas responsabilidades, seguros de que at\u00e9 o erro, o fracasso e as crises s\u00e3o experi\u00eancias capazes de fortalecer a sua humanidade\u00bb. <a href=\"#_ftn127\" name=\"_ftnref127\">[127]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"234\">\n<li>No S\u00ednodo, exortou-se \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma pastoral juvenil capaz de criar espa\u00e7os inclusivos, onde haja lugar para todo o tipo de jovens e onde se manifeste realmente que somos uma Igreja de portas abertas. Nem sequer faz falta que algu\u00e9m assuma completamente todos os ensinamentos da Igreja para que possa usufruir de alguns dos nossos espa\u00e7os para jovens. Basta que participe numa atividade aberta a todos os que sintam o desejo e a disposi\u00e7\u00e3o de se deixarem encontrar pela verdade revelada por Deus. Algumas propostas pastorais podem supor um caminho j\u00e1 percorrido na f\u00e9, mas precisamos de uma pastoral popular juvenil que abra portas e ofere\u00e7a espa\u00e7o a todos e a cada um com as suas d\u00favidas, os seus traumas, os seus problemas e a sua busca de identidade, os seus erros, a sua hist\u00f3ria, as suas experi\u00eancias de pecado e todas as suas dificuldades.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"235\">\n<li>Tamb\u00e9m deve haver lugar para \u00abtodos aqueles que t\u00eam outras perspetivas da vida, que professam outros credos ou que se declaram alheios ao horizonte religioso. Todos os jovens, sem exclus\u00e3o, est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o de Deus e, por isso, no cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Reconhecemos com franqueza que nem sempre esta afirma\u00e7\u00e3o que ressoa nos nossos l\u00e1bios encontra uma express\u00e3o real na nossa a\u00e7\u00e3o pastoral: com frequ\u00eancia ficamos encerrados nos nossos ambientes, onde a sua voz n\u00e3o chega, ou dedicamo-nos a atividades menos exigentes e mais gratificantes, sufocando essa s\u00e3 inquieta\u00e7\u00e3o pastoral que nos faz sair das nossas supostas seguran\u00e7as. Contudo, aquilo que o Evangelho nos pede \u00e9 que sejamos audazes, e n\u00f3s queremos s\u00ea-lo, sem presun\u00e7\u00e3o e sem fazer proselitismo, dando testemunho do amor do Senhor e estendendo a m\u00e3o a todos os jovens do mundo\u00bb. <a href=\"#_ftn128\" name=\"_ftnref128\">[128]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"236\">\n<li>A pastoral juvenil, quando deixa de ser elitista e aceita ser \u00abpopular\u00bb, \u00e9 um processo lento, respeitador, paciente, esperan\u00e7ado, incans\u00e1vel e compassivo. No S\u00ednodo foi apresentado o exemplo dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas (cf. Lc 24,13-35), que tamb\u00e9m pode ser um modelo daquilo que acontece na pastoral juvenil.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"237\">\n<li>\u00abJesus caminha com os dois disc\u00edpulos que n\u00e3o compreenderam o sentido do sucedido e que se est\u00e3o a afastar de Jerusal\u00e9m e da comunidade. Para estar na sua companhia, percorre o caminho com eles. Interroga-os e disp\u00f5e-se a uma paciente escuta da sua vers\u00e3o dos factos para ajud\u00e1-los a <em>reconhecer<\/em> aquilo que est\u00e3o a viver. Depois, com afeto e energia, anuncia-lhes a Palavra, guiando-os na <em>interpreta\u00e7\u00e3o<\/em> dos acontecimentos que viveram \u00e0 luz das Escrituras. Aceita o convite a ficar com eles ao entardecer: entra na sua noite. Na escuta, o cora\u00e7\u00e3o deles reconforta-se e a sua mente ilumina-se, ao partir do p\u00e3o abrem-se-lhes os olhos. Eles pr\u00f3prios <em>escolhem<\/em> empreender sem demora o caminho em dire\u00e7\u00e3o oposta, para voltar \u00e0 comunidade e partilhar a experi\u00eancia do encontro com Jesus ressuscitado\u00bb. <a href=\"#_ftn129\" name=\"_ftnref129\">[129]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"238\">\n<li>As diversas manifesta\u00e7\u00f5es de piedade popular, de modo especial as peregrina\u00e7\u00f5es, atraem os jovens que n\u00e3o se costumam inserir facilmente nas estruturas eclesiais e que s\u00e3o uma express\u00e3o concreta da confian\u00e7a em Deus. Estas formas de busca de Deus, presentes de modo particular nos jovens mais pobres, mas tamb\u00e9m nos restantes setores da sociedade, n\u00e3o devem ser desprezadas, mas alentadas e estimuladas. Porque a piedade popular \u00ab\u00e9 uma forma leg\u00edtima de viver a f\u00e9\u00bb <a href=\"#_ftn130\" name=\"_ftnref130\">[130]<\/a> e \u00e9 \u00abexpress\u00e3o da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria espont\u00e2nea do Povo de Deus\u00bb. <a href=\"#_ftn131\" name=\"_ftnref131\">[131]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sempre mission\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"239\">\n<li>Quero recordar que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio percorrer um longo caminho para que os jovens sejam mission\u00e1rios. At\u00e9 os mais d\u00e9beis, limitados e feridos podem s\u00ea-lo \u00e0 sua maneira, porque sempre se deve permitir que o bem se comunique, mesmo convivendo com muitas fragilidades. Um jovem que vai a uma peregrina\u00e7\u00e3o pedir ajuda \u00e0 Virgem e que convida um amigo ou companheiro para que o acompanhe, com esse simples gesto est\u00e1 a praticar uma valiosa a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. A par da pastoral popular juvenil h\u00e1, indissociavelmente, uma miss\u00e3o popular, incontrol\u00e1vel, que rompe todos os esquemas eclesi\u00e1sticos. Acompanhemo-la, incentivemo-la, mas n\u00e3o pretendamos regul\u00e1-la demasiado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"240\">\n<li>Se sabemos escutar aquilo que nos est\u00e1 a dizer o Esp\u00edrito, n\u00e3o podemos ignorar que a pastoral juvenil deve ser sempre uma pastoral mission\u00e1ria. Os jovens enriquecem-se muito quando vencem a timidez e se atrevem a visitar outras casas e, desse modo, entrar em contacto com a vida das pessoas fora da sua fam\u00edlia e do seu grupo, come\u00e7ando a entender a vida de uma maneira mais ampla. Ao mesmo tempo, a sua f\u00e9 e o seu sentido de perten\u00e7a \u00e0 Igreja s\u00e3o fortalecidos. As miss\u00f5es juvenis, que se costumam organizar durante as f\u00e9rias, depois de um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o, podem provocar uma renova\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de f\u00e9 e, inclusive, s\u00e9rias interroga\u00e7\u00f5es vocacionais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"241\">\n<li>Os jovens, por\u00e9m, s\u00e3o capazes de criar novas formas de miss\u00e3o, nos \u00e2mbitos mais diversos. Por exemplo, como eles se movem t\u00e3o bem nas redes sociais, devem ser convocados para que as encham de Deus, de fraternidade e de compromisso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O acompanhamento dos adultos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"242\">\n<li>Os jovens precisam de ser respeitados na sua liberdade, mas tamb\u00e9m precisam de ser acompanhados. A fam\u00edlia deveria ser o primeiro espa\u00e7o de acompanhamento. A pastoral juvenil prop\u00f5e um projeto de vida a partir de Cristo: a constru\u00e7\u00e3o de uma casa, de um lar edificado sobre a rocha (cf. Mt 7,24-25). Esse lar, esse projeto, para a maioria deles, concretizar-se-\u00e1 no matrim\u00f3nio e no amor conjugal. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio que a pastoral juvenil e a pastoral familiar tenham uma continuidade natural, trabalhando de maneira coordenada e integrada para poder acompanhar de forma adequada o processo vocacional.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"243\">\n<li>A comunidade desempenha um papel muito importante no acompanhamento dos jovens, e \u00e9 a comunidade inteira que se deve sentir respons\u00e1vel por acolh\u00ea-los, motiv\u00e1-los, anim\u00e1-los e estimul\u00e1-los. Isso implica que se olhe para os jovens com compreens\u00e3o, apre\u00e7o e afeto, sem os julgar permanentemente nem lhes exigir uma perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua idade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"244\">\n<li>No S\u00ednodo, \u00abmuitos chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a falta de pessoas especializadas dedicadas ao acompanhamento. Crer no valor teol\u00f3gico e pastoral da escuta implica uma reflex\u00e3o destinada a renovar as formas com que habitualmente se exerce o minist\u00e9rio presbiteral e a rever as suas prioridades. Al\u00e9m disso, o S\u00ednodo reconhece a necessidade de preparar consagrados e leigos, homens e mulheres, que sejam qualificados para o acompanhamento dos jovens. O carisma da escuta que o Esp\u00edrito Santo suscita nas comunidades tamb\u00e9m poderia receber uma forma de reconhecimento institucional para o servi\u00e7o eclesial\u00bb. <a href=\"#_ftn132\" name=\"_ftnref132\">[132]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"245\">\n<li>Al\u00e9m disso, deve acompanhar-se de modo especial os jovens que se destacam como l\u00edderes, para que se possam formar e qualificar. Os jovens que se reuniram antes do S\u00ednodo pediram que fossem desenvolvidos \u00abprogramas de lideran\u00e7a juvenil para a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento cont\u00ednuo de jovens l\u00edderes. Algumas mulheres jovens sentem a necessidade de maiores exemplos de lideran\u00e7a feminina dentro da Igreja e desejam contribuir com os seus dons intelectuais e profissionais, servindo a Igreja. Entendemos tamb\u00e9m que os seminaristas, os religiosos e as religiosas deveriam ter maior capacidade para acompanhar os jovens l\u00edderes\u00bb. <a href=\"#_ftn133\" name=\"_ftnref133\">[133]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"246\">\n<li>Os pr\u00f3prios jovens descreveram-nos quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas que esperam encontrar num acompanhante, e expressaram-no com muita clareza: \u00abAs qualidades de tal orientador incluem: que seja um aut\u00eantico crist\u00e3o comprometido com a Igreja e com o mundo; que procure constantemente a santidade; que compreenda, sem julgar; que saiba escutar ativamente as necessidades dos jovens e possa responder-lhes com gentileza; que seja muito bondoso e consciente de si pr\u00f3prio; que re-conhe\u00e7a as suas limita\u00e7\u00f5es e que conhe\u00e7a a alegria e o sofrimento que todo o caminho espiritual implica. Uma caracter\u00edstica especialmente importante num orientador \u00e9 o reconhecimento