{"id":178,"date":"2013-11-14T15:00:00","date_gmt":"2013-11-14T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=178"},"modified":"2014-07-20T11:07:42","modified_gmt":"2014-07-20T11:07:42","slug":"a-proposito-da-ideologia-do-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/a-proposito-da-ideologia-do-genero\/","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito da ideologia do g\u00e9nero"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa\u0000 <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Difunde-se cada vez mais a chamada ideologia do g&eacute;nero ou <em>gender<\/em>. Por&eacute;m, nem todas as pessoas disso se apercebem e muitos desconhecem o seu alcance social e cultural, que j&aacute; foi qualificado como verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica. N&atilde;o se trata apenas de uma simples moda intelectual. Diz respeito antes a um movimento cultural com reflexos na compreens&atilde;o da fam&iacute;lia, na esfera pol&iacute;tica e legislativa, no ensino, na comunica&ccedil;&atilde;o social e na pr&oacute;pria linguagem corrente.<\/p>\n<p>Mas a ideologia do g&eacute;nero contrasta frontalmente com o acervo civilizacional j&aacute; adquirido. Como tal, op&otilde;e-se radicalmente &agrave; vis&atilde;o b&iacute;blica e crist&atilde; da pessoa e da sexualidade humanas. Com o intuito de esclarecer as diferen&ccedil;as entre estas duas vis&otilde;es surge este documento. Move-nos o desejo de apresentar a vis&atilde;o mais s&oacute;lida e mais fundante da pessoa, milenarmente descoberta, valorizada e seguida, e para a qual o humanismo crist&atilde;o muito contribuiu. Acreditamos que este mesmo humanismo, atualmente, &eacute; chamado a dar contributo v&aacute;lido na redescoberta da profundidade e beleza de uma sexualidade humana corretamente entendida.<\/p>\n<p>Trata-se da<strong> <\/strong>defesa de um modelo de sexualidade e de fam&iacute;lia que a sabedoria e a hist&oacute;ria, n&atilde;o obstante as muta&ccedil;&otilde;es culturais, nos diferentes contextos sociais e geogr&aacute;ficos, consideram apto para exprimir a natureza humana.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>1. A pessoa humana, esp&iacute;rito encarnado<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais, gostar&iacute;amos de deixar bem claro que, para o humanismo crist&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; lugar a dualismos: o desprezo do corpo em nome do esp&iacute;rito ou vice-versa. O corpo sexuado, como todas as criaturas do nosso Deus, &eacute; produto bom de um Deus bom e amoroso. Uma segunda verdade a considerar na vis&atilde;o crist&atilde; da sexualidade &eacute; a da pessoa humana como esp&iacute;rito encarnado e, por isso, sexuado: a diferencia&ccedil;&atilde;o sexual correspondente ao des&iacute;gnio divino sobre a cria&ccedil;&atilde;o, em toda a sua beleza e plenitude: &laquo;<em>Ele os criou homem e mulher<\/em>&raquo; (<em>Gn <\/em>1,27); &laquo;<em>Deus, vendo toda sua obra, considerou-a muito boa<\/em>&raquo; (<em>Gn <\/em>1,31).<\/p>\n<p>A corporalidade &eacute; uma dimens&atilde;o constitutiva da pessoa, n&atilde;o um seu acess&oacute;rio; a pessoa <em>&eacute; <\/em>um corpo, n&atilde;o <em>tem <\/em>um corpo; a dignidade do corpo humano &eacute; corol&aacute;rio da dignidade da pessoa humana; a comunh&atilde;o dos corpos deve exprimir a comunh&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p>Porque a pessoa humana &eacute; a totalidade unificada do corpo e da alma, existe necessariamente, como homem ou mulher. Por conseguinte, a dimens&atilde;o sexuada, a masculinidade ou feminilidade, &eacute; constitutiva da pessoa, &eacute; o seu modo de ser, n&atilde;o um simples atributo. &Eacute; a pr&oacute;pria pessoa que se exprime atrav&eacute;s da sexualidade. A pessoa &eacute;, assim, chamada ao amor e &agrave; comunh&atilde;o como homem ou como mulher. E a