{"id":136,"date":"2009-11-12T15:22:37","date_gmt":"2009-11-12T15:22:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/?p=136"},"modified":"2014-07-20T15:50:43","modified_gmt":"2014-07-20T15:50:43","slug":"cuidar-da-vida-ate-a-morte-contributo-para-a-reflexao-etica-sobre-o-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/cuidar-da-vida-ate-a-morte-contributo-para-a-reflexao-etica-sobre-o-morrer\/","title":{"rendered":"Cuidar da vida at\u00e9 \u00e0 morte: Contributo para a reflex\u00e3o \u00e9tica sobre o morrer"},"content":{"rendered":"<p>Nota pastoral da CEP\u0000 <!--more--> <\/p>\n<p><strong>1. A<\/strong><strong> discuss&atilde;o em curso na nossa sociedade<\/strong><\/p>\n<p>A dignidade da pessoa na fase final da vida tem sido, nos &uacute;ltimos meses, objecto de debate na sociedade portuguesa. A opini&atilde;o p&uacute;blica, e os cidad&atilde;os em particular, s&atilde;o confrontados com muitos dos problemas que, justamente, s&atilde;o motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o e de reflex&atilde;o, sejam eles de natureza &eacute;tica, social, assistencial ou econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>Muitas das quest&otilde;es actualmente em discuss&atilde;o s&atilde;o de todos os tempos, pois t&ecirc;m a ver com a dificuldade em integrar a morte no horizonte da pr&oacute;pria vida. Outras s&atilde;o t&iacute;picas da nossa &eacute;poca, porque resultam das condi&ccedil;&otilde;es que as novas possibilidades da medicina nos proporcionam. Uma observa&ccedil;&atilde;o atenta das interven&ccedil;&otilde;es que surgem nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social mostra uma grande falta de rigor na terminologia usada; e &eacute; vis&iacute;vel que, por vezes, se pretende validar op&ccedil;&otilde;es inaceit&aacute;veis (morte directa de um paciente) aplicando o termo &ldquo;eutan&aacute;sia&rdquo; a situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o o s&atilde;o de facto,&nbsp; e que podem ser eticamente aceit&aacute;veis.<\/p>\n<p>Os Bispos de Portugal, sabendo da import&acirc;ncia destes problemas, da inten&ccedil;&atilde;o que, a n&iacute;vel pol&iacute;tico, se tem manifestado no sentido de produzir legisla&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito e perante a ambiguidade de muitos dos conceitos que s&atilde;o usados, pretendem, com esta interven&ccedil;&atilde;o, dar um contributo para o debate em curso e oferecer aos cat&oacute;licos algumas linhas de orienta&ccedil;&atilde;o que devem ser tidas em conta nas suas reflex&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. A<\/strong><strong> vis&atilde;o crist&atilde; de um problema n&atilde;o confessional<\/strong><\/p>\n<p>Ser&aacute; conveniente recordar que esta n&atilde;o &eacute; uma discuss&atilde;o de car&aacute;cter religioso ou confessional, embora algumas posi&ccedil;&otilde;es possam ser incompat&iacute;veis com a vis&atilde;o crist&atilde; da vida e do homem. Ao pensar sobre op&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter jur&iacute;dico ou &eacute;tico, &eacute; necess&aacute;rio, portanto, questionarmo-nos sobre aquilo que &eacute; importante para uma vida verdadeiramente humana, sobre o que &eacute; decisivo na realiza&ccedil;&atilde;o da pessoa, sobre os valores aut&ecirc;nticos de humanidade, sobre o modelo de sociedade em que queremos viver.