da sua pr\u00f3pria humanidade. O facto de serem seres que cometem erros: pessoas imperfeitas que se reconhecem como pecadores perdoados. Algumas vezes, os orientadores s\u00e3o colocados sobre um pedestal, por isso, quando caem, provocam um impacto devastador na capacidade dos jovens de se envolverem na Igreja. Os orientadores n\u00e3o deviam levar os jovens a ser seguidores passivos, mas antes a caminharem a seu lado, deixando-os ser os protagonistas do seu pr\u00f3prio caminho. Devem respeitar a liberdade que o jovem tem no seu processo de discernimento e oferecer-lhe ferramentas para que o fa\u00e7a bem. Um orientador deve confiar sinceramente na capacidade que tem cada jovem de participar na vida da Igreja. Por isso, um orientador deve, pura e simplesmente, plantar a semente da f\u00e9 nos jovens, sem querer ver imediatamente os frutos do trabalho do Esp\u00edrito Santo. Tal papel n\u00e3o deveria ser exclusivo dos sacerdotes e da vida consagrada, mas os leigos deveriam poder exerc\u00ea-lo igualmente. Por \u00faltimo, todos estes orientadores deveriam beneficiar de uma boa forma\u00e7\u00e3o permanente\u00bb. <a href=\"#_ftn134\" name=\"_ftnref134\">[134]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"247\">\n<li>As institui\u00e7\u00f5es educativas da Igreja constituem, sem d\u00favida, um \u00e2mbito comunit\u00e1rio de acompanhamento que permite orientar muitos jovens, sobretudo quando \u00abtentam acolher todos os jovens, independentemente das suas op\u00e7\u00f5es religiosas, proveni\u00eancia cultural e situa\u00e7\u00e3o pessoal, familiar ou social. Deste modo, a Igreja d\u00e1 um contributo fundamental para a educa\u00e7\u00e3o integral dos jovens nas mais diversas partes do mundo\u00bb. <a href=\"#_ftn135\" name=\"_ftnref135\">[135]<\/a> Reduziriam indevidamente a sua fun\u00e7\u00e3o se estabelecessem crit\u00e9rios r\u00edgidos para o ingresso de estudantes ou para a sua perman\u00eancia nelas, pois privariam muitos jovens de um acompanhamento que os ajudaria a enriquecer a sua vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Oitavo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A VOCA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"248\">\n<li>\u00c9 verdade que a palavra \u00abvoca\u00e7\u00e3o\u00bb se pode entender num sentido lato, como chamamento de Deus. Inclui o chamamento \u00e0 vida, o chamamento \u00e0 amizade com Ele, o chamamento \u00e0 santidade, etc. Isto \u00e9 valioso, porque situa toda a nossa vida frente ao Deus que nos ama e permite-nos entender que nada \u00e9 fruto de um caos sem sentido, mas que tudo pode ser integrado num caminho de resposta ao Senhor, que tem um plano precioso para n\u00f3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"249\">\n<li>Na Exorta\u00e7\u00e3o <em>Gaudete et exsultate<\/em> quis deter-me na voca\u00e7\u00e3o de todos crescerem para gl\u00f3ria de Deus, e propus-me \u00abfazer ressoar uma vez mais o chamamento \u00e0 santidade, procurando encarn\u00e1-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades\u00bb. <a href=\"#_ftn136\" name=\"_ftnref136\">[136]<\/a> O Conc\u00edlio Vaticano II ajudou-nos a renovar a consci\u00eancia desse chamamento dirigido a cada um: \u00abTodos os fi\u00e9is, crist\u00e3os, de qualquer condi\u00e7\u00e3o e estado, fortalecidos com tantos e t\u00e3o poderosos meios de salva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o chamados pelo Senhor, cada um pelo seu caminho, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o daquela santidade pela qual o pr\u00f3prio Pai \u00e9 perfeito\u00bb. <a href=\"#_ftn137\" name=\"_ftnref137\">[137]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O seu chamamento \u00e0 amizade com Ele<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"250\">\n<li>O fundamental \u00e9 discernir e descobrir que aquilo que Jesus quer de cada jovem \u00e9, antes de mais, a sua amizade. \u00c9 esse o discernimento fundamental. No di\u00e1logo do Senhor ressuscitado com o seu amigo Sim\u00e3o Pedro, a grande pergunta era: \u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-me?\u00bb (Jo 21,16). Quer dizer: Queres-me como amigo? A miss\u00e3o que Pedro recebe de cuidar das suas ovelhas e cordeiros estar\u00e1 sempre ligada a esse amor gratuito, a esse amor de amizade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"251\">\n<li>E se fosse necess\u00e1rio um exemplo oposto, recordemos o encontro-desencontro do Senhor com o jovem rico, que nos diz claramente que aquilo que esse jovem n\u00e3o percebeu foi o olhar amoroso do Senhor (cf. Mc 10,21). Afastou-se contristado, depois de ter seguido um bom impulso, porque n\u00e3o conseguiu afastar os olhos das muitas coisas que possu\u00eda (cf. Mt 19,22). Ele perdeu a oportunidade daquilo que certamente poderia ter sido uma grande amizade. E n\u00f3s ficamos sem saber o que ele poderia ter sido para n\u00f3s, o que poderia ter feito pela humanidade, esse jovem \u00fanico a quem Jesus olhou com amor, estendendo-lhe a m\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"252\">\n<li>Porque \u00aba vida que Jesus nos oferece \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor, uma <em>hist\u00f3ria de vida<\/em> que se quer misturar com a nossa e criar ra\u00edzes na terra de cada um. Essa vida n\u00e3o \u00e9 uma salva\u00e7\u00e3o suspensa \u00abnas nuvens\u00bb, \u00e0 espera de ser descarregada, nem uma nova \u00abaplica\u00e7\u00e3o\u00bb a descobrir ou um exerc\u00edcio mental, fruto de t\u00e9cnicas de autossupera\u00e7\u00e3o. A vida que Deus nos oferece tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um \u00abtutorial\u00bb com o qual se aprende a \u00faltima novidade. A salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece <em>\u00e9 um convite a fazer parte de uma hist\u00f3ria de amor<\/em> que se entretece com as nossas hist\u00f3rias, que vive e quer nascer no meio de n\u00f3s, para que d\u00eamos fruto onde quer que estejamos, como estivermos e com quem estivermos. A\u00ed vem o Senhor para plantar e para se plantar\u00bb. <a href=\"#_ftn138\" name=\"_ftnref138\">[138]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O teu ser para os outros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"253\">\n<li>Gostaria de me debru\u00e7ar agora sobre a voca\u00e7\u00e3o entendida no sentido preciso do chamamento ao servi\u00e7o mission\u00e1rio dos outros. Somos chamados pelo Senhor a participar na sua obra criadora, dando o nosso contributo para o bem comum a partir das capacidades que recebemos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"254\">\n<li>Esta voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria tem a ver com o nosso servi\u00e7o aos outros. Porque a nossa vida na terra alcan\u00e7a a sua plenitude quando se converte em oferenda. Recordo que \u00aba miss\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o do povo n\u00e3o \u00e9 uma parte da minha vida, ou um adorno que eu posso tirar; n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice ou um simples momento da exist\u00eancia. \u00c9 algo que eu n\u00e3o posso arrancar do meu ser se n\u00e3o me quero destruir. Eu sou uma miss\u00e3o nesta terra e para isso estou neste mundo\u00bb. <a href=\"#_ftn139\" name=\"_ftnref139\">[139]<\/a> Por conseguinte, devemos pensar que toda a pastoral \u00e9 vocacional, toda a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 vocacional e toda a espiritualidade \u00e9 vocacional.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"255\">\n<li>A tua voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste apenas nos trabalhos que tiveres de fazer, mesmo que se manifeste atrav\u00e9s deles. \u00c9 mais do que isso, \u00e9 um caminho que orientar\u00e1 muitos esfor\u00e7os e muitas a\u00e7\u00f5es numa dire\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. Por isso, no discernimento de uma voca\u00e7\u00e3o \u00e9 importante ver se uma pessoa reconhece em si mesma as capacidades necess\u00e1rias para esse servi\u00e7o espec\u00edfico.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"256\">\n<li>Isto confere um valor muito grande a essas miss\u00f5es, visto que estas deixam de ser uma soma de a\u00e7\u00f5es que uma pessoa realiza para ganhar dinheiro, para estar ocupado ou para agradar a outros. Tudo isso constitui uma voca\u00e7\u00e3o porque somos chamados, h\u00e1 algo mais do que uma nossa mera escolha pragm\u00e1tica. Trata-se, em suma, de reconhecer para que fui criado, qual o sentido da minha passagem por esta terra, qual o projeto do Senhor para a minha vida. Ele n\u00e3o me indicar\u00e1 todos os lugares, os tempos e os detalhes, que eu escolherei com prud\u00eancia, mas h\u00e1, isso sim, uma orienta\u00e7\u00e3o da minha vida que Ele me deve indicar porque \u00e9 o meu Criador, o meu oleiro, e eu preciso de escutar a sua voz para me deixar moldar e conduzir por Ele. Ent\u00e3o, sim, serei aquilo que devo ser, e tamb\u00e9m serei fiel \u00e0 minha pr\u00f3pria realidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"257\">\n<li>Para cumprir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver-se, fazer brotar e crescer tudo aquilo que se \u00e9. N\u00e3o se trata de inventar-se, de criar-se a si mesmo a partir do nada, mas de descobrir-se a si pr\u00f3prio \u00e0 luz de Deus e de fazer florescer o pr\u00f3prio ser: \u00abNos des\u00edgnios de Deus, cada homem \u00e9 chamado a promover o seu pr\u00f3prio progresso, porque a vida de todo o homem \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o.\u00bb <a href=\"#_ftn140\" name=\"_ftnref140\">[140]<\/a> A tua voca\u00e7\u00e3o orienta-te para extra\u00edres o melhor de ti para gl\u00f3ria de Deus e para bem dos outros. O importante n\u00e3o \u00e9 apenas fazer coisas, mas faz\u00ea-las com um sentido, com uma orienta\u00e7\u00e3o. A este respeito, dizia Santo Alberto Hurtado aos jovens que o rumo tem de ser tomado muito a s\u00e9rio: \u00abNum barco, o piloto que se distrai \u00e9 despedido sem apelo, porque est\u00e1 a arriscar algo demasiado sagrado. E na vida, cuidamos do nosso rumo? Qual \u00e9 o teu rumo? Se for necess\u00e1rio desenvolver ainda mais esta ideia, eu pe\u00e7o a cada um de v\u00f3s que lhe d\u00ea a m\u00e1xima import\u00e2ncia, porque acertar nisto \u00e9, pura e simplesmente, acertar, e falhar nisto \u00e9, pura e simplesmente, falhar\u00bb. <a href=\"#_ftn141\" name=\"_ftnref141\">[141]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"258\">\n<li>Este \u00abser para os outros\u00bb, na vida de cada jovem, normalmente est\u00e1 relacionado com duas quest\u00f5es b\u00e1sicas: a forma\u00e7\u00e3o de uma nova fam\u00edlia e o trabalho. Os diversos question\u00e1rios que se fizeram aos jovens confirmam, uma e outra vez, que estes s\u00e3o os dois grandes temas que os preocupam e seduzem. Ambos devem ser objeto de um especial discernimento. Debrucemo-nos brevemente sobre eles.