diferen&ccedil;a sexual tem um significado no plano da cria&ccedil;&atilde;o: exprime uma abertura rec&iacute;proca &agrave; alteridade e &agrave; diferen&ccedil;a, as quais, na sua complementaridade, se tornam enriquecedoras e fecundas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Confrontados com uma forte mudan&ccedil;a cultural<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reconhecemos, sem d&uacute;vida, que, no longo caminho do amadurecimento cultural e civilizacional, nem sempre se atribuiu aos dois &acirc;mbitos do humano (o masculino e o feminino) o mesmo valor e semelhante protagonismo social. Especialmente a mulher, n&atilde;o raramente, foi v&iacute;tima de forte sujei&ccedil;&atilde;o ao homem e sofreu alguma menoriza&ccedil;&atilde;o social e cultural. Gra&ccedil;as a Deus, tais situa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o progressivamente a ser ultrapassadas e a condi&ccedil;&atilde;o feminina, antigamente conotada com a ideia de opress&atilde;o, hoje est&aacute; a revelar-se como enorme potencial de humaniza&ccedil;&atilde;o e de desenvolvimento harmonioso da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No desejo de ultrapassar esta menoridade social da mulher, alguns procederam a uma distin&ccedil;&atilde;o radical entre o sexo biol&oacute;gico e os pap&eacute;is que a sociedade, tradicionalmente, lhe outorgou. Afirmam que o ser masculino ou feminino n&atilde;o passa de uma constru&ccedil;&atilde;o mental, mais ou menos interessada e artificial, que, agora, importaria desconstruir. Por conseguinte, rejeitam tudo o que tenha a ver com os dados biol&oacute;gicos para se fixarem na dimens&atilde;o cultural, entendida como mentalidade pessoal e social. E, por associa&ccedil;&atilde;o de ideias, passou-se a rejeitar a validade de tudo o que tenha a ver com os tradicionais dados normativos da natureza a respeito da sexualidade (heterossexualidade, uni&atilde;o monog&acirc;mica, limite &eacute;tico aos conhecimentos t&eacute;cnicos ligados &agrave;s fontes da vida, respeito pela vida intra-uterina, pudor ou reserva de intimidade, etc.). &Eacute; todo este &acirc;mbito mental que se costuma designar por ideologia do g&eacute;nero ou <em>gender<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ideologia do g&eacute;nero surge, assim, como uma antropologia alternativa, quer &agrave; judaico-crist&atilde;, quer &agrave; das culturas tradicionais n&atilde;o ocidentais. Nega que a diferen&ccedil;a sexual inscrita no corpo possa ser identificativa da pessoa; recusa a complementaridade natural entre os sexos; dissocia a sexualidade da procria&ccedil;&atilde;o; sobrep&otilde;e a filia&ccedil;&atilde;o intencional &agrave; biol&oacute;gica; pretende desconstruir a matriz heterossexual da sociedade (a fam&iacute;lia assente na uni&atilde;o entre um homem e uma mulher deixa de ser o modelo de refer&ecirc;ncia e passa a ser um entre v&aacute;rios).<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Os pressupostos da ideologia do g&eacute;nero<\/strong><\/p>\n<p>Esta teoria parte da distin&ccedil;&atilde;o entre <em>sexo <\/em>e <em>g&eacute;nero<\/em>, for&ccedil;ando a oposi&ccedil;&atilde;o entre <em>natureza<\/em> e <em>cultura<\/em>. O <em>sexo <\/em>assinala a condi&ccedil;&atilde;o natural e biol&oacute;gica da diferen&ccedil;a f&iacute;sica entre homem e mulher. O <em>g&eacute;nero<\/em> baliza a constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cultural da identidade masculina e feminina. Mas, partindo da c&eacute;lebre frase de Simone de Beauvoir, &laquo;<em>uma mulher n&atilde;o nasce mulher, torna-se mulher<\/em>&raquo;, a ideologia do g&eacute;nero considera que somos homens ou mulheres n&atilde;o na base da dimens&atilde;o biol&oacute;gica em que nascemos, mas nos tornamos tais de acordo com o processo de socializa&ccedil;&atilde;o (da interioriza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos, fun&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is que a sociedade e cultura nos distribui). Pap&eacute;is que, para estas teorias, s&atilde;o injustos e artificiais. Por conseguinte, o <em>g&eacute;nero<\/em> deve sobrepor-se ao <em>sexo <\/em>e a <em>cultura <\/em>deve impor-se &agrave; <em>natureza<\/em>.