<\/p>\n<p>&Eacute; a este n&iacute;vel que se torna decisivo o contributo das intui&ccedil;&otilde;es que brotam da f&eacute; crist&atilde;. A revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica mostra-nos a exist&ecirc;ncia humana como resultado da bondade divina, isto &eacute;, como um dom que suscita em n&oacute;s gratid&atilde;o e n&atilde;o nos dispensa da responsabilidade de cuidar dele. Para o crente, a vida n&atilde;o est&aacute; &agrave; inteira disposi&ccedil;&atilde;o de quem quer que seja, n&atilde;o &eacute; arbitrariamente dispon&iacute;vel, mas tem de ser respeitada como a condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. A vida humana &eacute; pr&eacute;via a qualquer projecto pessoal, por isso ningu&eacute;m &eacute; senhor absoluto da sua pr&oacute;pria vida e muito menos senhor da vida dos outros. O valor da vida humana n&atilde;o brota das valoriza&ccedil;&otilde;es que a sociedade atribui ou dos crit&eacute;rios que no momento s&atilde;o socialmente significativos, mas de uma dignidade pr&eacute;via a qualquer criteriologia. O suporte desta dignidade &eacute; a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o humana, que, para o crist&atilde;o, tem origem na bondade criadora de Deus e no amor salv&iacute;fico de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Esta vis&atilde;o crente da vida leva-nos tamb&eacute;m a encarar com realismo os limites naturais da exist&ecirc;ncia humana, j&aacute; que, numa perspectiva de f&eacute;, a realiza&ccedil;&atilde;o plena e definitiva da pessoa s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel na vida em Deus. O testemunho dos m&aacute;rtires crist&atilde;os mostra-nos que n&atilde;o &eacute; sensato para o crente lutar pela vida a todo o custo. O horizonte da eternidade valoriza e, ao mesmo tempo, relativiza a vida biol&oacute;gica de cada pessoa. Por outro lado, a afirma&ccedil;&atilde;o da convic&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; Deus &eacute; o Senhor da vida, n&atilde;o retira ao homem a sua responsabilidade de procurar as melhores op&ccedil;&otilde;es para cuidar da vida que tem diante de si. Cada pessoa deve ser respeitada como sujeito da sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e nunca simplesmente como objecto do qual se possa dispor arbitrariamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. O morrer na cultura actual<\/strong><\/p>\n<p>Estas convic&ccedil;&otilde;es da f&eacute; crist&atilde; necessitam permanentemente de ser confrontadas com os desafios e as exig&ecirc;ncias de cada &eacute;poca. Algumas caracter&iacute;sticas da cultura contempor&acirc;nea deram origem a um modo pr&oacute;prio de abordar n&atilde;o s&oacute; os problemas relacionados com o processo de morrer, mas tamb&eacute;m a pr&oacute;pria morte e o sofrimento humano.<\/p>\n<p>Por um lado, tornou-se dominante uma concep&ccedil;&atilde;o de autonomia em que a liberdade individual &eacute; elevado a direito absoluto. O homem actual quer n&atilde;o s&oacute; ser protagonista da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, mas ter nas m&atilde;os todos os processos da sua vida. &Eacute; neste sentido que parece aliciante poder antecipar a morte ou prolongar o processo de morrer, de acordo com o que no momento for tido como mais vantajoso.<\/p>\n<p>Por outro lado, os desenvolvimentos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos no campo biom&eacute;dico levantam problemas in&eacute;ditos e apresentam quest&otilde;es inevit&aacute;veis. As novas possibilidades que nos s&atilde;o oferecidas pela medicina tamb&eacute;m tornam mais complexas as situa&ccedil;&otilde;es com que nos deparamos no &acirc;mbito dos cuidados de sa&uacute;de e do acompanhamento a doentes terminais. A diversidade de op&ccedil;&otilde;es gera perplexidade a quem tem de decidir.<\/p>\n<p>A estes factores circunstanciais acresce o facto de o pr&oacute;prio processo de morrer se ter transformado: o morrer tornou-se mais longo; na maior parte das vezes morre-se em hospitais ou centros cl&iacute;nicos, nos ambientes an&oacute;nimos e frios das institui&ccedil;&otilde;es; o sofrimento associado a longas doen&ccedil;as terminais causa uma inseguran&ccedil;a adicional; diversos factores contribuem para que os moribundos vivam uma solid&atilde;o preocupante; o excesso de tecnologia p&otilde;e em causa os esfor&ccedil;os por humanizar o cuidado dos doentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. Crit&eacute;rios &eacute;ticos<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; num contexto marcado por estes desafios que tanto os profissionais de sa&uacute;de como todas as pessoas envolvidas com estas situa&ccedil;&otilde;es necessitam de crit&eacute;rios &eacute;ticos que orientem no sentido de uma aut&ecirc;ntica humaniza&ccedil;&atilde;o da fase terminal da vida.