{"id":5281,"date":"2016-12-16T11:00:16","date_gmt":"2016-12-16T11:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=5281"},"modified":"2016-12-19T11:07:16","modified_gmt":"2016-12-19T11:07:16","slug":"fatima-sinal-de-esperanca-para-o-nosso-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/fatima-sinal-de-esperanca-para-o-nosso-tempo\/","title":{"rendered":"F\u00e1tima, Sinal de Esperan\u00e7a para o Nosso Tempo"},"content":{"rendered":"<p><em>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\u00a0<\/em><em>no Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em F\u00e1tima<\/em><!--more--><\/p>\n<p>No centen\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es da Virgem Maria, em F\u00e1tima, desejamos dar gra\u00e7as a Deus por nos permitir viver este acontecimento, que nos enche de j\u00fabilo, e reafirmar a atualidade da sua mensagem para a revitaliza\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 e do nosso compromisso evangelizador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O acontecimento centen\u00e1rio de F\u00e1tima<\/strong><\/p>\n<p><em>As apari\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>As apari\u00e7\u00f5es tiveram lugar na Cova da Iria, no ano de 1917, com tr\u00eas crian\u00e7as entre os sete e os dez anos de idade, L\u00facia, Francisco e Jacinta, como protagonistas. O contexto nacional e internacional era dram\u00e1tico: Portugal atravessava uma crise pol\u00edtica, religiosa e social profunda e a Europa estava, como nunca antes na sua hist\u00f3ria, imersa numa guerra mundial, em que tamb\u00e9m o nosso pa\u00eds estava envolvido.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No ano de 1916, as mesmas crian\u00e7as j\u00e1 tinham sido testemunhas de tr\u00eas manifesta\u00e7\u00f5es de um anjo que se apresentou como Anjo da Paz e Anjo de Portugal. Em 13 de maio de 1917, foram testemunhas da apari\u00e7\u00e3o da Senhora \u00abmais brilhante que o sol\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> no cimo de uma azinheira. Convidou-as a regressar \u00e0quele mesmo lugar no dia 13 dos meses seguintes, at\u00e9 outubro. E ao longo destes encontros, comunicou-lhes uma mensagem de miseric\u00f3rdia e paz, depois transmitida atrav\u00e9s dos interrogat\u00f3rios a que as crian\u00e7as desde o princ\u00edpio foram submetidas e das Mem\u00f3rias escritas pela L\u00facia anos mais tarde.<\/p>\n<p>Assim que a not\u00edcia se divulgou, multiplicaram-se as rea\u00e7\u00f5es. Muitos acorreram ao local, dando cr\u00e9dito ao testemunho das crian\u00e7as; mas houve tamb\u00e9m d\u00favidas, incompreens\u00f5es e mesmo persegui\u00e7\u00f5es, que tantos sofrimentos causaram aos pastorinhos. Entretanto, eram cada vez mais os que acorriam no dia de cada apari\u00e7\u00e3o, sempre a 13 de cada m\u00eas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de agosto, em que a apari\u00e7\u00e3o foi adiada uns dias, devido \u00e0 pris\u00e3o dos videntes. A \u00faltima deu-se a 13 de outubro, na presen\u00e7a de cerca de setenta mil pessoas, umas crentes, outras c\u00e9ticas, para verem o sinal prometido pela Virgem, o chamado \u201cmilagre do sol\u201d, divulgado pela imprensa da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Poucos anos depois, os tr\u00eas videntes deixam a sua terra: os dois mais novos, os irm\u00e3os Francisco e Jacinta, morrem de uma epidemia de gripe, respetivamente em 1919 e 1920; a sua prima L\u00facia, aconselhada pelo bispo de Leiria, afastou-se em 1921 para iniciar a sua forma\u00e7\u00e3o, acabando por se recolher \u00e0 vida religiosa. Faleceu em 2005, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra.<\/p>\n<p>A fama de santidade de Francisco e de Jacinta cedo se espalhou pelo mundo inteiro e foram beatificados no ano 2000, sendo as primeiras crian\u00e7as n\u00e3o-m\u00e1rtires. Em 2008 iniciou-se o processo de beatifica\u00e7\u00e3o de L\u00facia, abreviando, por concess\u00e3o do papa Bento XVI, os prazos can\u00f3nicos requeridos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A rece\u00e7\u00e3o do acontecimento e da mensagem de F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>No acontecimento de F\u00e1tima teve um papel decisivo o <em>sensus fidei<\/em> dos batizados, cuja fun\u00e7\u00e3o eclesial foi destacada pelo Conc\u00edlio Vaticano II e revalorizada pelo papa Francisco: \u00abComo parte do seu mist\u00e9rio de amor pela humanidade, Deus dota a totalidade dos fi\u00e9is com um <em>sentido da f\u00e9<\/em> \u2013 o <em>sensus fidei<\/em> \u2013 que os ajuda a discernir o que vem realmente de Deus. A presen\u00e7a do Esp\u00edrito confere aos crist\u00e3os uma certa conaturalidade com as realidades divinas e uma sabedoria que lhes permite capt\u00e1-las intuitivamente\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O povo fiel de Deus come\u00e7ou desde muito cedo a reunir-se ao p\u00e9 da azinheira para rezar. E em 1919 torna poss\u00edvel a edifica\u00e7\u00e3o de uma capelinha, como havia pedido Nossa Senhora. \u00c9 ele quem responde com atos de desagravo aos ataques e profana\u00e7\u00f5es dos advers\u00e1rios, de que \u00e9 exemplo a dinamita\u00e7\u00e3o da capelinha, em 6 de mar\u00e7o de 1922. A capela foi novamente reerguida e consagrada em 13 de janeiro de 1923. Paulatinamente, foram-se ampliando e consolidando o culto e as pr\u00e1ticas de piedade naquele lugar.<\/p>\n<p>Finalmente, o bispo de Leiria, D. Jos\u00e9 Alves Correia da Silva, apoiando-se no Relat\u00f3rio de uma Comiss\u00e3o Can\u00f3nica por ele nomeada, publicou, em 13 de outubro de 1930, a <em>Carta Pastoral \u00abA Provid\u00eancia Divina\u00bb sobre o Culto de Nossa Senhora de F\u00e1tima<\/em>, declarando como dignas de cr\u00e9dito as vis\u00f5es das tr\u00eas crian\u00e7as e permitindo oficialmente o culto de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima. Nas palavras do cardeal D. Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira, \u00abn\u00e3o foi a Igreja que imp\u00f4s F\u00e1tima, foi F\u00e1tima que se imp\u00f4s \u00e0 Igreja\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. De facto, a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima e a espiritualidade que brota da sua mensagem rapidamente passaram a marcar a pastoral da Igreja em Portugal e em todo o mundo.