{"id":5028,"date":"2016-04-08T12:12:29","date_gmt":"2016-04-08T11:12:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=5028"},"modified":"2016-04-08T12:13:53","modified_gmt":"2016-04-08T11:13:53","slug":"sintese-da-exortacao-apostolica-pos-sinodal-do-papa-francisco-amoris-laetitia-sobre-o-amor-na-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/sintese-da-exortacao-apostolica-pos-sinodal-do-papa-francisco-amoris-laetitia-sobre-o-amor-na-familia\/","title":{"rendered":"S\u00edntese da\u00a0Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal do Papa Francisco &#8211;\u00a0Amoris laetitia sobre o amor na fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAmoris laetitia\u201d (AL &#8211; \u201cA alegria do amor\u201d), a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u201csobre o amor na fam\u00edlia\u201d, datada, n\u00e3o por acaso, de 19 de mar\u00e7o, Solenidade de S. Jos\u00e9, recolhe os resultados de dois S\u00ednodos sobre a fam\u00edlia convocados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015, cujos Relat\u00f3rios conclusivos s\u00e3o abundantemente citados, juntamente com documentos e ensinamentos dos seus predecessores e as numerosas catequeses sobre a fam\u00edlia do pr\u00f3prio Papa Francisco. Contudo, como j\u00e1 sucedeu noutros documentos magisteriais, o Papa recorre tamb\u00e9m a contributos de diversas Confer\u00eancias episcopais de todo o mundo (Qu\u00e9nia, Austr\u00e1lia, Argentina&#8230;) e a cita\u00e7\u00f5es de personalidades de relevo, como Martin Luther King ou Erich Fromm. Ressalta em particular uma cita\u00e7\u00e3o do filme \u201cA Festa de Babette\u201d, que o Papa recorda para explicar o conceito de gratuitidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong><em>Premissa <\/em><\/strong><\/p>\n<p>A Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica chama a aten\u00e7\u00e3o pela sua amplitude e articula\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 dividida em nove cap\u00edtulos e mais de 300 par\u00e1grafos. Tem in\u00edcio com sete <em>par\u00e1grafos introdut\u00f3rios <\/em>que evidenciam a plena consci\u00eancia da complexidade do tema, que requer ser aprofundado. Afirma-se que as interven\u00e7\u00f5es dos Padres no S\u00ednodo constitu\u00edram um \u00abprecioso poliedro\u00bb (AL 4) que deve ser preservado. Neste sentido, o Papa escreve que \u00abnem todas as discuss\u00f5es doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es magisteriais\u00bb. Por conseguinte, para algumas quest\u00f5es \u00abem cada pa\u00eds ou regi\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel buscar solu\u00e7\u00f5es mais inculturadas, atentas \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e aos desafios locais. De facto, \u201cas culturas s\u00e3o muito diferentes entre si e cada princ\u00edpio geral (&#8230;), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado\u201d\u00bb (AL 3). Este princ\u00edpio de incultura\u00e7\u00e3o revela-se como muito importante at\u00e9 no modo de articular e compreender os problemas, modo esse que, sem entrar nas quest\u00f5es dogm\u00e1ticas bem definidas pelo Magist\u00e9rio da Igreja, n\u00e3o pode ser \u00abglobalizado\u00bb.<\/p>\n<p>Mas sobretudo o Papa afirma de imediato e com clareza que \u00e9 necess\u00e1rio sair da est\u00e9ril contraposi\u00e7\u00e3o entre a \u00e2nsia de mudan\u00e7a e a aplica\u00e7\u00e3o pura e simples de normas abstratas. Assim declara: \u00abOs debates, que t\u00eam lugar nos meios de comunica\u00e7\u00e3o ou em publica\u00e7\u00f5es e mesmo entre ministros da Igreja, estendem-se desde o desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflex\u00e3o ou fundamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 atitude que pretende resolver tudo atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de normas gerais ou deduzindo conclus\u00f5es excessivas de algumas reflex\u00f5es teol\u00f3gicas\u00bb (AL 2).