<\/p>\n<p>4.1. A obriga&ccedil;&atilde;o moral de garantir &agrave; vida humana uma especial protec&ccedil;&atilde;o est&aacute; testemunhada em <span style=\"text-decoration: underline;\">preceitos primordiais<\/span> da humanidade, com express&otilde;es diversas em todas as culturas, e codificada no mandamento b&iacute;blico do Dec&aacute;logo: &ldquo;N&atilde;o matar&aacute;s&rdquo; (<em>Dt<\/em> 5,17). A consci&ecirc;ncia moral das gera&ccedil;&otilde;es que nos precederam e o pr&oacute;prio magist&eacute;rio da Igreja procuraram, ao longo dos tempos, com os recursos culturais de cada &eacute;poca, encontrar express&otilde;es e concretiza&ccedil;&otilde;es actualizadas deste mandamento, no sentido de elevar e purificar as exig&ecirc;ncias morais nele contidas. O respeito por este imperativo &eacute; certamente incompat&iacute;vel com qualquer forma de agress&atilde;o directa &agrave; vida humana, sempre que ela n&atilde;o ponha em causa a exist&ecirc;ncia de outras pessoas.<\/p>\n<p>4.2. Consequentemente, &eacute; eticamente inaceit&aacute;vel qualquer forma de <span style=\"text-decoration: underline;\">eutan&aacute;sia<\/span>, isto &eacute;, qualquer &ldquo;ac&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o que, por sua natureza e nas inten&ccedil;&otilde;es, provoca a morte&rdquo; (1). Nem sequer o objectivo de eliminar o sofrimento ou livrar a pessoa de um estado penoso pode legitimar a eutan&aacute;sia, tanto mais que a medicina e a sociedade disp&otilde;em de outros meios para socorrer os pacientes em fase terminal. Equivalente &agrave; eutan&aacute;sia, do ponto de vista &eacute;tico, &eacute; qualquer forma de ajuda ao suic&iacute;dio, tamb&eacute;m designado suic&iacute;dio assistido.<\/p>\n<p>A eutan&aacute;sia &eacute; concretiza&ccedil;&atilde;o de um desejo que o homem contempor&acirc;neo tem de se apoderar da morte, antecipando-a para a situar no momento que ele pr&oacute;prio determina, resultado de um medo angustiante e desesperado perante o sofrimento. A eutan&aacute;sia &eacute; frequentemente apresentada como um gesto de humanidade ou de compaix&atilde;o que pretende respeitar a dignidade com que cada ser humano quer viver. Na realidade, por&eacute;m, e numa linha de princ&iacute;pio, qualquer forma de eutan&aacute;sia constitui uma ren&uacute;ncia a acompanhar a pessoa doente, traduz a falta de empenho de uma sociedade em procurar meios que permitam viver dignamente todas as fases da exist&ecirc;ncia humana. &Eacute;, por isso, uma viola&ccedil;&atilde;o, ainda que consentida, da dignidade fundamental que se deve reconhecer a cada ser humano. A eutan&aacute;sia ou a ajuda ao suic&iacute;dio s&atilde;o formas desumanas de lidar com a pessoa que vive o seu processo de morrer, constituem &ldquo;uma ofensa &agrave; dignidade da pessoa humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade&rdquo; (2).<\/p>\n<p>4.3. Distinta desta atitude de agress&atilde;o &agrave; vida humana, &eacute; a leg&iacute;tima <span style=\"text-decoration: underline;\">ren&uacute;ncia a recorrer a todos os meios<\/span> para manter viva uma pessoa em estado terminal. A obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, tamb&eacute;m conhecida por &ldquo;encarni&ccedil;amento terap&ecirc;utico&rdquo; ou &ldquo;distan&aacute;sia&rdquo;, seria precisamente o recurso a um conjunto de interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas j&aacute; desproporcionadas face ao bem global que a pessoa poder&aacute; vir a experimentar.