<\/p>\n<p>A mensagem \u00e9 essencialmente um dom inef\u00e1vel de gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, esperan\u00e7a e paz, que nos chama ao acolhimento e ao compromisso. Esta interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja a que responda ao dom misericordioso de Deus est\u00e1 profundamente vinculada aos dramas e trag\u00e9dias da hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, mas conserva ainda a mesma for\u00e7a e exig\u00eancia para os crentes do nosso tempo.<\/p>\n<p>Em sintonia com a piedade do nosso povo e sob a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, n\u00f3s, os bispos, sentimos a responsabilidade de aprofundar o significado deste acontecimento, de destacar a sua atualidade para a nossa vida crist\u00e3 e de explicitar as suas potencialidades para nutrir a nossa convers\u00e3o espiritual, pastoral e mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a Igreja e para o mundo<\/strong><\/p>\n<p><em>Dom e interpela\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>O ciclo das apari\u00e7\u00f5es de 1917 encerrou em 13 de outubro e as \u00faltimas palavras do relato de L\u00facia, na sua \u201cQuarta Mem\u00f3ria\u201d, falam da b\u00ean\u00e7\u00e3o ent\u00e3o dirigida ao mundo: \u00ab<em>Desaparecida Nossa Senhora, na imensa dist\u00e2ncia do firmamento, vimos, ao lado do sol, S. Jos\u00e9 com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. S. Jos\u00e9 com o Menino pareciam aben\u00e7oar o Mundo com uns gestos que faziam com a m\u00e3o em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta apari\u00e7\u00e3o, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora [&#8230;]. Nosso Senhor parecia aben\u00e7oar o Mundo da mesma forma que S. Jos\u00e9\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><em>.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o vinha sendo anunciada pelos pastorinhos desde os meses precedentes<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. E n\u00e3o era algo apenas para eles, mas para a humanidade inteira. Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o era a motiva\u00e7\u00e3o de quanto estava a acontecer e permite-nos penetrar no n\u00facleo da iniciativa de Deus que, na presen\u00e7a cheia de luz e de beleza da Virgem Maria, mostrava a sua proximidade misericordiosa, junto do seu povo peregrino.<\/p>\n<p>No meio de situa\u00e7\u00f5es verdadeiramente dram\u00e1ticas, quando muitos contempor\u00e2neos estavam dominados pela ang\u00fastia e a incerteza, quando a for\u00e7a do mal e do pecado parecia impor o seu dom\u00ednio, a Virgem Maria faz brilhar em todo o seu esplendor a vontade salv\u00edfica de Deus, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que revela a extens\u00e3o da sua ternura a todas as criaturas. O seu convite \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia pretende desbloquear os obst\u00e1culos que impedem os seres humanos de experimentar uma bondade que procede de Deus e foi depositada no cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p>A Virgem Maria, M\u00e3e de Deus e nossa m\u00e3e, sai ao encontro dos seus filhos peregrinos a partir da gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de seu filho Jesus, para lhes oferecer consola\u00e7\u00e3o, est\u00edmulo e alento. Envolvidos por essa b\u00ean\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas pastorinhos mostraram-se dispostos, pela boca de L\u00facia, a serem louvor da gl\u00f3ria de Deus<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e a entregarem-se plenamente aos des\u00edgnios de miseric\u00f3rdia que Deus manifestava atrav\u00e9s das apari\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>B\u00ean\u00e7\u00e3o e interpela\u00e7\u00e3o para a Igreja em Portugal<\/em><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o derramou-se sobre o nosso povo, que a tem acolhido e agradecido de forma constante e variada. Desde muito cedo, os portugueses encontraram no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, em volta da Capelinha e da Bas\u00edlica de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, consagrada em 7 de outubro de 1953, uma casa maternal<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, na qual se sentem acolhidos, compreendidos, consolados, perdoados, reconfortados e renovados. O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima converteu-se no cora\u00e7\u00e3o espiritual de Portugal<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, tornando-se um dos tra\u00e7os identificadores do nosso catolicismo, como um carisma da nossa Igreja em sintonia com o carisma dos tr\u00eas pastorinhos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta singular liga\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal a F\u00e1tima tornou-se patente na consagra\u00e7\u00e3o de Portugal ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, em 13 de maio de 1931, por ocasi\u00e3o da primeira peregrina\u00e7\u00e3o nacional. E manifestou-se mais recentemente, de 13 de maio de 2015 a 13 de maio de 2016, quando a Imagem Peregrina percorreu as nossas dioceses. Foi um convite \u00e0 jubilosa celebra\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio das suas apari\u00e7\u00f5es em F\u00e1tima e, simultaneamente, uma refontaliza\u00e7\u00e3o espiritual e pastoral, no compromisso com a sua mensagem.