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo primeiro: \u201c\u00c0 luz da Palavra\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enunciadas estas premissas, o Papa articula a sua reflex\u00e3o a partir das Sagradas Escrituras no <em>primeiro cap\u00edtulo<\/em>, que se desenvolve como uma medita\u00e7\u00e3o acerca do Salmo 128, caracter\u00edstico da liturgia nupcial hebraica, assim como da crist\u00e3. A B\u00edblia \u00abaparece cheia de fam\u00edlias, gera\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias de amor e de crises familiares\u00bb (AL 8) e a partir deste dado pode meditar-se como a fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um ideal abstrato, mas uma \u00abtarefa \u201cartesanal\u201d\u00bb (AL 16) que se exprime com ternura (AL 28), mas que se viu confrontada desde o in\u00edcio tamb\u00e9m pelo pecado, quando a rela\u00e7\u00e3o de amor se transformou em dom\u00ednio (cf. AL 19). Ent\u00e3o, a Palavra de Deus \u00abn\u00e3o se apresenta como uma sequ\u00eancia de teses abstratas, mas como uma companheira de viagem, mesmo para as fam\u00edlias que est\u00e3o em crise ou imersas nalguma tribula\u00e7\u00e3o, mostrando-lhes a meta do caminho\u00bb (AL 22).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo segundo: \u201cA realidade e os desafios das fam\u00edlias\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Partindo do terreno b\u00edblico, o Papa considera no <em>segundo cap\u00edtulo <\/em>a situa\u00e7\u00e3o atual das fam\u00edlias, mantendo \u00abos p\u00e9s assentes na terra\u00bb (AL 6), bebendo com abund\u00e2ncia dos Relat\u00f3rios conclusivos dos dois S\u00ednodos e enfrentando numerosos desafios, desde o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio \u00e0 nega\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da diferen\u00e7a de sexo (\u00abideologia de g\u00e9nero\u00bb); da cultura do provis\u00f3rio \u00e0 mentalidade anti-natalidade e ao impacto das biotecnologias no campo da procria\u00e7\u00e3o; da falta de habita\u00e7\u00e3o e de trabalho \u00e0 pornografia e ao abuso de menores; da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia ao respeito pelos idosos; da desconstru\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da fam\u00edlia \u00e0 viol\u00eancia para com as mulheres. O Papa insiste no car\u00e1cter concreto, que \u00e9 um elemento fundamental da Exorta\u00e7\u00e3o. E \u00e9 este car\u00e1cter concreto e realista que estabelece uma diferen\u00e7a substancial entre \u00abteorias\u00bb de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e \u00abideologias\u00bb.<\/p>\n<p>Citando a <em>Familiaris consortio<\/em>, Francisco afirma que \u00ab\u00e9 salutar prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade concreta, porque \u201cos pedidos e os apelos do Esp\u00edrito ressoam tamb\u00e9m nos acontecimentos da hist\u00f3ria\u201d atrav\u00e9s dos quais \u201ca Igreja pode ser guiada para uma compreens\u00e3o mais profunda do inexaur\u00edvel mist\u00e9rio do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia\u201d\u00bb (AL 31). Sem escutar a realidade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender nem as exig\u00eancias do presente nem os apelos do Esp\u00edrito. O Papa nota que o individualismo exacerbado torna hoje dif\u00edcil a doa\u00e7\u00e3o a uma outra pessoa de uma maneira generosa (cf. AL 33). Eis um interessante retrato da situa\u00e7\u00e3o: \u00abTeme-se a solid\u00e3o, deseja-se um espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o e fidelidade mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa rela\u00e7\u00e3o que possa adiar a satisfa\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es pessoais\u00bb (AL 34).