Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o Ofertório para o Monumento a Cristo-Rei (23 de Novembro de 2003) A ideia de erigir em Lisboa um Monumento a Cristo-Rei surgiu quando, em Setembro de 1934, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa, visitou o Monumento erguido a Cristo no alto do Corcovado, sobre o Rio de Janeiro. De regresso a Portugal, D. Manuel Gonçalves Cerejeira apresentou essa ideia a diversas entidades, tendo a proposta granjeado, desde logo, significativos apoios. Em Julho de 1936, o Cardeal Patriarca propôs aos Bispos portugueses reunidos em Coimbra para a Festa da Rainha Santa a construção do Monumento. Na Pastoral colectiva da Quaresma de 1937, os Bispos aprovaram oficialmente a ideia. Começou, logo a seguir, a propaganda para a recolha do dinheiro necessário à construção da obra. Em diversos documentos surgidos nos finais da década de 30, os Bispos portugueses recomendavam aos seus diocesanos a oração e a generosidade para que o Monumento não demorasse a erguer-se. O início da Segunda Guerra Mundial, se bem que tenha tornado mais difícil a recolha de donativos, veio, por outro lado, criar mais um motivo para construir o Monumento. Diante da tragédia que ensanguentava o mundo, os Bispos portugueses fizeram, em 20 de Abril de 1940, a solene promessa de erguerem a Estátua, se Portugal fosse poupado aos horrores da guerra. Em Junho de 1941 comprou-se o local onde havia de erguer-se o Monumento. A ideia do Patriarca de Lisboa ia, a pouco e pouco, ganhando forma. Já depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, numa Pastoral Colectiva publicada a 18 de Janeiro de 1946, os Bispos portugueses reafirmavam a intenção de levar por diante o projecto de dotar a cidade de Lisboa de um Monumento a Cristo-Rei. As diligências para a erecção do Monumento continuaram nos anos seguintes, com persistência e entusiasmo, apesar de os donativos chegarem com lentidão. Em Novembro de 1948 foi apresentado ao Patriarca de Lisboa o modelo de Monumento, da autoria do arquitecto António Lino. No dia 18 de Dezembro de 1949, foi lançada a primeira pedra do Monumento que o Cardeal Patriarca de Lisboa solenemente benzeu. Entretanto, o escultor Mestre Francisco Franco era encarregado, em Agosto de 1950, de fazer o modelo da estátua e o engenheiro D. Francisco de Mello e Castro fazia os cálculos. A escassez de recursos económicos constituía uma dificuldade sempre presente; contudo, a boa vontade e o sacrifício dos fiéis fez com que, a pouco e pouco, a obra fosse ganhando forma. No final de 1956, o pedestal estava concluído e, no decurso de 1957 e 1958 moldava-se e fundia-se a imagem de Cristo. No dia 17 de Maio de 1959, o Monumento foi inaugurado, na presença de todos os Bispos portugueses. Com a criação da Diocese de Setúbal, o Monumento ficou situado na nova Diocese. Num período transitório, a Bula de criação da nova Diocese deixou provisoriamente o Monumento sob a jurisdição do Patriarcado de Lisboa. Essa situação provisória foi ultrapassada, há cerca de cinco anos, quando o Monumento foi oficialmente integrado na Diocese de Setúbal, sob a jurisdição do seu Bispo. Há tempos que se vinha verificando a necessidade de obras de restauro, para contrariar a normal erosão do betão armado, que começava a criar riscos físicos para os visitantes. As obras, que acabaram por ser realizadas já sob a responsabilidade da Diocese de Setúbal, custaram cerca de um milhão de euros. Tratou-se, contudo, de um encargo incomportável para a administração corrente do Monumento, que teve de se endividar para as pagar. Dado que o Monumento a Cristo-Rei foi erguido graças ao empenho dos fiéis de todas as Dioceses de Portugal, a Conferência Episcopal quis colaborar com a Diocese de Setúbal na restauração do santuário; assim, decidiu que, em todo o país, os ofertórios das missas do dia 23 de Novembro de 2003, Solenidade de Nosso Jesus Cristo, Rei do Universo, se destinarão a ajudar a Diocese de Setúbal a satisfazer esse encargo. Além de constituir um gesto de solidariedade para com a Diocese de Setúbal, a decisão da Conferência Episcopal tem como finalidade valorizar o Monumento a Cristo-Rei como local de peregrinação para o Povo de Deus. O Monumento possui, aliás, estruturas que poderão ser utilizadas por pessoas ou por grupos que queiram fazer do Monumento a Cristo-Rei um espaço de oração ou de reflexão. Pedimos o apoio e a generosidade de todos, pessoas e comunidades, para esta obra. Ela continua a ser, hoje, um testemunho da fé e da confiança dos portugueses em Cristo-Rei, o Senhor da história; ela continua, também, a evocar a presença contínua de Cristo na cidade dos homens, de braços abertos, oferecendo ao mundo a paz e a salvação. Fátima, 08 de Outubro de 2003