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Amor e a fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"259\">\n<li>Os jovens sentem fortemente o apelo do amor e sonham encontrar a pessoa adequada com quem formar uma fam\u00edlia e construir uma vida juntos. \u00c9, sem d\u00favida, uma voca\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Deus prop\u00f5e atrav\u00e9s dos sentimentos, dos desejos, dos sonhos. Na Exorta\u00e7\u00e3o <em>Amoris laetitia<\/em> detive-me longamente sobre este tema, e convido todos os jovens a lerem sobretudo os cap\u00edtulos 4 e 5.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"260\">\n<li>Gosto de pensar que \u00abdois crist\u00e3os que se casam reconheceram na sua hist\u00f3ria de amor o chamamento do Senhor, a voca\u00e7\u00e3o para formar de dois, homem e mulher, uma s\u00f3 carne, uma s\u00f3 vida. E o Sacramento do Matrim\u00f3nio envolve este amor com a gra\u00e7a de Deus, enra\u00edza-o no pr\u00f3prio Deus. Com este dom, com a certeza deste chamamento, \u00e9 poss\u00edvel partir seguros, n\u00e3o se ter medo de nada, pode-se enfrentar tudo, juntos!\u00bb <a href=\"#_ftn142\" name=\"_ftnref142\">[142]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"261\">\n<li>Neste contexto, recordo que Deus nos criou sexuados. Ele pr\u00f3prio \u00abcriou a sexualidade, que \u00e9 um presente maravilhoso para as suas criaturas\u00bb. <a href=\"#_ftn143\" name=\"_ftnref143\">[143]<\/a> Dentro da voca\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio devemos reconhecer e agradecer o facto de \u00aba sexualidade, o sexo, serem um dom de Deus. Nada de tabus. S\u00e3o um dom de Deus, um dom que o Senhor nos d\u00e1. T\u00eam dois prop\u00f3sitos, amar-se e gerar vida. \u00c9 uma paix\u00e3o, \u00e9 o amor apaixonado. O verdadeiro amor \u00e9 apaixonado. O amor entre um homem e uma mulher, quando \u00e9 apaixonado, leva-te a dar a vida para sempre. Sempre! E a d\u00e1-la com corpo e alma\u00bb. <a href=\"#_ftn144\" name=\"_ftnref144\">[144]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"262\">\n<li>O S\u00ednodo ressaltou que \u00aba fam\u00edlia continua a ser o principal ponto de refer\u00eancia para os jovens. Os filhos apreciam o amor e o cuidado dos pais, d\u00e3o import\u00e2ncia aos v\u00ednculos familiares e esperam conseguir, por sua vez, formar uma fam\u00edlia. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o aumento das separa\u00e7\u00f5es, dos div\u00f3rcios, das segundas uni\u00f5es e das fam\u00edlias monoparentais pode causar grandes sofrimentos e crises de identidade aos jovens. Por vezes, devem assumir responsabilidades desproporcionadas para a sua idade, que os obrigam a ser adultos antes de tempo. \u00c9 frequente os av\u00f3s serem uma ajuda decisiva no afeto e na educa\u00e7\u00e3o religiosa: com a sua sabedoria, constituem um elo decisivo na rela\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es\u00bb. <a href=\"#_ftn145\" name=\"_ftnref145\">[145]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"263\">\n<li>\u00c9 verdade que estas dificuldades que muitos jovens sofrem na sua fam\u00edlia de origem os levam a interrogar-se sobre se vale a pena formar uma nova fam\u00edlia, ser fi\u00e9is, ser generosos. Quero dizer-lhes que sim, que vale a pena apostar na fam\u00edlia e que nela encontrar\u00e3o os melhores est\u00edmulos para amadurecer e as mais belas alegrias para partilhar. N\u00e3o deixeis que vos roubem o amor a s\u00e9rio. N\u00e3o vos deixeis enganar por aqueles que vos prop\u00f5em uma vida de desenfreamento individualista, que, por fim, conduz ao isolamento e \u00e0 pior solid\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"264\">\n<li>Hoje, reina uma cultura do provis\u00f3rio, que \u00e9 uma ilus\u00e3o. Crer que nada pode ser definitivo \u00e9 um engano e uma mentira. Muitas vezes \u00abh\u00e1 quem diga que hoje em dia o matrim\u00f3nio \u201cpassou de moda\u201d [&#8230;]. Na cultura do provis\u00f3rio, do relativo, muitos pregam que o importante \u00e9 \u201cdesfrutar\u201d o momento, que n\u00e3o vale a pena comprometer-se para toda a vida, fazer op\u00e7\u00f5es definitivas [&#8230;]. Eu, pelo contr\u00e1rio, pe\u00e7o-vos que sejais revolucion\u00e1rios, pe\u00e7o-vos que caminheis contra a corrente; sim, neste sentido, pe\u00e7o-vos que vos rebeleis contra esta cultura do provis\u00f3rio que, no fundo, julga que v\u00f3s n\u00e3o sois capazes de assumir responsabilidades, julga que n\u00e3o sois capazes de amar verdadeiramente\u00bb. <a href=\"#_ftn146\" name=\"_ftnref146\">[146]<\/a> Eu, sim, tenho confian\u00e7a em v\u00f3s, por isso vos animo a optar pelo matrim\u00f3nio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"265\">\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio preparar-se para o matrim\u00f3nio, e isso requer educar-se a si mesmo, desenvolver as melhores virtudes, sobretudo o amor, a paci\u00eancia, a capacidade de di\u00e1logo e de servi\u00e7o. Tamb\u00e9m implica educar a pr\u00f3pria sexualidade, para que seja cada vez menos um instrumento para usar os outros e cada vez mais uma capacidade de se entregar plenamente a uma pessoa, de modo exclusivo e generoso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"266\">\n<li>Os Bispos da Col\u00f4mbia ensinaram-nos que \u00abCristo sabe que os esposos n\u00e3o s\u00e3o perfeitos e precisam de superar a sua fragilidade e inconst\u00e2ncia para que o seu amor possa crescer e durar. Por isso, concede aos c\u00f4njuges a sua gra\u00e7a que \u00e9, ao mesmo tempo, luz e for\u00e7a que lhes permite irem realizando o seu projeto de vida matrimonial de acordo com o plano de Deus\u00bb. <a href=\"#_ftn147\" name=\"_ftnref147\">[147]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"267\">\n<li>Para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o chamados ao matrim\u00f3nio ou \u00e0 vida consagrada, devemos recordar sempre que a primeira e mais importante voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o batismal. Os solteiros, mesmo que o n\u00e3o sejam intencionalmente, podem converter-se em testemunho particular<\/li>\n<\/ol>\n<p>de tal voca\u00e7\u00e3o no seu pr\u00f3prio caminho de crescimento pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O trabalho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"268\">\n<li>Os Bispos dos Estados Unidos indicaram claramente que a juventude, depois de chegada a maioridade, \u00abmarca, ami\u00fade, a entrada de uma pessoa no mundo do trabalho. \u201cComo ganhas a vida?\u201d \u00e9 um tema de conversa constante, porque o trabalho \u00e9 uma parte muito importante das suas vidas. Para os jovens adultos, esta experi\u00eancia \u00e9 muito fluida porque mudam de um trabalho para outro e, inclusive, podem at\u00e9 mudar de carreira. O trabalho pode definir o uso do tempo e pode determinar aquilo que podem fazer ou comprar. Tamb\u00e9m pode determinar a qualidade e a quantidade do tempo livre. O trabalho define e influencia a identidade e o autocontrolo de um adulto jovem e \u00e9 um lugar fundamental onde se desenvolvem amizades e outras rela\u00e7\u00f5es porque geralmente n\u00e3o se trabalha sozinho. Homens e mulheres jovens falam do trabalho como cumprimento de uma fun\u00e7\u00e3o e como algo que proporciona um sentido. Permite aos adultos jovens satisfazerem as suas necessidades pr\u00e1ticas, mas, ainda mais importante, procurarem o significado e o cumprimento dos seus sonhos e vis\u00f5es. Embora o trabalho possa n\u00e3o os ajudar a alcan\u00e7ar os seus sonhos, \u00e9 importante para os adultos jovens cultivarem uma vis\u00e3o, aprenderem a trabalhar de uma maneira realmente pessoal e satisfat\u00f3ria para a sua vida, e continuar a discernir o chamamento de Deus\u00bb. <a href=\"#_ftn148\" name=\"_ftnref148\">[148]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"269\">\n<li>Pe\u00e7o aos jovens que n\u00e3o vivam sem trabalhar, apenas dependendo da ajuda de outros. Isso n\u00e3o faz bem, porque \u00abo trabalho \u00e9 uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, caminho de amadurecimento, de desenvolvimento humano e de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Neste sentido, ajudar com dinheiro os pobres deve ser sempre uma solu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria para resolver urg\u00eancias\u00bb. <a href=\"#_ftn149\" name=\"_ftnref149\">[149]<\/a> Da\u00ed que \u00aba espiritualidade crist\u00e3, juntamente com a admira\u00e7\u00e3o contemplativa das criaturas que encontramos em S\u00e3o Francisco de Assis, tamb\u00e9m desenvolveu uma rica e s\u00e3 compreens\u00e3o do trabalho, como podemos encontrar, por exemplo, na vida do Beato Charles de Foucauld e dos seus disc\u00edpulos\u00bb. <a href=\"#_ftn150\" name=\"_ftnref150\">[150]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"270\">\n<li>O S\u00ednodo sublinhou que o mundo do trabalho \u00e9 um \u00e2mbito onde os jovens \u00abexperimentam formas de exclus\u00e3o e de marginaliza\u00e7\u00e3o. A primeira e a mais grave \u00e9 o desemprego juvenil que, em alguns pa\u00edses, atinge n\u00edveis exorbitantes. Al\u00e9m de empobrec\u00ea-los, a falta de trabalho cerceia, nos jovens, a capacidade de sonhar e de esperar e priva-os da possibilidade de contribu\u00edrem para o desenvolvimento da sociedade. Em muitos pa\u00edses, esta situa\u00e7\u00e3o deve-se ao facto de algumas franjas da popula\u00e7\u00e3o juvenil se encontrarem desprovidas das capacidades profissionais adequadas, tamb\u00e9m devido \u00e0s defici\u00eancias do sistema educativo e formativo. Com frequ\u00eancia, a precariedade ocupacional que aflige os jovens corresponde \u00e0 explora\u00e7\u00e3o laboral por interesses econ\u00f3micos\u00bb. <a href=\"#_ftn151\" name=\"_ftnref151\">[151]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"271\">\n<li>Trata-se de uma quest\u00e3o muito delicada, que a pol\u00edtica deve considerar como tema de primeira ordem, de modo particular hoje, que a velocidade dos desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos, juntamente com a obsess\u00e3o por reduzir os custos laborais, pode levar rapidamente a substituir in\u00fameros postos de trabalho por m\u00e1quinas. E trata-se de um assunto fundamental da sociedade porque o trabalho, para um jovem, n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma fun\u00e7\u00e3o destinada a obter receitas. \u00c9 express\u00e3o da dignidade humana, \u00e9 caminho de amadurecimento e de inser\u00e7\u00e3o social, \u00e9 um est\u00edmulo constante para crescer em responsabilidade e em criatividade, \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o frente \u00e0 tend\u00eancia para o individualismo e para a comodidade e tamb\u00e9m \u00e9 dar gl\u00f3ria a Deus com o desenvolvimento das pr\u00f3prias capacidades.