<\/p>\n<p>A humildade do realismo ajuda a n\u00e3o apresentar \u00abum ideal teol\u00f3gico do matrim\u00f3nio demasiado abstrato, constru\u00eddo quase artificialmente, distante da situa\u00e7\u00e3o concreta e das possibilidades efetivas das fam\u00edlias tais como s\u00e3o\u00bb (AL 36). O idealismo n\u00e3o permite considerar o matrim\u00f3nio assim como \u00e9, ou seja, \u00abum caminho din\u00e2mico de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o\u00bb. Por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode julgar que se possa apoiar as fam\u00edlias \u00abcom a simples insist\u00eancia em quest\u00f5es doutrinais, bio\u00e9ticas e morais, sem motivar a abertura \u00e0 gra\u00e7a\u00bb (AL 37). Convidando a uma certa \u201cautocr\u00edtica\u201d de uma apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o adequada da realidade matrimonial e familiar, o Papa insiste na necessidade de dar espa\u00e7o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos fi\u00e9is: \u00abSomos chamados a formar as consci\u00eancias, n\u00e3o a pretender substitu\u00ed-las\u00bb (AL37). Jesus propunha um ideal exigente, mas \u00abn\u00e3o perdia jamais a proximidade compassiva \u00e0s pessoas fr\u00e1geis como a samaritana ou a mulher ad\u00faltera\u00bb (AL 38).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo terceiro: \u201cO olhar fixo em Jesus: a voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>terceiro cap\u00edtulo <\/em>\u00e9 dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja acerca do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia. \u00c9 importante a presen\u00e7a deste cap\u00edtulo, porque ilustra de uma maneira sint\u00e9tica em 30 par\u00e1grafos a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia de acordo com o Evangelho, assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrim\u00f3nio, da transmiss\u00e3o da vida e da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Fazem-se in\u00fameras cita\u00e7\u00f5es da <em>Gaudium et spes <\/em>do Vaticano II, da <em>Humanae vitae <\/em>de Paulo VI, da <em>Familiaris consortio <\/em>de Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p>O olhar \u00e9 amplo e inclui tamb\u00e9m as \u00absitua\u00e7\u00f5es imperfeitas\u00bb. Com efeito, lemos: \u00ab\u201cO discernimento da presen\u00e7a das <em>semina Verbi <\/em>nas outras culturas (cf. <em>Ad gentes<\/em>, 11) pode-se aplicar tamb\u00e9m \u00e0 realidade matrimonial e familiar. Para al\u00e9m do verdadeiro matrim\u00f3nio natural, h\u00e1 elementos positivos tamb\u00e9m nas formas matrimoniais doutras tradi\u00e7\u00f5es religiosas\u201d, embora n\u00e3o faltem tamb\u00e9m as sombras\u00bb (AL 77). A reflex\u00e3o inclui ainda as \u00abfam\u00edlias feridas\u00bb, a prop\u00f3sito das quais o Papa afirma &#8211; citando a <em>Relatio finalis <\/em>do S\u00ednodo de 2015 &#8211; \u00ab\u00e9 preciso lembrar sempre um princ\u00edpio geral: \u201cSaibam os pastores que, por amor \u00e0 verdade, est\u00e3o obrigados a discernir bem as situa\u00e7\u00f5es\u201d (<em>Familiaris consortio<\/em>, 84). O grau de responsabilidade n\u00e3o \u00e9 igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitem a capacidade de decis\u00e3o. Por isso, ao mesmo tempo que se exprime com clareza a doutrina, h\u00e1 que evitar ju\u00edzos que n\u00e3o tenham em conta a complexidade das diferentes situa\u00e7\u00f5es, e \u00e9 preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condi\u00e7\u00e3o\u00bb (AL 79).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo quarto: \u201cO amor no matrim\u00f3nio\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>quarto cap\u00edtulo <\/em>trata do amor no matrim\u00f3nio e ilustra-o a partir do \u201chino ao amor\u201d de S\u00e3o Paulo de 1 <em>Cor <\/em>13, 4-7. O cap\u00edtulo \u00e9 uma verdadeira e aut\u00eantica exegese cuidadosa, precisa, inspirada e po\u00e9tica do texto paulino. Poderemos dizer que se trata de uma cole\u00e7\u00e3o de fragmentos de um discurso amoroso que cuida de descrever o amor humano em termos absolutamente concretos. Surpreende-nos a capacidade de introspe\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica evidenciada por esta exegese. O aprofundamento psicol\u00f3gico chega ao mundo das emo\u00e7\u00f5es dos c\u00f4njuges &#8211; positivas e negativas &#8211; e \u00e0 dimens\u00e3o er\u00f3tica do amor. Este \u00e9 um contributo extremamente rico e precioso para a vida crist\u00e3 dos c\u00f4njuges, que n\u00e3o tinha at\u00e9 agora paralelo em anteriores documentos papais.