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da &eacute;tica, reconhece-se uma <span style=\"text-decoration: underline;\">diferen&ccedil;a fundamental entre matar e deixar morrer<\/span>, quando esta &uacute;ltima op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for equivalente a neglig&ecirc;ncia, mas for concretiza&ccedil;&atilde;o do respeito pelo curso normal da vida humana. Esta distin&ccedil;&atilde;o &eacute;tica encontra apoio tamb&eacute;m na j&aacute; referida concep&ccedil;&atilde;o crist&atilde; da vida, segundo a qual a vida humana &eacute; um valor fundamental ainda que n&atilde;o absoluto. &Eacute; moralmente leg&iacute;timo, portanto, <span style=\"text-decoration: underline;\">renunciar aos meios<\/span> que tenham por finalidade prolongar a vida quando da sua aplica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se esperem resultados terap&ecirc;uticos ou ela implique o sacrif&iacute;cio de valores fundamentais para a pessoa em causa.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m esta ren&uacute;ncia a &ldquo;tratamentos que dariam somente um prolongamento prec&aacute;rio e penoso da vida&rdquo; (3) pode ser considerada uma op&ccedil;&atilde;o de respeito pela vida, j&aacute; que proteger a vida n&atilde;o significa prolong&aacute;-la a todo o custo. O respeito pela vida humana n&atilde;o se reduz a uma protec&ccedil;&atilde;o incondicional da vida biol&oacute;gica, mas deve incluir tamb&eacute;m o empenho por garantir todos os elementos que tornam humana essa vida. O direito a uma morte digna pode significar tamb&eacute;m n&atilde;o esgotar todos os meios m&eacute;dicos, quando tal signifique apenas um prolongamento do morrer.<\/p>\n<p>4.4. Na procura de crit&eacute;rios &eacute;ticos &eacute; fundamental tamb&eacute;m a <span style=\"text-decoration: underline;\">distin&ccedil;&atilde;o entre matar e acompanhar o morrer<\/span>. Esta &uacute;ltima &eacute; a op&ccedil;&atilde;o concretizada, por exemplo, nos cuidados paliativos. Trata-se de aceitar todos os cuidados e interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas que tenham por objectivo tornar o sofrimento mais suport&aacute;vel, diminuindo ou eliminando a dor, proporcionando todo o acompanhamento humano poss&iacute;vel e criando as necess&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es para um cuidado global (hol&iacute;stico) &agrave; pessoa em causa. O Magist&eacute;rio cat&oacute;lico ensina, j&aacute; h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas, que &eacute; moralmente aceit&aacute;vel suprimir a dor por meio de narc&oacute;ticos, mesmo que isso implique limitar a consci&ecirc;ncia ou abreviar a vida (4).<\/p>\n<p>Parece-nos que seria de evitar a express&atilde;o &ldquo;<span style=\"text-decoration: underline;\">ajudar a morrer<\/span>&rdquo;, dada a sua acentuada ambiguidade, n&atilde;o sendo claro o que se quer indicar com ela, e tendo em conta que as express&otilde;es equivalentes noutras l&iacute;nguas s&atilde;o usadas para referir aquilo que design&aacute;mos por &ldquo;suic&iacute;dio assistido&rdquo;.<\/p>\n<p>4.5. De especial actualidade &eacute; ainda a regulamenta&ccedil;&atilde;o das diversas formas de &ldquo;<span style=\"text-decoration: underline;\">directivas antecipadas de vontade<\/span>&rdquo;. Trata-se de instrumentos, como, por exemplo o chamado &ldquo;<span style=\"text-decoration: underline;\">testamento vital<\/span>&rdquo;, pelos quais a pessoa pode antecipadamente dispor acerca das op&ccedil;&otilde;es e dos valores que deseja ver respeitados quando se encontrar em situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a grave ou terminal. N&atilde;o havendo objec&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas fundamentais a este tipo de procedimentos, conv&eacute;m ter presente que neste campo n&atilde;o