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"272\">\n<li>Nem sempre um jovem tem a possibilidade de decidir a que vai dedicar os seus esfor\u00e7os, em que fun\u00e7\u00f5es vai gastar as suas energias e a sua capacidade de inovar. Porque, para l\u00e1 dos seus pr\u00f3prios desejos, e ultrapassando at\u00e9 as pr\u00f3prias capacidades e o discernimento que realize, est\u00e3o os duros limites da realidade. \u00c9 verdade que tu n\u00e3o podes viver sem trabalhar e que, por vezes, tens de aceitar aquilo que encontres, mas nunca renuncies aos teus sonhos, nunca enterres definitivamente uma voca\u00e7\u00e3o, nunca te d\u00eas por vencido. Continua sempre a procurar, pelo menos, modos parciais ou mesmo imperfeitos de viver aquilo que, segundo o teu discernimento, reconheces como uma verdadeira voca\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"273\">\n<li>Quando algu\u00e9m descobre que Deus o chama a alguma coisa, que foi feito para isso \u2013 quer para a enfermagem, quer para a carpintaria, a comunica\u00e7\u00e3o, a engenharia, a doc\u00eancia, a arte ou para qualquer outro trabalho \u2013 ser\u00e1 capaz de fazer brotar as suas melhores capacidades de sacrif\u00edcio, de generosidade e de entrega. Saber que n\u00e3o faz as coisas automaticamente, mas com sentido, como resposta a um chamamento que ressoa no mais profundo do seu ser, para dar alguma coisa aos outros, faz com que essas tarefas deem ao seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia especial de plenitude. Assim o dizia o antigo livro b\u00edblico do Eclesiastes: \u00abreconheci que n\u00e3o h\u00e1 felicidade maior para o homem do que alegrar-se com o seu trabalho\u00bb (Ecl 3,22).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voca\u00e7\u00f5es para uma consagra\u00e7\u00e3o especial<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"274\">\n<li>Se partimos da convic\u00e7\u00e3o de que o Esp\u00edrito continua a suscitar voca\u00e7\u00f5es para o sacerd\u00f3cio e para a vida religiosa, podemos \u00abvoltar a lan\u00e7ar as redes\u00bb em nome do Senhor, com toda a confian\u00e7a. Podemos atrever-nos, e devemos faz\u00ea-lo, a dizer a cada jovem que se interrogue sobre a possibilidade de seguir este caminho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"275\">\n<li>Algumas vezes fiz esta proposta a jovens que me responderam quase tro\u00e7ando, dizendo: \u00abN\u00e3o, a verdade \u00e9 que eu n\u00e3o vou por esse caminho.\u00bb No entanto, anos mais tarde, alguns deles estavam no Semin\u00e1rio. O Senhor n\u00e3o pode faltar \u00e0 sua promessa de que n\u00e3o deixar\u00e1 a Igreja privada dos pastores sem os quais n\u00e3o poderia viver nem realizar a sua miss\u00e3o. E se alguns sacerdotes n\u00e3o d\u00e3o um bom testemunho, n\u00e3o \u00e9 por isso que o Senhor deixar\u00e1 de chamar. Pelo contr\u00e1rio, Ele duplica a aposta, porque n\u00e3o deixa de cuidar da sua amada Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"276\">\n<li>No discernimento de uma voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve descartar a possibilidade da consagra\u00e7\u00e3o a Deus no sacerd\u00f3cio, na vida religiosa ou noutras formas de consagra\u00e7\u00e3o. Porqu\u00ea exclu\u00ed-lo? Podes ter a certeza que, se reconheces um chamamento de Deus e o segues, ser\u00e1 isso que te tornar\u00e1 completo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"277\">\n<li>Jesus caminha no meio de n\u00f3s como fazia na Galileia. Ele passa pelas nossas ruas, det\u00e9m-se e olha-nos nos olhos, sem pressa. O seu chamamento \u00e9 atraente, \u00e9 fascinante. Todavia, hoje, a ansiedade e a velocidade de tantos est\u00edmulos que nos bombardeiam faz com que n\u00e3o reste lugar para esse sil\u00eancio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se escuta o seu chamamento. Entretanto, chegar-te-\u00e3o muitas propostas maquilhadas, que parecem belas e intensas, mas que, com o tempo, s\u00f3 te deixar\u00e3o vazio, cansado e sozinho. N\u00e3o deixes que isso te aconte\u00e7a, porque o turbilh\u00e3o deste mundo te for\u00e7a a uma corrida sem sentido, sem orienta\u00e7\u00e3o, sem objetivos claros, e assim se malograr\u00e3o muitos dos teus esfor\u00e7os. Procura, antes, esses espa\u00e7os de calma e de sil\u00eancio que te permitam refletir, orar, olhar melhor o mundo que te rodeia, e ent\u00e3o sim, com Jesus, poder\u00e1s reconhecer qual \u00e9 a tua voca\u00e7\u00e3o nesta terra.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Nono<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o discernimento<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"278\">\n<li>Sobre o discernimento em geral, j\u00e1 me detive na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em>. Permiti-me que retome algumas dessas reflex\u00f5es, aplicando-as ao discernimento da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o no mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"279\">\n<li>Recordo que todos, mas \u00abespecialmente os jovens, est\u00e3o expostos a um <em>zapping <\/em>constante. \u00c9 poss\u00edvel navegar em dois ou tr\u00eas ecr\u00e3s simultaneamente e interagir ao mesmo tempo em diversos cen\u00e1rios virtuais. Sem a sabedoria do discernimento podemos converter-nos facilmente em marionetas \u00e0 merc\u00ea das tend\u00eancias do momento\u00bb. <a href=\"#_ftn152\" name=\"_ftnref152\">[152]<\/a> E \u00abisto revela-se especialmente importante quando aparece uma novidade na pr\u00f3pria vida, e ent\u00e3o \u00e9 preciso discernir se \u00e9 o vinho novo que vem de Deus ou se \u00e9 uma novidade enganadora do esp\u00edrito do mundo ou do esp\u00edrito do diabo\u00bb. <a href=\"#_ftn153\" name=\"_ftnref153\">[153]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"280\">\n<li>Esse discernimento, \u00abembora inclua a raz\u00e3o e a prud\u00eancia, supera-as, porque se trata de entrever o mist\u00e9rio do projeto \u00fanico e irrepet\u00edvel que Deus tem para cada um [&#8230;]. Est\u00e1 em jogo o sentido da minha vida diante do Pai que me conhece e me ama, o verdadeiro sentido da minha exist\u00eancia, que ningu\u00e9m conhece melhor do que Ele\u00bb. <a href=\"#_ftn154\" name=\"_ftnref154\">[154]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"281\">\n<li>\u00c9 neste \u00e2mbito que se situa a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, que permite que o discernimento cres\u00e7a em profundidade e em fidelidade a Deus: \u00abFormar a consci\u00eancia \u00e9 caminho de uma vida inteira, no qual se aprende a nutrir os sentimentos pr\u00f3prios de Jesus Cristo, assumindo os crit\u00e9rios das suas decis\u00f5es e as inten\u00e7\u00f5es da sua maneira de agir (cf. Fl 2,5)\u00bb. <a href=\"#_ftn155\" name=\"_ftnref155\">[155]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"282\">\n<li>Esta forma\u00e7\u00e3o implica deixar-se transformar por Cristo e, ao mesmo tempo, \u00abuma pr\u00e1tica habitual do bem, valorizada no exame de consci\u00eancia: um exerc\u00edcio em que n\u00e3o se trata apenas de identificar os pecados, mas tamb\u00e9m de reconhecer a obra de Deus na pr\u00f3pria experi\u00eancia quotidiana, nos acontecimentos da hist\u00f3ria e das culturas das quais fazemos parte, no testemunho de tantos homens e mulheres que nos precederam ou que nos acompanham com a sua sabedoria. Tudo isso ajuda a crescer na virtude da prud\u00eancia, articulando a orienta\u00e7\u00e3o global da exist\u00eancia com escolhas concretas, com a consci\u00eancia serena dos pr\u00f3prios dons e limita\u00e7\u00f5es\u00bb. <a href=\"#_ftn156\" name=\"_ftnref156\">[156]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como discernir a tua voca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"283\">\n<li>Uma express\u00e3o do discernimento \u00e9 o empenho em reconhecer a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. \u00c9 um trabalho que requer espa\u00e7os de solid\u00e3o e sil\u00eancio, porque se trata de uma decis\u00e3o muito pessoal que outros n\u00e3o podem tomar em lugar do pr\u00f3prio. Embora o Senhor nos fale de modos muito variados no meio do nosso trabalho, atrav\u00e9s dos outros e a cada momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prescindir do sil\u00eancio da ora\u00e7\u00e3o prolongada para perceber melhor essa linguagem, para interpretar o significado real das inspira\u00e7\u00f5es que julgamos ter recebido, para acalmar as ansiedades e recompor o conjunto da pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e0 luz de Deus\u00bb. <a href=\"#_ftn157\" name=\"_ftnref157\">[157]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"284\">\n<li>Este sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 uma forma de isolamento, porque \u00abdevemos recordar que o discernimento orante requer que se parta de uma disposi\u00e7\u00e3o para escutar: o Senhor, os outros, a pr\u00f3pria realidade que sempre nos desafia de maneiras novas. S\u00f3 quem est\u00e1 disposto a escutar tem liberdade para renunciar ao seu pr\u00f3prio ponto de vista parcial ou insuficiente [\u2026]. Assim, est\u00e1 realmente dispon\u00edvel para acolher um chamamento que rompe as suas seguran\u00e7as, mas que o conduz a uma vida melhor, porque n\u00e3o basta que tudo corra bem, que tudo esteja tranquilo. Deus pode estar a oferecer alguma coisa mais, e, na nossa c\u00f3moda distra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o reconhecermos\u00bb. <a href=\"#_ftn158\" name=\"_ftnref158\">[158]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"285\">\n<li>Quando se trata de discernir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a si pr\u00f3prio v\u00e1rias perguntas. N\u00e3o dever\u00edamos come\u00e7ar por nos interrogarmos sobre onde poder\u00edamos ganhar mais dinheiro, ou onde poder\u00edamos alcan\u00e7ar maior fama e prest\u00edgio social, mas tamb\u00e9m n\u00e3o conv\u00e9m come\u00e7armos por nos interrogarmos sobre que fun\u00e7\u00f5es nos dariam mais prazer pessoal. Para n\u00e3o nos equivocarmos, devemos come\u00e7ar a partir de outro lugar, perguntando-nos: eu conhe\u00e7o-me a mim mesmo, para l\u00e1 das apar\u00eancias ou das minhas sensa\u00e7\u00f5es? Conhe\u00e7o aquilo que alegra ou entristece o meu cora\u00e7\u00e3o? Quais s\u00e3o as minhas fortalezas e as minhas fragilidades? Seguem-se imediatamente outras perguntas: como posso servir melhor e ser mais \u00fatil ao mundo e \u00e0 Igreja? Qual \u00e9 o meu lugar nesta terra? Que poderia eu oferecer \u00e0 sociedade? Depois seguem-se outras, mais realistas: tenho as capacidades necess\u00e1rias para prestar esse servi\u00e7o ou poderia adquiri-las e desenvolv\u00ea-las?