<\/p>\n<p>\u00c0 sua maneira, este cap\u00edtulo constitui um pequeno tratado no conjunto de um desenvolvimento mais amplo, plenamente consciente do car\u00e1cter quotidiano do amor que se op\u00f5e a todos os idealismos: \u00abn\u00e3o se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a uni\u00e3o que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrim\u00f3nio como sinal implica \u201cum processo din\u00e2mico, que avan\u00e7a gradualmente com a progressiva integra\u00e7\u00e3o dos dons de Deus\u201d\u00bb (AL 122). Mas, por outro lado, o Papa insiste de modo en\u00e9rgico e firme no facto de que \u00abna pr\u00f3pria natureza do amor conjugal, existe a abertura ao definitivo\u00bb (AL 123) precisamente no \u00edntimo daquela \u00abcombina\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de alegrias e fadigas, de tens\u00f5es e repouso, de sofrimentos e liberta\u00e7\u00f5es, de satisfa\u00e7\u00f5es e buscas, de aborrecimentos e prazeres\u00bb (Al 126) que \u00e9 de facto o matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo conclui-se com uma reflex\u00e3o muito importante acerca da \u00abtransforma\u00e7\u00e3o do amor\u00bb uma vez que \u00abo alongamento da vida provocou algo que n\u00e3o era comum noutros tempos: a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e a m\u00fatua perten\u00e7a devem ser mantidas durante quatro, cinco ou seis d\u00e9cadas, e isto gera a necessidade de renovar repetidas vezes a rec\u00edproca escolha\u00bb (AL 163). A apar\u00eancia f\u00edsica transforma-se e a atra\u00e7\u00e3o amorosa n\u00e3o desaparece, mas muda: com o tempo, o desejo sexual pode transformar-se em desejo de intimidade e \u00abcumplicidade\u00bb. \u00abN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum est\u00e1vel, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos at\u00e9 que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade\u00bb (AL 163).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo quinto: \u201cO amor que se torna fecundo\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>quinto cap\u00edtulo <\/em>centra-se por completo na fecundidade e no car\u00e1cter gerador do amor. Fala-se de uma maneira espiritual e psicologicamente profunda do acolher uma nova vida, da espera pr\u00f3pria da gravidez, do amor de m\u00e3e e de pai. Mas tamb\u00e9m da fecundidade alargada, da ado\u00e7\u00e3o, do acolhimento do contributo das fam\u00edlias para a promo\u00e7\u00e3o de uma \u201ccultura do encontro\u201d, da vida na fam\u00edlia em sentido amplo, com a presen\u00e7a de tios, primos, parentes dos parentes, amigos. A <em>Amoris laetitia <\/em>n\u00e3o toma em considera\u00e7\u00e3o a fam\u00edlia \u00abmononuclear\u00bb, mas est\u00e1 bem consciente da fam\u00edlia como rede de rela\u00e7\u00f5es alargadas. A pr\u00f3pria m\u00edstica do sacramento do matrim\u00f3nio tem um profundo car\u00e1cter social (cf. AL 186). E no \u00e2mbito desta dimens\u00e3o social o Papa sublinha em particular tanto o papel espec\u00edfico da rela\u00e7\u00e3o entre jovens e idosos, como a rela\u00e7\u00e3o entre irm\u00e3os como aprendizagem de crescimento na rela\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo sexto: \u201cAlgumas perspetivas pastorais\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No <em>sexto cap\u00edtulo<\/em>, o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edifica\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias s\u00f3lidas