<\/p>\n<p>Ao longo de todos estes cem anos, a peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima revitalizou a f\u00e9 de muitos crentes cansados, suscitou a convers\u00e3o de muitos cora\u00e7\u00f5es endurecidos, reafirmou a perten\u00e7a eclesial de muitos batizados desorientados, tornou poss\u00edvel que muitos indiferentes redescobrissem o Evangelho, suscitou uma religiosidade que plasmou a vida de grande parte do nosso povo. As peregrina\u00e7\u00f5es a n\u00edvel individual e comunit\u00e1rio t\u00eam sido experi\u00eancias de Deus e ocasi\u00f5es para o louvor, est\u00edmulo para nos abrirmos \u00e0 sua vontade e para a realiza\u00e7\u00e3o da nossa convers\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Fiel \u00e0 miss\u00e3o de difundir e aprofundar a mensagem de F\u00e1tima, o Santu\u00e1rio tornou-se espa\u00e7o de acolhimento para quantos o procuram, solid\u00e1rio com as necessidades e as ang\u00fastias do mundo. Hoje, \u00e9 sobretudo lugar de ora\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m polo de dinamiza\u00e7\u00e3o cultural, centro eclesial de reflex\u00e3o teol\u00f3gica, a partir dos acontecimentos de h\u00e1 cem anos e dos desafios que eles continuam a propor \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>B\u00ean\u00e7\u00e3o e interpela\u00e7\u00e3o para a Igreja Universal<\/em><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o alargou-se, entretanto, a toda a Igreja. Gra\u00e7as a ela, temos podido experimentar a catolicidade da nossa f\u00e9 e a comunh\u00e3o com todas as Igrejas do mundo, e muito especialmente com o papa, fundamento da unidade da Igreja, t\u00e3o presente na mensagem de F\u00e1tima.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 para n\u00f3s uma gra\u00e7a o reconhecimento das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima pelos sucessivos papas na sua liga\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima. Pio XII consagrou o mundo ao Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria, por ocasi\u00e3o do 25.\u00ba anivers\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es, em 31 de outubro de 1942. S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII afirmou que as apari\u00e7\u00f5es fazem recordar a \u00abgl\u00f3ria divina\u00bb num mundo \u00abde materialismo e de \u00f3dio\u00bb<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>O Beato Paulo VI, na solene clausura da terceira sess\u00e3o do Vaticano II, em 21 de novembro de 1964, concedeu a Rosa de Ouro ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, que ele pr\u00f3prio visitou em 13 de maio 1967, na celebra\u00e7\u00e3o do cinquenten\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, al\u00e9m de uma profunda devo\u00e7\u00e3o pessoal a Nossa Senhora de F\u00e1tima, visitou o Santu\u00e1rio em tr\u00eas ocasi\u00f5es: em maio de 1982, para agradecer a sobreviv\u00eancia ao atentado sofrido no ano anterior; em maio de 1991, no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do atentado, para agradecer as surpreendentes mudan\u00e7as no Leste da Europa; em 13 de maio de 2000, para beatificar Jacinta e Francisco e dar a conhecer a terceira parte do segredo de F\u00e1tima. Bento XVI, que j\u00e1 como prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 tinha contribu\u00eddo muito significativamente para a interpreta\u00e7\u00e3o e o aprofundamento teol\u00f3gico da mensagem de F\u00e1tima, visitou o Santu\u00e1rio em maio de 2010. E agora esperamos pelo papa Francisco para a celebra\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio. Mas tamb\u00e9m ele j\u00e1 consagrou o mundo ao Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria, na Pra\u00e7a de S. Pedro, em outubro de 2013, diante da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima que se venera na Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es e que, a seu pedido, fora levada a Roma para a Jornada Mariana no Ano da F\u00e9.<\/p>\n<p>O reconhecimento dos papas tem estado em sintonia com o <em>sensus fidei<\/em> do povo crist\u00e3o a n\u00edvel mundial. Em 1947, a imagem da Virgem de F\u00e1tima fez-se peregrina, percorrendo numerosos pa\u00edses como mensageira da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o. A sua presen\u00e7a testemunha a gra\u00e7a que vence sempre o pecado, suscitando, por onde passa, acolhimento cordial e entusiasmo transbordante.<\/p>\n<p>Mas F\u00e1tima tem-se irradiado de m\u00faltiplas outras formas: milhares de igrejas dedicadas a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima; em numerosas dioceses celebra-se o 13 de maio com a recita\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o; divulgou-se a pr\u00e1tica dos cinco primeiros s\u00e1bados e intensificou-se a ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio; multiplicaram-se as publica\u00e7\u00f5es para divulgar a mensagem e a espiritualidade de F\u00e1tima; surgiram confrarias, associa\u00e7\u00f5es e movimentos diversos sob a invoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima; a sua imagem \u00e9 venerada um pouco por todo o lado; h\u00e1 correntes de espiritualidade que se alimentam da mensagem de F\u00e1tima; e s\u00e3o numerosos os institutos de vida consagrada cujo carisma assenta no compromisso com essa mensagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>B\u00ean\u00e7\u00e3o e interpela\u00e7\u00e3o para o mundo inteiro<\/em><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o estendeu-se ao mundo inteiro como mensagem de esperan\u00e7a e fonte de paz. O convite \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao compromisso com a constru\u00e7\u00e3o da paz sacudiu as consci\u00eancias no limiar de um s\u00e9culo conflituoso e tr\u00e1gico. Quando a humanidade agonizava numa viol\u00eancia de alcance mundial, a Virgem de F\u00e1tima veio pedir a ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio pela paz, anunciando para breve o fim da guerra e pedindo a convers\u00e3o dos homens para que n\u00e3o ocorresse outro conflito; nesse sentido, que o mundo e a R\u00fassia fossem consagrados ao seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado, sob a promessa de que \u00abpor fim, [&#8230;] triunfar\u00e1\u00bb, e ser\u00e1 concedido ao mundo \u00abalgum tempo de paz\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ainda hoje, quando vivemos, como diz o papa Francisco, uma \u00abterceira guerra combatida em epis\u00f3dios\u00bb<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, a mensagem da Senhora de F\u00e1tima agita as nossas consci\u00eancias para que reconhe\u00e7amos a tarefa desta hora hist\u00f3rica: a tarefa de n\u00e3o nos deixarmos cair na indiferen\u00e7a diante de tanto sofrimento; de respeitarmos a mem\u00f3ria de tantas v\u00edtimas inocentes; de n\u00e3o deixarmos que o nosso cora\u00e7\u00e3o se torne insens\u00edvel ao mal tantas vezes banalizado.