<\/p>\n<p>Como, para esta ideologia, o <em>g&eacute;nero<\/em> &eacute; uma <em>constru&ccedil;&atilde;o <\/em>social, este pode ser <em>desconstru&iacute;do<\/em> e <em>reconstru&iacute;do<\/em>. Se a diferen&ccedil;a sexual entre homem e mulher est&aacute; na base da opress&atilde;o desta, ent&atilde;o qualquer forma de defini&ccedil;&atilde;o de uma especificidade feminina &eacute; opressora para a mulher. Por isso, para os defensores do <em>gender<\/em>, a maternidade, como especificidade feminina, &eacute; sempre uma discrimina&ccedil;&atilde;o injusta. Para superar essa opress&atilde;o, recusa-se a diferencia&ccedil;&atilde;o sexual natural e reconduz-se o <em>g&eacute;nero<\/em> &agrave; escolha individual. O <em>g&eacute;nero <\/em>n&atilde;o tem de corresponder ao <em>sexo<\/em>, mas pertence a uma escolha subjetiva, ditada por instintos, impulsos, prefer&ecirc;ncias e interesses, o que vai para al&eacute;m dos dados naturais e objetivos.<\/p>\n<p>O <em>gender<\/em> sustenta a irrelev&acirc;ncia da diferen&ccedil;a sexual na constru&ccedil;&atilde;o da identidade e, por consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m a irrelev&acirc;ncia dessa diferen&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, nas uni&otilde;es conjugais e na constitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. Se &eacute; indiferente a escolha do <em>g&eacute;nero<\/em> a n&iacute;vel individual, podendo escolher-se ser homem ou mulher independentemente dos dados naturais, tamb&eacute;m &eacute; indiferente a escolha de se ligar a pessoas de outro ou do mesmo sexo. Daqui a equipara&ccedil;&atilde;o entre uni&otilde;es heterossexuais e homossexuais. Ao modelo da fam&iacute;lia heterossexual sucedem-se v&aacute;rios tipos de fam&iacute;lia, tantos quantas as prefer&ecirc;ncias individuais, para al&eacute;m de qualquer modelo de refer&ecirc;ncia. Deixa de se falar em <em>fam&iacute;lia<\/em> e passa a falar-se em <em>fam&iacute;lias<\/em>. Privilegiar a uni&atilde;o heterossexual afigura-se-lhe uma forma de discrimina&ccedil;&atilde;o. Igualmente, deixa de se falar em <em>paternidade<\/em> e <em>maternidade<\/em> e passa a falar-se, exclusivamente, em <em>parentalidade<\/em>, criando um conceito abstrato, pois desligado da gera&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. Reflexos da afirma&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero<\/strong><\/p>\n<p>A afirma&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero pode notar-se em v&aacute;rios &acirc;mbitos. Um deles &eacute; o dos h&aacute;bitos lingu&iacute;sticos correntes. Vem-se generalizando, a come&ccedil;ar por documentos oficiais e na designa&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, a express&atilde;o <em>g&eacute;nero<\/em> em substitui&ccedil;&atilde;o de <em>sexo<\/em> (<em>igualdade de g&eacute;nero<\/em>, em vez de <em>igualdade entre homem e mulher<\/em>), tal como a express&atilde;o <em>fam&iacute;lias <\/em>em vez de <em>fam&iacute;lia<\/em>, ou <em>parentalidade<\/em> em vez de <em>paternidade <\/em>e <em>maternidade<\/em>. Muitas pessoas passam a adotar estas express&otilde;es por h&aacute;bito ou moda, sem se aperceberem da sua conota&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. Mas a generaliza&ccedil;&atilde;o destas express&otilde;es est&aacute; longe de ser inocente e sem consequ&ecirc;ncias. Faz parte de uma estrat&eacute;gia de afirma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, que compromete a inteligibilidade b&aacute;sica de uma pessoa, por vezes, tendo consequ&ecirc;ncias dram&aacute;ticas: incapacidade de algu&eacute;m se situar e definir no que tem de mais elementar.