{"id":5424,"date":"2017-05-26T11:53:35","date_gmt":"2017-05-26T10:53:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=5424"},"modified":"2017-05-27T16:38:19","modified_gmt":"2017-05-27T15:38:19","slug":"catequese-a-alegria-do-encontro-com-jesus-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/catequese-a-alegria-do-encontro-com-jesus-cristo\/","title":{"rendered":"Catequese: A alegria do encontro com Jesus Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>I. NO CORA\u00c7\u00c3O DA CATEQUESE<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A import\u00e2ncia do encontro<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1<\/strong>. \u201c<strong>No in\u00edcio do ser crist\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, um rumo decisivo<\/strong>\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do Papa Bento XVI, que lhe deu especial relevo, ao inseri-la na introdu\u00e7\u00e3o da sua primeira enc\u00edclica, \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d, o documento program\u00e1tico do seu pontificado. Dois anos depois repetiu-a, a n\u00f3s bispos portugueses, na visita <em>ad limina apostolorum<\/em>, acrescentando: \u201cA evangeliza\u00e7\u00e3o da pessoa e das comunidades depende totalmente da exist\u00eancia ou n\u00e3o deste encontro com Jesus Cristo\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Encontro da parte de quem \u00e9 evangelizado e de quem evangeliza.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, tamb\u00e9m na introdu\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cA Alegria do Evangelho\u201d, de car\u00e1ter igualmente program\u00e1tico, dirige-se a evangelizadores e \u00e9 ainda mais interpelativo: \u201cConvido todo o crist\u00e3o, em qualquer lugar e situa\u00e7\u00e3o que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decis\u00e3o de se deixar encontrar por Ele, de O procurar no dia a dia sem cessar\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. E retoma o tema no cap\u00edtulo final, a\u00ed a prop\u00f3sito dos efeitos do encontro na a\u00e7\u00e3o evangelizadora: \u201cN\u00e3o se pode perseverar numa evangeliza\u00e7\u00e3o cheia de ardor se n\u00e3o se est\u00e1 convencido, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, de que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa ter conhecido Jesus ou n\u00e3o o conhecer; n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa poder escut\u00e1-l\u2019O ou ignorar a sua Palavra; n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa poder contempl\u00e1-l\u2019O, ador\u00e1-l\u2019O, descansar n\u2019Ele ou n\u00e3o o poder fazer. (\u2026) O verdadeiro mission\u00e1rio, que n\u00e3o deixa jamais de ser disc\u00edpulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio do compromisso mission\u00e1rio. Se uma pessoa n\u00e3o O descobre presente no cora\u00e7\u00e3o mesmo da entrega mission\u00e1ria, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, faltam-lhe for\u00e7a e paix\u00e3o. E uma pessoa que n\u00e3o est\u00e1 convencida, entusiasmada, segura, enamorada, n\u00e3o convence ningu\u00e9m\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A urg\u00eancia do encontro<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2<\/strong>. Tanta insist\u00eancia j\u00e1 \u00e9 sinal de urg\u00eancia \u2013 uma urg\u00eancia sentida em todos os tempos, mas particularmente desde o II Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano, passando pelos pontificados que se lhe seguiram at\u00e9 ao do Papa Francisco. Entre os motivos, o pr\u00f3prio Papa, na nossa mais recente visita <em>ad limina<\/em>,<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> real\u00e7ou o que mais diretamente se prende com a catequese: o \u201cgrande n\u00famero de <strong>adolescentes e jovens que abandonam a pr\u00e1tica crist\u00e3<\/strong>, depois do sacramento do Crisma\u201d, isto \u00e9, \u201cprecisamente na idade em que lhe(s) \u00e9 dado tomar as r\u00e9deas da vida nas suas m\u00e3os\u201d e depois de um longo percurso de catequese. Que isto \u00e9 preocupante, j\u00e1 h\u00e1 muito o sent\u00edamos. Por isso, como nos pediu o Papa, temos de perguntar-nos: \u201cA juventude deixa, porque assim o decide? Decide assim, porque n\u00e3o lhe interessa a oferta recebida? N\u00e3o lhe interessa a oferta, porque n\u00e3o d\u00e1 resposta \u00e0s quest\u00f5es e interroga\u00e7\u00f5es que hoje a inquietam? N\u00e3o ser\u00e1 simplesmente porque, h\u00e1 muito, deixou de lhe servir o vestido da Primeira Comunh\u00e3o, e mudou-o? \u00c9 poss\u00edvel que a comunidade crist\u00e3 insista em vestir-lho?\u201d<\/p>\n<p>Embora as perguntas incidam primariamente sobre a catequese da adolesc\u00eancia, n\u00e3o podemos restringi-las a ela. Em muitas comunidades o abandono come\u00e7a j\u00e1 a seguir \u00e0 Primeira Comunh\u00e3o ou \u00e0 Festa da F\u00e9, isto \u00e9, dentro do percurso seguido entre n\u00f3s, depois de apenas tr\u00eas ou seis anos de catequese. Ali\u00e1s o pr\u00f3prio Papa, no mesmo discurso, d\u00e1-nos raz\u00e3o, ao apontar como causa, n\u00e3o os catecismos, nos quais, segundo pensa, est\u00e1 \u201cbem apresentada a figura e a vida de Jesus\u201d, mas sim a dificuldade em \u201cencontr\u00e1-l\u2019O no testemunho de vida do catequista e de toda a comunidade que o envia e sustenta\u201d. E depois situa esse testemunho no \u00fanico modelo de catequese realmente apto, em qualquer fase et\u00e1ria, para o encontro com Cristo: \u201cAo catequista e a toda a comunidade \u00e9 pedido para <strong>passar do modelo escolar ao catecumenal<\/strong>: n\u00e3o apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em din\u00e2mica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de todos os esfor\u00e7os em contr\u00e1rio, reconhecemos que entre n\u00f3s ainda \u00e9 o modelo escolar que predomina, apoiado ali\u00e1s por outros fatores: a redu\u00e7\u00e3o da catequese a um encontro semanal, por vezes em apertados hor\u00e1rios p\u00f3s-escolares e a par ou mesmo em concorr\u00eancia com atividades formativas ou recreativas talvez mais aliciantes; uma calendariza\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 da escola, com os catequizandos ausentes das maiores celebra\u00e7\u00f5es, como as da P\u00e1scoa e do Natal, por se realizarem em tempo de f\u00e9rias; a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es ao longo do percurso catequ\u00e9tico, incluindo a do Crisma, para segurar os catequizandos at\u00e9, uma vez crismados, deixarem a Igreja como deixam a escola; a linguagem usada, predominantemente escolar \u2013 \u201cmatr\u00edculas\u201d, \u201cexames\u201d \u201caulas\u201d, \u201calunos\u201d e a identifica\u00e7\u00e3o destes por anos, como na escola.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3<\/strong>. Mas, al\u00e9m do abandono ou a par dele, h\u00e1 mais raz\u00f5es para a urgente ado\u00e7\u00e3o do modelo de catequese catecumenal. S\u00e3o elas, entre outras:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA rutura na transmiss\u00e3o geracional da f\u00e9 crist\u00e3 no povo cat\u00f3lico\u201d de que fala o Papa Francisco, acrescentando como consequ\u00eancias: \u201c\u00c9 ineg\u00e1vel que muitos se sentem desiludidos e deixam de se identificar com a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que cresceu o n\u00famero de pais que n\u00e3o batizam os seus filhos nem os ensinam a rezar, e que h\u00e1 um certo \u00eaxodo para outras comunidades de f\u00e9\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Basta olhar para a maioria das crian\u00e7as que entre n\u00f3s iniciam a catequese, para constatarmos como o Papa tem raz\u00e3o.<\/li>\n<li>O secularismo que penetra cada vez mais a consci\u00eancia e vida das pessoas, levando-as a pensar e agir sem Deus. E isto at\u00e9 em muitos que ainda se dizem crist\u00e3os, mas que tomam decis\u00f5es e adotam estilos de vida absolutamente adversos \u00e0 f\u00e9. E quando Deus est\u00e1 ausente, tamb\u00e9m os fundamentos antropol\u00f3gicos se diluem, perdendo-se o sentido da transcend\u00eancia e da dignidade da pessoa humana.<\/li>\n<li>A degrada\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias, atingidas pelo individualismo e a depend\u00eancia dos meios inform\u00e1ticos, que impedem o encontro e o di\u00e1logo entre os seus membros; ou de fam\u00edlias v\u00edtimas de desagrega\u00e7\u00e3o e da consequente separa\u00e7\u00e3o entre pais e entre estes e os filhos, sobretudo em casos de div\u00f3rcio.<\/li>\n<li>A globaliza\u00e7\u00e3o, a dois n\u00edveis: ao n\u00edvel das redes sociais em que principalmente as gera\u00e7\u00f5es mais jovens s\u00e3o confrontadas com in\u00fameras informa\u00e7\u00f5es, solicita\u00e7\u00f5es e propostas, entre si t\u00e3o diversas e mesmo contradit\u00f3rias, que s\u00f3 criam nas suas mentes e atitudes a confus\u00e3o e o relativismo que em nada favorecem uma op\u00e7\u00e3o de f\u00e9 em Deus esclarecida e convicta; e a n\u00edvel do urbanismo, com a sua cultura prop\u00edcia ao individualismo e pluralismo \u00e9tico, em que cada um seleciona as ideias e os comportamentos, n\u00e3o segundo o crit\u00e9rio da verdade e autenticidade, mas consoante as conveni\u00eancias pessoais.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>As oportunidades para o encontro<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>4<\/strong>. Estes e outros fen\u00f3menos n\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, apenas e em tudo negativos. S\u00e3o antes, como escreve o Papa Francisco, ocasi\u00f5es e \u201cmotiva\u00e7\u00f5es para um renovado impulso mission\u00e1rio<strong>\u201d<\/strong><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, a exemplo do que aconteceu com a Igreja em outras \u00e9pocas da hist\u00f3ria bem mais adversas para ela e, sobretudo, com o pr\u00f3prio Cristo que da morte mais ignominiosa fez o auge da oferta da vida, aquele ato supremo de amor do qual nasceu e vive a Igreja.<\/p>\n<p>E, de facto, das sombras referidas j\u00e1 come\u00e7am a emergir, na sociedade e na Igreja, <strong>sinais de desejo de Deus <\/strong>e abertura \u00e0 f\u00e9, express\u00f5es de vida nova. Eis alguns exemplos:<\/p>\n<ul>\n<li>Genericamente, uma crescente procura de espiritualidade, o desejo mais intenso de liberdade interior (a liberdade especificamente crist\u00e3), uma dedica\u00e7\u00e3o mais longa e frequente \u00e0 solidariedade, uma renovada valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e dos sinais religiosos, um maior apre\u00e7o pelo patrim\u00f3nio moral e art\u00edstico do cristianismo.<\/li>\n<li>A n\u00edvel familiar, encontramos cada vez mais fam\u00edlias em que se preza e promove o conv\u00edvio entre os seus membros; pais, av\u00f3s e outros encarregados de educa\u00e7\u00e3o que se preocupam em acompanhar os filhos num desenvolvimento integral e harmonioso, esfor\u00e7ando-se por participar e colaborar ativamente com outras institui\u00e7\u00f5es educativas, como a escola e a Igreja.<\/li>\n<li>Num \u00e2mbito especificamente crist\u00e3o, aumenta o n\u00famero de adultos e jovens que (re)descobrem a f\u00e9 e se empenham na miss\u00e3o, ou de crian\u00e7as que se deixam encantar por Jesus, n\u00e3o por press\u00e3o externa, como seria em regime de cristandade, mas por uma convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 pessoal e livre, muitas vezes testada por um meio ambiente adverso; como aumentam tamb\u00e9m as comunidades crist\u00e3s, mormente em meios urbanos, nas quais, contra o individualismo e o anonimato, se cultiva o conv\u00edvio entre os seus membros, de n\u00edveis culturais e sociais diferentes, mas unidos pela mesma f\u00e9.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Tudo isto se situa, sem d\u00favida, nos \u201cin\u00fameros sinais da sede de Deus, do sentido \u00faltimo da vida, ainda que muitas vezes expressos impl\u00edcita e negativamente\u201d, de que fala Bento XVI a prop\u00f3sito da desertifica\u00e7\u00e3o espiritual que se tem apoderado da sociedade atual. \u00c9 a\u00ed, continua o mesmo Papa, que \u201cexiste sobretudo a necessidade de pessoas de f\u00e9 que, com as suas pr\u00f3prias vidas indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo viva a esperan\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> \u2013 crist\u00e3os que, nas suas vidas, transmitam Cristo a tantas pessoas que O procuram, muitas talvez sem disso terem consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Sinais de uma catequese renovada<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>5<\/strong>. Que esses crist\u00e3os existem entre n\u00f3s, empenhados nomeadamente na catequese, mostram-no as respostas recebidas das nossas dioceses ao documento de trabalho que lhes foi enviado para reflex\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o sinodal na elabora\u00e7\u00e3o desta carta pastoral. A eles se devem muitos dos sinais de renova\u00e7\u00e3o referidos nessas respostas:<\/p>\n<ul>\n<li>Uma compreens\u00e3o mais integral da catequese que abrange, al\u00e9m do ensino, a dimens\u00e3o celebrativa e orante e a pr\u00e1tica do Evangelho;<\/li>\n<li>A renova\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que ajuda a relacionar a f\u00e9 e a vida e a valorizar o lugar da liturgia, com realce para a Eucaristia, na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3;<\/li>\n<li>Iniciativas diversas para, em colabora\u00e7\u00e3o com a catequese paroquial, envolver as fam\u00edlias na forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos filhos;<\/li>\n<li>Preocupa\u00e7\u00e3o em conjugar a catequese com a vida das comunidades crist\u00e3s, suas c\u00e9lulas e movimentos eclesiais;<\/li>\n<li>Perfil renovado do catequista, com mais consci\u00eancia da necessidade de forma\u00e7\u00e3o permanente, tanto nos conhecimentos como na viv\u00eancia da f\u00e9;<\/li>\n<li>Participa\u00e7\u00e3o de muitos jovens, a par de adultos, no servi\u00e7o da catequese, com os correspondentes frutos no seu crescimento crist\u00e3o;<\/li>\n<li>Intensifica\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o mission\u00e1ria da catequese, no sentido de cativar ausentes, despertando nomeadamente os pais para a sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Experi\u00eancias reformadoras e inovadoras na catequese dos adolescentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o sinais de renova\u00e7\u00e3o que nos enchem de alegria e esperan\u00e7a e pelos quais damos gra\u00e7as ao Senhor. A Ele os devemos, \u00e0 sua presen\u00e7a viva e ativa naqueles que com Ele se encontram e d\u2019Ele recebem o discernimento e o entusiasmo que os fazem suas testemunhas cred\u00edveis.