<\/p>\n<p>Neste sentido, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II recorda-nos que a \u00abmensagem de F\u00e1tima \u00e9 destinada de modo particular aos homens do nosso s\u00e9culo, marcado pelas guerras, pelo \u00f3dio, pela viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais do homem, pelo enorme sofrimento de homens e na\u00e7\u00f5es e, por fim, pela luta contra Deus, impelida at\u00e9 \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia\u00bb<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Por isso \u00e9 que a mensagem de F\u00e1tima continua profundamente atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O dom e o convite da mensagem de F\u00e1tima<\/strong><\/p>\n<p><em>Uma mensagem que nos interpela, hoje<\/em><\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>A mensagem de F\u00e1tima mostra-nos uma experi\u00eancia universal e permanente: o confronto entre o bem e o mal que continua no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, nas rela\u00e7\u00f5es sociais, no campo da pol\u00edtica e da economia, no interior de cada pa\u00eds e \u00e0 escala internacional. Cada um de n\u00f3s \u00e9 interpelado a corresponder ao chamamento de Deus, a combater o mal a partir do mais \u00edntimo de si mesmo, a compreender o sentido da convers\u00e3o e do sacrif\u00edcio em favor dos outros, como fizeram os tr\u00eas pastorinhos, na sua pureza e inoc\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltar a centrar o olhar em Deus Trindade: a atitude adorante<\/em><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>O acontecimento de F\u00e1tima est\u00e1 desde o in\u00edcio centrado em Deus Trindade. A luz e a beleza que irradiavam da presen\u00e7a do Anjo e da Senhora e inundavam as tr\u00eas crian\u00e7as eram as m\u00e3os estendidas de Deus, que na bondade do seu Amor a todos abra\u00e7a. A presen\u00e7a de Deus, recorda L\u00facia, \u00abera t\u00e3o intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos at\u00e9 do uso dos sentidos corporais por um grande espa\u00e7o de tempo. [&#8230;] A paz e felicidade que sent\u00edamos era grande, mas s\u00f3 \u00edntima, completamente concentrada a alma em Deus\u00bb<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta experi\u00eancia t\u00e3o \u00edntima de Deus n\u00e3o deve ser entendida como simples perce\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do sagrado ou do mist\u00e9rio. Deus n\u00e3o \u00e9 simplesmente o arquiteto do mundo ou a chave para explicar a realidade. Deus \u00e9 Pessoa viva que est\u00e1 pr\u00f3xima das suas criaturas. Os pastorinhos foram protagonistas de um encontro pessoal com Algu\u00e9m que vinha ao seu encontro, desvelando os seus des\u00edgnios de miseric\u00f3rdia: foi assim que compreenderam \u00ab<em>quem<\/em> era Deus, como <em>[os] amava <\/em>e <em>queria ser amado<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Esse Deus que ama e quer ser amado \u00e9 a Trindade, \u00abque [os] penetrava no mais \u00edntimo da alma\u00bb<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. E por isso \u00e0 Trindade Santa \u00e9 dirigida uma das ora\u00e7\u00f5es mais origin\u00e1rias e genu\u00ednas de F\u00e1tima: \u00abSant\u00edssima Trindade, Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo, adoro-Vos profundamente&#8230;\u00bb<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>O encontro com Deus \u00e9 vivido pelas tr\u00eas crian\u00e7as como fonte de profunda felicidade e alegria. A ora\u00e7\u00e3o brota, por isso, de modo espont\u00e2neo na sua intimidade, como uma disposi\u00e7\u00e3o constante que h\u00e1 de manter vivo um di\u00e1logo que transformara definitivamente as suas vidas. E, desde o princ\u00edpio, sentem que a adora\u00e7\u00e3o \u00e9 o modo de estar diante d\u2019Aquele que est\u00e1 acima de todos os \u00eddolos que pretendem seduzir os seres humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Contempla\u00e7\u00e3o, compaix\u00e3o e an\u00fancio: os carismas dos videntes<\/em><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>Francisco, Jacinta e L\u00facia viveram o esp\u00edrito de adora\u00e7\u00e3o de distintos modos, igualmente profundos, que deixam aflorar a sua experi\u00eancia m\u00edstica. Os diferentes carismas de cada um marcar\u00e3o profundamente a espiritualidade de F\u00e1tima e continuam a atrair e a contagiar os peregrinos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Francisco reconhece simultaneamente a transcend\u00eancia de Deus e o j\u00fabilo pela sua presen\u00e7a. Confessa: \u00abdo que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!\u00bb<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Sente-se \u00aba arder, naquela luz que \u00e9 Deus [&#8230;]. Como \u00e9 Deus! N\u00e3o se pode dizer!\u00bb<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Esta uni\u00e3o com Deus f\u00e1-lo perceber a dor que lhe provocam as ofensas humanas. D\u00e1-lhe pena por \u00abEle estar t\u00e3o triste\u00bb e, por isso, brota nele a resposta enternecedora: \u00abSe eu O pudesse consolar!\u00bb<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p>Jacinta era especialmente sens\u00edvel a Cristo crucificado, que para ela condensava o amor de Deus e suscitava, por isso, uma imensa gratid\u00e3o: \u00abenterneceu-se e chorou\u00bb ao contempl\u00e1-lo, \u00abporque morreu por n\u00f3s\u00bb<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. \u00c9 assim levada a desenvolver um di\u00e1logo constante de amor: gosta tanto de Jesus e de sua M\u00e3e que n\u00e3o se cansa de lhes dizer que os ama<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>; busca a solid\u00e3o para \u00abestar muito tempo sozinha, a falar com Jesus escondido\u00bb<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p>L\u00facia assumir\u00e1 como miss\u00e3o da sua vida transmitir a todos o amor de Deus manifestado no Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Viver\u00e1 para recordar ao mundo, n\u00e3o a mis\u00e9ria do que existe, mas a grandeza da miseric\u00f3rdia divina, deixando assim transparecer \u00abo que as apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora, na Cova da Iria, tinham de mais \u00edntimo\u00bb<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. \u00c9 na fidelidade a esta miss\u00e3o que, mesmo a partir da clausura da sua vida mon\u00e1stica, dar\u00e1 testemunho ao mundo de que o segredo da felicidade \u00e9 viver no amor<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00cdcone de ternura e de miseric\u00f3rdia: a presen\u00e7a de Maria<\/em><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>O protagonismo de Deus Trindade na nossa hist\u00f3ria, a sua proximidade e a sua provid\u00eancia tornam-se vis\u00edveis na Virgem Maria, de modo mais concreto no seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado. Para os pastorinhos, o cora\u00e7\u00e3o da Senhora era o Santu\u00e1rio do seu encontro com Deus: \u00abN\u00e3o nos diz o Sagrado Evangelho que Maria guardava todas as coisas em Seu cora\u00e7\u00e3o? E quem melhor que este Imaculado Cora\u00e7\u00e3o nos poderia descobrir os segredos da Divina Miseric\u00f3rdia?