h&aacute; a certeza de que os desejos previamente expressos sejam actuais no momento em que &eacute; necess&aacute;rio decidir. N&atilde;o obstante toda a utilidade que estas determina&ccedil;&otilde;es possam ter, para tomar decis&otilde;es que respeitem a pessoa como sujeito, conv&eacute;m ter presente que elas n&atilde;o t&ecirc;m um peso absoluto, nem podem ser pretexto para justificar op&ccedil;&otilde;es que atentem contra a vida humana. Devem ser consideradas mais um elemento a ter em conta nas tomadas de decis&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5. Op&ccedil;&atilde;o por um morrer humano<\/strong><\/p>\n<p>Recordamos que todas as orienta&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas t&ecirc;m como objectivo encontrar concretiza&ccedil;&otilde;es de um morrer verdadeiramente humano. O que est&aacute; em causa &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o da dignidade da pessoa em algo que &eacute; decisivo e constitutivo de todo o projecto pessoal de vida. Isto inclui certamente fazer aquilo que &eacute; razoavelmente poss&iacute;vel para que o paciente preserve as condi&ccedil;&otilde;es de sujeito da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Na medida do poss&iacute;vel, &ldquo;n&atilde;o se deve privar o moribundo da consci&ecirc;ncia de si mesmo, sem motivo grave&rdquo; (5), uma vez que tamb&eacute;m nos momentos finais da vida cada pessoa deve estar em condi&ccedil;&otilde;es de poder assumir as suas responsabilidades morais, de relacionar-se com as pessoas que lhe s&atilde;o significativas e de viver todo este processo no contexto da sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus.<\/p>\n<p>Uma humaniza&ccedil;&atilde;o do morrer &eacute; incompat&iacute;vel com a elimina&ccedil;&atilde;o do sujeito que morre, pois n&atilde;o tem em conta a globalidade das suas necessidades. As s&uacute;plicas de quem sofre, muitas vezes desejando terminar com a situa&ccedil;&atilde;o de dor, mais do que um desejo de morrer, s&atilde;o sobretudo o apelo a uma presen&ccedil;a marcada pelo amor, a formas concretas de solidariedade e express&otilde;es da necessidade de perspectivas de esperan&ccedil;a. Para isto, &eacute; necess&aacute;rio criar condi&ccedil;&otilde;es que humanizem a fase terminal, para que a pessoa possa ter um morrer humano: disponibilizar os meios que retirem ou reduzam o mais poss&iacute;vel a dor, dar ao doente acesso aos meios m&eacute;dicos de que necessita, assegurar um acompanhamento humano personalizado, garantir ao paciente que n&atilde;o ser&aacute; abandonado &agrave; solid&atilde;o em nenhum momento da sua fase final, permitir-lhe a presen&ccedil;a das pessoas que lhe s&atilde;o mais queridas, facilitar-lhe a viv&ecirc;ncia das suas convic&ccedil;&otilde;es religiosas e a satisfa&ccedil;&atilde;o das suas necessidades espirituais, possibilitar um acompanhamento psicol&oacute;gico, respeitar os seus valores e leg&iacute;timos desejos, criar condi&ccedil;&otilde;es de confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Numa sociedade cada vez mais dominada pela exig&ecirc;ncia de produtividade material e regida por crit&eacute;rios de utilidade, &eacute; fundamental transmitir a todos os pacientes, e com maior raz&atilde;o aos que se encontram em estado terminal, que a sua vida &eacute; sempre preciosa e valorizada, mesmo nas circunst&acirc;ncias dolorosas em que se encontram, que n&atilde;o s&atilde;o um fardo para os outros, e que a sua vida continua a ser significativa para a comunidade a que pertencem.