<\/p>\n<p>Mas, confiados no mesmo Senhor, queremos ir mais al\u00e9m. Na sequ\u00eancia de outros documentos por n\u00f3s publicados \u2013 a \u201cCarta Pastoral sobre a renova\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal na fidelidade \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio e \u00e0s exig\u00eancias do nosso tempo\u201d (1984), as \u201cOrienta\u00e7\u00f5es para a catequese atual\u201d sob o t\u00edtulo \u201cPara que acreditem e tenham vida\u201d (2005) e, mais recentemente, a \u201cNota Pastoral: Promover a renova\u00e7\u00e3o da pastoral da Igreja em Portugal\u201d (2013) \u2013 queremos que a renova\u00e7\u00e3o passe de sinais mais ou menos incipientes e isolados e seja plenamente assumida em todas as comunidades crist\u00e3s. Move-nos, como ao Ap\u00f3stolo Paulo, a firme convic\u00e7\u00e3o de que estamos no <em>tempo favor\u00e1vel<\/em>, no <em>dia da salva\u00e7\u00e3o<\/em> (2 Cor 6, 2) \u2013 para o encontro com Jesus Cristo, imprescind\u00edvel para o acolhimento e o an\u00fancio do seu Evangelho.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>II. \u00c9 CRISTO QUE VEM AO NOSSO ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Jesus Cristo ressuscitado\u2026<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>6<\/strong>. \u00c9 como ressuscitado que Ele continua a vir ao nosso encontro, nos conquista e transforma. Como fez com <strong>as primeiras testemunhas<\/strong>, as oculares. Ali\u00e1s, \u00e9 no testemunho delas que nos fundamentamos. Por v\u00e1rias raz\u00f5es e em diversos sentidos:<\/p>\n<p>Antes de mais porque s\u00e3o elas a prova mais convincente de que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u2013 que se processou entre Ele e Deus e, portanto, fora do espa\u00e7o e do tempo acess\u00edveis aos meios humanos de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 \u201c\u00e9 um acontecimento real, com manifesta\u00e7\u00f5es historicamente verificadas\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. H\u00e1 tamb\u00e9m o sepulcro vazio. Mas \u201ca aus\u00eancia do corpo de Cristo poderia explicar-se de outro modo\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Ao passo que naqueles a quem Ele se manifestou deixou <strong>sinais da sua ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong> na vida nova que lhes transmitiu: da mais profunda desilus\u00e3o e tristeza passaram \u00e0 maior alegria e entusiasmo; de um medo paralisante, ao an\u00fancio mais corajoso; de mort\u00edfero perseguidor, no caso de Paulo, ao mais incans\u00e1vel evangelizador. Tudo, diz o Ap\u00f3stolo, devido ao <em>bem supremo, que \u00e9 o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor<\/em> (Fil 3, 8).<\/p>\n<p>E foi assim, \u201ccomo testemunhas do Ressuscitado\u201d, que eles se tornaram \u201c<strong>as pedras do alicerce da sua Igreja<\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Foi do seu testemunho que ela nasceu e vive, a come\u00e7ar pela primeira comunidade de Jerusal\u00e9m, formada a partir da prega\u00e7\u00e3o de Pedro e modelo para as Igrejas de todos os tempos e lugares. Como nela, ainda hoje os crist\u00e3os s\u00e3o ou devem ser <strong><em>ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong> (At 2, 42). Atividades em que o Ressuscitado vem igualmente ao nosso encontro, para d\u2019Ele, com Ele e para Ele vivermos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, muitas das suas apari\u00e7\u00f5es est\u00e3o decalcadas nessas atividades. Desde logo o dia em que se deram: sobretudo <em>o primeiro dia da semana<\/em> (Mt 28, 1; Lc 24, 1; Jo 20, 1.19), que, por isso e ainda durante a forma\u00e7\u00e3o do Novo Testamento, passou a ser chamado <em>Dia do Senhor<\/em> ou <em>Domingo<\/em> (Ap 1, 10), festejado com a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia (cf. At 20, 7) e a partilha de bens, pr\u00f3pria da comunh\u00e3o fraterna (cf. 1 Cor 16, 2). E foi em contexto eucar\u00edstico que Ele se manifestou aos disc\u00edpulos junto do lago de Tiber\u00edades (cf. Jo 21, 9-13); e de modo ainda mais evidente aos dois de Ema\u00fas que <em>o reconheceram,<\/em> <em>ao partir do p\u00e3o<\/em> (Lc 24, 30.31.35); mas j\u00e1 antes, diziam eles, <em>ardia c\u00e1 dentro o nosso cora\u00e7\u00e3o, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras<\/em> (Lc 24, 32). Um esquema que perdura at\u00e9 hoje, na celebra\u00e7\u00e3o da Missa, com a liturgia da palavra e a eucar\u00edstica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>7<\/strong>. Mas o <strong>Ressuscitado<\/strong> que, desses e de outros modos, vem ao nosso encontro, \u00e9 tamb\u00e9m o <strong>Crucificado<\/strong> \u2013 aquele que, na morte,<\/p>\n<p><strong><em>Deu a sua vida por n\u00f3s <\/em><\/strong>(1 Jo 3, 16).<\/p>\n<p>Morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus s\u00e3o duas partes do mesmo acontecimento, numa indissoci\u00e1vel interdepend\u00eancia: n\u00e3o tanto e apenas porque a morte \u00e9 condi\u00e7\u00e3o natural para a ressurrei\u00e7\u00e3o, mas sobretudo porque foi o modo como Jesus enfrentou a morte que levou Deus a ressuscit\u00e1-l\u2019O. Dito por S. Paulo: Porque Ele, depois de encarnar, <em>se humilhou ainda mais, obedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz, por isso Deus O exaltou e lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes<\/em> (Fil 2, 8-9).<\/p>\n<p>A exalta\u00e7\u00e3o (como dimens\u00e3o gloriosa da ressurrei\u00e7\u00e3o) deve-se, pois, \u00e0 obedi\u00eancia ou entrega a Deus, \u00e0quele Deus que <em>amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna<\/em> (Jo 3, 16), o Deus que <em>nem sequer poupou o pr\u00f3prio Filho, mas O entregou por todos n\u00f3s<\/em> (Rom 8, 32). O pr\u00f3prio Jesus interpreta a sua morte como auge desse amor: <em>Ningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos amigos<\/em> (Jo 15, 13). E por isso a sua morte j\u00e1 \u00e9 para Ele exalta\u00e7\u00e3o: <em>Quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim<\/em> (Jo 12, 32; cf. 3, 14; 8, 28). A eleva\u00e7\u00e3o de que fala \u00e9, simultaneamente, a da cruz e a da gl\u00f3ria; e a atra\u00e7\u00e3o universal \u00e9 a de um amor extremo e irresist\u00edvel. Quem se n\u00e3o deixa atrair por algu\u00e9m que d\u00e1 totalmente a vida por todos n\u00f3s?!<\/p>\n<p>E foi assim, <strong>como crucificado e ressuscitado, que Ele se manifestou<\/strong>. Aos disc\u00edpulos, fechados em casa <em>com medo dos judeus, apresentou-se no meio deles<\/em> (\u2026) e <em>mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado<\/em> (Jo 20, 19-20; cf. Lc 24, 39): as m\u00e3os que lhe tinham cravado na cruz; e o peito que, j\u00e1 morto, tinha sido trespassado pela lan\u00e7a do soldado e do qual <em>logo saiu sangue e \u00e1gua<\/em> (Jo 19, 34), os \u00faltimos restos de vida. Gestos que, oito dias depois, repete diante do incr\u00e9dulo Tom\u00e9 e perante os quais ele se rende, com a confiss\u00e3o de f\u00e9: <em>Meu Senhor e meu Deus!<\/em> (Jo 20, 28).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8<\/strong>. Mas h\u00e1 outros sinais do mesmo<strong> amor do Crucificado comunicado enquanto Ressuscitado<\/strong>. Desde logo a iniciativa das apari\u00e7\u00f5es e a sua consequente gratuidade: n\u00e3o s\u00e3o os disc\u00edpulos que O procuram; \u00e9 Ele que vai ao seu encontro e de um modo para eles totalmente inesperado e imerecido. Assim aconteceu com os dois que, frustrados e tristes, abandonavam Jerusal\u00e9m e regressavam a Ema\u00fas: foi Jesus que <em>se aproximou deles e se p\u00f4s com eles a caminho<\/em> (Lc 24, 15).<\/p>\n<p>E a Pedro: foi Ele que lhe <em>apareceu<\/em> (\u00e0 letra, <em>se deu a ver<\/em>, Lc 24, 34) \u2013 ao mesmo Sim\u00e3o Pedro que antes O tinha renegado tr\u00eas vezes e a quem, talvez por isso, exigiu uma tr\u00edplice declara\u00e7\u00e3o de amor, antes de o enviar a apascentar a sua Igreja, como mediador do amor e perd\u00e3o manifestado na cruz (cf. Jo 21, 15-17; 20, 23).<\/p>\n<p>O caso mais extremo \u00e9 o de Paulo, que, no seu dizer, foi <em>alcan\u00e7ado por Cristo Jesus<\/em> (Fil 3, 12), precisamente quando, na pessoa dos seus disc\u00edpulos, perseguia a Igreja de Deus. Por isso, confessa ele, <em>n\u00e3o sou digno de ser chamado ap\u00f3stolo<\/em>. E acrescenta: <em>Mas, pela gra\u00e7a de Deus, sou aquilo que sou, e a gra\u00e7a que Ele me deu n\u00e3o foi in\u00fatil. Pelo contr\u00e1rio, tenho trabalhado mais que todos eles; n\u00e3o eu, mas a gra\u00e7a de Deus que est\u00e1 comigo<\/em> (1 Cor 15, 9-10). Isto \u00e9, Paulo passou a estar possu\u00eddo pela mesma gra\u00e7a, o mesmo amor com que Cristo o converteu e desde ent\u00e3o nele atua, como seu ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p>Outro modo de o Ressuscitado exprimir esse amor \u00e9 pelo nome, identificativo da pessoa. Quem ama procura tratar pelo nome a pessoa amada. Assim aconteceu com Maria Madalena em busca do corpo de Jesus e a falar com Ele, mas pensando tratar-se do jardineiro. <em>\u00abMaria!\u00bb<\/em> \u2013 diz-lhe Ele (Jo 20, 16). S\u00f3 ent\u00e3o ela O reconhece: ao sentir-se por Ele amada, com o amor que, desde a cruz, O identifica ainda mais e que Ele atualiza para com ela, chamando-a pelo nome.<\/p>\n<p>O mesmo fez com Paulo, ao interpel\u00e1-lo: <em>Sa\u00fal, Sa\u00fal, porque me persegues?<\/em> (At 9, 4; 22, 7; 26, 14). Neste caso o amor \u00e9 ainda maior: \u00e9 a um inimigo, como os que O tinham crucificado. Por isso o chama pelo nome hebraico e na vers\u00e3o hebraica que mais assim o identifica (em grego seria \u201cSaulo\u201d). Como o pr\u00f3prio escreve, ele perseguia a Cristo por ser <em>fariseu<\/em> e, como tal,<em> extremamente zeloso das tradi\u00e7\u00f5es dos meus pais<\/em> (Fil 3, 5; Gal 1, 14).<\/p>\n<p>Temos, enfim, a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o no termo da caminhada do Ressuscitado com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, <em>quando Ele se p\u00f4s \u00e0 mesa, tomou o p\u00e3o, recitou a b\u00ean\u00e7\u00e3o, partiu-o e entregou-lho<\/em> (Lc 24, 30). Qualquer leitor crist\u00e3o associa a estes gestos as palavras que, desde a \u00daltima Ceia at\u00e9 \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas atuais, os completam e lhes d\u00e3o sentido: \u201cIsto \u00e9 o meu Corpo, que ser\u00e1 entregue por v\u00f3s\u201d; \u201cEste \u00e9 o c\u00e1lice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna alian\u00e7a, que ser\u00e1 derramado por v\u00f3s e por todos, para remiss\u00e3o dos pecados\u201d. Diz o Papa Bento XVI, a prop\u00f3sito destas palavras de Jesus: \u201cAo fazer do p\u00e3o o seu Corpo e do vinho o seu Sangue, Ele antecipa a morte, aceita-a no seu \u00edntimo e transforma-a numa a\u00e7\u00e3o de amor. Aquilo que exteriormente \u00e9 viol\u00eancia brutal \u2013 a crucifix\u00e3o \u2013 torna-se interiormente um gesto de amor que se doa totalmente\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>E porque os dois se viram assim por Ele amados, por isso <em>nesse momento se lhes abriram os olhos e O reconheceram<\/em>\u2026 E <em>partiram imediatamente de regresso a Jerusal\u00e9m<\/em>, para levarem aos <em>Onze<\/em> e aos <em>que estavam com eles<\/em> o testemunho da experi\u00eancia recebida, o feliz an\u00fancio do Ressuscitado (Lc 24, 31.33.35).<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A centralidade do querigma<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>9<\/strong>. A rea\u00e7\u00e3o destes dois disc\u00edpulos \u00e9 id\u00eantica \u00e0 das restantes testemunhas. Tamb\u00e9m <em>Maria Madalena foi anunciar aos disc\u00edpulos: Vi o Senhor<\/em>. E eles a Tom\u00e9: <em>Vimos o Senhor<\/em> (Jo 20, 18.25). E Paulo, apenas batizado por Ananias e ainda em Damasco, <em>come\u00e7ou logo a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus<\/em> (At 9, 20). De resto, no final de todos os quatro Evangelhos, Jesus despede-se dos disc\u00edpulos com um mandato semelhante ao de Lc 24, 46-48: <em>Assim est\u00e1 escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perd\u00e3o dos pecados a todas as na\u00e7\u00f5es, come\u00e7ando por Jerusal\u00e9m. V\u00f3s sois testemunhas de todas estas coisas<\/em>.<\/p>\n<p>A <strong>testemunha<\/strong> tem habitualmente um conhecimento emp\u00edrico, vivenciado do que fala \u2013 um conhecimento que at\u00e9 pode ser determinante para o seu pr\u00f3prio ser e agir e nele se refletir, tratando-se sobretudo de uma experi\u00eancia do sagrado, como \u00e9 o encontro com Jesus Cristo Senhor. Era o caso dos Ap\u00f3stolos Pedro e Jo\u00e3o, depois de curarem um paral\u00edtico, <em>em nome de Jesus Cristo Nazareno<\/em> (At 3, 6), e a concluir, perante o Sin\u00e9drio, o an\u00fancio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo Jesus: <em>E n\u00f3s somos testemunhas destes factos, n\u00f3s e o Esp\u00edrito Santo que Deus tem concedido \u00e0queles que lhe obedecem<\/em> (At 5, 32). O Esp\u00edrito de que falam, fora-lhes infundido pelo Ressuscitado (cf. Jo 20, 22; At 2, 33); e este passou, desde ent\u00e3o, a estar de tal modo presente neles, que os torna mediadores da sua salva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o suas testemunhas pela a\u00e7\u00e3o e pela palavra. Quem os capacitou para a cura \u00e9 o mesmo que anunciam pela palavra.