<\/p>\n<p>Os planos pol&iacute;tico e legislativo s&atilde;o outro dos &acirc;mbitos de penetra&ccedil;&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero, que atinge os centros de poder nacionais e internacionais. Da agenda fazem parte as leis de redefini&ccedil;&atilde;o do casamento de modo a nelas incluir uni&otilde;es entre pessoas do mesmo sexo (entre n&oacute;s, a Lei n&ordm; 9\/2010, de 31 de maio), as leis que permitem a ado&ccedil;&atilde;o por pares do mesmo sexo (em discuss&atilde;o entre n&oacute;s, na modalidade de co-ado&ccedil;&atilde;o), as leis que permitem a mudan&ccedil;a do sexo oficialmente reconhecido, independentemente das carater&iacute;sticas fisiol&oacute;gicas do requerente (Lei n&ordm; 7\/2011, de 15 de mar&ccedil;o), e as leis que permitem o recurso de uni&otilde;es homossexuais e pessoas s&oacute;s &agrave; procria&ccedil;&atilde;o artificial, incluindo a chamada maternidade de substitui&ccedil;&atilde;o (a Lei n&ordm; 32\/2006, de 26 de julho, n&atilde;o contempla a possibilidade referida). <em><\/em><\/p>\n<p>Outro &acirc;mbito de difus&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero &eacute; o do ensino. Este &eacute; encarado como um meio eficaz de doutrina&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o da mentalidade corrente e &eacute; n&iacute;tido o esfor&ccedil;o de fazer refletir na orienta&ccedil;&atilde;o dos programas escolares, em particular nos de educa&ccedil;&atilde;o sexual, as teses dessa ideologia, apresentadas como um dado cient&iacute;fico consensual e indiscut&iacute;vel. Esta estrat&eacute;gia tem dado origem, em v&aacute;rios pa&iacute;ses, a movimentos de protesto por parte dos pais, que rejeitam esta forma de doutrina&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, porque contr&aacute;ria aos princ&iacute;pios nos quais pretendem educar os seus filhos. Entre n&oacute;s, a Portaria n&ordm; 196-A\/2010, de 9 de abril, que regulamenta a Lei n&ordm; 60\/2009, de 6 de agosto, relativa &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexual em meio escolar, inclui, entre os conte&uacute;dos a abordar neste &acirc;mbito, sexualidade e g&eacute;nero.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5. O alcance antropol&oacute;gico da ideologia do g&eacute;nero<\/strong><\/p>\n<p>Importa aprofundar o alcance da ideologia do g&eacute;nero, pois ela representa uma aut&ecirc;ntica revolu&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica. Reflete um subjetivismo relativista levado ao extremo, negando o significado da realidade objetiva. Nega a verdade como algo que n&atilde;o pode ser constru&iacute;do, mas nos &eacute; dado e por n&oacute;s descoberto e recebido. Recusa a moral como uma ordem objetiva de que n&atilde;o podemos dispor. Rejeita o significado do corpo: a pessoa n&atilde;o seria uma unidade incind&iacute;vel, espiritual e corp&oacute;rea, mas um esp&iacute;rito que tem um corpo a ela extr&iacute;nseco, dispon&iacute;vel e manipul&aacute;vel. Contradiz a natureza como dado a acolher e respeitar. Contraria uma certa forma de ecologia humana, chocante numa &eacute;poca em que tanto se exalta a necessidade de respeito pela harmonia pr&eacute;-estabelecida subjacente ao equil&iacute;brio ecol&oacute;gico ambiental. Dissocia a procria&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o entre um homem e uma mulher e, portanto, da relacionalidade pessoal, em que o filho &eacute; acolhido como um <em>dom<\/em>, tornando-a objeto de um direito de afirma&ccedil;&atilde;o individual: o &ldquo;direito&rdquo; &agrave; <em>parentalidade<\/em>.