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"286\">\n<li>Estas perguntas devem situar-se n\u00e3o tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria pessoa e \u00e0s suas inclina\u00e7\u00f5es, mas aos outros, frente a eles, de tal modo que o discernimento analise a sua vida na sua rela\u00e7\u00e3o com os outros. Por isso, quero recordar qual \u00e9 a grande pergunta: \u00abMuitas vezes, na vida, perdemos tempo interrogando-nos: \u201cMas afinal, quem sou eu?\u201d E tu podes interrogar-te sobre quem \u00e9s e passar uma vida inteira a procurar a tua pr\u00f3pria identidade. Interroga-te, antes: \u201cPara quem sou eu?\u201d\u00bb <a href=\"#_ftn159\" name=\"_ftnref159\">[159]<\/a> \u00c9s para Deus, sem d\u00favida. Mas Ele quis que tamb\u00e9m sejas para os outros, e p\u00f4s em ti muitas qualidades, inclina\u00e7\u00f5es, dons e carismas que n\u00e3o s\u00e3o para ti, mas para os outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O chamamento do Amigo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"287\">\n<li>Para discernir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, deve-se reconhecer que essa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o chamamento de um amigo: Jesus. Quando se oferece alguma coisa aos amigos, oferece-se-lhes o melhor. E esse melhor n\u00e3o \u00e9 necessariamente o mais caro ou o mais dif\u00edcil de conseguir, mas aquilo que uma pessoa sabe que alegrar\u00e1 o outro. Um amigo percebe isto de forma t\u00e3o clara que pode visualizar na sua imagina\u00e7\u00e3o o sorriso do seu amigo quando abrir o seu presente. Este discernimento de amizade \u00e9 o que eu proponho aos jovens como modelo, se procuram descobrir qual \u00e9 a vontade de Deus para as suas vidas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"288\">\n<li>Quero que saibais que quando o Senhor pensa em cada um, naquilo que desejaria oferecer-lhe, pensa nele como seu amigo pessoal. E se planeou oferecer-te uma gra\u00e7a, um carisma que te far\u00e1 viver a tua vida em plenitude e transformar-te numa pessoa \u00fatil para os outros, em algu\u00e9m que deixe uma marca na hist\u00f3ria, ser\u00e1 certamente alguma coisa que te alegrar\u00e1 no mais \u00edntimo e que te entusiasmar\u00e1 mais do que qualquer outra coisa neste mundo. N\u00e3o porque aquilo que te vai dar seja um carisma extraordin\u00e1rio ou raro, mas porque ser\u00e1 precisamente \u00e0 tua medida, \u00e0 medida de toda a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"289\">\n<li>O presente da voca\u00e7\u00e3o ser\u00e1, sem d\u00favida, um presente exigente. Os presentes de Deus s\u00e3o interativos e, para goz\u00e1-los, \u00e9 preciso p\u00f4r muita coisa em jogo, \u00e9 preciso arriscar. Contudo, n\u00e3o ser\u00e1 a exig\u00eancia de um dever imposto por outro, a partir de fora, mas algo que te estimular\u00e1 a crescer e a optar, para que esse presente amadure\u00e7a e se converta em dom para os outros. Quando o Senhor suscita uma voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pensa apenas naquilo que tu \u00e9s, mas em tudo aquilo que juntamente com Ele e com os outros poder\u00e1s chegar a ser.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"290\">\n<li>O poder da vida e a for\u00e7a da pr\u00f3pria personalidade alimentam-se mutuamente no interior de cada jovem, impelindo-o a ultrapassar todos os limites. A inexperi\u00eancia permite que isso flua, mesmo que muito rapidamente se transforme em experi\u00eancia, muitas vezes dolorosa. \u00c9 importante p\u00f4r em contacto este desejo de \u00abinfinito do come\u00e7o ainda n\u00e3o posto \u00e0 prova\u00bb <a href=\"#_ftn160\" name=\"_ftnref160\">[160]<\/a> com a amizade incondicional que Jesus nos oferece. Antes de toda a lei e de todo o dever, aquilo que Jesus nos prop\u00f5e que escolhamos \u00e9 um seguimento como o dos amigos que se seguem, se procuram e se encontram por pura amizade. Tudo o resto vem depois, e at\u00e9 os fracassos da vida poder\u00e3o ser uma experi\u00eancia inestim\u00e1vel dessa amizade que nunca se rompe.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escuta e acompanhamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"291\">\n<li>H\u00e1 sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos, profissionais e at\u00e9 jovens capacitados, que podem acompanhar os jovens no seu discernimento vocacional. Quando nos toca ajudar outro a discernir o caminho da sua vida, a primeira coisa \u00e9 escutar. E essa escuta sup\u00f5e tr\u00eas sensibilidades ou aten\u00e7\u00f5es diferentes e complementares.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"292\">\n<li>A <em>primeira sensibilidade<\/em> ou aten\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>\u00e0 pessoa<\/em>. Trata-se de escutar o outro que se nos est\u00e1 a dar a si pr\u00f3prio atrav\u00e9s das suas palavras. O sinal dessa escuta \u00e9 o tempo que dedico ao outro. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de quantidade, mas de que o outro sinta que o meu tempo \u00e9 dele: aquilo de que necessita para me manifestar aquilo que quiser. Ele deve sentir que o escuto incondicionalmente, sem me ofender, sem me escandalizar, sem me aborrecer, sem me cansar. Essa escuta \u00e9 a que o Senhor exerce quando se p\u00f5e a caminhar ao lado dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas e os acompanha durante muito tempo, por um caminho que seguia na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 dire\u00e7\u00e3o correta (cf. Lc 24,13-35). Quando Jesus faz men\u00e7\u00e3o de seguir adiante, porque eles j\u00e1 tinham chegado a casa, compreendem que Ele lhes tinha oferecido o seu tempo, e ent\u00e3o oferecem-lhe o deles, propondo-lhe hospedagem. Esta escuta atenta e desinteressada indica o valor que a outra pessoa tem para n\u00f3s, para l\u00e1 das suas ideias e das suas op\u00e7\u00f5es de vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"293\">\n<li>A <em>segunda sensibilidade<\/em> ou aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a do <em>discernimento<\/em>. Trata-se de encontrar o ponto certo em que se discerne a gra\u00e7a ou a tenta\u00e7\u00e3o, porque, \u00e0s vezes, as coisas que nos passam pela imagina\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas tenta\u00e7\u00f5es que nos afastam do nosso verdadeiro caminho. Aqui preciso de interrogar-me sobre aquilo que me est\u00e1 a dizer exatamente essa pessoa, sobre o que me quer dizer, sobre o que deseja que eu compreenda daquilo que lhe est\u00e1 a acontecer. S\u00e3o perguntas que ajudam a entender onde se encadeiam os argumentos que movem o outro e a sentir o peso e o ritmo dos seus afetos influenciados por esta l\u00f3gica. Esta escuta orienta-se para discernir as palavras salvadoras do bom Esp\u00edrito, que nos prop\u00f5e a verdade do Senhor, mas tamb\u00e9m as armadilhas do esp\u00edrito mau \u2013 os seus enganos e as suas sedu\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso ter a coragem, o carinho e a delicadeza necess\u00e1rios para ajudar o outro a reconhecer a verdade e os enganos ou desculpas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"294\">\n<li>A <em>terceira sensibilidade<\/em> ou aten\u00e7\u00e3o inclina-se para <em>escutar os impulsos<\/em> \u00abpara a frente\u00bb que o outro experimenta. \u00c9 a escuta profunda de \u00abat\u00e9 onde o outro quer ir verdadeiramente\u00bb. Para l\u00e1 daquilo que sente e pensa no presente e daquilo que fez no passado, a aten\u00e7\u00e3o orienta-se para aquilo que gostaria de ser. Por vezes, isso implica que a pessoa n\u00e3o olhe tanto para aquilo que lhe agrada, para os seus desejos superficiais, mas para aquilo que mais agrada ao Senhor, para o seu pr\u00f3prio projeto de vida, que se exprime numa inclina\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, para l\u00e1 da apar\u00eancia dos gostos e dos sentimentos. Tal escuta \u00e9 aten\u00e7\u00e3o \u00e0 inten\u00e7\u00e3o \u00faltima, que \u00e9 aquela que, em \u00faltima an\u00e1lise, decide a vida, porque existe Algu\u00e9m como Jesus que entende e valoriza essa inten\u00e7\u00e3o \u00faltima do cora\u00e7\u00e3o. Por isso, Ele est\u00e1 sempre disposto a ajudar cada um para que a reconhe\u00e7a e, para isso, basta-lhe que algu\u00e9m lhe pe\u00e7a: \u00abSenhor, salva-me! Tem miseric\u00f3rdia de mim!\u00bb<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"295\">\n<li>Ent\u00e3o, sim, o discernimento converte-se num instrumento de luta para seguir melhor o Senhor. <a href=\"#_ftn161\" name=\"_ftnref161\">[161]<\/a> Desse modo, o desejo de reconhecer a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o adquire uma intensidade suprema, uma qualidade diferente e um n\u00edvel superior, que corresponde muito melhor \u00e0 dignidade da pr\u00f3pria vida. Porque, decididamente, um bom discernimento \u00e9 um caminho de liberdade que faz aflorar esse car\u00e1cter \u00fanico de cada pessoa, isso que \u00e9 t\u00e3o seu, t\u00e3o pessoal, que s\u00f3 Deus conhece. Os outros n\u00e3o podem compreender plenamente nem prever, a partir de fora, como se desenvolver\u00e1.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"296\">\n<li>Portanto, quando algu\u00e9m escuta outro desta maneira, em determinado momento tem de desaparecer para deixar que ele siga esse caminho que descobriu. Desaparecer, como desaparece o Senhor da vista dos seus disc\u00edpulos e os deixa sozinhos com o ardor do cora\u00e7\u00e3o, que se converte em impulso irresist\u00edvel para se porem a caminho (cf. Lc 24,31-33). De regresso \u00e0 comunidade, os disc\u00edpulos de Ema\u00fas receber\u00e3o a confirma\u00e7\u00e3o de que o Senhor ressuscitou verdadeiramente (cf. Lc 24,34).