<\/p>\n<p>O mesmo diz e faz o Ap\u00f3stolo Paulo ao apresentar-se como ministro <em>da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/em>, no contexto da sua convers\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o: O mesmo Deus, que<em> em Cristo reconcilia o mundo consigo<\/em>, tamb\u00e9m <em>por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/em>, (\u2026) <em>confiando-nos a palavra da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 a palavra que ele transmite <em>como embaixador de Cristo<\/em> e com Deus a exortar por meio dele: <em>N\u00f3s vos pedimos em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus<\/em> (2 Cor 5, 18-20). Transmite a reconcilia\u00e7\u00e3o que Deus, em Cristo crucificado, fez com toda a humanidade e com o pr\u00f3prio, quando o mesmo Cristo lhe apareceu, capacitando-o desse modo, para ser mediador dessa reconcilia\u00e7\u00e3o. Encarnou assim a mensagem que passou a anunciar; e anuncia-a, encarnada na sua pr\u00f3pria vida, no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>10<\/strong>. E a isso \u00e9 que ele atribui muito do <strong>poder persuasivo<\/strong>, da <strong>efic\u00e1cia da mensagem<\/strong>. Por exemplo, em Corinto, onde \u2013 como ele recorda em 1 Cor 2, 2-5 \u2013 <em>me apresentei diante de v\u00f3s, cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras<\/em>. Mas foi por isso que eles acreditaram: por verem, ao vivo, no estado lastimoso do Ap\u00f3stolo, o Evangelho que anunciava \u2013 <em>Jesus Cristo crucificado<\/em> e, ao mesmo tempo, <em>a poderosa manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito<\/em>, o mesmo Esp\u00edrito que levara Cristo a vencer a morte e agora leva o Ap\u00f3stolo a dar-se com semelhante intensidade.<\/p>\n<p>\u00c9 que o amor fortalece-se, quando provado pelo sofrimento. Torna-se mais naquele amor que <em>tudo desculpa, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta<\/em> e, por isso, <em>n\u00e3o acaba nunca<\/em>, escreve ele no hino \u00e0 caridade da mesma carta (1 Cor 13, 7-8). E isto, a prop\u00f3sito da Igreja, antes apresentada como um corpo em que os membros, com diferentes fun\u00e7\u00f5es, se completam e unem no <em>mesmo Esp\u00edrito<\/em>, no <em>mesmo Senhor<\/em> (Jesus) e no <em>mesmo Deus<\/em> (1 Cor 12, 4-5). Por isso lhe chama <em>corpo de Cristo <\/em>(1 Cor 12, 27), isto \u00e9, uma comunidade em que Cristo atua e se manifesta \u2013 com o seu amor ilimitado e na comunh\u00e3o eclesial que dele nasce e vive.<\/p>\n<p>Que esta comunh\u00e3o tinha e tem um enorme potencial evangelizador e atrativo, pode ver-se na primeira comunidade de Jerusal\u00e9m: porque <em>todos os que haviam abra\u00e7ado a f\u00e9 viviam unidos e tinham tudo em comum (\u2026), todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma s\u00f3 alma, e partiam o p\u00e3o em suas casas (\u2026)<\/em>, por isso <em>gozavam da simpatia de todo o povo, e o Senhor aumentava todos os dias o n\u00famero dos que deviam salvar-se<\/em> (At 2, 44-47).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>11<\/strong>. \u00c9 neste alargado contexto querigm\u00e1tico que pode e deve situar-se tamb\u00e9m a catequese, na dimens\u00e3o em que dela escreve o Papa Francisco:<\/p>\n<p>\u201c<strong><em>Uma catequese querigm\u00e1tica<\/em><\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Trata-se do <strong>primeiro an\u00fancio<\/strong> enquanto, no seu dizer, \u201ctamb\u00e9m na catequese tem um papel fundamental\u201d. Por isso, continua o Papa, ele se chama \u00abprimeiro\u00bb: n\u00e3o no sentido de que \u201cse situa no princ\u00edpio e, em seguida, se esquece ou substitui por outros conte\u00fados que o superam\u201d; mas \u201cem sentido qualitativo, porque \u00e9 o an\u00fancio <em>principal<\/em>, aquele que se tem de voltar a ouvir sempre de diferentes maneiras e aquele que se tem de voltar a anunciar sempre, de uma forma ou de outra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos\u201d. Tem, nomeadamente, de voltar a ressoar sempre \u201cna boca do catequista (\u2026): \u00abJesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar\u00bb\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 que, explica o Papa, \u201ctoda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne, que nunca deixa de iluminar a tarefa catequ\u00e9tica e permite compreender adequadamente o sentido de qualquer tema que se desenvolve na catequese. \u00c9 o an\u00fancio que d\u00e1 resposta ao anseio de infinito que existe em todo o cora\u00e7\u00e3o humano\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>12<\/strong>. Isto significa, antes de mais, que <strong>a catequese<\/strong> se n\u00e3o pode reduzir \u00e0 transmiss\u00e3o de conte\u00fados doutrinais, como no modelo escolar. A transmiss\u00e3o <strong>tem de fazer-se de modo vivenciado, inserida no encontro com Jesus Cristo<\/strong>. De resto, todo o encontro de catequese tem de ser encontro com Ele. Porque \u00e9 Ele quem, vindo ao nosso encontro, nos pode despertar para a f\u00e9, uma f\u00e9 que atinja todo o nosso ser: a cabe\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o e as m\u00e3os, que, segundo o Papa Francisco, necessariamente se correlacionam: a cabe\u00e7a para \u201cpensar o que se sente e o que se faz\u201d; o cora\u00e7\u00e3o para \u201csentir o que se pensa e o que se faz\u201d; e as m\u00e3os para \u201cfazer o que se sente e se pensa\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>III. LUGARES DO ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A Igreja<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>13<\/strong>. Que a Igreja, como comunidade de crentes, \u00e9 o lugar por excel\u00eancia para encontrar Jesus Cristo, pode ver-se j\u00e1 na voca\u00e7\u00e3o dos seus dois primeiros disc\u00edpulos, descrita em <strong>Jo 1, 35-39<\/strong>. O impulso parte de Jo\u00e3o Batista, de quem at\u00e9 ent\u00e3o eram disc\u00edpulos: <em>Vendo Jesus a passar, diz: \u00abEis o Cordeiro de Deus\u00bb<\/em>. E quando os dois j\u00e1 O seguem, Jesus pergunta-lhes: \u00ab<em>Que procurais?<\/em>\u00bb Resposta deles: \u00ab<em>Rabi (\u2026), onde moras?<\/em>\u00bb Sabendo j\u00e1 quem Ele \u00e9, s\u00f3 a morada lhes interessa. E, a convite de Jesus, <em>foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia<\/em>. Com este pormenor: <em>Era por volta das quatro horas da tarde<\/em>. Que morada \u00e9 esta? E a que se refere a hora?<\/p>\n<p>A resposta chega-nos da \u00daltima Ceia, em que Jesus prepara os disc\u00edpulos para o tempo posterior \u00e0 sua morte, o tempo da Igreja. Contra o medo de ficarem s\u00f3s, assegura-lhes que <em>na casa de meu Pai h\u00e1 muitas moradas<\/em>, nas quais lhes vai <em>preparar um lugar, <\/em>e promete-lhes: ent\u00e3o <em>virei novamente para vos levar comigo para que onde eu estou estejais v\u00f3s tamb\u00e9m<\/em> (Jo 14, 2.3). Que essa morada n\u00e3o \u00e9 somente a celeste, v\u00ea-se pela repeti\u00e7\u00e3o da promessa: <em>Quem me ama guardar\u00e1 a minha palavra e meu Pai o amar\u00e1; n\u00f3s viremos a ele e faremos nele a nossa morada<\/em> (Jo 14, 23). Esta vinda dar-se-\u00e1 atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo Par\u00e1clito (cf. Jo 14, 26), que Ele, ressuscitado, de facto lhes transmite, capacitando-os, a eles e a todos os crentes, para o amor obtido pelo perd\u00e3o (cf. Jo 20, 22-23) \u2013 o amor fraterno que nos identifica como seus disc\u00edpulos e nos une na sua Igreja (cf. Jo 13, 35; 17, 20-23).<\/p>\n<p>Quer isto dizer que as <em>quatro horas da tarde<\/em>, em que os primeiros disc\u00edpulos entraram na morada de Jesus, apontam possivelmente para a hora a seguir \u00e0 da sua morte<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> \u2013 a hora em que do seu peito, trespassado pela lan\u00e7a do soldado, <em>saiu sangue e \u00e1gua<\/em> (Jo 19, 34), tradicionalmente relacionados com o Batismo e a Eucaristia, de que vive a Igreja. Da\u00ed a afirma\u00e7\u00e3o, com base nisso, de que a Igreja come\u00e7ou e cresceu \u201cpelo sangue e pela \u00e1gua sa\u00eddos do lado aberto de Jesus crucificado\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. De facto, \u00e9 nela que Jesus Cristo vem ao nosso encontro, tal como Jo\u00e3o Batista no-lo apresenta: <em>Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo<\/em> (Jo 1, 29) \u2013 isto na Eucaristia, memorial do amor infinito manifestado na sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>14<\/strong>. Por isso, \u00e9 sobretudo a\u00ed, \u201cno santo Sacrif\u00edcio da Missa\u201d e \u201cprincipalmente sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas\u201d, que Ele est\u00e1 presente<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Mas, dentro ou fora da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, Ele \u201cest\u00e1 presente na sua Igreja de m\u00faltiplos (outros) modos: na sua Palavra, na ora\u00e7\u00e3o da Igreja, <em>onde dois ou tr\u00eas est\u00e3o reunidos em meu nome<\/em> (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (cf. Mt 25, 31-46), nos seus sacramentos, dos quais \u00e9 o autor (\u2026) e na pessoa do ministro\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p>Vejamos como, em alguns desses lugares, podemos encontrar-nos com Ele.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A palavra da Escritura<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>15<\/strong>. Que \u201ctodas as Escrituras (a Lei, os Profetas e os Salmos) se cumpriram em Cristo\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>, de tal modo que, como diz S. Jer\u00f3nimo, \u201cdesconhecer as divinas Escrituras \u00e9 desconhecer Cristo\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>, v\u00ea-se ainda, entre inumer\u00e1veis exemplos, na sua apresenta\u00e7\u00e3o como <em>Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo<\/em>. Tudo indica que se inspira no Cordeiro Pascal, do livro do \u00caxodo, e no Servo de Deus, do livro de Isa\u00edas: na cruz, Jesus foi realmente o Servo que <em>suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores (\u2026), como cordeiro levado ao matadouro<\/em> (Is 53, 4.7; cf. v. 11); e foi o Cordeiro Pascal do qual se diz: <em>nenhum osso lhe ser\u00e1 quebrado<\/em> (Ex 12, 46 citado em Jo 19, 36). E na medida em que, <em>como nosso cordeiro pascal, foi imolado<\/em> (1 Cor 5, 7), assim nos libertou da escravid\u00e3o do pecado e continua a libertar, designadamente pela <strong>Sagrada Escritura que d\u2019Ele fala e em que Ele nos fala<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>16<\/strong>. Esta \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da B\u00edblia que, para n\u00f3s crentes, a distingue de qualquer outro livro: \u201cAs Sagradas Escrituras cont\u00eam a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, s\u00e3o verdadeiramente Palavra de Deus\u201d. Ou ainda, pela mesma raz\u00e3o: \u201cNos Livros Sagrados, o Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us vem carinhosamente ao encontro dos seus filhos, para conversar com eles\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. Isto \u00e9, ao lermos ou escutarmos os textos b\u00edblicos, nesse preciso momento est\u00e1 Deus a falar-nos, o mesmo Deus que inspirou os autores humanos, fazendo suas \u2013 isto \u00e9, sagradas \u2013 as obras por eles escritas, e nelas se comunica. Da\u00ed a efic\u00e1cia que o texto b\u00edblico tem \u2013 desde que lido ou escutado \u201csegundo o Esp\u00edrito que habita na Igreja\u201d,<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> o mesmo Esp\u00edrito que o inspirou.<\/p>\n<p>Para isso \u00e9 necess\u00e1rio <strong>cuidar do ambiente em que \u00e9 feita a leitura<\/strong>, sobretudo pela ora\u00e7\u00e3o, como ali\u00e1s acontece nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas; ou nos encontros de catequese, por norma centrados num ou mais textos b\u00edblicos; ou na <em>lectio divina<\/em> ou leitura orante, pessoal ou comunit\u00e1ria, especialmente prop\u00edcia para \u201ccriar o encontro com Cristo, Palavra divina viva\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>; ou em express\u00f5es de piedade popular, como a Via-Sacra e o Ros\u00e1rio, em que cada esta\u00e7\u00e3o e cada mist\u00e9rio s\u00e3o introduzidos por uma leitura b\u00edblica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>17<\/strong>. Com tudo isso nos congratulamos, mas \u00e9 preciso mais. Uma regular leitura da B\u00edblia ainda n\u00e3o entrou nos h\u00e1bitos de muitos crist\u00e3os, mesmo daqueles que, na catequese da inf\u00e2ncia, dedicaram todo um ano a conhec\u00ea-la.<\/p>\n<p>Por isso assumimos o desejo do Papa Francisco expresso no final do Ano Santo da Miseric\u00f3rdia: \u201cQue cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Lit\u00fargico, renovar o compromisso em prol da difus\u00e3o, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente \u00e0 Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgot\u00e1vel que prov\u00e9m daquele di\u00e1logo constante de Deus com o seu povo\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>E sugerimos, como data, o domingo em que nas nossas comunidades crist\u00e3s se celebra a Festa da Palavra conclusiva do ano catequ\u00e9tico dedicado \u00e0 Sagrada Escritura (com o t\u00edtulo: <em>Tens Palavras de Vida Eterna<\/em>, de Jo 6, 68). Para as crian\u00e7as em festa ser\u00e1 um meio de se sentirem ainda mais integradas na comunidade: na medida em que esta acolhe o seu testemunho evangelizador acerca da experi\u00eancia que fizeram com a Palavra de Deus e, desse modo, as incentiva a continuarem a ler a B\u00edblia, dentro e fora da catequese. E isto integrado na celebra\u00e7\u00e3o em que deve ser maior a comunh\u00e3o da comunidade, porque proveniente do encontro pessoal de cada um com Jesus Cristo no sacramento em que \u00e9 mais viva a sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A Eucaristia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>18<\/strong>. Se falamos aqui apenas deste sacramento, \u00e9 sobretudo por ele ser, segundo S. Tom\u00e1s de Aquino, \u201co sacramento dos sacramentos\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. No II Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano explicou-se porqu\u00ea: por ser \u201cfonte e cume de toda a vida crist\u00e3\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. Isto \u00e9, \u201ctodos os outros sacramentos (\u2026), bem como todos os minist\u00e9rios eclesi\u00e1sticos e obras de apostolado est\u00e3o unidos com a Eucaristia e a ela se ordenam\u201d, j\u00e1 que \u201cna Sagrada Eucaristia est\u00e1 contido todo o bem espiritual da Igreja, isto \u00e9, o pr\u00f3prio Cristo, nossa P\u00e1scoa\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>.