<\/p>\n<p>Sabemos que num mundo onde s&oacute; t&ecirc;m visibilidade os bem-apresentados, os corpos atl&eacute;ticos e est&eacute;ticos, se torna dif&iacute;cil aceitar como parte da vida social um corpo desfeito pela doen&ccedil;a e martirizado pela dor. Na perspectiva crist&atilde;, o sofrimento, a doen&ccedil;a e a morte s&atilde;o partes da vida e t&ecirc;m de ser integradas no projecto pessoal de vida. Tamb&eacute;m por isso, a humaniza&ccedil;&atilde;o do morrer deve incluir um respeito profundo pela pessoa doente e um cuidado dedicado das suas necessidades. Um morrer humano e digno exige todas as condi&ccedil;&otilde;es de um acompanhamento global da pessoa que tenha em considera&ccedil;&atilde;o todos os aspectos da vida humana.<\/p>\n<p>Uma vida humana nunca perde sentido nem dignidade. Tamb&eacute;m o envelhecer e o morrer se integram no sentido da vida humana e reflectem a dignidade humana da pessoa. &ldquo;O amor para com o pr&oacute;ximo [&hellip;] torna capaz de reconhecer a dignidade de cada pessoa, mesmo quando a doen&ccedil;a veio pesar sobre a sua exist&ecirc;ncia. O sofrimento, a idade avan&ccedil;ada, o estado de inconsci&ecirc;ncia, a imin&ecirc;ncia da morte n&atilde;o diminuem a dignidade intr&iacute;nseca da pessoa, criada &agrave; imagem de Deus&rdquo; (6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6. Uma sociedade com lugar para todos e uma vida com espa&ccedil;o para a morte<\/strong><\/p>\n<p>O recurso aos princ&iacute;pios &eacute;ticos n&atilde;o ignora que as circunst&acirc;ncias concretas escapam habitualmente a todas as tentativas de regulamenta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica ou deontol&oacute;gica. Aos crist&atilde;os pede-se que fa&ccedil;am a sua reflex&atilde;o sobre estes problemas em di&aacute;logo com os homens e mulheres de boa vontade, certamente &agrave; luz dos dados da sua f&eacute;, num esfor&ccedil;o por procurar um n&iacute;vel elevado de moralidade.<\/p>\n<p>Mesmo admitindo que algumas situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o demasiado complexas para proferirmos ju&iacute;zos pr&eacute;vios, e sabendo que nenhum preceito moral tem em conta a diversidade de situa&ccedil;&otilde;es que a vida apresenta, a legitima&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da eutan&aacute;sia ou do suic&iacute;dio assistido teria como consequ&ecirc;ncia uma press&atilde;o inevit&aacute;vel sobre todas as pessoas cuja vida n&atilde;o correspondesse aos padr&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o dominantes em determinada sociedade. Facilmente surgiria um grupo de n&atilde;o desejados, vistos como peso da sociedade. Pessoas gravemente doentes ou em estado terminal n&atilde;o podem ter de modo algum a impress&atilde;o de serem indesejadas, mas devem sentir de modo refor&ccedil;ado que s&atilde;o preciosas e queridas, e que a sociedade n&atilde;o se dispensa de fazer tudo o que est&aacute; ao seu alcance para as valorizar e integrar.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m da discuss&atilde;o sobre a legitimidade moral de optar por alguma forma de auto&#8209;determinar o final da vida, parece-nos fundamental reavivar uma leitura da vida humana, suportada pela f&eacute; crist&atilde; mas tamb&eacute;m pelas tradi&ccedil;&otilde;es humanistas da nossa cultura, em que a morte seja integrada como momento significativo da vida de uma pessoa e ao sofrimento seja reconhecida a possibilidade de se integrar no horizonte de sentido da exist&ecirc;ncia humana. A este prop&oacute;sito pode ser iluminadora a afirma&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo: &ldquo;Nenhum de n&oacute;s vive para si mesmo, e nenhum de n&oacute;s morre para si mesmo. Se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor&rdquo; (<em>Rm<\/em> 14,7-8). Como explica Jo&atilde;o Paulo II, &ldquo;morrer para o Senhor significa viver a pr&oacute;pria morte como acto supremo de obedi&ecirc;ncia ao Pai [&hellip;]; viver para o Senhor significa tamb&eacute;m reconhecer que o sofrimento, embora permane&ccedil;a em si mesmo um mal e uma prova, sempre se pode tornar fonte de bem&rdquo; (7). O crist&atilde;o encontra o sentido redentor do sofrimento humano, unindo&#8209;se a