\u00bb<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Esse cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u201clugar\u201d onde experimentavam a luz divina e a mensagem lhes era comunicada: \u00abO que seria, se soubessem o que Ela nos mostrou em Deus, no seu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o, nessa luz t\u00e3o grande!\u00bb<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. A miseric\u00f3rdia de Deus, o palpitar do seu cora\u00e7\u00e3o diante dos pecadores e dos desgra\u00e7ados, encontra um \u00edcone privilegiado no cora\u00e7\u00e3o de Maria. Neste cora\u00e7\u00e3o <em>imaculado<\/em> reflete-se a for\u00e7a da gra\u00e7a, a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que no momento da anuncia\u00e7\u00e3o a cobriu com a sua sombra, e j\u00e1 desde a sua conce\u00e7\u00e3o tinha antecipado nela a a\u00e7\u00e3o redentora do mist\u00e9rio pascal: \u00e9 eleita para ser \u00abM\u00e3e de Deus \u201ctoda santa\u201d e \u201cimune de toda a mancha de pecado\u201d, visto que o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura\u00bb<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. O cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e \u00e9 verdadeiramente \u00edcone da \u00abgra\u00e7a e miseric\u00f3rdia\u00bb, as palavras que, na apari\u00e7\u00e3o de Tuy, em 13 de junho de 1929, ilustram a vis\u00e3o da Trindade, que L\u00facia acolhe; duas palavras que t\u00e3o bem condensam a mensagem de F\u00e1tima. Por isso, a devo\u00e7\u00e3o ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria converteu-se num tra\u00e7o caracter\u00edstico da espiritualidade de F\u00e1tima.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O facto de Maria se tornar presente corresponde ao dinamismo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e ao papel que a Virgem desempenhou no mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>. Tendo colaborado de forma totalmente singular com a obra do Salvador, a sua miss\u00e3o maternal para com os homens perdura sem cessar na economia da gra\u00e7a. Com a sua assun\u00e7\u00e3o aos c\u00e9us, n\u00e3o abandonou esta miss\u00e3o: continua, com mais intensidade, a cuidar dos irm\u00e3os de seu Filho que peregrinam neste mundo, entre ang\u00fastias e perigos, e procura, com a sua intercess\u00e3o, alcan\u00e7ar os dons da salva\u00e7\u00e3o, mostrando assim a efic\u00e1cia da media\u00e7\u00e3o \u00fanica e insuper\u00e1vel de Jesus Cristo<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. A partir do seu estado glorioso, Maria mostra, nas suas apari\u00e7\u00f5es, o significado sempre permanente da P\u00e1scoa, o constante triunfo da gra\u00e7a e da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Deste modo, na Virgem Maria, no seu cora\u00e7\u00e3o materno, transparece a vontade misericordiosa de um Deus Trindade que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das suas criaturas, que n\u00e3o abandona o pecador na sua culpa, que n\u00e3o esquece os desgra\u00e7ados no seu sofrimento, que n\u00e3o ignora as v\u00edtimas e os exclu\u00eddos, que sempre oferece o seu perd\u00e3o e a sua consola\u00e7\u00e3o, que abre sempre a porta da esperan\u00e7a, quando os seres humanos se fecham no seu ego\u00edsmo ou na sua inconsci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O convite \u00e0 convers\u00e3o e ao combate contra o mal: uma mensagem prof\u00e9tica<\/em><\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>De entre os sinais dos tempos, afirmou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u00absobressai F\u00e1tima, que nos ajuda a ver a m\u00e3o de Deus, guia providente e Pai paciente e compassivo tamb\u00e9m deste s\u00e9culo XX\u00bb<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>. Por sua vez, Bento XVI refor\u00e7ou este aspeto dizendo que F\u00e1tima \u00e9 a \u00abmais prof\u00e9tica das apari\u00e7\u00f5es modernas\u00bb<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. De facto, denuncia as m\u00e1scaras do mal, que provoca no mundo tanta dor injusta e atinge, por vezes, os membros da Igreja: por um lado, os mecanismos que conduzem \u00e0 guerra, o ate\u00edsmo que quer apagar as pegadas de Deus neste mundo, os poderes econ\u00f3micos que n\u00e3o buscam mais que o seu pr\u00f3prio benef\u00edcio \u00e0 custa dos pobres e dos d\u00e9beis, a persegui\u00e7\u00e3o contra a Igreja e contra os santos que se op\u00f5em aos \u00eddolos criados pelos interesses humanos; por outro lado, a hipocrisia ou a infidelidade daqueles que, na Igreja, se deixam dominar pela apatia ou pelo esp\u00edrito mundano: a comodidade, a corrup\u00e7\u00e3o ou a busca de poder. O sofrimento da Igreja, dizia Bento XVI a caminho de F\u00e1tima, vem tamb\u00e9m do pecado que existe na Igreja, pelo que necessitamos de aprender a penit\u00eancia, aceitar a purifica\u00e7\u00e3o, pedir perd\u00e3o<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A mensagem de F\u00e1tima \u00e9 um veemente apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia. O pedido repetido para que os homens n\u00e3o ofendam mais a Deus, a tristeza de Nossa Senhora como express\u00e3o da n\u00e3o indiferen\u00e7a diante dos pecados cometidos, o convite \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao sacrif\u00edcio pelos pecadores s\u00e3o simultaneamente den\u00fancia do mal, apelo \u00e0 convers\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica do amor de Deus. Como afirmava o cardeal Ratzinger, no coment\u00e1rio teol\u00f3gico ao <em>segredo de F\u00e1tima<\/em>, a \u00abpalavra-chave desta [terceira] parte do \u2018segredo\u2019 \u00e9 o tr\u00edplice grito: \u201cPenit\u00eancia, Penit\u00eancia, Penit\u00eancia!