e fecundas de acordo com o plano de Deus. Nesta parte, a Exorta\u00e7\u00e3o recorre aos Relat\u00f3rios conclusivos dos dois S\u00ednodos e \u00e0s catequeses do Papa Francisco e de Jo\u00e3o Paulo II. Volta-se a sublinhar que as fam\u00edlias s\u00e3o sujeito e n\u00e3o apenas objeto de evangeliza\u00e7\u00e3o. O Papa observa que \u00abos ministros ordenados carecem, habitualmente, de forma\u00e7\u00e3o adequada para tratar dos complexos problemas atuais das fam\u00edlias\u00bb (AL 202). Se, por um lado, \u00e9 necess\u00e1rio melhorar a forma\u00e7\u00e3o psicoafetiva dos seminaristas e envolver mais a fam\u00edlia na forma\u00e7\u00e3o para o minist\u00e9rio (cf. AL 203), por outro, \u00abpode ser \u00fatil tamb\u00e9m a experi\u00eancia da longa tradi\u00e7\u00e3o oriental dos sacerdotes casados\u00bb (AL 202).<\/p>\n<p>Em seguida, o Papa desenvolve o tema da orienta\u00e7\u00e3o dos noivos no caminho de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, do acompanhamento dos esposos nos primeiros anos da vida matrimonial (incluindo o tema da paternidade respons\u00e1vel), mas tamb\u00e9m em algumas situa\u00e7\u00f5es complexas e, em particular, nas crises, sabendo que \u00abcada crise esconde uma boa not\u00edcia, que \u00e9 preciso saber escutar, afinando os ouvidos do cora\u00e7\u00e3o\u00bb (AL 232). S\u00e3o analisadas algumas causas de crise, entre elas uma matura\u00e7\u00e3o afetiva retardada (cf. AL 239).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, fala-se tamb\u00e9m do acompanhamento das pessoas abandonadas, separadas ou divorciadas e sublinha-se a import\u00e2ncia da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial. Coloca-se em relevo o sofrimento dos filhos nas situa\u00e7\u00f5es de conflito e conclui-se: \u00abO div\u00f3rcio \u00e9 um mal, e \u00e9 muito preocupante o aumento do n\u00famero de div\u00f3rcios. Por isso, sem d\u00favida, a nossa tarefa pastoral mais importante relativamente \u00e0s fam\u00edlias \u00e9 refor\u00e7ar o amor e ajudar a curar as feridas, para podermos impedir o avan\u00e7o deste drama do nosso tempo\u00bb (AL 246). Referem-se de seguida as situa\u00e7\u00f5es dos matrim\u00f3nios mistos e daqueles com disparidade de culto, e a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que t\u00eam dentro de si pessoas com tend\u00eancia homossexual, insistindo no respeito para com elas e na recusa de qualquer discrimina\u00e7\u00e3o injusta e de todas das formas de agress\u00e3o e viol\u00eancia. A parte final do cap\u00edtulo, \u00abquando a morte crava o seu aguilh\u00e3o\u00bb, \u00e9 de grande valor pastoral, tocando o tema da perda das pessoas queridas e da viuvez.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo s\u00e9timo: \u201cRefor\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>s\u00e9timo cap\u00edtulo <\/em>\u00e9 totalmente dedicado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos: a sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica, o valor da san\u00e7\u00e3o como est\u00edmulo, o realismo paciente, a educa\u00e7\u00e3o sexual, a transmiss\u00e3o da f\u00e9 e, mais em geral, a vida familiar como contexto educativo. \u00c9 interessante a sabedoria pr\u00e1tica que transparece em cada par\u00e1grafo e sobretudo a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 gradualidade e aos pequenos passos que \u00abpossam ser compreendidos, aceites e apreciados\u00bb (AL 271).<\/p>\n<p>H\u00e1 um par\u00e1grafo particularmente significativo e de um valor pedag\u00f3gico fundamental em que Francisco afirma com clareza que \u00aba obsess\u00e3o (&#8230;) n\u00e3o \u00e9 educativa; e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter o controlo de todas as situa\u00e7\u00f5es onde um filho poder\u00e1 chegar a encontrar-se (&#8230;). Se um progenitor est\u00e1 obcecado com saber onde est\u00e1 o seu filho e controlar todos os seus movimentos, procurar\u00e1 apenas dominar o seu espa\u00e7o. Mas, desta forma, n\u00e3o o educar\u00e1, n\u00e3o o refor\u00e7ar\u00e1, n\u00e3o o preparar\u00e1 para enfrentar os desafios. O que interessa acima de tudo \u00e9 gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de prepara\u00e7\u00e3o, de crescimento integral, de cultivo da aut\u00eantica autonomia\u00bb (AL 261).