Cristo, no mist&eacute;rio da sua paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Antecipar a morte, pelo suic&iacute;dio assistido ou pela eutan&aacute;sia, ou prolongar desproporcionadamente o processo de morrer, tem como resultado uma expropria&ccedil;&atilde;o da morte, retirando ao indiv&iacute;duo a possibilidade de um morrer pessoal, no respeito pelos tempos necess&aacute;rios a uma integra&ccedil;&atilde;o da dor e da morte no sentido global da exist&ecirc;ncia humana. A doen&ccedil;a e a morte s&atilde;o processos pessoais, que, ao mesmo tempo, exprimem a individualidade de cada pessoa e determinam a atitude pessoal perante a pr&oacute;pria hist&oacute;ria. De facto, a maneira de morrer pode ser decisiva quanto ao sentido de toda uma vida. A morte n&atilde;o &eacute; um problema a solucionar, mas um mist&eacute;rio que envolve e provoca toda a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong> <strong>Gratid&atilde;o e esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, os Bispos de Portugal desejam enaltecer e agradecer:<\/p>\n<p>&ndash; o exemplo de generosa dedica&ccedil;&atilde;o de tantas e tantos que acompanham e servem doentes cr&oacute;nicos, deficientes profundos e outras pessoas que dependem fundamentalmente da ajuda que recebem;<\/p>\n<p>&ndash; o empenho dos profissionais de sa&uacute;de que se dedicam &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o para a supera&ccedil;&atilde;o da dor e aos que se entregam aos cuidados paliativos, oferecendo a qualidade de vida poss&iacute;vel a incont&aacute;veis pessoas em situa&ccedil;&otilde;es de grande debilidade;<\/p>\n<p>&ndash; o testemunho de tantas pessoas com doen&ccedil;as graves, profundamente limitadas, que s&atilde;o um exemplo de aceita&ccedil;&atilde;o e alegria e nos desafiam a sair da mediocridade est&eacute;ril do ego&iacute;smo em favor de um amor generoso sem fronteiras&hellip;<\/p>\n<p>Todos estes s&atilde;o a melhor resposta a quem julga ser uma boa causa promover a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia; os seus testemunhos s&atilde;o maravilhosos hinos &agrave; vida, que devemos sempre proteger.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>F&aacute;tima, 12 de Novembro de 2009<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; JO&Atilde;O PAULO II, <em>Evangelium vitae<\/em>, Vaticano 1995, n. 65.<\/p>\n<p>2 &#8211; CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O PARA A DOUTRINA DA F&Eacute;, <em>Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Eutan&aacute;sia<\/em> (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), II.<\/p>\n<p>3 &#8211; CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O PARA A DOUTRINA DA F&Eacute;, <em>Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Eutan&aacute;sia<\/em> (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), IV.<\/p>\n<p>4 &#8211; Cf. PIO XII, <em>Discurso a um grupo internacional de m&eacute;dicos<\/em> (24.02.1957), in: AAS 49 (1957), 145; CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O PARA A DOUTRINA DA F&Eacute;, <em>Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Eutan&aacute;sia<\/em> (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), 547; JO&Atilde;O PAULO II, <em>Evangelium vitae<\/em>, Vaticano 1995, 65.<\/p>\n<p>5 &#8211; PIO XII, <em>Discurso a um grupo internacional de m&eacute;dicos<\/em> (24.02.1957), in: AAS 49 (1957), 145.<\/p>\n<p>6 &#8211; JO&Atilde;O PAULO II, <em>Discurso aos participantes no XIX Congresso Internacional do Pontif&iacute;cio Conselho para a Pastoral no Campo da Sa&uacute;de<\/em>, 12.11.2004, n. 3.<\/p>\n<p>7 &#8211; JO&Atilde;O PAULO II, <em>Evangelium vitae<\/em>, Vaticano 1995, 67.<\/p>\n<p>\u0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota pastoral da CEP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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