<\/p>\n<p>No plano estritamente cient&iacute;fico, obviamente, &eacute; ilus&oacute;ria a pretens&atilde;o de prescindir dos dados biol&oacute;gicos na identifica&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as entre homens e mulheres. Estas diferen&ccedil;as partem da estrutura gen&eacute;tica das c&eacute;lulas do corpo humano, pelo que nem sequer a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica nos &oacute;rg&atilde;os sexuais externos permitiria uma verdadeira mudan&ccedil;a de sexo.<\/p>\n<p>&Eacute; certo que a pessoa humana n&atilde;o &eacute; s&oacute; <em>natureza,<\/em> mas &eacute; tamb&eacute;m <em>cultura<\/em>. E tamb&eacute;m &eacute; certo que a <em>lei natural <\/em>n&atilde;o se confunde com a <em>lei biol&oacute;gica<\/em>. Mas os dados biol&oacute;gicos objetivos cont&ecirc;m um sentido e apontam para um des&iacute;gnio da cria&ccedil;&atilde;o que a intelig&ecirc;ncia pode descobrir como algo que a antecede e se lhe imp&otilde;e e n&atilde;o como algo que se pode manipular arbitrariamente. A pessoa humana &eacute; um esp&iacute;rito encarnado numa unidade bio-psico-social. N&atilde;o &eacute; s&oacute; <em>corpo<\/em>, mas &eacute; tamb&eacute;m <em>corpo<\/em>. As dimens&otilde;es <em>corporal <\/em>e <em>espiritual<\/em> devem harmonizar-se, sem oposi&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, tamb&eacute;m as dimens&otilde;es <em>natural<\/em> e <em>cultural<\/em>. A cultura vai para al&eacute;m da natureza, mas n&atilde;o se lhe deve opor, como se dela tivesse que se libertar.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6. Homem e mulher chamados &agrave; comunh&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A diferencia&ccedil;&atilde;o sexual inscrita no des&iacute;gnio da cria&ccedil;&atilde;o tem um sentido que a ideologia do g&eacute;nero ignora. Reconhec&ecirc;-la e valoriz&aacute;-la &eacute; assegurar o limite e a insufici&ecirc;ncia de cada um dos sexos, &eacute; aceitar que cada um deles n&atilde;o exprime o humano em toda a sua riqueza e plenitude. &Eacute; admitir a estrutura relacional da pessoa humana e que s&oacute; na rela&ccedil;&atilde;o e na comunh&atilde;o (no ser para o outro) esta se realiza plenamente.<\/p>\n<p>Essa comunh&atilde;o constr&oacute;i-se a partir da diferen&ccedil;a. A mais b&aacute;sica e fundamental, que &eacute; a de sexos, n&atilde;o &eacute; um obst&aacute;culo &agrave; comunh&atilde;o, n&atilde;o &eacute; uma fonte de oposi&ccedil;&atilde;o e conflito, mas uma ocasi&atilde;o de enriquecimento rec&iacute;proco. O homem e a mulher s&atilde;o chamados &agrave; comunh&atilde;o porque s&oacute; ela os completa e permite a continua&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie, atrav&eacute;s da gera&ccedil;&atilde;o de novas vidas. Faz parte da maravilha do des&iacute;gnio da cria&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute;, como tal, algo a corrigir ou contrariar.<\/p>\n<p>A sociedade edifica-se a partir desta colabora&ccedil;&atilde;o entre as dimens&otilde;es masculina e feminina. Em primeiro lugar, na sua c&eacute;lula b&aacute;sica, a fam&iacute;lia. &Eacute; esta quem garante a renova&ccedil;&atilde;o da sociedade atrav&eacute;s da gera&ccedil;&atilde;o de novas vidas e assegura o equil&iacute;brio harmonioso e complexo da educa&ccedil;&atilde;o das novas gera&ccedil;&otilde;es. Por isso, nunca um ou mais pais podem substituir uma m&atilde;e, e nunca uma ou mais m&atilde;es podem substituir um pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7. Complementaridade do masculino e do feminino<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; um facto que algumas vis&otilde;es do masculino e feminino t&ecirc;m servido, ao longo da hist&oacute;ria, para consolidar divis&otilde;es de tarefas r&iacute;gidas e estereotipadas que limitaram a realiza&ccedil;&atilde;o da mulher, relegada a um papel dom&eacute;stico e circunscrita na interven&ccedil;&atilde;o social, econ&oacute;mica, cultural e pol&iacute;tica. Mas, na vis&atilde;o b&iacute;blica, o dom&iacute;nio do homem sobre a mulher n&atilde;o faz parte do original des&iacute;gnio divino: &eacute; uma consequ&ecirc;ncia do pecado. Esse dom&iacute;nio indica perturba&ccedil;&atilde;o e<em> perda da estabilidade <\/em>da igualdade fundamental, entre o homem e a mulher. O que vem em desfavor da mulher, porquanto somente a igualdade, resultante da comum dignidade, pode dar &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas o car&aacute;cter de uma aut&ecirc;ntica <em>communio personarum<\/em> (comunh&atilde;o de pessoas).