<\/p>\n<p>A sec\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 not\u00e1vel, e intitula-se muito expressivamente: \u00abSim \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual\u00bb. Sustenta-se a sua necessidade e formula-se a interroga\u00e7\u00e3o de saber \u00abse as nossas institui\u00e7\u00f5es educativas assumiram este desafio (\u2026) num tempo em que se tende a banalizar e empobrecer a sexualidade\u00bb. A educa\u00e7\u00e3o sexual deve ser realizada \u00abno contexto duma educa\u00e7\u00e3o para o amor, para a doa\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u00bb (AL 280). \u00c9 feita uma advert\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o \u00absexo seguro\u00bb, pois transmite \u00abuma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um poss\u00edvel filho fosse um inimigo de que \u00e9 preciso proteger-se. Deste modo promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento\u00bb (AL 283).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo oitavo: \u201cAcompanhar, discernir e integrar a fragilidade\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>cap\u00edtulo oitavo <\/em>representa um convite \u00e0 miseric\u00f3rdia e ao discernimento pastoral diante de situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o correspondem plenamente ao que o Senhor prop\u00f5e. O Papa usa aqui tr\u00eas verbos muito importantes: \u00abacompanhar, discernir e integrar\u00bb, os quais s\u00e3o fundamentais para responder a situa\u00e7\u00f5es de fragilidade, complexas ou irregulares. Em seguida, apresenta a necess\u00e1ria gradualidade na pastoral, a import\u00e2ncia do discernimento, as normas e circunst\u00e2ncias atenuantes no discernimento pastoral e, por fim, aquela que \u00e9 por ele definida como a \u00abl\u00f3gica da miseric\u00f3rdia pastoral\u00bb.<\/p>\n<p>O oitavo cap\u00edtulo \u00e9 muito delicado. Na sua leitura deve recordar-se que \u00abmuitas vezes, o trabalho da Igreja \u00e9 semelhante ao de um hospital de campanha\u00bb (AL 291). O Pont\u00edfice assume aqui aquilo que foi fruto da reflex\u00e3o do S\u00ednodo acerca de tem\u00e1ticas controversas. Refor\u00e7a-se o que \u00e9 o matrim\u00f3nio crist\u00e3o e acrescenta-se que \u00abalgumas formas de uni\u00e3o contradizem radicalmente este ideal, enquanto outras o realizam pelo menos de forma parcial e anal\u00f3gica\u00bb. Por conseguinte, \u00aba Igreja n\u00e3o deixa de valorizar os elementos construtivos nas situa\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o correspondem ou j\u00e1 n\u00e3o correspondem \u00e0 sua doutrina sobre o matrim\u00f3nio\u00bb (AL 292).<\/p>\n<p>No que respeita ao \u00abdiscernimento\u00bb acerca das situa\u00e7\u00f5es \u00abirregulares\u00bb, o Papa observa: \u00abtemos de evitar ju\u00edzos que n\u00e3o tenham em conta a complexidade das diversas situa\u00e7\u00f5es e \u00e9 necess\u00e1rio estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condi\u00e7\u00e3o\u00bb (AL 296). E continua: \u00abTrata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua pr\u00f3pria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma miseric\u00f3rdia \u201cimerecida, incondicional e gratuita\u201d\u00bb (AL 297). E ainda: \u00abOs divorciados que vivem numa nova uni\u00e3o, por exemplo, podem encontrar-se em situa\u00e7\u00f5es muito diferentes, que n\u00e3o devem ser catalogadas ou encerradas em afirma\u00e7\u00f5es demasiado r\u00edgidas, sem deixar espa\u00e7o para um adequado discernimento pessoal e pastoral\u00bb (AL 298).