\u201d Volta-nos ao pensamento o in\u00edcio do Evangelho: \u201c<em>P\u00e6nitemini et credite evangelio<\/em>\u201d (<em>Mc<\/em> 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urg\u00eancia da penit\u00eancia, da convers\u00e3o, da f\u00e9\u00bb<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><em>Sacrif\u00edcio e repara\u00e7\u00e3o: a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo<\/em><\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>O acontecimento de F\u00e1tima \u00e9 um convite a colaborarmos com os des\u00edgnios de miseric\u00f3rdia, segundo o exemplo dos tr\u00eas pastorinhos. A pergunta que lhes foi dirigida em 13 de maio de 1917 \u00e9-nos dirigida tamb\u00e9m a n\u00f3s: \u00abQuereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de repara\u00e7\u00e3o pelos pecados com que Ele \u00e9 ofendido e de s\u00faplica pela convers\u00e3o dos pecadores?\u00bb<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os pastorinhos foram respondendo desde logo com a ora\u00e7\u00e3o, pois no seu ato de adora\u00e7\u00e3o a Deus est\u00e3o presentes os outros: \u00abMeu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Pe\u00e7o-Vos perd\u00e3o para os que n\u00e3o creem, n\u00e3o adoram, n\u00e3o esperam e n\u00e3o Vos amam\u00bb<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. A partir das primeiras palavras do Anjo, foram descobrindo que a sua voca\u00e7\u00e3o era uma miss\u00e3o e que o dom recebido levava consigo a entrega da pr\u00f3pria vida em favor dos outros. A urg\u00eancia das necessidades dos outros reclamava a penit\u00eancia, o sacrif\u00edcio e a repara\u00e7\u00e3o. O sacrif\u00edcio do crist\u00e3o s\u00f3 pode ser vivido a partir da ora\u00e7\u00e3o e como ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Partindo da sua profunda uni\u00e3o com Deus, os pastorinhos tomaram consci\u00eancia de que os outros s\u00e3o t\u00e3o importantes que se sacrificaram por eles. Foi assim despertando a sua responsabilidade: n\u00e3o podiam abandonar o pecador na sua culpa ou o que sofre no seu sofrimento. Como dir\u00e1 mais tarde L\u00facia, n\u00e3o podiam ir felizes para o c\u00e9u sozinhos, n\u00e3o poderiam ser felizes sem os outros<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. O convite \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 repara\u00e7\u00e3o desafia-nos a n\u00e3o nos resignarmos diante da banaliza\u00e7\u00e3o do mal, a vencermos a ditadura da indiferen\u00e7a face ao sofrimento que nos cerca.<\/p>\n<p>Neste caminho de purifica\u00e7\u00e3o pessoal para a solidariedade est\u00e1 presente uma espiritualidade que aprofunda as suas ra\u00edzes no n\u00facleo do mist\u00e9rio crist\u00e3o. Esta espiritualidade educa-se e concretiza-se em pr\u00e1ticas que alimentam a atitude teologal e a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo: na Eucaristia, em que Cristo se faz sacramentalmente presente, e na ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio, em que Ele se faz narrativamente presente na medita\u00e7\u00e3o dos seus mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>A partir da experi\u00eancia t\u00e3o \u00edntima com Deus e da confian\u00e7a que a Senhora lhes comunica, os pastorinhos d\u00e3o testemunho do triunfo do Amor que abra\u00e7a a cria\u00e7\u00e3o inteira e que transparece no Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria. Precisamente sob o pano de fundo da vis\u00e3o do inferno, as palavras da Senhora ganham relevo: \u00abPor fim, o meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1\u00bb<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>, em \u00faltima an\u00e1lise, o triunfo do amor de Deus que se revelou \u00e0 humanidade. Deste modo, a mensagem de F\u00e1tima converte-se num hino de esperan\u00e7a. Como disse o cardeal Ratzinger<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a>, a Virgem Maria n\u00e3o provoca medo nem faz previs\u00f5es apocal\u00edticas, mas conduz ao Filho, ao essencial da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Repetiu-o como papa: a mensagem de F\u00e1tima, condensada na promessa da Senhora, \u00e9 \u00abcomo uma janela de esperan\u00e7a que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta\u00bb<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>F\u00e1tima no futuro da Igreja, de Portugal e do mundo<\/strong><\/p>\n<p><em>Pedagogia evangelizadora da espiritualidade de F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li>Na sua dupla dimens\u00e3o m\u00edstica e prof\u00e9tica, F\u00e1tima \u2013 na sua mensagem e no seu Santu\u00e1rio \u2013 tem uma miss\u00e3o a cumprir na Igreja e no mundo: ser farol e est\u00edmulo para a convers\u00e3o pastoral da Igreja e crit\u00e9rio e b\u00fassola a orientar o compromisso dos crist\u00e3os nos conflitos do nosso mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A espiritualidade de F\u00e1tima, que acompanha e sust\u00e9m as peregrina\u00e7\u00f5es, purifica e eleva atitudes puramente naturais da religiosidade para as transformar em atitudes filiais. Oferece a pedagogia da mistagogia: atrav\u00e9s da figura de Maria e dos tr\u00eas pastorinhos, torna poss\u00edvel o encontro com o Deus Trindade, na sua beleza e na sua proximidade, como experi\u00eancia salv\u00edfica. Mostra, desta forma, como \u00e9 insuficiente todo o projeto de autorreden\u00e7\u00e3o, que tanto seduz os nossos contempor\u00e2neos. O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 autorit\u00e1rio nem concorrente do ser humano, mas fonte de esperan\u00e7a e de humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00e1tima irradia assim o dinamismo evangelizador apoiado na piedade popular, isto \u00e9, na \u00abespiritualidade encarnada na cultura dos simples\u00bb de que fala o papa Francisco: como \u00abmaneira leg\u00edtima de viver a f\u00e9, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser mission\u00e1rios\u00bb<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. Peregrinar, caminhar juntos, leva-nos a sair de n\u00f3s pr\u00f3prios e a abrirmo-nos aos outros, escutando-os e partilhando a pr\u00f3pria exist\u00eancia, com o esp\u00edrito mission\u00e1rio e sinodal que se espera hoje da Igreja.