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"297\">\n<li>J\u00e1 que \u00abo tempo \u00e9 superior ao espa\u00e7o\u00bb, <a href=\"#_ftn162\" name=\"_ftnref162\">[162]<\/a> \u00e9 preciso suscitar e acompanhar processos, n\u00e3o impor trajetos. E s\u00e3o processos de pessoas que s\u00e3o sempre \u00fanicas e livres. Por isso, \u00e9 dif\u00edcil preparar livros de receitas, mesmo quando todos os sinais forem positivos, visto que \u00abse trata de submeter os pr\u00f3prios fatores positivos a um cuidadoso discernimento, para que n\u00e3o se isolem um do outro nem se contraponham entre si, absolutizando-se e opondo-se reciprocamente. O mesmo se pode dizer dos fatores negativos: n\u00e3o os devemos rejeitar em bloco e sem distin\u00e7\u00e3o, porque em cada um deles se pode esconder algum valor, que espera ser descoberto e reconduzido \u00e0 sua verdade plena\u00bb. <a href=\"#_ftn163\" name=\"_ftnref163\">[163]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"298\">\n<li>No entanto, para acompanhar outros neste caminho, primeiro precisas de ter o h\u00e1bito de tu pr\u00f3prio o percorreres. Maria assim fez, enfrentando as suas interroga\u00e7\u00f5es e as suas pr\u00f3prias dificuldades quando era muito jovem. Que ela renove a tua juventude com a for\u00e7a da sua ora\u00e7\u00e3o e te acompanhe sempre com a sua presen\u00e7a de M\u00e3e.<\/li>\n<\/ol>\n<p>*\u00a0 *\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E no fim&#8230; um desejo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"299\">\n<li>Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais r\u00e1pido do que os lentos e temerosos. Correi \u00abatra\u00eddos por esse Rosto t\u00e3o amado, que adoramos na Sagrada Eucaristia e que reconhecemos na carne do irm\u00e3o sofredor. Que o Esp\u00edrito Santo vos empurre nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intui\u00e7\u00f5es, da vossa f\u00e9. Fazeis-nos falta! E quando chegardes onde n\u00f3s ainda n\u00e3o cheg\u00e1mos, tende paci\u00eancia para esperar por n\u00f3s\u00bb. <a href=\"#_ftn164\" name=\"_ftnref164\">[164]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Loreto, junto ao Santu\u00e1rio da Santa Casa, <\/em><\/p>\n<p><em>25 de mar\u00e7o, Solenidade da Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor, <\/em><\/p>\n<p><em>do ano 2019, s\u00e9timo do pontificado<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00cdndice<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cristo, nossa esperan\u00e7a, est\u00e1 vivo [1-4]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Primeiro<\/p>\n<p><strong>O QUE DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE OS JOVENS? [5]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Antigo Testamento [6-11]<\/p>\n<p>No Novo Testamento [12-21]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Segundo<\/p>\n<p><strong>JESUS CRISTO SEMPRE JOVEM [22]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A juventude de Jesus [23-29]<\/p>\n<p>A sua juventude ilumina-nos [30-33]<\/p>\n<p>A juventude da Igreja [34]<\/p>\n<p><em>Uma Igreja que se deixa renovar <\/em>[35-38]<\/p>\n<p><em>Uma Igreja atenta aos sinais dos tempos<\/em> [39-42]<\/p>\n<p>Maria, a jovem de Nazar\u00e9 [43-48]<\/p>\n<p>Jovens santos [49-63]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Terceiro<\/p>\n<p><strong>V\u00d3S SOIS O AGORA DE DEUS [64]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aspetos positivos [65-67]<\/p>\n<p>Muitas juventudes [68-70]<\/p>\n<p>Algumas coisas que sucedem aos jovens [71]<\/p>\n<p><em>Jovens de um mundo em crise<\/em> [72-80]<\/p>\n<p><em>Desejos, feridas e procuras<\/em> [81-85]<\/p>\n<p>O ambiente digital [86-90]<\/p>\n<p>Os migrantes como paradigma do nosso tempo [91-94]<\/p>\n<p>P\u00f4r termo a todo o tipo de abusos [95-102]<\/p>\n<p>H\u00e1 sa\u00edda [103-110]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Quarto<\/p>\n<p><strong>O GRANDE AN\u00daNCIO PARA TODOS OS JOVENS [111]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um Deus que \u00e9 Amor [112-117]<\/p>\n<p>Cristo salva-te [118-123]<\/p>\n<p>Ele vive! [124-129]<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito d\u00e1 vida [130-133]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Quinto<\/p>\n<p><strong>CAMINHOS DE JUVENTUDE [134-135]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tempo de sonhos e de escolhas [136-143]<\/p>\n<p>A vontade de viver e de experimentar [144-149]<\/p>\n<p>Em amizade com Cristo [150-157]<\/p>\n<p>Crescimento e amadurecimento [158-162]<\/p>\n<p>Sendas de fraternidade [163-167]<\/p>\n<p>Jovens comprometidos [168-174]<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios valentes [175-178]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Sexto<\/p>\n<p><strong>JOVENS COM RA\u00cdZES [179]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que n\u00e3o te arranquem da terra [180-186]<\/p>\n<p>A tua rela\u00e7\u00e3o com os idosos [187-191]<\/p>\n<p>Sonhos e vis\u00f5es [192-197]<\/p>\n<p>Arriscar juntos [198-201]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo S\u00e9timo<\/p>\n<p><strong>A PASTORAL DOS JOVENS [202]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma Pastoral sinodal [203-208]<\/p>\n<p>Grandes linhas de A\u00e7\u00e3o [209-215]<\/p>\n<p>Ambientes adequados [216-220]<\/p>\n<p><em>A pastoral das institui\u00e7\u00f5es educativas<\/em> [221-223]<\/p>\n<p>Diversos \u00e2mbitos para desenvolvimentos pastorais [224-229]<\/p>\n<p>Uma pastoral popular juvenil [230-238]<\/p>\n<p>Sempre mission\u00e1rios [239-241]<\/p>\n<p>O acompanhamento dos adultos [242-247]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Oitavo<\/p>\n<p><strong>A VOCA\u00c7\u00c3O [248-249]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O seu chamamento \u00e0 amizade com Ele [250-252]<\/p>\n<p>O teu ser para os outros [253-258]<\/p>\n<p>O Amor e a fam\u00edlia [259-267]<\/p>\n<p>O trabalho [268-273]<\/p>\n<p>Voca\u00e7\u00f5es para uma consagra\u00e7\u00e3o especial [274-277]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo Nono<\/p>\n<p><strong>O DISCERNIMENTO [278-282]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como discernir a tua voca\u00e7\u00e3o [283-286]<\/p>\n<p>O chamamento do Amigo [287-290]<\/p>\n<p>Escuta e acompanhamento [291-298]<\/p>\n<p>E no fim&#8230; um desejo [299]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A mesma palavra grega que se traduz por \u00abnovo\u00bb tamb\u00e9m se utiliza para significar \u00abjovem\u00bb.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Confiss\u00f5es<\/em>, X, 27: <em>PL<\/em> 32,795.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Santo Ireneu, <em>Contra as heresias<\/em>, II, 22,4: <em>PG<\/em> 7,784.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Documento Final da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, n. 60. Daqui por diante, este documento ser\u00e1 citado com a sigla <em>DF<\/em>. Pode ser encontrado em: http:\/\/www.vatican.va \/roman_curia\/synod\/documents\/rc_synod_doc_20181027_doc-final-instrumentum-xvassemblea-giovani_ sp.html.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, n. 515.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 517.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Catequese<\/em> (27 de junho de 1990), nn. 2-3: <em>Insegnamenti<\/em> 13,1 (1990), pp. 1680-1681.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal <em>Amoris laetitia<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2016), n. 182: AAS 108 (2016), p. 384.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> DF, n. 63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>\u00a0 Conc. Ecum. Vat. II, <em>Mensagem \u00e0 humanidade e aos jovens<\/em> (7 de dezembro de 1965): AAS 58 (1966), p. 18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> DF, n. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 50.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 53.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Cf. Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em>, sobre a Divina Revela\u00e7\u00e3o, n. 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> DF, n. 150.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> <em>Discurso na Vig\u00edlia com os jovens na XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (26 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> <em>Ora\u00e7\u00e3o conclusiva da Via-Sacra na XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (25 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> DF, n. 65.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 167.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> S. Jo\u00e3o Paulo II, <em>Discurso aos jovens em Turim<\/em> (13 de abril de 1980), n. 4: <em>Insegnamenti <\/em>3,1 (1980), 905.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Bento XVI, <em>Mensagem para a XXVII Jornada Mundial da Juventude<\/em> (15 de mar\u00e7o de 2012): AAS 104 (2012), p. 359.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> DF, n. 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 41.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 42.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> <em>Discurso aos jovens em Manila<\/em> (18 de janeiro de 2015), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (23 de janeiro de 2015).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> DF, n. 34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> <em>Documento da Reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal para a prepara\u00e7\u00e3o da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em> (24 de mar\u00e7o de 2018), I, 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> DF, n. 39.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 37.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Cf. Carta Enc\u00edclica <em>Laudato si\u2019<\/em> (24 de maior de 2015), n. 106: AAS 107 (2015), pp. 889-890.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> DF, n. 37.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 67.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 24.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> <em>Documento da Reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal para prepara\u00e7\u00e3o da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em> (24 de mar\u00e7o de 2018), I, 4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> DF, n. 25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 26.