<\/p>\n<p>E a melhor express\u00e3o de \u201cCristo, nossa P\u00e1scoa\u201d est\u00e1 no modo como nos \u00e9 apresentado antes de o comungarmos: <em>Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo<\/em>. S\u00e3o palavras que, como j\u00e1 vimos, resumem o <strong>mist\u00e9rio pascal de Cristo<\/strong>, em que Ele <em>consumou<\/em> a obra salv\u00edfica para a qual fora enviado pelo Pai (cf. Jo 19, 30). Baseando-se nas par\u00e1bolas de Jesus sobre a miseric\u00f3rdia de Deus (Lc 15), diz o Papa Bento XVI que \u201cna sua morte na cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si pr\u00f3prio, com o qual Ele se entrega para levantar o ser humano e salv\u00e1-lo \u2013 o amor na sua forma mais radical. No mist\u00e9rio pascal, realizou-se verdadeiramente a nossa liberta\u00e7\u00e3o do mal e da morte\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas aquelas palavras resumem tamb\u00e9m o mist\u00e9rio celebrado na Eucaristia, que Jesus instituiu na festa da P\u00e1scoa judaica, centrada no Cordeiro Pascal. Sobre isso diz ainda Bento XVI: \u201cJesus \u00e9 o <em>verdadeiro<\/em> Cordeiro Pascal, que se ofereceu espontaneamente a si mesmo em sacrif\u00edcio por n\u00f3s, realizando assim a nova e eterna alian\u00e7a. A Eucaristia cont\u00e9m nela esta novidade radical, que nos \u00e9 oferecida em cada celebra\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>19<\/strong>. \u00c9 este amor t\u00e3o radical que, no seu memorial eucar\u00edstico, mais nos atrai, fascina e conquista. \u00c9 ent\u00e3o que olhamos <em>para Aquele que trespassaram<\/em> (Jo 19, 37), contemplando-O e adorando-O no amor em que todo Ele se nos d\u00e1, ao entregar o seu Corpo e derramar o seu Sangue por n\u00f3s e por todos. Uma adora\u00e7\u00e3o silenciosa de que irrompe a exclama\u00e7\u00e3o de f\u00e9: \u201cAnunciamos Senhor a vossa morte, proclamamos a vossa ressurrei\u00e7\u00e3o. Vinde, Senhor Jesus!\u201d Ou depois nos conduz ao \u201c\u00c1men\u201d, a express\u00e3o da f\u00e9 com que, antes de O comungarmos, respondemos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do seu \u201cCorpo\u201d \u2013 o Corpo antes entregue por n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 neste sentido que deve entender-se a \u201c<strong>participa\u00e7\u00e3o<\/strong> plena, consciente e ativa\u201d nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas em que insiste o II Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>. E n\u00e3o \u2013 como por vezes se pensa, sobretudo tratando-se de crian\u00e7as \u2013 no sentido de uma \u201cmera atividade exterior durante a celebra\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o: \u201cA participa\u00e7\u00e3o ativa desejada pelo Conc\u00edlio deve ser entendida (&#8230;) a partir de uma maior consci\u00eancia do mist\u00e9rio que \u00e9 celebrado e da sua rela\u00e7\u00e3o com a vida quotidiana\u201d<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. E de facto \u00e9 isso que o Conc\u00edlio recomenda: que os fi\u00e9is \u201csejam instru\u00eddos pela palavra de Deus, se alimentem \u00e0 mesa do Corpo do Senhor, deem gra\u00e7as a Deus; oferecendo a h\u00f3stia imaculada, n\u00e3o s\u00f3 pelas m\u00e3os dos sacerdotes mas tamb\u00e9m em uni\u00e3o com ele, aprendam a oferecer-se a si mesmos e, por Cristo Mediador, dia ap\u00f3s dia, sejam consumados na unidade com Deus e entre si\u201d<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>20<\/strong>. Com isto j\u00e1 estamos a falar tamb\u00e9m das <strong>repercuss\u00f5es e efeitos deste sacramento na nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria<\/strong>. Entre as que mais nos situam no encontro com Jesus Cristo, est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>No \u00e2mbito da rela\u00e7\u00e3o entre a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e a adora\u00e7\u00e3o, pessoal ou comunit\u00e1ria, como \u201cprolongamento vis\u00edvel da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a qual, em si mesma, \u00e9 o maior ato de adora\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>. Alegra-nos que esteja a crescer o apre\u00e7o por ela, inclusivamente da parte de crian\u00e7as e jovens: apre\u00e7o sobretudo pelo sil\u00eancio que, em altern\u00e2ncia com a palavra, t\u00e3o prop\u00edcio \u00e9 para a intimidade do encontro com o Senhor.<\/li>\n<li>Em sentido intraeclesial, a constru\u00e7\u00e3o da igreja: \u201cOs que recebem a Eucaristia est\u00e3o mais estreitamente unidos a Cristo. Por ela, Cristo une todos os fi\u00e9is num s\u00f3 Corpo: a Igreja\u201d \u2013 cuja primeira finalidade \u00e9 \u201cser sacramento da <em>uni\u00e3o \u00edntima do homem com Deus<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>.<\/li>\n<li>Em perspetiva extraeclesial, a evangeliza\u00e7\u00e3o: \u201cCom efeito, n\u00e3o podemos reservar para n\u00f3s o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade \u00e9 do amor de Deus, \u00e9 de encontrar Cristo e acreditar n\u2019Ele\u201d<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> \u2013 com a <em>f\u00e9 que atua pela caridade<\/em> (Gal 5, 6).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A viv\u00eancia da caridade<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>21<\/strong>. Segundo o Papa Bento XVI, a pr\u00e1tica da caridade na igreja \u201cpertence tanto \u00e0 sua ess\u00eancia como o servi\u00e7o dos sacramentos e o an\u00fancio do evangelho.\u201d Mais: \u201cS\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo um ser separado dos outros\u201d<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 que tamb\u00e9m <strong>a caridade nasce e se nutre de Cristo<\/strong>, do encontro pessoal com Ele, naquele supremo ato de doa\u00e7\u00e3o em que se tornou o <em>Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo<\/em>. E porque nos \u00e9 assim apresentado na Eucaristia, por isso Ele a\u00ed nos arrasta e envolve \u201cna din\u00e2mica da sua doa\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma doa\u00e7\u00e3o que se exprime, j\u00e1 na celebra\u00e7\u00e3o, pelo gesto da <strong>paz<\/strong>, mas que tem de alargar-se a toda a nossa vida. Da\u00ed que, a seguir a esse gesto, O invoquemos por tr\u00eas vezes com o mesmo t\u00edtulo, pedindo-lhe que tenha piedade de n\u00f3s e nos d\u00ea a paz \u2013 aquela paz que Ele prometeu na \u00daltima Ceia (cf. Jo 14, 27) e transmitiu depois de glorificado na tr\u00edplice sauda\u00e7\u00e3o: <em>A paz esteja convosco!<\/em> (Jo 20, 19.21.26); uma paz diferente daquela que <em>d\u00e1 o mundo <\/em>(Jo 14, 27), porque radicada no perd\u00e3o e na reconcilia\u00e7\u00e3o (cf. Jo 20, 23), imposs\u00edveis sem o poder do amor. E se, por isso, Cristo <em>\u00e9 a nossa paz<\/em> (Ef 2, 14), podemos tamb\u00e9m dizer d\u2019Ele o que proclamamos sobre Deus: onde h\u00e1 caridade verdadeira, a\u00ed habita Ele. Tanto mais que, como diz S. Agostinho, \u201cse v\u00eas a caridade, v\u00eas a Trindade\u201d<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>22<\/strong>. Nesse sentido \u2013 \u00e0queles que no ju\u00edzo universal ser\u00e3o por Ele julgados \u2013 Ele pr\u00f3prio diz estar <strong>presente nos carenciados<\/strong> de alimento, habita\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, sa\u00fade, liberdade. De tal modo que o que <em>fizestes<\/em> (ou n\u00e3o) <em>a um dos meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim o fizestes<\/em> (Mt 25, 40). S\u00e3o <em>pequeninos<\/em> porque carenciados de vida; e <em>irm\u00e3os<\/em> porque Ele tanto viveu para eles, que se tornaram membros da sua fam\u00edlia, parte do seu ser. De modo semelhante diz Ele das crian\u00e7as, com uma nos bra\u00e7os: <em>Quem receber uma destas crian\u00e7as em meu nome \u00e9 a Mim que recebe; e quem Me receber, n\u00e3o Me recebe a Mim mas \u00c0quele que Me enviou<\/em> (Mc 9, 37). Trata-se de um amor universal e gratuito, pr\u00f3prio de um Deus que de todos \u00e9 Pai e como tal <em>faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos<\/em> (Mt 5, 45). E se h\u00e1 filhos que Ele mais ama, s\u00e3o os que mais precisam, como a ovelha perdida ou o filho pr\u00f3digo (cf. Lc 15).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>23<\/strong>. De modo semelhante Jesus se diz presente na sua Igreja: <em>Onde est\u00e3o dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, eu estou no meio deles<\/em> (Mt 18, 20). Est\u00e1 no meio deles, por dois motivos: porque \u00e9 Ele quem os une em <strong>ora\u00e7\u00e3o<\/strong> (cf. Mt 18, 19), naquele \u201cencontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que n\u00f3s tenhamos sede d\u2019Ele\u201d, como no encontro de Jesus com a mulher samaritana<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>. Da\u00ed que Ele esteja no meio de n\u00f3s tamb\u00e9m pelo motivo da ora\u00e7\u00e3o: o irm\u00e3o que pecou e que, tendo rejeitado todas as tentativas humanas para se arrepender, se tornou como <em>um pag\u00e3o e um publicano<\/em>, um estranho \u00e0 Igreja (cf. Mt 18, 15-17); mas do qual ela n\u00e3o pode desligar-se, a exemplo de Jesus, especialmente <em>amigo de publicanos e pecadores<\/em> (Mt 11, 19), e sabendo, como Ele diz, que <em>tudo o que ligardes na terra ser\u00e1 ligado no C\u00e9u<\/em> (Mt 18, 18) \u2013 designadamente pela ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por tudo isso \u00e9 em tais situa\u00e7\u00f5es que Jesus est\u00e1 ainda mais presente na sua Igreja: quando, pela miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o, o seu e nosso amor \u00e9 maior na sua e nossa Igreja.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Uma catequese comunit\u00e1ria<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>24<\/strong>. Se \u201ca finalidade \u00faltima da catequese \u00e9 p\u00f4r as pessoas n\u00e3o apenas em contacto, mas em comunh\u00e3o, em intimidade, com Jesus Cristo\u201d<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a>; e se, como acabamos de ver, \u201co an\u00fancio, a transmiss\u00e3o e a experi\u00eancia vivida no Evangelho se realizam na Igreja\u201d \u2013 ent\u00e3o \u201c<strong>a comunidade crist\u00e3 \u00e9 a origem, o lugar e a meta da catequese<\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a>. \u00c9 nesse sentido que a catequese \u00e9 comunit\u00e1ria: porque vive da comunidade e para a comunidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>25<\/strong>. Que a catequese tem de <strong>levar os catequizandos a integrarem-se na comunidade<\/strong> crist\u00e3 \u00e9 a conclus\u00e3o \u00f3bvia da reflex\u00e3o anterior: \u00e9 sobretudo l\u00e1, na Igreja, que podem encontrar-se com Jesus Cristo Senhor, presente ao vivo na Palavra, na Liturgia, em especial na Eucaristia e nos sacramentos, e na pr\u00e1tica da caridade.<\/p>\n<p>Mas, apesar de t\u00e3o \u00f3bvio, infelizmente a realidade \u00e9 ainda, em muitos casos, a oposta. Uma falha grave, que muito preocupa os respons\u00e1veis pela catequese nas nossas dioceses, segundo testemunhos deles recebidos. E com raz\u00e3o: est\u00e1 a\u00ed talvez a causa principal do referido abandono de crian\u00e7as e jovens durante ou no final do percurso catequ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Da\u00ed o nosso apelo a cada comunidade crist\u00e3, mormente na pessoa dos seus respons\u00e1veis, a que tudo fa\u00e7a para chamar e acolher, com a alegria e o afeto de m\u00e3e, os filhos que gerou pelo batismo e precisam de crescer \u00e0 luz da Palavra, com a energia do P\u00e3o eucar\u00edstico e na alegria da caridade praticada e recebida, inserindo-os em correspondentes atividades.<\/p>\n<p>Onde isso j\u00e1 se faz, \u00e9 a pr\u00f3pria comunidade a primeira a ganhar, a ser revitalizada: na quantidade dos seus membros \u2013 quantos pais e outros familiares t\u00eam (re)encontrado o caminho para a Igreja e para Deus, levados pelos filhos! \u2013 e na qualidade da sua vida crist\u00e3, fruto de uma f\u00e9 mais esclarecida e convicta dos seus membros nos encontros de catequese. O que pressup\u00f5e a outra dimens\u00e3o da catequese comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>26<\/strong>. Que <strong>a vida da comunidade entre e se reflita na catequese<\/strong>: pela experi\u00eancia e o testemunho de vida dos pr\u00f3prios catequizandos e catequistas; ou de outros crist\u00e3os comprometidos em atividades comunit\u00e1rias de car\u00e1ter mission\u00e1rio, lit\u00fargico ou caritativo; ou ainda dos santos, especialmente os mais ligados \u00e0 comunidade local. Em todos eles a mensagem crist\u00e3, porque encarnada na vida pessoal e comunit\u00e1ria, \u00e9 sem d\u00favida muito mais atraente e convincente.<\/p>\n<p>Pela import\u00e2ncia da liturgia, merece, neste campo, especial relev\u00e2ncia a <strong>catequese mistag\u00f3gica<\/strong>, isto \u00e9, o conhecimento vivencial dos ritos e s\u00edmbolos, do sil\u00eancio, da linguagem e do canto que, nas celebra\u00e7\u00f5es, nos p\u00f5em em contacto com o mist\u00e9rio da presen\u00e7a de Cristo. Que isso, segundo testemunhos recebidos das dioceses, esteja a ter entre n\u00f3s uma crescente ades\u00e3o, \u00e9 mais um motivo para nos alegrarmos. \u00c9 que, como escreveu Bento XVI, \u201cpor sua natureza a liturgia possui a efic\u00e1cia pedag\u00f3gica pr\u00f3pria para introduzir os fi\u00e9is no conhecimento do mist\u00e9rio celebrado.