<\/p>\n<p>\u00c9 particularmente significativa a aten\u00e7\u00e3o que em F\u00e1tima se d\u00e1 aos mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis \u2013 as crian\u00e7as, os doentes, os idosos, as pessoas com defici\u00eancia, os migrantes \u2013 que neste lugar e na sua proposta espiritual encontram hospitalidade, cuidado, rumo e energia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma Igreja com rosto mariano<\/em><\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>A mensagem de F\u00e1tima inspira a Igreja a encontrar e a aprofundar os tra\u00e7os do seu rosto mariano. Acolhendo esta interpela\u00e7\u00e3o, a Igreja, sacramento universal da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 levada a acolher com Maria e como ela a miss\u00e3o que procede de Deus, a seguir Jesus como disc\u00edpula fiel e crente, a ser sens\u00edvel \u00e0s necessidades dos pr\u00f3ximos e aos clamores dos distantes, a estar disposta a permanecer junto \u00e0 cruz, a assumir o peso da incompreens\u00e3o e da persegui\u00e7\u00e3o, a irradiar a gl\u00f3ria e as prim\u00edcias da ressurrei\u00e7\u00e3o, a ser \u201chospital de campanha\u201d que sai ao encontro dos feridos e n\u00e3o \u201calf\u00e2ndega\u201d que fecha as portas. A Igreja, que encontra consola\u00e7\u00e3o e for\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o maternal de Maria, atuar\u00e1, assim, como m\u00e3e dos batizados e oferecer\u00e1 cuidado maternal aos que a veem de fora, qualquer que seja a dist\u00e2ncia a que se encontrem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Maria, como nova Eva, \u00e9 para cada crist\u00e3o um modelo do ser humano, convidando-o \u00e0 convers\u00e3o pessoal: ainda que desapare\u00e7am as ditaduras, melhorem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e se eliminem os conflitos b\u00e9licos, tem de ser erradicada a tenta\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio que se instala no cora\u00e7\u00e3o humano. Maria, imaculada e assunta e, por isso, modelo de humanidade, ajuda a compreender a gra\u00e7a como dom que nos transforma, a fidelidade como disposi\u00e7\u00e3o que nos humaniza, a generosidade e o servi\u00e7o como express\u00e3o de respeito pelos outros, o amor universal como dignifica\u00e7\u00e3o de todos os filhos de Deus.<\/p>\n<p>A Igreja encontra, assim, em Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima, da Senhora do Cora\u00e7\u00e3o Imaculado, e na sua mensagem um valioso instrumento catequ\u00e9tico para a sua vida e miss\u00e3o de evangelizadora no nosso mil\u00e9nio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>An\u00fancio prof\u00e9tico da miseric\u00f3rdia e da paz<\/em><\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>A mensagem de F\u00e1tima alimenta tamb\u00e9m o compromisso prof\u00e9tico com o mundo presente face \u00e0s injusti\u00e7as e a todos os fen\u00f3menos de exclus\u00e3o, qualquer que seja a sua raiz. Desde a sua g\u00e9nese, o acontecimento de F\u00e1tima revela os des\u00edgnios de miseric\u00f3rdia que Deus desejava realizar atrav\u00e9s dos pastorinhos sob o olhar maternal da M\u00e3e de Jesus. Conclu\u00eddo o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia, \u00e9 necess\u00e1rio conservar e desenvolver este manancial, dar o primado \u00e0 miseric\u00f3rdia, numa cultura contempor\u00e2nea que a quer erradicar, como dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II e o papa Francisco nos recorda na Bula <em>Misericordiae vultus<\/em>. A miseric\u00f3rdia \u00e9 o que nos impele a abrir o cora\u00e7\u00e3o ao outro, aprisionado pelo mal ou pelo sofrimento, e a sermos sens\u00edveis \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es recordadas pelo papa Francisco em Lampedusa<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a> e que j\u00e1 Bento XVI tinha exposto em F\u00e1tima<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a>: \u00abOnde est\u00e1s, Ad\u00e3o? Onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o? Somos capazes de chorar diante da exclus\u00e3o e da marginaliza\u00e7\u00e3o de que padecem os mais d\u00e9beis?\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Fi\u00e9is ao carisma de F\u00e1tima, somos chamados a acolher o convite \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e defesa da paz entre os povos, denunciando e opondo-nos aos mecanismos perversos que enfrentam ra\u00e7as e na\u00e7\u00f5es: a arrog\u00e2ncia racionalista e individualista, o ego\u00edsmo indiferente e subjetivista, a economia sem moral ou a pol\u00edtica sem compaix\u00e3o. F\u00e1tima ergue-se como palavra prof\u00e9tica de den\u00fancia do mal e compromisso com o bem, na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz, na valoriza\u00e7\u00e3o e respeito pela dignidade de cada ser humano.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o dos crist\u00e3os manifesta-se no esfor\u00e7o por tentar tudo fazer, para que o poder do mal seja detido e continuem a crescer as for\u00e7as do bem. Na fortaleza da M\u00e3e revela-se a fortaleza de Deus; e nesta convic\u00e7\u00e3o se aviva e revitaliza a fortaleza dos crentes.<\/p>\n<p>No trilho da imensa multid\u00e3o dos peregrinos que desejam beber do Evangelho nas fontes de F\u00e1tima e se confiam ao cuidado materno da Senhora do Ros\u00e1rio, a Igreja rejubila com o dom do acontecimento de F\u00e1tima neste seu centen\u00e1rio. O seu Santu\u00e1rio continua como lugar de refontaliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e de viv\u00eancia eclesial. A sua mensagem interpela-nos e incita-nos a seguirmos o caminho da renova\u00e7\u00e3o interior, apoiados na afirma\u00e7\u00e3o de Jesus, o filho de Maria: \u00abTem confian\u00e7a: Eu j\u00e1 venci o mundo\u00bb (Jo 16,33). Na medida em que por ela se deixar habitar, a comunidade dos crentes pode oferecer ao mundo a Luz de Deus que preenche o Cora\u00e7\u00e3o cheio de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia da Virgem M\u00e3e, cust\u00f3dia da inabal\u00e1vel esperan\u00e7a no triunfo do amor sobre os dramas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>F\u00e1tima, 8 de dezembro de 2016, Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> L\u00facia de Jesus, <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, 15.