(Cidade da Praia, Cabo Verde, 27-29 de abril de 2018)

  1. Estivemos reunidos na Cidade de Praia (Cabo Verde) de 27 a 29 de abril de 2018 no XIII Encontro de Bispos dos Países Lusófonos (EBPL), para partilhar as realidades sociais e eclesiais, tendo como tema principal «Os Jovens na Igreja: presença efetiva e transformadora»:
  • de Angola, D. Filomeno Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST), e D. António Jaca, Bispo nomeado de Benguela e Secretário da CEAST;
  • do Brasil, Cardeal D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e Murilo Sebastião Krieger, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Vice-Presidente da CNBB;
  • de Cabo Verde, Cardeal D. Arlindo Gomes Furtado, Bispo de Santiago, D. Ildo Fortes, Bispo de Mindelo, e padres João Augusto Mendes Martins e Edson Bettencourt, respetivamente Vigário Geral e Chanceler da Diocese de Santiago;
  • da Guiné Bissau, D. Pedro Carlos Zilli, Bispo de Bafatá, e D. José Lampra Cá, Bispo auxiliar de Bissau;
  • de Moçambique, D. Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM);
  • de Portugal, Cardeal D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), P. Manuel Barbosa, Secretário da CEP, e Dr. Jorge Líbano Monteiro, Presidente da Fundação Fé e Cooperação (FEC);
  • de S. Tomé e Príncipe, D. Manuel António dos Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe.

 

  1. D. Arlindo Gomes Furtado iniciou os trabalhos com a invocação do Espírito Santo, reforçou a relevância destes encontros e saudou todos os participantes, que confirmaram o Regulamento Interno do EBPL e a agenda desta reunião.

 

  1. A partir da nossa partilha sobre situações e desafios sociais e eclesiais de cada país, apresentamos algumas constatações e desafios comuns:
  • Verificamos que nos nossos países a Igreja se manteve fiel à sua missão profética de procura de caminhos comuns através do diálogo e da afirmação pública das suas convicções, contribuindo para uma sociedade democrática que defenda a dignidade humana, a paz e o bem comum.
  • Denunciamos a mentalidade individualista e consumista que contraria perspetivas de futuro para os jovens como a falta de emprego e incentivamos projetos que apoiem de modo criativo a sua integração no mundo empresarial e laboral.
  • Valorizamos a simplificação da concessão de vistos nalguns países, que facilita a livre circulação de pessoas e bens, e esperamos que esse processo se possa estender a todos os países lusófonos, promovendo assim uma verdadeira comunidade de pessoas.
  • Constatamos a dificuldade das famílias viverem a sua vocação cristã e a sua decisiva importância para a sociedade e para a construção da comunidade cristã, e sentimos a urgência de acompanhar cada vez mais as famílias na sua realidade, através da nossa ação pastoral de acordo com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia e em colaboração efetiva com movimentos de famílias.
  • Saudamos o reinício da emissão nacional da Rádio Ecclesia em Angola e reforçamos a importância da liberdade de imprensa para a consolidação de uma sociedade plural e democrática.
  • Verificamos significativos aumentos de vocações sacerdotais nas diferentes Igrejas lusófonas, como sinal da sua vitalidade.

 

  1. No seguimento do último encontro, partilhámos as implicações, aprendizagens e ações pastorais da Encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco sobre a ecologia e o cuidado pela nossa casa comum. Verificamos uma maior consciência das nossas comunidades pela ecologia integral e a existência de inúmeros projetos em curso, em que destacamos a criação da «Floresta Laudato Si’» em Angola pela CEAST, com a plantação de milhares de árvores para travar o avanço do deserto.