\u201d Um conhecimento em cujo itiner\u00e1rio entram, ainda segundo ele, tr\u00eas elementos: a \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o dos ritos \u00e0 luz dos acontecimentos salv\u00edficos\u201d; a introdu\u00e7\u00e3o \u201cno sentido dos sinais contidos nos ritos\u201d; e a indica\u00e7\u00e3o do \u201csignificado dos ritos para a vida crist\u00e3, em todas as suas dimens\u00f5es\u201d<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. \u00c9 um itiner\u00e1rio que atinge todo o nosso ser \u2013 cabe\u00e7a, cora\u00e7\u00e3o e m\u00e3os \u2013 como, segundo o Papa Francisco atr\u00e1s citado, deve acontecer em todo o encontro com Jesus Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>IV. MEDIADORES DO ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A comunidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"27\">\n<li><strong>27<\/strong>. Ningu\u00e9m que se tenha encontrado com Jesus Cristo, consegue passar sem O anunciar. Tornou-se uma necessidade, <em>uma obriga\u00e7\u00e3o que me foi imposta<\/em>, confessa S. Paulo, exclamando: <em>Ai de mim, se eu n\u00e3o evangelizar!<\/em> (1 Cor 9, 16). Tal como, s\u00e9culos antes, confessava o profeta Jeremias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra recebida de Deus: <em>Havia no meu cora\u00e7\u00e3o um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava cont\u00ea-lo, mas n\u00e3o podia<\/em> (Jer 20, 9).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O mesmo sucede com os primeiros disc\u00edpulos que seguem Jesus, <em>o Cordeiro de Deus<\/em>, e com Ele passam a morar. Primeiro \u00e9 Andr\u00e9 que, mal v\u00ea o irm\u00e3o Sim\u00e3o Pedro, lhe anuncia: <em>Encontr\u00e1mos o Messias<\/em>. Um dia depois \u00e9 Filipe a dizer a Natanael: <em>Encontr\u00e1mos Aquele de quem est\u00e1 escrito na Lei de Mois\u00e9s e nos Profetas <\/em>(Jo 1, 41.45).<\/p>\n<p>Ambos usam o verbo <em>encontr\u00e1mos<\/em> no plural e no perfeito, um tempo verbal que, em grego, se refere a um acontecimento passado, mas que se repercute e mant\u00e9m no presente. Isto \u00e9, ambos falam em nome dos outros disc\u00edpulos que, como eles, continuam (a encontrar-se) com Jesus na sua morada, a sua Igreja.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>28<\/strong>. De facto \u201c<strong>\u00e9 sempre da comunidade crist\u00e3 que nasce o an\u00fancio do Evangelho<\/strong>, que convida os homens e mulheres \u00e0 convers\u00e3o e a seguirem Cristo\u201d<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a>. Foi o caso de S. Paulo, na sua primeira viagem mission\u00e1ria, com S. Barnab\u00e9: tomada a decis\u00e3o pela comunidade de Antioquia, de que faziam parte, foi dela que partiram, <em>depois de terem jejuado e orado<\/em> e lhes terem imposto as m\u00e3os (At 13, 3). E foi para l\u00e1 que, no final, regressaram e \u00e0 comunidade <em>contaram tudo o que Deus fizera com eles<\/em> (At 14, 27).<\/p>\n<p>O mesmo acontece com a catequese, como aprofundamento do primeiro an\u00fancio e \u201ca\u00e7\u00e3o evangelizadora fundamental de cada Igreja particular\u201d (a diocese). Toda ela \u201cdeve sentir-se respons\u00e1vel por este servi\u00e7o\u201d; porque \u201c\u00e9 ela que anuncia, que transmite o Evangelho, que celebra\u2026 Os agentes \u00abservem\u00bb este minist\u00e9rio e agem \u00abem nome da Igreja\u00bb\u201d<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>29<\/strong>. Repare-se como \u00e9 de \u201c<strong>servi\u00e7o<\/strong>\u201d e \u201c<strong>servir<\/strong>\u201d que se fala, isto \u00e9, da atitude e a\u00e7\u00e3o em que a prioridade absoluta \u00e9 dada a quem envia \u2013 Jesus Cristo; \u00e0queles a quem se \u00e9 enviado \u2013 os catequizandos; e ao conte\u00fado da mensagem \u2013 o amor salv\u00edfico de Deus na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de seu Filho.<\/p>\n<p>Foi assim com S. Paulo, que renunciava at\u00e9 \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o a que tinha direito pelo trabalho mission\u00e1rio, <em>por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens<\/em> (1 Cor 9, 23), da sua gratuidade. \u00c9 que tamb\u00e9m Cristo <em>n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela reden\u00e7\u00e3o de todos <\/em>(Mc 10, 45). E quem, fascinado por t\u00e3o radical doa\u00e7\u00e3o, a Ele se entrega pela f\u00e9, fica de tal modo possu\u00eddo por Ele, que bem pode exclamar como S. Paulo: <em>J\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim <\/em>(Gal 2, 20); ou ainda: <em>O amor de Cristo me impele<\/em> (2 Cor 5, 15) \u2013 em tudo o que fa\u00e7o, designadamente como mediador do encontro com Ele, na catequese. Ent\u00e3o sim: s\u00f3 Cristo nela \u201c\u00e9 ensinado\u201d e \u201cs\u00f3 Cristo ensina\u201d<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a>. Vejamos como isso se concretiza em alguns dos mediadores:<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Os ministros ordenados<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>30<\/strong>. S\u00e3o eles: os bispos, como \u201cprimeiros respons\u00e1veis pela catequese, os catequistas por excel\u00eancia\u201d, nas suas dioceses; e os presb\u00edteros e di\u00e1conos que, como seus \u201ccolaboradores imediatos\u201d, nada devem descurar \u201cem vista de uma atividade catequ\u00e9tica bem estruturada e orientada\u201d<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria pela catequese e dos deveres e iniciativas a isso inerentes<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a>, uma coisa devem, uns e outros, ter presente: a correla\u00e7\u00e3o complementar entre a miss\u00e3o de ensinar e as de santificar e governar. Todas elas concorrem, direta ou indiretamente, para o mesmo: levar ao encontro pessoal com Jesus Cristo. S\u00f3 que, para isso, t\u00eam os pr\u00f3prios de deixar-se encontrar por Ele, serem simultaneamente mediadores e destinat\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por exemplo na homilia, particularmente real\u00e7ada pelo Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cA Alegria do Evangelho\u201d, talvez por ser nela que eles, os ministros ordenados, mais e melhor podem exercer a miss\u00e3o de ensinar. Neste caso, com o objetivo de orientar \u201ca assembleia, e tamb\u00e9m o pregador, para uma comunh\u00e3o com Cristo na Eucaristia, que transforme a vida\u201d<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a>. Para isso exige-se uma adequada prepara\u00e7\u00e3o, a partir dos textos b\u00edblicos e neles centrada, os textos em que Deus fala primeiro aos pr\u00f3prios pregadores e depois aos destinat\u00e1rios da homilia, ambos nas situa\u00e7\u00f5es concretas das suas vidas. Isto \u00e9, \u201cquem quiser pregar, deve primeiro estar disposto a deixar-se tocar pela Palavra de Deus e encarn\u00e1-la na sua vida concreta\u201d. E isto, num clima de ora\u00e7\u00e3o, a <em>lectio divina<\/em>, durante a qual \u201co pregador \u00e9 um contemplativo da palavra e tamb\u00e9m um contemplativo do povo\u201d<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a>. Antecipa, em parte e pessoalmente, o que depois acontecer\u00e1 na celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, \u00e9 o mesmo itiner\u00e1rio a seguir pelo catequista.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O catequista<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>31<\/strong>. O catequista \u00e9 <strong>figura chave na catequese<\/strong>. E disso t\u00eam consci\u00eancia os respons\u00e1veis diocesanos, pelos testemunhos e sugest\u00f5es que nos transmitiram. O catequista \u00e9 figura chave, desde logo por aquilo que ele \u00e9 intrinsecamente: \u201cum mediador que facilita a comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas e o mist\u00e9rio de Deus, dos sujeitos entre si e com a comunidade\u201d<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a>. \u00c9 o rosto da comunidade, seu mediador e porta-voz, o que exige dele a devida integra\u00e7\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o e credibilidade na comunidade. E torna-se, para os catequizandos, a refer\u00eancia concreta e pr\u00f3xima do Evangelho que lhes transmite, para os conduzir \u00e0 comunh\u00e3o e intimidade com Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Da\u00ed deriva, antes de mais, o seu <strong>perfil<\/strong>: mais do que um mestre que transmite saberes, deve considerar-se um guia espiritual que acompanha no caminho do Senhor. O que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se ele pr\u00f3prio tiver experi\u00eancia pessoal do encontro com Ele e conhecer o caminho a percorrer \u2013 o encontro do qual nasce tamb\u00e9m a sua <em>voca\u00e7\u00e3o<\/em>: \u00e9 do \u201cconhecimento amoroso de Cristo que brota o desejo de O anunciar, de \u00abevangelizar\u00bb e levar os outros ao \u00absim\u00bb da f\u00e9 em Jesus Cristo\u201d<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>32<\/strong>. E \u00e9 ainda impelido pelo amor de Cristo que ele deseja e procura conhec\u00ea-lo mais e melhor, isto \u00e9, se fundamenta a sua <strong>forma\u00e7\u00e3o<\/strong>, a que \u201ca pastoral diocesana deve dar absoluta prioridade\u201d<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a>. Uma forma\u00e7\u00e3o em que se inclua: \u201co <em>pr\u00f3prio ser<\/em> do catequista\u201d, enquanto pessoa e crist\u00e3o; \u201co <em>saber<\/em>\u201d tanto da \u201cmensagem que transmite\u201d como do \u201cdestinat\u00e1rio que a recebe\u201d; e \u201co <em>saber fazer<\/em>, j\u00e1 que a catequese \u00e9 um ato de comunica\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\">[54]<\/a>. Mas, tratando-se de uma comunica\u00e7\u00e3o amorosa, de comunh\u00e3o, a estes saberes juntem-se mais dois: o <em>saber estar em<\/em>, isto \u00e9, na comunidade crist\u00e3, que representa, e partilhando com os outros catequistas o trabalho, se poss\u00edvel, em equipa orientada por um catequista coordenador; e o <em>saber estar com<\/em>, isto \u00e9, relacionado no dia a dia de catequista com os catequizandos, para que a mensagem seja compreens\u00edvel e pr\u00f3xima, desej\u00e1vel e cred\u00edvel.<\/p>\n<p>Inserida nestas dimens\u00f5es e como seu esteio, est\u00e1 a <strong>forma\u00e7\u00e3o espiritual <\/strong>do catequista, em que os contributos vindos das dioceses insistiram particularmente, apresentando mesmo v\u00e1rias propostas: que se proporcione aos catequistas uma experi\u00eancia de primeiro an\u00fancio, centrado no encontro pessoal com Cristo; se desperte neles o gosto pela <em>lectio divina<\/em>; e que j\u00e1 no curso de inicia\u00e7\u00e3o se inclua um discernimento sobre a pr\u00f3pria vida e voca\u00e7\u00e3o, seguido de acompanhamento espiritual durante o est\u00e1gio.<\/p>\n<p>E tal forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de ser <strong>permanente<\/strong>: entre outros meios, pela ass\u00eddua participa\u00e7\u00e3o na vida lit\u00fargica e de ora\u00e7\u00e3o da comunidade e pela prepara\u00e7\u00e3o dos encontros de catequese \u00e0 maneira do que foi dito da prepara\u00e7\u00e3o da homilia. \u201cCada tema catequ\u00e9tico que o catequista transmite deve alimentar, em primeiro lugar, a pr\u00f3pria f\u00e9. O catequista catequiza os outros catequizando-se primeiramente a si mesmo\u201d<a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\">[55]<\/a>. Nesse sentido, siga o itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o, proposto para cada encontro de catequese, como um caminho semanal de reflex\u00e3o e crescimento na f\u00e9, de convers\u00e3o permanente, e n\u00e3o apenas como um mero instrumento pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>33<\/strong>. E isso vai, de certeza, repercutir-se depois nos encontros de catequese e para al\u00e9m deles: nos encontros, que devem ser sempre encontros com Cristo, notar-se-\u00e1 essa prepara\u00e7\u00e3o, por exemplo, na dedica\u00e7\u00e3o afetuosa com que o catequista se relaciona com os catequizandos, respeitando-os na sua identidade e liberdade, escutando-os atenciosamente e, sobretudo, rezando realmente com eles; para al\u00e9m dos encontros, lev\u00e1-lo-\u00e1 a manter-se em contacto com eles, atrav\u00e9s nomeadamente dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que a t\u00e9cnica hoje oferece, e a rezar diariamente por eles.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, sim: Cristo mostrar-se-\u00e1 ao vivo na vida do catequista e a catequese prolonga-se por todos os dias da vida dos catequizandos, do mesmo modo como deve atingir a totalidade do seu ser. E nisto entra j\u00e1 um outro mediador imprescind\u00edvel:<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A fam\u00edlia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>34<\/strong>. A fam\u00edlia \u00e9 \u201c<strong>insubstitu\u00edvel<\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\">[56]<\/a> na catequese da inf\u00e2ncia e, ainda que de modo diferente, da adolesc\u00eancia; isto \u00e9, nas fases et\u00e1rias em que os catequizandos mais dependem dos pais ou outros respons\u00e1veis pela sua educa\u00e7\u00e3o. Ora, se o encontro com Cristo deve atingir a totalidade do ser humano, de modo algum se podem dispensar dele as pessoas que fazem parte da vida dos que com Ele se encontram.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que uma das maiores causas do abandono precoce de crian\u00e7as e adolescentes est\u00e1 na falta de envolvimento dos pais e outros familiares na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que a comunidade oferece aos filhos. Como podemos querer que o filho reze diariamente e participe regularmente nos atos da vida da comunidade, especialmente na Eucaristia dominical, se o n\u00e3o v\u00ea fazer os pais, a que est\u00e1 particularmente ligado?