\u00aa ed., F\u00e1tima 2011, p. 173.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, n.\u00ba 119.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira, \u00abF\u00e1tima e a Igreja\u00bb, in <em>Obras Pastorais<\/em>. Vol. II (1936-1942), Lisboa 1943, p. 272.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 181.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Documenta\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica de F\u00e1tima<\/em>. <em>I<\/em>. Doc. 3, p. 34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. L\u00facia de Jesus, <em>Como vejo a mensagem atrav\u00e9s dos tempos e dos acontecimentos<\/em>, 2.\u00aa ed., F\u00e1tima 2007, p. 13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cf. Bento XVI, <em>Ora\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora<\/em>, Capela das Apari\u00e7\u00f5es, F\u00e1tima, em 12 de maio de 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. Bento XVI, <em>Discurso no encontro com os bispos de Portugal<\/em>, F\u00e1tima, em 13 de maio de 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Jo\u00e3o XXIII, <em>Carta ao Patriarca de Lisboa por ocasi\u00e3o da segunda peregrina\u00e7\u00e3o de Portugal a F\u00e1tima<\/em>, em 8 de outubro de 1961.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 177.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Francisco, <em>Homilia da Missa no Sacr\u00e1rio de Redipuglia por ocasi\u00e3o do centen\u00e1rio do in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial<\/em>, Redipuglia, em 13 de setembro de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, <em>Homilia da Missa de dedica\u00e7\u00e3o da Igreja Paroquial ao Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria<\/em>, Zakopane, em 7 de junho de 1997.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 171.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 170.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 145.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 170.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 141.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 145.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 145.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, pp. 139 e 140.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Cf. <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 56.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 55.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Cf. <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 130.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 190.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Cf. L\u00facia de Jesus, <em>Apelos da Mensagem de F\u00e1tima<\/em>, 4.\u00aa ed., F\u00e1tima 2007, p. 42.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 34-35.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 144.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Conc\u00edlio Vaticano II, <em>Lumen Gentium<\/em>, n.\u00ba 56.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Cf. <em>Lumen Gentium<\/em>, n.\u00ba 57.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Cf. <em>Lumen Gentium<\/em>, n.\u00ba 60-62.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, \u00abMensagem ao bispo de Leiria-F\u00e1tima por ocasi\u00e3o do 80.\u00ba anivers\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es milagrosas de Nossa Senhora\u00bb, in <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (edi\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa), 18 de outubro de 1997, p. 4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Bento XVI, <em>Regina Coeli<\/em>, Esplanada do Santu\u00e1rio de Aparecida, em 13 de maio de 2007.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Bento XVI, <em>Encontro do papa Bento XVI com os jornalistas durante o voo para Portugal<\/em>, em 11 de maio de 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Joseph Ratzinger, \u00abComent\u00e1rio Teol\u00f3gico\u00bb, in Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <em>A mensagem de F\u00e1tima. O Segredo<\/em>, Lisboa 2000, p. 50.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 173.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 169.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Cf. <em>Como vejo a mensagem atrav\u00e9s dos tempos e dos acontecimentos<\/em>, p. 32.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> <em>Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia<\/em>. Vol. I, p. 177.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Cf. <em>A Voz da F\u00e1tima<\/em>, novembro 1996.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> Bento XVI, <em>Discurso de sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 chegada a Portugal<\/em>, em 11 de maio de 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Francisco, Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, n.\u00ba 124, citando a V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, <em>Documento de Aparecida<\/em> (29 de junho de 2007), n.\u00ba 263 e 264.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> Francisco, <em>Homilia da Missa pelas v\u00edtimas dos naufr\u00e1gios<\/em>, Lampedusa, em 8 de julho de 2013.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> Bento XVI, <em>Homilia da Missa no 10.\u00ba anivers\u00e1rio da beatifica\u00e7\u00e3o de Francisco e Jacinta<\/em>, F\u00e1tima, 13 de maio de 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/CEP_CartaPastoral_CentenarioFatima.pdf\" target=\"_blank\">Carta Pastoral da CEP &#8211; Centen\u00e1rio de F\u00e1tima<\/a>\u00a0(pdf)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\u00a0no Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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