<\/p>\n<p>A ideologia do g&eacute;nero n&atilde;o se limita a denunciar tais injusti&ccedil;as, mas pretende elimin&aacute;-las negando a especificidade feminina. Isso empobrece a mulher, que perde a sua identidade, e enfraquece a sociedade, privada dum contributo precioso e insubstitu&iacute;vel, como &eacute; a feminilidade e a maternidade. Ali&aacute;s, a nossa &eacute;poca reconhece &ndash; e bem! &ndash; a import&acirc;ncia da presen&ccedil;a equilibrada de homens e mulheres nos v&aacute;rios &acirc;mbitos da vida social, designadamente nos centros de decis&atilde;o econ&oacute;mica e pol&iacute;tica. Mesmo que essa presen&ccedil;a n&atilde;o tenha de ser rigidamente parit&aacute;ria, a sociedade s&oacute; tem a ganhar com o contributo complementar das espec&iacute;ficas sensibilidades masculina e feminina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8. O &#8220;g&eacute;nio feminino&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Nesta perspetiva, h&aacute; que p&ocirc;r em relevo aquilo que o Papa Jo&atilde;o Paulo II denominou &#8220;g&eacute;nio feminino&#8221;. N&atilde;o se trata de algo que se exprima apenas na rela&ccedil;&atilde;o esponsal ou maternal, espec&iacute;ficas do matrim&oacute;nio, como pretenderia uma certo romantismo. Mas estende-se ao conjunto das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e refere-se a todas as mulheres, casadas ou solteiras. Passa pela voca&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade, sem que esta se esgote na biol&oacute;gica. Nesta, entretanto, comprova-se uma especial sensibilidade da mulher &agrave; vida, patente no seu desvelo na fase de maior vulnerabilidade e na sua capacidade de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais.<\/p>\n<p>A maternidade n&atilde;o &eacute; um peso de que a mulher necessite de se libertar. O que se exige &eacute; que toda a organiza&ccedil;&atilde;o social apoie e n&atilde;o dificulte a concretiza&ccedil;&atilde;o dessa voca&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da qual a mulher encontra a sua plena realiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; de reclamar, em especial, que a inser&ccedil;&atilde;o da mulher numa organiza&ccedil;&atilde;o laboral, concebida em fun&ccedil;&atilde;o dos homens, n&atilde;o se fa&ccedil;a &agrave; custa da concretiza&ccedil;&atilde;o dessa voca&ccedil;&atilde;o, e se adotem todos os ajustamentos necess&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 9. O papel insubstitu&iacute;vel do pai<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o pode, de igual modo, ignorar-se que o homem tem um contributo espec&iacute;fico e insubstitu&iacute;vel a dar &agrave; vida familiar e social, cumprindo a sua voca&ccedil;&atilde;o &agrave; paternidade, que n&atilde;o &eacute; s&oacute; biol&oacute;gica, assumindo a miss&atilde;o que s&oacute; o pai pode desempenhar cabalmente. Talvez o &acirc;mbito em que mais se nota a aus&ecirc;ncia desse contributo seja o da educa&ccedil;&atilde;o, o que j&aacute; levou a que se fale do pai como o &ldquo;grande ausente&rdquo;. Isto pode originar s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias, tais como desorienta&ccedil;&atilde;o existencial dos jovens, toxicodepend&ecirc;ncia ou delinqu&ecirc;ncia juvenil. Se a rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e &eacute; essencial nos primeiros anos de vida, &eacute; tamb&eacute;m essencial a rela&ccedil;&atilde;o com o pai, para que a crian&ccedil;a e o jovem se diferenciem da m&atilde;e e assim cres&ccedil;am como pessoas aut&oacute;nomas. N&atilde;o bastam os afetos para crescer: s&atilde;o necess&aacute;rias regras e autoridade, o que &eacute; acentuado pelo papel do pai.