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>35<\/strong>. \u00c9 verdade que os pais, ao pedir o batismo para os filhos (e ainda s\u00e3o a maioria entre n\u00f3s), prometem, em p\u00fablico, educ\u00e1-los crist\u00e3mente; uma educa\u00e7\u00e3o que depende muit\u00edssimo do exemplo de vida dos educadores. S\u00f3 que, chegada a altura da catequese, n\u00e3o basta chamar-lhes a aten\u00e7\u00e3o para esse compromisso, querendo como que obrig\u00e1-los a uma pr\u00e1tica de vida de que eles n\u00e3o sentem necessidade, a uma miss\u00e3o de que n\u00e3o est\u00e3o convencidos. A f\u00e9 e a consequente pr\u00e1tica crist\u00e3 pressup\u00f5em a liberdade que radica no amor transmitido por Cristo aos que por Ele se deixam conquistar. Mas ent\u00e3o que fazer para que isso aconte\u00e7a com pais que (ainda) levam os filhos \u00e0 catequese?<\/p>\n<p>O caminho mais f\u00e1cil e eficaz tem, a nosso ver, de partir daquilo, ou melhor, daqueles que s\u00e3o a raz\u00e3o de ser de qualquer pai ou m\u00e3e que se preze: os filhos, o amor que t\u00eam por eles e o bem que lhes querem. Na grande maioria dos casos \u00e9 isso, ali\u00e1s, que os leva a inseri-los na catequese: reconhecerem o bem que s\u00e3o para eles os valores que nela se transmitem e cuja aceita\u00e7\u00e3o o Evangelho facilita. E isto ainda mais num mundo como o nosso em que se sente cada vez mais a falta desses valores. Resumindo: hoje t\u00eam de ser <strong>os filhos a levar os pais ao (re)encontro com Deus<\/strong>, convencendo-os a participar em tudo o que faz parte da catequese que pedem para os filhos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, isso j\u00e1 est\u00e1 a acontecer, embora, em geral, de modo ainda incipiente. Pelo que nos chegou das dioceses, tem crescido o n\u00famero de pais que acompanham os filhos nas festas ao longo do seu percurso catequ\u00e9tico. E dizem-nos que, em muitas comunidades, a preocupa\u00e7\u00e3o de os preparar para uma participa\u00e7\u00e3o ativa tem resultado. H\u00e1 agora que aprofundar e alargar essa participa\u00e7\u00e3o: aprofund\u00e1-la no campo espiritual, para que tamb\u00e9m os pais saboreiem o encontro pessoal com Jesus Cristo; e alarg\u00e1-la, tanto quanto poss\u00edvel, aos encontros de catequese, informando os pais dos conte\u00fados doutrinais a\u00ed transmitidos e, principalmente, incentivando-os a viver, com os filhos, de acordo com esses conte\u00fados. Mas, at\u00e9 neste ponto, j\u00e1 existem entre n\u00f3s experi\u00eancias interessantes que veremos no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>36<\/strong>. Antes disso, h\u00e1 que real\u00e7ar as <strong>vantagens desta inser\u00e7\u00e3o dos pais na catequese<\/strong>. A primeira a ganhar \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia que se assim se torna mais \u201cigreja dom\u00e9stica\u201d<a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\">[57]<\/a>. Impelidos pelo amor de Cristo, aumenta entre os seus membros a comunh\u00e3o de que necessitam e que, na sociedade de hoje, est\u00e1 cada vez mais amea\u00e7ada. \u00c9 o caso sobretudo da comunh\u00e3o entre marido e esposa que o matrim\u00f3nio aben\u00e7oa e fortalece pelo amor com o qual <em>Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela<\/em> (Ef 5, 25). E, de facto, \u201co matrim\u00f3nio crist\u00e3o \u00e9 um sinal que n\u00e3o s\u00f3 indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Alian\u00e7a selada na cruz, mas torna presente esse amor na comunh\u00e3o dos esposos\u201d<a href=\"#_ftn58\" name=\"_ftnref58\">[58]<\/a>. E isto para benef\u00edcio sobretudo dos filhos que precisam n\u00e3o s\u00f3 de que os pais os amem mas tamb\u00e9m de que se amem mutuamente, com o amor que lhes vem de Deus. S\u00f3 assim estar\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de, com os pais, O amar e invocar como \u201cPai nosso que estais nos C\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p>Mas este amor repercute-se muito para al\u00e9m deste \u00e2mbito familiar mais restrito. Repercute-se na comunidade crist\u00e3, onde, segundo os bispos italianos, \u201ca forma particular de amizade que (as fam\u00edlias) vivem pode tornar-se contagiosa\u201d<a href=\"#_ftn59\" name=\"_ftnref59\">[59]<\/a>. E pode, de modo semelhante, repercutir-se na sociedade, j\u00e1 que \u201c\u00e9 da fam\u00edlia que saem os cidad\u00e3os e \u00e9 na fam\u00edlia que encontram a primeira escola daquelas virtudes sociais, que s\u00e3o a alma da vida e desenvolvimento da mesma sociedade\u201d<a href=\"#_ftn60\" name=\"_ftnref60\">[60]<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Outros mediadores<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>37<\/strong>. Tratando-se de crian\u00e7as e jovens adolescentes em idade escolar, s\u00e3o, antes de mais, os <strong>docentes de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica<\/strong>. Uma disciplina que, sem deixar \u201ca sua caracter\u00edstica peculiar\u201d, visa, contudo e como a catequese, dar a conhecer \u201ca pessoa de Jesus Cristo e a totalidade do an\u00fancio salv\u00edfico por Ele proclamado.\u201d Mais: para alunos n\u00e3o crentes, pode ser at\u00e9 \u201cum an\u00fancio mission\u00e1rio do Evangelho, em ordem a uma decis\u00e3o de f\u00e9 que a catequese, por seu lado, em contexto comunit\u00e1rio, far\u00e1 depois crescer e amadurecer\u201d<a href=\"#_ftn61\" name=\"_ftnref61\">[61]<\/a>.<\/p>\n<p>Da\u00ed a necessidade de haver uma colabora\u00e7\u00e3o estreita entre respons\u00e1veis pelas comunidades crist\u00e3s dos alunos e seus docentes. E destes esperam-se: o exemplo de vida crist\u00e3; o empenhamento eclesial; e at\u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de atividades extraescolares, com o objetivo de possibilitar aos alunos um encontro pessoal com Jesus Cristo. O que, felizmente, j\u00e1 est\u00e1 a fazer-se entre n\u00f3s, e com \u00f3timos resultados.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>38<\/strong>. Temos depois, dentro da Igreja, as m\u00faltiplas <strong>associa\u00e7\u00f5es, movimentos e grupos de fi\u00e9is<\/strong>, uns mais antigos e outros de funda\u00e7\u00e3o mais recente, em que a mensagem crist\u00e3 pode ser apresentada de modo sistem\u00e1tico ou pontual, como primeiro an\u00fancio ou seu aprofundamento, insistindo uns mais na componente te\u00f3rica e outros na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>S\u00e3o uma riqueza para a Igreja, que o Papa Bento XVI, na sua visita ao nosso Pa\u00eds, mencionou no discurso que nos dirigiu, a n\u00f3s bispos. Mas pediu-nos que vigiemos para que mormente os novos movimentos \u201cqueiram viver na Igreja comum, embora com espa\u00e7os de algum modo reservados para a sua vida, de maneira que esta se torne depois fecunda para todos os outros\u201d<a href=\"#_ftn62\" name=\"_ftnref62\">[62]<\/a>. \u00c9 que s\u00f3 na comunh\u00e3o podemos encontrar Jesus Cristo \u2013 a comunh\u00e3o em que se respeite e acolha cada um na sua diversidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, apoiamos duas preocupa\u00e7\u00f5es manifestadas por respons\u00e1veis pela catequese nas nossas dioceses: a de unir os diferentes agentes da catequese nas par\u00f3quias, de modo a formarem grupos que sejam fermento a levedar a massa; e a de conjugar as v\u00e1rias media\u00e7\u00f5es educativas que contribuem para a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u2013 fam\u00edlia, escola, movimentos educativos \u2013 j\u00e1 que somente em converg\u00eancia e complementaridade ter\u00e3o a efic\u00e1cia que cada uma, s\u00f3 por si, dificilmente alcan\u00e7ar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>V. DESTINAT\u00c1RIOS DO ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Crian\u00e7as da primeira inf\u00e2ncia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>39<\/strong>. Que Jesus quer encontrar-se com as crian\u00e7as j\u00e1 na mais tenra idade, v\u00ea-se pelo epis\u00f3dio de <strong>Mc 10, 13-16<\/strong>. Contra os disc\u00edpulos, ref\u00e9ns da mentalidade ent\u00e3o dominante que via na inf\u00e2ncia somente uma etapa para a maturidade e a correspondente capacidade de produ\u00e7\u00e3o, <em>Jesus, abra\u00e7ando-as, come\u00e7ou a aben\u00e7o\u00e1-las, impondo as m\u00e3os sobre elas<\/em> (v. 16). E antes apresenta-as mesmo como modelos de f\u00e9, pela sua natural depend\u00eancia e facilidade de entrega aos outros: <em>Quem n\u00e3o acolher o reino de Deus como uma crian\u00e7a, n\u00e3o entrar\u00e1 nele <\/em>(v. 15).<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que este epis\u00f3dio seja um sinal de que o <strong>batismo<\/strong>, nos primeiros tempos da Igreja, j\u00e1 era concedido a crian\u00e7as. \u00c9 o seu primeiro encontro com Jesus, em que Ele as acolhe, chamando-as pelo nome, uma das manifesta\u00e7\u00f5es do seu amor.<\/p>\n<p>Geralmente s\u00e3o os pais a pedir o batismo. Acolhamo-los com a m\u00e1xima cordialidade, felicitando-os at\u00e9 pela decis\u00e3o. E mostremos-lhes, de modo id\u00eantico, o bem que s\u00e3o, para os filhos que tanto amam, n\u00e3o apenas o batismo como tamb\u00e9m a subsequente e necess\u00e1ria educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u2013 nesta fase et\u00e1ria, uma educa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de imagens e s\u00edmbolos crist\u00e3os que os filhos v\u00e3o observando, designadamente em casa; atrav\u00e9s de explica\u00e7\u00f5es simples das festas crist\u00e3s em que participam; atrav\u00e9s de ora\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o habituando a dizer ao grande Amigo que \u00e9 Jesus, a sua M\u00e3e, ao Anjo da Guarda; atrav\u00e9s da presen\u00e7a regular nas celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, incluindo a Eucaristia dominical, em que v\u00e3o imitando o que veem fazer e dizer sobretudo aos pais e outros familiares. \u00c9 uma <strong>primeira inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/strong> que, \u201ca maioria das vezes, deixa uma marca decisiva por toda a vida\u201d<a href=\"#_ftn63\" name=\"_ftnref63\">[63]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>40<\/strong>. S\u00f3 que, no dizer do Papa Francisco, esta \u201ctransmiss\u00e3o da f\u00e9 pressup\u00f5e que os pais vivam a experi\u00eancia real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d\u2019Ele\u201d<a href=\"#_ftn64\" name=\"_ftnref64\">[64]<\/a>. O que n\u00e3o acontece com muitos pais, preocupados (quase) s\u00f3 com a dimens\u00e3o social do batismo. Mas convenhamos que at\u00e9 nisso manifestam amor pelos filhos. Apoiemo-nos nele, para tentar conquist\u00e1-los para uma adequada <strong>prepara\u00e7\u00e3o<\/strong>, que n\u00e3o seja apenas de informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m <strong>de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/strong> que inclua a ora\u00e7\u00e3o, nomeadamente pelos filhos. E envolvamos nessa prepara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os padrinhos e, quando poss\u00edvel, os av\u00f3s, sobretudo sendo crentes.<\/p>\n<p>Neste \u00e2mbito, j\u00e1 existem, em algumas dioceses, Centros de Prepara\u00e7\u00e3o para o Batismo. E o Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 disponibiliza um projeto de catequese para crian\u00e7as da primeira inf\u00e2ncia, chamado \u201c<strong>Despertar Religioso<\/strong>\u201d. Segue, <em>grosso modo<\/em>, o m\u00e9todo educativo atr\u00e1s referido. E embora tenha sido pensado para jardins de inf\u00e2ncia, a\u00ed j\u00e1 com assinal\u00e1vel sucesso, pode ser usado tamb\u00e9m nas par\u00f3quias e em casa das crian\u00e7as pelos pais ou outros familiares.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Crian\u00e7as da inf\u00e2ncia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>41<\/strong>. S\u00e3o as crian\u00e7as que frequentam os <strong>primeiros seis anos do percurso de catequese sistem\u00e1tica<\/strong> proposto por n\u00f3s e que, em geral, est\u00e3o ainda profundamente dependentes da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Tendo presente a reflex\u00e3o, feita atr\u00e1s, sobre a fam\u00edlia como mediadora do encontro destas crian\u00e7as com Cristo, congratulamo-nos com as m\u00faltiplas iniciativas que, nesse sentido, t\u00eam sido tomadas entre n\u00f3s: a Escola Paroquial de Pais, com, no m\u00ednimo, dois encontros por trimestre, para os informar e formar nos conte\u00fados transmitidos aos filhos; encontros de forma\u00e7\u00e3o de pais paralelos aos da catequese dos filhos; colabora\u00e7\u00e3o dos pais nas sess\u00f5es de catequese dos filhos, at\u00e9 como catequistas; catequese intergeracional; pais que se re\u00fanem para rezar, refletir em comum e partilhar saberes e experi\u00eancias; contactos pessoais e regulares dos catequistas com os pais; envolvimento destes nas festas de catequese dos filhos, preparando-se doutrinal e vivencialmente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>42<\/strong>. Mas, de todas as iniciativas, a mais completa e eficaz parece-nos ser a chamada <strong>Catequese Familiar<\/strong>. Entre n\u00f3s foi proposta pelo Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 vai para seis anos, est\u00e1 delineada e constru\u00edda a partir dos materiais da catequese da inf\u00e2ncia (catecismos e guias) e contempla as exig\u00eancias pedag\u00f3gicas de uma tarefa desenvolvida em fam\u00edlia, na fam\u00edlia e com a fam\u00edlia. Mas h\u00e1 muito \u00e9 seguida em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da Europa. Caracteriza-se ainda por nela se envolverem simultaneamente a fam\u00edlia e a par\u00f3quia.