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 28.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 29.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a> <em>Discurso conclusivo do encontro sobre \u00abA prote\u00e7\u00e3o de menores na Igreja\u00bb<\/em> (24 de fevereiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(1 de mar\u00e7o de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a> DF, n. 29.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a> <em>Carta ao Povo de Deus<\/em> (20 de agosto de 2018), n. 2, in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (24 de agosto de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a> DF, n. 30.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54]<\/a> <em>Discurso \u00e0 primeira Congrega\u00e7\u00e3o geral da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em> (3 de outubro de 2018), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (5 de outubro de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\">[55]<\/a> DF, n. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\">[56]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\">[57]<\/a> Conc. Ecum. Vat. II, Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et spes<\/em>, Sobre a Igreja no Mundo Contempor\u00e2neo, n. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref58\" name=\"_ftn58\">[58]<\/a> DF, n. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref59\" name=\"_ftn59\">[59]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref60\" name=\"_ftn60\">[60]<\/a> <em>Discurso conclusivo do encontro sobre \u00abA prote\u00e7\u00e3o de menores na Igreja\u00bb<\/em> (24 de fevereiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (1 de mar\u00e7o de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref61\" name=\"_ftn61\">[61]<\/a> Francisco Luis Bern\u00e1rdez, \u00abSoneto\u00bb, in Cielo de tierra, Buenos Aires, 1937.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref62\" name=\"_ftn62\">[62]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2018), n. 140.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref63\" name=\"_ftn63\">[63]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), n.1: AAS 105 (2013), p. 1019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref64\" name=\"_ftn64\">[64]<\/a> <em>Discurso na cerim\u00f3nia de abertura da XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (24 de janeiro de 2019) in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (25 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref65\" name=\"_ftn65\">[65]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), n.1: AAS 105 (2013), p. 1019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref66\" name=\"_ftn66\">[66]<\/a> <em>Ibid<\/em>., 3, p. 1020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref67\" name=\"_ftn67\">[67]<\/a> <em>Discurso na Vig\u00edlia com os jovens durante a XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (26 de janeiro de 2019) in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref68\" name=\"_ftn68\">[68]<\/a> <em>Discurso no encontro com os jovens durante o S\u00ednodo<\/em> (6 de outubro de 2018), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (12 de outubro de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref69\" name=\"_ftn69\">[69]<\/a> Bento XVI, Carta Enc\u00edclica <em>Deus caritas est <\/em>(25 de dezembro de 2005), n. 1: AAS 98 (2006), p. 217.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref70\" name=\"_ftn70\">[70]<\/a> Pedro Arrupe, <em>Enam\u00f3rate<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref71\" name=\"_ftn71\">[71]<\/a> S. Paulo VI, <em>Alocu\u00e7\u00e3o aquando da beatifica\u00e7\u00e3o de Nunzio Sulprizio<\/em> (1 de dezembro de 1963): AAS 56 (1964), p. 28.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref72\" name=\"_ftn72\">[72]<\/a> DF, n. 65.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref73\" name=\"_ftn73\">[73]<\/a> <em>Homilia durante a Santa Missa com os jovens em Sidney<\/em> (2 de dezembro de 1970): AAS 63 (1971), p. 64.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref74\" name=\"_ftn74\">[74]<\/a> <em>Confiss\u00f5es<\/em>, I, 1, 1: PL 32, 661.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref75\" name=\"_ftn75\">[75]<\/a> <em>Dios es joven. Una conversaci\u00f3n con Thomas Leoncini<\/em>, Barcelona, Planeta, 2018, pp. 16-17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref76\" name=\"_ftn76\">[76]<\/a> DF, n. 68.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref77\" name=\"_ftn77\">[77]<\/a> <em>Encontro com os jovens em Cagliari<\/em> (22 de setembro de 2013): AAS 105 (2013), pp. 904-905.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref78\" name=\"_ftn78\">[78]<\/a> <em>Cinco panes y dos peces: un gozoso testimonio de fe desde el sufrimiento en la c\u00e1rcel<\/em>, M\u00e9xico, 1999, p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref79\" name=\"_ftn79\">[79]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal Su\u00ed\u00e7a, <em>Prendre le temps: pour toi, pour moi, pour nous<\/em> (2 de fevereiro de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref80\" name=\"_ftn80\">[80]<\/a> Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <em>Summa Theologiae<\/em> II-II, q. 23, art. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref81\" name=\"_ftn81\">[81]<\/a> <em>Discurso aos volunt\u00e1rios da XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (27 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref82\" name=\"_ftn82\">[82]<\/a> S. \u00d3scar Romero, <em>Homilia<\/em> (6 de novembro de 1977), in <em>Su pensamiento<\/em>, I-II, San Salvador, 2000, p. 312.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref83\" name=\"_ftn83\">[83]<\/a> <em>Discurso na cerim\u00f3nia de abertura da XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (24 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (25 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref84\" name=\"_ftn84\">[84]<\/a> Cf. <em>Encontro com os jovens no Santu\u00e1rio Nacional Maip\u00fa, Santiago do Chile<\/em> (17 de janeiro de 2018), in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(19 de janeiro de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref85\" name=\"_ftn85\">[85]<\/a> Cf. <em>Romano Guardini<\/em>, <em>Le et\u00e0 della vita<\/em>, em <em>Opera omnia<\/em> IV, 1, Br\u00e9scia, 2015, p. 209.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref86\" name=\"_ftn86\">[86]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2018), n. 11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref87\" name=\"_ftn87\">[87]<\/a> <em>C\u00e2ntico Espiritual B<\/em>, Pr\u00f3logo, p. 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref88\" name=\"_ftn88\">[88]<\/a> <em>Ibid<\/em>., XIV-XV, p. 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref89\" name=\"_ftn89\">[89]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal do Ruanda, <em>Carta dos Bispos cat\u00f3licos aos fi\u00e9is durante o ano especial da reconcilia\u00e7\u00e3o no Ruanda<\/em>, Kigali (18 de janeiro de 2018), n. 17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref90\" name=\"_ftn90\">[90]<\/a> <em>Sauda\u00e7\u00e3o aos jovens do Centro Cultural Padre F\u00e9lix Varela em Havana<\/em> (20 de setembro de 2015), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (25 de setembro de 2015).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref91\" name=\"_ftn91\">[91]<\/a> DF, n. 46.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref92\" name=\"_ftn92\">[92]<\/a> <em>Discurso na Vig\u00edlia da XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro<\/em> (27 de julho de 2013): AAS 105 (2013), p. 663.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref93\" name=\"_ftn93\">[93]<\/a> <em>V\u00f3s sois a luz do mundo<\/em>, Discurso no Cerro San Crist\u00f3bal, no Chile, 1940, in https:\/\/www.padrealbertohurtado.cl\/escritos-2\/.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref94\" name=\"_ftn94\">[94]<\/a> <em>Homilia durante a Santa Missa da XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro<\/em> (28 de julho de 2013): AAS 105 (2013), p. 665.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref95\" name=\"_ftn95\">[95]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal da Coreia, <em>Carta pastoral por ocasi\u00e3o dos 150 anos do mart\u00edrio, durante a persegui\u00e7\u00e3o Byeong-in<\/em> (30 de mar\u00e7o de 2016).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref96\" name=\"_ftn96\">[96]<\/a> Cf. <em>Homilia durante a Santa Missa da XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (27 de janeiro de 2019), in L\u2019Osservatore Romano (1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref97\" name=\"_ftn97\">[97]<\/a> Ora\u00e7\u00e3o \u00abSenhor, faz de mim um instrumento da tua paz\u00bb, atribu\u00edda a S. Francisco de Assis.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref98\" name=\"_ftn98\">[98]<\/a> <em>Discurso na Vig\u00edlia com os jovens durante a XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (26 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano <\/em>(1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref99\" name=\"_ftn99\">[99]<\/a> DF, n. 14.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref100\" name=\"_ftn100\">[100]<\/a> Cf. Carta Enc\u00edclica <em>Laudato si\u2019<\/em> (24 de maio de 2015), n. 145: AAS 107 (2015), p. 906.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref101\" name=\"_ftn101\">[101]<\/a> <em>Videomensagem para o Encontro Mundial da Juventude Ind\u00edgena no Panam\u00e1<\/em> (17-21 de janeiro de 2019), in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (25 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref102\" name=\"_ftn102\">[102]<\/a> DF, n. 35.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref103\" name=\"_ftn103\">[103]<\/a> Cf. <em>Carta aos jovens<\/em>, I, 2: PG 31, 566.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref104\" name=\"_ftn104\">[104]<\/a> Cf. Papa Francisco e amigos, <em>La sabidur\u00eda de los a\u00f1os<\/em>, Bilbau, Mensajero, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref105\" name=\"_ftn105\">[105]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref106\" name=\"_ftn106\">[106]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref107\" name=\"_ftn107\">[107]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 108.