<\/p>\n<p>Nesta linha, acolhendo as observa\u00e7\u00f5es de muitos Padres sinodais, o Papa afirma que \u00abos batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade crist\u00e3 sob as diferentes formas poss\u00edveis, evitando toda a ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo\u00bb. \u00abA sua participa\u00e7\u00e3o pode exprimir-se em diferentes servi\u00e7os eclesiais (\u2026). N\u00e3o devem sentir-se excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja (\u2026). Esta integra\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m para o cuidado e a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos\u00bb (AL 299).<\/p>\n<p>Mais em geral, o Papa profere uma afirma\u00e7\u00e3o extremamente importante para que se compreenda a orienta\u00e7\u00e3o e o sentido da Exorta\u00e7\u00e3o: \u00abSe se tiver em conta a variedade inumer\u00e1vel de situa\u00e7\u00f5es concretas (\u2026), \u00e9 compreens\u00edvel que se n\u00e3o devia esperar do S\u00ednodo ou desta Exorta\u00e7\u00e3o uma nova normativa geral de tipo can\u00f3nico, aplic\u00e1vel a todos os casos. \u00c9 poss\u00edvel apenas um novo encorajamento a um respons\u00e1vel discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que \u201co grau de responsabilidade n\u00e3o \u00e9 igual em todos os casos\u201d, as consequ\u00eancias ou efeitos duma norma n\u00e3o devem necessariamente ser sempre os mesmos\u00bb (AL 300). O Papa desenvolve em profundidade as exig\u00eancias e caracter\u00edsticas do caminho de acompanhamento e discernimento em di\u00e1logo profundo entre fi\u00e9is e pastores. A este prop\u00f3sito, faz apelo \u00e0 reflex\u00e3o da Igreja \u00absobre os condicionamentos e as circunst\u00e2ncias atenuantes\u00bb no que respeita \u00e0 imputabilidade das a\u00e7\u00f5es e, apoiando-se em S. Tom\u00e1s de Aquino, det\u00e9m-se na rela\u00e7\u00e3o entre \u00abas normas e o discernimento\u00bb, afirmando: \u00ab\u00c9 verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem abarcar absolutamente todas as situa\u00e7\u00f5es particulares. Ao mesmo tempo \u00e9 preciso afirmar que, precisamente por esta raz\u00e3o, aquilo que faz parte dum discernimento pr\u00e1tico duma situa\u00e7\u00e3o particular n\u00e3o pode ser elevado \u00e0 categoria de norma\u00bb (AL 304).<\/p>\n<p>Na \u00faltima sec\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo, \u00abA l\u00f3gica da miseric\u00f3rdia pastoral\u00bb, o Papa Francisco, para evitar equ\u00edvocos, reafirma com vigor: \u00abA compreens\u00e3o pelas situa\u00e7\u00f5es excecionais n\u00e3o implica jamais esconder a luz do ideal mais pleno, nem propor menos de quanto Jesus oferece ao ser humano. Hoje, <em>mais importante do que uma pastoral dos fracassos \u00e9 o esfor\u00e7o pastoral para consolidar os matrim\u00f3nios <\/em>e assim evitar as ruturas\u00bb (AL 307). Mas o sentido abrangente do cap\u00edtulo e do esp\u00edrito que o Papa Francisco pretende imprimir \u00e0 pastoral da Igreja encontra um resumo adequado nas palavras finais: \u00abConvido os fi\u00e9is, que vivem situa\u00e7\u00f5es complexas, a aproximar-se com confian\u00e7a para falar com os seus pastores ou com leigos que vivem entregues ao Senhor. Nem sempre encontrar\u00e3o neles uma confirma\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias ideias ou desejos, mas receber\u00e3o seguramente uma luz que lhes permita compreender melhor o que est\u00e1 a acontecer e poder\u00e3o descobrir um caminho de amadurecimento pessoal. E convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no cora\u00e7\u00e3o do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajud\u00e1-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja\u00bb (AL 312). Acerca da \u00abl\u00f3gica da miseric\u00f3rdia pastoral\u00bb, o Papa Francisco afirma com for\u00e7a: \u00ab\u00c0s vezes custa-nos muito dar lugar, na pastoral, ao amor incondicional de Deus. Pomos tantas condi\u00e7\u00f5es \u00e0 miseric\u00f3rdia que a esvaziamos de sentido concreto e real significado, e esta \u00e9 a pior maneira de aguar o Evangelho\u00bb (AL 311).