<\/p>\n<p>Primeiramente a fam\u00edlia, com pais e filhos na sua rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Os primeiros a catequizar os filhos s\u00e3o os pais, mas estes s\u00e3o, ao mesmo tempo, instru\u00eddos nos mesmos temas que transmitem aos filhos. Tanto aprendem os filhos dos pais, como estes dos filhos. Assim, com os filhos, os pais apercebem-se melhor de que tamb\u00e9m eles foram e continuam a ser carenciados e dependentes \u2013 um pressuposto fundamental para a f\u00e9 em Deus e a miss\u00e3o de educador. Por sua vez \u00e9 com os pais que os filhos mais facilmente crescem para o amor que deles recebem \u2013 o amor que tem a sua fonte \u00faltima e principal em Deus.<\/p>\n<p>E \u00e9 nesta rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua que uns e outros se dirigem a Deus e a Jesus Cristo seu Filho, no qual todos nos tornamos filhos de Deus, e compreendem melhor o cerne da mensagem crist\u00e3. E esta, ao ser acolhida e vivida, fortalece os v\u00ednculos familiares e faz da fam\u00edlia uma verdadeira Igreja dom\u00e9stica, em que Jesus se pode encontrar, nomeadamente na ora\u00e7\u00e3o em comum.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o na vida paroquial \u00e9 salvaguardada: pelos grupos que formam, entre si, tanto as crian\u00e7as como os pais, uns e outros com encontros semanais; pelos catequistas que os orientam, como representantes da comunidade paroquial; pela participa\u00e7\u00e3o semanal, de pais e filhos, na Eucaristia dominical \u2013 numa das quais, por m\u00eas, com interven\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 sua caminhada catequ\u00e9tica \u2013 e anual nas festas ao longo do percurso catequ\u00e9tico. Uma participa\u00e7\u00e3o que, deste modo, nem as f\u00e9rias interrompem nem terminar\u00e1 com as referidas festas. Ali\u00e1s, foram muitos pais que, felizes com a experi\u00eancia, pediram que o modelo se prolongasse at\u00e9 ao in\u00edcio da adolesc\u00eancia dos filhos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>43<\/strong>. \u00c9 verdade que este modelo de catequese n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de implementar. Entre os obst\u00e1culos encontrados, indicaram-nos: a dispers\u00e3o dos pais por muitos compromissos e, por isso, sem tempo nem motiva\u00e7\u00e3o para este envolvimento; a sua deficiente escolariza\u00e7\u00e3o e as car\u00eancias materiais e culturais a que algumas fam\u00edlias est\u00e3o sujeitas; a separa\u00e7\u00e3o nas fam\u00edlias, que pode impedir que ambos os pais participem nos encontros ou limitar os filhos a dois por m\u00eas; a falta de catequistas preparados, nomeadamente para liderar grupos de adultos, e de pastores sens\u00edveis e dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos intranspon\u00edveis. A prepara\u00e7\u00e3o e a sensibiliza\u00e7\u00e3o, com tempo e persist\u00eancia, podem fazer-se. E que o modelo \u00e9 t\u00e3o adapt\u00e1vel como outros a todos os graus de cultura e a situa\u00e7\u00f5es familiares menos habituais, mostra-o a experi\u00eancia onde j\u00e1 \u00e9 seguido tanto entre n\u00f3s como em outros pa\u00edses. Finalmente, para convencer os pais h\u00e1 que abord\u00e1-los pessoalmente e come\u00e7ar por expor-lhes, n\u00e3o as dificuldades, mas as vantagens do modelo para eles e, sobretudo, para os filhos. <em>Tudo \u00e9 poss\u00edvel a quem acredita<\/em>, diz Jesus ao pai de um surdo-mudo (Mc 9, 23) \u2013 e a todos os que com Ele se encontram para anunciar o seu Evangelho, impelidos pelo seu amor.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que nos leva a apelar uma ainda maior implementa\u00e7\u00e3o deste modelo nas nossas dioceses. O caminho j\u00e1 percorrido \u00e9 suficiente para nos mostrar que \u00e9, dos modelos que conhecemos, o mais comunit\u00e1rio, o menos escolar e o mais adaptado a todas as crian\u00e7as, incluindo as que s\u00e3o portadoras de defici\u00eancias e as que se preparam para o batismo pelo catecumenato.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Adolescentes e jovens<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>44<\/strong>. Ligamos a catequese dos adolescentes \u00e0 dos jovens, e n\u00e3o \u00e0 das crian\u00e7as, porque a psicologia do adolescente o leva a aproximar-se principalmente dos que s\u00e3o mais velhos. \u00c9 essa experi\u00eancia que leva o Magist\u00e9rio da Igreja a \u201cdistinguir, na idade juvenil, a puberdade, a adolesc\u00eancia e a juventude,\u201d e a lamentar n\u00e3o se ter \u201csuficientemente em conta as dificuldades, as necessidades e os recursos humanos e espirituais dos pr\u00e9-adolescentes, como se essa fase et\u00e1ria n\u00e3o fosse reconhecida\u201d<a href=\"#_ftn65\" name=\"_ftnref65\">[65]<\/a>. Como nos dizia o Papa, tentamos enfiar-lhes o vestido da Primeira Comunh\u00e3o, quando este deixou de lhes servir. De facto, o que eles menos suportam \u00e9 serem tratados como crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>45<\/strong>. Caracterizam-se, primeiramente, pela <strong>busca de autonomia<\/strong> e a consequente necessidade de serem pessoas livres e respons\u00e1veis. Tendem a deixar a tutela dos pais para criar amizade de prefer\u00eancia com colegas da mesma faixa et\u00e1ria. \u00c9 tal a necessidade do grupo que este chega a ser preferido \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Pois bem: fa\u00e7a-se do <strong>grupo de catequese<\/strong>, antes de mais, um grupo de amigos \u2013 para mais, unidos, n\u00e3o apenas por simples la\u00e7os humanos, mas pelo amor de Deus revelado em Cristo, o mesmo que une os crist\u00e3os numa s\u00f3 Igreja. Se a dimens\u00e3o eclesial do grupo \u00e9 fundamental em todas as fases da catequese, \u00e9-o muito mais na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Para isso, h\u00e1 que investir na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de grupo: por exemplo, levando-os a identificar o grupo por um nome por eles escolhido (em vez do ano de catequese, que lembra logo o da escola); alargando o relacionamento entre os seus membros para l\u00e1 do habitual encontro semanal; relacionando-o com outros grupos, em iniciativas comuns, e com a comunidade e a sociedade, atrav\u00e9s de servi\u00e7os que lhes prestam, como grupo; e, j\u00e1 neste ponto, conjugando a aprendizagem de conte\u00fados com essas e outras atividades, de tal modo que, al\u00e9m da cabe\u00e7a, entrem tamb\u00e9m as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o na sua forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>46<\/strong>. Outra caracter\u00edstica a respeitar neles \u00e9 o <strong>aumento da<\/strong> <strong>capacidade de racioc\u00ednio e do esp\u00edrito cr\u00edtico<\/strong>. D\u00ea-se-lhes ent\u00e3o a oportunidade, mais do que nas fases anteriores do percurso catequ\u00e9tico, de intervir ativamente na reflex\u00e3o sobre os temas transmitidos, nas decis\u00f5es a tomar em grupo e na avalia\u00e7\u00e3o de atividades realizadas. E preste-se aten\u00e7\u00e3o \u00e0queles que manifestam qualidades de lideran\u00e7a, para se lhes dar a possibilidade de as desenvolverem no interior do grupo e de, na fase seguinte da catequese juvenil, poderem ser eles pr\u00f3prios a acompanh\u00e1-lo e orient\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Para isso, o catequista seja sobretudo um <strong>animador<\/strong> que, em vez de impor e comandar, prop\u00f5e e orienta. Caminhe com eles, aproveitando os seus recursos, necessidades e sonhos. Seja, enfim, convicto nas ideias, firme nas decis\u00f5es e sobretudo amigo, \u00e0 maneira de Jesus Cristo de quem \u00e9 testemunha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>47<\/strong>. \u00c9 ainda nesta fase que se vai intensificando a quest\u00e3o da <strong>voca\u00e7\u00e3o<\/strong>. Se toda a catequese deve ser vocacional, nesta idade muito mais. E, tratando-se de crist\u00e3os, a quest\u00e3o n\u00e3o pode ser abordada nem resolvida sem Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Apresente-se-lhes ent\u00e3o \u201cJesus Cristo como amigo, como guia, como modelo ideal capaz de provocar admira\u00e7\u00e3o e arrastar \u00e0 imita\u00e7\u00e3o\u201d, e o seu amor \u201ccomo encarna\u00e7\u00e3o do \u00fanico amor verdadeiro com possibilidade de unir entre si todos os homens\u201d<a href=\"#_ftn66\" name=\"_ftnref66\">[66]<\/a>. Se isto for sendo inserido em encontros com Ele, de reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, surgir\u00e3o, de modo expl\u00edcito ou impl\u00edcito, rea\u00e7\u00f5es como a do ap\u00f3stolo Paulo: <em>Que hei de fazer, Senhor?<\/em> (At 22, 10); ou do profeta Isa\u00edas: <em>Eis-me aqui: podeis enviar-me<\/em> (Is 6, 8); ou de Maria ao anjo Gabriel, para ser M\u00e3e de Jesus: <em>Eis a escrava do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra<\/em> (Lc 1, 37); ou do pr\u00f3prio Cristo, ainda no seio do Pai e antes de encarnar: <em>Eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade<\/em> (Heb 10, 9). E, com Ele e n\u2019Ele, toda a voca\u00e7\u00e3o se ir\u00e1 concretizar numa entrega de amor, como a sua.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>48<\/strong>. O discernimento e amadurecimento prolongar-se-\u00e1 depois pela <strong>juventude<\/strong> propriamente dita. Como de resto j\u00e1 acontece, ainda que n\u00e3o tanto quanto desejado. Se \u00e9 verdade que muitos adolescentes deixam a Igreja depois de anos de catequese, tamb\u00e9m tem havido quem fique: jovens que, inseridos em grupos e movimentos ou comprometidos em atividades eclesiais, vivem a f\u00e9 de modo exemplar e mexem com as comunidades de que fazem parte.<\/p>\n<p>E mais ser\u00e3o, se a transi\u00e7\u00e3o para a idade juvenil seguir o modelo indicado. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dissolver-se um grupo unido por la\u00e7os t\u00e3o fortes como os da f\u00e9. H\u00e1 s\u00f3 que continuar a aliment\u00e1-la, n\u00e3o apenas doutrinalmente como sobretudo com iniciativas a que os jovens de hoje em geral se mostram particularmente sens\u00edveis: experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o, de encontro pessoal com Cristo, at\u00e9 ao n\u00edvel do primeiro an\u00fancio; e entrega volunt\u00e1ria ao servi\u00e7o de carenciados de bens tanto materiais, como morais e espirituais.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Adultos<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>49<\/strong>. Para S. Jo\u00e3o Paulo II, a catequese de adultos \u201c\u00e9 a <strong>principal forma de catequese<\/strong>, porque se dirige a pessoas que t\u00eam as maiores responsabilidades e capacidades para viverem a mensagem crist\u00e3 na sua forma plenamente desenvolvida.\u201d Deve ser \u201cpermanente\u201d, mas adaptada ao n\u00edvel de conhecimento e viv\u00eancia da f\u00e9 dos seus destinat\u00e1rios e das circunst\u00e2ncias de vida em que se encontram, incluindo as da sa\u00fade e da idade<a href=\"#_ftn67\" name=\"_ftnref67\">[67]<\/a>.<\/p>\n<p>Conscientes disso, public\u00e1mos em 1994 uma \u201cInstru\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Forma\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Base dos Adultos\u201d<a href=\"#_ftn68\" name=\"_ftnref68\">[68]<\/a>, em que indic\u00e1mos os v\u00e1rios n\u00edveis ou fases desta forma\u00e7\u00e3o e insistimos na necessidade de uma vis\u00e3o de conjunto e atualizada da f\u00e9 e seus elementos integrantes, inserida numa nova evangeliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es que, por\u00e9m, n\u00e3o t\u00eam obtido a ades\u00e3o desejada, tanto na concretiza\u00e7\u00e3o como no grau de participa\u00e7\u00e3o, onde a forma\u00e7\u00e3o se tem realizado. Diz-se que por falta de motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez por isso tenham de ser precedidas de outras iniciativas, j\u00e1 adotadas entre n\u00f3s, que apostam no <strong>primeiro an\u00fancio<\/strong>, centrado no encontro pessoal com Jesus Cristo e, consequentemente, numa mais consciente inser\u00e7\u00e3o na vida das comunidades crist\u00e3s e num empenhamento mission\u00e1rio mais audaz e eficaz, dentro e fora da Igreja.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>50<\/strong>. O mesmo se aplica \u00e0s <strong>m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o<\/strong> para a rece\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio de minist\u00e9rios eclesiais (no ensino, na liturgia e na caridade), para a celebra\u00e7\u00e3o de sacramentos (em especial, os da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e do matrim\u00f3nio), para a viv\u00eancia de tempos lit\u00fargicos e de outras situa\u00e7\u00f5es ou miss\u00f5es, como a da paternidade na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A catequese familiar \u00e9 um exemplo disso.<\/p>\n<p>E tal como nela, h\u00e1 que partir para essas forma\u00e7\u00f5es, tanto quanto poss\u00edvel, da <strong>componente pr\u00e1tica<\/strong> que as motiva ou deve motivar. Quem n\u00e3o deseja ser verdadeiramente e para sempre feliz, na comunh\u00e3o entre marido e esposa fundada no matrim\u00f3nio? Ou saborear a alegria de se dar aos outros, colaborando no ensino catequ\u00e9tico, em celebra\u00e7\u00f5es da liturgia ou na viv\u00eancia da caridade? \u2013 Uma alegria cuja fonte \u00faltima \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>VI. A ALEGRIA DO ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>51<\/strong>. \u00c9, no fundo, <strong>a mesma alegria das primeiras testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong>: a alegria, n\u00e3o apenas por Jesus voltar \u00e0 vida, como principalmente por nisso se confirmar \u201ctudo quanto (Ele) em pessoa fez e ensinou\u201d; a alegria de perceberem que n\u2019Ele se cumpriam as \u201cpromessas do Antigo Testamento\u201d; a alegria, enfim, por Ele, com a \u201cvit\u00f3ria sobre a morte e o pecado\u201d, nos oferecer uma vida nova e ilimitada, ser \u201cprinc\u00edpio e fonte da <em>nossa ressurrei\u00e7\u00e3o futura<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn69\" name=\"_ftnref69\">[69]<\/a>.