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref108\" name=\"_ftn108\">[108]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref109\" name=\"_ftn109\">[109]<\/a> <em>Ibid<\/em>., pp. 162-163.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref110\" name=\"_ftn110\">[110]<\/a> Eduardo Pironio, <em>Mensagem aos jovens argentinos no Encontro Nacional de Jovens em C\u00f3rdoba<\/em> (12-15 de setembro de 1985), p. 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref111\" name=\"_ftn111\">[111]<\/a> DF, n. 123.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref112\" name=\"_ftn112\">[112]<\/a> <em>La esencia del cristianismo<\/em>, Madrid, Cristiandad, 2002, p. 17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref113\" name=\"_ftn113\">[113]<\/a> N. 165: AAS 105 (2013), p. 1089.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref114\" name=\"_ftn114\">[114]<\/a> <em>Discurso durante a visita ao Lar Bom Samaritano, no Panam\u00e1<\/em> (27 de janeiro de 2019) in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref115\" name=\"_ftn115\">[115]<\/a> DF, n. 36.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref116\" name=\"_ftn116\">[116]<\/a> Cf. Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Veritatis gaudium<\/em> (8 de dezembro de 2017), n. 4: AAS 110 (2018), pp. 7-8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref117\" name=\"_ftn117\">[117]<\/a> <em>Discurso durante o encontro com os estudantes e o mundo acad\u00e9mico na Pra\u00e7a San Domenico de Bolonha<\/em> (1 de outubro de 2017): AAS 109 (2017), p. 1115.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref118\" name=\"_ftn118\">[118]<\/a> DF, n. 51.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref119\" name=\"_ftn119\">[119]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 47.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref120\" name=\"_ftn120\">[120]<\/a> <em>Sermo<\/em> 256, 3: <em>PL<\/em> 38, 1193.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref121\" name=\"_ftn121\">[121]<\/a> DF, n. 47.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref122\" name=\"_ftn122\">[122]<\/a> <em>Discurso a uma delega\u00e7\u00e3o da \u201cSpecial Olympics International\u201d<\/em> (16 de fevereiro de 2017) in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (17 de fevereiro de 2017), p. 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref123\" name=\"_ftn123\">[123]<\/a> <em>Carta aos jovens<\/em>, VIII, 11-12: PG 31, 580.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref124\" name=\"_ftn124\">[124]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal Argentina, <em>Declara\u00e7\u00e3o de San Miguel<\/em>, Buenos Aires, 1969, X, n. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref125\" name=\"_ftn125\">[125]<\/a> Rafael Tello, <em>La nueva evangelizaci\u00f3n<\/em>, tomo ii (Anexos I e II), Buenos Aires, 2013, p. 111.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref126\" name=\"_ftn126\">[126]<\/a> Cf. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), nn. 44-45: AAS 105 (2013), pp. 1038-1039.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref127\" name=\"_ftn127\">[127]<\/a> DF, n. 70.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref128\" name=\"_ftn128\">[128]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 117.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref129\" name=\"_ftn129\">[129]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref130\" name=\"_ftn130\">[130]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), n. 124: AAS 105 (2013), p. 1072.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref131\" name=\"_ftn131\">[131]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 122: p. 1071.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref132\" name=\"_ftn132\">[132]<\/a> DF, n. 9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref133\" name=\"_ftn133\">[133]<\/a> <em>Documento da Reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal para prepara\u00e7\u00e3o da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos<\/em> (24 de mar\u00e7o de 2018), n. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref134\" name=\"_ftn134\">[134]<\/a> <em>Ibid<\/em>., n. 10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref135\" name=\"_ftn135\">[135]<\/a> DF, n. 15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref136\" name=\"_ftn136\">[136]<\/a> N. 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref137\" name=\"_ftn137\">[137]<\/a> Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Lumen gentium<\/em>, sobre a Igreja, n.\u00a011.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref138\" name=\"_ftn138\">[138]<\/a> <em>Discurso na Vig\u00edlia com os jovens, durante a XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panam\u00e1<\/em> (26 de janeiro de 2019) in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (1 de fevereiro de 2019).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref139\" name=\"_ftn139\">[139]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), n. 273: AAS 105 (2013), p. 1130.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref140\" name=\"_ftn140\">[140]<\/a> S\u00e3o Paulo VI, Carta Enc\u00edclica <em>Populorum progressio<\/em> (26 de mar\u00e7o de 1967), n. 15: AAS 59 (1967), p. 265.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref141\" name=\"_ftn141\">[141]<\/a> <em>Medita\u00e7\u00e3o da Semana Santa para jovens<\/em>, escrita a bordo de um navio de mercadorias, de regresso dos Estados Unidos, em 1946, in https:\/\/www.padrealbertohurtado.cl\/escritos-2\/.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref142\" name=\"_ftn142\">[142]<\/a> <em>Encontro com os jovens da \u00dambria<\/em>, em Assis (4 de outubro de 2013): AAS 105 (2013), p. 921.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref143\" name=\"_ftn143\">[143]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-Sinodal <em>Amoris laetitia<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2016), n. 150: AAS 108 (2016), p. 369.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref144\" name=\"_ftn144\">[144]<\/a> <em>Audi\u00eancia concedida aos jovens da diocese de Grenoble-Vienne<\/em> (17 de setembro de 2018) in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (19 de setembro de 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref145\" name=\"_ftn145\">[145]<\/a> DF, n. 32.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref146\" name=\"_ftn146\">[146]<\/a> <em>Encontro com os volunt\u00e1rios da XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro<\/em> (28 de julho de 2013) in <em>Insegnamenti<\/em>, 1,2 (2013), p. 125.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref147\" name=\"_ftn147\">[147]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal da Col\u00f4mbia, <em>Mensagem crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio<\/em> (14 de maio de 1981).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref148\" name=\"_ftn148\">[148]<\/a> Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos dos Estados Unidos, <em>Sons and Daughters of Light: A Pastoral Plan for Ministry with Young Adults<\/em> (12 de novembro de 1996), I, n. 3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref149\" name=\"_ftn149\">[149]<\/a> Carta Enc\u00edclica <em>Laudato si\u2019<\/em> (24 de maio de 2015), n. 128: AAS 107 (2015), p. 898.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref150\" name=\"_ftn150\">[150]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, 125: p. 897.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref151\" name=\"_ftn151\">[151]<\/a> DF, n. 40.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref152\" name=\"_ftn152\">[152]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2018), n. 167.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref153\" name=\"_ftn153\">[153]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 168.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref154\" name=\"_ftn154\">[154]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 170.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref155\" name=\"_ftn155\">[155]<\/a> DF, n. 108.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref156\" name=\"_ftn156\">[156]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref157\" name=\"_ftn157\">[157]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2018), n. 171.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref158\" name=\"_ftn158\">[158]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, n. 172.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref159\" name=\"_ftn159\">[159]<\/a> <em>Discurso durante a Vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o em prepara\u00e7\u00e3o da XXXIV Jornada Mundial da Juventude<\/em>, Bas\u00edlica de Santa Maria Maior (8 de abril de 2017): AAS 109 (2017), p. 447.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref160\" name=\"_ftn160\">[160]<\/a> Romano Guardini, <em>Le et\u00e0 della vita<\/em>, em <em>Opera omnia <\/em>IV, 1, Br\u00e9scia 2015, p. 209.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref161\" name=\"_ftn161\">[161]<\/a> Cf. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em> (19 de mar\u00e7o de 2018), n. 169.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref162\" name=\"_ftn162\">[162]<\/a> Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii gaudium<\/em> (24 de novembro de 2013), n. 222: AAS 105 (2013), p. 1111.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref163\" name=\"_ftn163\">[163]<\/a> S. Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-Sinodal <em>Pastores dabo vobis<\/em> (25 de mar\u00e7o de 1992), n. 10: AAS 84 (1992), p.\u00a0672.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref164\" name=\"_ftn164\">[164]<\/a> <em>Encontro e ora\u00e7\u00e3o com jovens italianos no Circo M\u00e1ximo de Roma<\/em> (11 de agosto de 2018): L\u2019Osservatore Romano (13-14 de agosto de 2018), p. 6.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOCX | PDF<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6196,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[74,4,72],"tags":[],"class_list":["post-6193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrada","category-documentos","category-noticias"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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