 

  1. Refletimos sobre «os Jovens na Igreja: presença efetiva e transformadora», em ligação com o processo de preparação da próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre «os jovens, a fé o discernimento vocacional». Escutámos a realidade dos jovens nos diferentes países, salientando as boas práticas pastorais com os jovens, a realização de jornadas mundiais, diocesanas e nacionais de juventude, as iniciativas de voluntariado missionário, campos de férias e movimentos que acompanhem os jovens nas suas realidades quotidianas. Reforçámos a importância decisiva das famílias para o desenvolvimento dos jovens e a necessidade de potenciar a comunidade cristã como família de famílias.

 

  1. Propomos unanimemente que a língua portuguesa, a quinta língua do mundo falada por 260 milhões de pessoas, seja utilizada como língua oficial nas assembleias gerais do Sínodo dos Bispos.

 

  1. Acolhemos Martin Brockelman Simon, que nos apresentou a realidade e as propostas da Misereor na luta contra a pobreza na África, Ásia e América Latina, focando particularmente as problemáticas dos refugiados, migrantes e tráfico de pessoas. Fomos ainda informados das declarações finais, quer do IX Fórum das Cáritas dos Países Lusófonos, que decorreu em Cabo Verde em outubro de 2017 sobre o tema «Fome e Desigualdades, o compromisso da Cáritas nos processos social e económico desses países», quer do Encontro de 43 países da Região África da Cáritas Internacional, que decorreu em Dakar em setembro de 2017 sobre o tema «Organizando o serviço caritativo em África: o papel dos Bispos».

 

  1. Manifestamos a nossa gratidão e congratulação pela celebração, em 2017, do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, que culminou com a canonização de Francisco e Jacinta Marto pelo Papa Francisco em Fátima, dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, dos 50 anos de existência da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e da Conferência Episcopal Portuguesa e dos 40 anos da Diocese de Bissau.

 

  1. «Os desafios da Igreja à Sociedade» foi o tema da sessão pública que decorreu no salão do centro paroquial Nossa Senhora da Graça e teve D. Manuel Clemente, D. Sérgio Rocha e D. António Jaca como intervenientes. Em atitude de reciprocidade, a Igreja propõe os valores evangélicos concretizados nos quatro grandes princípios da doutrina social da Igreja: dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade; os mesmos princípios que a sociedade espera que sejam vividos com coerência pelos cristãos. Entre os vários campos de atuação desta implicação recíproca, foram referidos os seguintes: o estilo de vida dos jovens cristãos, participando com coerência nos espaços da vida social e eclesial; o cuidado da ecologia e da casa comum, assumido com responsabilidade a nível pessoal e dos poderes públicos; a convivência respeitosa e pacífica entre as pessoas, incentivando uma cultura do diálogo, da fraternidade e da paz; a defesa intransigente da vida, da dignidade humana e da família, através de leis que protejam a vida e a família; a luta contra a corrupção, o tráfico e a escravatura de pessoas, a ideologia do género, a eutanásia e tudo quanto não dignifica a pessoa; a promoção da presença da mulher na Igreja e na sociedade.

 

  1. Tivemos uma audiência na Assembleia Nacional de Cabo Verde com o seu Presidente, e Presidente da República em exercício, Eng. Jorge Santos, de quem recebemos palavras de reconhecimento e incentivo à presença da Igreja neste país.

Visitámos o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, onde tomámos conhecimento da sua atividade, e a Cidade Velha, Património Mundial da Humanidade, onde relembrámos a ação missionária e cultural da Igreja em Cabo Verde.

 

  1. Em comunhão com a Igreja local e seus pastores, celebrámos a Eucaristia dominical na Catedral de Nossa Senhora da Graça, agradecendo ao Cardeal Arlindo Gomes Furtado o excelente acolhimento ao longo deste encontro.

 

  1. O XIV Encontro de Bispos dos Países Lusófonos vai decorrer na Guiné-Bissau, de 16 a 19 de janeiro de 2020, cabendo desde já aos Bispos deste país assegurar a presidência do EBPL até à sua realização, em coordenação com a Fundação Fé e Cooperação (FEC).

 

Cidade da Praia, Cabo Verde, 29 de abril de 2018