<\/p>\n<p>Das testemunhas oculares, a que mais insiste neste \u00faltimo efeito \u00e9 S. Paulo. Por exemplo em Rom 6, 8: <em>Se morremos com Cristo, acreditamos que tamb\u00e9m com Ele viveremos<\/em>; ou em 8, 11: <em>Se o Esp\u00edrito daquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em v\u00f3s, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, tamb\u00e9m dar\u00e1 vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Esp\u00edrito que habita em v\u00f3s<\/em>.<\/p>\n<p>Que not\u00edcia mais bela nos poderia ser dada?! \u2013 A n\u00f3s que, como todo o ser humano, passamos toda uma vida a lutar, direta ou indiretamente e com todos os meios, contra a morte! Pois bem, desde que Cristo ressuscitou, deixou de ser uma luta in\u00fatil, previamente perdida. Conhecemos o caminho da vit\u00f3ria, o mesmo que Ele trilhou, e temos os meios para o percorrermos, os que Ele nos oferece sempre que vem ao nosso encontro e n\u00f3s O acolhemos na nossa vida.<\/p>\n<p>Mais: com isso, \u201cde certo modo, n\u00f3s j\u00e1 ressuscit\u00e1mos com Cristo\u201d<a href=\"#_ftn70\" name=\"_ftnref70\">[70]<\/a>, como diz ainda S. Paulo: <em>Sepultados com Cristo no batismo, tamb\u00e9m com Ele fostes ressuscitados pela f\u00e9 que tendes no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos<\/em> (Col 2, 12). Trata-se da <em>f\u00e9 que atua pelo amor<\/em> (Gal 5, 6), aquele que levou Cristo a vencer a morte e se apodera de quem com Ele se encontra. De tal modo que o que vimos sobre a f\u00e9 se realiza tamb\u00e9m pelo amor: <em>J\u00e1 pass\u00e1mos da morte para a vida, porque amamos os nossos irm\u00e3os <\/em>(1 Jo 3, 14).<\/p>\n<p>\u00c9 esta f\u00e9 traduzida em amor que d\u00e1 \u00e0 nossa vida o \u201cnovo horizonte\u201d, o \u201crumo decisivo\u201d de que fala Bento XVI a prop\u00f3sito do encontro com Jesus Cristo. E \u00e9 desta f\u00e9 vivida no amor que Ele, Cristo, nos impele a sermos testemunhas. O que redobra a nossa alegria.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>52<\/strong>. \u00c9 de facto neste <strong>amor<\/strong> que, como diz o Papa Francisco, \u201cest\u00e1 a fonte da a\u00e7\u00e3o evangelizadora. Porque \u2013 explica ele \u2013 se algu\u00e9m acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como \u00e9 que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?\u201d<a href=\"#_ftn71\" name=\"_ftnref71\">[71]<\/a><\/p>\n<p>Tem, por\u00e9m, de ser comunicado tal como \u00e9 recebido: <em>Nisto conhecemos o amor: Ele (Jesus) deu a vida por n\u00f3s e n\u00f3s devemos dar a vida pelos nossos irm\u00e3os<\/em>. E por isso <em>n\u00e3o amemos com palavras nem com a l\u00edngua, mas com obras e em verdade<\/em> (1 Jo 3, 16.18).<\/p>\n<p>Quantos mediadores de Cristo o s\u00e3o pelo testemunho deste amor! Entre eles, est\u00e3o <strong>catequistas<\/strong> que se n\u00e3o limitam a anunciar Cristo por palavras, mas simultaneamente O mostram ao vivo, no modo respons\u00e1vel e dedicado, gratuito e alegre, com que o fazem e se entregam aos catequizandos. Para eles toda a nossa gratid\u00e3o: pelo bem que assim fazem aos catequizandos e suas fam\u00edlias, \u00e0 comunidade que representam, \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade em geral \u2013 um bem que acaba sempre por reverter em seu pr\u00f3prio bem.<\/p>\n<p>\u00c9 que \u201ca vida alcan\u00e7a-se e amadurece \u00e0 medida que \u00e9 entregue para dar vida aos outros\u201d<a href=\"#_ftn72\" name=\"_ftnref72\">[72]<\/a>. E haver\u00e1 maior alegria do que a de ver a vida que recebemos a alargar-se \u00e0 vida daqueles a quem nos damos e, por meio deles, a tantos, tantos outros, numa cadeia que n\u00e3o mais acaba?!<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>53<\/strong>. Foi certamente dessa alegria que comungou a <strong>Virgem Santa Maria<\/strong>, depois de totalmente se entregar ao Senhor, como sua escrava, para ser M\u00e3e e Medianeira do Filho do Alt\u00edssimo: a alegria expressa no seu Magnificat, a que aqui nos associamos para, com ela, louvarmos o Senhor pelas gra\u00e7as que tem concedido \u00e0 Igreja e ao mundo, nomeadamente nos cem anos desde as suas apari\u00e7\u00f5es em F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Fazemo-lo tamb\u00e9m na esperan\u00e7a de que a mensagem, que ela ent\u00e3o nos deixou e cuja atualidade recentemente real\u00e7\u00e1mos, contribua de facto para \u201ca revitaliza\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 e do nosso compromisso evangelizador\u201d<a href=\"#_ftn73\" name=\"_ftnref73\">[73]<\/a>, a mesma revitaliza\u00e7\u00e3o que tanto desejamos para a catequese nas nossas dioceses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Lisboa, 13 de maio de 2017<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bento XVI, <em>Discurso aos Bispos de Portugal<\/em> (Roma, 10.11.2007), in<em> Lumen<\/em>, III, 68 (2007, 6) 20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 3. Acerca do car\u00e1ter program\u00e1tico da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica vejam-se os n. 1 e 25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 266.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Papa Francisco, <em>Discurso do Papa aos Bispos Portugueses em visita \u201cad Limina Apostolorum\u201d<\/em>, in <em>Lumen<\/em>, III, 76 (2015, 5) 3-6. S\u00e3o do Santo Padre todas as cita\u00e7\u00f5es que se seguem, at\u00e9 que outra fonte seja indicada (os negritos s\u00e3o nossos).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 70.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>: t\u00edtulo e conte\u00fado dos n. 262-283.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Bento XVI, <em>Homilia durante a Santa Missa de abertura do Ano da F\u00e9<\/em>, in <em>AAS<\/em> 104 (2012) 881 (citada pelo Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 86). Sobre esta sede de Deus vejam-se ainda os n. 71, 89 e 123.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 639.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 640, com alus\u00f5es a Jo 20, 13 e Mt 28, 11-15 acerca do poss\u00edvel roubo do corpo de Jesus.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 642 (o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Bento XVI, <em>Homilia da Missa de Marienfeld. XX Jornada Mundial da Juventude<\/em>, in <em>Lumen<\/em>, III, 66 (2005, 5) 27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>: parte do t\u00edtulo dos n. 163-168.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 163.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 164.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Papa Francisco, <em>Entrevista \u00e0 Radio Renascen\u00e7a<\/em>, in Aura Miguel, <em>Conversas em Altos Voos<\/em>, 93.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Pelas tr\u00eas da tarde, segundo Mt 27, 46; Mc 15, 35; Lc 23, 44.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica A Santa Igreja<\/em>, 3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia<\/em>, 7.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 1373.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 2763, com uma alus\u00e3o a Lc 24, 44.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Jer\u00f3nimo, <em>Coment\u00e1rio a Isa\u00edas<\/em>, pr\u00f3logo, PL 24, 17 (citado em Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Revela\u00e7\u00e3o Divina<\/em>, 25).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II,<em> Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Revela\u00e7\u00e3o Divina<\/em>, 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 127.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Palavra de Deus,<\/em> 87.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Papa Francisco, Carta Apost\u00f3lica no termo do Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia <em>Misericordia et Misera<\/em><em>,<\/em> 7.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Tom\u00e1s de Aquino, <em>Suma Teol\u00f3gica<\/em>, 3, q. 65, a. 3 (citado no <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 1211).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica A Santa Igreja<\/em>, 11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Decreto sobre o Minist\u00e9rio e Vida dos Sacerdotes<\/em>, 5.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia<\/em><em>, <\/em>14 (o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 52.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia<\/em>, 48.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 66.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 1396.775.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 84.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Bento XVI, Enc\u00edclica <em>Deus \u00e9 Amor<\/em>, 22.25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Bento XVI, Enc\u00edclica <em>Deus \u00e9 Amor<\/em>, 13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Agostinho, <em>Acerca da Trindade<\/em>, VIII, 8, 12 (citado em Bento XVI, Enc\u00edclica <em>Deus \u00e9 Amor<\/em>, 19).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 2560 (acerca de Jo 4, 10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje<\/em>, 7.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 217.254 (o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> Bento XVI, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal <em>Sacramento da Caridade<\/em>, 64.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 254 (o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 218-219 (incluindo a nota 13).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje<\/em>, 6: acerca do cora\u00e7\u00e3o da catequese.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje<\/em>, 63-64.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a> Veja-se o seu elenco em Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 222-227.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 138.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 150.154.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 156.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 429.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 234.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 238.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\">[55]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 239.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\">[56]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje,<\/em> 68 (o negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\">[57]<\/a> Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica<\/em><em> A Santa Igreja<\/em>, 11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref58\" name=\"_ftn58\">[58]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 73.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref59\" name=\"_ftn59\">[59]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal Italiana. Comiss\u00e3o Episcopal para a Fam\u00edlia e a Vida, <em>Orienta\u00e7\u00f5es pastorais acerca da prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio e Fam\u00edlia<\/em>, 1 (cita\u00e7\u00e3o do Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Amor<\/em>, 207).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref60\" name=\"_ftn60\">[60]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/em>, 42.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref61\" name=\"_ftn61\">[61]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 73-75.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref62\" name=\"_ftn62\">[62]<\/a> Bento XVI, <em>A Responsabilidade da autoridade \u00e9 um servi\u00e7o ao crescimento dos outros. Discurso no encontro com os Bispos de Portugal (F\u00e1tima, 13.05.2010)<\/em>, in <em>Lumen<\/em>, III, 71 (2010, 3) 54.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref63\" name=\"_ftn63\">[63]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 226.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref64\" name=\"_ftn64\">[64]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Amor<\/em>, 287.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref65\" name=\"_ftn65\">[65]<\/a> Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>Diret\u00f3rio Geral da Catequese<\/em>, 181.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref66\" name=\"_ftn66\">[66]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje,<\/em> 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref67\" name=\"_ftn67\">[67]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catequese para Hoje<\/em>, 43 (o negrito \u00e9 nosso). Cf. tamb\u00e9m 44-45.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref68\" name=\"_ftn68\">[68]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa,<em> Instru\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de base dos <\/em>adultos, in <em>Documentos Pastorais<\/em>. <em>1991-1995<\/em>, IV, 261-277.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref69\" name=\"_ftn69\">[69]<\/a> <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 651.652.654.655: sobre o sentido e alcance salv\u00edfico da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref70\" name=\"_ftn70\">[70]<\/a><em> Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 1002.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref71\" name=\"_ftn71\">[71]<\/a> Papa Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref72\" name=\"_ftn72\">[72]<\/a> V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, <em>Documento de Aparecida<\/em> (29.06.2007) (citado pelo Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, 10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref73\" name=\"_ftn73\">[73]<\/a> Palavras iniciais da Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa no Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em F\u00e1tima, <em>F\u00e1tima, Sinal de Esperan\u00e7a para o Nosso Tempo<\/em>, in <em>Lumen<\/em>, III, 78 (2017, 1) 10-19.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5424","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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