É com profunda alegria que a Conferência Episcopal Portuguesa saúda a decisão do Santo Padre ao reconhecer hoje as “virtudes heroicas” do Servo de Deus Padre Américo, fundador da Obra da Rua/Casa do Gaiato, em Portugal e África (Angola e Moçambique), com sede em Paço de Sousa, Diocese do Porto. Trata-se de um passo importante rumo à beatificação deste gigante da caridade, grande educador português, místico do nosso tempo, precursor do II Concílio do Vaticano, artista da palavra e servidor dos pobres.

O próprio Padre Américo intuiu a corresponsabilidade de todos na construção do Bem Comum: «seria outro ovo de Colombo. Todos teriam ocasião de apreciar e de sentir como, afinal, é tão fácil, o que até hoje, aos nossos olhos preguiçosos, se tem posto como impossível: cada freguesia cuide dos seus pobres».

Aquando do centenário do seu nascimento em 1986, os Bispos escreveram numa nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa: «queremos assumir o centenário do padre Américo, não tanto como uma honra para a Igreja em Portugal, mas sobretudo como um compromisso e uma responsabilidade para nós e para as nossas Dioceses. Que todos partilhem com generosidade e com fé esta graça e esta responsabilidade».

Noutra nota pastoral em 2006, por ocasião do centenário da morte do Padre Américo, os Bispos acentuaram a importância da sua experiência pedagógica: «A todos os portugueses, decerto preocupados com os atuais problemas da educação e com o número porventura crescente de crianças em situação familiar de risco e desamparo, lembramos que a experiência pedagógica do Padre Américo continua um manancial a integrar em formas adaptadas às instituições sociais mais recentes. Que Deus nos ajude a recolher as suas riquezas, validamente pedagógicas e profundamente cristãs».

Chamado e conhecido carinhosamente por Pai Américo, este Padre diocesano, amigo de Deus e dos Pobres, há muito “santo no coração do Povo português”, é uma referência que ajudará a despertar a sociedade e a Igreja para a maior atenção aos pobres, bem como o serviço e a entrega total aos últimos, no nosso tempo marcado pela urgência da Caridade e da Misericórdia.

 

Lisboa, 12 de dezembro de 2019

P. Manuel Barbosa, Secretário da CEP