<\/p>\n<p>Num contexto em que se discute a legaliza&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o por pares do mesmo sexo, n&atilde;o &eacute; sup&eacute;rfluo sublinhar a import&acirc;ncia dos pap&eacute;is da m&atilde;e e do pai na educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos jovens: s&atilde;o pap&eacute;is insubstitu&iacute;veis e complementares. Cada uma destas figuras ajuda a crian&ccedil;a e o jovem a construir a sua pr&oacute;pria identidade masculina ou feminina. Mas tamb&eacute;m, e porque nem o masculino nem o feminino esgotam toda a riqueza do humano, a presen&ccedil;a dessas duas figuras ajudam-nos a descobrir toda essa riqueza, ultrapassando os limites de cada um dos sexos. Uma crian&ccedil;a desenvolve&#8209;se e prospera na intera&ccedil;&atilde;o conjunta da m&atilde;e e do pai, como parece &oacute;bvio e estudos cient&iacute;ficos comprovam.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 10. A resposta &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>A ideologia do g&eacute;nero n&atilde;o s&oacute; contrasta com a vis&atilde;o b&iacute;blica e crist&atilde;, mas tamb&eacute;m com a verdade da pessoa e da sua voca&ccedil;&atilde;o. Prejudica a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e, a m&eacute;dio prazo, defrauda a sociedade. N&atilde;o exprime a verdade da pessoa, mas distorce-a ideologicamente.<strong><\/strong><\/p>\n<p>As altera&ccedil;&otilde;es legislativas que refletem a mentalidade da ideologia do g&eacute;nero -concretamente, a lei que, entre n&oacute;s, redefiniu o casamento &#8211; n&atilde;o s&atilde;o irrevers&iacute;veis. E os cidad&atilde;os e legisladores que partilhem uma vis&atilde;o mais consent&acirc;nea com o ser e a dignidade da pessoa e da fam&iacute;lia s&atilde;o chamados a fazer o que est&aacute; ao seu alcance para as revogar.<\/p>\n<p>Se viermos a assistir &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do sistema de ensino para a afirma&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o dessa ideologia, &eacute; bom ter presente o primado dos direitos dos pais e m&atilde;es quanto &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos. O artigo 26&ordm;, n&ordm; 3, da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos estatui que &laquo;<em>aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o g&eacute;nero de educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos<\/em>&raquo;. E o artigo 43&ordm;, n&ordm; 2, da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o estabelece que &laquo;<em>o Estado n&atilde;o pode atribuir-se o direito de programar a educa&ccedil;&atilde;o e a cultura segundo quaisquer diretrizes filos&oacute;ficas, est&eacute;ticas, pol&iacute;ticas, ideol&oacute;gicas ou religiosas<\/em>&raquo;.<\/p>\n<p>De qualquer modo, a resposta mais eficaz &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es e difus&atilde;o da ideologia do g&eacute;nero h&aacute; de resultar de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Trata-se de anunciar o Evangelho como este &eacute;: boa nova da vida, do amor humano, do matrim&oacute;nio e da fam&iacute;lia, o que corresponde &agrave;s exig&ecirc;ncias mais profundas e aut&ecirc;nticas de toda a pessoa. A esse an&uacute;ncio s&atilde;o chamadas, em especial, as fam&iacute;lias crist&atilde;s, antes de mais, mediante o seu testemunho de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>F&aacute;tima, 14 de novembro de 2013<\/em><\/p>\n<p>\u0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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