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo nono: \u201cEspiritualidade conjugal e familiar\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>nono cap\u00edtulo <\/em>\u00e9 dedicado \u00e0 espiritualidade conjugal e familiar, \u00abfeita de milhares de gestos reais e concretos\u00bb (AL 315). Diz-se com clareza que \u00abaqueles que t\u00eam desejos espirituais profundos n\u00e3o devem sentir que a fam\u00edlia os afasta do crescimento na vida do Esp\u00edrito, mas \u00e9 um percurso de que o Senhor Se serve para os levar \u00e0s alturas da uni\u00e3o m\u00edstica\u00bb (AL 316). Tudo, \u00abos momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade s\u00e3o sentidos como uma participa\u00e7\u00e3o na vida plena da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb (AL 317). Fala-se de seguida da ora\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da P\u00e1scoa, da espiritualidade do amor exclusivo e livre diante do desafio e do desejo de envelhecer e gastar-se juntos, refletindo a fidelidade de Deus (cf. AL 319). E, por fim, a espiritualidade \u00abda solicitude, da consola\u00e7\u00e3o e do est\u00edmulo\u00bb. \u00abToda a vida da fam\u00edlia \u00e9 um \u201cpastoreio\u201d misericordioso. Cada um, cuidadosamente, desenha e escreve na vida do outro\u00bb (AL 322), escreve o Papa. \u00ab\u00c9 uma experi\u00eancia espiritual profunda contemplar cada ente querido com os olhos de Deus e reconhecer Cristo nele\u00bb (AL 323).<\/p>\n<p>No par\u00e1grafo conclusivo, o Papa afirma: \u00abNenhuma fam\u00edlia \u00e9 uma realidade perfeita e confecionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (\u2026) Todos somos chamados a manter viva a tens\u00e3o para algo mais al\u00e9m de n\u00f3s mesmos e dos nossos limites, e cada fam\u00edlia deve viver neste est\u00edmulo constante. Avancemos, fam\u00edlias; continuemos a caminhar! (\u2026) N\u00e3o percamos a esperan\u00e7a por causa dos nossos limites, mas tamb\u00e9m n\u00e3o renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunh\u00e3o que nos foi prometida\u00bb (AL 325).<\/p>\n<p>A Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica conclui-se com uma Ora\u00e7\u00e3o \u00e0 Sagrada Fam\u00edlia (AL 325).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como j\u00e1 se pode depreender a partir de um r\u00e1pido exame dos seus conte\u00fados, a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Amoris laetitia <\/em>pretende reafirmar com for\u00e7a n\u00e3o o \u00abideal\u00bb da fam\u00edlia, mas a sua realidade rica e complexa. H\u00e1 nas suas p\u00e1ginas um olhar aberto, profundamente positivo, que se nutre n\u00e3o de abstra\u00e7\u00f5es ou proje\u00e7\u00f5es ideais, mas de uma aten\u00e7\u00e3o pastoral \u00e0 realidade. O documento \u00e9 uma leitura densa de motivos espirituais e de sabedoria pr\u00e1tica \u00fatil a cada casal ou a pessoas que desejam construir uma fam\u00edlia. Nota-se sobretudo que foi fruto de uma experi\u00eancia concreta com pessoas que sabem, a partir da experi\u00eancia, o que \u00e9 a fam\u00edlia e o viver juntos durante muitos anos. A Exorta\u00e7\u00e3o fala de facto a linguagem da experi\u00eancia e da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>(<a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/AmorisLaetitia_resumo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"\">PDF<\/a>)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAmoris laetitia\u201d (AL &#8211; \u201cA alegria do amor\u201d), a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u201csobre o amor na fam\u00edlia\u201d, datada, n\u00e3o por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5028","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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